sexta-feira, setembro 02, 2011

Redução

Que a generalização é redutora é sabido, mas a análise profunda a fugir ao viés mostra que tudo se resume a pouco. Do que é criado à nossa volta, tirados os acessórios os recursos estilísticos as moscas, tudo, grosso modo inventariam-se os originais assim:
Edições Plicano
4 filmes, 14 livros, 2 óperas, 6 anúncios de imprensa, 7 de televisão, 9 blogs, 5 esculturas, 12 quadros, 5 anedotas, 1 baralho, 6 cores, 2 paradoxos, 1 cantilena, 6 pratos, 4 movimentos literários, 6 géneros musicais, 3 poemas, 10 músicas, 1 esgar, 8 fotografias,  meio corolário, 3 ruídos, 3 cartas, 4 vinhos, 3 cortes de cabelo, 7 carros, 1 lápis de mina mole e 1 de mina dura, 12 personalidades, 3 igrejas, 7 santos, 2 deuses, um autor. Mais que isto, é exagero vosso.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Entretanto

da mesma forma que o Kadahfi gadahfi gatafi lady gaga qualquer coisa foi deposto para parte incerta, os palácios pilhados os luxos conluios familia práticas nefastas foram postos à vista de todos, era interessante por cá uma recriação do mesmo - potencial fantástico para blockbuster - mas com menos areia e mais bananas. Na Madeira temos um sortido rico: ilha do King Kong, qual seis xeles, floresta madressilva, um ditador que não só não se esconde como dá a pança às balas e onde o petróleo é dinheiro do continente. Rebeldes estão dispostos a avançar e tomar todos os palácios só não o fazem porque esperam dinheiro do continente.

quarta-feira, agosto 31, 2011

Taxismo*

Golpe baixo: saber nomes de ruas conhecidas por alguma particularidade que um taxista consiga reter como de interesse como o número de buracos, a quantidade de semáforos verdes, a presença de polícia chulos putas velhas arrumadores agarrados arrumadores ciganos monhés e afins, sentidos proibidos faixas bus guinadas invulgares etc, e usar isso numa frase.
- Não é preciso ir pela Almirante Reis até ao fim, vire aqui e apanhe aquela que vai dar à Rua de Timor, aquela zona que é uma confusão com os autocarros aquilo é só buracos - É esperar a reacção -
- ah sei esses filhos da puta do governo é que têm a culpa sabe

*Taxismo: Arte de capturar histórias caracteres ou segredos de taxistas dado um espaço extenso num tempo exíguo.

domingo, agosto 28, 2011

Castigo

O universo embrulha-se sobre si mesmo, parte-se em dois desafia a sua cardinalidade e arranja estes dias de sol quando eu tenho trabalho sério para fazer. São provações eu sei deus desdobra-se em infinitas escolhas mas eu já vi demais para assinar de cruz um boletim de totoloto.

sábado, agosto 27, 2011

Cenário

Sol glorioso entra pela janela ricochete no gira-discos e nos cadernos de esboços espalha-se pelo gato pelo chão, no estirador ouve-se Stevie we lay beneath the stars desenha-se a mina HB2 nas folhas de A4. Não era preciso mais nada.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Hoje em Lisboa

Não aconteceu nada.

terça-feira, agosto 23, 2011

Complicado

Complicado é partilhar uma cozinha do tamanho de 4 mosaicos com 2 pessoas e 3 gatos sendo que quando me desvio das pessoas acerto num gato quando vou buscar um garfo acerto num gato quando acerto num gato acerto num gato e quando piso um gato também é provável pisar um gato (ou dois) e quando me vou sento à mesa a comer é provável que um gato já tenha comido antes do prato caso tenha tido de desviar-me de uma pessoa.

segunda-feira, agosto 22, 2011

Maldito apanhei-te

Cheguei a casa cansado e sem paciência para fazer mais nada. Quando entrei na sala não dei por nada. No quarto, a cama é bem melhor que o sofá mas não há televisão é que as televisões nos quartos dão cabo da relação por isso, esteja ou não numa relação nunca mais tive televisões no quarto memória futura mantenho não repito asneiras passadas, fui para o sofá da sala.
Gosto da televisão porque tudo nela é aleatório, não tenho sequer de pensar o que vou ver, se aparecer um filme mau vejo-o se aparecer um filme mau não o vejo importante é ir vendo o que dá no outro canal. Fui-me alapando às almofadas e não dei por nada nas primeiras horas, depois uma pontada. E outra. E levantei-me dei a volta às almofadas para ter o lado fresco pra cima a ver se melhorava e apre outra pontada. A noite corria e o filme que já tinha visto 3 vezes antes comecei a vê-lo por entre pálpebras é um descanso não mais acordei do filme que via. Televendas acordam-me garantindo que tivesse eu enviado um cheque de 199 euros mais portes de envio 3 horas antes de dormir estaria a acordar com um sixpack californiano bronze incluído sem esforço. Mas não, acordei com o torcicolo. Devo-o ter deixado no meio das almofadas mal sacudidas e só a dormir é que o apanhei.

