New-new-age.
Venho dum restaurante da moda onde, a meio do jantar, topo um casal com um puto a sair. Ele, um marmanjo com idade para ter juízo, a demorar 10 minutos a amarrar o puto à volta dele com um pano às cores, tipo chefe tribal de Alvalade.
Puto ao colo, segura o puto, puxa toalha, enrola, cruza, enrola, dá nó enrola cruza. Demorou o suficiente para pensar o que aconteceria se o gajo se esquecesse do telemovel no bolso da camisa ou como é que ia mijar, a cabeça do puto à frente foda-se não vejo a gaita ops já mijei uma perna não a minha a do puto raisparta apetece-me um cigarro agora tenho de desamarrar o puto e agora não posso correr se houver um incendio fico aqui com este bagulho a tropeçar-me nas pernas querida coça-me aí os rins que já estão dormentes troca-me a fralda do puto que já tenho a pança a cheirar mal isto era mais fácil noutros tempos mas espera:
Já inventaram os carrinhos de bebé e essas tretas.
Mas não, o verdadeiro conhecimento está numa tribo perdida em África, eles é que sabem como é que se cuida de um bebé, porque o verdadeiro conhecimento perdeu-se no tempo e vivemos numas trevas tecnocratas, felizmente eu eu e eu só eu, encontrei-o o conhecimento novamente num livro que só iluminados conhecem, um círculo gigante de iluminados que redescobriu as soluções medievais, - mas como é um medieval não-ocidental já é válido, só porque é distante e desconhecido - melhores que aquelas modernices imperialistas que a televisão vende,
Ok, já chega.
sábado, abril 05, 2014
sexta-feira, abril 04, 2014
O excepcionalismo tuga
Infelizmente é muito focado no fado, o tuga é determinista desde que nasce por culpa do fado. A sina, a morte a dor a saudade, essa treta toda que fica bem em poemas, o D. Sebastião que não volta, é todo um povo à sombra de um destino para lá do nevoeiro. No fundo, temos orgulho de ser uma espécie de Jamaica pouco optimista.
nota: inadvertidamente, este post é determinista.
nota: inadvertidamente, este post é determinista.
quinta-feira, abril 03, 2014
O humor
Eu pensava que tinha a coisa controlada. Apesar da quantidade de Monty Python, ia consumindo mais e mais stand-up americana, e cada vez mais visceral: comecei no Louis CK, passei para o Carlin, depois Bill Hicks, Richard Prior e cada vez mais para trás.
Mas mesmo assim não percebo bem o humor daquela gente. Deve ser todo observacional. Piadas com pretos, deficientes, indianos, asiaticos - já nem uso "chineses" -, minorias no geral, nem pensar nisso, qualquer coisa no ar da California faz com que piadas politicamente incorrectas sejam todas borderline, mas fazer piadas com Deus ou com o Jesus já é tolerado. Fiquei sem perceber onde é que ficava o humor negro, parece que não tem expressão. A título de exemplo: uma noite joguei este jogo, que aconselho a toda a gente, e a equipa portuguesa era a melhor a jogar. Porque, lá está, não tinha o chip do politicamente correcto implantado.
Mas mesmo assim não percebo bem o humor daquela gente. Deve ser todo observacional. Piadas com pretos, deficientes, indianos, asiaticos - já nem uso "chineses" -, minorias no geral, nem pensar nisso, qualquer coisa no ar da California faz com que piadas politicamente incorrectas sejam todas borderline, mas fazer piadas com Deus ou com o Jesus já é tolerado. Fiquei sem perceber onde é que ficava o humor negro, parece que não tem expressão. A título de exemplo: uma noite joguei este jogo, que aconselho a toda a gente, e a equipa portuguesa era a melhor a jogar. Porque, lá está, não tinha o chip do politicamente correcto implantado.
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| basicamente, uma carta diz MATA e a outra diz ESFOLA |
quarta-feira, abril 02, 2014
Culturas
Na verdade a maior diferença cultural que encontrei está nas sanitas. Não é uma análise superficial, não, a cultura de um país vê-se nos detalhes do dia-a-dia. Isto pode parecer conversa, mas atentem:
Uma sanita americana tem água até acima e cada descarga manda um chapão de uns 30 litros. Praticamente dá para lavar os tomates naquilo, não estou a exagerar.
Uma sanita europeia tem um resto de água no fundo e descarrega 10 litros.
É isto.
Morra a cultura morra. Pim.
Uma sanita americana tem água até acima e cada descarga manda um chapão de uns 30 litros. Praticamente dá para lavar os tomates naquilo, não estou a exagerar.
Uma sanita europeia tem um resto de água no fundo e descarrega 10 litros.
É isto.
Morra a cultura morra. Pim.
Fui ao supermercado
Já não pagava tão pouco à saida há 3 meses.
Não é que as coisas estejam baratas. Mas lá do outro lado são o dobro. Menos a junk food.
Não é que as coisas estejam baratas. Mas lá do outro lado são o dobro. Menos a junk food.
Exemplo
Aqui na minha zona, houve obras na rua.
A minha rua é agora o sonho de um empreiteiro de conluio com um presidente de Junta, arquitectado por um estagiário.
Pavimentos vários. Rampas para cadeira de rodas. Lombas. Mais lombas. Raias. Traços contínuos, interrompidos e mistos. Pinos de plástico. Pinos de metal. Passadeiras. Estacionamento em espinha diagonal. Sinalização horizontal sortida.
Isto tudo na mesma área que estava disponível antes, que não era muita. Uma rua de sentido único, apertada. Agora atravesso a minha rua e parece que estou no Portugal dos pequenitos. 3 passos e já passei 4 tipos de sinalização diferente.
A minha rua é agora o sonho de um empreiteiro de conluio com um presidente de Junta, arquitectado por um estagiário.
Pavimentos vários. Rampas para cadeira de rodas. Lombas. Mais lombas. Raias. Traços contínuos, interrompidos e mistos. Pinos de plástico. Pinos de metal. Passadeiras. Estacionamento em espinha diagonal. Sinalização horizontal sortida.
Isto tudo na mesma área que estava disponível antes, que não era muita. Uma rua de sentido único, apertada. Agora atravesso a minha rua e parece que estou no Portugal dos pequenitos. 3 passos e já passei 4 tipos de sinalização diferente.
terça-feira, abril 01, 2014
Constatações
- Aqui nem toda a gente anda de iPhone no metro.
- Aqui comem-se doses generosas mas ao tamanho do país.
- Aqui perde-se muito tempo a discutir com anões mentais.
- Aqui não há muita honestidade intelectual.
- Aqui não se resolve nada.
- Aqui gostam de adiar.
- Aqui perde-se muito tempo no micro-management.
- Aqui há bicas.
- Aqui chove o tempo todo.
- Aqui o tédio cheira a bolor.
- Aqui tenho mais que fazer.
segunda-feira, março 31, 2014
Comé?
Troquei dias de t-shirt ao sol a andar de bicla e máquina fotográfica às costas por isto? não me fodam.
De volta.
Filhos da mãe, que chego a Portugal e a primeira coisa que apanho é a puta da conversa da crise. Argh calem-se com a crise, foda-se, não há crise, é o mundo, o mundo é que é mesmo assim, não é crise. Dêem nome à crise. Escolham um. Passos. Relvas. Cavaco. FMI. Gente burra à escolha. Mas pá se querem que isto mude, apontem para gente que possam influenciar e façam por responsabilizar e cobrar de volta. Não digam Passos e depois votem Seguro. Isso assim é como tentar matar as baratas bebendo um shot de raticida. Apontem. Mas apontem bem. Na propaganda normal, despersonaliza-se o inimigo, inventam-se umas generalidades fáceis de odiar. Cá não.
Hoje chove que se farta. O português vai dizer "ah, o São Pedro hoje bla bla". Epá não. É uma massa de ar quente, não é um velhinho de barbas no céu. É o mesmo que fazem com a merda da crise. Não é a crise, é o Passos. Ou outra coisa qualquer. Percebam qual é: se o gajo do autocarro que não se cala com a conversa do Salazar ou a Paula Bobone ainda ter acepipes à borla em aberturas de centro comercial, o Markl a fazer a 12ª versao renomeada do homem que mordeu o cão em 2014, o Marques Mendes a fazer comentários com aquele ar de menino tonecas, as manifs na Escada, sortear audis em vez de promover o pagamento de impostos com medidas decentes ou aquele programa da tropa do humor que vi em zapping ( Pensei que era Jet lag mas aquilo existe mesmo ), não interessa onde está a culpa. Mas arranjem um culpado. A crise não conta.
Tinha saudades disto.
Hoje chove que se farta. O português vai dizer "ah, o São Pedro hoje bla bla". Epá não. É uma massa de ar quente, não é um velhinho de barbas no céu. É o mesmo que fazem com a merda da crise. Não é a crise, é o Passos. Ou outra coisa qualquer. Percebam qual é: se o gajo do autocarro que não se cala com a conversa do Salazar ou a Paula Bobone ainda ter acepipes à borla em aberturas de centro comercial, o Markl a fazer a 12ª versao renomeada do homem que mordeu o cão em 2014, o Marques Mendes a fazer comentários com aquele ar de menino tonecas, as manifs na Escada, sortear audis em vez de promover o pagamento de impostos com medidas decentes ou aquele programa da tropa do humor que vi em zapping ( Pensei que era Jet lag mas aquilo existe mesmo ), não interessa onde está a culpa. Mas arranjem um culpado. A crise não conta.
Tinha saudades disto.
quinta-feira, março 20, 2014
A dica mais importante para viver nos States
Sabem quando vão a um franchise qualquer de fast food em Portugal e o empregado, seguindo um manual de normas que não lhe diz nada, vos pergunta meio automaticamente se vão querer batatas extra ou uma coca-cola grande?
A maior parte das pessoas diz sim, só para o calar.
Essa técnica não funciona nos States.
Nesta terra há sempre resposta. Se digo que sim, quero queijo no hamburguer só para o gajo se calar e não me chatear mais os cornos com perguntas, vai-me perguntar que tipo de queijo quero e como não consigo lembrar-me rapidamente de nenhum queijo sem ser flamengo, o gajo vai debitar a ladainha habitual cheddar parmesian swiss foda-se e eu tenho de escolher um quando nem sei o que é que é suposto ser o sabor de um queijo qualquer num hamburguer.
Por isso: Digam sempre "não".
Ou se querem destruir as fundações do capitalismo, "You choose".
A maior parte das pessoas diz sim, só para o calar.
Essa técnica não funciona nos States.
Nesta terra há sempre resposta. Se digo que sim, quero queijo no hamburguer só para o gajo se calar e não me chatear mais os cornos com perguntas, vai-me perguntar que tipo de queijo quero e como não consigo lembrar-me rapidamente de nenhum queijo sem ser flamengo, o gajo vai debitar a ladainha habitual cheddar parmesian swiss foda-se e eu tenho de escolher um quando nem sei o que é que é suposto ser o sabor de um queijo qualquer num hamburguer.
Por isso: Digam sempre "não".
Ou se querem destruir as fundações do capitalismo, "You choose".
terça-feira, março 04, 2014
Tarifa intercontinental
Uma nota sobre política: Preciso explicar como é que funciona o sistema partidário aqui. É bipartidário, o que parece incoerente quando há tanta escolha para tudo. Mas não.
Os americanos são algo parecidos com os nossos taxistas.
Há taxistas de esquerda e taxistas de direita. Mas nunca deixam de ser taxistas.
Um taxista é um predestinado. Nasceu para lutar. Nasceu na terra lá longe. Foi para Lisboa. Foi para fora, para Toronto, para Londres, para Newark. Um taxista é um pioneiro e um visionário. Um taxista arrisca a vida todos os dias. Não tem tempo a perder com opiniões de chacha. Ou é, ou não é. Não há grey-areas. Debate? não há tempo. Educar? não há tempo. Isso pode-se tratar depois. Antes é preciso pagar contas. E a conversa é bonita, mas levar pessoal esquisito para a Brandoa às 3 da manhã é bom para o preto. Fazer serviços com ciganos? faz tu.
Os americanos foram criados neste mindset. Cada um por si. Deus sabe de todos mas só ajuda os audazes. A vida é uma selva. E todas aquelas frases feitas e citações de Sun Tzu em jpeg.
O bipartidarismo surgiu por causa da alergia a bullshit: Não se perde tempo com meias opiniões, porque as opiniões que importam surgem de crenças bem profundas. Sendo americano - o tal que não tem problemas com nada porque é um emigrante na sua própria terra - , não há problemas em dizer a sua real opinião sobre qualquer coisa. É-se livre. Se usa peugas às cores, é pro-choice. Se tem um carro que gasta mais de 20 litros aos 100, é contra a eutanásia. Se é alergico ao gluten, é contra a guerra.
Em Portugal, somos iguais. As opiniões que importam existem. Só não há é muitos portugueses com lata para ser um César das Neves.
Os americanos são algo parecidos com os nossos taxistas.
Há taxistas de esquerda e taxistas de direita. Mas nunca deixam de ser taxistas.
Um taxista é um predestinado. Nasceu para lutar. Nasceu na terra lá longe. Foi para Lisboa. Foi para fora, para Toronto, para Londres, para Newark. Um taxista é um pioneiro e um visionário. Um taxista arrisca a vida todos os dias. Não tem tempo a perder com opiniões de chacha. Ou é, ou não é. Não há grey-areas. Debate? não há tempo. Educar? não há tempo. Isso pode-se tratar depois. Antes é preciso pagar contas. E a conversa é bonita, mas levar pessoal esquisito para a Brandoa às 3 da manhã é bom para o preto. Fazer serviços com ciganos? faz tu.
Os americanos foram criados neste mindset. Cada um por si. Deus sabe de todos mas só ajuda os audazes. A vida é uma selva. E todas aquelas frases feitas e citações de Sun Tzu em jpeg.
O bipartidarismo surgiu por causa da alergia a bullshit: Não se perde tempo com meias opiniões, porque as opiniões que importam surgem de crenças bem profundas. Sendo americano - o tal que não tem problemas com nada porque é um emigrante na sua própria terra - , não há problemas em dizer a sua real opinião sobre qualquer coisa. É-se livre. Se usa peugas às cores, é pro-choice. Se tem um carro que gasta mais de 20 litros aos 100, é contra a eutanásia. Se é alergico ao gluten, é contra a guerra.
