domingo, junho 16, 2013

Tenho uma ideia para um programa de TV

Eu sei que já há parecido

mas tratando-se de reality shows

realmente mostram pessoal com cabelos esquisitos e sapatos às cores

mas a "reality" nunca aparece

Critérios

Depois de uma ida aos santos, à bica e ao bairro, fico com questões na área da estética, se é omnipresente, se há ausência dela ou se há apenas uma questão cultural que me escapa. Basicamente: Aqueles bares que só vendem bebidas a litro, são uma opção válida para alguém ou são mesmo só uma merda?

terça-feira, junho 11, 2013

Betopia

Fui com o Pascoal e o Januário ao Plateu.
O Pascoal empurrou-nos. Relatou que tinha ido lá há tempos. Foi com amigos, e na pressão de impressionar os amigos, a coincidência de ser fim do mês e estar já com os copos, comprou garrafa só para entrar. Sim, em 2013 ainda há pessoas com menos de 40 anos que têm garrafas em bares.
Em 2013 também é meio estranho entrar no Plateau. Aquela zona da Kapital e do Plateau e afins sempre esteve para lá de um muro de Berlim ético, mas sempre tive curiosidade de saber o que se passava para lá da Barraca.
Sábado entrei no Plateau. Entrei na 5º dimensão dos betos. 
Nunca tinha visto o interior daquilo. Será que é assim há muitos anos? pareceu-me uma fábrica de colectâneas Buddha Bar: Espelhos. Molduras douradas. Budas. Colunas douradas. Ventoinhas. Espelhos. Mais budas. Não há cu. Ir a um bar que parece um catálogo do Gato Preto de há 10 anos a passar musica de há 30.
A fauna. As pitas. Os bimbos. As quarentonas. Os betos. Betos e bimbos é o mesmo. Pitas e quarentonas também é o mesmo. Se aquele pessoal gótico quarentão do Metropolis faz figura de urso quando continua a vestir-se de preto e a usar docs já careca, os betos que fazem o mesmo são muito mais cómicos. T-shirts com ratos e surfistas depois dos 40? foda-se. No meio disto, se calhar o melhor de tudo é que, como é hábito em discotecas de betos, dançam pouco. As betas e os betos não se mexem, é uma treta genética qualquer, fruto de consanguinidade ou colares com crucifixos demasiados apertados ao pescoço.

segunda-feira, junho 10, 2013

Ainda o design, para despejar

Eu percebo. Quando me falam em programação, finanças, ou matemática no geral, o meu cérebro também bloqueia. Mas, faço um esforço para que não aconteça. Tento perceber.
Porque é que perceber que uma página A3 vertical passar a ser um A4 horizontal não pode ter a mesma quantidade de texto e não vai ter o mesmo aspecto é tão complexo? Depois, porque é que não podem confiar na palavra de quem já o tentou fazer antes?
Quando têm 20 minis para 16 pessoas não percebem logo que não vai dar?

Mais complicado é explicar que uma página A3 tem um ar-mais-sofisticado-mais-clean-e-mais-highbrow e que o maior-uso-de-white-space-que-ela-permite é que dá origem a essa sensação. Não, não. Depois o comentário óbvio é "gostava mais da versão A3. Porque é que mudaste tudo?". Eu avisei eu avisei deus eu avisei.

Cérebros diferentes. Um Director criativo que me peça o mesmo, sei que tem noção* que me está a dizer "caga nisso, Prezado. O cliente quer é uma peça pequena e barata. Podes cortar no texto que isso funciona na mesma". Mas um cliente, em Portugal, é muito provavelmente um descendente de um taberneiro bem sucedido. Alguém cujo avô tinha um armazém de bacalhau e pipas de vinho. E o modus-operandi respectivo, apesar da passagem do milénio, da internet e do telemóvel, mantém-se inalterado.



Os taberneiros - um professor chamava-os de salsicheiros e eu nao altura não sabia bem porquê - continuam a achar que como no vinho, posso meter água e martelar o layout. Mas para isso é que servem os portfolios.



Um tipo abre o jogo e ainda assim, tem de responder a "desafios". Merda, quando vão ao médico também desafiam o gajo a descobrir se têm hemorroidas ou cataratas? Não. Dizem qual é o problema e esperam uma solução. E os médicos, que sabem que ninguém sabe o que é um externocleidomastoideu, fazem como os designers: traduzem para linguagem corrente, ou fazem analogias com carros, e um gajo sabe logo do que falam, dá-lhes a chave do capot e deixa-os trabalhar.

Infelizmente um designer entrega trabalho que está à vista. Não é nada de complicado, olhar. Qualquer pessoa olha. Já saber por que se olhou de certa maneira, isso só alguns sabem dizer porquê.


* nem todos, Vide "Burros".

sexta-feira, junho 07, 2013

sexta feira acaba e eu descanso

Tenho poupado muitas discussões sobre design quando do lado de lá do argumento ninguém percebe de design. Ao fim de muitos anos, lá percebi que discutir se fonte A ou B tem o peso, estilo ou espacejamento certo para o que é pretendido, é uma perda de tempo, no fim é sempre uma questão de gosto e falta dele. Money talks, bulshit walks, o trabalho final fica de recibo do dinheiro que falou e pronto. Uma analogia  do tipo "ah, também perguntavas a um engenheiro "podes tirar esta viga mestra daqui? não gosto nada de como segura o edfício neste canto.""  pode ser invocada, mas na verdade uma fonte mal escolhida para a capa de uma revista não desaba em cima de ninguém. Não mata ninguém. Mas eventualmente vai fazer a revista morrer. Paciência.

Confesso

Tantas vezes a gozar o pessoal beto do Lambert, esses meninos de apartamento, e agora vejo-me a vir do surf ou do ginásio de mochila às costas à escuteirinho.
Ginásio e surf na mesma frase, espera.
"- Prezado, és tu?"
- Sou eu mas transmutado. Em lugar das pernas tenho 2 troncos, 4 milhões de músculos, os ombros são do tamanho de vitelos, cada braço pesa um alqueire, o pescoço uma canga, o lombo da largura de 2 carneiros dos grandes.
Infelizmente, tenho de acartar com esta treta toda todos os dias.

quarta-feira, junho 05, 2013

Fé na humanidade

Há algum tempo que sou administrador de umas quantas páginas de Facebook. Umas 2 ou 3 minhas, uma do trabalho. A do trabalho, passo por lá só para ver estatísticas e para ver que caminho leva o conteúdo que lá é colocado.
E leio os comentários.
Estou habituado a ler comentários nos jornais online. E no youtube. E ouço os discursos do Passos.
Mas os comentários nesta página do facebook merecem um campo de investigação dedicado a tempo inteiro: nunca vi gente tão burra*. Trocam a caixa de busca pela caixa de comentários. Tratam o post por tu. Tratam o tema do post como uma entidade com vida própria. Falam com o post. Falam com amigos invisíveis com comentários no post. Trocam marcas. Trocam autores. Trocam o post. Reclamam a existência do post. Reclamam ter visto algo no post que não gostam. Reclamam continuar a receber posts. Tomam o Facebook e o Google como entidades simultaneamente omnipotentes e incapazes. E ainda aparece sempre um chico-esperto que sabe tudo e que diz que tudo é Photoshop.

* pensando bem, já trabalhei com um elemento bestialmente burro e a bater a escala. Só para referência, sempre que havia uma reunião, esta tinha de ser interrompida porque ficava roxo e com dores de cabeça com o esforço de pensar tanto.

Não é o Facebook que anda uma seca

terça-feira, junho 04, 2013

Não é assim tão simples

"Arranja um trabalho que gostes e nunca mais vais trabalhar na vida."
A cena é que eu também gosto mesmo de fazer nada nada.

domingo, junho 02, 2013

Vintage

Passem pela Feira da Ladra e descobrem que não só há gente que ainda vê filmes em VHS, há também um mercado de porno analógico, do tempo em que a democratização do fetiche ainda estava longe dos tempos da internet. Podia jurar que vi ali a senhora da limpeza de lá do escritório.

quinta-feira, maio 30, 2013

ó que c......

Designer faz layout seguindo briefing dado em clientês. Cliente não gosta do layout. Designer faz um novo layout, tentando incorporar o que acha que percebeu do clientês. Cliente gosta do layout. Cliente gosta muito do layout MAS quer alterações. Designer muda layout. Cliente pergunta porquê layout igual. Designer explica em designês que layout mudou mas segue regras que impedem layout de ser chacinado. Tradução designês-clientês falha. Designer chacina layout. Cliente pergunta se designer acha que detalhe funciona bem. Designer que está a chacinar layout a pedido do cliente não sabe o que responder mais, por limitações de vocabulário de clientês e impossibilidade de envio de cliente para o caralho que o foda. Cliente leva layout alterado. Designer é pago a 90 dias.

quarta-feira, maio 29, 2013

Se o Manuel Damásio sabe disto

Marinho Pinto escreveu este ensaio literário depois daquela prestação no Prós e Contras e no rescaldo de acontecimentos graves - é a co-adopção - que lhe tiram o sono. O receio de ser adoptado por um casal gay ( não dá, pá, isto é outra coisa ) é tal que se viu recolher nos seus pensamentos mais antigos, as memórias de menino. Mas o medo era tanto, o medo de que tudo o que é belo e bonito e de certa Ordem que lhe apraz se esboroasse que a memória o levou ao tempo em que tinha uma placenta por coberta e ao primeiro beijo da mãe, a apertar o nó do cordão umbilical.

