Temos o monstro aprovado. Bom fim de semana. Adenda: deixo aqui uma banda sonora possível para isto.
A vossa ajuda continua a ser precisa. É graças ao iPod Touch que serei capaz de fazer ilustrações com mais piada que a amostragem acima. O Prezado é viciado em desenho, vive em Lisboa, com 3 gatos e uma flatmate com TPM permanente, já votou em branco, não tem carta de condução e gosta de iPods Touch.
Depois de um chat longo - que isto de conversas ao vivo está em desuso - sobre o eterno tema das relações, a almofada ofereceu-me sonhos bizarros metendo eléctricos de madeira de 2 andares, bairros decrépitos, um almoço num tasco onde eu usava a minha faca dos legumes enquanto duas chinesas sem cabelo andavam à porrada, passando por um reservatório de água gigantesco que era um estudio de som, uma homenagem clara ao encontros imediatos de 3º grau e um encontro com um casal de meia idade com 2 filhos. Mas a conversa anterior foi reveladora, depois de uma meia hora só a discutir um só álbum do Stevie Wonder. Fica aqui o conceito geral. Dica: não abusem do queijo ralado do Dia.
Somos tão campónios que às vezes deixa de ter piada. Qual é a cena com os macarons e os cupcakes? De repente tudo quanto é blog descobre que não podia viver só com garibaldis, rins ou palmiers recheados e que a vida só tem sentido com aqueles bolos que é costume ver muito bem fotografados num Tumbler qualquer na net. Eu gosto de pirâmides. sim, o tal bolo que se deve evitar. Já falei com pasteleiros, eles confirmam, não é lenda urbana, é verdade. Mas sabem bem. As melhores são as da Evian, de Benfica. Como são feitas de restos e raspas de bolos bons, ficam óptimas. No entanto, e mesmo com aquela poia de creme branco e uma cereja em calda em cima, não perdem o ar de poia no seu todo, coberta de chocolate, em toda a sua glória. São inestéticas, dir-se-á. Já estes bolos que ficam bem para a foto e que estão na moda, são género filha-do-néné: têm um ar porreiro, muito bem conseguido, mas no fim nunca sabemos bem o que estamos a comer. É minha convicção que foram inventados por fotógrafos de alimentos e são feitos de esferovite, creme de barbear, pó de extintor, fita isoladora e dan-cakes. O que for preciso, desde que tenha bom ar. E ainda perdem tempo a discutir orçamentos de estado.
A minha companheira de casa trocou as voltas à casa: fechou os hamsters ( sim, além de gatos tem ratos ) noutro quarto, na ala oeste, deixando o quarto dela aberto, na esperança que os gatos fiquem na cama dela. É que ontem percebeu que o gato mais pequeno, albeit a quantidade de pontapés que leva, prefere a minha companhia.
Em vez do Galeto, vou à Mexicana. E perguntam-se: Este tipo só vai a pastelarias de velhos? Bom, sim. É raro ir beber café a estabelecimentos com menos de 50 anos. Por isso cada vez vou mais longe. Temo que até ao fim do ano passe a tomar café em Benidorm, depois de ter esgotado todos os "café central" nacionais.
Fui até ali ao Galeto, beber um café e enquanto estou nisto, rabisco uns desenhos no caderno ou escrevo frases soltas que ouço. Ou fico a olhar para a rua. Noutros tempos, estaria de headphones, a ouvir a musica habitual. Mas habituei-me a andar sem mp3. E assim notei como o silêncio se tornava raro. Não só para mim, como para todos. E o tédio, que não é só não ter o iPod para poder ouvir musica a todo o momento ou desenhar, agora é a ausência de entretenimento. Eu e todos, desabituámo-nos de simplesmente parar e estar. Existir. Como vi por aí escrito, se temos um minuto morto à espera de algo, pegamos logo no telemóvel para nos mantermos de cabeça ocupada.
Hoje não estou com paciência para escrever, por isso deixo só o cabeçalho de Halloween. É sabido como gosto de comemorações impostas pelo imperialismo americano, por isso vejam isto apenas como um grito de protesto.
O PPC precisa de um iPod Touch. Estudos norte-americanos revelam que os bloggers são mais felizes quando utilizam musica para bloquear a realidade social de um 50 em hora de ponta.
