quarta-feira, dezembro 01, 2010

Nisto da vida

Percebam que a questão de andar a pé, mais do que dar para com este tempo manter a parka forma e ajudar a digestão, é fulcral para ser Prezado.
Andar pela rua não é só não ter carro nem carta.
Andar pela rua é achar por não procurar.
Andar pela rua é ter a vida dos outros.

Hoje vou ficar em casa. Acho.

Ficam estas de outros dias. O iPod continua a ter contos de Napalm. A contabilidade do PPC está optimista. Mas, ainda não chega. Força no botão laranja. Vocês sabem que eu preciso.



terça-feira, novembro 30, 2010

O fim da entropia

Casa sem a menina do trombone, noves fora fica nada. O caos instalou-se: Sem um elemento de ordem, a louça empilha-se - é sempre mais interessante ver filmes na cama que lavar louça, lei da termodinâmica da casa fria - a roupa empilha-se, o aquecedor novo é a nova mascote da casa. Gosto mais dele do que do gato mais pequeno.

Estou à espera do vosso conto de Napalm. Nos ultimos dias recebi alguns contos de Napalm, não se sintam estranhos, pensem que isto é mais de fiar que o banco alimentar. Eu vou MESMO ter um iPod Touch, não vou tirar a fome a ninguém que não precisa.

sábado, novembro 27, 2010

Tascos

Descobri um tasco congelado no tempo ao pé da embaixada de Espanha, na Rua do Salitre. Uma antiga casa de chá, leitaria, o que for. As mesas em fila, de toalha aos quadrados, sem espaço para almoços a dois, a parede ao fundo com as fotos do tempo da sociedade recreativa, a cabeça de touro de louça, as plantas caquécticas à janela, os tectos amarelos, o mesmo verde em todas as paredes. Tudo arcaicamente arrumado. tudo alinhado. Sem acessórios. E depois de quase 40 minutos a olhar para as paredes, a espera justifica-se: um bitoque feito à mão. À antiga.
Só como bifes assim quando é a minha avó a fazer.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Estrógeneo

Há uns meses, As doses de estrogéneo em casa eram controladas. Havia alguns problemas com a ASAE, com a sociedade protectora dos animais - os bolores têm direitos e não posso fazer criação sem autorização - e com a PJ, mas a coisa seguia, graças a essas fadas do lar. Agora, o palacete tem sempre estrogéneo. Isto é: Os bolores praticamente estão em extinção. Assim que o milagre da vida desponta no frigorifico, só ouço um "olha, o teu queijo da serra tá a ficar com bolor, vou deitar isto fora." e pronto. Coiso interrompido.
Os neurónios da tampa-da-sanita-para-baixo, das meias-fora-do-chão-da-casa-de-banho, da toalha-a-secar-no-estendal, dos pêlos-da-barba-no-lavatório nunca estiveram tão activos.

quinta-feira, novembro 25, 2010

ainda sobre a greve

Só gostava que o pessoal percebesse que o significado de greve geral deve ser protesto público geral. Mas pronto. Como hoje vi uma sondagem a dar maioria absoluta ao PSD, não me parece que valha a pena gastar latim. Perolurum a cerdum oc.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Este blog está em greve

G'EVE GE'AL

Há 3 anos também esteve. Este ano o PPC alinha novamente com os desempregados, os desregrados, os despauperados, os despenados, os desalinhados, os des-chauferizados, os descontentes, os descontantes, os descretos. Entalem o Sócrates por mim, pá. Que eu hoje não posso.

terça-feira, novembro 23, 2010

Um Conto de Napalm


Na linha editorial do PPC, há algumas regras. Nenhuma é fixa porque eu sou um patrão psicótico, mas uma é recorrente: Não aprovo o Natal. É uma época que me aborrece até à ponta dos cabelos. Farto farto farto tão farto deus tão farto que eu estou do Natal e ainda nem começou sim porque não vou nessa tangas publicitárias que metem o Natal a começar em Agosto um dia destes e para mim Natal é só depois da primeira semana de Dezembro.
Este ano, o Prezado quer o famoso iPod Touch no sapatinho. Por isso, lanço hoje - sim, ó incoerência, antes da primeira semana de Dezembro - um peditório.
Um Conto de Napalm. É tudo o que vos peço. Peço a cada um de vós, pessoal farto do Natal, um conto - são só 5 euros - para o napalm. Este ano, é a vossa oportunidade, única e última, de tornar este Natal inesquecível. E como o PPC é um tasco desprovido de ética, propõe isto: Quem doar mais contos de napalm, ganha um header um pouco menos espetacular que o do PPC.

Juntem-se a esta causa. É só mais uma e há aí tantas com sentido.

Sou burro

Largo os layouts do trabalho e chego a casa e meto-me a fazer mais layouts, só para aquecer.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Fases

Hoje fiz outra vez as pazes com Deus. Tranquei um gato - o mais pequeno - num quarto da ala Oeste para ter sossego. Comi salada com molho picante. Tomei ben-u-rons. Estive no chat a destilar ódios, cobiças e desencontros. Andei pouco. Comi espetadas de peru. Dei comer aos gatos. Fiz esboços nas costas de contas do pingo-doce. Bebi Coca-colas. Tranquei-me da menina do trombone. Enganei-me numa paragem. Continuo a gostar de leggings, mas nunca usei. Comi rebuçados peitorais do Doutor Bayard. Os gatos usam o portátil como assento. Eu não meto metade dos assentos que devia. Deixei roupa por estender, a esta hora essa roupa será uma cama de gato. Sonhei com batalhas com alemães no Algarve. Matei uns 5 - devo avisar que mesmo em sonhos, ou especialmente em sonhos, dado nunca ter experimentado carregar uma Luger, que estas são particularmente rijas a armar - à queima roupa. Estou farto de ver o Gmail com 4000 mails por ler, mas não estou para fazer muito quanto a isso. Tenho sono.

domingo, novembro 21, 2010

Só para ver se o cognome funciona

Os gatos da menina do trombone fazem-me a vida num inferno. Estou capaz de meter o mais pequeno no caixote. O cabrão mete-se em cima do fogão a cheirar os hamburgueres, com o lume aceso? filho da puta.

Puro Malte

Neste ultimos 4 meses fiz uma importante transição: mudei de casco, e com isso, passei de velho a datado, de datado a vintage, vintage a malte. A má escolha de ténis destoa ainda, mas é a excepção que confirma a regra. Troquei o action men e os legos de uma vez por todas por computadores. Deixei de usar perfume e passei a tomar banho todos os dias. Troquei saladas de rucula e vinagre balsamico por pizzas e lasanha do pingo doce. Deixei de fazer posts e passei a escrever crónicas. Tornei-me fransciscanamente humilde. Uma degradação graciosa.

Há quase 4 meses que me mudei para o Arco do Cego. E posso dizer que se vive muito bem na ala este do palacete Prezado-Flatmate.

Tenho de arranjar um nome de código para a flatmate, facilita. Abri um catálogo de livros e escolhi o titulo de um, ao calhas: "A rapariga do trombone". Assim será.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Futebol, esse mundo

Prezado mais calmo, relata agora a ida a Campo de Ourique.
Subido o Sol ao Rato ( o tempo que passo nesta rua ), umas voltas ao quartel e dou com a sociedade recreativa onde assisti ao jogo de ontem.
Todas as faixas etárias, todas as raças - exceptuando chineses, indianos, esquimós e mongóis - todos os estratos sociais - exceptuando Champalimauds - estavam presentes. Imagine-se agora uma sala com 40 pessoas a beber imperiais a 65 cêntimos durante 90 minutos. A cada golo, a berraria. Mas o mais impressionante:
Cada adepto é um cómico de stand-up de excelência. A espantosa capacidade de improviso deixava-me zonzo. Tudo porque o domínio do tema faz do adepto um Nuno Rogeiro altamente focado, um ninja da piada da bola. Comecei a imaginar como o mundo seria belo se houvesse adeptos de politica, adeptos de economia, adeptos do trabalho. Também havia falhas. Por vezes, a argumentação mais rápida não era tão certeira:
- eh meu o gajo teve muita mal!
- cala-te pá.
-"cala-te" és tu, pá.
Depois de uma troca mais azeda de quem-diz-é-quem-é e mais umas imperiais, a coisa acalmou, a tempo de ver o ultimo golo em paz.
Para mim é algo recente, isto de assistir a jogos de futebol voluntariamente. Por isso, fui incapaz de aplaudir um golo sem me rir. Daí ter chegado a casa a doerem-me os maxilares de rir tanto.