Marinho, mete mais tabaco nisso.


terça-feira, maio 28, 2013

Taxismo, nível avançado

Desde há anos que desenvolvo uma técnica de conversação com taxistas. De modo a vencer a dificuldade em fazer conversa de circunstância ( dá jeito naqueles minutos que antecedem uma entrevista ou quando estamos a espera de um elevador), fui trabalhando esta difícil arte que faz a ponte entre todo o tipo de humanos, do mais rico ao mais pobre, do mais letrado à mais ignorante das bestas ( Marinho Pinto incluído ), de modo a tornar uma viagem de 20 minutos numa viagem pelo surreal. Aprendi a falar do tempo, de como está permanentemente "maluco". De futebol, sendo que o pouco que sei é que o Cardozo e o Jesus são do Benfica, que o Porto é uma cambada de putanheiros corruptos e que o Sporting perde sempre. Este ano também notei que o Benfica perde tudo à ultima da hora. Em termos de foda, é a clássica técnica do pontapé no balde. Só isto basta para conversar horas com um taxista.
Um dia destes apanhei uma figura que insistia muito no mesmo tema, a sua honestidade. Um taxista gosta de falar da sua honestidade versus a desonestidade dos outros taxistas no universo, está estudado. Mas este tinha uma fixação no tema ( eu deveria ter dito qualquer coisa que o descansasse, tipo "Ainda bem que ainda há pessoas honestas") e continuava a confirmar como era honesto por discutir o caminho a tomar para chegar ao destino.
Já estava cheio de o ouvir, mas tinha solução. Aqui entra o que acho que é o nível final de taxismo, que é conseguir deixar um taxista calado:
Aproveite-se uma aberta ou um tema que se possa usar como gancho para outra conversa e explique-se, por exemplo, como funciona uma empresa de entregas com carros orientados por GPS e como a rentabilização das entregas é definida por computador utilizando um algoritmo que já não se limita a calcular o caminho mais curto ou rápido, mas o caminho mais económico, tomando em conta o número de paragens em semáforos e trocas de faixa, mantendo o carro sempre em andamento, ainda que lento, mas poupando combustível. E assim a cara do taxista ficou semelhante à cara de que faço quando perdem tempo a explicar-me que os pretos deviam ir para a terra deles.

quinta-feira, maio 23, 2013

Sobre o puto beto das camisolas, herói dos taxistas porque deu uma resposta momentaneamente pertinente a uma doutora

Tudo o que tenho a acrescentar e que é mais importante que tudo: Mas como é que em 2013 ainda há coisas como o Prós e Contras? Como é que até hoje ninguém se atirou de boca da plateia para o palco, farto de ouvir a Fátima Campos Ferreira? Quando é que o PRIBERAM faz a ressalva na palavra "debate", para que não se confunda com aquilo?

Isto não é novo, mas

Elaboram-se teorias que não mais que actualizações ao já sabido, umas vezes a trazer mais certezas, outras vezes só a eliminar erros. Uns dizem que o que separa os homens dos animais é o polegar oponível. Dá-nos a capacidade de utilizar ferramentas. Outros acrescentaram que isto nos levou ao que realmente fez a diferença, a especialização, a atribuição de habilidade a uma mão e assim a um cérebro dividido, tarefas atríbuidas a cada hemisfério. Outros dizem que é a capacidade de comunicar. A postura vertical. A expressão artística. A capacidade de cozinhar.
Eu sei que é a preguiça. Não fazer um boi é a mais edificante e criativa das tarefas que o homem inventou. Não fazer nada é o mais complexa e brilhante obra que nos lembrámos de inventar: Os macacos dormem, depois do cansaço da apanha-da-pêra que é a vida a que foram votados. Mas um homem, antes depois ou invés do trabalho, coça os tomates. Não faz um caralho. Coça o cu pelas paredes. Design perfeito, democrático, universal. Uma actividade sem preço que tanto pode ser comprada pelo mais rico ou pelo mais pobre. Dormir é para bimbos: dormir é o descanso da infância e da inconsciência. Durmo não dou pelo descanso, 8 ou 12 ou 24 horas de sono são iguais, tempo que passou, uma criogenia para burros e sem odisseias no espaço. Quero conscientemente não mexer uma palha e saber do tempo que lá estive às voltas a pensar na morte da bezerra ou na solução para a fome no mundo.
Deixem-me em paz e calem-se com a merda da pro-actividade. Se a preguiça pode ser distribuída igualmente por todos sem receios, a pro-actividade não a quero nem perto, deixo-a a quem de direito. A pior coisa do mundo são os burros pro-activos.

sábado, maio 18, 2013

Açores em imagens II

A prova que estive mesmo lá

Cada ilha tem manias. Ponta Delgada tem duas. Esta do tijolo.

E esta.

A mania da campainha no meio da porta.

Ponta Delgada também tem esta merda mesmo no meio da cidade.

E o tijolo.


Já em Angra do Heroísmo, metem buracos no lugar da campainha.


Quem tem mais paciência, mete dois buracos.
Outro fetiche é este degrau com um azulejo escolhido às cegas.

Há um género de Las Vegas para beatos


S. Jorge tem um cenário à Senhor dos Anéis
Mas mais húmido e sem grandes ligações WIFI.

Finalmente, há 2 fenómenos patafísicos de maior grandeza que merecem destaque por definirem a essência da vida nas ilhas:


Isto é só a montra de uma casa de fotografia, não é uma igreja.
O Senhor Santo Cristo dos Milagre. Um açoreano não acredita em Deus, porque não chega. Deus é invocado para coisas terrenas, como ter saúde, ganhar o euromilhões ou conseguir marcar uma consulta com menos de 3 meses de espera. Nos Açores, a vida é bem mais séria que isso. Só nos dias que lá estive, apanhei com ventos de 90km/h, o mar negro de chumbo, o céu negro de chumbo, cancelaram-me voos, ouvi os relatos de viagens de Ferry infernais, vi casas enterradas até ao telhado por causa dos terramotos, vi as derrocadas das cheias, a humidade que não deixa respirar à noite, já falei do vento, e por um dia escapei a um terramoto. Para um açoreano, está provado que Deus está muito longe. Por isso, usam o Senhor Santo Cristo dos Milagres, que está bem mais perto. Está bem protegido numa capela fora do habitual, algo com um aspecto entre o interior da Kaaba e o túnel do Rossio.


O DVD "as 1001 marradas", às vezes a tomar o espaço do best-off, o "10 anos de marradas", à venda em todos os quiosques, pastelarias, cafés, papelarias, casa de fotografias ou de recordações. Andem a pé por Ponta Delgada e olhem distraídos para uma montra e têm, a qualquer altura do dia ou da noite, alguém a levar uma cornada no períneo. Avancem mais uns metros na mesma rua e acabam de ver o mesmo gordo com o chapéu de chuva a levar uma cornada da montra anterior. As largadas de touros são um assunto sério nos Açores.
No café, li as gordas do jornal local "Polémica sobre touradas continua". Continental burro eu pensei, "ah, é natural, realmente este pessoal já tá na altura de entrar no século XXI e parar com esta merda", mas não a polémica era porque havia duas largadas marcadas para o mesmo dia e assim não podia ser, não tinha lógica nenhuma largadas no mesmo dia ora bolas.


quinta-feira, maio 16, 2013

Preocupado com a publicidade

Hoje estavam a dizer-me que a coisa lá-na-agência não vai bem e tiveram uma reunião sobre isso. Lembrei-me que nunca ouvi outra conversa. Para quem não conhece a conversa ( será universal? ) aqui fica uma minuta que elaborei a partir do mambo jambo empresarial que ouvi ao longo dos anos, pode servir de antidoto para um discurso que venham a ouvir:

Marquei esta reunião para vos dizer como estamos. os tempos são difíceis. E não é que o barco vá tombar, não é isso, mas temos de vos de pedir um esforço extra. Não vamos poder dar os aumentos que gostaríamos, e até vamos ter de pedir que façam uma hora extra, que fiquem até mais tarde para acabar um trabalho, para darem algum do vosso tempo. Porque o mercado está muito complicado. Nao queremos dispensar ninguem, nem está nos nossos planos, mas para isso temos mesmo de vestir a camisola. Todos juntos conseguimos. se tiverem algum problema e quiserem, estamos aqui para vocês.

Saibam que isto são só palavras. Na prática isto só quer dizer "não vos queremos pagar mais.".