domingo, agosto 21, 2011

Fado I


Fado da tristeza
José Mário Branco

Não cantes alegrias a fingir
Se alguma dor existir
A roer dentro da toca
Deixa a tristeza sair
Pois só se aprende a sorrir
Com a verdade na boca

Quem canta uma alegria que não tem
Não conta nada a ninguém
Fala verdade a mentir
Cada alegria que inventas
Mata a verdade que tentas
Porque é tentar a fingir

Não cantes alegrias de encomenda
Que a vida não se remenda
Com morte que não morreu
Canta da cabeça aos pés
Canta com aquilo que és
Só podes dar o que é teu.


sábado, agosto 20, 2011

Bracara Augusta, mística resumo e conclusões

Uma igreja espia os transeuntes.
 Viver em Braga foi uma experiência inesquecível principalmente pelos modos vestes linguajar e costumes do seu povo. Brutalmente influenciados pela presença de tanta igreja, o bracarense tem lutado centenas de anos para as ignorar, mas sem sucesso. A cidade e os seus costumes em tudo estão impregnados da mística de deus que cruel como sempre se diverte com os seus súbditos mais fieis.


Destaco como obra prima da arquitectura civil corrente estética não-secular do seculo XX o reservatório de água benta no topo de uma das 7 colinas da cidade - A Braga atribuem-se 7 colinas por imposição de deus apesar de não as ter - fornecendo beaticidade corrente a todos os habitantes. Atenção, evitar lavar as alfaces com esta água.

Reservatório de água benta Dona Maria Pia

Cónego Dildo Báculo
 Mais abaixo, o sagrado encontra o profano nesta estátua. Estudiosos identificaram a personagem como sendo um bispo-de-transição, figura arcaica proto-religiosa que simultaneamente ministrava sacrifícios animais, solesticios crismas via o futuro guiava pela boa estrela aproximava pessoas amadas candomble e servia óstias.
20 cêntimos de manteiga: 3 dedos de altura.




Sobre a gastronomia destacam-se:
Os finos, espécie de copo alto estreito com cerveja fresca servido em esplanadas tradicionalmente após o Angelus.
A manteiga. A particularidade e é nisto que deus se manifesta nos detalhes da manteiga, que por imposição da Sé depois de um surto de ranço que dizimou passou a taxar-se o seu uso prevenindo a sua presença entre fatias de pão livrai-nos do mal.


quinta-feira, agosto 18, 2011

Bracara Disneylandica

Mais igrejas que bares, ainda assim fui visitar a Disneyland dos católicos, o Bom Jesus. Depois de passarmos o promessodromo uma escadaria brutal cheia de gravilha miúda mesmo bom para ir de joelhos até lá acima, há um feature principal, com muitos santos cada um tem um slot moeda no slot dá direito a uma vela acesa, tem um altar principal muito dourado e oferecem remissões depois se 3 voltas. Depois há esplanadas, descansa-se um pouco e pode seguir-se para os outros carroceis. O descimento da cruz gostei, a ressurreição achei meio monótono mas andei em todos uns fechados para manutenção mas paciência. Trouxe um genuflexório de recordação. Dica: levem tudo benzido de casa que lá em cima é tudo muito caro.

Bracara Augusta II

Terra onde se perdeu pouco tempo a fazer outra coisa que não igrejas pastelarias e ourivesarias sendo que as igrejas há-as em número superior a 3 por ourivesaria e estas são contadas uma por habitante. Ruas há que são pavimentadas de terços usados e as sotainas por messa feita são usadas como guarda sol nas esplanadas.

quarta-feira, agosto 17, 2011

Bracara Augusta

Pois é, agora mais a norte. Pergunto, onde é que se está bem nesta terra à noite? Ajudem o prezado.