É a crise.

Assoberbado pela vitória da selecção, não consigo escrever sobre o tema, tal é o estado esfuziante em que me encontro. Prefiro assim descrever o almoço e os novos efeitos da crise nos restaurantes de Lisboa, para me acalmar.
Como sabem, há restaurantes só para almoços, ao lado dos escritórios, geralmente. Neles, temos doses. Quem tem fome, come doses. Os gajos comem DOSES.
Com a emancipação feminina, surgiu a meia-dose, feita para a mulher que nunca tem fome para uma dose, porque passa o tempo a comer bolachas de água-e-sal e peças-de-fruta durante a manhã.
Depois, surgiu o mini-prato. O mini-prato é mais pequeno e mais barato que uma meia-dose, mas não tem relação nem com pouca fome, nem com economia. Tem a ver com falta de amor pela vida. Um português que peça um mini-prato, não tem tempo para perceber o que é que comeu e já está a pensar nos impressos que tem por preencher na secretária e se não leva uma pissada por levar mais que 7 minutos a comer.
Depois, surgiu um género de prato inesperado: O que comi hoje. Ignorando e tentando toldar o critério Quantidade - suprema grandeza que define todo o comportamento humano - surge-me à frente o prato MEIO FEITO.
Suprema merda, em que ao invés de receber um prato de redondas e elástica argolas de choco, vem uma puta de uns chocos ainda com aquilo-que-se-dá-aos-piriquitos-e-não-sei-o-nome, a porra das entranhas todas, e ainda - Prezado, lobo dos 7 mares e ex-visitante do aquário Vasco da Gama lembra-se - o bico, feature anatómico digno de filme sérvio, 3 chocos 3, inchados como lontras, largados em cima do prato e bombardeados com 3 batatas cozidas inteiras ao lado. A ideia é fazer o prato mais barato não pelo tamanho, mas pelo corte de mão-de-obra. O tempo de arranjar chocos já lá foi. O tempo de escrever este post, podia ter arranjado 4 chocos. Não arranjei? azar. Como-os inteiros que me lixo.
Preparem-se, a crise veio para ficar e se começarem a servir-vos pratos de coelho ainda com os olhos, frangos com cabeça no churrasco, chispe ainda com pêlos - espera, isso é habitual e desejável - ou cabeças de peixe com o resto do peixe ainda agarrado, não se admirem. É o FMI.

terça-feira, novembro 16, 2010

Filípedes não faria melhor

Fosse Lisboa terraplanada e o Prezado seria o homem da maratona. À hora de almoço salta da Rotunda do Marquês ao Rato, sobe ruas de sol ao prato acima com os bofes de fora, almoça com o pessoal, amigos de outros tempos, gajos gajas e afins, velhos a cair, empregados xicos-espertos, directores financeiros pançudos carecas, chineses em catadupa mais que as mães, desvia-se à ultima do café, consegue deglutir uma mousse em 17 segundos e volta a descer em corrida, a dor de burro a matá-lo mas não pára sabe que tem de chegar antes que todos se matem como combinado apre.


O botão laranja está à vossa espera. O apelo é o novo, no entanto. Gostava de impor a partir de hoje uma taxa PPC, funcionando assim: mesmo que não gostem e não leiam o blog, pagam um valor simbólico. Podia inclui-lo na vossa factura da EDP, mas não tenho meios para isso. Se acham o processo estranho, perguntem à RTP se tem funcionado.

Deixar a rotina instalar-se

É ir para o trabalho depois de obrigar os gatos a subir a escada de volta para casa, apanhar o metro e fazer o caminho em people-watching. Andar mais uns metros e apreciar o franjinhas, prémio Valmor não sei porquê, beber o café no sitio do costume, - espero que mais uns tempos e saibam que bica é cheia e traz sempre uma copo com água atrelado - dizer bom dia ao segurança e trepar para o andaime.
Trabalhar.
Sair com calma e ir andando a pé avenida acima, como sempre descobrir uma rua nova pelo caminho ( já não sobram muitas ). Podia fazer isto mais vezes como fiz ontem, ao telefone na conversa. Passar no super, passar pelos mesmos putos a fumar brocas, passar pela velhota que está sempre à janela no rés do chão, subir a casa, voltar a descer para obrigar os gatos a subir a escada de volta para casa.
Descansar.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Perdido por Queluz

Depois de um jantar com pessoal de universidade, uma geração à frente, num restaurante onde uma dose dava para 12, acabámos aqui ao pé do Saldanha. Não sei porque, pareceu interessante desprezar o Lux e entrar num daqueles bares quase incógnitos, de porta branca e letreiro discreto. Quarentões e trintões à dezena, mulheres poucas e a nadar em rios de baba. Vou dizer que esta noite marcou a minha transição para a idade adulta, depois de às 5 da matina se sentarem ao meu lado à laia de meninos-à volta-da-fogueira e perguntarem ao avô Prezado as grandes questões: o sentido da vida e se pinto o cabelo.
A segunda prova de transição é que estando lá a minha sobrinha, olhei mais para ela do que para os copos. Alguém que faz a mesma cara de fascinação depois de ver a mesma careta 15 vezes merece atenção.

Um dos convivas no jantar tratou-me por "senhor". Ainda dizem que ja não há jovens educados.

iPod, iPod. Olhem o prezado a chegar ao Natal e a ter de vender a mãe para ter um iPod.

sábado, novembro 13, 2010

Basicamente é isto

O trabalho vai de vento em popa, que é uma frase que pode dizer muito e dizer nada, como é o caso. Já a casa, não se parece com nada. E perdido, só por instantes, à volta do trabalho. Já descobri os tascos, tudo.
Na quinta feira fui ao famoso cabo-verdiano e falei sobre isso. A Crente quis saber mais e eu que tou bem disposto apesar de ter guardanapos de papel rasgados no chão pelos cgatos, conto: Voltei ao restaurante encalhado num oitavo andar na Avenida da Liberdade. Dos tais que toda a gente ouviu falar mas que adia a ida. Desviei para lá os meus estimados colegas de trabalho. O primeiro impacto é o melhor. Ninguém espera aquilo. Não há menu. ou é bife de atum ou é cachupa. Chegámos tarde, já só há cachupa. Ainda ouvi uma boca do género "isto parece comida de pobre", comentário que só podia ser mais verdade caso se dissesse a seguir "isto parece comida de preto", porque como é sabido, todas as comidas tradicionais são de pobre. Nunca me pareceu que cozido à portuguesa fosse aute-cuisine e no entanto pelo-me por uma pratada a um domingo. Às quintas, o restaurante - no fundo é um andar de escritórios - tem o extra da musica ao vivo. Por isso, está sempre cheio de mulheres impecavelmente vestidas e penteadas, nos seus vestidos domingueiros. Diria que a maior parte do casais que lá encontro a dançar são patrão-secretária.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Prioridades


Infelizmente, trabalho num sitio onde a unica forma de ouvir o wild wild life sem headphones e com um volume decente é ser um menino atinado e vir mais cedo. Estou a ver se converto os meus estimados colegas ao PPC way-of-life ( almoços, copos e conversa ). Ontem já os desviei para um restaurante cabo-verdiano conhecido pelas danças à hora de almoço. Depois de 2 imperiais e 3 doses de cachupa, vi que já tinham cinto vermelho na especialidade. É dar-lhes tempo.

quinta-feira, novembro 11, 2010

No dia do Adeus

Foi o dia em que o senhor do adeus faleceu. Para mim, uma fraude, porque nunca me disse adeus e só o vi uma vez. Sim, o senhor do adeus discriminava as pessoas. Por classes. Sim, quem andava de carro, ele dizia adeus. Quem andava a pé - como eu, heroi da classe operária -, ele já não dizia adeus.