Em Portugal, somos iguais. As opiniões que importam existem. Só não há é muitos portugueses com lata para ser um César das Neves.
segunda-feira, março 03, 2014
No Bulshit
O tal empreendedorismo aqui só é mal visto porque ( e quando ) é talvez 50 vezes mais ambicioso e ganancioso que em Portugal. Mas tem uma vantagem espetacular: No Bullshit. Um gajo vazio de ideias não consegue faze-las vingar só porque usa aqueles termos de cripto-marketing, o alavancar, a capacitação, essa merda, à gajo-de-bater-punho, mambo-jambo enlatado, no máximo consegue vender uns livros e fazer umas palestras à conta disso. Isto é, ganha uns cobres. O que aqui, não é nada mal visto.
Nota: pelos critérios daqui, sou um comuna artista.
Nota: pelos critérios daqui, sou um comuna artista.
O inglês do States
terça-feira, fevereiro 25, 2014
Nostalgia
Já estou aqui há um par de meses. No outro dia comecei a enumerar as saudades, e a dado momento na lista volto aos tascos. E Lisboa. O rio e o Cais do Sodré.
Uma coisa que tenho saudade dos tascos é o tempo. Aqui não há tempo. Estes tipos acham que trabalham muito porque estão muitas horas a trabalhar. Nós trabalhamos melhor, e isto está directamente relacionado com o tempo no almoço. Ir a um tasco bate qualquer restaurante americano no que toca a atendimento. Aqui são provavelmente mais solícitos, mais rápidos, e as doses são ainda maiores que num tasco. Até oferecem toda a coca-cola e água com gelo que quisermos.
Mas perco muito tempo a escolher o que quero comer. Dão-me sempre opções. E eu não quero opções, não quero pensar em opções. Acho que mereço não pensar em opções já que estou a pagar pelo trabalho de outros - aqui só estarei a pagar se pagar gorjeta, o que é uma tanga de uma sistema - para me servirem. Isso devia estar incluido no preço. Mas não: hamburguer? mal, bem, médio? Batatas? chips, fries, sweet? sauce? sour, mayo, spicy, medium spicy? Coke? small ( big ), medium, large? E depois disto tudo, quando acabo o prato, o que é dizem? nada. Passados 10 segundos de largar os talheres, metem a conta na mesa e desaparecem. Fazem isto até num restaurante vazio e sem mais clientes a chegar.
Mas eu entro no tasco e o sr. Martins já sabe que eu quero aquele prato que está a sair pouco nesse dia mas que está especialmente bom. Eu vou insistir no bitoque e vou ouvir que me vou arrepender. Ou no outro tasco, onde o outro gajo me pergunta se já alguma vez me arrependi de comer o que ele disse para comer. E vou comer com calma e esperar 10 minutos até me perguntarem se quero mais alguma coisa, o cafézinho ou a sobremesa, mais 5 minutos para o café e depois de pedir 2 ou 3 vezes, lá vem a conta. Isto é que é vida.
Uma coisa que tenho saudade dos tascos é o tempo. Aqui não há tempo. Estes tipos acham que trabalham muito porque estão muitas horas a trabalhar. Nós trabalhamos melhor, e isto está directamente relacionado com o tempo no almoço. Ir a um tasco bate qualquer restaurante americano no que toca a atendimento. Aqui são provavelmente mais solícitos, mais rápidos, e as doses são ainda maiores que num tasco. Até oferecem toda a coca-cola e água com gelo que quisermos.
Mas perco muito tempo a escolher o que quero comer. Dão-me sempre opções. E eu não quero opções, não quero pensar em opções. Acho que mereço não pensar em opções já que estou a pagar pelo trabalho de outros - aqui só estarei a pagar se pagar gorjeta, o que é uma tanga de uma sistema - para me servirem. Isso devia estar incluido no preço. Mas não: hamburguer? mal, bem, médio? Batatas? chips, fries, sweet? sauce? sour, mayo, spicy, medium spicy? Coke? small ( big ), medium, large? E depois disto tudo, quando acabo o prato, o que é dizem? nada. Passados 10 segundos de largar os talheres, metem a conta na mesa e desaparecem. Fazem isto até num restaurante vazio e sem mais clientes a chegar.
Mas eu entro no tasco e o sr. Martins já sabe que eu quero aquele prato que está a sair pouco nesse dia mas que está especialmente bom. Eu vou insistir no bitoque e vou ouvir que me vou arrepender. Ou no outro tasco, onde o outro gajo me pergunta se já alguma vez me arrependi de comer o que ele disse para comer. E vou comer com calma e esperar 10 minutos até me perguntarem se quero mais alguma coisa, o cafézinho ou a sobremesa, mais 5 minutos para o café e depois de pedir 2 ou 3 vezes, lá vem a conta. Isto é que é vida.
sábado, fevereiro 22, 2014
Daqui à distância
Este país aqui é enorme, novo, e feito por gente que não é de cá - aos de cá limparam-lhes o sebo em grande quantidade - e como tal tem facilidade em executar certos malabarismos que podem ser complicados para um país antigo de quase um milénio. Estes tipos são desapegados. São desapegados ao material que apreciam. Sim, gostam muito da sua televisão de 50 polegadas, mas deixam de gostar assim que surge a de 70 polegadas. Têm esta facilidade de largar tudo. As casas são de madeira. Fazem-se e desfazem-se a cada tornado. Tentam fazer alguma de tijolo? não. Refazem-na de madeira. Ou mudam de estado. Começam do zero. Criam coisas novas. Há algo no caminho disso? deite-se por terra. Não custa muito, são só coisas, prédios ou ideias. Tudo se renova menos a sacrossanta constituição.
Por aí, temos muita dificuldade em deixar ir. Somos hoarders, nisso. Ter muita história antiga não nos ajuda a criar uma nova. O terror de perder a calçada portuguesa foi um exemplo. Não é a solução ideal, mas não a descartamos, nem em parte. Guardamos tudo no sótão e vamos deixando acumular e ganhar pó, mesmo que dê um ataque de asma ou um tralho semanal pela escada abaixo. Não demolimos nada, deixamos expirar. O Porto é um bocado assim. A Ribeira toda não cai porque é de pedra. Mas já expirou.sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Coisas que me deixam preocupado
O debate sobre a calçada portuguesa.
Vamos lá ser práticos. A puta da calçada não dá jeito. De tempos a tempos dou tralhos monumentais em frente ao Monumental, Deus a ver e não me ajuda, escorregando na puta da calçada. Reparem, não ando de saltos. Nem de sapato italiano. Metam pisos decentes onde eles fazem falta, é uma escolha racional. São estas merdas que me deixam preocupado, porque não há muita racionalidade nas discussões, também faz parte de ser português ser exagerado e dramático, e isto é algo que sei que é possível resolver de um modo racional e atempado, por outro lado sei que o Poder acaba por fazer o que entende porque podemos ficar a discutir temas como este ou a qualidade dos candeeiros do Chiado durante uma semana inteira e o pessoal - até os funcionários públicos - tem mais que fazer. Estou a imaginar um Prós-e-Contras à volta deste tema na próxima semana.
Vamos lá ser práticos. A puta da calçada não dá jeito. De tempos a tempos dou tralhos monumentais em frente ao Monumental, Deus a ver e não me ajuda, escorregando na puta da calçada. Reparem, não ando de saltos. Nem de sapato italiano. Metam pisos decentes onde eles fazem falta, é uma escolha racional. São estas merdas que me deixam preocupado, porque não há muita racionalidade nas discussões, também faz parte de ser português ser exagerado e dramático, e isto é algo que sei que é possível resolver de um modo racional e atempado, por outro lado sei que o Poder acaba por fazer o que entende porque podemos ficar a discutir temas como este ou a qualidade dos candeeiros do Chiado durante uma semana inteira e o pessoal - até os funcionários públicos - tem mais que fazer. Estou a imaginar um Prós-e-Contras à volta deste tema na próxima semana.
O país daqui ao longe
Vivemos num paraíso perdido, é o que me parece daqui. É complicado explicar isto, mas os Portugueses são principes, há uma nobreza na ingenuidade com que vamos sendo um povinho preocupado, e preocupado é o problema maior, com o que nos assola, o poder é que nos assola mais, nisso somos do pior, mas dizia somos um povo preocupado. Não somos tristes, somos preocupados. Deixamos andar e andamos preocupados. Não resolvemos, ficamos preocupados, sabemos o que vem lá, mais cedo ou mais tarde. Perdemos o tempo nisto em vez de começar qualquer coisa do zero. E quando um tuga consegue ir além deste fado adiado, emigra. É mais fácil que deixar de se preocupar com o que não muda.
Nota do emigrante temporário que diz sempre que não quer sair de Portugal porque gosta mesmo do país onde vive:
Apesar de tudo o que os taxistas possam dizer, Portugal não tem exclusividade nem particular tendência na burrice, Isto só em Portugal, dizem os taxistas com uma moca de Rio Maior numa mão e uma sandes de torresmos na outra. Não, isso que só acontece em Portugal acontece em todo o lado. O que não acontece em todo o lado é termos um país espetacular ( ainda que cheio de taxistas ).
Nota do emigrante temporário que diz sempre que não quer sair de Portugal porque gosta mesmo do país onde vive:
Apesar de tudo o que os taxistas possam dizer, Portugal não tem exclusividade nem particular tendência na burrice, Isto só em Portugal, dizem os taxistas com uma moca de Rio Maior numa mão e uma sandes de torresmos na outra. Não, isso que só acontece em Portugal acontece em todo o lado. O que não acontece em todo o lado é termos um país espetacular ( ainda que cheio de taxistas ).
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
Os nomes
Fui perder-me pelo deserto. Aqui há deserto. O deserto é grande e imponente. Em Portugal o mais parecido que temos com o deserto é a Amareleja. O Alentejo é vasto mas não é imponente. É só bonito. É do nome. Uma terra que se chama Amareleja não pode ser imponente, é só quente e isolada. Aqui eles resolveram isso, acho que por compensação. O Americano é um ser social, já reparei. Fala, fala, fala, expõe, troca, fala, vende. Um Americano que vai viver para o deserto tem de justificar-se perante os outros Americanos. Por isso tiveram cuidado com os nomes. Um deserto aqui chama-se Death Valley. É melhor que Amareleja. Dizer que se vive ao pé de Furnace Creek é diferente de dizer que se vive ao lado de Aljustrel. Há sempre uma maneira de vender qualquer coisa aqui. Nem que sejam só nomes.
sexta-feira, fevereiro 07, 2014
quarta-feira, fevereiro 05, 2014
A cena dos quadros do Miró
Os americanos são burros, diz a tradição. Realmente, ando por aqui e encontro coisas deprimentes. É os chapéus do Duck Dinasty no supermercado, é aquelas tretas plantadas à beira da estrada, dinossauros em tamanho real feitos de sucata, aquelas road-side atractions dos lumox, essas bimbalhices todas. E este pessoal paga por isso. Gastam dinheiro, que não é pouco, nessa merda.
Mas também gastam dinheiro no Moma e no SFMOMA, para ver Picassos, Van Goghs, Pollocks e... Mirós. terça-feira, fevereiro 04, 2014
O país do Lessaz Faire
Sabemos como é: chegamos a outra terra e não temos ninguém conhecido, ninguém a quem damos importância, nenhuma família num raio de 2000 km e começamos a portar-nos de maneira diferente. Agora imagine-se um continente inteiro feito de emigrantes. Aqui ninguém tem problemas em fazer figura de emigrante, tanto que é a figura habitual que fazem. Acho que é isso que é ser americano: ser um emigrante à vontade. Ninguém deve nada a ninguém, não há horas para nada, metem conversa sobre qualquer assunto com qualquer pessoa - um género de Bairro Alto nos anos 90, onde havia tertulias em cada mesa - que encontram na fila do supermercado ou na paragem do comboio, debatem todo o tipo de temas no autocarro e desmontaram o significado de despropositado. Pode-se fazer tudo até que a lei diga alguma coisa em contrário.
sábado, fevereiro 01, 2014
A Califórnia é o mundo ao contrário
Ontem fui jantar a um restaurante português. As saudades apertavam, pegámos no carro e fizemos 20 km para comer um bitoque.
terça-feira, janeiro 28, 2014
Perdido pela cidade grande
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| Grande. |
Uma Lisboa aumentada e extendida ao comprido, com o tempo de Sintra. Tentei, como tento sempre em todas as viagens, andar a cidade toda a pé. É uma mania que vem de Lisboa e que não tem em conta cidades planas. Em Lisboa as caminhadas são ditadas pela orografia, os limites de cada passeio são fáceis de prever. Numa cidade que é plana ( tem dias ) e cujo mapa mostra ruas rectas com 2 km, é dificil criar limites para o andar a pé. Aqui apanhei um autocarro só para ir até ao fim de uma rua, depois de já ter andado mais de metade e perceber que não ia acabar. Foi uma decisão inteligente, especialmente porque os autocarros são um cenário igual aos de Portugal mas em versão cut-the-bullshit. Se na carris tenho de levar com a velhinha saudosa do Salazar, cá apanhei a velhinha que tinha andado agarrada ao cracka contar a vida dela e que não julga ninguém porque a vida dá muitas voltas e a vida toda do bairro à volta do autocarro, a rua recta é a aldeia, as histórias passam-se ao longo da rua, as personangens habituais entram e saem, o motorista preto já as conhece todas e fala-lhes naquele tom de preto-bacano-do-filme, a vida é dura mas passa-se, um tipo trabalhador e honesto há-de ser recompensado um dia.
