sexta-feira, março 04, 2011

Vamos por partes.

Passei pelo Cinebolso. Lembrei-me que há uns anos, a Capital, saudoso verspertino, tinha nos classificados sempre as novidades porno. Era uma altura em que a net estava no princípio, o que fazia o porno um produto de elites. Só pessoas de elevado estatuto social e económico tinham acesso a porno. Como tal, havia um certo primor a apresentá-o, havia um cuidado especial a criar bons títulos, boas narrativas, e acima de tudo, boas sinopses. O filme de hoje, "Muitos e muitos paus", nunca viria sem uma sinopse cuidada, género:
" A Maria pode parecer calma, mas como é a unica loura na kubata do Milonga, sabe que tem de ser dura e mostrar-lhe com quantos paus se faz uma canoa."
Qualquer coisa assim, sempre pegando numa frase feita e a acabar bacalhau sem nexo.


Depois, meti-me no super-mercado dos chatos do venha-cá e comprei esta canja sem galinha da Roinc para acompanhar com este atum 100% golfinhos.

quinta-feira, março 03, 2011

A casa da publicidade

Aquela marca que andei meses a promover, a dos iPods, é de uma genialidade gigante. Não no hardware. Nisso são fracos. Fazem aparelhos muito caros, ridiculamente caros. Mas são mesmo bons em marketing. É que eles transformam um arroto do Jobs num mandamento sagrado, com direito a transmissão em directo. Desta vez, arrotaram um iPad 2, que devia ser o 1, mas o 1 para ter este hardware todo era caro demais e arriscado então fazem o 1 com metade do que devia ter, a ver se pega, lançam-no bem caro, como se fosse a ultima tablet a surgir no mercado e não a primeira e depois pagam o 2 com o dinheiro dos papalvos que compraram o 1 há 2 meses. Entretanto, lançam este com o mesmo estrondo, acrescentando a peça mais fascinante de sempre: um feio iman de frigorífico. Mas, assim como a publicidade nos fez acreditar que o toque polifónico era desejável e imprescindível, agora querem fazer-nos acreditar que um iman de frigorífico de 40 euros 40 corneta malucos do riso obrigado também o é e esperam que toda a gente pape aquilo? Apple will eat itself.

quarta-feira, março 02, 2011



A porra da constipação não me larga, os cabrões dos comprimidos não servem de nada, ando aqui aos cães ( ou gatos ), a porra da garganta ainda toda lixada, farto disto.

Anger management

Deus cruel como poucos, que perdeu tempo a dotar-nos de cérebro, não o fez de forma regular. É isto que me anda a desviar do caminho da rectidão: Amar todas as criaturas de deus, figuras geométricas puras, os astros, os animais, os preços do Corte Inglés, gente que diz "tájaver", artistas, empregadas de mesa monossilábicas, a CP, o Sócrates, os recibos verdes, polipropileno, desmioladas, musica de carrinhos de choque, essas coisas que só um deus cruel é capaz de criar, género sims-house-of-pain, para se entreter a ver-nos cá em baixo - sim ele está numa nuvem de algodão doce com unicórnios lá em cima - a estrebuchar. É difícil seguir o caminho de outros grandes resistentes. Buda. Olof Palme. Carlos Lopes. Mas são a prova de que é possível ao mais comum dos mortais vencer a dor da realidade que se abate sobre a nossa tromba todos os dias. Aqui prometo focar-me no mais importante e voltar a ser o dobro de metade da sombra do homem que sou.

terça-feira, março 01, 2011

Perseguição

Ali o tipo do casaco azul está lá sempre e começo a desconfiar que tem qualquer coisa contra mim. Cheira-me que anda a preparar alguma. Topam a pinta? Sim aquele o dos ténis. Ó palhaço do caralho apanho-te a jeito parto-te a boca ouviste? vou andando que não se pode confiar nestes gajos. Meti-me em santa apolónia escondido entre duas carruagens e só saí no Entroncamento. Depois apanhei o outro aquele que se levantou da cadeira agora sim tu ó palhaço tás a olhar pra onde ó meu barda-merda ? vem cá vem larga a cadeira larga larga foda-se deixa-me caralho larga a cadeira antes que me magoes com isso vais ver palhaço palhaço sim sobe cá acima A Amália? a Amália o quê caralho desculpas! sobe se és homem Panteão o caralho sobe que te parto a boca toda sim pé de cabra nos dentes fodo-te todo palhaço não sobes tu, sobe lá pois, não sobes, menino.


segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Oscars, a análise fashion do PPC

Pela primeira vez, o PPC acompanhou a noite dos Oscars e fê-lo da melhor forma, com uma proto-estilista convidada. Acompanhar isto com uma mulher trouxe a vantagem da clara objectividade que só uma mulher a olhar para outra mulher consegue ter. Eu provavalmente só conseguiria dizer "olha-me aquela vaca, tão magra" mas assim, foi possível ter algumas palavras mais sábias e imparciais sobre as estrelas.

Ao longo da noite passámos por profundas análises:

Anne Athaway, simultaneamente "muito gira" e "olhos de boga", do vestido nada a apontar a não ser que lhe assentava mal nas mamas. "Viste, vai ficar como a mãe?".

Robert Downey Jr., que "tem estilo" , podia usar o fato dele e simultaneamente " o gajo combinava melhor comigo, foda-se". Também "é lindo".

Nicole Kidman, perfeita mas enjoativa, desilusão enorme, vestida ao estilo de um guardanapo de restaurante indiano. A partir daqui não uso mais aspas, mesmo vocês devem conseguir perceber rapidamente quem diz o quê.

James Franco, que é bem apessoado, mas uma seca.

Tom Hanks, que é um gajo. Sem comentários.

Por esta altura, ainda estava a cerimónia a começar e a analista convidada começa a reclamar por um tal de Bardem.

Kirk Douglas, o regresso da múmia. Coitado do senhor, não há respeito, tirá-lo do suporte de vida... mas, ganda style. Tutank Amon, you're a winner.

Melissa Leo, a minha mãe tem uma toalha de mesa com esse padrão. Bem atribuído.

Justin Timberlake, granda seca de gajo, nhonho, a acompanhante, suburbana, gira e das barracas. Bom decote. Vulgaroide. Vestido cor de urubu.

Penelope Cruz, linda foda-se, tá uma bimba. Vestido, qual vestido?

Javier Bardem, tá sem pescoço. AUUUUuuuuuuuuuuuuuu tá inchadito. Fatos à barco-do-amor.

Helen Mirren. Linda, velha bem conservada. Vestido ok.

Reese Witherspoon, és loura mas para ti abro uma excepção. Curvas porreiras, mas tem cara de professora de fitness misturada de mulher a dias.

E provando que isto da entrega dos Oscars é uma seca inominável, eu vou dormir. Nunca acompanhei uma entrega em directo porque sempre achei isto uma coisa fatela a dar com um pau e ainda não é desta que achei piada. A todos, uma muito boa noite.



sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Felizmente é sexta.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Não sei que diga

Desço a rua das tascas escolho uma ao calhas calhas aqui onde há toalhetes de papel com erros ortográficos e meias doses, levas guardanapos com desenhos a ver se pagam contas, pagas contas com dinheiro pagas contas. Não há tempo para sobremesas fica o café cheio, mas sais à rua a tempo. Sobes a Rua da Alegria passada a praça da mesma graça, passas a editora Minerva que do canto não passa do borda d'água há anos demais, sobes sobes ao Principe Real desces ao Ibis, passas ao largo, atravessas a travessa, contornas o taxi e 'tás lá. Trocas fados por mornas e tomas louras por mulatas.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Agora que já vi o Black Swan

Tenho de rever o meu review do Black Swan, foi parvo julgar um filme sem o ter visto. Nunca seria objectivo e justo, obviamente. Então escrevo assim, teclo bem devagar, mais magistral e certo:
Não é o equivalente ao "Perfume". É qualquer coisa como um mashup do Fight Club com a Candy Candy. E a partir daqui, escusam de ir ler críticas do Público e do Expresso, isto é o mais resumido e sério que podem encontrar.

Não querendo ser parcial, deixo aqui algumas dicas sobre o que podem fazer com 5 euros que queiram gastar:
  • Perdê-los.
  • Pagar a alguém a quem devam 5 euros.
  • Comprar 5 euros de pastilhas.
  • Comprar 5 euros de chumbo.
  • Comprar 5 euros de penas.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Cinebolso, às 19:46


Lá passei ao Cinebolso. Desta vez não tinha ninguém à porta, o que achei estranho. Senti-me sozinho até. Enganei a solidão imaginando-me a jogar ao burro em pé com a menina devassa das menages.