E tenho para mim, que um dia o vi acenar um pouco mais efusivamente para um gajo que ia de Mercedes branco.

Acabei de passar pelo Saldanha, estão cerca de 50 pessoas a dizer adeus aos carros. 11 de Novembro? Feriado nacional, no mínimo.

terça-feira, novembro 09, 2010

Obrigadinho aí

Para quem está esquecido, que eu não estou, a campanha Take us to iPod Touch continua. Felizmente tenho pessoas que me ajudam, e não falo da Maria. Ela ajudou, mas agora consegui um patrocínio bem mais impactante, graças à maravilhosa internet. Estes senhores souberam do meu sonho e escreveram esta música especialmente para mim, lembrando o objecto em falta. Todos os lucros deste concerto seriam para o iPod Touch mas altruísta eu, doei tudo para uma minoria qualquer num país qualquer, uma a sofrer bastante. A cada doação que façam no botão laranja, o sofrimento dessa minoria não diminuirá. Ilusão. Pelo contrário, até pode ser que aumente. Visto estar fora das minhas e das vossas mãos fazer algo por alguém do outro lado do mundo, metam lá qualquer coisa para eu poder desenhar coisas inconsequentes e bonitas. Convosco, invisible Touch:




A vossa ajuda continua a ser precisa. Fico à vossa espera. Sentado, de pantufas e a curtir um filme de trampa daqueles de domingo, na boa.

O centro

Homem da cidade e homem de contrastes, passei de distâncias relatadas em herculeos trabalhos para uns simples 15 minutos de distância do trabalho. As redondezas oferecem-me bonitos cafés onde o pessoal come mini-pratos, ainda não descobri nenhum tasco, já encontrei o mini-mercado, o segurança que já sabe que estou no 6º andar, já vi que no prédio em frente há um restaurante no topo e que tenho de descobrir se dá para ir lá, tenho o frog instituição milenar ao pé, e tenho uma máquina de café com aqueles botões às cores e tenho um teclado rijo como cornos que já me está a dar uma tendinite e por isso tenho de parar de escrever já.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Fim de semana, fecho para balanço e afins

Perdido na LX Factory, a ver os eventos e os pseudo eventos que só acontecem no Facebook, andei às voltas para encontrar o pessoal do costume. O D.J. oldschool de serviço, fonte de cultura musical inesgotável, mas que foi incapaz de passar isso ao filho - D.J. também - que faz sets de musica de carrinhos de choque. Encontrar pessoal conhecido e amigos da universidade. Mais 10 anos em cima, mas as conversas não mudam muito. Leituras pontuais da "Kodakização e despolarização do real : para uma poética do grotesco na obra de Fialho de Almeida" ao som de Bowie e debaixo de imperiais, na Ler Devagar.
Salto para o Cais do Sodré. Dança-se. Sol nasce e da Bica vai-se para casa, andando.
Guronsan, o amigo japonês, ajuda-me a levantar para mais um dia.
Jantar marcado, a companheira de casa pergunta-me se a túnica preta com berloques é melhor que a túnica preta sem berloques. Na verdade não faz diferença, não gosto de túnicas pretas. Entrada em jantar com amigos muitos: " Prezado, temos aí uma supresa para ti. Tens aí um amigo de infância na cozinha."
Pensei, estes cabrões estão a gozar, tá ali um zx spectrum ligado na sala?? não pode. Ah, afinal não, era mesmo um amigo de infância na cozinha. Segue-se animada conversa onde se encontram as memórias de há 15 anos - interessante como são comuns em tantos pontos: as férias onde eu me estatelei de bicicleta de uma gare de um comboio abaixo, armado em cromo da BMX, as passeatas num 2CV reconstruido à mão, um engate falhado em 1991, as férias no Algarve, as aulas - e as devidas mazelas com o que o tempo nos agraciou, nomeadamente pais a menos, peso a mais, paciência a menos.
Desencontros dançados no Cais do Sodré, interrompidos pelo corte do som pelo dono do bar, clamando pelo silêncio à hora que manda a lei. Acho que não era essa a preocupação real, o problema real era a má qualidade da dança e o mau nível de Air-guitar.
Sendo que ainda há pouco assisti ao Benfica a levar na pá à grande e que sendo o 3º jogo que vi este ano, reitero que a visualização de jogos deve ser feita numa tasca repleta de ferrenhos, de preferência bem regados. Depois, levei uma cabazada no snooker tão grande como o Benfica levou na bola mas não jantei sapos.
A partir de amanhã, o Prezado começa uma nova fase de trabalho. Wish me luck.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Uma semana

Depois do filho-da-puta-do-gato me empurrar o portátil da cómoda e de eu o ter chamado 36 nomes ainda antes do portátil se estatelar direitinho no chão, vi com agrado que não o matei, se bem que foi apenas porque ele foi bastante rápido a fugir. Já recomposto, e em jeito de fecho da semana e desta fase - Segunda feira há novidades - deixo as fotos desta semana, relatando a melancolia do outono, em jeito de Diário de Marilu mas sem aquela folha sempre colada nos dedos.


Os taxis. Sempre. Esta semana andei de taxi mas não consegui arrancar nenhuma info.

Andei de volta dos trabalhos manuais. Segundo o PEC3, o canivete que vêem acima é agora ilegal. Não o denunciem, temo não ter verba para comprar outro e tenho muita estimação neste, era do meu avô.

Fui jantar a um conhecido indiano, tentei impingir este retrato do cozinheiro que fiz enquanto tomava o café, mas ele não apreciou especialmente. Insisti bastantes vezes. Voltei a insistir. Ele dizia que não. Ainda lhe disse que fazia mais 5 desenhos e que ele podia levar todos, mas ele mesmo assim disse que não. Nisto, entra a minha companheira de casa, clamando que já conhece o restaurante desde a libertação de Goa e que eu devia ter ido para outro lado. Foi à vida dela, mas em casa insistiu muitas vezes sobre a identidade da pessoa com quem eu estava. Insisti: "se ela só sai à rua com um saco de papel a tapar a cabeça, é por um bom motivo."


Segui o apelo de William H. Burroughs "smash the control images - smash the control machine". Não fui de modas: Vandalizei esta máquina de control. Lisboa está cheia destes dispositivos de control. Fiel leitor de Huxley e Orwell, como eles detesto regimes totalitários e fiz a minha parte, sabotando a máquina com uma mensagem de subversão e revolta. Coelho estrábico, faz o teu papel.

Sons à sexta



We got time to kill, we got nothing to loose.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Limpar a casa, segunda edição

Prezado foi ao Chiado meter a conversa em dia. Pelo caminho tropeçou em 4 fashion victims, tropeçou em 2 hipsters ( espera isto são fashions victims também bolas ) e um daqueles jovens que andam com malas de senhora, - expliquem-me isto, por favor - tropeçou ainda no Arrumadinho, uns metros à frente tropeçou no senhor que toca sempre as mesmas três notas no Casio mas que insiste em seguir uma pauta, tropeçou no Alfaiate, que não lhe tirou uma foto apesar de estar vestido com uma saca de sarapilheira Gucci e uns Nikes vermelhos. Acho que foi porque não trazia uns Wayfarer. Almoço ao sol, Prezado chega a casa com a mulher-a-dias já a trabalhar. Trabalho para acabar, isola-se dos gatos, da mulher e da realidade. Mete Foo Fighters. Passado um bocado, julga ouvir a mulher-a-dias a falar com alguém, em animado e complexo diálogo. Mas não. É ela a falar com os gatos.