Na rua outra vez, os contrastes são muito grandes, se uma rua é de lojas impecáveis e hipsters a passear o skate, o bloco à frente já é de sem abrigo e putas na rua, céu aberto que aqui ainda não vi uma geografia própria para a miséria, tanto as ruas boas como as más são abertas, a tal recta não se interrompe para mudar de anual income, é tudo a direito, na rua dos sem abrigo e dos seven-eleven vão os mesmo hipster de skate. (continua)A lingua
Falam muito rápido. Um gajo acha que sabe inglês espetacular e dá-se mal. Os adjectivos. Metem muitos adjectivos. Já disse isto, espera. Se não houvesse publicidade, os americanos continuariam a falar com muitos adjectivos hiperbolicos. Alias, metade do sucesso dos americanos deve-se a este facilidade em hiperbolizar o que fazem. Desde que estou aqui acho que sou um género de designer de alfama, não dou hipoteses de ter linguagem técnica nem de fazer de mim um génio. Fico-me pelas piadas genéricas e faço figura de urso, que o material que tenho não funciona bem aqui. É da pronuncia.
sábado, janeiro 25, 2014
Há uma coisa que vou sentir falta
Não estou aqui há um mês e vou sentir falta disto: Este pessoal não engonha. Não sei como serão nas relações pessoais, mas aí imagino que sejam complicados, - se numa conversa na paragem do autocarro são capazes de falar do que fizeram durante a vida toda e relatar o que andam a fazer no trabalho a desconhecidos, calculo que com um nível tão elevado de conversa de encher-chouriços demorem anos até realmente falarem de coisas sérias - mas no trabalho, não perdem tempo. Há um contacto para fazer? faz-se. Precisas de ajuda para fazer qualquer coisa? Aparece. Queres conhecer o sítio onde trabalham? na boa. Precisas de conhecer o director da empresa com quem trabalham há 2 dias? Toma o contacto. Coisas que em Portugal demoram dias ou semanas e que geralmente se resolvem com um telefonema.
A um tuga basta isto
Um tuga tem saudades de coisas simples, como pedir uma bica e ouvir o barulho da máquina do café, duas doses bate bate encaixa torce liga vapor.
Em Portugal as coisas são mais simples. sexta-feira, janeiro 24, 2014
Os carros
Dizer que os carros são grandes é um eufemismo. Ontem encontrei um SUV e um carro europeu lado a lado e pude ver que o carro europeu cabe debaixo da roda do SUV.
Qualquer ida ao supermercado é uma oportunidade de ficar debaixo de uma pickup ou de um SUV. Mas percebe-se o porquê disto: novamente, o tamanho do país. Se vou sair de casa, vou demorar pelo menos 20 minutos a chegar a qualquer lado, por isso é bom que vá em algo o mais parecido possível com a minha sala de estar.
Qualquer ida ao supermercado é uma oportunidade de ficar debaixo de uma pickup ou de um SUV. Mas percebe-se o porquê disto: novamente, o tamanho do país. Se vou sair de casa, vou demorar pelo menos 20 minutos a chegar a qualquer lado, por isso é bom que vá em algo o mais parecido possível com a minha sala de estar.
sábado, janeiro 18, 2014
São malucos os americanos I
Os refills
Pensava que já tinha percebido o domínio dos refills. Pede uma bebida, dão-te um copo vazio, podes escolher o tamanho do copo mas podes ir encher o copo as vezes que entenderes. A escolha do copo passa por prever que peso se consegue levar para fora ou a distância que vai ser percorrida até comprar um novo copo noutro sítio ( no outro dia entrei num supermercado que oferece café enquanto se anda lá dentro ), um americano está sempre a beber qualquer coisa.
Quando não temos acesso à máquina das bebidas, provavelmente não há refill. Mas ontem estava a comer numa esplanada e lá vem a empregada perguntar-me se não quero refill, o que me faria beber um litro de coca-cola só até à hora de almoço.
Quando não temos acesso à máquina das bebidas, provavelmente não há refill. Mas ontem estava a comer numa esplanada e lá vem a empregada perguntar-me se não quero refill, o que me faria beber um litro de coca-cola só até à hora de almoço.
os adjectivos
Em Portugal um tipo vai a um restaurante e se estiver a pagar um pouco mais do que o habitual, leva com adjectivos extra na comida. As batatas deixam de ser assadas e passam a ser "pequenas batatas assadas", o pargo deixa de ser pargo e passa a "pargo fresco" e assim por diante. Aqui na Califórnia os adjectivos ficam à porta e fixam-se na quantidade. Se pedir uma coca-cola, perguntam-me que quantidade. Repara, não dizem "grande" ou "gigassauranorme", mas enumeram as quantidades, 1/4 de litro, 1/2 litro, 2/3 litro. A mesma coisa para o bife. Bem passado, mal passado, 1/4 de kg, 1/2 kg, 2kg, etc. Depois as calorias. Os menus dos restaurantes têm as calorias uma a uma. E os Carbs.
Pedir um bife parece um enunciado de uma troca de moles da aula de quimica. E demora tanto como uma.quinta-feira, janeiro 16, 2014
A ganância
O americano gosta de acreditar que o trabalho é bom porque lhe trará tudo. O tuga já percebeu há muito que nada garante nada. Nesse aspecto já estamos muito à frente no tempo. Só ainda não implementámos um sistema porreiro para quem gosta de trabalhar. O americano faz cumprir os seus objectivos. Nós seguimos o que o fado ditou. Eles têm um país gigante que resolveram preencher por ordem directa de Deus. Nós vamos ocupando o nosso à bruta.
terça-feira, janeiro 14, 2014
A estrada
Não consigo dizer o que veio primeiro, se o copo se o carro. Todos os carros têm um cup-holder gigante, que forçaria todas as dimensões do carro a aumentar de forma a conter o copo num holder confortável. Pode ter acontecido o inverso também: Os carros gigantes convidam a trazer quantidades maiores de bebida, que com o tempo foram aumentando mais e mais, derivado das distâncias a percorrer.
segunda-feira, janeiro 13, 2014
Barroco americano
A experiência visual americana é fácil de identificar. O design gráfico, de produto, industrial, automóvel, tem um feeling que eu costumo descrever como "barroco". O americano tem alergia ao vazio, tudo tem de ter montes de ornamentos e adjectivos. Ainda não percebi de onde é que isto vem, mas até voltar a Portugal resolvo esta teoria que tem anos.
quinta-feira, janeiro 09, 2014
Zombieland
Os filmes de Zombies tinham de ser americanos porque os americanos é que criaram os zombies originais: a sociedade paralela que funciona em turnos, à noite.
Devido à abertura de supermercados à noite, as pessoas que trabalham à noite precisam de serviços à noite e como tal abriram mais serviços à noite. Um passeio por um supermercado aberto às duas da manhã é pós-apocalipticamente só. Devem andar 10 pessoas a arrastar-se pelos corredores, mais 2 funcionários a tomar conta de um supermercado inteiro, por isso o medo é real, um dos clientes pode ser um dos malucos das armas, pode ter uma virose qualquer, posso ter de me encher de genéricos na secção dos medicamentos.quarta-feira, janeiro 08, 2014
As pessoas: Dimensões
Estou num condomínio normal, numa terra que pode ser vista como a versão local de Leiria. Logo, não há muitas personagens bizarras, que como é habitual estão reservadas às cidades grandes.
Ainda não fui a uma discoteca, mas pelo tamanho do tipo que faz a manutenção do apartamento, estimo que um porteiro esteja entre o incrível Hulk e um cacilheiro.terça-feira, janeiro 07, 2014
O Tempo
Estudos indicam que estudos indicam que há uma propensão genética, mais que cultural, para começar as conversas por falar do tempo. O Inverno por aqui é Outono durante o dia e Inverno à noite. Não há chuva e as pessoas agem de acordo com esta combinação: dizem bom dia na fila da supermercado e desejam um dia bom.
California Uber Alles
Directamente e fora de horas, estou na Califórnia. Uma espécie de Estremadura infinita onde se conseguem encontrar campinos, esquimós e mexicanos. O melting pot que falaram na escola é real e não é fusão, é confusão. Há mais chineses que pretos, há paquistaneses em todo o lado e hoje de manhã trouxe as notícias marroquinas locais para casa. Posso escolher a que nacionalidade pertencer. As estradas levam a mais estradas, as lojas a mais lojas, há 3 metros de carro por pessoa e 12 lugares de parque de estacionamento por carro. Há mais lojas que dólares, há menos motas que bicicletas e é tudo plano até perder de vista. Para lá da curva há dragões, mas são sempre iguais, mais sinais, mais passadeiras, mais lojas e mais lojas. A Califórnia é um cenário gigante.
quarta-feira, janeiro 01, 2014
Ideas frescas no primeiro dia do ano
Acordei com isto, a ressaca foi fraca.
O Miguel Angelo tem o mesmo problema da Ana Malhoa ao nível de saber gerir uma ideia. Ele sabe que tem qualquer coisa para dizer e sabe como chegar lá, mas nunca consegue. Esta música é um bom exemplo: está lá tudo, mas não vale nada.
Bom Ano.
terça-feira, dezembro 31, 2013
Sube lo carburador
Se a Ana Malhoa tivesse menos piercings diriam que se reinventou, no telejornal. Mas como é um fenómeno global a uma escala local, essa ideia só ressoa na margem sul.
Esta miuda é quase um génio do marketing. Quase, porque nunca acerta no cérebro reptiliano de ninguém, ficando-se por quase passar de raspão na tangente da superficie de uma ideia que podia ter potencial, eventualmente.
A Ana tem um problema que é tipicamente tuga: Quer fazer tudo ao mesmo tempo.
Os tugas têm medo de perder o comboio. Os clientes de publicidade mais sofregos mostram isso. Perguntamos sobre quem é o target da campanha e muitas vezes são capazes de dizer "toda a gente", ou mais contidos, "todos entres os 8 e os 65 anos". O tuga faz isto porque tem medo. Vive com este medo de meter dinheiro num projecto, numa ideia, num filme, num anuncio, e não agradar a toda a gente. Que alguém se ofenda. Mas na verdade, toda a gente esquece.
Por partes: A Ana tem um novo logotipo. Tem medo que não o entendam. Então faz o esquema logotipo-arvore-de-natal. Mete o logo no meio e umas frases à volta a explicar os seus significados ocultos. Porque não pode deixar de fora as pessoas que não percebem que aquilo é um logotipo do top gun redesenhado.
![]() |
| a) Mapa gnosiolígico-tipográfico. |
"A musica da rua". Uma aproximação ao povo, ao popular, às raizes. Certo. "ANA MALHOA LA MAKINA", com o logo top gun no meio: aqui começam os problemas. Deus, a rua, e agora um logo militar. Máquina com "K", um erro ortográfico para destacar a makinicidade. "Code" com letra a armar ao Terminator de 98. "De fiesta", sim é música de festa. Sigo. "Música do Povo". Sim, a música da rua, escrita de outra forma, para confirmação do target. "talento de calle". Novamente, a importancia de ser popular, da rua, mas agora em espanhol, porque "calle" é das poucas palavras espanholas que sabemos traduzir bem. Plátano é banana.
Portanto o logotipo da Ana Malhoa lê-se: A Ana é uma makina de fiesta militar com deus nas ruas da américa latina. Isto é o mote para o teaser online.
Animação 3D de 2001 para intro, um crescendo de expectativa que desemboca numa guitarrinha cigana. Ana Malhoa costuma fazer isto: Já com o videoclip anterior, tinhamos 10 minutos de expectativa e o problema era semelhante: a expectativa crescia e crescia mas desembocava no mesmo, uma música da Ana Malhoa.
Ana Malhoa agarra-se ao terço de taxista, ao volante um grande carro. Novamente, aquele medo que alguém perca algum tipo de informação, logo, coloquem-se todos os logotipos possíveis ao longo do carro, capacete, fato, la makina parece um showcase de vinil autocolante. Mas, musica de rua? do povo? Estás num carro do racing, Ana. Ou é musica de street-racing?
Este visual entre o Drive e o Fast and Furious com gipsy kings expressa bem o conceito comum a todos os videoclips: A musica é de fusão, mas não é pan-cultural, é pan-conceptual. Ana Malhoa pega na ideia de um Melting-Pot, torna-o primeiro latino, depois global, e depois cruza e mistura tudo o que pode no mínimo de tempo possível.
A Ana não é parva. Ela no fundo faz tudo o que um produtor de Hollywood faz, mas tudo mal.
Qualquer semelhança entre este processo criativo e o de qualquer agência de publicidade, é pura coincidência.
* análise só para designers que não gostam de perder tempo: o logo tem 3 tipos de fontes diferentes. Está tudo dito.
segunda-feira, dezembro 30, 2013
Lista para viagem
- Computador
- Drive externa
- Telemóvel
- Canivete Suíço
- iPod
- Caderno
- Canetas
- Estojo
- Livro
- Máquina fotográfica
- Cartões de Memória
- Tripé
- Tablet
- Rato
- Cabos
- Roupa
domingo, dezembro 29, 2013
Palavra do ano
Empreendedorismo.
Mas daquele a sério.
O a-sério nunca aparece nem nos jornais nem na televisão. Porque é chato. Como todos os assuntos sérios, não tem nada que aparecer nos telejornais. Ninguém quer saber nada assim a fundo pela televisão. Não dá para filmar. Imagina o Shark Tank mas com muitas contas pelo meio, com muitos termos em inglês, bastante trabalho e com cláusulas de confidencialidade. É uma seca.
O que aparece nos jornais, na TV da manhã, nos Telejornais, pode ser o empreendedorismo tipo Pan-Pipe-Moods, uma mescla de ideias manhosas já conhecidas e embrulhadas de uma forma incomum ( que já é comum, entretanto ). Geralmente mete ideias que nada têm de novo, comércio a retalho mascarado de modernaço-retro.
Pode aparecer tembém o empreendedorismo Crónica-de-Nárnia, um que é só baseado em fábulas com muitos zeros e muito sucesso mas que na verdade é uma história para boi dormir. Para complicar o trabalho que fiz este ano, há o pior empreendedorismo de todos, o daquele marmanjo do punho, de lá de cima do Norte, que é no fundo um taxista motivado. Muita garganta, muita cena, deviamos amarrar os gajos a um pinheiro e meter-lhe fogo, mas depois vai-se a ver e não faz ponta. Toda a gente sabe para que é que servem os qualquer-treta motivacionais. Foi assim que nasceu muita religião.
Mas daquele a sério.
