terça-feira, novembro 30, 2010

O fim da entropia

Casa sem a menina do trombone, noves fora fica nada. O caos instalou-se: Sem um elemento de ordem, a louça empilha-se - é sempre mais interessante ver filmes na cama que lavar louça, lei da termodinâmica da casa fria - a roupa empilha-se, o aquecedor novo é a nova mascote da casa. Gosto mais dele do que do gato mais pequeno.

Estou à espera do vosso conto de Napalm. Nos ultimos dias recebi alguns contos de Napalm, não se sintam estranhos, pensem que isto é mais de fiar que o banco alimentar. Eu vou MESMO ter um iPod Touch, não vou tirar a fome a ninguém que não precisa.

sábado, novembro 27, 2010

Tascos

Descobri um tasco congelado no tempo ao pé da embaixada de Espanha, na Rua do Salitre. Uma antiga casa de chá, leitaria, o que for. As mesas em fila, de toalha aos quadrados, sem espaço para almoços a dois, a parede ao fundo com as fotos do tempo da sociedade recreativa, a cabeça de touro de louça, as plantas caquécticas à janela, os tectos amarelos, o mesmo verde em todas as paredes. Tudo arcaicamente arrumado. tudo alinhado. Sem acessórios. E depois de quase 40 minutos a olhar para as paredes, a espera justifica-se: um bitoque feito à mão. À antiga.
Só como bifes assim quando é a minha avó a fazer.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Estrógeneo

Há uns meses, As doses de estrogéneo em casa eram controladas. Havia alguns problemas com a ASAE, com a sociedade protectora dos animais - os bolores têm direitos e não posso fazer criação sem autorização - e com a PJ, mas a coisa seguia, graças a essas fadas do lar. Agora, o palacete tem sempre estrogéneo. Isto é: Os bolores praticamente estão em extinção. Assim que o milagre da vida desponta no frigorifico, só ouço um "olha, o teu queijo da serra tá a ficar com bolor, vou deitar isto fora." e pronto. Coiso interrompido.
Os neurónios da tampa-da-sanita-para-baixo, das meias-fora-do-chão-da-casa-de-banho, da toalha-a-secar-no-estendal, dos pêlos-da-barba-no-lavatório nunca estiveram tão activos.

quinta-feira, novembro 25, 2010

ainda sobre a greve

Só gostava que o pessoal percebesse que o significado de greve geral deve ser protesto público geral. Mas pronto. Como hoje vi uma sondagem a dar maioria absoluta ao PSD, não me parece que valha a pena gastar latim. Perolurum a cerdum oc.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Este blog está em greve

G'EVE GE'AL

Há 3 anos também esteve. Este ano o PPC alinha novamente com os desempregados, os desregrados, os despauperados, os despenados, os desalinhados, os des-chauferizados, os descontentes, os descontantes, os descretos. Entalem o Sócrates por mim, pá. Que eu hoje não posso.

terça-feira, novembro 23, 2010

Um Conto de Napalm


Na linha editorial do PPC, há algumas regras. Nenhuma é fixa porque eu sou um patrão psicótico, mas uma é recorrente: Não aprovo o Natal. É uma época que me aborrece até à ponta dos cabelos. Farto farto farto tão farto deus tão farto que eu estou do Natal e ainda nem começou sim porque não vou nessa tangas publicitárias que metem o Natal a começar em Agosto um dia destes e para mim Natal é só depois da primeira semana de Dezembro.
Este ano, o Prezado quer o famoso iPod Touch no sapatinho. Por isso, lanço hoje - sim, ó incoerência, antes da primeira semana de Dezembro - um peditório.
Um Conto de Napalm. É tudo o que vos peço. Peço a cada um de vós, pessoal farto do Natal, um conto - são só 5 euros - para o napalm. Este ano, é a vossa oportunidade, única e última, de tornar este Natal inesquecível. E como o PPC é um tasco desprovido de ética, propõe isto: Quem doar mais contos de napalm, ganha um header um pouco menos espetacular que o do PPC.

Juntem-se a esta causa. É só mais uma e há aí tantas com sentido.