Aproveitar o sol

Lá nos reinos das Valquirias, há uma obsessão com o sol. Aproveita-se todo. Cá, como há tanto, a sua ausência é temida, a sua presença, desprezada. Passo à porta do tasco com o toalhete de papel colado com fita cola na porta: "temos sala  no 1º andar e esplanada". Esplanada. Porreiro. Está sol. Vou comer na rua.
- Boa tarde, a esplanada lá atrás, por favor.
- Esplanada?
- Sim, está aberta?
- ah não é bem uma esplanada... É um quintal, 'tá a ver? 'tá um pouco desarrumado.
- ....
- E além disso está frio...
- Pois, estava a ver se apanhava sol...Boa tarde então.
- Não, ali nem apanha sol.
Pronto, lá fui para uma cave escura comer e fustigar-me por acreditar em coisas escritas num losango de papel.

sábado, fevereiro 19, 2011

Revoluções ao sábado


Passando ao mercado de Arroios, a revolução já começou. As velhinhas, vermelhas de fúria, azuis de farandol, gritam aos talhantes assassinos assassinos comedores de carne onde já se viu comerem o tó e a galinha balbina animais são os senhores animais assassinos a comer carne - gritaria pegada, paro passo e penso como finalmente funcionaram aqueles stencils vegan a denunciar o holocausto semanal que nas barbas de todos os inconscientes se repete - os animais são nossos amigos não se come os nosso amigos gritam foda-se para as velhas, não aguento este ritmo e tanto ódio nos olhos, o mundo não está mesmo preparado para ser vegan. Passo ao largo.
Da rua bipolar sigo até ao cemitério do alto de São João. Passo pela velhinhas de Sentinela na mão. Olhares desconfiados.
Como num café na Senhora do Monte. Não digo o nome porque não quero promover um sítio onde regresso para ter o melhor gosto em ser mal atendido. Demoram tanto a atender, mas são tão simpáticas e atarantadas que não há forma de reclamar. Aquela troca os pedidos todos, mas as meias de rede ficam-lhe bem. Nada a fazer.
Depois de uma pausa, mais um bocado em passo acelerado e entro na Feira da Ladra, que a esta hora já não é tipica nem tem turistas. Resta só um grande quadrado de gente lá mais para baixo, mais velhos, mais homogéneos: os que vendem para ter o mínimo dos mínimos. É tudo roubado. Coisas de supermercado. Tudo menos o que rapaz dos óculos fundo de garrafa me pede para comprar, isso notava-se que era dele. Pediu-me para comprar tralha, coisas de casa, dele.
Cruzo-me com mais um par de revista Sentinela na mão. Nada novamente. Deixei de ter salvação parece-me ora porra agora que até me dava gosto dizer uma barbaridade qualquer, género sou médium sou enviado de belzebu pratiquei fornicação mas só por motivos rituais atenção, qualquer coisa.
Desço ao Museu do Fado. Passo a fonte bizarra. Paro um bocado em frente a um portão que me diz coisas familiares, de tempos passados. Tiro-lhe um retrato, como retribuição.
Sigo em direcção à Casa dos Bicos, ultrapassando o velhote bêbado que mal se aguenta de pé. Sigo para o Rossio e apanho os manifestantes que tinha visto juntarem-se lá mais atrás, na Voz do Operário. Estes só para serem chatos ou porque precisam do dinheiro, fazem a manifestação ao sábado. Tanta polícia. Tanta. Junto-me aos perigosos agitadores e sigo com eles a rua a que agora cortam o transito e sigo para casa. Tanta polícia, devem estar à espera das velhotas vegan.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Abençoada

O Sergio Godinho escreveu sobre uma terça feira feira da Ladra, abria às 5 da madrugada. Devia ter escrito também sobre uma sexta, dia bem mais importante mas menos poético, em especial dos que fecham às 5 da madrugada.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Do metro

Do metro, tomem como certo:
A primeira carruagem é a melhor e a mais rápida, os bancos virados para a frente têm melhor Feng Shui e sentarem-se no meio dos bancos corridos faz-vos parte importante de uma capicua. o PPC recomenda: Usem o metro.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A subir a rua, passei olhei vi

Entrei. No Cinebolso. A coragem diluiu-se nas paredes forradas de meninas gulosas e saí em 30 segundos. O facto de ser o único na zona a locomover-se nas duas patas traseiras dava-me uma desvantagem clara na fuga, mas consegui sair com sucesso.
Esta semana, o filme é:

"Turistas engatatonas", pensei, deve ser um documentário. Deve tratar daquelas devassas que vejo no Castelo de são Jorge, na Feira da Ladra, no Museu dos Coches, de máquina fotográfica, badalhocas com aqueles kispos a provocar, sempre com mochilas o que não levam nas mochilas as porcas.

Parabéns Pipi!



A Pipi ganhou o passatempo! Não que o post esteja brilhante, tem uns laivos literários com alguma expressão, por vezes tocam a genialidade, comparam-se a Eliot, afundam Espinosa, rebentam Margarida Rebelo Pinto, no fim espreme-se e dir-se-á "xi, qualquer dia ainda fazem um livro com isso.". Prezado confessa que foi alvo de uma tentativa de pressão por parte de uma blogger conhecida para lhe atribuir o prémio, mas como esta é uma mulher séria, não tinha nada para o convencer a que tal acontecesse. Sendo assim e sem mais, vem cá buscar o selo.
Diz lá se não é grande?

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Dia das ex-namoradas

A Madalena, ébria. Ah, saudade.



A madalena, sóbrio.

Madalena foi brutalmente roubada do E Deus criou...

Para fechar o dia, uma oferta

Prezado oferece a cada blogger que apresente post subordinado ao tema "estou deprimida, vou ficar no sofá a encher o cu de bolachas porque hoje estou sozinha": um certificado de mal-fodida assinado pelo Paulo Bento e pelo Manuel Luis Goucha. Apressem-se que tenho poucos, é difícil apanhar o Paulo Bento. O Goucha deixa-se sempre apanhar.

Isto é simples

Funciona assim: há muitos muitos anos havia uma tradição anglo-saxonica ligada a um culto pagão, associada ao sol ou aos pássaros ou à primavera, metendo barbudos de camisa de noite branca à volta de pilas de pedra, um cenário a puxar o raccord à reprodução e ao recomeço de ciclos. Basicamente: foder.
Entretanto, veio o cão, e o gato teve de se esconder. A igreja tomou conta da produção e aproveitou a data e meteu lá um beato qualquer, santificando a coisa e tirando a parte forniquenta da questão ( pelo menos à descarada ). Finalmente, veio o coelhinho não não veio o palhaço e o pai natal, o capitalismo americano, o grande Satã pois e todo o circo e criaram este dia maravilhoso com todo o género de promoções pague-um-leve-dois desde telemóveis chouriças de sangue lingerie chocolates scotch brites spas perfumes ui perfumes tantos cinemas e todo o tipo de tretas que são igualmente promovidas noutras datas igualmente significativas ( halloween, dia da mãe, do pai, da criança, campeonatos da bola, rock's in rio's etc etc ) que são consumidas industrialmente esquecendo momentaneamente que o único propósito delas é fazer dinheiro. Conclusão? Rais parta a publicidade. Tan tan tan tan tan tantum!

domingo, fevereiro 13, 2011

O regresso dos mortos vivos

Os telejornais hoje abrem com a notícia de mais um velho encontrado morto em casa tempos depois de ter morrido. Pergunto-me se a ideia é lançar o medo de uma epidemia de pessoas encontradas mortas ao fim de algum tempo. Não estou a dizer que seja assim um valentão, mas pessoas mortas dentro de apartamentos não me assustam. Venham elas.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Aqui no trabalho III

Tenho um co-trabalhador, que depois de ganha a devida confiança, passou a enviar-me fotos-malandras de senhoras distraídas a sair do banho só pode estão nuas e visivelmente encaloradas tudo cor de rosa choc a brilhar rosinha mas o cabrão não sabe meter no subject "NSFW" depois do titulo que me faz lembrar as cassetes de tangos e passodobles do meu avô.

Aqui no trabalho II

Temos consolas de jogos, como em todas as agências em que trabalhei. Mas como em todas, raramente lhes toco, porque numa agência trabalha-se. Num escritório normal, o equivalente a uma consola serão posters na parede. Só servem para dar ambiente.

Aqui no trabalho I

O gajo que está 3 mesas atrás meteu na cabeça que a música que mete é do melhor. Mas na realidade, está entre musica para bodycombat e carrinhos de choque. Na sala ninguém grama aquilo, mas aguenta, na esperança que ele desligue um pouco e alguém meta algo que use notas musicais na composição.

Black Swan

O Black Swan está para os filmes como o Perfume está para os livros.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Sobre católicos

Prezado é blogger há 5 anos, tem comichão no couro cabeludo e gosta de dizer coisas.
Quer espantar todos os leitores do blog excluindo-os por partes.
Esta semana: Católicos.


Devem ter visto na secção de notícias idiotas de um jornal online qualquer ou na televisão generalista alguma informação sobre esta App para iPhone, a Confissão.
Ora...
O Prezado esteve a fazer beta-testing da app. Não, não tem lá nada de nada sobre fazer confissões online. não tem um send para o senhor padre com um forward para deus, nem tem bcc para o papa. Não tem rede social para comparação de pecados, não tem likes para os mais arrependidos, não tem partilha de salmos, não tem opção para descarregar novas penitências. Não tem estatísticas de pecados. Nada. Porque se ela fosse assim, foda-se, eu pagava para a ter.