Lei das probabilidades

Quais são as hipóteses de ir jantar fora e passado um bocado entrar a companheira de casa no mesmo restaurante? Vade retro.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Professor Datado

Fui dar uma aula, ou tentar fazer esse papel. Apresentar o meu trabalho, a "carreira". Nunca fui professor, apesar de ter estado na lista de profissões a seguir, ao lado de sniper e operador de guindaste.
Dar aulas é uma trabalheira. Isso já sabia. Metade do pessoal que conheço é professor e vejo a vidinha que levam.
Mas é divertido, porque quando achamos que vamos partilhar conhecimentos válidos e absolutos porque estamos a viver o nosso tempo em pleno, reparamos que estamos a fazer a mesma figura anacrónica que os nossos professores faziam, dado que:
Estes putos sempre tiveram computador. Sempre tiveram net! Sempre tiveram impressoras. Eu só tive net a partir dos 21 anos!
E eu, pobre fóssil, dei por mim a falar do-tempo-em-que-fazíamos-tudo-à-mão. E cheguei a começar uma frase com "no meu tempo...". Alguém me abata a sangue frio.

Constatações: Estou datado. Tenho um discurso desadequado. A maior parte das coisas que aprendi no 12º já estão fossilizadas.
Felizmente os putos são mais pequenos e enfezados e posso dar-lhes calduços e gozar com aquele cabelo ridículo.

Datado é eufemismo para velho, mas não uso aqui velho novamente, dado usar ténis com mais cores que os miúdos e ter menos barba que eles.

terça-feira, novembro 02, 2010

Dúvida literária

Qual é a cena com o Bukowsky, agora?

segunda-feira, novembro 01, 2010

Terror médio

Fui ao Halloween em frente ao Maria Caxuxa, tentei fazer com que os actores contractados para andarem mascarados por lá se desmanchassem, mas é dificil. Ogres, fantasmas, talhantes, zombies e bruxas não se deixam levar por bocas fáceis género "ontem acordei com tão bom aspecto como tu" ou "Fazes-me lembrar a minha ex-mulher, juro."
Para assustar, fui mascarado de Prezado, óbvio. Implica não tomar banho, apenas.
O mais assustador que vi foi o preço da imperial ter aumentado.

sábado, outubro 30, 2010

Este Halloween


Temos o monstro aprovado. Bom fim de semana.
Adenda: deixo aqui uma banda sonora possível para isto.


A vossa ajuda continua a ser precisa. É graças ao iPod Touch que serei capaz de fazer ilustrações com mais piada que a amostragem acima.
O Prezado é viciado em desenho, vive em Lisboa, com 3 gatos e uma flatmate com TPM permanente, já votou em branco, não tem carta de condução e gosta de iPods Touch.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Enquanto não choveu


Fartei-me de andar, à noite, depois do jantar. Ontem dei com este movimento cívico.

Depois de conversas longas

Depois de um chat longo - que isto de conversas ao vivo está em desuso - sobre o eterno tema das relações, a almofada ofereceu-me sonhos bizarros metendo eléctricos de madeira de 2 andares, bairros decrépitos, um almoço num tasco onde eu usava a minha faca dos legumes enquanto duas chinesas sem cabelo andavam à porrada, passando por um reservatório de água gigantesco que era um estudio de som, uma homenagem clara ao encontros imediatos de 3º grau e um encontro com um casal de meia idade com 2 filhos. Mas a conversa anterior foi reveladora, depois de uma meia hora só a discutir um só álbum do Stevie Wonder. Fica aqui o conceito geral.
Dica: não abusem do queijo ralado do Dia.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Expliquem-me esta treta

Somos tão campónios que às vezes deixa de ter piada. Qual é a cena com os macarons e os cupcakes? De repente tudo quanto é blog descobre que não podia viver só com garibaldis, rins ou palmiers recheados e que a vida só tem sentido com aqueles bolos que é costume ver muito bem fotografados num Tumbler qualquer na net.
Eu gosto de pirâmides. sim, o tal bolo que se deve evitar. Já falei com pasteleiros, eles confirmam, não é lenda urbana, é verdade. Mas sabem bem.
As melhores são as da Evian, de Benfica. Como são feitas de restos e raspas de bolos bons, ficam óptimas. No entanto, e mesmo com aquela poia de creme branco e uma cereja em calda em cima, não perdem o ar de poia no seu todo, coberta de chocolate, em toda a sua glória. São inestéticas, dir-se-á.
Já estes bolos que ficam bem para a foto e que estão na moda, são género filha-do-néné: têm um ar porreiro, muito bem conseguido, mas no fim nunca sabemos bem o que estamos a comer.
É minha convicção que foram inventados por fotógrafos de alimentos e são feitos de esferovite, creme de barbear, pó de extintor, fita isoladora e dan-cakes. O que for preciso, desde que tenha bom ar.
E ainda perdem tempo a discutir orçamentos de estado.

Vou ali mamar uns pastéis de Belem e já venho.

quarta-feira, outubro 27, 2010

ciuminho bobo

A minha companheira de casa trocou as voltas à casa: fechou os hamsters ( sim, além de gatos tem ratos ) noutro quarto, na ala oeste, deixando o quarto dela aberto, na esperança que os gatos fiquem na cama dela. É que ontem percebeu que o gato mais pequeno, albeit a quantidade de pontapés que leva, prefere a minha companhia.

Cover inesperada



Mas é das melhores covers que conheço. O original é este, para quem não estiver a chegar lá.

Gostos adquiridos

Em vez do Galeto, vou à Mexicana. E perguntam-se: Este tipo só vai a pastelarias de velhos? Bom, sim. É raro ir beber café a estabelecimentos com menos de 50 anos. Por isso cada vez vou mais longe. Temo que até ao fim do ano passe a tomar café em Benidorm, depois de ter esgotado todos os "café central" nacionais.

terça-feira, outubro 26, 2010

Sobre o tédio


Fui até ali ao Galeto, beber um café e enquanto estou nisto, rabisco uns desenhos no caderno ou escrevo frases soltas que ouço. Ou fico a olhar para a rua. Noutros tempos, estaria de headphones, a ouvir a musica habitual. Mas habituei-me a andar sem mp3. E assim notei como o silêncio se tornava raro. Não só para mim, como para todos. E o tédio, que não é só não ter o iPod para poder ouvir musica a todo o momento ou desenhar, agora é a ausência de entretenimento. Eu e todos, desabituámo-nos de simplesmente parar e estar. Existir.
Como vi por aí escrito, se temos um minuto morto à espera de algo, pegamos logo no telemóvel para nos mantermos de cabeça ocupada.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Tédio de morte

Hoje não estou com paciência para escrever, por isso deixo só o cabeçalho de Halloween. É sabido como gosto de comemorações impostas pelo imperialismo americano, por isso vejam isto apenas como um grito de protesto.