Saí de casa directo à Culturgest, para ir ao doclisboa, depois de ter estado parte da tarde na ronha a ver outra referência do documental, o Zorro. Esperava-me um grupo de meninas não muito amante do documental, dada a displicência com que apreciaram o Galeto, onde fomos antes da sessão começar. Depois, Culturgest.
- Filme: My Joy, de Sergei Loznitsa. É uma ironia, disse o director do festival. Tinha razão. O filme é cru, árido, longo, feito a golpes de machado. A vastidão do cenário a tomar uma grande parte da tensão. Uma ficção feita por um documentarista. Um filme que gostei. Uma história muito simples, um conjunto de retratos feios. -
Com a vizinha do lado esquerdo a desesperar de sono e a não conseguir ver o filme, algumas pessoas a sair a meio, comecei a achar que planos de 3 minutos de estradas com neve podem realmente dar cabo da paciência de um santo. Mas é assim que também se ganham palmas em Cannes. Depois, Bairro Alto. De carro. Tarde. Isto equivaleu a percorrer o mesmo bloco de edifícios durante 45 minutos, aos círculos, até finalmente o carro ficar em cima de uma passadeira. Depois, subir a pé até à Mercearia. O género de bar que nunca entraria sem intermediários. Depois, o diálogo da noite, entra em cena a romântica de um metro e vinte: - Hoje estive a ver um filme que é capaz de os surpreender, amei aquilo, é surpreendente, vão ficar chocados. - Prezado desperta logo, quando dizem isto, porque já viu 70% da internet que ninguém quer ver. - Força. Duvido que me consigas chocar, mas chuta. - Prezado confiante, a certeza, a convicção inabalável. - É uma obra genial. Não sei se são do género romântico - oh merda - mas é o... Twilight. Segue-se longa e apaixonada descrição sobre as qualidades cinematográficas, estéticas, narrativa e apreciação estética sobre os actores. Imaginem alguém a descrever a cinematografia de um Wong Kar-Wai ou de um Coppola, mas no fim descobrem que estão a falar do Twilight. Ainda fiz saber de vários modos que gostos não se discutem. Enfim, ganhei uma fan e descobri que há trepanações que correm mal. Já em desespero, dado o espancamento que é ouvir "Twilight é um grande filme", recebo o sms que me salva a noite, um amigo numa discoteca gótica ao pé do Saldanha. Grande sessão de metal, industrial e afins, a fechar com o Final Countdown com uma discoteca inteira a rir-se. Genial. Deixo aqui o que foi o momento alto da noite de ontem, no seu todo:
E ainda passei pelo grande Jorge Palma, sóbrio. (eu, não ele )
As discussões politicas continuam e prevejo que ainda tenha mais umas quantas, enquanto tiver amigos fascizoides, pró-Socráticos e afins. Quando os escolhemos na infância nunca sabemos que um dia eles vão votar no Manuel Monteiro. E isso, pá, é pior que bater na avó. Ou ser escuteiro. Ou ter uma ressaca à Jorge Palma. Felizmente ter genética de um avô salazarista e monárquico ajuda nestes casos.
Para descansar do debate, apanhei a Filipe Folque, rua que gosto não só porque não tem "R's" complicados e assim toda a gente percebe à primeira o nome da rua se tiver de o declamar em voz alta, como tem uns belos exemplares de arquitectura e escultura, e a ridícula embaixada de Israel, com os seus 45 pinos de cimento e duas cancelas a fechar a estrada em menos de 15 metros de rua.
O Prezado continua viciado na música dos Junior Boys de há 3 posts atrás. Já a ouviu 36 vezes, 14 delas de uma empreitada. Vão lá, e ao botão.