É apenas uma lista de pecadilhos possíveis, para consulta, para sabermos se estamos no caminho certo.
Partindo dos 10 mandamentos, aquilo ramifica-se, complexifica, questiona tudo e mete-me a pensar Jesus se eu pensasse nisto como pecado cada vez que acontece estava fodido não fazia mais nada na vida e provavelmente não dormia à noite sem me confessar ah espera é esse o objectivo fazer-me sentir mal com coisas que toda a gente sente mas que não confessa ... pois confessa pois o objectivo é confessar coisas que são normais e vulgares até aquelas indesejadas também, depois de as associar a culpa.
Ó assim não vale, bolas. Então se são coisas que toda a gente sente todos os dias, os desgraçados dos católicos cada vez que olham para a dona Isabel da padaria já estão a incorrer em erro. A lista, meus caros, faz-me temer pela humanidade. E é pela extensão de bizarrias que lá encontro que agradeço a deus haver religiões, senão esta gente pecava ainda mais. Deixo aqui algumas questões que devemos perguntar-nos diariamente, que podem encontrar na app.
Espero que os criadores da app sejam mais misericordiosos comigo que deus, que esse nunca me castigou por violar copyrights, o distraído.

"Alguma vez pratiquei alguma superstição?" signos? não podem.
"Alguma vez fiz piada de Deus, de Nossa Senhora, dos Santos, da Igreja?" Jesus, tou lixado.
"Alguma vez troquei beijos prolongados ou apaixonados?" deus não grama dessas cenas, ouviste Beatriz?
"Alguma vez pequei contra a castidade sozinho?" isso tem um nome.
"Alguma vez deixei de controlar a minha imaginação?" Esta nem consigo rir.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Rogo clemência

Pois que quero fazer traçar uma linha aqui no chão do tasco e dizer, pra lá do Marão mandam os que têm a Admin e o tipo que tem a Admin ( Prezado ) deixa-vos a caixa de comentários aberta e a jeito de ser esfodaçada a torto e a direito por trolls, macacos e ogres só porque acredita que deus nos deu o livre arbítrio apenas a pensar nas caixas de comentários e que fazem vós com o maior privilégio que deus vos deu? desbaratam-no.
Expliquem-me lá: Por que razão escrevo eu uma verdadeira ode, uma coisa escultórica, helénica, talhada no mais alvo - depois eram coloridas e muito, a lembrar festas e carne - mármore, arrancada a escopro do fundo de uma montanha, a custo, a sangue, meu sangue, e que fazem vocês? zero comentários. Nicles. Pérolas, perdidas. Na cidade.
É o caralho meus senhores é o caralho.
E zoofiliacamente perversos, o que fazem com os restantes posts, os de chacha - raros muito raros - presentes que o Prezado apresenta e que tanto vos aprazem? Comentam alarde e à fartazana, olha lá este pandego ah eu também gosto de carapaus de escabeche ah eu também vivo eu Lesboa ah eu também respiro quando me lembro ah este prezado mata-me bardamerda deste gajo detesto este o gajo tem a ideia que tem piada palhaço de merda não posso com mentecaptos e eu aqui muito bem na Admin a ver os comentários a passar género Dolly Parton, todos a jeito e nada. Espero pacientemente Esse comentário que não chega. Desespero.
Sim, o blog mudou ligeiramente. Considerem-no um trocar de meias sem tomar banho, não chega para re-design. E francamente, isso do design já cheira mal.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Ah foi greve?

Olha raio não é que os preguiçosos dos comunas do metro fizeram greve esses palhaços não querem fazer nada devem pensar que são espertos a coçar os tomates e a querer ganhar mais passam o tempo a beber café, sentadinhos no quente e depois querem aumentos... Chulecos e eu que quero ir trabalhar tenho de ir a pé, na calma, que ainda estou meio a dormir, e a demorar uma meia hora a apanhar sol ah sol tão bom a andar a pé e a contar os andares dos prédios enquanto, mãos nos bolsos, canto o Stevie blame it on the sun, that didn't fill the sky, I'll blame it on the birds and a senhora do café olha-me e fica nadela "olha-me este a falar sozinho..." - não pá, tou a cantar, não sou maluco - e os chulos do metro que não querem trabalhar e eu a pé, a curtir as vistas, a ver os prémios Valmor avenida abaixo, e já depois das Picoas, a passar ao viaduto sobre a Rua de S. Sebastião da Pedreira, ver a rua a estender-se e lá em baixo o sushi já ia ao sushi bolas, desejos, lá troco de música depois de atravessar a rotunda cabrões dos comunas, nem os túneis deixam abertos tenho de arriscar atravessar a rotunda, agora tento esta, esta não, os headphones ficaram em casa da mãe no almoço de domingo e não me lembro de todas as letras grunho memória de peixinho que lá chego ao trabalho cheio de calor do passeio, chego atrasado por causa desses comunas preguiçosos deviam ir trabalhar para ver o que era bom prátoce.

Retornado

Regressado a casa depois de palmilhar a cidade em que poeticamente se perde, resta agora a profundidade artística da roupa por estender, tarefa essa que, com o adiantado da hora, a rapidez, esmero e graciosidade empregue, se assemelha a atirar milho aos pombos. Caguei.

sábado, fevereiro 05, 2011

Deslarguem-me

Fui cortar o cabelo. Como é hábito, fui a um cabeleiro ( barbearias é demasiado arriscado para mim, dado não ter a noção mínima de como está o campeonato. Só sei que o Porto levou na pá um dia destes ). Entrei num daqueles salões do centro de Lisboa, pessoal com todos os dentes da frente, mais piercings que eu, mais tatuagens que a Ana Malhoa.
Como é habitual, lá se vai lavar a cabeça antes do corte, e novamente lá vem um gajo lavar-me a cabeça e mete-se com as putas das massagens - isto é algo que já devem ter reparado ou que podem confirmar com toda a gente que vá a um cabeleiro a armar ao pingarelho - ao couro cabeludo e fico sempre com esta certeza infeliz:

Porra nunca uma mulher me agarrou a cabeça assim na vida, foda-se. Não devia não devia gostar assim de ter um gajo a esfregar-me a nuca, mas estes gajos sabem, porra.

Está provado pandemicamente que ficamos apreensivos com isto, em conversas de café confessamos entredentes que gostámos, abertamente nunca mas partilham ah porra a minha mulher não me faz massagens assim mas o Caló tem umas mãos de fada não vejo a hora de ter outra vez o cabelo com meio centímetro a mais.

Na vida real


Cidade abaixo, fui à Feira da Ladra. Por travessas fui aproveitando o sol, a pé. A feira estava cheia. Muito cheia. Cada vez mais gente diferente, mais turistas, mais novos. Mais compras.
Ouço as conversas do costume. O pessoal estranho à feira afronta os vendedores. Ir para ali bem vestido e regatear não se faz. É como regatear um preço com notas de 50 nas mãos.
- esta camisa tem um buraco.
- Quer novo? isto não é um centro comercial. Quer novo, vá lá.
Tudo Tudo se vende na feira. E se digo que se vende, não é porque alguém estendeu algo num pano no chão e espere comer alguém por otário ( quem comprar uma aparelhagem sem a ligar à corrente, não é otário, é um amante de retro e de bricolage ). Vende-se mais imprestável, partida ou datada peça. É porque há comprador para tudo. Tudo, insisto.
Senão o Sérgio não traria o retrato do miúdo, que filho da mãe de míudo, achou que o spray do irmão mais velho que é da torcida verde o faria mais bonito. Está à venda.
Na banca ao lado, vendem molduras. A dona da casa morreu, por isso não se há-de importar que lhe vendam as molduras muitas, todas com retratos seus. Não os alinharam em ordem cronológica porque não a olharam nos olhos, mas a cada um podiam somar-se 10 anos de vida. Preto e branco, preto e branco, kodachrome.
O cigano mais novo gozava com a pronúncia dos ciganos mais velhos. O cabo-verdiano comprava roupa para a mulher. Os freaks da rasta compravam bolsas amarelas de cintura. O pessoal que não tem net sim ainda existem e são muitos muitos, compra dvd's piratas e cassetes VHS antigas com porno. Sim, gasta-se dinheiro em porno antigo. A mulher continua e continuará a ser peluda, os 80's não passaram. Modernices, talvez um dia mais tarde.
Os camones, de máquina fotográfica à antiga, tiram fotos à quinquilharia mais bizarra e comentam sobre quem poderia comprar tal coisa.
As menina coquetes entram nas duas únicas lojas que vêem, as dos crafts maricas. A tias, nos antiquários do mercado. Na zona mais baixa da feira, a mais pobre - sim dentro da pobreza há castas - vendem-se produtos de super-mercado. Tipo pasta de dentes. Champô. Sabonete. Preservativos de marcas obscuras. Sim, há quem os compre. Mais cima, também ao sol, borracha ainda mais seca, barbatanas às dezenas, fatos de mergulhador, botijas. Pauzinhos dos Epás. Dragonas. Lingerie. Muita.
Vendem-se serviços de chá.
- Quanto é isto?
- é 30. - à careta da mulher, a vendedora emenda - é 30, olhe que isso é porcelana.
- não sei...
- É porcelana, não é ... - e fica por dizer que material de segunda seria esse.
Para os vendedores, os materiais na feira da ladra são sempre nobres, sim. Todos os faqueiros são inox, tudo o que é travessa é casquinha, tudo o que é casquinha é prata, tudo o que é louça é porcelana. Todos os pratos são Cavalinho, tudo o que é Cavalinho é bom. Se for muito-antigo, melhor. O importante é encontrar o preço que faça alguém querer tudo o que já não queremos connosco. E há sempre quem queira.