Sou burro

Largo os layouts do trabalho e chego a casa e meto-me a fazer mais layouts, só para aquecer.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Fases

Hoje fiz outra vez as pazes com Deus. Tranquei um gato - o mais pequeno - num quarto da ala Oeste para ter sossego. Comi salada com molho picante. Tomei ben-u-rons. Estive no chat a destilar ódios, cobiças e desencontros. Andei pouco. Comi espetadas de peru. Dei comer aos gatos. Fiz esboços nas costas de contas do pingo-doce. Bebi Coca-colas. Tranquei-me da menina do trombone. Enganei-me numa paragem. Continuo a gostar de leggings, mas nunca usei. Comi rebuçados peitorais do Doutor Bayard. Os gatos usam o portátil como assento. Eu não meto metade dos assentos que devia. Deixei roupa por estender, a esta hora essa roupa será uma cama de gato. Sonhei com batalhas com alemães no Algarve. Matei uns 5 - devo avisar que mesmo em sonhos, ou especialmente em sonhos, dado nunca ter experimentado carregar uma Luger, que estas são particularmente rijas a armar - à queima roupa. Estou farto de ver o Gmail com 4000 mails por ler, mas não estou para fazer muito quanto a isso. Tenho sono.

domingo, novembro 21, 2010

Só para ver se o cognome funciona

Os gatos da menina do trombone fazem-me a vida num inferno. Estou capaz de meter o mais pequeno no caixote. O cabrão mete-se em cima do fogão a cheirar os hamburgueres, com o lume aceso? filho da puta.

Puro Malte

Neste ultimos 4 meses fiz uma importante transição: mudei de casco, e com isso, passei de velho a datado, de datado a vintage, vintage a malte. A má escolha de ténis destoa ainda, mas é a excepção que confirma a regra. Troquei o action men e os legos de uma vez por todas por computadores. Deixei de usar perfume e passei a tomar banho todos os dias. Troquei saladas de rucula e vinagre balsamico por pizzas e lasanha do pingo doce. Deixei de fazer posts e passei a escrever crónicas. Tornei-me fransciscanamente humilde. Uma degradação graciosa.

Há quase 4 meses que me mudei para o Arco do Cego. E posso dizer que se vive muito bem na ala este do palacete Prezado-Flatmate.

Tenho de arranjar um nome de código para a flatmate, facilita. Abri um catálogo de livros e escolhi o titulo de um, ao calhas: "A rapariga do trombone". Assim será.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Futebol, esse mundo

Prezado mais calmo, relata agora a ida a Campo de Ourique.
Subido o Sol ao Rato ( o tempo que passo nesta rua ), umas voltas ao quartel e dou com a sociedade recreativa onde assisti ao jogo de ontem.
Todas as faixas etárias, todas as raças - exceptuando chineses, indianos, esquimós e mongóis - todos os estratos sociais - exceptuando Champalimauds - estavam presentes. Imagine-se agora uma sala com 40 pessoas a beber imperiais a 65 cêntimos durante 90 minutos. A cada golo, a berraria. Mas o mais impressionante:
Cada adepto é um cómico de stand-up de excelência. A espantosa capacidade de improviso deixava-me zonzo. Tudo porque o domínio do tema faz do adepto um Nuno Rogeiro altamente focado, um ninja da piada da bola. Comecei a imaginar como o mundo seria belo se houvesse adeptos de politica, adeptos de economia, adeptos do trabalho. Também havia falhas. Por vezes, a argumentação mais rápida não era tão certeira:
- eh meu o gajo teve muita mal!
- cala-te pá.
-"cala-te" és tu, pá.
Depois de uma troca mais azeda de quem-diz-é-quem-é e mais umas imperiais, a coisa acalmou, a tempo de ver o ultimo golo em paz.
Para mim é algo recente, isto de assistir a jogos de futebol voluntariamente. Por isso, fui incapaz de aplaudir um golo sem me rir. Daí ter chegado a casa a doerem-me os maxilares de rir tanto.

É a crise.

