terça-feira, junho 03, 2014

Os saloios

Disclaimer: ser tuga não é uma cruz nem somos especialmente diferentes de qualquer outro povo senão no número. O número ( pequeno )  condiciona tudo o resto. Sermos poucos torna-nos mais visíveis. Sermos poucos torna-nos todos primos uns dos outros. Isso compromete-nos. Juntem a isso umas condicionantes lixadas, tipo cultura, educação, dinheiro e está a caldeirada feita. Ainda assim, não somos diferentes dos americanos, noruegueses moldavos ou australianos. Só somos poucos e temos mais duns tugas que doutros.

Temos mais saloios. Somos saloios. Os saloios são rápidos a achar que lá fora é que se trabalha e que se faz e acontece. Mas não. Cá faz-se o mesmo e se não se faz é porque outros saloios, primos de certeza, não querem que a coisa mude. Os saloios são bons a queixar-se de tudo mas péssimos a chegar-se à frente quando chega a vez de pagar a multa de estacionamente, usar o saúde 24, ir votar - nem que seja no CONTRA -  ou simplesmente fazer qualquer coisa despreocupadamente. Devolver, como diz o gajo zen do trabalho.
O pessoal saloio gosta de dar o exemplo - que toma como real e jurará a pés juntos que só cá só cá - de comportamento tuga aquela imagem do trolha no buraco a cavar com 6 tugas, um carteiro, 2 polícias, 3 reformados, reformados 3 mesmo, não são 3 polícias reformados porque eram só 2 eu disse 2, mas essa imagem é tão tuga como ter sede ou nascer com 2 rins. Essas manias são dos humanos. Nós temos é um excepcionalismo sebastianista.

segunda-feira, junho 02, 2014

Estudos indicam coisas

Há uns anos ouvi uma mini palestra de chacha em que um tipo dizia que iamos, em x anos, fazer upload de mais de x gaziliões de fotos por dia. Estávamos no início das máquinas fotográficas digitais, dos telemóveis com máquina fotográfica, não havia twitter, não havia instagram. Hoje já passámos desse número por vários gaziliões e vejo os putos a terem fotografias de si mesmos de todos os dias que viveram - eu sempre achei que só ter umas 6 ou 7 fotos de quando era puto era pouco mas também não é preciso isto - e pergunto-me várias vezes quais serão os efeitos práticos disto, se sequer tem efeito, se as fotos são simplesmente ignoradas, se não deixam a memória fazer o seu papel, se a memória passa a ser sempre assistida, se o ego passa a ser uma construção muito mais sólida ou se pelo contrário fica mais volátil, dessensibilização por excesso, eventualmente as fotos desaparecem - isto é improvavel - em favor de outro formato qualquer - o 3D vai invadir tudo, imagem, video, objectos - que preserve memórias de uma forma mais económica, menos quantidade, menos repetição, mais presença e coiso.
Se calhar fica tudo na mesma.

quinta-feira, maio 29, 2014

quarta-feira, maio 28, 2014

Era só isto

Street coiso
Disclaimer: há uns anos, o Prezado fazia street art. Porque achava piada. Depois deixou-se disso, quando leu as entrelinhas do movimento demasiadas vezes. Diziam "diarreia visual".

Eu gosto de street art. Há dezenas de técnicas a serem exploradas e há algumas coisas bastante interessantes por aí. Mas raramente passam de algo apenas formal, nem ultrapassam os mesmos conceitos reciclados, gags visuais, ( esperadamente ) inesperados, o rendilhado absurdo, a repetição, o pop. A street art é vazia e visual. A mensagem é a mesma, a ideologia é sempre a mesma e qualquer fuga da ideologia deixa de ser street art. É uma liberdade muito estrita, horizontal, que não se supera. Como é feita por amadores num tempo em que a arte é feita por profissionais, a vanguarda está com os poucos que têm domínio na expressão ou no conceito. Que eventualmente passam a profissionais. Dizia, é tudo muito igual. Se um enche paredes de bananas, outro enche de chouriços. Isto não me diz muito, no fundo estão os dois a fazer a mesma coisa.