Que encobrisses a maldade



O Camané é a banda sonora para a rua até à Feira da Ladra. Atentai na letra.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

E ao sexto dia ( que é o quinto ) .

Ele não descansou. Antes pelo contrário. Provando ao patronato que isso do cansaço é relativo, Prezado e outras centenas, mesmo milhares de assalariados, bloggers, profissionais liberais, escravos do eufemismo e outros da mesma lavra, rumam mais logo em direcção ao Bairro, às docas - mas isso é só queques - , ao Cais do Sodré, ao Rato, à Graça, o Castelo, à Ribeira, a Santos, a Belém, ao Saldanha, à Baixa, a Alfama, a Santa Apolónia, à Expo, a Alcantara, unidos numa única causa.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

A espessura interessa

Experiência prática: Peguem em pão sem côdea de pacote ( daquela marca "labrego", por exemplo ) , várias fatias, 3, 4, e tentem fazer uma tosta mista. Queijo, fiambre, afins.
Já está? O que estão a ver neste momento é um transmutador molecular a funcionar. Esperem 3 minutos. Abram e perguntem-me com cara de espanto "ó Prezado onde foi parar o pão, que só ficou aqui uma massa quente com meio dedo de espessura?". Pois não sei. Teoria das cordas? universo paralelo? Fada dos dentes? A ciência pasma.

Sociologia de supermercado

Viver no centro de Lisboa é ter de optar por mini-mercados com campanhas más. Sendo que as campanhas na tv não me convencem de nada, já que são más que doi - tanto a do supermercado do jingle-nuclear e a do supermercado das animações no-budget - resta-me o empirismo.
No super que diz venha-cá 30 vezes, as regras do marketings estão aplicadas: os legumes mais sensaborões estão à altura dos olhos, os prazos de validade prestes a esgotar têm datas mais antigas, os produtos de primeira necessidade estão no corredor de quem entra. Gosto. Porreiro. Mas, os empregados não sorriem, não dizem venha-cá, a comida a peso não tem aquele ar de postal suiço perfeito, parece ter sido passada debaixo - Ó Lambert - de uma escarificadora.
O outro super, os dos preços piriri, piriri, piriri, respeita menos regras, é mais pequeno, a Gestalt não passou por ali, porventura a esfregona também não e tenho alguma dificuldade com rótulos em castelhano. Nunca gostei de comer viernes dali, o bacon às tirinhas a 1.99 é o ponto alto da charcutaria, não gramo das punhetas do bacalhau de lá, que nunca lhe dei confiança nem sinal que curto disso palhaço larga. O pão é do cacete mas duro e os legumes mais manhosos estão dentro das caixas. dica: não liguem aos do chão ( parecem em conta, mas no fim não rende ) .
Um dia destes debruço-me sobre mercearias de bairro.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Nova rubrica

Sou um menino. Querem acreditar que nunca vi um filme porno no cinema? É mesmo verdade. Também nunca degolei um porco, nem desci a Serra da Estrela de bicicleta ( embora tenha dias em que acordo mesmo com a pica para degolar um porco na pirisca. ). Mas posso resolver o problema inicial rapidamente:
É que tenho o CineBolso aqui ao pé. O CineBolso, nunca lá entrei para ver se é pequeno que cabe num bolso ou é o bolso que é pequeno para bilhar ou se é pequeno e e por isso tiram o que não cabe para fora ou não sei mesmo o que é certo é que aquilo tem muitos gajos à porta pronto.
Agora resta-me escolher que filme irei ver. Não digam "ó Prezado é tudo a mesma merda, por favor, deixa-te de armar em parvo e diz logo que és um bimbo tarado mas invulgarmente brilhante", porque escolher um filme porno é complicado. Por isso, conto com a vossa ajuda. O desta semana é este:


Acham que sim? Eu cá acho que gosto de filmes com interjeições por trás. Aquela pontuação é que me deixa meio confuso.

domingo, janeiro 30, 2011

Bom dia

Vou tratar do almoço...

sábado, janeiro 29, 2011

Da noite faz-se dia

Copos. Encontro no Bairro. Mais copos. Conversas sobre Londres, crime e castigo. Descer ao Cais do Sodré. Loja de artigos de pesca remodelada. Rapalas, Shakespeares e Shimanos. Enlatados de todos os tipos. Assentos de garrafas de coca cola. Conversas de gajos. Conversas de gajas. Copos. Jamaica. Mesma música de sempre. Dançar. Encontrar colega de trabalho. Copos. Encontrar ex-colegas de trabalho. Dançar. Sair. Copenhaga. Dançar. Conversa. Dançar. Sair. Dia. Sol porra. Porrada à porta do Copenhaga. Telefonar ao 112. Fica um bêbado k.o. no meio da rua. Autocarro em slalom. Evitar o preto gigante. Falar com a polícia. Amigo a discutir com a polícia. O agente Silva ameaça uma manhã na esquadra. Gajo inconsciente surge, amparado por um tipo 10% menos bêbado que ele. Cabeça feita num bolo. Agente Silva acalma-se. Procurar um taxi. Taxista explica a verdade sobre a vida de caixeiro viajante. Taxista revela ter 3 divórcios no currículo. Casa. Gatos. Guronsan. Cama.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Ver no verso

Tenho a certeza ( chegando lá, obviamente ) que vou andar em tudo quanto é sarau de poesia em lares de 3ª idade. Sempre que é preciso, os versos sucedem-se a bom ritmo, seguros e fatelos como manda a lei. O avô Prezado vai ser daqueles velhotes chatos como o raio que os parta que assim que lhes dão atenção ditam logo uma rima tosca.

- O avô Prezado tem muito jeito, olhe lá... Ele faz versos em menos de nada, veja. Ó avô Prezado faça lá uns versos praqui pra gente ver.
- Ele está a demorar.
- É a medicação... Sabe lá a minha vida, desde que reelegeram o clone do Cavaco que ele tem de tomar calmantes 2 vezes por dia.
- "se fossem na quinta
pata mamar, era mesmo à maneira
eu ficava aqui a rir-me e
a apalpar uma enfermeira"
- É um maroto o Sr. Prezado, sempre o mesmo.
- Tem jeito, o velhote.
- Tirando isto, só diz merda. Dizem que é assim desde 2007.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Mau gosto não se discute e lucros também não

É assim: toda a gente com tamanho de testa superior a um dedo já não pode com a porra do jingle daquele supermercado que toda a gente conhece, mas o que é certo é que rende. Depois de hoje ter visto mais uma revisão da letra, agora em versão Portalegre, deixo aqui isto, podem trautear com a mesma melodia.

Vão encher-se de moscas
cliente burro e azeiteiro
o jingle é sempre o mesmo
de Janeiro a Janeiro

Todas soam sempre ao mesmo,
tratam-no como atrasadinho.
A mesma porra de musica?
Estaladões no focinho

( bis )

Nhó nhó nhó nhó venha cá!


Ninguém merece.

Ouvi esta agora

The price of freedom is eternal vigilance.

E gostei.

A trote e a granel

Lá se passou mais um dia, depois chego aqui cansado e penso, bolas são 7 milhões de pessoas à espera, tenho de escrever qualquer coisa inteligente e penso porra não é hoje que vais conseguir, andas há 5 anos nisto e nunca deu, ainda perdes o controlo, dizes alguma coisa com nexo ou com jeito e depois querem mais e não consegues e depois como é, viver frustrado, à espera que a qualquer momento digam "ó Prezado, faz lá mais posts daqueles, pá!" e eu a mirrar de medo, e eles "mostrei ao meu puto mais novo e ele curtiu bué" e eu porra, cabrões dos intelectuais e mais o elitismo sempre a perseguir-me e eles continuam "podias escrever letras para a Índia Malhoa, meu." e eu pois, pois, não leio Deleuze, não sei o que queres porra.
Vou é dormir.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

É simples:


Posts por email, rápidos? No dashboard, procurem Email & Mobile , insiram um nome para o email, escolham se é draft ou se é para publicar imediatamente, salvem as alterações e já está.

Perguntem-me como

É simples: Agora faço posts via email. É muito mais rápido.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Anatomia

O Prezado tem essencialmente os orgãos que normalmente fazem falta, os que podemos encontrar por aí, vulgares, - até qualquer jogador de futebol tem destes - que não fazem grande coisa, cumprem. Nunca chegarão a campeonatos de espécie alguma. E se tentei.
Tenho porém 3 anomalias reconhecidas ( Se souberem mais enviem mail ). Entre a aorta e a outra veia que nunca me lembro o nome ( só a topo quando vou de manga à cava ), tenho duas veias extra: a veia de comuna e a veia de anarca. São veias espessas como mangueiras, da grossura de uma jiboia alimentada a milupa desde pequena, rijas como cornos. São responsáveis pelo meu estado de saúde actual e pela minha votação nestas eleições.