O PPC precisa de um iPod Touch. Estudos norte-americanos revelam que os bloggers são mais felizes quando utilizam musica para bloquear a realidade social de um 50 em hora de ponta.

domingo, outubro 24, 2010

A noite está a ficar maior que o dia

Saí de casa directo à Culturgest, para ir ao doclisboa, depois de ter estado parte da tarde na ronha a ver outra referência do documental, o Zorro. Esperava-me um grupo de meninas não muito amante do documental, dada a displicência com que apreciaram o Galeto, onde fomos antes da sessão começar. Depois, Culturgest.
- Filme: My Joy, de Sergei Loznitsa. É uma ironia, disse o director do festival. Tinha razão. O filme é cru, árido, longo, feito a golpes de machado. A vastidão do cenário a tomar uma grande parte da tensão. Uma ficção feita por um documentarista. Um filme que gostei. Uma história muito simples, um conjunto de retratos feios. -
Com a vizinha do lado esquerdo a desesperar de sono e a não conseguir ver o filme, algumas pessoas a sair a meio, comecei a achar que planos de 3 minutos de estradas com neve podem realmente dar cabo da paciência de um santo. Mas é assim que também se ganham palmas em Cannes. Depois, Bairro Alto. De carro. Tarde. Isto equivaleu a percorrer o mesmo bloco de edifícios durante 45 minutos, aos círculos, até finalmente o carro ficar em cima de uma passadeira. Depois, subir a pé até à Mercearia. O género de bar que nunca entraria sem intermediários. Depois, o diálogo da noite, entra em cena a romântica de um metro e vinte:
- Hoje estive a ver um filme que é capaz de os surpreender, amei aquilo, é surpreendente, vão ficar chocados. - Prezado desperta logo, quando dizem isto, porque já viu 70% da internet que ninguém quer ver.
- Força. Duvido que me consigas chocar, mas chuta. - Prezado confiante, a certeza, a convicção inabalável.
- É uma obra genial. Não sei se são do género romântico - oh merda - mas é o... Twilight.
Segue-se longa e apaixonada descrição sobre as qualidades cinematográficas, estéticas, narrativa e apreciação estética sobre os actores. Imaginem alguém a descrever a cinematografia de um Wong Kar-Wai ou de um Coppola, mas no fim descobrem que estão a falar do Twilight. Ainda fiz saber de vários modos que gostos não se discutem. Enfim, ganhei uma fan e descobri que há trepanações que correm mal.
Já em desespero, dado o espancamento que é ouvir "Twilight é um grande filme", recebo o sms que me salva a noite, um amigo numa discoteca gótica ao pé do Saldanha.
Grande sessão de metal, industrial e afins, a fechar com o Final Countdown com uma discoteca inteira a rir-se. Genial.
Deixo aqui o que foi o momento alto da noite de ontem, no seu todo:


E ainda passei pelo grande Jorge Palma, sóbrio.
(eu, não ele )

sexta-feira, outubro 22, 2010

E com esta me vou

As discussões politicas continuam e prevejo que ainda tenha mais umas quantas, enquanto tiver amigos fascizoides, pró-Socráticos e afins. Quando os escolhemos na infância nunca sabemos que um dia eles vão votar no Manuel Monteiro. E isso, pá, é pior que bater na avó. Ou ser escuteiro. Ou ter uma ressaca à Jorge Palma.
Felizmente ter genética de um avô salazarista e monárquico ajuda nestes casos.

Para descansar do debate, apanhei a Filipe Folque, rua que gosto não só porque não tem "R's" complicados e assim toda a gente percebe à primeira o nome da rua se tiver de o declamar em voz alta, como tem uns belos exemplares de arquitectura e escultura, e a ridícula embaixada de Israel, com os seus 45 pinos de cimento e duas cancelas a fechar a estrada em menos de 15 metros de rua.

O Prezado continua viciado na música dos Junior Boys de há 3 posts atrás. Já a ouviu 36 vezes, 14 delas de uma empreitada. Vão lá, e ao botão.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Treino de gatos

Pela primeira vez na vida, tive uma mulher-a-dias em casa. E no meio do universo de mulheres-a-dias possíveis, porque teve de calhar uma que gosta de gatos, mas no sentido retardado-mental do termo?
Tive de sair, não por causa do barulho do aspirador - turbina meio pifada - , mas por causa do barulho da senhora a falar com os gatos.
Eu falo com os gatos, claro. Eles respondem, até. Porque os trato com respeito. Falo como falo com um colega de copos, na boa. "Olá gato, tudo na boa? a curtir o sol, não é? cabrão, grandes vidas...". E assim. Mas, e quando a dona dos gatos já tem este problema que tanto trabalho me dá a corrigir, o falar como se eles fossem parvos, ainda aparece a mulher-a-dias com um vocabulário ainda pior. Não admira que eles achem que isto é tudo deles.
Bilu bliu meu pequenino meu querido quem é o meu querido quem é ai que gatinho mais lindo da mãe que lindo nhi nho nho nhi farrusco lindo miau miau meu rico bichaninho lindo lindo meu amor
Ela junta o fofo com o infantil-retardado. Tenho albuns de Napalm Death e Corrosion of Conformity que me custam menos a ouvir. Foi da maneira que fui apanhar sol.

A senhora merece tudo o que ganha, aspira mais tempo uma divisão do que eu a casa toda.


Não pensem que estou distraído. O Take us to iPod Touch está à vossa espera e à espera da vossa valiosa contribuição.

Bom dia

Depois dos gatos me acordarem a arranhar a porta, descubro que cheios de boa vontade, andaram a tentar lavar o chão da cozinha com a água das tigelas. Mas devem ter tido dificuldades com a esfregona e deixaram a coisa a meio.
De qualquer forma, hoje deve vir cá uma senhora dar um jeito na casa. Digo "dar um jeito", porque isto é um trabalho inglório. Eles vão tentar arrumar a casa à maneira deles assim que a mulher virar costas.
Resta-me meter uma banda sonora para começar bem o dia. A senhora não foi avisada que a parte complicada não era aturar os gatos, mas a dose de Stevie. E o meu cheiro.





O botão cor-de-laranja que vos separa de uma doação e me separa de um sonho é à direita. Não custa nada.

quarta-feira, outubro 20, 2010

No barbeiro

Fui ao barbeiro, ouvir a rádio na comercial, pente 1, ler a Bola e ver como anda o Jesus. O senhor Zé pergunta-me se o corte é o do costume e eu pergunto-lhe se o Simão ainda é do Benfica. Pois. Qualquer dia, nem o Nuno Gomes, eu ( incrivelmente ) sei.
É que eu não percebo uma porra de bola.
E na verdade nunca entrei num barbeiro. E não li a Bola. Li a Tokion. E não ouvi a comercial, ouvi Junior Boys e por acaso uma que gosto e fica no ouvido.



E cada vez mais, o Chiado faz Lisboa parecer uma capital europeia.

Adenda: Hoje já ouvi esta música 20 vezes. Compulsivo.


A vossa ajuda continua a ser precisa. Dos 9 milhões de leitores, eu estimo que pelo menos 37 têm Paypal. Não se acanhem. Cor de laranja. Direita. Nenhuma doação é pequena demais - já tive uma que terminava em.12 cêntimos.

terça-feira, outubro 19, 2010

100 clientes

A Rute foi a centésima pessoa - reparem que digo centésima, e não "numero 100", como se ouve nos telejornais todos - a tornar-se seguidora deste tasco. Como prometido, vou vilipendiá-la.

Rute, tens pouco que fazer. Seguir este blog? há aí tanto blog melhor. Aqui raramente tenho piada, embora tente. Não falo de sexo. Não falo de sapatos. Não falo do Benfica. Raramente ofereço passatempos e se o faço , é para meu proveito ( vide Take us to iPod Touch ). Não podes ser boa pessoa.

faltam 2

O centésimo cliente do PPC tem direito a ser vilipendiado on-line ainda hoje. Aproveitem.

Adenda1: falta 1.

Adenda2: O 100º cliente é a Rute.

Nada se vai meter no meu caminho, digo-vos. A campanha Take us to iPod Touch sabe que terá sucesso, porque sabe que a sua missão é um bocado fútil. Mas é minha.

De momento, não estou. Estou nos fundos. Qualquer coisa, toquem ao botão cor-de-laranja.

Montanhismo

Inconvenientes de ser solteiro:
A cama de casal ganha declives.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Mais um donativo.


Já faltou mais.

Ora cá está

Depois de ouvir o estafado argumento "e o guito que vai para esses filmes portugueses que ninguém vê?", argumento próprio de quem anda a recolher informação de taxistas, gajos do PP e guionistas frustrados, encontrei esta infografia no Público.