Mas tudo bem. Siga.
Agora, há algo pior que paredes com chouriços: o marketing. O marketing é - e agora estou a lembrar-me do Hicks - é tipo virus. Gonorreia. Sifilis. Alberto João. É pior que a peste. Exemplo: Primeiro apareceu a GAU. Galeria de arte urbana, que distribui espaços para street art FODA-SE como é que distribuem a rua mas que tipo de gente é que alinha nisto, uma marca, vinda do nada do zero, da cabeça de alguém resolve vender - na prática é vender sim porque é um item, é um espaço que não era de ninguém e passou a ser uma marca por decreto - o espaço público como galeria retalhada por autorização, pessoal que alinha nisso é totó, pessoal que não pinta por cima é totó também. Depois aparecem estes artistas da Embaixada, a vender sapatos da moda - isto choca com a tal ideologia que a street art não larga -  que dizem que estão a fazer street art pendurando um vinil impresso a laser sobre o predio e a chamar-lhe intervenção não caralho não, intervenção é pintarem a puta da parede toda com o que lhes dá na telha bom ou mau, meter um vinil à frente de uma fachada é o que as marcas fazem, meter lá isso ou fotos de gatinhos é a mesma coisa, qual é o risco de desenhar um vinil, vão errar? vão perder a noção de espaço? E para uma marca? É o mesmo que fazer uma campanha. E de publicidade está o mundo cheio.

A psique tuga

Desde há uns tempos, há um estrangeiro no trabalho. Em conversa ao almoço, comparámos a reacção portuguesa e a reacção americana sobre a vinda de um americano para Portugal. É bastante previsível:

O Americano:
- oh, Portugal? where is it? that's so cool, hope you enjoy it there.

O Português:
- Vieste para cá?? Para quê?

A resposta real não funciona ( trabalhar, ter uma vida, como os outros ) e o tuga só larga a cara de incredulidade quando diz "Aqui faz bom tempo". Aí tudo faz sentido.


domingo, maio 25, 2014

Marinho Pinto?

O Marinho Pinto ganhou. Não deixo de me sentir responsável, depois de ter apelado ao voto CONTRA em Marinho Pinto. O poder de influência deste blog é conhecido mas subestimei-o.
Agora pergunto-me o que vai acontecer. Vejo dois cenários.
Marinho Pinto vai amainar. No meio dos outros Eurodeputados, depressa descobrirá que é preciso ter maneiras à mesa ou vai para a mesa dos míudos. Os gestos à italiano vão desaparecer porque não vai querer ser tomado por italiano. Vai começar a tratar de burocracias num ambiente calmo e regrado, o que o vai acalmar.  Ou então não. Vai ser a nova Cicciolina do parlamento, mas em vez de mostrar as mamas mostra o intelecto só para chocar os outros. Vai ter ideias peregrinas e postar youtubes com as medidas para melhorar a vida dos taxistas todos os meses.

Provavelmente vai ser os dois.

Ainda sobre eleições: a França promoveu a extrema direita a partido de primeira divisão. A Italia teve lá a Cicciolina durante uns anos. É por isto que o Prezado tem a teoria que os portugueses são principes: Estamos tão longe desta gente.

sábado, maio 24, 2014

Votem

Votar CONTRA é importante. Mais do que a abstenção, o voto CONTRA é o voto que pesa.
Imaginem um Passos triste. Imaginem um Alegre triste. Imaginem um Seguro a morrer de velho. Espera, esta já é só estupida e demora muito.