Preocupado

Eu não ando a dormir, só ando a escrever menos, mas... Não esqueço o Passos. Não sonhando com debates ou com esmagar-lhe a cabeça contra uma bigorna, tenho a certeza absoluta que na cabeça desta gente, "o país tem solução" ou "a partir de 2015 isto melhora" é algo que é relativo apenas a quem sempre teve dinheiro. E o mexilhão que se foda.
Já agora, o Seguro ainda é pior. É uma alforreca.

quarta-feira, maio 15, 2013

Surf e bananas

No surf como em todas as coisas no mundo há modos de apreensão diferentes. Podemos apreciar a actividade e sermos uns bananas do caralho - o que dá origem aos Locals - que tomam para si muitas qualidades, entre as quais o direito a vetar o uso de uma onda por outrem, há o pessoal que se está a marimbar para stresses e que segue porque sabe que felizmente é garantido que as ondas não vão acabar tão cedo e há aqueles que não fazem nada disto e limitam-se a remar infinitamente e a ganhar dores nos ombros e a malhar com os cornos na água 20 vezes de seguida.

Dos pontos altos do Surf Camp, destaco a habilidade de ter conseguido cair da prancha mas deixar um pé em cima dela - para não ter de a ir buscar a cascos - e quando descobri como é levar com uma onda das grandes ( mais de um metro e meio, que eu sou nabo ) em cheio.
Até tentava ser espirituoso com isto, mas estou mesmo moído.

terça-feira, maio 14, 2013

Surf depois do prazo

Fui a um surf camp ( esta frase tem um improbabilidade estatística tão elevada que parei um bocado aqui a olhar para ela).
 Lentamente a minha técnica tem melhorado e agora posso dizer que estou consistentemente a ser nabo. Atingi um patamar técnico que me concede fazer mais ou menos as mesmas manobras de uma forma previsível: levantar-me e cair.
Apesar de ter a ajuda de uma prancha a que toda a gente chama "cacilheiro" ( pela imponência em várias ordens de grandeza), não pensem que o tamanho da prancha melhora o meu equilíbrio ou a postura. Não. Apenas adia por micro-segundos a segunda parte da manobra "levantar", o "cair". "Levantar" e "cair" não são manobras de somenos porque são predecessoras importantes de manobras como Cutbacks, Tailsides, Air's, 360's. Todos os grandes passaram pelo "levantar" e conto com esse dogma também.
Amanhã explico melhor como é que se faz figura de urso no surf.

terça-feira, maio 07, 2013

Passatempo ao chegar a casa

Tenho a sorte de poder seguir os posts no facebook de um tipo que vê conspirações em tudo o que acontece todos os dias. Nunca me vão apanhar na curva.

domingo, maio 05, 2013

Açores em imagens I

Neste microcosmos cultural que são as ilhas dos Açores, descobri uma fenomenologia muito própria e irrepetível no universo. Tenho de vincar os seguintes traços distintivos que encontrei:
Nos Açores devolvem 1 euro se devolvermos as botijas de gás.
Resultado: círculos sacrificiais de botijas repetem-se pelas ilhas.

A deslocação inter-ilhas é tão complexa que em S. Miguel há
uma casa de S. Jorge.

Nos Açores não há crime porque não há como fugir. Por norma, confia-se
na boa fé e nos valores cristãos.

Os passageiros da Sata têm mais 50% de hipóteses de serem católicos.
A Sata é responsável por mais de 80% das conversões dos Açores.

Os santos pouco podem fazer.

S. Jorge tem uma tradição católica pós-moderna.

Todos os anos promove um cortejo de um santo traveca e corno.

Os Açores pararam no tempo, adiantando-se na moda.
Na foto, a directora da Experimenta Design local.


Infelizmente a classe política, como sempre,
deixa muito a desejar.

quinta-feira, maio 02, 2013

Tantas ideias e nada

Vi a base das Lajes. É um pedaço de States pegado com Portugal - não é Portugal - e tenho pena que acabe, lentamente, por ser apenas um cemitério de aviões no meio do Atlântico quando é um sítio com tanto potencial. Passei de carro ao pelas ruas imaculadas e limpas, os condomínios fechados com picket fences e os SUV's estacionados à porta. Os americanos vão saindo, queixam-se os açorianos, e levam as dollas, deixando as casas enormes e cheias de modernidade para serem ocupadas por portugueses tesos. Era mais interessante fazer daquilo uns United States dos pequeninos, alugavam-se as casas forradas de armas e posters de Van Halen, os carros metiam-se num carril a dar a volta à ilha, usavam os C-130 para baptismos de voo. Deixavam os F-15 onde estão, mas a meter-se uma moeda para os putos galoparem aquilo a ouvir o Quando-a-macaca-gosta-de-banana-eu-gosto-de-ti, enquanto os pais davam uma nas camas king-size com colchão de água. Os depósitos de combustível dão bons pavilhões do futuro.

O Viajante explorador ( de recursos )

Descobri como viajar sem dinheiro e sem certezas.
Escolham o vosso destino. Prefiram sítios isolados geograficamente, ilhas ( diria Açores), enclaves, países remotos. Escolhido o destino, comprem as passagens. O preço das passagens não interessa muito, mas a operadora sim. Prefiram operadoras com problemas salariais e com situações de monopólio e/ou preços cartelizados.
Encham os bolsos de dinheiro - nunca confiem em multibancos ou eventos futuros - e escolham uma altura em que haja greves e condições meteorologicas adversas a tudo.
E partam à aventura.
Sim, não marquem estadias. Marcações em Hoteis, além de sucursais de conformismo e capitalização da aventura, são amarras desnecessárias para o verdadeiro explorador. Só temos 2 dados fixos: o dia da partida e o dia da partida para a chegada ( poderão descobrir que o tempo de partida e chegada pode ser maior que o tempo de férias ).

Depois, é deixar a natureza seguir o seu curso. Vento, furacões, sindicalistas, tudo bloqueará o vosso caminho. É então que as companhias aéras vos pagam a estadia em hotéis de 3 estrelas em pensão completa, durante o tempo necessário a colocar-vos e tirar-vos do destino pretendido. Tenham em conta que o factor tempo é incognito.
Descobri esta forma de viajar recentemente e aconselho a todos.

domingo, abril 28, 2013

Açores

Dados recolhidos indicam que a atlantida estava situada entre S. Jorge e o Pico mas foi levada por uma rajada de vento especialmente forte.

quinta-feira, abril 25, 2013

25 de Abril, um resumo

Tradução de um diálogo entre um português e uma grega com sotaques de inglês distintos:
- Olá! Esta pessoas todas, são de que partidos?
- Estas... São do MAS.
- Isso é um partido de esquerda?
- Sim, são socialistas. Não sei se conheces a história, tivemos uma revolução há umas décadas...
- Sim, a história conheço, mas socialistas? não disseste que eram de esquerda?
- Pois, eu sei, também temos desses, estes é mesmo esquerda, não esse socialismo...
- E aqueles?
- Esses são mesmo de esquerda, são comunistas, os outros a seguir são de extrema-esquerda.
- Extrema-esquerda? Queres dizer esquerda.
- Bom, ( passa faixa negra onde se lê ANARQUIA ) estes eu diria extrema esquerda, mas sim, percebo.
- Exacto, como na Grécia.

E é assim que Prezado renova a ficha no SIS, agora que tem contactos com pessoal do Syrisa.

Conspirações

Sigo com muito interesse esta torrente de conspirações actualizadas, vindas dos States.
A parte que acho mais piada é a das conspirações que se anulam mas que ainda assim são todas tidas como válidas. Como se a fada dos dentes, o Calimero e Batman batessem certo na mesma história.

quarta-feira, abril 24, 2013

Surf, parte 2

Prezado foi surfar novamente. Ou tentar.
Como é um processo de aprendizagem e como foi a terceira ou quarta aula, desta vez já pude fazer uma comparação com outro processo de aprendizagem, por exemplo o da arte, tendo já dados estatísticos para análise.
Meter-me a aprender a surfar é como meter o Mondrian a pintar maçãs e odaliscas. A minha destreza numa prancha é comparável à firmeza de traço de um Polock. Tecnicamente, o meu estilo em cima de uma prancha é um esboço. O periodo azul de Picasso decorreu num espaço de tempo equivalente ao que levo para me meter em pé numa prancha. A prancha que me dão é o equivalente a um lápis com 40 cm, mina mole, mal afiado. O equivalente a darem a dica "para a próxima damos-te uma prancha de body-board" é acabar de desenhar a banana.

domingo, abril 21, 2013

Cartaz para domingo

Passei à porta do cinema do costume, vi o programa e só passavam clássicos.
Avisei o tipo da bilheteira que tinham uma gralha no cartaz

Outra gralha, o Cat Stevens devia reclamar

Não tenho muita paciência para cinema europeu

quinta-feira, abril 18, 2013

Aquela cena do Dove?

