quinta-feira, abril 18, 2013

Publique-se

Este estaminé fez 7 anos ontem.  Tenho de ser mesmo teimoso, foda-se.

terça-feira, abril 16, 2013

Paradoxo do dia

Tenho seguido entrevistas de emprego mas do lado de lá da barricada. Uma boa comparação, seguindo a metáfora do pão, será algo como:
- O Zé não tem aquele brilho nos olhos. É um bom profissional e de certeza que faria diferença na equipa. Mas mostramos-lhe o pão que fazemos, tem óptimo aspecto, cumprimos todas as normas e o gajo focado em coisas secundárias, como os armários cheios de cianeto, linguas de pato, caramelos... Só se ele tiver fé no trabalho é que pode entrar para a padaria.
 

segunda-feira, abril 15, 2013

Tudo normal

Noite de copos: onde se assistiu a um clássico, a esquizofrenia ética em que vivo: durante a semana levo com os empreendedores e o neo-liberalismo, ao fim de semana vou para os copos com os intelectuais de esquerda que sonham com o dia em que metem todos Migueis Gonçalves do mundo no Campo Pequeno. Engates: ver uma miuda pelo fundo de uma garrafa pode ajudar miudas a quem Deus não foi particularmente generoso, mas isto não é garante de nada. Quando vejo um gajo debater-se pela sobriedade e perceber que sim é só o alcool que está a fazer esta miuda parecer a Kate Upton e ainda assim deixar-se cair na tentação a um ponto de relutância tão grande que vi a miuda a levá-lo do bar com recurso a pontapés no cu - literalmente - percebo as raizes do proibicionismo e finalmente voltei a por som, não sem muitas gaffes, culpo o material, não gosto de DJ's da tanga que metem som com portáteis, computadores tenho no trabalho e chega, ainda apanho um engate disfuncional ou não, não percebi como era, ela queria levá-lo para casa, ele não queria levá-la para casa, ela agarrava-se ele dava-lhe festas no cabelo, ela chorava ele dava-lhe festas no cabelo, ela deve ter acabado a noite a precisar de lavar o cabelo. Vi isto tudo porque a idade não me deixa beber muito e estar sóbrio no meio de bebados é como ser o super-homem no meio anões amputados. Super-visão, super-audição e super-seca.

sexta-feira, abril 12, 2013

Republicanos

Fui a uma jantarada de uma república. Das boas, não destas onde vivemos. Daquelas de universitários. Habituado a dividir casa, pensei que era mais uma casa dividida por mais pessoas que o habitual, mas não. É uma casa dividida entre universitários, numa idade longínqua que agora me parece uma adolescência com mais bebida, mais sexo e mais livros, tudo numa espécie de gruta pitoresca com cheiro a pó e chulé no ar, pouca luz e muitas camas e sofás. Uma camarata. Pois, é bastante parecido com uma camarata. Se tivessem candeeiros às cores, também seria algo parecido com um bar hipster.
Faziam-se 2 jantares. Um rápido - o meu - e a Jantarada. A Jantarada implicava uma óbvia dose gargantuesca de bolonhesa. Contei 8 pacotes de esparguete inteiros. E depois vi uma receita escrita à mão, ao lado do fogão industrial. Ia ler quando apanho o diálogo entre uma menina e o cozinheiro.
- Estás a fazer tudo tu?
- Sim, estou a seguir essa receita aí.
- Ah é tua?
 - Não, é do Jamie Oliver. Gosto muito das receitas dele.
 Espera. Depois de ter visto este gajo despejar 2 litros de molho de tomate na panela com tamanho para um borrego inteiro, mais meio frasco de sal na carne, a receita é do Jamie Oliver? Ainda têm papilas gustativas?  Deve ser uma edição especial para regimentos de infantaria do burkina faso.