Ali para o Rato

Aconselho o tasco encafuado no beco que dá para umas garagens, entre a defunta Fernandes e uma pastelaria decente que não me lembro o nome, mas que tem um relógio bonito lá dentro. A melhor parte do tasco é não ter uma única janela, o que mantém o cheiro a fritos original. Imaginem, quando saem estão a levar convosco o mesmo cheiro que levaram Rasputine, Napoleão, Washington, o Zé do Telhado.
E por favor, respeitem os profissionais do tasco como o Prezado: nunca digam "xina pá nunca vou conseguir comer uma dose deste tamanho.".

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Ainda sobre votar em branco, não votar e afins


Deixo aqui um pequeno desafio. É uma abstracção, um caso hipotético. Suponhamos que as eleições de ontem se realizavam numa linha temporal paralela, onde haveria forma de - por meio de aparelhos eléctricos sofisticados - resolver o problema dos votantes terem de sair de casa, terem problemas com o cartão de cidadão, terem frio ou calor ou feriados ou pontes ou domingos.

Este aparelho que aqui mostro faria do momento do voto um momento de ponderação, entre a família, pois estaria instalado um em cada lar. Peço que face aos resultados desta eleições, imaginem que tinham já um aparelho destes e pensem o que fariam.

Almoço decadente

Sim, falo do tempo

Este fim de semana reparei que, caso o frio seja uma constante da vida, o português vive em foda-se constante. Saio para a rua e a cada golpada de vento nas orelhas foda-se. Quando está este frio, o português deixa de ter tema de conversa e limita-se ao foda-se-que-frio. Sou eu, são as pessoas no metro, no autocarro, na igreja, na padaria, na secção de congelados do pingo doce, no trabalho, na assembleia.
E o Cavaco foda-se.

domingo, janeiro 23, 2011

Dado o cansaço

Ofereço ressacas diluídas com PDI. Parece que a idade não me está a perdoar e o que seria motivo para um curto descanso, é agora convite para uma baixa médica com repouso total durante 3 dias. Quando o fim de semana tem 2, pois.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Fuso de Kyoto

Ultimamente isto tem andado difícil. Não há tempo, os unicos passeios a pé são os do trabalho para casa e já não tenho muito mais acrobacias para fazer. As paralelas estão esgotadas, as perpendiculares também, os becos descobertos, tudo esgotado. Um caminho de 15 minutos já me levou 45, já não há nada para ver. Concluindo:

S. Sebastião da Pedreira - todas as ruas vistas.
Saldanha - todas as ruas vistas.
Arroios - todas as ruas vistas.

Mas se me perguntarem "onde é a Almirante Reis?" não sei responder, a memória de peixinho não dá.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Sobre gatos

Encontrei um blog que espelha os meus sentimentos com os gatos.
Aqui também se sofre com gatos. Atenção: nível formal bastante vulgar, fartei-me de rir com tanto asneiredo, foda-se.

Nova fase

Mais uma volta no carrocel?
Vamos a isso.

Hecatombe II

Hecatombe é eu escrever ecatombe e ninguém me insultar ou avisar. Não repitam, está combinado? Tenho uma ética a defender. Agora vão lá. Fiquem com esta:



Que é o som do Prezado a descer a calçada de Santana, tropeçar nos gatos da Amália a ver os preços do bitoque nos tascos, desviar-me dos locais de passo rápido até ao Martim Moniz.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Hecatombe quinhentista passarola voadora cisão do átomo radar

Quando eu pensava que ia ter descanso, depois de um dia de trabalho infernal, dá-se o Apocalipse. O firmamento treme, o Tempo engole o Espaço, dimensões cruzam-se, golfinhos batem de cabeça nos psichés azuis a realidade expande é maior ontem 37 graus organelo algoritmo batata tudo colapsa 3 amperes Alpha é Omega Omega é Alpha perante o nome da filha da Floribela:

Leyonce Viiktórya



Andam há anos com aceleradores de partículas a tentar fazer isto e a Luciana Abreu conseguiu só com uma combinação de letras!
Eu já volto aos meus temas intelectualmente fascinantes, claro. Mas isto é tão foda-se-alguém-me-acerte-com-um-objecto-contundente-num-olho que tenho de comentar.
Eu esperava uma fusão - tinha sido prometida - dos couve flor nomes dos pais. Mas esperava que o critério fosse "ok, vale tudo menos regras ortográficas do planeta Melmac, sim amor?". Não. Errei.
Já me dói a cabeça, tenho de ir para o abrigo, os raios gama estão a queimar demasiado e já não aguento muito mais tempo. Capitão Haddock, desligue o rádio que está vento.
Pessoal das barracas, inspirem-se.

Cedo começa o dia

E pela primeira vez, o gato percebeu que não é mais teimoso que eu.
...Vou chegar ao trabalho cansado.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Está aberto


Aceitam-se dicas, reclamações e acima de tudo, receitas para encher o meu depauperado ego. Em troca, o balcão de atendimento público do PPC indicar-vos-á soluções práticas para cozinha, o sentido da vida, como votar no próximo Domingo, aspectos teóricos sobre a aparente sexualização da educação e asneiras caídas em desuso. O livro de reclamações não é amarelo, mas vermelho. Pessoal do Bloco...
Contactar o PPC nunca foi tão fácil: reclamacoesinjustaseignobeislongedemim@gmail.com

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Sem balanço mas com alguma inércia

Infelizmente trabalhei no fim de semana. Estafado e incompreendido, restou ao Prezado sair directo do trabalho para um taxi e afogar as mágoas num prato de massas italianas à beira-rio regado com imperial em copo de 3, na companhia de amigos. Acompanhou um assobio de uma preta no metro. Ao sair, esta trocou o assobio por uma morna espantosa, cantada com alma. As dezenas de pessoas que a ouviam aplaudiram o recital na escada da estação do Chiado. Seguiu.
Prezado viu bares vazios, embarcou no drunk-texting, sem resultados. Até agora, teme pela vida de uma leitora do blog. Se está a ler isto, queira dar sinal de vida, reagirei com discrição.
À vinda, apanhou um taxista que o amaldiçoou por pedir para ir para o Saldanha - não sabia como chegar lá -, brindando-o com uns mimos dos mais ricos da língua portuguesa. Em casa, desenvolveu o gosto por deitar fora contas do pingo doce e encontrar trocos nos casacos de Verão. Crashou num jantar da menina do trombone e apanhou o gato mais pequeno a lamber uma sobremesa.
Prezado é designer, foto-olissipógrafo, vive com 3 gatos e uma mulher com tpm constante.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Divago enquanto estou atrasado

Estava agora a tomar banho, depois de ter expulso o gato 4 vezes de seguida da gaveta das meias, pensado como seria tão menos produtivo para este blog se eu me metesse a inventar histórias. A ficção é complicada. É preciso ser contido. Quando lembro "a realidade supera a ficção", não é um cliché manhoso ( dito porque surgiu um episódio na vida que nos faz lembrar uma cena de um filme ou de uma novela) , mas um castigo: não é a realidade que é inverosímil, nós é que nos agitamos com pouco.
Ou eu não vivesse com uma miúda que planta postes para os gatos arranharem em cada divisão da casa.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Mantra

"Om shiva Om Shakti Namah Shiva Namah Shakti"

ou como quem diz:

"lá lá lá lá se soubesses o que tenho para fazer hoje até te passavas podes crer até parece que é fácil mas não é porque já não durmo decentemente há uma semana pelo menos e mesmo não gostando de dormir podes crer que faz falta lá lá lá lá."