Publicidade a dizer que a beleza real é que é importante mas usar sempre a cartada da beleza em tudo o que faz é igual a ter o Zézé Camarinha a dizer que o interessa são os sentimentos.

Publique-se

Este estaminé fez 7 anos ontem.  Tenho de ser mesmo teimoso, foda-se.

terça-feira, abril 16, 2013

Paradoxo do dia

Tenho seguido entrevistas de emprego mas do lado de lá da barricada. Uma boa comparação, seguindo a metáfora do pão, será algo como:
- O Zé não tem aquele brilho nos olhos. É um bom profissional e de certeza que faria diferença na equipa. Mas mostramos-lhe o pão que fazemos, tem óptimo aspecto, cumprimos todas as normas e o gajo focado em coisas secundárias, como os armários cheios de cianeto, linguas de pato, caramelos... Só se ele tiver fé no trabalho é que pode entrar para a padaria.
 

segunda-feira, abril 15, 2013

Tudo normal

Noite de copos: onde se assistiu a um clássico, a esquizofrenia ética em que vivo: durante a semana levo com os empreendedores e o neo-liberalismo, ao fim de semana vou para os copos com os intelectuais de esquerda que sonham com o dia em que metem todos Migueis Gonçalves do mundo no Campo Pequeno. Engates: ver uma miuda pelo fundo de uma garrafa pode ajudar miudas a quem Deus não foi particularmente generoso, mas isto não é garante de nada. Quando vejo um gajo debater-se pela sobriedade e perceber que sim é só o alcool que está a fazer esta miuda parecer a Kate Upton e ainda assim deixar-se cair na tentação a um ponto de relutância tão grande que vi a miuda a levá-lo do bar com recurso a pontapés no cu - literalmente - percebo as raizes do proibicionismo e finalmente voltei a por som, não sem muitas gaffes, culpo o material, não gosto de DJ's da tanga que metem som com portáteis, computadores tenho no trabalho e chega, ainda apanho um engate disfuncional ou não, não percebi como era, ela queria levá-lo para casa, ele não queria levá-la para casa, ela agarrava-se ele dava-lhe festas no cabelo, ela chorava ele dava-lhe festas no cabelo, ela deve ter acabado a noite a precisar de lavar o cabelo. Vi isto tudo porque a idade não me deixa beber muito e estar sóbrio no meio de bebados é como ser o super-homem no meio anões amputados. Super-visão, super-audição e super-seca.

sexta-feira, abril 12, 2013

Republicanos

Fui a uma jantarada de uma república. Das boas, não destas onde vivemos. Daquelas de universitários. Habituado a dividir casa, pensei que era mais uma casa dividida por mais pessoas que o habitual, mas não. É uma casa dividida entre universitários, numa idade longínqua que agora me parece uma adolescência com mais bebida, mais sexo e mais livros, tudo numa espécie de gruta pitoresca com cheiro a pó e chulé no ar, pouca luz e muitas camas e sofás. Uma camarata. Pois, é bastante parecido com uma camarata. Se tivessem candeeiros às cores, também seria algo parecido com um bar hipster.
Faziam-se 2 jantares. Um rápido - o meu - e a Jantarada. A Jantarada implicava uma óbvia dose gargantuesca de bolonhesa. Contei 8 pacotes de esparguete inteiros. E depois vi uma receita escrita à mão, ao lado do fogão industrial. Ia ler quando apanho o diálogo entre uma menina e o cozinheiro.
- Estás a fazer tudo tu?
- Sim, estou a seguir essa receita aí.
- Ah é tua?
 - Não, é do Jamie Oliver. Gosto muito das receitas dele.
 Espera. Depois de ter visto este gajo despejar 2 litros de molho de tomate na panela com tamanho para um borrego inteiro, mais meio frasco de sal na carne, a receita é do Jamie Oliver? Ainda têm papilas gustativas?  Deve ser uma edição especial para regimentos de infantaria do burkina faso.

Adenda: ainda há quem use banha.

quarta-feira, abril 10, 2013

A porra do tempo

Lentamente instalou-se a puta da idade no meu sistema. Infelizmente a memória que normalmente é péssima para fixar coisas importantes, como o tipo de letra no rodapé no site que desenhei ontem, revela-se espetacular a recordar como conseguia comer um bisonte e nunca ter azia. Ou subir a Alameda sem subir a pulsação a 180. É o colapso total. Já não tenho tolerância à cerveja, secretos de porco preto têm muita gordura, não posso deitar-me mais tarde que as 5, não posso levantar-me mais tarde que a uma, se trabalho muito fico com os olhos a pingar sangue no teclado, se descanso demasiado fico com dores nas costas, prevejo o pior possível ou se calhar estou a precisar de férias.
Agora que esta merda toda está a dar buraco, resta-me por o dinheiro no colchão e usá-lo como jangada.

terça-feira, abril 09, 2013

Classificação taxonómica universal

Princípios básicos de taxonomia para parapeitos: A. Parapeito, B. Parapeito
Tomem-se em conta quaisquer dois sujeitos aparentemente iguais, mesma espécie, mesmo genus, família distante, desordem total, sem classe, reino dividido em todos os domínios. A ambos os sujeitos foram atribuidos 4 macacos-rhesus que foram aplicados a cada canto, devidamente monitorizados continuamente: 8 deputados, providos de apenas um botão ligado a um aparelho de eletricidade accionaram-nos a cada reacção atestada como senciente e inteligente, mediante testes simples. Aplicado este método com parapeitos, cadeiras, bidons, maçanetas, assadores de sardinhas - em ferro e em barro - , os referidos macacos, em testes duplos-cegos, não detectaram inteligência alguma nos deputados.

domingo, abril 07, 2013

Comentadores e cenas

Esta cena dos telejornais com ex-ministros como comentadores já farta e agora que transformaram Marques Mendes em LMM - o logo dá um ar institucional mas demasiado museu-contemporâneo-com-logo-desactualizado - este confirma quem servem quando, a propósito de Relvas, e depois de um longo dissertar sobre o peso dos defeitos e qualidades num político, lembra que os políticos não são todos iguais, como em todas as profissões há maus e bons e que Relvas é um destes últimos.
Puta co pariu?

quinta-feira, abril 04, 2013

Punhos de queijo


Spot - Punho de Queijo from Ren Stimpy on Vimeo.
Esta história do Miguel, do Relvas e desta promoção do empreendedorismo como solução final para o extermínio dos desempregados não me tira o sono, cada vez mais percebo que este tipo de gente sempre cá andou e sempre vai andar. Sigam. Mas, anda um tipo a estudar anos, a trabalhar mais uns quantos, altos e baixos, baixos e altos, aprende, desaprende, especializa-se, aprende mais, dá horas e horas e horas à casa e aparecem estes artistas - eu é que devia ter ido para belas artes, tinha-me divertido mais e no fim ainda me ria disto, nunca ia estudar nada que servisse para este pessoal, só querem gestores, provavelmente - a deitar por terra o trabalho de anos a fio. Não o meu trabalho profissional, tangível, o que faço, o que (mal) me paga as contas. Esse segue. Digo o trabalho que tenho, paralelo a esse, de todos os dias ter de provar que há um método, há uma razão e que se calhar já somos ( designers, óbvio. Levo isto a peito porque trabalhamos um campo comum ) multifacetados demais. "Bater punho"? Não, pá. Soundbyte manhoso, tão chispalhada com coentros que nem vou pegar nisso -  Há espaço para tudo, mas para opiniões gratuitas, generalistas e fraquinhas sobre o trabalho dos outros, já nos bastam os empresários habituais. Se é esta a modernidade, fico-me pelo que já conheço, bacano. Métodos datados, má gestão, preconceitos, má fé, essas tretas que fazem perder tempo e dinheiro a todos.
Desvirtuar o trabalho que não é espalhafatoso é baixo, pá. 
É incrível, mas há gente que gosta de trabalhar no que gosta e não ache que trabalhar seja uma actividade circense.  
Sim, sejamos optimistas.
Não, não vamos baixar os braços.
Mas para isso tenho de abdicar de ter sentido crítico e do cérebro? Pá, não duvido que essa conversa dê frutos ( só para uns quantos, claro, é por isso que funciona ), mas não funciona com quem consegue perceber como é um vacuo absoluto. 

Sempre que ouço gajos destes a falar, visualizo o ar dentro do cano de um canhão. É ar na mesma.