Adenda: ainda há quem use banha.

quarta-feira, abril 10, 2013

A porra do tempo

Lentamente instalou-se a puta da idade no meu sistema. Infelizmente a memória que normalmente é péssima para fixar coisas importantes, como o tipo de letra no rodapé no site que desenhei ontem, revela-se espetacular a recordar como conseguia comer um bisonte e nunca ter azia. Ou subir a Alameda sem subir a pulsação a 180. É o colapso total. Já não tenho tolerância à cerveja, secretos de porco preto têm muita gordura, não posso deitar-me mais tarde que as 5, não posso levantar-me mais tarde que a uma, se trabalho muito fico com os olhos a pingar sangue no teclado, se descanso demasiado fico com dores nas costas, prevejo o pior possível ou se calhar estou a precisar de férias.
Agora que esta merda toda está a dar buraco, resta-me por o dinheiro no colchão e usá-lo como jangada.

terça-feira, abril 09, 2013

Classificação taxonómica universal

Princípios básicos de taxonomia para parapeitos: A. Parapeito, B. Parapeito
Tomem-se em conta quaisquer dois sujeitos aparentemente iguais, mesma espécie, mesmo genus, família distante, desordem total, sem classe, reino dividido em todos os domínios. A ambos os sujeitos foram atribuidos 4 macacos-rhesus que foram aplicados a cada canto, devidamente monitorizados continuamente: 8 deputados, providos de apenas um botão ligado a um aparelho de eletricidade accionaram-nos a cada reacção atestada como senciente e inteligente, mediante testes simples. Aplicado este método com parapeitos, cadeiras, bidons, maçanetas, assadores de sardinhas - em ferro e em barro - , os referidos macacos, em testes duplos-cegos, não detectaram inteligência alguma nos deputados.

domingo, abril 07, 2013

Comentadores e cenas

Esta cena dos telejornais com ex-ministros como comentadores já farta e agora que transformaram Marques Mendes em LMM - o logo dá um ar institucional mas demasiado museu-contemporâneo-com-logo-desactualizado - este confirma quem servem quando, a propósito de Relvas, e depois de um longo dissertar sobre o peso dos defeitos e qualidades num político, lembra que os políticos não são todos iguais, como em todas as profissões há maus e bons e que Relvas é um destes últimos.
Puta co pariu?

quinta-feira, abril 04, 2013

Punhos de queijo


Spot - Punho de Queijo from Ren Stimpy on Vimeo.
Esta história do Miguel, do Relvas e desta promoção do empreendedorismo como solução final para o extermínio dos desempregados não me tira o sono, cada vez mais percebo que este tipo de gente sempre cá andou e sempre vai andar. Sigam. Mas, anda um tipo a estudar anos, a trabalhar mais uns quantos, altos e baixos, baixos e altos, aprende, desaprende, especializa-se, aprende mais, dá horas e horas e horas à casa e aparecem estes artistas - eu é que devia ter ido para belas artes, tinha-me divertido mais e no fim ainda me ria disto, nunca ia estudar nada que servisse para este pessoal, só querem gestores, provavelmente - a deitar por terra o trabalho de anos a fio. Não o meu trabalho profissional, tangível, o que faço, o que (mal) me paga as contas. Esse segue. Digo o trabalho que tenho, paralelo a esse, de todos os dias ter de provar que há um método, há uma razão e que se calhar já somos ( designers, óbvio. Levo isto a peito porque trabalhamos um campo comum ) multifacetados demais. "Bater punho"? Não, pá. Soundbyte manhoso, tão chispalhada com coentros que nem vou pegar nisso -  Há espaço para tudo, mas para opiniões gratuitas, generalistas e fraquinhas sobre o trabalho dos outros, já nos bastam os empresários habituais. Se é esta a modernidade, fico-me pelo que já conheço, bacano. Métodos datados, má gestão, preconceitos, má fé, essas tretas que fazem perder tempo e dinheiro a todos.
Desvirtuar o trabalho que não é espalhafatoso é baixo, pá. 
É incrível, mas há gente que gosta de trabalhar no que gosta e não ache que trabalhar seja uma actividade circense.  
Sim, sejamos optimistas.
Não, não vamos baixar os braços.
Mas para isso tenho de abdicar de ter sentido crítico e do cérebro? Pá, não duvido que essa conversa dê frutos ( só para uns quantos, claro, é por isso que funciona ), mas não funciona com quem consegue perceber como é um vacuo absoluto. 

Sempre que ouço gajos destes a falar, visualizo o ar dentro do cano de um canhão. É ar na mesma.