Ali o pontinho na constelação é o orçamento para o ministério da cultura.
Desculpem lá, não podemos ser conhecidos lá fora só por causa do Eusébio e do Ronaldo. Deixem lá os chulos dos realizadores ganharem umas palmas em Cannes.

Adenda: O circulo correspondente não está à escala correcta. Foi aumentado, para facilidade de leitura, esclarece a legenda que só vi depois.

domingo, outubro 17, 2010

Fingerpainting

O Take us to iPod Touch não é a busca por um leitor de mp3, é a busca pela melhor plataforma portátil para fingerpainting e o mais parecido com um amigo invisivel depois dos 30. No post de lançamento falei disso por alto, agora quero mostrar o processo, que só posso fazer num Touch. Percebam como me é dificil viver sem esta máquina e como estão a privar a humanidade de ver nascer mais obras como esta com que vou explicar o processo:

Primeiro, um Touch. Ou um iPhone. Ou um iPad. Qualquer um funciona, mas há um que é melhor, pois depois de perdido, lembramo-nos que é o mais barato da gama: é o Touch.

Depois, o software. Os melhores apps são o SketchBook Mobile, o Brushes, o Layers ou o Inspire. Eu usava o Sketchbook Mobile e um dedo. Comigo funciona o indicador esquerdo. Uso-o bastante, é o meu preferido.
A interface do SketchBook é esta. Simples e com tudo o que o photoshop tem, praticamente.

Depois, desenhar. O meu processo é assim: esboço, cores gerais, detalhes. Isto muito resumido. A minha amiga Susy é a mestra nisto e explica a técnica dela - com a qual aprendi um bocado - neste tutorial.
Esboço


Cores gerais

Cores finais e detalhes

E é isto. Atenção: Isto só é possível porque o tempo que estou a desenhar isto, estou com os headphones a ouvir Stevie Wonder. Só funciona com Stevie. Tentei com Marvin Gaye e ainda saiu qualquer coisa, mas com Lionel Richie de 80's, por exemplo, já não dava nada.

Post comuna


O Prezado é de esquerda, mas detesta rótulos. Não sendo apolítico, é quase um a-anarca. É que até esse pessoal dos capuzes que parte montras de McDonalds o chateiam. Da mesma forma que não vota no Bloco nem no PC. Mas sonha com a reforma agrária. Especialmente se for dourada.

E educado por uma longa linhagem de fascistas, com muita honra. Freud explica.

A campanha Take us to iPod Touch continua. Cliquem no botão do donate para todos juntos, fazermos um mundo melhor.

Cansado

Não da night, mas do fascista com quem tive de debater horas até que ele descobriu a pólvora:

- Mas isso que estás a dizer é à comuna!
- eh, pois. Eu sou um bocado comuna em algumas coisas, se calhar é por isso.

Não é que seja. Longe disso. Mas fascismo é que não.
Eu tenho sempre a mania de tentar educar os outros, sou um chato do caralho com uma paciência infinita.

sábado, outubro 16, 2010

De uma colina à outra

Descendo daqui do Saldanha em direcção à Estefânia, lembrei-me de um caminho diferente do habitual para ir ao Martim Moniz. Segui o declive das ruas, fui parar ao Campo dos Mártires da Pátria. Continuando a descer, estou no fim de uma das colinas de Lisboa. A de Sant'Ana. Depois de passar o hospital de São José, consigo ver mais duas colinas, a de São Roque ( o Bairro Alto ) à direita, a de Santo André ( Graça e Senhora do Monte ) à esquerda. Daqui deste topo, escolho por onde descer: a rua mais bonita da zona, a Calçada de Santana - onde passo pela casa da foto, importante - , que depois de algumas travessas, me leva à Igreja de S. Domingos. Almoço multicultural no Ali Baba Kebab, ali ao lado. Prezado fica a divertir-se com a facilidade com que várias pessoas com lingua mãe diferente se entendem só com um inglês minimal.

Tendo este blog passado dos habituais 3 milhões de visitas para uns 7 milhões em 3 dias, acho impossível como ainda não cheguei à minha meta. Acredito que seja porque só 15 de vocês é que têm paypal. Mas isso resolve-se: www.paypal.com e depois donate, aqui ao lado direito.

É sabido como gosto de posts etilizados

Faço o caminho a pé. Deixei-me de metros, que não têm vista, e de autocarros, que me tremem a máquina fotográfica. Vou a pé. Pelo caminho, passo pelo grupo de queques que vão não sei para onde, pelos camones que saem do hotel e pelo pessoal que sai do teatro. Mais abaixo, passo pelo Licas. A memória visual é infalivel, mais do que a dos nomes. Este, por acaso, lembrei-me. O Licas era um daqueles rufias da preparatória. Quando todos fumavam cigarros às escondidas, o Licas fumava erva ou outra merda qualquer que não sabia distinguir na altura. Tinha chumbado tanta vez que tinha o caparro de um boi, comparado com os choninhas como eu, sempre a passar de ano, meninos ainda a tentar fazer do buço um bigode - ainda hoje não consegui, foda-se - e a não levarem tanto calduço. O maioral da escola. Estava o Licas na Avenida da Liberdade e lavar a rua, de farda retro-reflectora e mangueira. Não é karma, não. É mesmo a vida.
Depois passei pelo taxista, a olhar para o casal de lésbicas em romance, na rua, a dizer "que perda de tempo".
Bebi a minha superbock mais à frente.
Ouvi um cover de Stevie Wonder com ela, grande companhia.
Fui dançar. Sentei-me um bocado nos bancos do balcão, os das putas. E descobri que enquanto lá estou, ninguém me atende. Não servem para pedir bebidas, mas de trampolim para outro lado.
Vou.

E ajudem-me na porra do iPod. Será um grande acontecimento, o dia em que ele me vier parar às mãos. Juro. Donate. um euro. Não aceito dolares, tenham paciência.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Mais uma doação, antes de ir apanhar ar. Cá vou eu. Até amanhã.

Take us to Bairro Alto


Sim, também o levava para o bairro. Como eu sou um tipo extremamente calado e introvertido, um mono, usava-o como desbloqueador de conversas, como quando tinha 6 anos e fazia desenhos às meninas da escola para poder meter conversa com elas. Era isso ou apanhar na tromba.
Assim, subia ali a Rua da Rosa, perdia-me como sempre, porque não vale a pena fazer de conta que sei orientar-me no bairro, não sei mesmo, é impossivel, quem sabe é totó e deve ter pouco em que pensar e lá dava com as Catacumbas. É o bar de jazz onde vou conversar um bocado e desenhar. Às vezes com óptima companhia, outras vezes com amigos. Nessa altura, fazia desenhos como este aqui, inspirado no gajo na cadeira ao lado.

Querem ver mais desenhos? Ajudem a tornar um iPod uma realidade. Vão até ao botão à direita e cliquem no donate. É fácil.
Vou ali ver o debate do orçamento de estado e já venho.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Cabelo branco é saudade IV


Vou ouvindo no telejornal da uma a discussão à volta do orçamento de estado para este ano, indignando-me, respirando fundo e aceitando, enquanto me vão ao bolso.
Desde miúdo que não perco a abertura dos telejornais. Agora que posso, voltei a esse hábito: Ver telejornais, só de bucho cheio. Almoço e janto a ver telejornais. Um telejornal da TVI, por exemplo, é como um shot de GoldStrike: se cair um no estômago em jejum, estamos lixados.
Depois saí, fui ao super-mercado e a menina que era invulgarmente bonita e com uma voz delicada, sorri e pergunta-me onde é que fui buscar as natas. Infelizmente, fê-lo tratando-me por "senhor", o que me leva a ver-me como inquilino de um lar de idosos em Idanha-a-Nova num futuro próximo e a dizer duas ou três asneiras aos meus botões.
No tasco ao pé de casa, bebem-se imperiais de seguida.