E a política, finalmente, porque isto do trabalho a sério nunca meter política, cheira-me sempre a esturro, pessoal que não mete política no trabalho leio sempre como pessoal-que-não-mete-horarios-regalias-direitos-greves e afins no trabalho.
Eu sei que é de posts destes que vive o Miguel. Com este post, mais 2 ou 3 pessoas ouvirão falar dele e há mais 2 ou 3 hipoteses do seu nome vir à baila numa conversa, top of mind como ele diria, e ser chamado para fazer qualquer coisa, gratuitamente, como ele exibe.
Felizmente ainda há outros valores que não o marketing. Fiquem lá com a bicicleta, pá. Fixed gear.

quarta-feira, abril 03, 2013

Pasmo

Chego a casa e encontro isto. Deus, a prova de que o empreendedorismo é só uma forma de religião encapotada. Abençoados os pobres de espirito, venham a nós os inocentes, matem os primogénitos ou ceguem-nos à nascença para não verem isto, queimem incenso até sufocar o rebanho inteiro. Deus, mas explica-me como é isto, como pode?
Eu quero acreditar em algo maior mas isto não pode ser, é assim que queres optimismo? optimismo é ver a realidade como ela é e acreditar - não é fé, é saber - que temos algo para acertar nos 50% que têm hipóteses de se safar, porque têm valor, porque têm uma ideia, um chão, qualquer coisa de tangivel para oferecer aos outros. Este tipo, Deus? Isto é religião e das fraquinhas, fé cega, fé de burros acredito porque sim porque insisto ceguinho insiste na lotaria insiste que vais ganhar, não, não é isto, Deus. Este tipo não oferece nada, só tira, rouba inteligência, é como as religiões mas pior porque se mascara - no fundo deve ser o belzebu em forma de ginjas da Ribeira, vem associado à política, não pode ser bom - de pastor histriónico promete qualquer coisa mas nem tem a certeza do que promete, essa parte já não sabe responder, o importante é o caminho, coaching para coxos, devagar se vai ao longe mas chega-se lá não sei onde. Deus, desde quando é que tipos que falam assim chegam a algum lado?

Adenda:

"tipos que falam assim"

Ferreira do Amaral, Ministro.
Marques Mendes, Ministro.
Cavaco Silva, Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da República.
Eu.

Adenda 2:

O Ressabiator deve ter uma opinião melhor que a minha.

terça-feira, abril 02, 2013

Emigrem emigrem

Mais uns tempos e ficam cá só os indiferenciados ou aqueles que por força de não haver mais que fazer, se indiferenciam de dia para dia.
Se não podemos ter um governo com algum nível, a emigração compensa com uma selecção indefectível.

sábado, março 30, 2013

Lisboa

Portanto isto é suposto ser um corvo?

Tenho andando a dormir

Não dei pelo Sócrates voltar, não fossem as vezes que vi a palavra "narrativa" espalhada no facebook. Não dei pelo pessoal que se intitula republicano e usa este termo como se fosse atestado de qualquer coisa a lembrar que este Sócrates foi o percursor do Relvas na luta pelas licenciaturas instantaneas de pacote. Não dei pelo Passos uma semana inteira, deve andar a dormir mais que eu. Não dei pelo Seguro excepto num ou outro soundbyte, área em que deve ter uma licenciatura de pacote. Não dei pela cara do Relvas sempre sorridente ah a certeza de ter costas largas, assim ao estilo do Belmiro, a liberdade de sorrir e saber que não interessa o retorno, pode dizer o que quer. Não dei pelos comentários do Marques Mendes. Gosto da maneira de desenho animado a mexer-se e o tom professoral mas em registo saxofone contralto. Também não dei por esta quantidade de ex-políticos / futuros políticos a descobrir que é mais proveitoso fazer o respectivo debrief-de-insider  / warm-up para eleições como comentador do que efectivamente ser político, só vantagens, uma espécie de avatarização da política,  este aqui não é o marques mendes mas um comentador com as mesmas opiniões que ele. Não dei por esta merda toda porque tenho largado as notícias nacionais e só sigo as americanas, com grande vantagem para a minha sanidade: estão lá longe, os políticos são mais cómicos que os nossos, as mudanças são reais, as coisas acontecem, fala-se da realidade abertamente, denuncia-se tudo, de parte a parte ninguém deixa pedra sobre pedra, com a vantagem de acompanhar um quotidiano 5 anos à frente no tempo.
Quando é temos impressoras 3D em barda?

quinta-feira, março 28, 2013

Ser poeta é ser mais lipsum

O design está nos detalhes, como o diabo. Demonstração básica, depois de ver maquete enviada por um cliente.
Texto simulado por um designer:
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Texto simulado por um cliente:
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asdfasd f as dfa sdf as df as df sad fa sdf as df as df asd fas df
fasfasdf asd fasdf asdf a sdf as df as df asd f asd fa sdf as df aef sd fhg sd as e fas  a
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sábado, março 23, 2013

Incha

Só tenho especial orgulho em um ou trabalho que tenha feito. É condição de designer ter de permanentemente contornar convicções a troco de um cheque.
O orgulho vem das ideias. A execução, vejo-a cada vez mais como um detalhe que passaria bem sem o fazer. É ter ideias e vê-las executadas ( como eu quero ) e apreciadas pelos outros ( nem todos ) que tem realmente piada. De resto, não se ganha nada só a ter ideias, é chato mas é a verdade: O dinheiro fica com quem as vende, não com quem as tem. Como me farto de dar dinheiro a ganhar a outros e gosto de meter pedras na engrenagem sempre que posso, a melhor coisa que fiz até hoje não deu dinheiro a ninguém:
Num team-building - sim, essa praga - da empresa onde trabalhava, fomos para um hotel no meio da neve. Desde o momento em que soube onde seria o evento, dei-me ao trabalho de cortar imprimir montar as gémeas do hotel do The Shining, em tamanho real, numa placa. Depois transportei essa enormidade 200 km sem dar manca. Finalmente, durante a noite, plantei-as no meio do corredor de carpete hipnótica para gaudio de todos os hospedes e da empregada da limpeza que ia morrendo de síncope quando se cruzou com elas. 

quinta-feira, março 21, 2013

Cheio

Portanto o caminho é, como sempre, minar a sociedade por dentro e fazê-la desabar sobre os seus próprios alicerces, e nisto meter o mundo a andar para a frente. Mas para o conseguir, tem de ser com jeito. Como se usasse uma colher enferrujada para escavar cimento armado.
E é isto a diplomacia; Não tenho paciência.

terça-feira, março 19, 2013

Aprendi uma cena nova

Um post rápido
simples e bem conciso
foda-se, e deu.

domingo, março 17, 2013

Sindroma de Estocolmo à mesa

Quem tenha ido a uma repartição das finanças nos ultimos tempos lembra-se bem de como funciona o pequeno poder. A empregada que está mal disposta e que pode empatar tudo uns meses, o segurança que gosta de ser gestor de tráfego e guarda de fronteiras invisiveis, a controlar como as filas andam, até onde andam, que faz a voz séria a mostrar a gravidade do que é perguntar-lhe as horas ou se a fila é aquela ou aquela ou aquela mas o verdadeiro terror, o fascismo real e tomado por benigno nasce nos tascos.
- Então o que é que vai ser?
- Queria o bife da vazia, bem passado.
- ah, você não vai querer isso.
- ah não?
- Na. Se fosse a si ia no arroz de pato.
- mmm Eu vinha mesmo pelo bife, disseram-me que era bom aqui.
- Vá no que lhe digo que não se arrepende.
- mmm ok, bom, venha lá o bife.
- Vai ver, no fim diz-me se tive razão ou não.
E é neste clima de opressão e medo que se come um prato que não se quer. Sempre tendo em vista qual será o motivo obscuro que levará um empregado dum restaurante a aconselhar-nos a fuga de um prato para o outro. Caiu no chão? é de ontem? é cavalo? Se dissesse que queria o bife na mesma ia sofrer represálias?

O mais estranho é que gostamos disto. Se não fossem estas tretas já tinha emigrado e os que pensam voltar é disto que têm saudades.

Parece o governo

F243562-se o Shift partiu-se.

sexta-feira, março 15, 2013

Ateismo desinformado

No tasco, mesa com um velho e dois comparsas mais novos, todos trolhas.
- Lá estão outra vez com esta merda do papa!
- Não se calam com isto.
- É argentino? Tá tudo fodido.
- Tou farto de ouvir falar disto. Mas que raio de interesse é que tem este estupido de barrete na cabeça?
- Ele é papa-pedófilos.
- Ele é papa-meninos.
- Ó Zé tu acreditas em Deus?
- Eu? Achas? Isso é uma tanga que eles inventam para viver à grande à conta dos outros. A mim não me enganam. Vais lá à igreja e tens de dar dinheiro, vão prá puta cos pariu.
- Mas Deus existiu ou não?
- Sei lá. Acho que não. Sabes lá, já foi há muito tempo, sabe-se lá o que é que aconteceu.
- Pois é.

quinta-feira, março 14, 2013

No shit

O papa é conservador, dizem.

Nota: Reparei  agora que o nome dele se lê Bergolho. Acho que em Portugal vão ficar-se pelo "Francisco".


quarta-feira, março 13, 2013

Já chega de Papa, não?