E a política, finalmente, porque isto do trabalho a sério nunca meter política, cheira-me sempre a esturro, pessoal que não mete política no trabalho leio sempre como pessoal-que-não-mete-horarios-regalias-direitos-greves e afins no trabalho.
Eu sei que é de posts destes que vive o Miguel. Com este post, mais 2 ou 3 pessoas ouvirão falar dele e há mais 2 ou 3 hipoteses do seu nome vir à baila numa conversa, top of mind como ele diria, e ser chamado para fazer qualquer coisa, gratuitamente, como ele exibe.
Felizmente ainda há outros valores que não o marketing. Fiquem lá com a bicicleta, pá. Fixed gear.

quarta-feira, abril 03, 2013

Pasmo

Chego a casa e encontro isto. Deus, a prova de que o empreendedorismo é só uma forma de religião encapotada. Abençoados os pobres de espirito, venham a nós os inocentes, matem os primogénitos ou ceguem-nos à nascença para não verem isto, queimem incenso até sufocar o rebanho inteiro. Deus, mas explica-me como é isto, como pode?
Eu quero acreditar em algo maior mas isto não pode ser, é assim que queres optimismo? optimismo é ver a realidade como ela é e acreditar - não é fé, é saber - que temos algo para acertar nos 50% que têm hipóteses de se safar, porque têm valor, porque têm uma ideia, um chão, qualquer coisa de tangivel para oferecer aos outros. Este tipo, Deus? Isto é religião e das fraquinhas, fé cega, fé de burros acredito porque sim porque insisto ceguinho insiste na lotaria insiste que vais ganhar, não, não é isto, Deus. Este tipo não oferece nada, só tira, rouba inteligência, é como as religiões mas pior porque se mascara - no fundo deve ser o belzebu em forma de ginjas da Ribeira, vem associado à política, não pode ser bom - de pastor histriónico promete qualquer coisa mas nem tem a certeza do que promete, essa parte já não sabe responder, o importante é o caminho, coaching para coxos, devagar se vai ao longe mas chega-se lá não sei onde. Deus, desde quando é que tipos que falam assim chegam a algum lado?

Adenda:

"tipos que falam assim"

Ferreira do Amaral, Ministro.
Marques Mendes, Ministro.
Cavaco Silva, Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da República.
Eu.

Adenda 2:

O Ressabiator deve ter uma opinião melhor que a minha.

terça-feira, abril 02, 2013

Emigrem emigrem

Mais uns tempos e ficam cá só os indiferenciados ou aqueles que por força de não haver mais que fazer, se indiferenciam de dia para dia.
Se não podemos ter um governo com algum nível, a emigração compensa com uma selecção indefectível.

sábado, março 30, 2013

Lisboa

Portanto isto é suposto ser um corvo?

Tenho andando a dormir

Não dei pelo Sócrates voltar, não fossem as vezes que vi a palavra "narrativa" espalhada no facebook. Não dei pelo pessoal que se intitula republicano e usa este termo como se fosse atestado de qualquer coisa a lembrar que este Sócrates foi o percursor do Relvas na luta pelas licenciaturas instantaneas de pacote. Não dei pelo Passos uma semana inteira, deve andar a dormir mais que eu. Não dei pelo Seguro excepto num ou outro soundbyte, área em que deve ter uma licenciatura de pacote. Não dei pela cara do Relvas sempre sorridente ah a certeza de ter costas largas, assim ao estilo do Belmiro, a liberdade de sorrir e saber que não interessa o retorno, pode dizer o que quer. Não dei pelos comentários do Marques Mendes. Gosto da maneira de desenho animado a mexer-se e o tom professoral mas em registo saxofone contralto. Também não dei por esta quantidade de ex-políticos / futuros políticos a descobrir que é mais proveitoso fazer o respectivo debrief-de-insider  / warm-up para eleições como comentador do que efectivamente ser político, só vantagens, uma espécie de avatarização da política,  este aqui não é o marques mendes mas um comentador com as mesmas opiniões que ele. Não dei por esta merda toda porque tenho largado as notícias nacionais e só sigo as americanas, com grande vantagem para a minha sanidade: estão lá longe, os políticos são mais cómicos que os nossos, as mudanças são reais, as coisas acontecem, fala-se da realidade abertamente, denuncia-se tudo, de parte a parte ninguém deixa pedra sobre pedra, com a vantagem de acompanhar um quotidiano 5 anos à frente no tempo.
Quando é temos impressoras 3D em barda?

quinta-feira, março 28, 2013

Ser poeta é ser mais lipsum

O design está nos detalhes, como o diabo. Demonstração básica, depois de ver maquete enviada por um cliente.
Texto simulado por um designer:
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Texto simulado por um cliente:
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sábado, março 23, 2013