O a-sério nunca aparece nem nos jornais nem na televisão. Porque é chato. Como todos os assuntos sérios, não tem nada que aparecer nos telejornais. Ninguém quer saber nada assim a fundo pela televisão. Não dá para filmar. Imagina o Shark Tank mas com muitas contas pelo meio, com muitos termos em inglês, bastante trabalho e com cláusulas de confidencialidade. É uma seca.
O que aparece nos jornais, na TV da manhã, nos Telejornais, pode ser o empreendedorismo tipo Pan-Pipe-Moods, uma mescla de ideias manhosas já conhecidas e embrulhadas de uma forma incomum ( que já é comum, entretanto ). Geralmente mete ideias que nada têm de novo, comércio a retalho mascarado de modernaço-retro.
Hoje ia a passear ao pé da Sé e vejo umas portas antigas abertas, à frente duas menina pintalgavam de rosa um escadote de madeira. Cheguei-me à porta e espreitei para dentro: Ainda em arrumações, mas já perto de acabado, um café lounge com sortido de cadeiras, sofás em segunda mão e mesas de café velhas. Prateleiras com tralha velha, candeeiros "design" a rematar. A sério, não viram já que isto não é original, já é só um pastiche, um visual "café original"? Já chega de pobre pseudo-pobre. Façam pobre mesmo.Depois pode aparecer o empreendedorismo neo-salazarista, miudas que fazem cupcakes/pins/crafts em casa, fadas do lar modernaças porque usam óculos de massa grandes. A minha avó fazia isso. Mas porque precisava mesmo do dinheiro.
Pode aparecer tembém o empreendedorismo Crónica-de-Nárnia, um que é só baseado em fábulas com muitos zeros e muito sucesso mas que na verdade é uma história para boi dormir. Para complicar o trabalho que fiz este ano, há o pior empreendedorismo de todos, o daquele marmanjo do punho, de lá de cima do Norte, que é no fundo um taxista motivado. Muita garganta, muita cena, deviamos amarrar os gajos a um pinheiro e meter-lhe fogo, mas depois vai-se a ver e não faz ponta. Toda a gente sabe para que é que servem os qualquer-treta motivacionais. Foi assim que nasceu muita religião.
sexta-feira, dezembro 27, 2013
Odisseia: mini-série
Depois da Odisseia original, não a de Omero que essa é fraca comparada com a minha, o quotidiano passou a ser um mau descafeinado para mim, para o Pascoal e para o Januário. Hangover tuga sem droga, a Odisseia está dependente de uma boa dose de inconsciência, boa vontade e cerveja. Infelizmente o carro do Pascoal não anda alimentado a boa vontade, por isso ficámos por Lisboa, desta vez. A zona da Praça da Alegria estava por explorar há anos. É decadente, vive ainda na sombra do Parque Mayer e ainda não tem os preços do nível final de Odisseia ( elefante branco, hipopotamo e afins ).
Depois de vaguear à porta de não-sei-quantos bares duvidosos, escolhemos um que parecia ocupado e festivo.
Grave engano.
Estava vazio e era do tamanho de um maço de cigarros. Se enroscassem uma stripper no varão de pernas abertas, não cabia na sala. Imaginei uma pirueta a partir copos, bolas de espelhos, lasers, tudo. Fomos para o balcão. Depois de largar uma soma considerável por duas cervejas, reparei em duas coisas: as mesas tinham pratos com croquetes e pasteis de bacalhau em cima de guardanapos de papel e vinham duas putas na nossa direcção. Já estava a fazer as contas para responder o mais evasivo possível ao "pagas-me um copo" quando as duas senhoras se apresentaram. É interessante esta formalidade quando já tinham passado a zona de conforto há 30 cms atrás. Era suposto esta proximidade ser uma tentação. Mas Deus, eram feias. Feias como poucas mulheres que tenha visto até hoje. Ou se calhar era a distância a menos. O que se passou a seguir deve ter-se passado em 2 minutos, mas pareceram 20 minutos. Quando um gajo acha que já viu muita coisa no mundo - e isto é mesmo verdade e não é só uma frase muito repetida - acontece uma provação destas e um gajo percebe que é um menino na mesma. Não, meu caro, já foste a muita coisa muito decadente mas nunca tiveste decadente ao colo. Naqueles 2 minutos em que as senhoras faziam uma conversa que garantidamente só pode resultar em cama porque não podem resultar em mais nada, não é material para ensaios, teorias, mestrados ou workshops. Nem servem para esquecer. Naqueles 2 minutos o Pascoal parecia que tinha engolido um garfo e eu acabei com a cerveja toda. Ainda meninos, pedimos licença porque precisavamos de apanhar ar.
Os croquetes e pasteis de bacalhau estavam lá porque o barman fazia anos, já agora.
Depois de vaguear à porta de não-sei-quantos bares duvidosos, escolhemos um que parecia ocupado e festivo.
Grave engano.
Estava vazio e era do tamanho de um maço de cigarros. Se enroscassem uma stripper no varão de pernas abertas, não cabia na sala. Imaginei uma pirueta a partir copos, bolas de espelhos, lasers, tudo. Fomos para o balcão. Depois de largar uma soma considerável por duas cervejas, reparei em duas coisas: as mesas tinham pratos com croquetes e pasteis de bacalhau em cima de guardanapos de papel e vinham duas putas na nossa direcção. Já estava a fazer as contas para responder o mais evasivo possível ao "pagas-me um copo" quando as duas senhoras se apresentaram. É interessante esta formalidade quando já tinham passado a zona de conforto há 30 cms atrás. Era suposto esta proximidade ser uma tentação. Mas Deus, eram feias. Feias como poucas mulheres que tenha visto até hoje. Ou se calhar era a distância a menos. O que se passou a seguir deve ter-se passado em 2 minutos, mas pareceram 20 minutos. Quando um gajo acha que já viu muita coisa no mundo - e isto é mesmo verdade e não é só uma frase muito repetida - acontece uma provação destas e um gajo percebe que é um menino na mesma. Não, meu caro, já foste a muita coisa muito decadente mas nunca tiveste decadente ao colo. Naqueles 2 minutos em que as senhoras faziam uma conversa que garantidamente só pode resultar em cama porque não podem resultar em mais nada, não é material para ensaios, teorias, mestrados ou workshops. Nem servem para esquecer. Naqueles 2 minutos o Pascoal parecia que tinha engolido um garfo e eu acabei com a cerveja toda. Ainda meninos, pedimos licença porque precisavamos de apanhar ar.
Os croquetes e pasteis de bacalhau estavam lá porque o barman fazia anos, já agora.
segunda-feira, dezembro 23, 2013
As melhores fotos de 2013 III
domingo, dezembro 22, 2013
As melhores fotos de 2013 II
sábado, dezembro 21, 2013
As melhores fotos de 2013 I
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| Bom, não são as melhores, são as que me apetece. O ano começou com esta trupe multicontinental. |
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| Depois começaram as manifs |
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| Não vou fazer a piada "e foi um purgatório" |
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| Fui turista por Lisboa, como é hábito |
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| Voltei a andar de metro, que tinha largado em favor do ferrari |
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| Voltámos a ter manifs |
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| As Catacumbas fecharam |
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| E fui com o Pascoal e o Januário a Santarém |
quarta-feira, dezembro 18, 2013
A insegurança pública
Esta semana assisti a uma tentativa de assalto. Já não presenciava um episódio assim há anos. Fruto do choque de quem assistiu a uma cena tão chocante, quero mostrar um estudo patrocinado pelo PPC, sobre segurança em Lisboa.
O estudo concluiu que a insegurança pública está dependente de vários factores e que é, mais do que um fenómeno social, um problema cognitivo. Veja a gravura a). ( clique para aumentar )
Estão anotadas as zonas que, em absoluto, não são seguras em Lisboa. Por coincidencia são as zonas onde eu próprio não me sinto seguro a passar lá a pé à noite ou de dia caso leve uma máquina fotográfica. A Madragoa está ali mas só porque não curto aquela onda de locals manhosos a defender território. Eles não roubam nem nada, mas partem-me a boca toda se olhar na direcção deles a dizer isto.
Mas, isto é um mapa geográfico-cognitivo. Passo então ao mapa b).
As coisas complicam-se neste mapa. Há aqui uma dimensão cognitiva maior, um território por vezes ocupado por preconceitos, temores, crenças e alguma burrice. De salientar que as zonas de pobres são até muito apreciadas por turistas ( a feira da Ladra, por exemplo) e pessoal que faz hotéis hip.
Finalmente, o mapa c):
O caso desesperante que pude assistir e que originou este estudo partiu do fenómeno cognitivo Beto. Os betos, dotados de uma premonição auto-confirmada, simultaneamente relatam um mundo cruel e criam esse mesmo mundo cruel, que paradoxalmente ora é um paraíso neo-colonial ora é uma selva aborígene, dependendo apenas do tipo de mitra que atraem com a sua camisa-de-fralda-de-fora, um sinal universal de tentação entre a mitra normalmente ocupada com coisas sérias. Concluindo este estudo, resta dizer que isso da insegurança muda conforme o número de facas, pistolas, seringas e assaltos a que assiste ao longo de N tempo versus a relatividade.
O estudo concluiu que a insegurança pública está dependente de vários factores e que é, mais do que um fenómeno social, um problema cognitivo. Veja a gravura a). ( clique para aumentar )
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| Mapa a) Mapa Prezadiano ( PPC ) de insegurança pública |
Mas, isto é um mapa geográfico-cognitivo. Passo então ao mapa b).
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| Mapa b) Mapa para cidadãos comuns de Lineu |
Finalmente, o mapa c):
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| Mapa c) Lisboa para Betos |
sexta-feira, dezembro 13, 2013
Não faças amanhã o que podes fazer hoje
Backups do computador.
Quando o quadro vai abaixo com uma tomada do computador em curto circuito, percebem-se as prioridades que temos e passam-nos à frente dos olhos em repeat:
Mas safou-se.
Quando o quadro vai abaixo com uma tomada do computador em curto circuito, percebem-se as prioridades que temos e passam-nos à frente dos olhos em repeat:
- Anos de trabalho no computador.
- Anos de trabalho na drive.
- Anos de fotografias. As fotografias dos Açores.
- Não poder trabalhar.
- Os filmes.
- As fontes.
- O software.
- O computador todo optimizado para o meu workflow.
- O desenho que estava a fazer há 20 minutos.
- A janela com a série que ia ver.
- As passwords.
Mas safou-se.
Morrer da cura
Fui ali à zona nova do Intendente à noite e posso confirmar: está bonita e cheia de mitra. Limparam a rua, calcetaram tudo à maneira, meteram-lhe candeeiros em barda na esperança que a luz afastasse a má onda toda mas não. O novo Intendente ficou um género de Champs Elisees chunga, o largo colado a prédios a cair, um casal à procura de uma dose e a mostrar a ultima ressaca, putas chulos e agarrados a passear de mão dada, misturado com hipsters dos cafés pseudo-chunga - isto é giro, na rua tentam renovar e está cheio de mitra acabada, no café da moda do largo não renovam, deixam as paredes descascarem até cair, enchem tudo de tralha velha e está cheio de hipsters - com o típico sortido de cadeiras, copos e candeeiros, o look-austeridade.
quarta-feira, dezembro 11, 2013
Tasco, body language
Após muitos anos a coleccionar almoços em tascos seleccionados, onde pude observar milhares de vezes a única body language portuguesa conhecida universalmente, o gesto faça-me-aí-a-conta, pude hoje adicionar 2 novos fenómenos que acho que devem ser património imaterial da humanidade:
É sabido que num tasco a função do empregado de mesa é dizer em voz alta o que queremos. É um facilitador: assim como no autocarro as pessoas mais acanhadas não se metem aos berros para abrir a porta de trás e vão até Pedrouços ou até Caneças, num tasco limitamo-nos a apontar para algo no menu e o empregado é que então berra "SAI MEIA DE FEBRAS!" e um gajo ainda diz "só com arroz, se faz favor." e berra "SÓ COM ARROZ", e é isto, o empregado é alguém de se desenvolveu de forma cénica, não tem problemas com fazer-se ouvir e ver. Esta facilidade abriu uma nova categoria de serviço quando hoje, depois do almoço terminado no tasco habitual, o empregado resolveu ser possível atender-me a 10 metros de distância, por meio de linguagem gestual e berros.
A 10 metros, pedi as febras grelhadas e a imperial.
Apesar de tudo, manteve a premissa de que um cliente não berra e ainda o premiaria com a confirmação de que tem a acuidade visual e cerebral capaz de perceber o gesto para ainda-vai-beber-café-não-é? seguido do gesto de bica-cheia-certo?. Finalmente, apesar de eu estar a 15 metros da cozinha e ele só a 2 metros, ainda teve de berrar "SAI MEIA DE FEBRAS", o que pode invalidar a teoria das linhas anteriores e expor uma nova, todos os cozinheiros são surdos.
É sabido que num tasco a função do empregado de mesa é dizer em voz alta o que queremos. É um facilitador: assim como no autocarro as pessoas mais acanhadas não se metem aos berros para abrir a porta de trás e vão até Pedrouços ou até Caneças, num tasco limitamo-nos a apontar para algo no menu e o empregado é que então berra "SAI MEIA DE FEBRAS!" e um gajo ainda diz "só com arroz, se faz favor." e berra "SÓ COM ARROZ", e é isto, o empregado é alguém de se desenvolveu de forma cénica, não tem problemas com fazer-se ouvir e ver. Esta facilidade abriu uma nova categoria de serviço quando hoje, depois do almoço terminado no tasco habitual, o empregado resolveu ser possível atender-me a 10 metros de distância, por meio de linguagem gestual e berros.
A 10 metros, pedi as febras grelhadas e a imperial.