Dias longos

Há uns 2 ou 3 anos tinha posts com títulos cripticamente simples pensava eu que eram puzzles complexos finas ironias e coiso. Eram resumos de dias como estes dois que passaram. O gato que se atirou do 3º andar - lá gastou mais uma vida acho que a 2ª - , as despedidas de quem vai para longe que ainda estão a meio e as saudades que já custam, as conversas de café que se prolongam, os encontros, a porra dos pagamentos em atraso, os nós no estômago, os clientes melga, os poucos preparativos para a nova partida.

segunda-feira, agosto 15, 2011

Algarve místico

No mais longínquo - bolas tive saudades do teclado, uma semana a enterrar os dedos na areia não é o mesmo - dos Algarves fui procurar sentido à existência e tenho algumas revelações importantes:
 ( caso a gruta tenha dono retiro a foto )
Isto é uma foto tirada de uma gruta. Entrei nela à laia de caminho iniciático não sem algum medo pelo que poderia revelar-se, o cheiro a mijo foi uma constante passo a passo, lá ao fundo revelou-se: a dualidade de opções, 2 janelas como caminhos alternativos, a incerteza do devir. À incerteza seguiu-se a certeza vinda da falésia percebi, avançando por qualquer uma delas janelas revelar-se-iam os conteúdos do crânio do iniciado/finado.

Segui caminho, entrando numa das muitas casas de deus procurando ainda o mesmo sentido teimoso eu. Foi-me dado a experimentar o sagrado e o profano num mesmo sítio, em Aljezur.
Agora disponível em 16:9
A foto novamente é testemunha da catarse imagética que recebi quando frente a este altar num lampejo vi fogos pelejas contendas sinónimos de combate na velha Albion. Chocado não queria acreditar pensei que fosse um erro tipo box mal sintonizada mas agora que volto a casa e tenho acesso a notícias em português, vejo ser verdade.

Não é o prezado autor na foto, não. Aquilo é um labrego algarvio.
Finalmente a luz. Depois de atribulado e tortuoso caminho, descendo escadas forradas de silvas, ao cair do dia - ironia maior - debaixo das árvores de uma fenda numa fertil várzea surge a cascata iniciática - não vou dar o nome, é muito giro escrever parvoíces, meter lá o nome do sítio e depois querer nadar a vontade e tar aquilo cheio de bloggers, todos corcundas feios e mal fodidos a ocupar o espaço todo - onde o iniciado tem de percorrer 3 caminhos 3:
O caminho cheio de lixo, o caminho cheio de lama e o caminho cheio de pedras. Ultrapassados os 3 testes pode então banhar-se no conhecimento ou só ver ninfas a banharem-se no conhecimento. Também é bom.

A ausência

Volto das férias e tenho mais uns quantos leitores. Com certeza que gostam muito do que deixei por escrever.

sábado, agosto 13, 2011

Intervalo

Olha uma esplanada com wifi foi-se

sábado, agosto 06, 2011

Opt out

Mas vais para onde? - disse ela, rastejando lentamente.
Retirados os artifícios que deixo regerem a minha relativamente sofrida existência, agarro-me às peças que são o fulcro do universo - A Bic preta, o caderno, o iPod, um livro, a máquina fotográfica - e vou para a costa. Areia, ondas e sol e é tudo o que é preciso.
A emissão segue, hiperconectividade o dita.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Terminal de autocarros

Aproxima-se aquela altura em que, levado por uma camioneta, me fugirá o chão debaixo dos pés. Arrasada a placidez dos dias, paro de pensar em metáforas foleiras e chego ao destino.

quinta-feira, agosto 04, 2011

Optopções, um termo inventado.

Desce-se a rua rente à minha rente à Almirante Reis, os prédios roídos uns atrás dos outros seguem-se seguem-me, anoto os números dos prédios melhores aqueles onde um dia viveria, sigo passo largo aí abaixo, paço largo ultrapasso, prédios muitos. Tomo a rua do restaurante com taxis à porta, as portas fechadas mas as luzes fora de horas mostram que é ali que se troca o turno, come-se a bifana, bebe-se a mini segue-se logo depois. Ao lado é o albergue angolano. Um casal deles - podem ser só pretos pois - debate à porta. Ela sobe ou não sobe não subindo Soba ele não é. Passo ao paço antigo, à igreja moderna, subo a rua de luzes acesas fora de horas, depois da noite nos Anjos. O gato roi-me os pés enquanto ronrona e eu vou-em deitar.