Votem CONTRA. Votar CONTRA, mais que a abstenção, carrega responsabilidade mas torna um niilista num cidadão activo. Não, o voto em branco não é tido em conta. Estudos indicam que não serão tidos em conta até que surja um novo método de votação, o que pode acontecer nas próximas 2 gerações ( quando o google passar a fazer isso por nós ).
Votem CONTRA. Votar CONTRA é poder dizer num jantar de descontentes "eu não votei nesses, já sabia o que ia dar".
Votar CONTRA é tomar as rédeas do destino do país quando alguém puxa demasiado na rédea para a direita. O pessoal quer que o cavalo ande em frente.
Votar CONTRA, nem que seja no partido dos animais ( piada fácil aqui, vou passar ) também pode ser como votar em branco: um comentador político da treta encarregar-se-á de indicar que é um voto de protesto.
Votem CONTRA, é mais fácil. Numa prova cega de boletins de voto, há mais probabilidades de acertarem num CONTRA.
Votem CONTRA, o voto consciente. Só gente masoquista ou muito bem na vida ou inconscientes ou psd's não vota contra.
Votem CONTRA. É o mais nacionalista / comunista / liberal / progressista / fascista /anarquista que podem votar.
Votar CONTRA é dar tema de conversa aos taxistas. Um taxista calado é um muro limpo.
Votem CONTRA, com desprendimento. Não devem nada a ninguém. Um pássaro na mão é sempre melhor que dois a voar. E a cavalo dado não se olha o dente. Sei lá.
Votem CONTRA. É poupança cognitiva. Durante 4 anos mal vão ouvir falar de quem votaram, porque não é PSD nem PS nem PP. Vai fazer a sua parte e não precisa de atenção. Pensem num eurodeputado como uma espécie de cacto.
Votem CONTRA mas a tempo.
Votem CONTRA. Façam Portugal viral: Um Marinho Pinto como eurodeputado daria virais portugueses todas as semanas, como o drone da marinha.
Votem CONTRA mas epa pensem bem que tipo de gente é que vota PNR? como é que alguém com os dentes da frente e sem problemas de auto-afirmação / inveja do pénis / impotência / primos debeis  mentais / necessidades de tacho é que dá carta branca para um artista daqueles abrir a boca?
Votar CONTRA é pim. É dar o sinal claro que sim percebemos que uma campanha intelectualmente séria, com debates baseados na transparência e na visão ideologicamente fundamentada de cada partido seria pouco popular e dificilmente geraria grandes ajuntamentos e arruadas, que em vez disso os candidatos preferem jogar num plano inferior mas mais imediato e simples, composto de picardias pessoais e soundbytes, sem ideias de longo prazo ou impossíveis de condensar numa frase de 5 palavras para assim conseguir capturar votos em quantidade, mas que não temos nada a ver com isso.
Votem CONTRA.

quinta-feira, maio 22, 2014

Estudos indicam

Portfolios e CV's, um estudo científico.
Análise estatística sobre eficácia, baseada em empirismos e truismos.


Dada uma quantidade de CV's e Folios suficiente para amostra, conduziram-se testes e analizaram-se conteudos bem como reacções da entidade patronal - sob pena de embolia subita para esta.
Os resultados foram compilados e associados a case studies representativos das caracteristicas mais fortes de cada um, fazendo a vez de poster-child de cada drama pessoal que encerram.

Case 1
O Criativo
O criativo é um caso de hiperactividade ao nível demonstrativo. Se um CV deve ser apenas um A4 com Arial a corpo 12 com linha e meia de entrelinhamento, o criativo não vai guardar as habilidades unicas e especiais que tão mal guarda só para si e vai usá-las logo no CV, eliminando a ultima sombra de seriedade que podia mostrar ao futuro patrão. Um CV de um criativo é quase sempre, um PDF. Porque o criativo tem de usar fontes, cores, fundos, efeitos especiais e tudo em tudo o que faz tudo.
No portfolio, o céu é o limite. Tanto pode continuar no PDF como inventar formatos inauditos. Caixas de Nestum. Latas de amendoins. Sandes de presunto. Videos. A internet infelizmente ajudou a espalhar alguns exemplos ( sempre espalhafatosos e primários ) de "o melhor currículo do mundo". O melhor curriculo do mundo só é classificado assim por:

1. Quem não sabe. 2. Quem foi contratado / contratou graças a ele ( isto são 2 pessoas ).

E claro, não tem em conta os milhares de "melhores currículos do mundo" que ficaram pelo caminho, no fundo da pilha.

Case 2
O Robinson Crusué
O Robinson Crusué é anti-materialista. Isolado na sua ilha anti-internet, anti-software e anti-sociedade, ataca uma candidatura como quem ataca um urso com um pau afiado: mal. Envia o CV com um email inesquecível, como robbombanashoras.1benfica@esoterica.pt, tanto inclui - aqui há duas escolas distintas, os anal-retentivos e os verborreicos - só a informação necessária a perceber-se que pertence ao grupo de pessoas capaz de enviar um email como todos os eventos extra-curriculares, desde o crisma até à missa do sétimo dia. Nunca ouviu falar do linkedin, o folio é um pdf ou uns jpegs em attach no email. Se enviar links para sites, vão estar offline. Ou dar a uma lata de amendoins.

Case 3
O lateral-esquerdo
O lateral-esquerdo pode ter um pouco de criativo e de crusué. Mas o que o distingue é a capacidade de achar que um conjunto de habilidades específicas de que é capaz, por exemplo limpa-chaminés pode vir a ser util para quem precisa de um baterista. O lateral-esquerdo passa todos os jogadores em campo por ser tão diferente dos outros e vai sempre directo ao poste. De testa.

Case 4
O Relvas
O Relvas não envia currículos.