Apesar de tudo, manteve a premissa de que um cliente não berra e ainda o premiaria com a confirmação de que tem a acuidade visual e cerebral capaz de perceber o gesto para ainda-vai-beber-café-não-é? seguido do gesto de bica-cheia-certo?. Finalmente, apesar de eu estar a 15 metros da cozinha e ele só a 2 metros, ainda teve de berrar "SAI MEIA DE FEBRAS", o que pode invalidar a teoria das linhas anteriores e expor uma nova, todos os cozinheiros são surdos.
sexta-feira, dezembro 06, 2013
O mundo não é justo
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| Jpeg do Mandela |
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| Outro Mandela |
A tal insegurança no trabalho. Recibos verdes? já desbundei. Anos. ( Aliás, nunca fui efectivo de uma empresa ). Só na inconsciência voluntária ou disfarçada do pessoal que é efectivo ou deputado é que um recibo verde é um pagamento de um serviço e mais nada.
Mas agora parece-me que estamos numa nova fase que não sei caracterizar bem:
a) na mesma
b) nunca houve tão pouco para pagar
c) não há assim tão pouco para pagar
Quando ouço todo o tipo de falcatruas das agências com hype para contratar designers - e aqui não deixa de ter alguma ironia as condições estarem a ficar parecidas com fábricas de calçado em Moimenta da Beira - oferecendo recibos ad aeternum, ordenados de 700 euros, 600 euros, estágios em barda, pagamentos por fora cada vez maiores, e finalmente a possiblidade de terem alguém interno pago a acto único, somado a conviverem com salários 6 ou 7 vezes maiores ( afinal há dinheiro ) dentro da mesma empresa, só posso dizer: bardamerdapraestescabrões.
Sempre achei que empresas cool são as que pagam bem. O resto é peanuts.
Este é um daqueles posts que serve de registo de um tempo em particular e a que vou voltar daqui a 3 anos para ver o que mudou entretanto. Provavalmente vou dizer "vês? isto já era uma merda há 3 anos. Crise? Nada de novo."
segunda-feira, dezembro 02, 2013
Arquitecturtura
Há uns tempos esta campanha esteve na rua e passou ao lado de meio mundo, por razões óbvias.
A campanha é má. Meio pedante e auto-contemplativa. Parte do princípio errado de que qualquer pessoa sabe reconhecer o trabalho de um engenheiro ou de um arquitecto ou que consegue até distinguir entre um bom ou um mau trabalho de um arquitecto, o que é assim a puxar para o arrogante. Digo isto porque com o trabalho dos designers passa-se o mesmo. Mas, como temos esta sorte/cruz de só fazermos coisas bonitas e que enchem o olho, tanto os salsicheiros como os arquitectos almejam fazer design. Os salsicheiros porque precisam de ganhar dinheiro, os arquitectos porque acham que desenhar num computador, fazer esboços e ler Kahn é a confirmação de um domínio sobre uma linguagem metafísica qualquer que acham que todos sabem/devem saber ler.
Pessoal: Ser arquitecto não habilita ninguém a mais nenhum ramo de conhecimento. Partam do mesmo príncipio que eu, se há licenciaturas dentro de alguma área, é porque aquilo não se aprende a ver Pinterests e tutorials de Photoshop.
E nada contra auto-didatas, desde que mostrem que dão o litro.
Isto tudo porque vi um logotipo feito por um arquitecto e estou a beber água das pedras desde as quatro.
![]() | |
| Acho, o engenheiro fez isso e ficou bom. |
A campanha é má. Meio pedante e auto-contemplativa. Parte do princípio errado de que qualquer pessoa sabe reconhecer o trabalho de um engenheiro ou de um arquitecto ou que consegue até distinguir entre um bom ou um mau trabalho de um arquitecto, o que é assim a puxar para o arrogante. Digo isto porque com o trabalho dos designers passa-se o mesmo. Mas, como temos esta sorte/cruz de só fazermos coisas bonitas e que enchem o olho, tanto os salsicheiros como os arquitectos almejam fazer design. Os salsicheiros porque precisam de ganhar dinheiro, os arquitectos porque acham que desenhar num computador, fazer esboços e ler Kahn é a confirmação de um domínio sobre uma linguagem metafísica qualquer que acham que todos sabem/devem saber ler.
Pessoal: Ser arquitecto não habilita ninguém a mais nenhum ramo de conhecimento. Partam do mesmo príncipio que eu, se há licenciaturas dentro de alguma área, é porque aquilo não se aprende a ver Pinterests e tutorials de Photoshop.
E nada contra auto-didatas, desde que mostrem que dão o litro.
Isto tudo porque vi um logotipo feito por um arquitecto e estou a beber água das pedras desde as quatro.
sábado, novembro 30, 2013
sábado, novembro 23, 2013
Perdido pelos States II
A fronteira
Entrar nos states é aparentemente complicado. Tive de jurar que não levava plantas na mala, bacalhau ou lepra debaixo dos sovacos. Até doenças que não posso confirmar se tenho, como gonorreia. Perguntam-me o que é vou lá fazer e não posso dizer "sei lá.", como é hábito para qualquer pergunta objectiva que me fazem.À entrada confundi um polícia agarrado ao iphone com uma escultura.
quinta-feira, novembro 21, 2013
Perdido pelos States I
Estive nos States. Foi de raspão mas consigo extrapolar o pouco tempo que lá estive de modo a parecer que vivi lá 2 anos. Uma odisseia calma. Começo pelo princípio.
De bom grado troco os almoços e os jantares por mais 10 graus de inclinação na cadeira e mais 30 cm para esticar as pernas.
Andar 10 horas num avião com um ecran a 15 cm dos olhos a passar o Mr. Bean já devia ser considerado tortura pelo tribunal internacional de Haia.
Até quando é que vão continuar com aquela conversa do "endireite a cadeira para a descolagem e aterragem"? tenho sérias questões sobre qual o impacto dessa medida tanto na aerodinâmica como na deslocação do centro de gravidade do avião. Acho que são melhorias pouco significativas.
Ponto positivo da viagem: ninguém bateu palmas ao piloto por fazer o minímo pretendido: aterrar o avião com o trem de aterragem virado para baixo.
Os aviões
As companhias aéreas já deviam ter reparado que apesar de pagarem preços diferentes, o pessoal de primeira classe e da económica temprovavelmente a mesma altura média.De bom grado troco os almoços e os jantares por mais 10 graus de inclinação na cadeira e mais 30 cm para esticar as pernas.
Andar 10 horas num avião com um ecran a 15 cm dos olhos a passar o Mr. Bean já devia ser considerado tortura pelo tribunal internacional de Haia.
Até quando é que vão continuar com aquela conversa do "endireite a cadeira para a descolagem e aterragem"? tenho sérias questões sobre qual o impacto dessa medida tanto na aerodinâmica como na deslocação do centro de gravidade do avião. Acho que são melhorias pouco significativas.
Ponto positivo da viagem: ninguém bateu palmas ao piloto por fazer o minímo pretendido: aterrar o avião com o trem de aterragem virado para baixo.
quarta-feira, novembro 20, 2013
De volta à cidade
Voltei da estranja com muita coisa na cabeça, nomeadamente jet lag. Isto deve estar a complicar-me o juízo, porque:
- Não vejo nada de especial na campanha da Pepsi, e vou continuar a beber Pepsi como tenho bebido até hoje ( quando não há coca-cola no restaurante ).
- Não acho que haja uma conspiração inter-planetária contra o Ronaldo.
- Anda aí uma outra teoria da conspiração que fala em controlo de opinião pública nos blogs na altura do governo do Sócrates e tal. Mas alguém lê blogs? opinião pública não é o mesmo que deixar recados de um blog para o outro.
- Contínuo sem perceber porque é que há tanta gente a ver a casa dos segredos.
- Já não consigo ouvir os gajos da CGTP ( espera, isto é normal ).
- Tinha saudades de doses de comida normais.
terça-feira, novembro 12, 2013
segunda-feira, novembro 11, 2013
Tim bilding
Natal e Team Building. Duas pragas dos tempos modernos.
Mas, ao fim de muitos anos a gramar com elas, finalmente tenho um Natal em que não levo com ambas. Livre. Estou livre das acções de tim bilding.
Vou ter Team Building, no entanto. O Team Building faz-se com uma equipa. É um conceito interessante, olha para isto: Junta-se todo o pessoal que trabalha num sítio, fala-se dos processos de trabalho, partilham-se ideias, umas boas, outras parvas, algumas aproveitam-se, mede-se a eficácia de processos de trabalho, fazem-se uns jogos de tabuleiro ou vai-se ouvir fados ou comer caracois a um tasco, enche-se a mesa de esboços e pronto. Isto faz-se todos os meses. Ou todas as semanas. Conforme der. O tim bilding, aquela merda que tive de gramar anos a fio é bastante parecido mas só no guião. Por isso é só bilding. Uma vez por ano. Tim.
O tim bilding é uma tentativa frustada ( frustrante? ) de trazer uma empresa manhosa para a civilização. Faz-se um esforço brutal para juntar toda a gente uma vez por ano e o resto do ano mantém-se inalterada. Sendo Natal, a empresa espera portar-se bem durante 2 dias em Dezembro e safar-se. ( bom, aquele meu amigo foi despedido da empresa a um 23 de Dezembro. Se calhar não se esforçam muito ). Mas a falta de jeito não fica por aqui. O tim bilding é também aproveitado - já que é complicado juntar toda a gente em qualquer outra altura porque usam sempre a desculpa de que estão a trabalhar - para fazer aquela outra comunicação de Natal: Os mais afoitos citam JFK, os envergonhados pedem mais um esforço e que dêem mais à casa, um esforço extra, isto está pior, o mercado desce, a vida está complicada para todos, todos tivemos cortes, o guião que nunca foi outro.
O Team Building que andam aí a vender é uma fraude. Fraude como eu pedir um bitoque e dizer que sou vegetariano porque vem com salada.
Mas, ao fim de muitos anos a gramar com elas, finalmente tenho um Natal em que não levo com ambas. Livre. Estou livre das acções de tim bilding.
Vou ter Team Building, no entanto. O Team Building faz-se com uma equipa. É um conceito interessante, olha para isto: Junta-se todo o pessoal que trabalha num sítio, fala-se dos processos de trabalho, partilham-se ideias, umas boas, outras parvas, algumas aproveitam-se, mede-se a eficácia de processos de trabalho, fazem-se uns jogos de tabuleiro ou vai-se ouvir fados ou comer caracois a um tasco, enche-se a mesa de esboços e pronto. Isto faz-se todos os meses. Ou todas as semanas. Conforme der. O tim bilding, aquela merda que tive de gramar anos a fio é bastante parecido mas só no guião. Por isso é só bilding. Uma vez por ano. Tim.
O tim bilding é uma tentativa frustada ( frustrante? ) de trazer uma empresa manhosa para a civilização. Faz-se um esforço brutal para juntar toda a gente uma vez por ano e o resto do ano mantém-se inalterada. Sendo Natal, a empresa espera portar-se bem durante 2 dias em Dezembro e safar-se. ( bom, aquele meu amigo foi despedido da empresa a um 23 de Dezembro. Se calhar não se esforçam muito ). Mas a falta de jeito não fica por aqui. O tim bilding é também aproveitado - já que é complicado juntar toda a gente em qualquer outra altura porque usam sempre a desculpa de que estão a trabalhar - para fazer aquela outra comunicação de Natal: Os mais afoitos citam JFK, os envergonhados pedem mais um esforço e que dêem mais à casa, um esforço extra, isto está pior, o mercado desce, a vida está complicada para todos, todos tivemos cortes, o guião que nunca foi outro.
O Team Building que andam aí a vender é uma fraude. Fraude como eu pedir um bitoque e dizer que sou vegetariano porque vem com salada.
Natal
Chega cada vez mais cedo, o Natal.
Não tenho saudades de fazer campanhas de Natal.
O Natal é sempre igual.
Há quem goste do Natal.
O Natal é sempre igual.
Para quem faz publicidade de Natal, é pior.
Quem vê publicidade de Natal pode achar que deu gozo a fazer. Mas não.
Ninguém gosta de fazer publicidade de Natal.
O Natal na publicidade é como um cancro recorrente.
Todos os anos aparece outra vez e temos de o tratar. Nunca mata. Mas moi.
Não há votos novos há 500 anos.
Gutenberg esgotou-os ainda a imprensa era uma industria jovem.
O Natal não traz nada de bom senão ceias a sem-abrigo.
O Natal é bom para a economia do Pingo Doce.
Não se devia falar de Natal com este sol e calor.
Não se devia gastar tempo a fazer coisas para o Natal.
Não tenho saudades de fazer campanhas de Natal.
O Natal é sempre igual.
Há quem goste do Natal.
O Natal é sempre igual.
Para quem faz publicidade de Natal, é pior.
Quem vê publicidade de Natal pode achar que deu gozo a fazer. Mas não.
Ninguém gosta de fazer publicidade de Natal.
O Natal na publicidade é como um cancro recorrente.
Todos os anos aparece outra vez e temos de o tratar. Nunca mata. Mas moi.
Não há votos novos há 500 anos.
Gutenberg esgotou-os ainda a imprensa era uma industria jovem.
O Natal não traz nada de bom senão ceias a sem-abrigo.
O Natal é bom para a economia do Pingo Doce.
Não se devia falar de Natal com este sol e calor.
Não se devia gastar tempo a fazer coisas para o Natal.
sexta-feira, novembro 08, 2013
Aquele programa
Tenho de confirmar que o programa que mais revolucionou mentalidades em Portugal nos ultimos anos foi a Casa dos Segredos.
O que há poucos anos seria considerado por qualquer dona de casa e taxista uma pôca vergonha pegada entre uma cambada de putas e paneleiros é agora visto com tolerância e comentádo com alguma caotela. Num café já podemos ouvir alguém dizer "acompanhante de luxo" sem nenhuma entoassão a indissiar o real significado do termo e chega-ce a ouvir "é uma profissão como qualquer outra". E a burgesia de Lisboa pionaira da modernidade, entertem-se a indignar-se com o que se passa lá e fazer muitos juízos de valor que eram típícos de taxistas e marialvas. No futuro, e aqui é que tenho rezervas, estão por ver os estudos cientificos que mostrem os efeitos cequndários da expusissão a este tipo de porgramas, no entanto. Haver va-mos.