Assoberbado pela vitória da selecção, não consigo escrever sobre o tema, tal é o estado esfuziante em que me encontro. Prefiro assim descrever o almoço e os novos efeitos da crise nos restaurantes de Lisboa, para me acalmar.
Como sabem, há restaurantes só para almoços, ao lado dos escritórios, geralmente. Neles, temos doses. Quem tem fome, come doses. Os gajos comem DOSES.
Com a emancipação feminina, surgiu a meia-dose, feita para a mulher que nunca tem fome para uma dose, porque passa o tempo a comer bolachas de água-e-sal e peças-de-fruta durante a manhã.
Depois, surgiu o mini-prato. O mini-prato é mais pequeno e mais barato que uma meia-dose, mas não tem relação nem com pouca fome, nem com economia. Tem a ver com falta de amor pela vida. Um português que peça um mini-prato, não tem tempo para perceber o que é que comeu e já está a pensar nos impressos que tem por preencher na secretária e se não leva uma pissada por levar mais que 7 minutos a comer.
Depois, surgiu um género de prato inesperado: O que comi hoje. Ignorando e tentando toldar o critério Quantidade - suprema grandeza que define todo o comportamento humano - surge-me à frente o prato MEIO FEITO.
Suprema merda, em que ao invés de receber um prato de redondas e elástica argolas de choco, vem uma puta de uns chocos ainda com aquilo-que-se-dá-aos-piriquitos-e-não-sei-o-nome, a porra das entranhas todas, e ainda - Prezado, lobo dos 7 mares e ex-visitante do aquário Vasco da Gama lembra-se - o bico, feature anatómico digno de filme sérvio, 3 chocos 3, inchados como lontras, largados em cima do prato e bombardeados com 3 batatas cozidas inteiras ao lado. A ideia é fazer o prato mais barato não pelo tamanho, mas pelo corte de mão-de-obra. O tempo de arranjar chocos já lá foi. O tempo de escrever este post, podia ter arranjado 4 chocos. Não arranjei? azar. Como-os inteiros que me lixo.
Preparem-se, a crise veio para ficar e se começarem a servir-vos pratos de coelho ainda com os olhos, frangos com cabeça no churrasco, chispe ainda com pêlos - espera, isso é habitual e desejável - ou cabeças de peixe com o resto do peixe ainda agarrado, não se admirem. É o FMI.

terça-feira, novembro 16, 2010

Filípedes não faria melhor

Fosse Lisboa terraplanada e o Prezado seria o homem da maratona. À hora de almoço salta da Rotunda do Marquês ao Rato, sobe ruas de sol ao prato acima com os bofes de fora, almoça com o pessoal, amigos de outros tempos, gajos gajas e afins, velhos a cair, empregados xicos-espertos, directores financeiros pançudos carecas, chineses em catadupa mais que as mães, desvia-se à ultima do café, consegue deglutir uma mousse em 17 segundos e volta a descer em corrida, a dor de burro a matá-lo mas não pára sabe que tem de chegar antes que todos se matem como combinado apre.


O botão laranja está à vossa espera. O apelo é o novo, no entanto. Gostava de impor a partir de hoje uma taxa PPC, funcionando assim: mesmo que não gostem e não leiam o blog, pagam um valor simbólico. Podia inclui-lo na vossa factura da EDP, mas não tenho meios para isso. Se acham o processo estranho, perguntem à RTP se tem funcionado.

Deixar a rotina instalar-se

É ir para o trabalho depois de obrigar os gatos a subir a escada de volta para casa, apanhar o metro e fazer o caminho em people-watching. Andar mais uns metros e apreciar o franjinhas, prémio Valmor não sei porquê, beber o café no sitio do costume, - espero que mais uns tempos e saibam que bica é cheia e traz sempre uma copo com água atrelado - dizer bom dia ao segurança e trepar para o andaime.
Trabalhar.
Sair com calma e ir andando a pé avenida acima, como sempre descobrir uma rua nova pelo caminho ( já não sobram muitas ). Podia fazer isto mais vezes como fiz ontem, ao telefone na conversa. Passar no super, passar pelos mesmos putos a fumar brocas, passar pela velhota que está sempre à janela no rés do chão, subir a casa, voltar a descer para obrigar os gatos a subir a escada de volta para casa.
Descansar.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Perdido por Queluz

Depois de um jantar com pessoal de universidade, uma geração à frente, num restaurante onde uma dose dava para 12, acabámos aqui ao pé do Saldanha. Não sei porque, pareceu interessante desprezar o Lux e entrar num daqueles bares quase incógnitos, de porta branca e letreiro discreto. Quarentões e trintões à dezena, mulheres poucas e a nadar em rios de baba. Vou dizer que esta noite marcou a minha transição para a idade adulta, depois de às 5 da matina se sentarem ao meu lado à laia de meninos-à volta-da-fogueira e perguntarem ao avô Prezado as grandes questões: o sentido da vida e se pinto o cabelo.
A segunda prova de transição é que estando lá a minha sobrinha, olhei mais para ela do que para os copos. Alguém que faz a mesma cara de fascinação depois de ver a mesma careta 15 vezes merece atenção.