Pela primeira vez na vida, tive uma mulher-a-dias em casa. E no meio do universo de mulheres-a-dias possíveis, porque teve de calhar uma que gosta de gatos, mas no sentido retardado-mental do termo? Tive de sair, não por causa do barulho do aspirador - turbina meio pifada - , mas por causa do barulho da senhora a falar com os gatos. Eu falo com os gatos, claro. Eles respondem, até. Porque os trato com respeito. Falo como falo com um colega de copos, na boa. "Olá gato, tudo na boa? a curtir o sol, não é? cabrão, grandes vidas...". E assim. Mas, e quando a dona dos gatos já tem este problema que tanto trabalho me dá a corrigir, o falar como se eles fossem parvos, ainda aparece a mulher-a-dias com um vocabulário ainda pior. Não admira que eles achem que isto é tudo deles. Bilu bliu meu pequenino meu querido quem é o meu querido quem é ai que gatinho mais lindo da mãe que lindo nhi nho nho nhi farrusco lindo miau miau meu rico bichaninho lindo lindo meu amor Ela junta o fofo com o infantil-retardado. Tenho albuns de Napalm Death e Corrosion of Conformity que me custam menos a ouvir. Foi da maneira que fui apanhar sol.
A senhora merece tudo o que ganha, aspira mais tempo uma divisão do que eu a casa toda.
Não pensem que estou distraído. O Take us to iPod Touch está à vossa espera e à espera da vossa valiosa contribuição.
Depois dos gatos me acordarem a arranhar a porta, descubro que cheios de boa vontade, andaram a tentar lavar o chão da cozinha com a água das tigelas. Mas devem ter tido dificuldades com a esfregona e deixaram a coisa a meio. De qualquer forma, hoje deve vir cá uma senhora dar um jeito na casa. Digo "dar um jeito", porque isto é um trabalho inglório. Eles vão tentar arrumar a casa à maneira deles assim que a mulher virar costas. Resta-me meter uma banda sonora para começar bem o dia. A senhora não foi avisada que a parte complicada não era aturar os gatos, mas a dose de Stevie. E o meu cheiro.
O botão cor-de-laranja que vos separa de uma doação e me separa de um sonho é à direita. Não custa nada.
Fui ao barbeiro, ouvir a rádio na comercial, pente 1, ler a Bola e ver como anda o Jesus. O senhor Zé pergunta-me se o corte é o do costume e eu pergunto-lhe se o Simão ainda é do Benfica. Pois. Qualquer dia, nem o Nuno Gomes, eu ( incrivelmente ) sei. É que eu não percebo uma porra de bola. E na verdade nunca entrei num barbeiro. E não li a Bola. Li a Tokion. E não ouvi a comercial, ouvi Junior Boys e por acaso uma que gosto e fica no ouvido.
E cada vez mais, o Chiado faz Lisboa parecer uma capital europeia.
Adenda: Hoje já ouvi esta música 20 vezes. Compulsivo.
A vossa ajuda continua a ser precisa. Dos 9 milhões de leitores, eu estimo que pelo menos 37 têm Paypal. Não se acanhem. Cor de laranja. Direita. Nenhuma doação é pequena demais - já tive uma que terminava em.12 cêntimos.
A Rute foi a centésima pessoa - reparem que digo centésima, e não "numero 100", como se ouve nos telejornais todos - a tornar-se seguidora deste tasco. Como prometido, vou vilipendiá-la.
Rute, tens pouco que fazer. Seguir este blog? há aí tanto blog melhor. Aqui raramente tenho piada, embora tente. Não falo de sexo. Não falo de sapatos. Não falo do Benfica. Raramente ofereço passatempos e se o faço , é para meu proveito ( vide Take us to iPod Touch ). Não podes ser boa pessoa.
O centésimo cliente do PPC tem direito a ser vilipendiado on-line ainda hoje. Aproveitem.
Adenda1: falta 1.
Adenda2: O 100º cliente é a Rute.
Nada se vai meter no meu caminho, digo-vos. A campanha Take us to iPod Touch sabe que terá sucesso, porque sabe que a sua missão é um bocado fútil. Mas é minha.
De momento, não estou. Estou nos fundos. Qualquer coisa, toquem ao botão cor-de-laranja.
Depois de ouvir o estafado argumento "e o guito que vai para esses filmes portugueses que ninguém vê?", argumento próprio de quem anda a recolher informação de taxistas, gajos do PP e guionistas frustrados, encontrei esta infografia no Público. Ali o pontinho na constelação é o orçamento para o ministério da cultura. Desculpem lá, não podemos ser conhecidos lá fora só por causa do Eusébio e do Ronaldo. Deixem lá os chulos dos realizadores ganharem umas palmas em Cannes.
Adenda: O circulo correspondente não está à escala correcta. Foi aumentado, para facilidade de leitura, esclarece a legenda que só vi depois.