Gostam de posts com piada? não percam muito tempo por aqui.
Vão até ao botão à direita.

E lá estava

O cabrão do gato dentro da gaveta dos boxers, a lixar-me a roupa toda, deitado em cima de tudo e eu só a ouvir o gajo a afiar as unhas na roupa, sem perceber onde ele estava encafuado. Cabrão!

Take us all

A Maria tem sentido de humor - temos todos, óptimo - e já veio cá desejar-me sorte. O mínimo que posso fazer é oferecer-lhe um gato daqui - o mais pequeno, que é meio incontinente e tem umas unhas fodidas quando me trepa para as pernas, quando estou a jantar - como torcionário para acelerar a ida a Bruges. Mas antes disso, já sabem: iPod. Não se percam.

Almoço

Lisboa é bonita, mesmo só à hora de almoço. Vão até ao Chiado, passem à Brasileira, desçam para o lado do rio, passem ao Cais do Sodré, espreitem o rio. Enquanto há sol.

De volta a casa, dou com um email avisando-me da primeira doação no Take us to iPod Touch, ali no botão à direita. O marcador foi inaugurado. À benemérita, bem haja. Agora, é continuar, porque há causas que valem a pena.

Take us, é oficial.

A campanha está lançada e conto com vocês e os vossos links, comentários e ajuda:
Lancei ali ao lado a conta de apoio ao Take us to iPod Touch, o meu instrumento de trabalho mais importante desde que larguei o Spectrum. Fazer chamadas? não. iPhone é uma treta. iPod Touch é o iPhone menos a parte má e cara. Faz o que eu sempre quis.
A campanha poderá fazer lembrar uma outra, uma take us to Bruges, mas qualquer semelhança é propositada, obviamente. Eu também preciso de ajuda, como muita gente.
O PPC é o que é à conta de muito post no iPod Touch; o saudoso Arrumadinho, - aqui lembrado pelo meu vizinho das microondas - tem aquele header , trabalho meu de fingerpainting, criado num iPod Touch; este desenho aqui ao lado é feito num iPod Touch e se não for o iPod, não tenho remédio senão fazer contacto visual com toda a gente enquanto vou no autocarro. Tempo útil em que podia estar a ouvir Stevie Wonder e a desenhar o retrato da dona Marta.
Por tudo isto: Barra à direita, mais abaixo, campanha Take us to iPod Touch, botão donate. Façam o que entenderem. Eu agradeço.

No meio disto, descobri que a inspiração para o meu logo "take us" foi trabalho de uma amiga minha, designer, à qual agradeço não me retirar todos os proveitos da campanha num moroso processo de direitos de autor.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Vão a Bruges, sim. Mas antes....


"Quem não chora, não mama." - Steve Jobs, C.E.O. da Apple, inc.

O Prezado é totó. Perdeu o iPod Touch que tanto amava. E desde aí, o desgosto assola-lhe os dias. Como já vendeu todo o conteúdo da sua casa para levar alguém a Vila Nova de Famalicão e mesmo assim ainda ficou a dever, o Prezado vai lançar a campanha Take us to iPod Touch ( eu e... o meu ouvido esquerdo e o meu ouvido direito, já são 3 ) . Pensem nisto como mecenato em favor de um artista multifacetado. É uma ferramenta de trabalho, um amigo, um estilo de vida. Toda a ajuda é preciosa. Dicas sobre como chegar lá aceitam-se : On parle français, prezadoprezado@gmail.com.

Um dia cheio

Encontrei a minha sobrinha, para um café. A miuda está enorme, mas com o percentil descalibrado. Está meia cabeçuda. Mas pronto, não deixa de ter piada.
A conversa com a mãe da sobrinha já fazia falta.
Descobri que estou "com bom ar". O que, dado não apanhar muito ar e o pouco ar que a casa tem estar infestado de gato, é um dado muito optimista.
Voltei a casa, descobrindo mais uns recantos de Lisboa pelo caminho. Uma villa, ali ao pé do Campo dos Mártires da Pátria.
Voltei a sair, para actualizar o meu vocabulário sérvio. Muita conversa, uns copos de cerveja quente e uns álbuns de 80's mal mastigados por uma aparelhagem manhosa, vamos para um tasco comer feveras e batatas fritas a pingar oleo.
Conheço a celebridade do dia. Falamos de saxofones, Hot Club e como sentir a música no corpo todo.
Despedidas. Temporárias.
Encontro o taxista belfo que me explica que já não indica casas de putas a ninguém se não tiver uma comissão decente.
Finalmente, sou recebido apoteoticamente pelos gatos.
A vida é bela.

terça-feira, outubro 12, 2010

Basicamente e para acordar



I don't ask, for much these days
And I don't bitch, and whine, if I don't get my way


Acordar. Pegar no telemóvel. Ir ao computador. Ver e-mail. Ver facebook. Ver blog. Ver blogs linkados ao blog. Abrir janela. Abrir porta. Gatos aos pulos.

segunda-feira, outubro 11, 2010

Junto à tempestade

Hoje não estou muito inspirado para isto, não andei assim tanto. Deixo aqui a metáfora do dia, género RFM "já agora vale a pena pensar nisto", encontrada na rua do jardim do arco do cego:

Catterpillar amarelo com o auto-rádio a passar Alicia Keys, bem alto.

sábado, outubro 09, 2010

Feira da Ladra


Hoje fui por um caminho mais tortuoso, aproveitando o sol. Em vez de apanhar o topo da Penha de França, fui descendo a Almirante Reis, até onde sei que a carteira está a salvo. Porque tenho de subir para a esquerda da Almirante Reis evitando uma zona do Intendente que não me inspira. Atravessei o Mercado do Forno do Tijolo, subi até à zona da Senhora do Monte, onde apanho esta vista.


Passo pelos prédios antigos da zona, que apesar de terem só 3 andares, parecem montanhas.


Atravesso a Graça já a chover e desço para a feira. Com a chuva, forram-se as bancas de plásticos, as que têm toldo servem de abrigo a todos. Os que não têm plásticos marimbam-se. A quantidade de coisas que apanham chuva faz-nos saber que aparelhagens, violas, banjos, acordeons, relógios e telefones comprados na feira serão bons apenas para bibelot. A chuva ia e voltava. Os vizinhos de banca comentavam-na, sabiamente, como só velhos podem comentar:
- Já viu, esta chuva? Não dá jeito nenhum.
- Só água... Eu gosto é vinho. Vinho e cona.

A sabedoria dos mais velhos é comovente na sua simplicidade.

Manhã cedo

O Sol chama-me e a Feira da Ladra espera-me. Foto-reportagem mais logo.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Processos cognitivos avançados I


Os gatos são particularmente inteligentes, é sabido. São capazes de raciocínios complexos, deduções, aritmética simples e alguns conhecimentos de fisica-quimica. Uma das provas disso mesmo, que pretendo defender hoje, assenta no facto comprovado de que o gato mais pequeno gosta de porno. Sim.
Facto: Estava eu a ver um youporn - sexo heterossexual, um casal, posições variadas - quando percebo que não sou o único elemento a tomar atenção ao filme. O gato, a meu lado, encontrava-se igualmente especado a olhar. Não estava de cotovelos em cima da mesa como eu, mas estava estático. E pelo movimento dos olhos, estava claramente a processar a informação que recebia. Deixei de olhar para o filme e passei a olhar para o gato e a tomar notas. vimos juntos alguns filmes, só para confirmar a descoberta. Sim, ele percebia o que se estava a passar.
Mais: concluo que os gatos mais velhos, são igualmente inteligentes, mas simplesmente já não ligam a porno.

Poderei ainda fazer algum ensaio com BDSM, FF, MFF, FMM, 2girsl1cup, acho que só vai validar os resultados já conseguidos. Ainda assim, arrisco.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Atentados


Tenho a mania de mostrar coisas que gosto, em Lisboa. Agora deixo aqui o que acho que é o prédio mais feio da cidade. Diz-se que o Camões esteve em calabouços mais bonitos.