Combinei com o Nazareno o seguinte: Uma heresia por cada dia a mais de conclave. Estou farto desta merda, parece que isto tem algum interesse, só falta meterem uma puta duma webcam a apostar pra puta da chaminé a fazer stream dia e noite sim só falta isso espera sempre que me lembro de uma coisa parva ela já existe vou ver. Foda-se.

terça-feira, março 12, 2013

Fiquem com esta

Não se vê a ponta de um corno.

segunda-feira, março 11, 2013

Ler blogs de oddities dá nisto

Sonhei com uma batalha entre um exercito ibérico e o israelita, uns muito desorganizados o israelita muito implacável, de um lado carros blindados de saltavam sobre as dunas do outro vasos de guerra e muitos civis a morrer nas mãos de snipers e infantaria que felizmente não resistiram à defesa incansável de 3 bonecos de lego gigantes. Bonecos de lego gigantes. Vivos.

sábado, março 09, 2013

No dia seguinte ao da mulher

Lembrei-me agora, seguindo mesmo princípio do que acontece no dia da mulher, espero que no 1º de Maio, dia do trabalhador, me paguem um jantar.

sexta-feira, março 08, 2013

Hoje é aquele dia

Em que vejo os murais cheios mensagens sobre como gostam das avós fortes, das mães fortes e das mulheres fortes. Deixem-se de cenas, digam logo: são gordas, porra.

quarta-feira, março 06, 2013

Descarga dupla

Rais parta a religião. Aprendi a tolerar a católica porque melhora o meu dia-a-dia: Multiplica as velhinhas que dão milho aos pombos, obriga-as a ir à igreja religiosamente em vez de só parcimoniosamente, leva-as a temer Deus irado e de barbas emaranhadas nos apontamentos tu inferno tu inferno tu inferno tu céu tu limbo Chavez és tu? Inferno tu E as velhinhas ficam mais simpáticas, matam menos, velhinhas a matar seria o fim do mundo ninguém suspeita, não quer um chá senhor Lopes obrigado dona Gertrudes mas tenho de ir fazer debugging de uma base de dados em MongoDB e não posso ficar, Pau arsénico no chá. Em 4 meses acabavam com a humanidade. Aprendi a tolerar a religião porque melhora o meu dia-a-dia: Budistas pacifistas? encham o mundo deles, desde que não me falem sobre energias mantenho as minhas intactas não as gasto em pensamentos negativos. Juntem-se juntem-se uns em casa dos outros mas não me venham dizer que são diferentes dos aprendi a tolerar Testemunhas de Jeová, todos, os a sério e os que pintam a fachada com letras gigantes "Nós SOMOS NORMAIS" e chibam os atrofiados como extremistas força nisso eu não tenho problemas com gente que não diz os Parabéns a ninguém e que não pode dizer asneiras, eu digo asneiras pelos 2 ou 3 seja, ah nem puta podem dizer? e quando puta é mesmo puta? aí coram? tudo bem, mas elas não deixam de existir. Aprendi a tolerar cabalistas. É fácil, conheço 2. Aprendi a tolerar Protestantes o que até é fácil o Deus deles é bastante prático e não se mete no caminho. Aprendi a tolerar muita coisa. Mas tolerar empresas a fazer o lugar de religiões, acho que nunca vou aprender. Só lá vou para trabalhar.

segunda-feira, março 04, 2013

País para velhos

Há uns dias, apanhei um taxista que me explicou o que é que está mal neste país e desde quando: é desde o 25 Abril que isto está, como ele disse, uma merda.
Nas manifs cantam-se hits de há 35 anos. É sempre a mesma merda. O produto nacional com mais potencial, o turismo, é roupado de retro-vintage em tudo o que é promoção. Alentejo é copos de tinto e tascos, Lisboa é copos de tinto e tascos, Porto é copos de tinto e tascos. Todos de bigode na tromba e nos miolos. Tudo uma merda. Nos partidos aguentam-se os barões até cairem de podres, esses filhos da puta. O PC, esses comunas, têm o mesmo discurso há 35 anos. A televisão convida os mesmos comentaristas  -  O mais novo deve ser o Camilo Lourenço e esse faz-me considerar seriamente a instauração de Gulags ou a exportação para os EUA, país onde seria recompensado por tão astutas considerações - há decadas e são uma merda. O Soares é  uma merda. O Passos, pareceu-me que também era uma merda. E o país também era uma merda.
No fim da corrida, depois de não lhe ter deixado gorjeta - seria o habitual, o meu avô foi taxista - pensei que se este país um dia deixa de ser uma merda, um taxista que passe o caminho todo a ratar em tudo o que se passa no país, é capaz de ser uma merda. Mas até lá...


domingo, março 03, 2013

Baseado em factos reais

Rita acreditava em karma mas só para coisas pequenas, como torcer um mindinho de um pé no minuto a seguir a não dizer bom dia ao vizinho do 5º esquerdo ou depois de levar uma cotovelada no estômago na fila do Starbucks depois de mentir a dizer que se chamava Samanta. Até ao dia em que largou a vida corriqueira e sadia e a trocou pela aventura com um guionista de sitcoms. Nunca mais a vida chata de suburbana, tinha o que sempre quis.
- Olá 'mor já tão cedo em casa?
- Sim.
- Estou murcha hoje... Faz-me rir.
- Agora? acho que estou com psoríase. Não estou mesmo com disposição, acho que vou morrer.
- Não vais nada. Olha, comprei estes sapatos que combinam com as cortinas e a toalha de mesa. O que achas?
- Como é que podes pensar nisso tudo quando estou quase a morrer?
- Que é que queres dizer com isso, fazem-me mais gorda?
Como, então o gajo não a faz rir? Não é género Jessica Rabbit? "ele faz-me rir" e assim? Há algo de profundamente errado aqui. Explica lá isso.
- Quando era miúda o meu homem de sonho era o Markl.
- ah e acreditas em Karma? Se é assim, estou a ver que funciona, o castigo da Ana Galvão foi fodido.
- Não sejas parvo, o Markl é geek e humorista, pensei que ia ser como sonhei.
- Então, mas se o gajo é guionista e só escreve essas comédias românticas light que tu gostas...
- Sim, mas ele é assim género Woody Allen, em casa não diz nada, não faz piadas e acho que tem paranoias.
- É tipo palhaço triste, é isso?
- Não é palhaço, é guionista.
 
A vida real é sempre melhor que as ficções.

Mea culpa

Queixo-me muito dos meus clientes. É verdade. Tenho aquela merda daquela postura de artista incompreendido e vá-se lá saber, é porque sou mesmo. Não digo artista, mas digo incompreendido. Não digo incompreendido pelo que faço, mas digo pelo que dizem. O que me custa realmente não é não compreenderem o que fiz, é não haver um léxico comum entre clientes e designers. É um problema de vocabulário, não de estética.
Um trabalho pode ser só "giro" ou pode ser só "uma merda", ou poder não ser aquilo que queriam, ou poder ser um monte de outros adjectivos que não estão propriamente na lista dos mais correctos para descrever o que querem, mas isso nem é o que me queixo. Isso só fico apreensivo e penso no que poderia ter feito melhor. O que me fode é haver gente que acha que domina o léxico e diz que quer uma coisa mais "funk" ou "trash" ou "clean" quando na verdade "clean"quer só dizer "isto é uma palavra que ouvi e que não reflecte obrigatoriamente um conjunto de características reconhecidas por um grupo de profissionais nem é uma opinião objectiva". Por isso, fiquem-se pelo "giro" ou pelo "está uma merda", evitem usar termos reconhecidos. Dá-me para o paternalismo e começo a explicar teoria do design e é chato.

sábado, março 02, 2013

A Manif: uma teoria que só funciona para hoje



Se é certo que toda a esquerda continua e continuará a ir

a todas as manifs, assiste-se à democratização da manif
no sentido em que aparece cada vez mais gente que não era hábito

Pessoal mais velho, mais calmo,  mas mais instatisfeito que nunca


que não liga muito às tradições das manifs Lisboetas

e traz mais variedade à massa de gente que as compõe

que comprovadamente, não confia em partidos,

e suspeita que não são precisos, pelo menos nos moldes actuais.
Podem não saber o caminho, mas este não o querem.
E foda-se, quando vou a chegar a casa, dou com isto numa montra.
E dizem que não há milagres.

sexta-feira, março 01, 2013

Pois

Não pá, manda a lei que se pode fazer humor com qualquer coisa. Isto é um valor absoluto. E se neste momento algo não tem piada para mim, claro que terá para muitas pessoas. Até essas que não são eu têm direito a rir-se.