O que há poucos anos seria considerado por qualquer dona de casa e taxista uma pôca vergonha pegada entre uma cambada de putas e paneleiros é agora visto com tolerância e comentádo com alguma caotela. Num café já podemos ouvir alguém dizer "acompanhante de luxo" sem nenhuma entoassão a indissiar o real significado do termo e chega-ce a ouvir "é uma profissão como qualquer outra". E a burgesia de Lisboa pionaira da modernidade, entertem-se a indignar-se com o que se passa lá e fazer muitos juízos de valor que eram típícos de taxistas e marialvas. No futuro, e aqui é que tenho rezervas, estão por ver os estudos cientificos que mostrem os efeitos cequndários da expusissão a este tipo de porgramas, no entanto. Haver va-mos.
quinta-feira, novembro 07, 2013
50/50
Lisboa está a separar-se aos poucos. Entre os prémios que ganha todas as semanas e não ter dinheiro para mandar cantar um cego ou em específico, calar aquele do metro, dos batuques nos ferros:
O Cais do Sodré está separado como é hábito, desde que lhe pintaram o chão de cor-de-rosa de um lado ao outro que um deles está cheio de betos e o outro da fauna do costume, putas e divorciados da margem sul e da linha e betos mais afoitos. O arco do Musicbox, a meio, é um no-man's-land que só é usado em dias de chuva, como sempre.
O Intendente está separado como é hábito, desde que o renovaram que tem hipsters das tostas e dos brunchs aos sábados de manhã, tudo renovado menos da rua 40 metros ao lado para lá, onde o cheiro a ganza e a merda na rua mal calcetada a puxar para o acre mal dá para passar.
A Feira da Ladra está separada como é hábito, desde que passou a aparecer em roteiros turísticos. Tudo misturado, portugueses e turistas, bimbos e hipsters bimbos, betas e artistas, uns a vender, outros a comprar. Se ficar até mais tarde, lá para as 6, vejo que continuam a aparecer os agarrados a tentar aproveitar o que apanham do chão.
Na Assembleia tudo corre como é hábito, desde sempre. Uns estão lá decididos a foder-nos, outros estão-se a cagar. Mas de todos os que lá estão, não são todos iguais. São só parecidos e assim fica complicado separá-los.
O Cais do Sodré está separado como é hábito, desde que lhe pintaram o chão de cor-de-rosa de um lado ao outro que um deles está cheio de betos e o outro da fauna do costume, putas e divorciados da margem sul e da linha e betos mais afoitos. O arco do Musicbox, a meio, é um no-man's-land que só é usado em dias de chuva, como sempre.
O Intendente está separado como é hábito, desde que o renovaram que tem hipsters das tostas e dos brunchs aos sábados de manhã, tudo renovado menos da rua 40 metros ao lado para lá, onde o cheiro a ganza e a merda na rua mal calcetada a puxar para o acre mal dá para passar.
A Feira da Ladra está separada como é hábito, desde que passou a aparecer em roteiros turísticos. Tudo misturado, portugueses e turistas, bimbos e hipsters bimbos, betas e artistas, uns a vender, outros a comprar. Se ficar até mais tarde, lá para as 6, vejo que continuam a aparecer os agarrados a tentar aproveitar o que apanham do chão.
Na Assembleia tudo corre como é hábito, desde sempre. Uns estão lá decididos a foder-nos, outros estão-se a cagar. Mas de todos os que lá estão, não são todos iguais. São só parecidos e assim fica complicado separá-los.
sábado, novembro 02, 2013
terça-feira, outubro 29, 2013
O sentido da política
O sentido da política é bem mais complexo que o sentido da vida e por isso tenho usado bastante mais tempo a estudar a criar ideias que simulam um pensamento que se assemelha a um estudo da evolução da política. É portanto um estudo sólido e algo longo. Lanço aqui o desafio, caro leitor(a) a acompanhar as novidades do dia de hoje:
Uma lei definiria o número máximo de animais em casa de cada português.
Vou cruzar esta lei em vários vectores, tanto espectrais como temporais. Espectralmente: à esquerda, gozo. Ao centro, dizem que existe centro, eu acho que não existe, tudo ok. À direita, aparece um deputado do PP ( a lei é de uma ministra do PP ) a dizer que isto é fascismo. Deixei de perceber política. Temporalmente: A esquerda anseia historicamente por um estado social nórdico e pejado de regras civilizacionantes mas a uma regra que tem uma aparência nórdica tão simples e lógica, dizem não. A direita historicamente defende touradas e tradições. O que parece contraditório com a proibição de qualquer tipo de situação que piore a vida de qualquer animal. Podem sofrer mas só se for tradição, o que me parece demasiado específico. Noutros países, isto não tem nada a ver, a China tem uma política de filho-único que tem dado bons resultados, senão já estávamos a viver em caixotes de 26 andares. Os animal-lovers - que são de esquerda geralmente mas fascistas particularmente no que toca a animais vão falar em fascismo porque não se pode invocar a palavra animal em vão. Mas simultaneamente querem que este país volte a estar na vanguarda dos direitos animais não querendo implementar uma regra que protege os animais. ui disse animal. Em conclusão, o estudo efectuado concluí que quando se trata de definir regras o português é, da esquerda à direita, avesso a todas e sejam quais forem, podendo apenas ser implementadas respeitando ao princípio universal tuga das regras universais - "Até concordo que façam essa regra, em especial para o meu vizinho, mas eu não tenho necessidade de a seguir a toda a hora". Dado haver uma quantidade considerável de gente que não vota e não faz saber o que realmente pensa, o espaço ideológico ocupado por gente que; 1. aceita regras 2. não sabe as regras 3. faz o oposto ditado pelas regras; é distribuído equitativamente pelo todo desta República, permanecendo esta neste limbo entre o avanço tecnológico e o vintage-burlesco, terreno ideal para crescimento de bananas ad-aeternum.
Estudos indicam que sempre foi e sempre será assim, conquanto já foi pior.
edit - a lei já existe. É uma regulamentação já antiga que engloba uma boa parte das regras em vigor sobre habitação e animais. Este projecto de lei é uma actualização dessas regras. Infelizmente a discussão chegou à net, onde o tema "animais" é sugado para um void troll. Um dos primeiros comentários que apanhei foi " se me quiserem tirar o meu cão, recebo-os a tiro ". Isto parece a mesma conversa da extrema direita americana, mas em vez de armas é com chinchilas.
Uma lei definiria o número máximo de animais em casa de cada português.
Vou cruzar esta lei em vários vectores, tanto espectrais como temporais. Espectralmente: à esquerda, gozo. Ao centro, dizem que existe centro, eu acho que não existe, tudo ok. À direita, aparece um deputado do PP ( a lei é de uma ministra do PP ) a dizer que isto é fascismo. Deixei de perceber política. Temporalmente: A esquerda anseia historicamente por um estado social nórdico e pejado de regras civilizacionantes mas a uma regra que tem uma aparência nórdica tão simples e lógica, dizem não. A direita historicamente defende touradas e tradições. O que parece contraditório com a proibição de qualquer tipo de situação que piore a vida de qualquer animal. Podem sofrer mas só se for tradição, o que me parece demasiado específico. Noutros países, isto não tem nada a ver, a China tem uma política de filho-único que tem dado bons resultados, senão já estávamos a viver em caixotes de 26 andares. Os animal-lovers - que são de esquerda geralmente mas fascistas particularmente no que toca a animais vão falar em fascismo porque não se pode invocar a palavra animal em vão. Mas simultaneamente querem que este país volte a estar na vanguarda dos direitos animais não querendo implementar uma regra que protege os animais. ui disse animal. Em conclusão, o estudo efectuado concluí que quando se trata de definir regras o português é, da esquerda à direita, avesso a todas e sejam quais forem, podendo apenas ser implementadas respeitando ao princípio universal tuga das regras universais - "Até concordo que façam essa regra, em especial para o meu vizinho, mas eu não tenho necessidade de a seguir a toda a hora". Dado haver uma quantidade considerável de gente que não vota e não faz saber o que realmente pensa, o espaço ideológico ocupado por gente que; 1. aceita regras 2. não sabe as regras 3. faz o oposto ditado pelas regras; é distribuído equitativamente pelo todo desta República, permanecendo esta neste limbo entre o avanço tecnológico e o vintage-burlesco, terreno ideal para crescimento de bananas ad-aeternum.
Estudos indicam que sempre foi e sempre será assim, conquanto já foi pior.
edit - a lei já existe. É uma regulamentação já antiga que engloba uma boa parte das regras em vigor sobre habitação e animais. Este projecto de lei é uma actualização dessas regras. Infelizmente a discussão chegou à net, onde o tema "animais" é sugado para um void troll. Um dos primeiros comentários que apanhei foi " se me quiserem tirar o meu cão, recebo-os a tiro ". Isto parece a mesma conversa da extrema direita americana, mas em vez de armas é com chinchilas.
segunda-feira, outubro 28, 2013
Triple standards
Se eu discutisse aqui a história de duas personagens da Casa dos Segredos, estaria abrigado da acusação do não-tens-mais-nada-que-fazer-do-que-falar-da-vida-dos-outros porque o pessoal da casa dos segredos é das barracas e são uma vergonha. Se discutisse a história do Carrilho, estaria abrigado da mesma acusação porque faria um aviso prévio, vieram lavar a roupa suja para os jornais e quem compactua com revistas sociais eventualmente colhe o que semeou. Se discutisse aqui a história de 2 bloggers conhecidos quaisquer, não havia abrigo que chegasse.
Mas como neste momento só interessa é a história do Carrilho, fico-me pela futurologia: Quem é que será que se safa mais limpo nesta história?
a) Um ex-deputado, ex-ministro, filósofo, com um nome que leva Maria pelo meio, com aquela cara e com um tom de voz suave e ligeiramente queque.
b) A Bárbara.
A resposta está nos comentários do Correio da Manhã Online.
Mas como neste momento só interessa é a história do Carrilho, fico-me pela futurologia: Quem é que será que se safa mais limpo nesta história?
a) Um ex-deputado, ex-ministro, filósofo, com um nome que leva Maria pelo meio, com aquela cara e com um tom de voz suave e ligeiramente queque.
b) A Bárbara.
A resposta está nos comentários do Correio da Manhã Online.
domingo, outubro 27, 2013
Campanha ajude um cérebro
As pessoas gostam de ser solidárias, mas ao mesmo tempo têm dois impedimentos importantes: são preguiçosas e são humanas. Depois há as pessoas que recolhem tampinhas.
Acredito que as pessoas que recolhem tampinhas estão no grupo demográfico das que acreditam em anjos e gostam de golfinhos. É infelizmente algo próximo de um problema cognitivo. Alguém teve uma ideia que explora esse problema cognitivo sem querer e fez uma campanha que tem cobertura na televisão de tempos a tempos e não há forma de acabar.
Portanto, uma tonelada de tampinhas, uma cadeira de rodas. Parece parvo? não as cadeiras de rodas, isso acho óptimo que aconteça. Mas espera. A mim sempre me pareceu parvo. Vamos medir o esforço. Portanto as tampinhas são plástico, plásticos reciclam-se, mas quando meto uma garrafa de plástico na reciclagem já lá vai a tampa. E está feito. Erodes lava as mãos satisfeito.
Mas eu quero ajudar alguém a ter uma cadeira de rodas. Meto a garrafa na reciclagem, tiro a tampa, guardo a tampa num outro sítio, junto tampas, quando tenho um monte delas vou a qualquer lado depositar as tampas, vou de carro, vão lá mais pessoas de carro com mais tampas, outras pessoas juntam quantidades maiores de tampas, até fazer uma tonelada, um monte de tampas, têm de ocupar a garagem com isto, armazenam isto no lugar do Fiat Punto, cada tampinha umas 2 ou 3 gramas, arranjam forma de transportar toneladas de tampas até à reciclagem e depois as empresas de reciclagem em Santa Cona do Assobio separam as tampas novamente porque são vários tipos de plástico, dão 600 euros por tonelada, umas quantas toneladas, 5, 6, uma cadeira de rodas. E a esta altura o Erodes já meteu uma bala nos cornos. Ou várias.
E assim um processo ineficaz de ajudar que é uma perda de tempo, recursos e dinheiro vai seguindo, porque o som de "tampinhas" é quentinho e é só uma tampa pequenina com cores. Não custa nada.
Acredito que as pessoas que recolhem tampinhas estão no grupo demográfico das que acreditam em anjos e gostam de golfinhos. É infelizmente algo próximo de um problema cognitivo. Alguém teve uma ideia que explora esse problema cognitivo sem querer e fez uma campanha que tem cobertura na televisão de tempos a tempos e não há forma de acabar.
Portanto, uma tonelada de tampinhas, uma cadeira de rodas. Parece parvo? não as cadeiras de rodas, isso acho óptimo que aconteça. Mas espera. A mim sempre me pareceu parvo. Vamos medir o esforço. Portanto as tampinhas são plástico, plásticos reciclam-se, mas quando meto uma garrafa de plástico na reciclagem já lá vai a tampa. E está feito. Erodes lava as mãos satisfeito.
Mas eu quero ajudar alguém a ter uma cadeira de rodas. Meto a garrafa na reciclagem, tiro a tampa, guardo a tampa num outro sítio, junto tampas, quando tenho um monte delas vou a qualquer lado depositar as tampas, vou de carro, vão lá mais pessoas de carro com mais tampas, outras pessoas juntam quantidades maiores de tampas, até fazer uma tonelada, um monte de tampas, têm de ocupar a garagem com isto, armazenam isto no lugar do Fiat Punto, cada tampinha umas 2 ou 3 gramas, arranjam forma de transportar toneladas de tampas até à reciclagem e depois as empresas de reciclagem em Santa Cona do Assobio separam as tampas novamente porque são vários tipos de plástico, dão 600 euros por tonelada, umas quantas toneladas, 5, 6, uma cadeira de rodas. E a esta altura o Erodes já meteu uma bala nos cornos. Ou várias.
E assim um processo ineficaz de ajudar que é uma perda de tempo, recursos e dinheiro vai seguindo, porque o som de "tampinhas" é quentinho e é só uma tampa pequenina com cores. Não custa nada.
sexta-feira, outubro 25, 2013
Surf Report
Após alguns meses de Surf:
Ser surfista já foi cool. Agora faz-se surf porque se gosta.