A luz da escada

É sabido que ando sempre de máquina fotográfica. Fosse eu purista como era há uns anos e diria que isto nem é fotografia, porque não tenho controlo sobre quase nada nas fotos que tiro. F's à balda. ISOs sempre no mínimo, não páro para focar nada. É só disparar 30 fotos por dia, umas 2 ou 3 serão boas.
Os vizinhos é que devem estranhar que eu demore tanto tempo a descer e subir a escada. Mas a luz na escada é genial e tenho de a aproveitar.

Já está.



Já acordei.

Este blog resiste

Uma noitada de chat e a ressaca é 200 vezes pior do que 200 copos de gold strike. A emissão segue dentro de momentos.

Ó tempo, volta para trás.

Por Lisboa, passei à minha grelha do metro favorita. Desta vez com pressa, não pude apreciar a paisagem como é de direito. O verão que lá vai, leva com ele o tempo para estar nos alvos bancos.

Ó ninfas. Ó musas. Levem daqui esta bebida maldita.
A sério. Não tá a cair bem.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Só se fosse de propósito

"Dás-me comida aos gatos, não te esqueces?"

Esquecer-me como? assim que abro a porta tropeço num ou dois.
Depois vão em matilha para a cozinha, já à espera da dose.
E se eles fossem calados, ainda podia ser. Mas não.
E se não acordar a horas ( vide noitada ) , fazem o favor de arranhar a porta, tipo Shinning.

terça-feira, outubro 05, 2010

Perdido num caminho habitual


Descendo a Rua dos Arroios, sigo para o alto da Penha de França e mantendo-me nessa cota, vou até à Graça. O caminho a descer a partir daí é que é sempre o mesmo: Passo ao pé da Feira da Ladra - hoje até é terça, mas não fui lá - desço o caminho do 28, até perto da rua dos Bacalhoeiros, passando pela Sé. Depois subo a Rua da Prata, passo à geladaria do costume e só paro na paragem de autocarro. Hoje devo ter andado distraído, porque não aconteceu nada este caminho todo. Se eu fosse um alfaiate, talvez tivesse tirado uma foto às miúdas que estavam na esplanada da Penha de França. Mas eu só tiro fotos a paredes.

Viva a República viva

Lá foi o Prezado ver um concerto único. Teve a Orquestra da GNR a provar que o dinheiro que o Vlad-o-impalador nos chupa vai para algum lado, umas bandas que não se lembraram de fazer duas coisas - ensaiar e fazer soundchecks - geralmente importantes, uns convidados porreiros, que gostei: a Lenita Gentil, a mostrar que ainda tem voz, o Vitorino, fora de tempo mas sempre smooth, e o .... B chachada, que veio provar que é mesmo uma chachada, felizmente nem lhe meteram som na viola, e a voz pouco se ouviu - mas deu para entender que canta como o dom duarte: (famoso monárquico) como quem tem asma. - , entrou 3 minutos e saiu. Assim consigo ver concertos deste gajo, madame. Depois, a fechar a noite, uma banda brasileira, que pelos visto, ensaiou, fez soundcheck e rebentou a escala em virtude dessas duas habilidades.
Um concerto onde o único português que esteve à altura é candidato à presidência, felizmente.



Isto até começou com piada e suave. Eu gostei.


Mas quando entraram estes, toda a memória do que ouvi antes, passou para a minha zona do cérebro dedicada às memórias de curto prazo, onde guardo os números de telefone de primos em 4º grau, ou o número de telefone da igreja maná de Carcavelos.



O que vale é que depois fui ali à praça do chile encher-me de bolos e pão com chouriço. Nada se perde, tudo se transforma.

segunda-feira, outubro 04, 2010

É uma chachada, mas...

Estou a ser vítima de cyber-bullying.

O cosmos cabe todo numa mercearia.

Na mercearia que tenho ali a meio da rua, invariavelmente apanho o sr. dono-da-mercearia - até lhe descobrir o nome, chama-lo-ei Vlad-o-impalador, para facilitar - à espera duma freguesa, sentado ao lado da máquina registradora. Assim que chegam para pagar, a conversa é sempre semelhante.
- Então sr. Vlad-o-impalador, já viu, há tantos anos que a gente se conhece...
- É verdade, dona Conceição. Mas olhe que já não tou cá muito tempo.
- Ah, não diga isso, sr. Vlad-o-impalador. Está rijo que nem um pêro!
- Mas tou cansado. Eu quero é ir pra terra. E quem vier atrás que feche a porta.
O sr. Vlad-o-impalador está, à vontade, há 30 anos a atender a mesma freguesia, no mesmo sitio. Nunca fez um Erasmus, nunca foi às novas oportunidades. Não aderiu a nenhum apoio ao comercio tradicional. É por isso que as conversas vão ter todas ao Sócrates, - vou chamar-lhe Vlad-o-impalador até descobrir um nome melhor - ao fim de pouco tempo.

domingo, outubro 03, 2010

Aceita-se


Perdi o meu há uns meses - ou roubaram-mo, mas acredito no perder, visto eu ter um poder de concentração muito limitado - e faz-me muita falta. Desenho, tomo notas, comando o video, envio mails, jogo, vejo youtubes na cama, e até ouço música nisto. Apesar de canhoto, nas minhas mãos, está bem entregue. E não, não faz chamadas.

Aproveitando o facto de ter 2 milhões de visitas diárias, lembrei-me de apelar ao grupo que sei ter sensibilidade artística profunda e que percebe o motivo desta colecta. Por isso, vocês os 7, já sabem.

Alka-Seltzer

É interessante quando numa jantarada memorável damos por nós a contar jantaradas memoráveis. É assim que se constroem lendas.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Dia da depressão, é?

Esqueçam o post anterior. Deixo aqui o manual do urbano-depressivo. A versão está aberta a actualizações, só porque vem da cabeça de um trintão.

Manual do urbano-depressivo para dias deprimentes serem mais deprimentes

  1. Fechem as janelas, a luz do sol é irritante. Além disso, ganham aquele tom niveo de dama-das-camélias que é apanágio dos deprimidos.
  2. Procurem andar à chuva. Aumenta as probabilidades de ficar doente. Aceitem a chuva como castigo divino por serem quem são.
  3. Pouco banho. Toda a gente sabe que aprumo ajuda a sair da fossa.
  4. Roupa preta. Cuecas incluidas.
  5. Escrevam poesias. Mas guardem-nas, podem ser usadas contra vocês mais tarde.
  6. Releiam cartas de amor antigas. Toda a gente as tem, e como o outro disse num tom mais sério que não deixa de ser verdade apesar dele próprio escrever melhor ser poeta e rabiló, elas nunca deixarão de ser ridículas.
  7. Vão a bares escuros e que vos obriguem a andar muito para chegar lá.
  8. Docs ou outros sapatos desconfortáveis. Se usaram ortopédicos quando eram putos, força. Vai-vos lembrar desses tempos que sempre quiseram esquecer.
  9. Fumem. Muito. Acendam uns nos outros, de preferência.
  10. Gajos podem usar risco nos olhos.
  11. Pensem naquela pessoa especial que não deu em nada.
  12. Aquela com que nunca resultou.
  13. Aquela que podia ter sido qualquer coisa e não foi, só porque o vizinho do 5º esquerdo era mais velho.
  14. Acima de tudo, lembrem-se todas as que ficaram entaladas.

E depois, ouçam musica à altura:



Bom fim de semana a todos.

Sexta é para relaxar.



Como já vi aí em alguns blogs, hoje é o dia europeu da depressão, por isso deixo aqui uma sequência poético-pastoril, com enquadramentos à-bairro-alto. Por feliz coincidência, também é dia da música,
por isso cantarolem qualquer coisa que gostem enquanto olham para isto.