Sobre assassínios em NY

Cabe-me dizer que eu visse a minha vida a andar à ré, também me passava.
Eu disse andar-à-ré? Queria dizer a andar pra trás.

sábado, janeiro 08, 2011

Sábado é dia e noite

Dia de falhar a Feira da Ladra porque com a idade vem o gozo da ronha - diferente do gozo do sono - e de ver filmes na cama.
Depois é dia de ir para a esplanada ficar uma tarde a gozar o sol. Com a mesma conversa com o vizinho do costume. Acresce-se a serenidade absoluta, momento pinacular, onde uma longa conversa sobre como fazer caldo verde pode apreciada na sua totalidade.
Depois, chegar a casa e ter a menina do trombone em modo chá das 5. A casa encher-se de madames e eu continuo na net, trancado no quarto. Negoceio a minha saída da barricada, já que não estava para muita conversa. Só me rendi nos últimos 20 segundos. Pude mostrar as minhas melhores pantufas a desconhecidas. Acho que as impressionei.
Depois é noite.
Depois é noite e saio.
Depois não sei mais nada.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Finalmente é sexta

E eu acho que vou dormir.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Mau tempo

Ia eu pela rua, encostado às paredes, em slalom gigante com goteiras já cascata e dá-se. Aparece um relâmpago.
Apreciava-o em toda a sua magnitude de neon natural, a rasgar o céu e penso como ficava bem uma fotografia deste relâmpago lá no quarto. Descia cada vez maior e mais luminoso e eu a pensar como daria um bom papel de parede. Entrecortava as àrvores e prédios do outro lado da rua, a chuva ainda mais forte e eu pensava, uma fotografia disto, mas com aqueles prédios acolá; sei que são prémios Valmor, passo por eles todos os dias, cantaria imponente, acabamentos feitos com tempo, grandes edifícios, faziam uma fotografia bem melhor; O relâmpago ramificava-se ao seu limite, pensei, é hora de lhe tirar o retrato, é assim que gosto dele. Que visão espetacular, disse para mim, pensando ainda se seria agora o momento certo.
Agarrei a máquina, apontei e disparei acto contínuo e não é que não o apanhou?

quarta-feira, janeiro 05, 2011

os gatos são responsáveis por isto

Depois de os gatos terem quebrado o frágil vinculo que me prendia à sanidade, descobri que não gramo uma série de coisas. Até aqui amava tudo por igual. O céu, o sol, a chuva, o Martim Moniz, a Expo, retenção na fonte, a vizinha do 2º esquerdo, a Rafaela Carrá, boletins de totobola por preencher, leite de pacote, seguros de saúde, after eights, o Tejo, galos de Barcelos que mudam de cor com a humidade cor de rosa quando vai estar sol e o pêlo azul para chuva, sapatos ortopédicos e copos de vinho. O mundo era maravilhoso. Em pleno com o universo.
Depois, os gatos revelaram que afinal o equilíbrio era frágil. Aparente.
Novo golpe hoje ao almoço: falam-me de chakras, energias espíritos mediuns astrólogos e afins. Temas que adoro discutir, fartava-me de ler sobre isto há uns anos, sempre gostei de ficção desde puto. Tenho uma opinião algo vincada sobre isto, diga-se já.
Depois de ouvir que 1 "há muitos que são aldrabões" e 2 "alguns aproveitam-se da ingenuidade das pessoas" saltou a tampa outra vez. Devo ter visualizado novamente os gatos a sacarem-me cuecas das gavetas e a roerem-me os fios do disco externo e passei-me vá de olhar psicopata em meio segundo.
Não, estes tipo aproveitam-se do desespero das pessoas. É imoral, só.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Perdido aqui à volta

Lembrando que o Lambert não era dado a explorações, aqui à volta não faltam direcções para, depois do jantar, ir procurar um café. Podia sempre ficar-me pela cervejaria das meninas do técnico, aqui ao pé, mas ir mais longe e aterrar naquele antro anacrónico que é a Mexicana tem sempre mais piada. Entre meninas e casais queques de meia idade, os casais queques são bem mais bizarros.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Aloha

Informo que acordo no mais agradável calor tropical, depois de ter distraidamente deixado o aquecedor ligado em potência vou-torrar-te-os-miolos a noite toda. Pesadelos do pior, só me lembro de ouvir a frase "bom, sabes quanto é que a prestação da casa vai aumentar? para o dobro.". Segundo a teoria geral do Inception, isto deve ter sido um micro-segundo, mas no sonho o terror durou umas 3 horas.

sábado, janeiro 01, 2011

Tarda mas não falha

O balanço.
Tinha de ser.

2010 foi, generica e medianamente, uma merda. Mas, como em tudo, há muita coisa que se aproveita. Foi intenso. Um ano que levou tanta volta que parecem 2. Mudei-me do Lambert, do qual sinto saudades das jantaradas e da cozinha que as tornava possíveis. Vivi 2 meses em profundo caos - estava sozinho - , derivado de não ter de dar satisfações sobre porque razão havia jornais de 2008 debaixo de pratos por lavar há 15 dias em cima do sofá. Mudei-me para casa da menina do trombone. Passei a ter um frigorífico imaculado. Deixei de ter alergias aos vizinhos e maldizer o bairro todo. A casa é gelada mas tem alma. Também tem gatos, o que inicialmente era uma vantagem. Agora que o Maldito - é como vou passar a chamar o gato mais pequeno - foi castrado, conto que fique mais calmo.
Deixei a vida de freelance - há quem lhe chame desemprego - e voltei à prostituição in-doors, vulgo "agência". Pela primeira vez na vida, consigo separar trabalho e Prezado. Qualidade de vida passa por isto.
Fiquei menos exigente com este blog. O botão de random ( ctrl+shift+f12+r+caps+professor karamba ) que faz os posts é cada mais utilizado.

sexta-feira, dezembro 31, 2010

terça-feira, dezembro 28, 2010

Abatem-se gatos

Não custa nada, a sério.

Do Natal - versao 2

O Natal está mais leve. Longe dos tempos de missas à meia noite e caras pesarosas à mesa, os putos vão infernizando toda a gente, guincham, pulam, babam-se, os mais velhos jogam incessantemente no telemóvel ou no computador, os velhos resmungam sobre os tempos que correm e riem-se com vontade de coisas que se passaram há 50 anos. E estão nisto uma noite inteira. Só assim é que se aprende a fazer ginja à mesa de jantar, alternando licores. No dia seguinte, ainda o estômago a remoer coscurões, vá de voltar à mesma sorte, noutra casa. Mais uma dose. E depois, não sei como, chegar à cama e ter fome.
Claro que voltar ao Saldanha e ficar sozinho, depois de 3 dias de almoços e jantares com 15 pessoas à mesa, é um descanso. Abençoado.

E mais uma novidade: Missão Take Us to iPod Touch chegou ao fim. A seu tempo, o PPC vai fazer uma comunicação à altura do acontecimento. Prezado é um homem feliz, vai a pé do trabalho a casa, de phones nos ouvidos a degustar fado, assobiando deliciado o caminho todo e assim que chega a casa o filho da puta do gato - não tem outro nome - atira com o iPod ao chão passados 4 segundos de o pousar na mesa. Bom, não vou descrever o que fiz ao gato. E não vou descrever o que tive vontade de fazer ao gato. Já passou (apenas porque o iPod saiu imaculado da queda) .
Mas a menina do trombone vai ouvir a famosa intro "Temos de falar. Agora.".

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Do Natal - versao 1

Bom, o Natal já não é o que era. Na verdade tentei encará-lo com humor, mas não tem piada, é simplesmente trágico o Natal não ser o que era. É um Natal sem nata, um Natal sem jeito. Natal natal Natal Porra Natal farto Natal.
Uma trampa de Natal. Nem dá para rir. Não foi mau, atenção. Mas não foi Natal. O Natal é suposto ser um monte de coisas e não uma altura em que não consigo encontrar-me com os amigos que vejo porque quero ver porque estão todos num stress, à procura de prendas para pessoas com quem não estão. É um Natal desnaturado. Natal manhoso, cada vez mais. Felizmente empanturramos os miúdos com prendas e alguns deles ainda têm entusiasmo nisto tudo do Natal. Natal a chegar ao fim e eu com prendas por entregar ainda porque não dá para encontrar as pessoas que interessam. Natal sem pica nenhuma.
Um Natal de bazar.

Processo de rejeição felina avançado

É que se destruindo coisas que não são minhas eu já brindo o pequeno prédio onde vivo com berros a horas erradas, imaginem com coisas minhas. De que gosto. Rachá-los ao meio é o mínimo que me apetece fazer. Mas já passa...

domingo, dezembro 26, 2010

Deformação profissional

Prezado regressa do Natal na terrinha, com mais 3 kg. Posts gargantuescos estão na calha. Até lá, fiquem com uma breve explicação sobre o que é CMYK.

CMYK é um sistema para reprodução de cor. C é Cyan, M é Magenta, Y é Yellow e K é Black. Compondo estas cores, obtém-se a cor que podemos observar em material impresso, nomeadamente por sistemas planográficos, como o offset. Exemplo de cor:


"Essas filhós estão mesmo 0/30/100/0! "


E o colesterol está a 1000. Já volto.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

fade out

Vou afastar-me lentamente, sabendo que o terror da ausência se vai instalar aos poucos, prolongando esta ansiedade que teima em alapar-se a mim. Sei que custa, mas não consigo largar de uma vez. Vou. Sim, vou de uma vez. Até amanhã ligação à internet.
Apre como custa.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Já começaram as prendas

Longe vão os tempos da surpreendente sageza e agilidade dos gatos. Outrora discretos ocupantes das suas casas, pouco alarido faziam. Tomavam o seu espaço, pé ante pé, ludibriando espaço, frestas e gravidade sem denunciar a sua tão desejada presença. Por isso, no Natal, tinham por hábito esconder prendas no sapatinho dos mais pequenos. Os movimentos audazes e discretos dos gatos mantinham viva a lenda do velhinho de barbas brancas, pois nenhuma criança os via ajudando na árdua tarefa de plantar presentes nos sapatinhos sem ninguém ver.
Bons tempos.
Já hoje, topei-os. A sageza e habilidade desgastou-se. Muita comida de lata, dirão. Incautos e lerdos, fui dar com eles a preparar uma prenda para a menina do trombone, na cozinha. Não é que os 3 juntaram-se para lhe oferecer uma Vista Alegre?