Os surfista oldschool ainda não encaixaram que não são cool se se comportarem como surfistas.
Realmente, fazer bodyboard é uma merda. É tipo deixar o surf a meio.
Já surfei ao lado de pessoal de topo mundial.
Surfar faz ganhar massa muscular. Muita. Vai essencialmente para a pança e ombros.
Não vejo a hora de começar a praticar Jet-ski.
Ser surfista já foi cool. Agora faz-se surf porque se gosta.
Os surfista oldschool ainda não encaixaram que não são cool se se comportarem como surfistas.
Realmente, fazer bodyboard é uma merda. É tipo deixar o surf a meio.
Já surfei ao lado de pessoal de topo mundial.
Surfar faz ganhar massa muscular. Muita. Vai essencialmente para a pança e ombros.
Não vejo a hora de começar a praticar Jet-ski.
quinta-feira, outubro 24, 2013
Odisseia pode ter sequela
O Pascoal adiantou-me que o Januário contou que há novidades no Vale de Santarém. A versão tuga da segunda parte do Hangover pode estar em pré-produção.
quarta-feira, outubro 23, 2013
Tenho um desafio
O design tem de ser um desafio. Há anos nisto e só descobri há dias.
Dois cenários, primeiro o habitual:
Prezado desenha algo a pensar que deve ser entendido e lido correctamente, de forma natural e intuitiva. Espera que o que apresenta como solução passe como que despercebido, sem atrito, que simplesmente seja apreendido com uma fluidez natural, ergonomia visual em acção. Espero feedback e há sempre falhas. Alguém nota sempre qualquer coisa. Alguém tem sempre uma dica, até.
Cenário dois:
Prezado está a pensar numa folha de papel gigante onde vai gatafunhando todos os eventos que se lembra, ligando meio à bruta a informação que depois vai incorporar num layout posterior, seguindo regras, convenções e soluções gráficas pré-concebidas, com a máxima acuidade possível, de maneira a que toda a gente entenda o pretendido. Alguém olha para a folha. Adianto "não ligues. Isto é só um esquema para saber tudo o que entra no layout. Não vais perceber nada.". Não espero feedback. Mas tenho-o: "Tás a dizer que não consigo ler isso? deves achar.".
Proponho então este novo método. Bauhaus com os porcos Gestalt é boa prós cágados, passo a apresentar layouts à-chico-esperto-de-Alfama:
- Já acabaste o layout?
- Já. Nem te conto. Este é mesmo lixado.
- Mostra lá isso.
- Quero ver se percebes este, tenta lá.
- ... Espera... Acho que estou a chegar lá.
- Dúvido.
- Juro. Isto aqui não é um headline?
- Tenta outra vez.
- Foda-se, és fodido, é sempre a mesma coisa. Facilita, meu.
- Tenta lá outra vez. Dou-te uma pista. Quando há fontes a menos de 8 pontos é uma nota de rodapé.
- Ok, tou a gostar mais disto. É aqui o headline?
- Tu vais lá.
Dois cenários, primeiro o habitual:
Prezado desenha algo a pensar que deve ser entendido e lido correctamente, de forma natural e intuitiva. Espera que o que apresenta como solução passe como que despercebido, sem atrito, que simplesmente seja apreendido com uma fluidez natural, ergonomia visual em acção. Espero feedback e há sempre falhas. Alguém nota sempre qualquer coisa. Alguém tem sempre uma dica, até.
Cenário dois:
Prezado está a pensar numa folha de papel gigante onde vai gatafunhando todos os eventos que se lembra, ligando meio à bruta a informação que depois vai incorporar num layout posterior, seguindo regras, convenções e soluções gráficas pré-concebidas, com a máxima acuidade possível, de maneira a que toda a gente entenda o pretendido. Alguém olha para a folha. Adianto "não ligues. Isto é só um esquema para saber tudo o que entra no layout. Não vais perceber nada.". Não espero feedback. Mas tenho-o: "Tás a dizer que não consigo ler isso? deves achar.".
Proponho então este novo método. Bauhaus com os porcos Gestalt é boa prós cágados, passo a apresentar layouts à-chico-esperto-de-Alfama:
- Já acabaste o layout?
- Já. Nem te conto. Este é mesmo lixado.
- Mostra lá isso.
- Quero ver se percebes este, tenta lá.
- ... Espera... Acho que estou a chegar lá.
- Dúvido.
- Juro. Isto aqui não é um headline?
- Tenta outra vez.
- Foda-se, és fodido, é sempre a mesma coisa. Facilita, meu.
- Tenta lá outra vez. Dou-te uma pista. Quando há fontes a menos de 8 pontos é uma nota de rodapé.
- Ok, tou a gostar mais disto. É aqui o headline?
- Tu vais lá.
terça-feira, outubro 22, 2013
Há uma linha que separa
Há linhas de baixo e linhas de lado. Há a linha continua e a linha alinhada. Há linhas curvilíneas e a linha rect... espera mas se é uma linha curva é curvilínea por definição e etimologia isso é como dizer que um círculo é circular ah espera agora é que estou a ver, estou a meio dum daqueles anúncios ui vou continuar, a miúda é gira, só não curto é aquelas bandas horizontais cortadas, gamadas de vídeos de anos 90 combinadas com visuais de videoclips modernaços Há a linha ofensiva e a linha ofendida, há linhas comprometidas linhas perdidas linhas que nem comento. Há alguém da Linha está? só um momento. Há a linha de fogo, a linha dura e a de alta costura. Alta costura? linha de apoio? mas espera é só rimar é que há bocado parecia um cliché de spoken word aquela pausa pseudo cool e parecia que ia a qualquer lado, agora é só rimar ah assim é mais fácil espera já volto há linhas de avião de legumes bordados e cortumes há linhas de papeira vinhos pianolas e madeira, há linhas semanais linhas de meloa linhas a ligar Berlim com a Brandoa. Há linhas de crédito linhas de pó linhas de guitarra e linhas de meter dó.
Há linhas. E há uma linha que separa um copy de um poeta. Essa linha acaba aqui:
Poeta, qualquer
________________
Televisão generalista, todas
Há linhas. E há uma linha que separa um copy de um poeta. Essa linha acaba aqui:
Poeta, qualquer
________________
Televisão generalista, todas
domingo, outubro 20, 2013
Simbolismo
Há anos que isto acontece assim: Há uma manifestação, eu e mais 5 mil pessoas estamos mesmo cheios do Passos/Sócrates/Cavaco/corja e vamos para à porta da assembleia. É simbólico. Não está ninguém na assembleia. Vamos mostrar-nos, só. Cada um tem razões diferentes para mostrar que está ali. Depois, há 30 polícias a tapar as famosas escadas da assembleia. Só as escadas. As escadas da assembleia são simbólicas, também. Há 3 crenças em volta das escadas: os deputados da oposição acreditam que o governo deve demitir-se caso as escadas sejam invadidas. Os jornalistas acreditam que passadas as escadas, estamos na Grécia. E os manifestantes acreditam que passadas as escadas, invadem a assembleia e o poder é restituído ao povo legitimamente. São escadas portanto com um poder simbólico muito grande. Convenção sem acordo, todos cumprem a tradição da escada, a cada manif. Uns comenta-na, outros protegem-na, outros tentam invadi-la.
Ontem a CGTP criou um novo paradigma de manif. Elevou a fasquia da manif simbólica para um patamar já conceptual e trouxe-a para o sec. XXI.
Começou pelo simbólico: A Ponte 25 de Abril. Uma marcha pela ponte, ao jeito de uma marcha pela Avenida da Liberdade e a relembrar os episódios da ponte doutros tempos. Com isto tornou-a uma manif CGTP/Almada-centrica. Quantos é que de Lisboa iriam a Almada de propósito?
Mas foram invocadas razões de segurança e proibida a passagem da ponte a pé.
Aqui entra parte do novo paradigma: A marcha de autocarros. Um ersatz de uma manif para cortar o trânsito da ponte a um Sábado - repara, o simbolismo - do sul para o norte. Fez-se.
Os autocarros fizeram a sua marcha lenta, ocupando apenas a faixa direita da ponte. Novamente o simbolismo em acção. Uma ponte invadida com uma faixa lenta de autocarros não é o mesmo que uma ponte cheia de autocarros em todas as faixas. Mas foi filmada, como sempre. Uma marcha sem pessoas, para televisão ver. E isso é a saída para o século XXI:
Esta manif foi totalmente pensada para redes sociais. A ponte filmada tem muito para ser um viral. A distância entre o tabuleiro/palco e as pessoas em Almada e Lisboa é tanta - mesmo que seja só mental - que só procurando fotografias e videos da manif no youtube e afins é que se teria tido uma ideia do que tinha sido a marcha a pé. Mal se ouvem. E à vista desarmada, de Alcântara, uma fila de autocarros na ponte não é uma boa performance.
Edit: Acho que foi tudo só uma ideia mal pensada da qual já não dava para voltar atrás.
Ontem a CGTP criou um novo paradigma de manif. Elevou a fasquia da manif simbólica para um patamar já conceptual e trouxe-a para o sec. XXI.
Começou pelo simbólico: A Ponte 25 de Abril. Uma marcha pela ponte, ao jeito de uma marcha pela Avenida da Liberdade e a relembrar os episódios da ponte doutros tempos. Com isto tornou-a uma manif CGTP/Almada-centrica. Quantos é que de Lisboa iriam a Almada de propósito?
Mas foram invocadas razões de segurança e proibida a passagem da ponte a pé.
Aqui entra parte do novo paradigma: A marcha de autocarros. Um ersatz de uma manif para cortar o trânsito da ponte a um Sábado - repara, o simbolismo - do sul para o norte. Fez-se.
Os autocarros fizeram a sua marcha lenta, ocupando apenas a faixa direita da ponte. Novamente o simbolismo em acção. Uma ponte invadida com uma faixa lenta de autocarros não é o mesmo que uma ponte cheia de autocarros em todas as faixas. Mas foi filmada, como sempre. Uma marcha sem pessoas, para televisão ver. E isso é a saída para o século XXI:
Esta manif foi totalmente pensada para redes sociais. A ponte filmada tem muito para ser um viral. A distância entre o tabuleiro/palco e as pessoas em Almada e Lisboa é tanta - mesmo que seja só mental - que só procurando fotografias e videos da manif no youtube e afins é que se teria tido uma ideia do que tinha sido a marcha a pé. Mal se ouvem. E à vista desarmada, de Alcântara, uma fila de autocarros na ponte não é uma boa performance.
Edit: Acho que foi tudo só uma ideia mal pensada da qual já não dava para voltar atrás.
Carros
quinta-feira, outubro 17, 2013
Urso Tech
Após meses, fiz como os putos: fui no autocarro de tablet a fazer de mp3. É o maior leitor de mp3 que já usei. Como é um bocado figura de urso ir a ouvir musica com um ecran daquele tamanho, meti-me a ver um Stand-Up do Carlin. E depois fiz figura de urso a rir-me sozinho.
Porno para neo-liberais
Vejo a novela americana lá longe, a extrema direita contra a direita extrema ( tomada por marxista pela extrema direita americana, tomada por socialista pela esquerda portuguesa e uma utopia pelo PP, por um povo a escolher entre direita e direita espera isso é mais ou menos o que temos cá mas encoberto com bandeiras às cores, lá simplificam metem azul ou vermelho e pronto ) e lembro-me que temos cá as mesmas pessoas mas mais caladas. Nem toda a gente quer ser um João César das Neves a exibir-se à solta na rua. Mas eles topam-se. Eu recomendo o teste abaixo, resultado de um estudo realizado por cientistas de. Exposição a porno neo-liberal. Uns não aguentam a pressão e entregam logo o jogo. Outros dão mais luta e disfarçam melhor. Também pode e deve ser usado em almoços de negócios, jantares com amigos e reuniões com clientes. Por ordem de tesão e fetiche:
Masturbação
Dizer com que idade o Belmiro ganhou o primeiro milhão
Pão com manteiga
Discutir o horário de trabalho de um funcionário público.
À bruta
Dizer quanto de um ordenado vai para o estado, há quanto tempo se desconta para a segurança social sem falta, quanto tempo um desempregado tem direito a subsídio e quanto é que se paga numa consulta numa urgência que demora 6 horas.
Bondage
Relatar o tempo em que uma empresa ficou parada à espera de uma licença camarária.
Sado Maso
Relatos de atendimento em repartições públicas.
Bestialidade
Citar o João César das Neves.
Masturbação
Dizer com que idade o Belmiro ganhou o primeiro milhão
Pão com manteiga
Discutir o horário de trabalho de um funcionário público.
À bruta
Dizer quanto de um ordenado vai para o estado, há quanto tempo se desconta para a segurança social sem falta, quanto tempo um desempregado tem direito a subsídio e quanto é que se paga numa consulta numa urgência que demora 6 horas.
Bondage
Relatar o tempo em que uma empresa ficou parada à espera de uma licença camarária.
Sado Maso
Relatos de atendimento em repartições públicas.
Bestialidade
Citar o João César das Neves.
quarta-feira, outubro 16, 2013
Capitalingo globamisto
- Boa tarde.
- Boa tarde, é um Cappuccino. Grande.
- Como é que se chama?
- Prezado.
- co-como?
- Prezado.
- Prezado?
- Sim.
Experiência atroz, o Starbucks. Faço a publicidade porque não adianta publicitá-lo: A experiência de um café destes não é para portugueses de 30 anos. Não é uma experiência de um café. É uma experiência americana. E eu gosto de cá estar.
Só procuram esta trampa porque foi vista em filmes. Quem se cola a uma cultura - baixa - com filmes e procura repetir a experiência do filme - basicamente a parte de chacha - são os miudos que enchem o youtube de cabelo nos olhos e calças nos joelhos. Sim, estou velho e eles estão a tomar o mundo, mas hei-de ter cafés à antiga, eu e o grupo de gajos-velhos-que-gostam-de-cafés-portugueses-à-antiga e que conseguem usar o hifen de hei-de com mestria.