Um dos convivas no jantar tratou-me por "senhor". Ainda dizem que ja não há jovens educados.

iPod, iPod. Olhem o prezado a chegar ao Natal e a ter de vender a mãe para ter um iPod.

sábado, novembro 13, 2010

Basicamente é isto

O trabalho vai de vento em popa, que é uma frase que pode dizer muito e dizer nada, como é o caso. Já a casa, não se parece com nada. E perdido, só por instantes, à volta do trabalho. Já descobri os tascos, tudo.
Na quinta feira fui ao famoso cabo-verdiano e falei sobre isso. A Crente quis saber mais e eu que tou bem disposto apesar de ter guardanapos de papel rasgados no chão pelos cgatos, conto: Voltei ao restaurante encalhado num oitavo andar na Avenida da Liberdade. Dos tais que toda a gente ouviu falar mas que adia a ida. Desviei para lá os meus estimados colegas de trabalho. O primeiro impacto é o melhor. Ninguém espera aquilo. Não há menu. ou é bife de atum ou é cachupa. Chegámos tarde, já só há cachupa. Ainda ouvi uma boca do género "isto parece comida de pobre", comentário que só podia ser mais verdade caso se dissesse a seguir "isto parece comida de preto", porque como é sabido, todas as comidas tradicionais são de pobre. Nunca me pareceu que cozido à portuguesa fosse aute-cuisine e no entanto pelo-me por uma pratada a um domingo. Às quintas, o restaurante - no fundo é um andar de escritórios - tem o extra da musica ao vivo. Por isso, está sempre cheio de mulheres impecavelmente vestidas e penteadas, nos seus vestidos domingueiros. Diria que a maior parte do casais que lá encontro a dançar são patrão-secretária.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Prioridades


Infelizmente, trabalho num sitio onde a unica forma de ouvir o wild wild life sem headphones e com um volume decente é ser um menino atinado e vir mais cedo. Estou a ver se converto os meus estimados colegas ao PPC way-of-life ( almoços, copos e conversa ). Ontem já os desviei para um restaurante cabo-verdiano conhecido pelas danças à hora de almoço. Depois de 2 imperiais e 3 doses de cachupa, vi que já tinham cinto vermelho na especialidade. É dar-lhes tempo.

quinta-feira, novembro 11, 2010

No dia do Adeus

Foi o dia em que o senhor do adeus faleceu. Para mim, uma fraude, porque nunca me disse adeus e só o vi uma vez. Sim, o senhor do adeus discriminava as pessoas. Por classes. Sim, quem andava de carro, ele dizia adeus. Quem andava a pé - como eu, heroi da classe operária -, ele já não dizia adeus.

E tenho para mim, que um dia o vi acenar um pouco mais efusivamente para um gajo que ia de Mercedes branco.

Acabei de passar pelo Saldanha, estão cerca de 50 pessoas a dizer adeus aos carros. 11 de Novembro? Feriado nacional, no mínimo.

terça-feira, novembro 09, 2010

Obrigadinho aí

Para quem está esquecido, que eu não estou, a campanha Take us to iPod Touch continua. Felizmente tenho pessoas que me ajudam, e não falo da Maria. Ela ajudou, mas agora consegui um patrocínio bem mais impactante, graças à maravilhosa internet. Estes senhores souberam do meu sonho e escreveram esta música especialmente para mim, lembrando o objecto em falta. Todos os lucros deste concerto seriam para o iPod Touch mas altruísta eu, doei tudo para uma minoria qualquer num país qualquer, uma a sofrer bastante. A cada doação que façam no botão laranja, o sofrimento dessa minoria não diminuirá. Ilusão. Pelo contrário, até pode ser que aumente. Visto estar fora das minhas e das vossas mãos fazer algo por alguém do outro lado do mundo, metam lá qualquer coisa para eu poder desenhar coisas inconsequentes e bonitas. Convosco, invisible Touch:




A vossa ajuda continua a ser precisa. Fico à vossa espera. Sentado, de pantufas e a curtir um filme de trampa daqueles de domingo, na boa.

O centro

Homem da cidade e homem de contrastes, passei de distâncias relatadas em herculeos trabalhos para uns simples 15 minutos de distância do trabalho. As redondezas oferecem-me bonitos cafés onde o pessoal come mini-pratos, ainda não descobri nenhum tasco, já encontrei o mini-mercado, o segurança que já sabe que estou no 6º andar, já vi que no prédio em frente há um restaurante no topo e que tenho de descobrir se dá para ir lá, tenho o frog instituição milenar ao pé, e tenho uma máquina de café com aqueles botões às cores e tenho um teclado rijo como cornos que já me está a dar uma tendinite e por isso tenho de parar de escrever já.