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Lei da blogosfera torna-se dogma

Dados inumeros blogs com posts referindo-se a uma mesma entidade abstracta  não identificada, essa entidadde será o binómio Pipoca-Arrumadinho.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

50/50


Calhou ter uma colega de trabalho que é muito espiritual - foda-se, provavelmente está no meu caminho e não é por coincidência tudo tem um motivo para acontecer, deve ser para eu desbloquear, mas não adianta perdi o pin - e consome muitas espiritualidades, junta tudo numa fornalha cristais anjos kabalah yoga reencarnação tai chi budismo energias karma Jesus - na volta é algum karma que eu tenho, noutra encarnação devo ter sido uma segunda edição de um livro do Paulo Coelho e agora tenho de pagar pelo que fiz e talvez reencarnar como varão na dona kikas ou sanita qualquer coisa menos Paulo Coelho - e qualquer coisa nova que apareça. Esta cena de coleccionar crenças como quem faz uma playlist no iTunes, pequeno almoço Jesus almoço Lena D'água lanche Buda, Yoga com pedaços pra sobremesa, DEUS, explica-me, logo eu que não acredito em agnósticos porque me parecem pouco cépticos, ateus chateiam-me porque não falam de outra coisa senão de Ti, porque karma é que eu tenho de gramar com as vibrações de gente que não põe nada em causa? Se sabes que isto é tudo uma questão de sorte porque é que não explicas isso? manda um sinal.
Acho que vou arranjar um nome para esta personagem, que isto vai ter continuação.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Odisseia, Making off

Quero agradecer ao Pascoal pelas dicas sobre preços, pela condução e por não beber. É um putanheiro com ética*. E quero agradecer ao Januário por se lembrar que nunca fujo de lugares decadentes. 
Passámos umas 10 portagens.
O casal da inveja tem o melhor nome do mundo.

O Ribatejo tem boas estradas, especialmente as secundárias.

No Ribatejo só se comem tremoços e amendoins, felizmente há roullotes.

E tenho de agradecer o cattering das 5 da matina.
*Eu sabia que me ia esquecer de qualquer coisa: Na Kikas, a dada altura rebenta uma bomba de mau cheiro durante um strip. A dona Kikas não achou piada e discursou durante um bocado sobre como há brincadeiras que têm piada e outras não e como ali se brinca muito mas com ética. Disse ela enquanto estava um gajo nu a fingir que caga no palco numa sanita para anões. Ah, a ética.

domingo, fevereiro 24, 2013

Odisseia VI

Indo buscar mais uma mini, reparei na roliça da casa. Não sei se propositadamente ou só porque calhou aqui no escrito ou no pensamento, a miuda, além de roliça também era noviça e também podia ser vitima de rimas brejeiras na linha a seguir,  já o tinha feito com a Clarissa.
Mas não, era só roliça. Cara de menina, pensei se não seria um esquema de captura de pedófilos, parecia uma adolescente ucraniana - o que quer dizer que pode conseguir rebocar um cacilheiro com os dentes - movimentos pouco soltos, quase tímida, olhos azuis, um velho de cabeça no colo dela, devia estar a descansar. Ela, não o velho.
Um bocado na conversa mas baixo, ainda temiamos sermos escolhidos para algum ensaio sado-maso da dona Kikas e começa outro strip. Desta vez era a virgem de há 3 linhas atrás.
Farda de hospedeira de bordo a rebentar pelas costuras, timidez pois só se for eu, a pobre de Deus deve ter perdido a timidez nos Urais em 84 e rola na argola presa no tecto, em pontas. Muitas curvas, mamas empinadas a flor da idade que não percebi qual seria. Palmas palmas, dona Kikas puxa pelo público. Aproxima-se, troca algumas palavras com o Pascoal.
Pascoal admirado diz que se quisermos podemos ir visitar a zona das meninas. " eu venho cá há que tempos e nunca me tinha convidado! É uma sorte. É uma honra, pá.". Pensando como o conceito de honra é algo estranho quando estou a meio metro de uma fonte com anões de jardim e golfinhos e neons, claro que temos de ir ver na mesma honra caguei na honra quero é ver o backstage desta cena. Esperámos pelo ok da dona Kikas, deu sinal ao segurança que guardava a porta branca ao lado do palco, subimos 3 degraus, Pascoal à frente, entrámos.
Por momentos só me lembrava do Avatar.
Eu, Pascoal e Januário de queixo à banda. Entramos num pátio interior, misto de garagem, jardim suspenso e estaleiro onde tudo é é o cataclismo visual as minhas retinas não aguentavam tanta coisa o cérebro estalava com informação: do tecto a uns 6 ou 7 metros um laser azul que pintava umas mesas de esplanada com flores de plástico com 2 metros de altura com uma mesa central com uma palmeira gigante tudo azul laser azul apocalipse à frente estão empilhadas parece a frente de um navio empilhadas cabines pre-fabricadas com passadiços de metal a unir escadas e portas, cada uma tem uma menina à porta, apocalipse, à direita uma piscina redonda azul com nenufares, boias e lotus de plástico com 2 golfinhos às cavalitas um do outro para não dizer a enrabarem-se a cuspir água para a piscina, os golfinhos feitos de cimentos pintados de azul, a mota do strip anterior à esquerda, tudo isto com o laser azul a flashar por cima de tudo e a palmeira azul do avatar e 3 gajos que achavam que já tinham visto de tudo não conseguiam falar sequer.
- ... Tás a conseguir apanhar tudo o que se tá a passar? - Perguntou o Januário.
- ...Ainda estou a absorver. Nunca vi nada assim.
- Epá, isto é altamente.
3 gajos parados no meio deste jardim suspenso da realidade, uns minutos calados, acho que foi como ver um ufo ou uma santa em cima de uma oliveira ou sarças a arder, tenho de dizer obrigado à Kikas, fui criança por uns minutos, vi algo mágico e que nunca vou esquecer. Estafados com a experiência despedimo-nos e arrastámo-nos até ao carro, prontos a continuar.
- Achas que te consegues lembrar de tudo?
- Epá, eu tentei, mas até me doi a cabeça.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Odisseia V

A miúda rebolava com vontade, a roupa já tinha ido toda e ela rebolava-se no palco com o relato da dona Kikas há uns 10 minutos. Lembrava-me do strip de há uns tempos em que o barulho do fio dental a cair no chão era o sinal para a menina sair do palco, a correr; Strippers tímidas é uma coisa que me faz confusão.
Acabado o strip, dona Kikas foi fazer sala. Veio cumprimentar o Pascoal o habitual, apresentou-se a  mim e ao Januário, ao balcão. Foi a única altura em que desligou o microfone, colado à cara. O tempo restante, limitou-se a insultar todos os homens da sala. Um pobre de Deus estava a achar especial piada a tudo - se calhar não estava a levar aquilo tudo a sério e estaria a pensar que era tudo uma cambada de bimbos putanheiros e isto como é sabido exala um odor detectado por matronas - e foi chamado ao palco, o engodo era uma aposta com 20 euros em como não baixava as calças pareceu-me, a conversa passou rapidamente do erotismo de revista à volta do cu da ultima bailarina para - eu disse bailarina e tudo - a escatologia, depois de um diálogo com muito maus ganchos a coisa fica assim já depois de ter ficado sem calças e sem roupa:
- Então não te dá vontade de cagar? - Matrona nos altifalantes.
- .... - Tipo lisboeta de calças no chão, com sorriso amarelo.
- Dá dá, agora vais ter que cagar aqui. Ficas aqui no palco, espera lá. Tragam a sanita, vais ficar aqui 20 minutos.
E assim estão 40 marmanjos de mini na mão, um desgraçado no palco, todo nu, a ler o jornal e a fazer que caga numa sanita para anões. Claro que como isto parecia pouco, a dona Kikas segue com o show e ao gajo nu do palco junta-se uma stripper que vem de mota - não é expressão - a mota vem com luzes vermelhas verdes azuis em cima em baixo de lado atrás ela faz a dança em cima da mota, o cheiro a escape dentro do bar já começa a ser meio puxado, a dona Kikas realça a nobreza de carácter da Clarissa, disposta a tirar o desgraçado da sanita mas mantendo-o no palco. A aposta muda: visto que os 20 euros já estavam ganhos, o gajo já estava na sanita nu há meia hora, agora a aposta era se ele conseguiria não tocar na stripper em cima dele - todo nu - durante um bom bocado. Depois de exposto a várias posições onde aposto que com jeito até lhe deve ter visto as amígdalas e perdido 5 euros por cada toque na stripper - cagou no dinheiro, óbvio - e como isto tudo não bastava os amigos do tipo vão ao palco para lhe limpar o cu. Não entro em detalhes: Eu tive de prender as convulsões, o Januário virou as costas, eu tapei os ouvidos e assim, em 2013, em plena União Europeia, depois da invenção da fibra óptica e dos telemóveis pré-pagos, assisti ao momento mais escatológico da vida.
E diz o Pascoal: "A Kikas só faz coisas destas, mas esta nunca tinha visto."
Entretanto o Januário está em conversa com uma moldava. Estavam a falar das muitas coisas que tinham em comum, acho: locomovem-se na vertical, polegares oponíveis, vivem em Lisboa. A quantidade de pontos comuns levaram a miuda a perguntar-lhe se ele "queria ir ali fazer o amorzinho." Amorzinho. Assim se vê como os povos de Leste se adaptam rapidamente aos nossos costumes.
Dona Kikas volta ao palco. Quer saber se ainda há homens na sala ou se é tudo pixa-mole ou paneleiro. Desta vez vai oferecer uma garrafa de uisque a quem for ao palco, mas tem de ser homem macho. E aqui a dona Kikas revela-se um diamante em bruto; é dominatrix sem saber.
Agarra num emigrante que veio de Paris de França comemorar o aniversário com os amigos e encosta-o à parede:
- Ouve lá, és homem ou não és homem? - estou a ouvir-lhe a voz rouca, um misto de Amiga Olga com uma Teresa Guilherme das barracas normal.
- Sou.
- Então vais prali pro palco e vais mamar na banana de um amigo teu.
- .... - Acho que já vi pessoal com melhor cara num enterro.
- Mau! Vais-me dizer que não és homem que chegue pra mamar na banana do teu amigo?? És paneleiro??
- ....
E assim, graças à dissonância cognitiva, pudemos todos assistir a 2 homens adultos no palco, um a comer uma banana no meio das pernas do outro, a custo. Lição de vida: metam um gajo à prova e ele é capaz do acto mais rabeta só para provar que é homem.
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quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Odisseia IV