Incha

Só tenho especial orgulho em um ou trabalho que tenha feito. É condição de designer ter de permanentemente contornar convicções a troco de um cheque.
O orgulho vem das ideias. A execução, vejo-a cada vez mais como um detalhe que passaria bem sem o fazer. É ter ideias e vê-las executadas ( como eu quero ) e apreciadas pelos outros ( nem todos ) que tem realmente piada. De resto, não se ganha nada só a ter ideias, é chato mas é a verdade: O dinheiro fica com quem as vende, não com quem as tem. Como me farto de dar dinheiro a ganhar a outros e gosto de meter pedras na engrenagem sempre que posso, a melhor coisa que fiz até hoje não deu dinheiro a ninguém:
Num team-building - sim, essa praga - da empresa onde trabalhava, fomos para um hotel no meio da neve. Desde o momento em que soube onde seria o evento, dei-me ao trabalho de cortar imprimir montar as gémeas do hotel do The Shining, em tamanho real, numa placa. Depois transportei essa enormidade 200 km sem dar manca. Finalmente, durante a noite, plantei-as no meio do corredor de carpete hipnótica para gaudio de todos os hospedes e da empregada da limpeza que ia morrendo de síncope quando se cruzou com elas. 

quinta-feira, março 21, 2013

Cheio

Portanto o caminho é, como sempre, minar a sociedade por dentro e fazê-la desabar sobre os seus próprios alicerces, e nisto meter o mundo a andar para a frente. Mas para o conseguir, tem de ser com jeito. Como se usasse uma colher enferrujada para escavar cimento armado.
E é isto a diplomacia; Não tenho paciência.

terça-feira, março 19, 2013

Aprendi uma cena nova

Um post rápido
simples e bem conciso
foda-se, e deu.

domingo, março 17, 2013

Sindroma de Estocolmo à mesa

Quem tenha ido a uma repartição das finanças nos ultimos tempos lembra-se bem de como funciona o pequeno poder. A empregada que está mal disposta e que pode empatar tudo uns meses, o segurança que gosta de ser gestor de tráfego e guarda de fronteiras invisiveis, a controlar como as filas andam, até onde andam, que faz a voz séria a mostrar a gravidade do que é perguntar-lhe as horas ou se a fila é aquela ou aquela ou aquela mas o verdadeiro terror, o fascismo real e tomado por benigno nasce nos tascos.
- Então o que é que vai ser?
- Queria o bife da vazia, bem passado.
- ah, você não vai querer isso.
- ah não?
- Na. Se fosse a si ia no arroz de pato.
- mmm Eu vinha mesmo pelo bife, disseram-me que era bom aqui.
- Vá no que lhe digo que não se arrepende.
- mmm ok, bom, venha lá o bife.
- Vai ver, no fim diz-me se tive razão ou não.
E é neste clima de opressão e medo que se come um prato que não se quer. Sempre tendo em vista qual será o motivo obscuro que levará um empregado dum restaurante a aconselhar-nos a fuga de um prato para o outro. Caiu no chão? é de ontem? é cavalo? Se dissesse que queria o bife na mesma ia sofrer represálias?

O mais estranho é que gostamos disto. Se não fossem estas tretas já tinha emigrado e os que pensam voltar é disto que têm saudades.

Parece o governo

F243562-se o Shift partiu-se.

sexta-feira, março 15, 2013

Ateismo desinformado

No tasco, mesa com um velho e dois comparsas mais novos, todos trolhas.
- Lá estão outra vez com esta merda do papa!
- Não se calam com isto.
- É argentino? Tá tudo fodido.
- Tou farto de ouvir falar disto. Mas que raio de interesse é que tem este estupido de barrete na cabeça?
- Ele é papa-pedófilos.
- Ele é papa-meninos.
- Ó Zé tu acreditas em Deus?
- Eu? Achas? Isso é uma tanga que eles inventam para viver à grande à conta dos outros. A mim não me enganam. Vais lá à igreja e tens de dar dinheiro, vão prá puta cos pariu.
- Mas Deus existiu ou não?
- Sei lá. Acho que não. Sabes lá, já foi há muito tempo, sabe-se lá o que é que aconteceu.
- Pois é.