Estes serviços modernos deixam-me meio estúpido, mas eles conhecem melhor a dona que eu. E com tanto esmero os vi a juntar as peças do serviço no chão que não quis incomodar. Tirei a foto às escondidas. Xiu. Que bela surpresa ela vai ter.

à chuva também

Trabalhar ao pé de casa é uma garantia que o caminho de volta a ela será mais longo e apreciado. Memória de outros tempos, chegar tão depressa a casa é quase um desperdício. Meto-me a inventar o caminho mais longo possível, feito em slalom gigante a subir avenidas, travessa esquerda, travessa direita.

O tempo da família

A minha família foi desfalcada. Há alguns anos.
Desde aí o Natal é sempre um manhoso substituto do Natal que me lembro.
A família vai sendo desfalcada aos poucos, muitos no fundo, e vai sendo cada vez mais estranha. Os miudos fazem mais barulho que os velhos, mas nem o barulho me distrai muito.
E assim a família vai sobrando.

Fruto de muito fado e alguma família a ler o blog - provavelmente, digo -não me estendo. Porque o potencial da família para histórias à PPC é algum, disseram-me hoje. Talvez no Carnaval. Agora não. A nostalgia está a tomar conta do estaminé.

terça-feira, dezembro 21, 2010

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Eu até queria ser bom menino

Eu até queria ser bom menino. Não é que do emprego enviei trabalho para casa para acabar ( trabalho extra, diga-se ) e quando chego a casa, vejo que me enganei no zip. Agora resta-me ir para a cama e descansar. Sabendo que me vão tentar dar nas orelhas por não ter sacrificado a minha vida por um trabalho extra, fora de horas. Ah, a vida é tão injusta tão injusta. Não vou ter nada no sapato este ano, por este andar.

Mas vocês podem compensar: Adiram à promoção Take us to iPod Touch. Não custa quase nada e ainda podem ganhar o melhor cabeçalho que poderão ter na vida. Afinal, é feito por um profissional vintage muito dedicado à profissão.
Cliquem no botão laranja.

domingo, dezembro 19, 2010

A antecipação do evidente

O Tolan falou disso e acertou. O pipoco também. Eu digo que ontem descia o Chiado e vejo 99% do pessoal de uma empresa, conhecidos de outros tempos, completamente tortos, efusivamente celebrando o encontro fortuito, pegando-me ao colo, tentando 4 vezes 4 fazer um high five mas nunca conseguindo acertar com a mão na minha, pegando um desconhecido ao colo depois de me largarem a mim, 10 minutos de riso a ocupar a rua toda e lá seguiram.
Lição numero um para jantares de natal de empresas? toda a gente deve estar bem etilizada, patrão incluído, como foi o caso. É a única forma de evitar team-building.

Ainda falta o meu jantar de Natal da empresa, mas isso conto com algo bastante sóbrio, sem espalhafato. Team-building sei que não há. O que já é óptimo.

E agora vou ali perder-me a outro lado.

sábado, dezembro 18, 2010

A mais longa odisseia

Metro às 11 da madrugada de Sábado. Direcção a Norte. Todos com o mesmo objectivo. Corrida. Passo largo. Corrida. Entrar no centro comercial à pinha. Corrida. Passo largo. Atropelo. Elevador. Escada rolante. Loja de livros do logótipo amarelo. Corredor. Corrida. Loja de brinquedos originais. Loja de brinquedos mais originais. Loja de desporto. Livraria indiferenciada.
Do topo, perscruto o horizonte.

Mapa. Corredor à direita, elevador, loja com versão carrinhos-de-choque de red hot chilli peppers. Barretes para pilas. Sim vendem-se barretes para pilas foda-se para a minha vida mas ca coisa tão estúpida senhor quem é que paga 10 euros - olha lá vão duas compradas pela mesma menina - por uns barretes ridículos para a gaita nao percebo isto ah e aquilo são velas em forma de mama uau como é que a humanidade chegou a 2010 sem isto deve ter sido difícil nem sei. Corredor. Hipermercado do engenheiro Belmiro. Compro almoço. Compram-se prendas não pá um lego com 7 peças não poderia ser vendido a esse preço e ninguém o devia comprar mas lá vão mais 3 e por favor deixem lá passar eu tou aqui por acaso e porque tenho fome porra. Metro. Casa. Paz. Gatos foda-se não há um segundo de paz nesta casa enforco o gato mais pequeno com o cinto das calças um dia destes cabrão tira as unhas das minhas pernas estou só a escrever um post comes daqui a bocado cabrão.
É Natal.

Adenda: já sei quem compra barretes pra pilas e velas em forma de mama: universitários.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Mundo Perdido

Em 2010, a fotografia digital, contra a qual resisti algum tempo - a paixão pelo P/B e pelos negativos, o carregar a máquina, o peso da Pentax, as lentes de baioneta muito custaram a largar - andando com 2 máquinas ao mesmo tempo quando ia fotografar e muitas vezes a fotografar temas em duplicado, com as duas, feito teimoso, finalmente conseguiu trazer-me uma sensação igual à fotografia analógica:
A menina do trombone pediu-me uma máquina emprestada. Fui desenterrar a minha segunda digital.
- Vê se não tem fotos de gajas nuas. - disse ela, esperando vaga pista sobre o que estaria lá dentro.
- Não deve ter muitas, não uso essa máquina há anos. - O tanas que lhe digo o que lá está.
- Vê lá.
Prezado descarrega a máquina e descobre que realmente tem fotos. Não tinha de gajas nuas, maldição! Mas tinha muitas fotos.
E ao fim de muitos anos digitais, tive aquela sensação de rolo-esquecido-na-máquina, de tesouro perdido, fotografias espectacularmente anacrónicas e felizes de dias de festa esquecidos há muito.
E assim sendo, estarei nostálgico o resto da noite.

Só depois dos 30 aprecio I

O Neon Bible dos Arcade Fire, hipermercados com corredores largos e lápis mina 2B.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Ao natal futuro ( próximo )

A Lívia tem uma nobre causa. Chamou-a Take us to Mais Livros Pá . Não sei porquê, empatizei logo com o nome. Quer 13 livros. porque? porque eu quero um iPod e porque a Maria quer ir para Bruges.
Como eu sou totó, meto aqui o link para o blog dela e apelo a todos para a ajudarem: carreguem no botão cor-de-laranja - recta final para o Natal - e ajudem com tudo o que puderem, o iPod está longe de pago e eu quero vê-lo no sapatinho deste ano. Seguidamente vão ao estaminé dela e ajudem. É só um livro. Ajudem. É o mínimo que posso fazer. Ajudem. Afinal, partilhamos profissão e eu posso dizer-vos que, legalmente, é a coisa mais próxima de prostituição. Vida dura. Ajudem.

Cadáver por descrever

Eu até queria contar qualquer coisa do fim de semana, mas não me lembro dos pormenores porque não tinha a máquina fotográfica. Às vezes calha sair de casa todo contente de máquina fotográfica, e ao primeiro tema de interesse na rua, descubro que está sem bateria.
Insulto a minha reduzida memória e sigo, a remoer a minha estupidez momentânea que me vai custar tanta foto genial. Tanto prémio Magnum perdido, Deus.
Deixei assim de poder recordar o que se passou neste fim-de-semana inteiro, estando agora dependente das informações que me possam dar sobre onde andei. Espero que possam partilhar comigo todas as informações que possam ter. Tentarei juntá-las todas e fazer disso o post de fim de semana, em jeito de cadáver esquisito.

sábado, dezembro 11, 2010

A Cidade da Luz


Depois de passear pelo Chiado, pela Baixa e voltar a pé para casa a ver as decorações de Natal, devo dizer que se queremos ter os olhos a brilhar de fascínio, não podemos contar com a CML para isso. Felizmente há quem leve a iluminação de Natal a sério. Levem os míudos à Alameda e deixem-nos deslumbrar-se.

Já voltei. Isto hoje foi particularmente rápido.

Quem estiver a ler o tasco acuse-se, por favor.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Wiki Leaks

Vou ali e já venho. Amanhã também é dia.

Até lá, lembrem-se que cada dia deve ser vivido como o ultimo, que devemos ser frontais assertivos honestos e afoitos, que não deve ficar nada por dizer sob pena de se arrependerem mais tarde, que no meio está a virtude, que a felicidade está ao virar da esquina, que não há formulas mágicas, que o importante é o percurso e não a meta e que por vezes dão a volta ao mundo à procura da flor mais bela e ela afinal esteve sempre no vosso jardim.

Porra, sem querer dei-vos o sentido da vida em todas as versões vendidas na secção "espiritualidades" da livraria do logo amarelo. Olha, que se foda. Processem-me, agora que revelei a Verdade, já não me ralo. Aproveitem antes que mandem o blog abaixo ao abrigo de uma legislação bilderberguesca qualquer.