Saimos da cidade rumo ao Ribatejo.
Já tinha ouvido falar de um daqueles sítios perdidos para o meio dos arrabaldes e desta vez o amigo do Januário, o Pascoal, ia servir de cicerone. Pelo caminho, A8 acima, enquanto o carro ia aquecendo e absorvendo o cheiro dos hamburgueres, o Pascoal ia fazendo a introdução ao tema casas-de-meninas, enquanto contava do companheiro de poker que não veio e das meninas com quem trocava SMS's.
- Mas trocas sms's com ela?
- Sim ela gosta mesmo de mim, parece-me.
- Mas vêem-se cá fora?
- Sim, até vamos ao café.
Aquilo não batia muito certo, não se deve misturar prazer com negócios e muito menos com cafés mas o Pascoal seguia. Na relação e no caminho. Depois da auto-estrada, as secundárias, as primárias, os baldios, os casais, chegamos a uma vivenda com uma estátua neoclássica à porta, daquelas estilo, não sei bem, bidé, estatuária de bidé, não, estatuária de jardim, mas aquilo só serve para base de bidé, o carro entra no jardim e é um sortido de estátuas de bidé, o menino-aguadeiro, a venus-de-versalhes, o pastor, tudo a distrair-me da entrada. Casa da Kikas, era o sítio. A entrada era um misto de Horta2 com um matadouro, sem nexo e sem deixar adivinhar o interior.
Pista de dança enorme e vazia, só 2 ou 3 mulheres a dançar, 30 marmanjos e velhos encostados as paredes e ao balcão. Uma ou duas sentadas no balcão e um russa que apesar de parecer que está sentada no balcão, não está: tem mesmo quase 2 metros.
Primeiro estranhei o gosto especial por estarem todos os gajos aos magotes uns em cima dos outros, sem dançar e praticamente sem falar, mas depois percebeu-se o porquê. Num bar onde não tem de impressionar nenhuma mulher para facturar, um gajo não tem de se divertir: pode ficar a fazer o que lhe apetece, nada. Há um episódio do Luky Luke que fala disto, lembrei-me.
Entra a dona Kikas. Matrona do século XXI, vem de microfone colado à cara e é rápida a cumprimentar todos os homens: penso que primeiro nos apelidou de pixas-moles e depois de paneleiros. Ou foi ao contrário.
Abertas as hostilidades - e aqui quando digo hostilidades é no verdadeiro sentido do termo - começa por apresentar um strip. A audiência continua imóvel, se apresentassem o fim do mundo a reacção era igual. Vamos ao balcão pedir uma imperial. Não há. Só minis. Só se bebem minis. Do lado de lá do balcão, neons e uma fonte gigante com um menino-a-fazer-xixi - manneken pis é pra lisboetas -  com uma base de golfinhos e alguns anões de jardim pintados. No palco a Vanessa torce-se toda e ao varão com piruetas e com vontade. A Fabiana ia aprender umas coisas aqui.
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quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Odisseia III

Saímos estafados e com o cérebro a transbordar de informação desnecessária mas impossível de apagar. Depois de muitas estradas secundárias sem engano, chegamos ao Casal da Inveja.  "É mesmo o nome deste sítio?" - "deve ser, nunca reparei nisso.". O Pascoal é fodido, só quer saber de putas e deixa passar estas pérolas. O sítio é escondido como o anterior, mais pequeno e mais pacato. Pascoal já avisou que é o mais fraquinho, mas que tem pinta. Eu penso se isto é positivo ou negativo.
Seguranças, revista à porta, o costume.
O bar é pequeno e tem pouca gente. Velhos nos sofás, mulheres ao colo, uma stripper anóretica anda a dançar pelo bar fora. Sim, o bar tem pinta: para quem acabou de entrar num casal no meio de um descampado algures no Ribatejo e dá com neons lasers chão com espelhos tecto com espelhos varão balcões retro-iluminados tudo, sim tem pinta. Ao contrário do anterior, vê-se que aqui ainda houve um projecto. Claro que esta análise é uma perda de tempo vinda de um menino de Lisboa que é interrompido na análise do projecto de arquitectura do espaço por uma senhora que se mete ao lado dele no balcão. Topa que não lhe vou pagar nada e desaparece. Puta. Mas digo puta no sentido verdadeiro do termo e não como termo pejorativo. Rebolava-se em todas as direcções da sala e impressionava a fila de gajos ao balcão com o método mais elaborado que já vi para se sentar num banco de bar: mais ou menos como quem monta um cavalo. Como o bar era pequeno, fazia este circuito em contínuo, género 500 metros barreiras.
Apesar do espaço para dançar, só elas dançam. Como a música não passava não passava do carrinho de choque brasileiro e a cabeça ainda estava a assimilar a experiência do bar anterior, saímos. Ala.
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terça-feira, fevereiro 19, 2013

Odisseia II

3 da manhã. O caminho vai afunilando: da autoestrada passamos para a nacional, da nacional para as secundárias, os casais, casario isolado, tudo caminhos conhecidos do Pascoal.
Chegamos a uma quinta, muros altos, o parque de estacionamento privado cheio. Passamos o triciclo dos ciganos com um tipo a ressacar ao lado e fico de olho na carrinha dos hambergueres ainda vazia de gente. Ainda vai dar jeito, pensei.
Passamos a revista, a 3ª da noite, cartão de consumo e estamos no corredor. Do lado direito há uma varanda com lareira, vazia. Ninguém está à frente dela porque lá mais ao fundo está muito mais calor.
São 20 metros de balcão. O balcão ocupa mais espaço que o bar em si e isto não é por acaso: Para quê perder espaço para andar ou dançar quando isso é secundário? O balcão desproporcionado serve de palco para brasileiras com pouca roupa e de corpo desproporcionado - ou bem proporcionado, para brasileiras - abanarem o cu ao som de duplas sertanejas. Os homens estão todos colados aos balcões e nem uma orelha abanam ao ritmo da musica. Estão ocupados a olhar para as meninas. Não precisam de dançar nem de se divertir. Umas horas de cu-vision em 16:9 e é como uma ida a Sierra Nevada ou as Caraíbas. A miuda à minha frente, que  - não sei se era da perspectiva, mas parecia-me vítima de microcefalia - abanava 2 cus - é a taxa de conversão Brasil/Portugal, uma bunda são dois cus - a 10 cm da minha cara e tanta anatomia nem sei que escrever é como conhecer uma quarta dimensão quando se viveu sempre em 3 o espaço não espera isto a profundidade expressa pouco a largura não chega a altura nem vem ao caso vou buscar mais uma mini, uma mini são 2 euros porra. Passam umas russas, trocam de dupla sertaneja mas a batida é sempre igual, as brasileiras e as russas são todas igualmente louras distinguem-se pelo crescimento, as russas crescem sem ritmo por isso crescem mais na vertical e não precisam de lentes de contacto para terem olhos azuis e um par de mamas gigante, as brasileiras abanam muito desde pequenas e nunca vingam na vertical. As lentes de contacto não percebo como influenciam isto.
Pascoal o habitué habitual mete conversa com a Jocileine, mais uma que ele jura que até gosta dele e que é mesmo boa moça e vamos andando.
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segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Odisseia I

5 da manhã, debaixo do viaduto em 7 rios. O Pascoal já cumprimentou a dona da roulotte das pitas shoarma. Enquanto esperamos os pedidos, vamos enxotando os pombos que se debatem por uns restos de um hamburguer. Os carros vão chegando, nenhum com som mais alto que o Megane de porta abertas que vai debitando Funk do Rio. A letra, e aqui uso o singular propositadamente porque as letras de Funk são tão primárias que se podem escrever com uma letra só, apesar de extremamente simples, não me deixa pensar. É um bloqueador neuronal e quero pensar que perceber isto a esta hora é bom sinal. O Januário está cansado, não veio metade do caminho a dormir como eu. Quase fora do viaduto, o carro ainda está quente e a noite foi-se fazendo fresca.
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