Porque é que um café português é bom? porque não tem mestria. Não é um negócio. É só uma forma de adiar a morte. Vou a um café e não me tentam vender nada. Só querem viver em paz. Num Starbucks apanho com marketing estudado de ponta a ponta a justificar os preços de aeroporto e eu vejo-o, cancro do mundo vejo-o em raio-x, a puta dos copos Grande, Tall e Vasetti ou uma treta qualquer a armar a um pingarelho italiano que para nós não quer dizer nada. Dizia Grande, Gigante, Giganorme. Mas, são cafés, são só cafés, não usamos cafés para medir pilas. Isso fazemos com quantidades de super bock e histórias de grégo e gajas. Vi também Cappuccino, Latte, Mocha não sei quê e mais uns quantos. Ah, variedade? não brinquem. Carioca, escorrido, descafeinado, garoto, duplo, meia de leite - normal ou de máquina, bica, cimbalino. Como? em chávena fria, chávena escaldada ou abatanado? Espera. Curto, normal, cheio, com cheirinho? E se é pela cena de experimentar coisas diferentes, é para isso que serve o abatanado: Ninguém consegue explicar o que é aquilo afinal.
A atrocidade aumenta: Juntar tudo isto e somar-lhe o atendimento. Eu gosto de ser atendido por humanos, apesar de tudo. Mas Portugueses a seguir um guião americano não me convencem. Mas quero ser bem atendido. Mas não quero sair do café com mais amigos do que entrei. Mas só do lado de lá do balcão.
Depois, a cena do nome. Eu não quero dar uma palavra-passe para receber o meu café. Isto não é uma sessão de sado para ter uma safe-word para me poder levantar da cadeira e ir buscar o café ao balcão. Orgulho-me de ter alguma compreensão de linguagem corporal e perceber quando um empregado tem o café pronto só de olhar e ver que tem um café na mão. Sim, depois disso um simples "ó amigo" ou um "ó chefe" basta.
Finalmente, é tudo de pacote. Croissants de pacote, bolos de pacote, sandes de pacote. "Pode ser uma torrada.". Hosana, vem por barrar. Não, pessoal do marketing. Cá em Portugal um Starbucks está vazio seja a que horas for e vocês não são pagos só com gorjetas mandatórias. Imagino que tenham tempo de barrar a puta da manteiga na torrada. Não me custou muito fazer isso, é certo. Mas como sou um nazi capitalista, gosto de gente servil.
- Boa tarde, é um Cappuccino. Grande.
- Como é que se chama?
- Prezado.
- co-como?
- Prezado.
- Prezado?
- Sim.
Experiência atroz, o Starbucks. Faço a publicidade porque não adianta publicitá-lo: A experiência de um café destes não é para portugueses de 30 anos. Não é uma experiência de um café. É uma experiência americana. E eu gosto de cá estar.
Só procuram esta trampa porque foi vista em filmes. Quem se cola a uma cultura - baixa - com filmes e procura repetir a experiência do filme - basicamente a parte de chacha - são os miudos que enchem o youtube de cabelo nos olhos e calças nos joelhos. Sim, estou velho e eles estão a tomar o mundo, mas hei-de ter cafés à antiga, eu e o grupo de gajos-velhos-que-gostam-de-cafés-portugueses-à-antiga e que conseguem usar o hifen de hei-de com mestria.
Porque é que um café português é bom? porque não tem mestria. Não é um negócio. É só uma forma de adiar a morte. Vou a um café e não me tentam vender nada. Só querem viver em paz. Num Starbucks apanho com marketing estudado de ponta a ponta a justificar os preços de aeroporto e eu vejo-o, cancro do mundo vejo-o em raio-x, a puta dos copos Grande, Tall e Vasetti ou uma treta qualquer a armar a um pingarelho italiano que para nós não quer dizer nada. Dizia Grande, Gigante, Giganorme. Mas, são cafés, são só cafés, não usamos cafés para medir pilas. Isso fazemos com quantidades de super bock e histórias de grégo e gajas. Vi também Cappuccino, Latte, Mocha não sei quê e mais uns quantos. Ah, variedade? não brinquem. Carioca, escorrido, descafeinado, garoto, duplo, meia de leite - normal ou de máquina, bica, cimbalino. Como? em chávena fria, chávena escaldada ou abatanado? Espera. Curto, normal, cheio, com cheirinho? E se é pela cena de experimentar coisas diferentes, é para isso que serve o abatanado: Ninguém consegue explicar o que é aquilo afinal.
A atrocidade aumenta: Juntar tudo isto e somar-lhe o atendimento. Eu gosto de ser atendido por humanos, apesar de tudo. Mas Portugueses a seguir um guião americano não me convencem. Mas quero ser bem atendido. Mas não quero sair do café com mais amigos do que entrei. Mas só do lado de lá do balcão.
Depois, a cena do nome. Eu não quero dar uma palavra-passe para receber o meu café. Isto não é uma sessão de sado para ter uma safe-word para me poder levantar da cadeira e ir buscar o café ao balcão. Orgulho-me de ter alguma compreensão de linguagem corporal e perceber quando um empregado tem o café pronto só de olhar e ver que tem um café na mão. Sim, depois disso um simples "ó amigo" ou um "ó chefe" basta.
Finalmente, é tudo de pacote. Croissants de pacote, bolos de pacote, sandes de pacote. "Pode ser uma torrada.". Hosana, vem por barrar. Não, pessoal do marketing. Cá em Portugal um Starbucks está vazio seja a que horas for e vocês não são pagos só com gorjetas mandatórias. Imagino que tenham tempo de barrar a puta da manteiga na torrada. Não me custou muito fazer isso, é certo. Mas como sou um nazi capitalista, gosto de gente servil.
terça-feira, outubro 15, 2013
Mensagem do futuro
Vou ali a passar à escola de betos ao pé do trabalho à hora de almoço e estão uns 15 a fumar uns quantos canhões nas traseiras da escola. Tive uma tarde mais calma só a conta de ter enchido os pulmões a passar na rua.
Pessoas do passado, toda a gente percebe que vocês estão todos queimados. Os vossos pais só disfarçam para não se chatearem. Eles também lhe deram com força quando eram putos.
Pessoas do passado, toda a gente percebe que vocês estão todos queimados. Os vossos pais só disfarçam para não se chatearem. Eles também lhe deram com força quando eram putos.
segunda-feira, outubro 14, 2013
Comentaródromo
Ler jornais online e ver os comentários tira-me a fé na humanidade. Parece haver uma probabilidade estatística que favorece o acesso de labregos a teclados. Será que têm um mindinho mais comprido que carrega no Enter sem lerem o que escrevem? escrevem com a testa?
Proponho a criação de divisórias no-meu-tempo™ na internet. Como que estábulos virtuais, separam-se os comentadores por faixa etária: 60/70, 50/60, 40/50 e assim por diante, subdivididas em boxes para cada par de anos.
Proponho a criação de divisórias no-meu-tempo™ na internet. Como que estábulos virtuais, separam-se os comentadores por faixa etária: 60/70, 50/60, 40/50 e assim por diante, subdivididas em boxes para cada par de anos.
sábado, outubro 12, 2013
O tal do empreendedorismo, visto daqui
É complicado ser ex-bloquista e anarco-primitivista e ao mesmo tempo andar na senda do empreendedorismo. Seria fácil comparar-me com, por exemplo, um político do PC de uma terra aí algures que simultaneamente é empresário, dono de uma fábrica, mas onde não são permitidas greves ( é de Peniche ).
Aqui o pessoal do 5 Dias, que vou seguindo, relata umas verdades sobre o empreendedorismo que não são a verdade toda. Cito:
"Não há jornal ou revista que nos últimos três anos não tenha apresentado uma ou mais reportagens sobre “empreendedores” de sucesso vário. Normalmente a reportagem apresenta X portugueses que triunfaram na sua área / abriram um pequeno negócio de sucesso / tiveram uma ideia genial / regressaram da emigração (riscar o que não interessa)."
Eu próprio digo isto dentro da empresa. É verdade. E enjoa. Não estimula o espirito critíco. Qualquer trampa é vista como uma ideia genial, uma ideia de chacha mas visível é promovida como a ultima coca-cola no deserto. Mas os telejornais começaram a passar conteudos de qualidade a partir de quando?
O português é Saloio e não é de hoje. É um fascinado.
"O “empreendedorismo” não é a renovação do tecido empresarial do país, a excelência criativo-técnica da sociedade ou o sentido de aventura dos jovens, mas sim a crise, a austeridade e a precariedade pintadas de amarelo e azul com o lettering em helvetica neu."
Verdade. A renovação não está no empreendedorismo. Está nas universidades e depois está nas empresas. Mas, disseste Helvetica Neu. Sim, de facto, é melhor usar helvetica neu e renovar a imagem das empresas. A começar por qualquer coisa, porque não pela imagem? Sim, um político dirá que se começa pelas políticas, eu digo que se começa pela imagem. É que a imagem actual é uma miséria. O pouco que de melhor se desenha nas empresas ora cai no neo-vintage que nunca tivemos ( não tinhamos produção industrial nessa altura) e limitamo-nos a copiar o estilo americano dos anos 50 ou vamos para pós-pós-moderno dos hipsters em que seja o que for que se venda, o logotipo mete cruzes, ancoras, triangulos e é sempre a preto. Mas é melhor que o resto do cenário.
E agora a parte da desonestidade intelectual, cruzada com a falta de noção como remate nesta tirada ( esta é a parte que eu gostei mais ):
"PS: Na altura de postar procurei no google images “empreendedor”. O resultado é profundamente sinistro, cínico e esclarecedor. O momento empreendedor de orgasmo divino no escritório é todo um novo programa de alegria no trabalho.

(...)"
Meu mas que ideia de merda para acabar com um post que tinha lógica e vais dissertar sobre umas imagens sacadas da net, semiótica para deputados é isso? porra mete a mão na consciência eu sei que não curtes a conversa dos betos que nunca se viram à rasca com dinheiro mas assim não dá. Eu até estava quase a acabar de ler o post e a pensar "é isto, ele tem razão, vou mas é emigrar para a Holanda para uma comuna vegetariana" E dou com isto.
Mas alguém com cabeça usa estas imagens de merda?
As minhas discussões diárias com clientes são à conta deste tipo de mentalidade de mínimo denominador comum. Discuto e discuto e discuto e apanho com um "ah, mas o Zé usou na apresentação dele". Por isso é que se fala da tal renovação do tecido empresarial. Estas imagens são usadas por vendedores de carros de Frielas em acções de team-building no Natal. As tais empresas de chacha é que usam isto, cliparts 3D é uma casse particularmente mal vista, até por aqueles que usam cliparts. E como são a maioria, o Google entrega o que a maioria gosta: Merda.
nota: O autor tem uma opinião séria sobre empreendedorismo, renovação de tecido empresarial e preconceitos. Mas isso não é para aqui.
Aqui o pessoal do 5 Dias, que vou seguindo, relata umas verdades sobre o empreendedorismo que não são a verdade toda. Cito:
"Não há jornal ou revista que nos últimos três anos não tenha apresentado uma ou mais reportagens sobre “empreendedores” de sucesso vário. Normalmente a reportagem apresenta X portugueses que triunfaram na sua área / abriram um pequeno negócio de sucesso / tiveram uma ideia genial / regressaram da emigração (riscar o que não interessa)."
Eu próprio digo isto dentro da empresa. É verdade. E enjoa. Não estimula o espirito critíco. Qualquer trampa é vista como uma ideia genial, uma ideia de chacha mas visível é promovida como a ultima coca-cola no deserto. Mas os telejornais começaram a passar conteudos de qualidade a partir de quando?
O português é Saloio e não é de hoje. É um fascinado.
"O “empreendedorismo” não é a renovação do tecido empresarial do país, a excelência criativo-técnica da sociedade ou o sentido de aventura dos jovens, mas sim a crise, a austeridade e a precariedade pintadas de amarelo e azul com o lettering em helvetica neu."
Verdade. A renovação não está no empreendedorismo. Está nas universidades e depois está nas empresas. Mas, disseste Helvetica Neu. Sim, de facto, é melhor usar helvetica neu e renovar a imagem das empresas. A começar por qualquer coisa, porque não pela imagem? Sim, um político dirá que se começa pelas políticas, eu digo que se começa pela imagem. É que a imagem actual é uma miséria. O pouco que de melhor se desenha nas empresas ora cai no neo-vintage que nunca tivemos ( não tinhamos produção industrial nessa altura) e limitamo-nos a copiar o estilo americano dos anos 50 ou vamos para pós-pós-moderno dos hipsters em que seja o que for que se venda, o logotipo mete cruzes, ancoras, triangulos e é sempre a preto. Mas é melhor que o resto do cenário.
E agora a parte da desonestidade intelectual, cruzada com a falta de noção como remate nesta tirada ( esta é a parte que eu gostei mais ):
"PS: Na altura de postar procurei no google images “empreendedor”. O resultado é profundamente sinistro, cínico e esclarecedor. O momento empreendedor de orgasmo divino no escritório é todo um novo programa de alegria no trabalho.

(...)"
Meu mas que ideia de merda para acabar com um post que tinha lógica e vais dissertar sobre umas imagens sacadas da net, semiótica para deputados é isso? porra mete a mão na consciência eu sei que não curtes a conversa dos betos que nunca se viram à rasca com dinheiro mas assim não dá. Eu até estava quase a acabar de ler o post e a pensar "é isto, ele tem razão, vou mas é emigrar para a Holanda para uma comuna vegetariana" E dou com isto.
Mas alguém com cabeça usa estas imagens de merda?
As minhas discussões diárias com clientes são à conta deste tipo de mentalidade de mínimo denominador comum. Discuto e discuto e discuto e apanho com um "ah, mas o Zé usou na apresentação dele". Por isso é que se fala da tal renovação do tecido empresarial. Estas imagens são usadas por vendedores de carros de Frielas em acções de team-building no Natal. As tais empresas de chacha é que usam isto, cliparts 3D é uma casse particularmente mal vista, até por aqueles que usam cliparts. E como são a maioria, o Google entrega o que a maioria gosta: Merda.
nota: O autor tem uma opinião séria sobre empreendedorismo, renovação de tecido empresarial e preconceitos. Mas isso não é para aqui.
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