Deitado-morto

Um dia ganho o hábito de me deitar a horas decentes. Mas é que nunca, mas nunca na vida, gostei de dormir. O apelo da cama, para lá do óbvio, é apenas o da ronha. Usar uma cama para dormir e dizer que é bom dormir é tão bom, é tão obviamente errado como dizer que uma operação ao coração a céu aberto é bom é tão bom. Estamos a dormir. Não o sabemos. Não notamos. Estarmos inconscientes com uma almofada debaixo da cabeça ou com um bisturi espetado num orgão vital, é igual. Nunca saberemos. Estamos a dormir.
Já a ronha, reservada aos que sabem apreciar um colchão, é o prazer supremo, é como ter um ferrari testa grossa em ponto morto no mais liso dos alcatrões e nada fazer. Saber que o verdadeiro gozo é ficar enterrado nos estofos de pele a olhar para o tecto.
Dormir? Não me lixem.

iPod Touch, essa maravilha da tecnologia - porque é que não há um tipo na Apple que veja isto e aproveite a minha obsessão para criar uma camapanha inteligente, promovendo-me como personagem kafkiana, perdida no autocarro a desenhar compulsivamente, na casa-de-banho porta fechada a desenhar , no elevador a desenhar, no bar a desenhar? eu sei que isto não é bem o género de campanha da marca, mas daria uma boa publireportagem, um feature no fim de um telejornal ou num digest de tecnologia, bem light. Mostravam o Prezado sempre a desenhar, vendiam-me como maluquinho e eu contente, com um iPod Touch dos novos. Botão cor-de-laranja.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Gato novo

Arranjei um gato para mim. A menina do trombone que fique com os dela.
Raça chinesa. Branco. Vantagens claras, muitas. Menos pêlo. Tão fácil de treinar e tão ou mais obediente que os outros gatos - obedece a dois comandos fulcrais, "parado" e "quieto" - casmurros e lerdos. Aquece-me a cama. Não mia. Não arranha. Aquece-me a toalha de banho de manhã, sem largar pêlo. Come pouco. Não ataca o frigorífico. Chamei-lhe Orfeu.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

A margem sul

Esse oásis distante, a margem sul. Se eu fumasse, estaria a dizer isto sentado à beira rio, no Cais do Sodré, calmamente, o fumo levado pelo vento, sem esforço. Perscrutava o horizonte, o olhar sereno registava o casario distante, as gaivotas, os cacilheiros no seu lufa-lufa eterno, a bruma a dissolver tudo isto numa mescla de rio e de cidade.
E é assim que vejo a margem sul. À distância. Só com distância surgem laivos poéticos.
A bruma denuncia a distância, aliás.
- "Bruma? foda-se, aquilo deve ser já longe, não?"
Eu já vivi longe de Lisboa. Bem longe. A distância era (como no caso da margem sul ) psicológica, mas também era física e bem física. E dizia eu a toda gente:
- Longe? não, apanho o autocarro e estou cá em 15 minutos.
- 15 minutos? ó pá. São 90km tás parvo?
- Juro. Podes perguntar por aí.
Estão a ver o padrão. Porque por mais que me digam "ah, é só apanhar o barco.", atravessar o Tejo é dobrar o Cabo das Tormentas. Não há quem dobre cabos por dá cá aquela palha. Sem dose extra de coragem e sede de desafios. Muita fibra. cascos dela.
E este rio que separa as cidades faz a diferença. Construiram pontes, obrigam-nos a pagar a entrada na Cidade a euros, mas o regresso no cacilheiro a óbolos - apesar do barqueiro ir de trimaran.
A margem sul é diferente. É isso que define a margem sul. E se eu fumasse, acabava o cigarro agora.

adenda: o Prezado é um cidadão do mundo. Mas vive em Lisboa, de momento. Mas vê-se em qualquer lado. Paris, Chelas.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Wishlist

Só quero é saúde e paz no mundo.

edit> Agora que cheguei ao trabalho, posso acabar o post com tempo.

Quero o iPod Touch, óbvio.
Quero um iPad, só pelo gozo de ter um touch gigante.
Quero um telemóvel novo, que o antigo é uma miséria.
Quero um relógio decente. Tipo Lip.
Quero posters. daqui.
Quero uns óculos novos.
Quero uma Herman Miller mas não tenho onde a por.
Quero uma máquina digital nova.

edit>
agora que voltei a casa, posso acabar o post.

Quero uns Toys. Daqui.
Quero um relógio de parede.
Quero um pogo stick.



segunda-feira, dezembro 06, 2010

Stevie, explica-me.



Quando estou prestes a fundar a Igreja do Stevie dos Grandes Dias, tenho uma crise de fé. Das graves.
Estava eu hoje a trabalhar e ouvia o Stevie. Ouvia uma música das mais singelas, o My Cherie Amour. Nela, Stevie Wonder conta genialmente como sonha com uma miúda que encontra no café. Reza mais ou menos isto:
"Num café ou numa rua cheia de gente, estive perto de ti e não reparaste em mim. Ó pequenina linda, diz-me como podes ignorar que por detrás do meu sorriso, desejo que sejas minha."
Vamos lá ver. Por partes.
Começo pela parte que pode passar mais despercebida: O Stevie Wonder é bastante cego. Muito mesmo. No entanto, ele anda atrás de uma miúda bonita, linda diz ele. Factos 1 e 2.
Depois, Stevie diz que ela não repara nele. Não acreditando que ele parte do principio que ela é cega, coincidência macabra, fico a pensar que é um pouco arrogante de um tipo bastante cego - e preto, mas isso é outra conversa - queixar-se que uma miúda gira não olha para ele. Facto 3.
Finalmente, lembro-me da primeira mulher do Stevie. É linda. Facto 4.

Conclusão: O Stevie é um sabido. Nunca viu a mulher mais gorda, mas ela é gira. Ora o Stevie é como todos os outros, provas cegas, só de vinhos. Não escolheu ele, pediu a ajuda do público ou a de casa e assim acertou. Assim também eu. Alguém aqui arrisca escolher uma mulher pelo cheiro? eu não.

E pergunto: Um tipo bastante cego precisa de uma mulher bonita? bah.

Isto é um ovo

Este fim de semana, descubro que o mundo é muito pequeno, graças a duas manias dos humanos: fazer amizades e ter filhos. Assim, pessoas que não deveriam ter qualquer ligação descobrem que têm amigos em comum, primos em comum, namoradas conhecidas, irmãos amigos de conhecidos de amigos de amigas em comum e assim. Basicamente: toda a gente se conhece em Lisboa.

Excesso

Depois de um amigo de infância desaparecido redescobrir que as capacidades sociais do Prezado estão em forma, vá de abusar. Agora vejo-me num despique semanal, género troca de cromos, em que cada um mostra - lá está a típica cena de gajos, o desafio a-minha-pila-é-maior - o bar mais bizarro que se lembra. A parada está alta e acho que mais uma saída e perco o concurso. Sou um menino. Esta sexta foi por pouco e tive de abdicar do Sábado para sobreviver.
E como sempre, a culpa foi do croquete.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Da semana

O trabalho em certas alturas assemelha-se ao mecenato e é nessa altura que tenho a certeza que estou na área certa. Mas também com a certeza que isto ou uma fábrica de enlatados, pouco difere. Bom fim de semana.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Pois que...

Saio de casa na bisga, passo as obras que não acabam, a romena que pede à frente do mini-mercado, passo aos prédios antigos, apanho sol no Saldanha, desço às profundezas do metro.
Meto-me a pensar no post que vou fazer daí a bocado. Bolas, que teoria vai o Prezado encontrar? Em quê? num saco de plástico bucólico levado pelo vento ou na velhinha que fica entalada no Marquês, numa treta dita por um bate-chapas de Valadares que teve de vir para Lisboa para pagar a escola especial à filha que é surda depois de um acidente numa fábrica de pirotecnia em Oliveira de Azeméis, ou um palhaço de fato e gravata que pisou cocó de cão bonito karma dirão, ou outra coisa menos chata. Penso penso tanto tempo nisso, uma dará bom tema. Afinal, se eu não contar a história, o vizinho conta. Ou o taxista. Ou o gajo da bomba de gasolina. Mais vale ser eu, que já vi mundo.
Saio, subo as escadas a correr. A porta entala-me pela 4ª vez de seguida. Vejo o marquês enquanto olho para trás. Passo o franjinhas, mais um dia de trabalho.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Ronha

Depois de escavar um buraco na tralha em cima da mesa, encontrei o teclado. E pronto, já estou cansado.
Descanso.

Nisto da vida

Percebam que a questão de andar a pé, mais do que dar para com este tempo manter a parka forma e ajudar a digestão, é fulcral para ser Prezado.
Andar pela rua não é só não ter carro nem carta.
Andar pela rua é achar por não procurar.
Andar pela rua é ter a vida dos outros.

Hoje vou ficar em casa. Acho.

Ficam estas de outros dias. O iPod continua a ter contos de Napalm. A contabilidade do PPC está optimista. Mas, ainda não chega. Força no botão laranja. Vocês sabem que eu preciso.