No Febre dos Fenos foi onde as considerações sobre Curriculae começaram.

terça-feira, maio 20, 2014

Eu é mais 50/50

Lido bem com religiões, desde que não mas vendam o tempo todo.
Acho que são porreiras para regular gente sem rumo, especialmente as velhinhas na primeira fila da missa. São as mais perigosas.
O pessoal que conheço que acredita em algo maior, usa Deus como conceito e só nesse sentido acreditam n'Ele. Deus manifesta-se em coisas grandes, como layouts bem feitos, sempre com o diabo nos detalhes. Também acho piada ao nazareno, porque era um hippie.
Mas agora calhou-me trabalhar com um daqueles do deus pequeno, das velinhas, do crucifixo, de fátima, dos milagres.
É tão mau como o pessoal dos anjinhos, cristais e golfinhos.

domingo, maio 18, 2014

Paciência

Não ando com paciência para isto. A culpa é do trabalho. Não que corra mal - acho que a altura em que escrevia mais aqui e da forma que me dava mais gozo era na altura do pior trabalho de sempre - mas porque corre bem e não preciso de alucinar diariamente.
O que me faz falta.

sexta-feira, maio 16, 2014

Luxo

Tempo, Espaço e Silêncio. O resto vale pouco.

Os outros são o inferno

Em tempos, a crítica mais comum feita à internet é que estava cheia de porno e que por isso, não servia para nada. É capaz de ter sido uma quase-verdade, porque sempre servia para o porno.

Nesses tempos, perdia muito tempo a evangelizar toda a gente.
Agora que já há 10 anos de uso de internet consistente por todo o tipo de pessoas, quero é que desapareçam. O tempo que todos os dias milhões de pessoas perdem a comentar jornais online, reclamar das novas injustiças do mundo que o youtube mostra todos os dias e a criar filtros para eliminar trolls é simplesmente demasiado.

Quando penso que quando era puto achava que a televisão dava demasiada atenção aos cromos da bola, nunca imaginava o nível do estrago que os animal lovers iam fazer à internet.

quarta-feira, maio 14, 2014

Sideshow

Entro no prédio e seguem-me passos a que não ligo. À porta do elevador, cumprimentam-me com um boa noite 3 vozes , uma delas mais firme que as outras. Viro-me.
Uma miuda de t-shirt coçada e chinelos, baixa e magra. Um gajo de um metro e quarenta, indiano, desgadelhado e com voz de marreta. O umpa-lumpa arquetípico. Uma outra miuda t-shirt e chinelos, mais um palmo de altura que os outros dois, pança a sobejar, periforme, voz de talhante fumador.
- Posso perguntar-lhe uma coisa?
- Força. - Aqui ainda pensava que eram vizinhos novos a vir da praia.
- O senhor é Optimus ou Zon?
- ehhhhhh é Zon.

E entram no elevador. Pela conversa, este pequeno circo ambulante Lynchiano vai tentar vender ligaçoes de internet à comissão, de porta em porta.
O mundo é um sítio porreiro.

terça-feira, maio 13, 2014

13 de Maio

- Jacinta, passa lá isso.
- Já vai já vai calma. Jacinta bebia mais um gole de medronho num safanão afastava Lucia apre diziam seus braços em esquina viva sai-te para lá que já é a tua vez
- Jacinta não sejas lambona és mesmo lambona pareces o prior
- Párem lá com essa merda, quem trouxe a garrafa fui eu não vos vi a serem valentes para ir lá a adega buscar a garrafa o Petrolino chegava-me a roupa ao pelo e agora são valentes para beber já são valentes passem cá isso. Só um gole vá toma lá que cansaço. Lá vai a porra da cabra Barão busca barão olha a cabra assobia e o cão pelas pedras corre para a cabra.
Lucia toma conta das cabras eu tou com sono e o sol vai alto ainda.

- É Lucia já é noite já é noite acorda acorda olha é tarde. Estamos feitos Jacinta não demos pelas horas as cabras onde estão as cabras. Galgam os montes tresmalhados como as cabras calcorreiam fundões cafundós e afins tudo sítios de nomes ermos juntando cabras e cães o Barão ajuda mas pouco é teimoso e corre pouco, os pugs são assim.

- Então onde andaram perguntou o pai severo e grave olhar encovado ó onde é que andaram já perguntei - Meu pai foram as cabras elas perderam-se  - isso é porque andaram a dormir eu já vos disse o que acontecia se andassem a mandriar não meu pai não senhor meu tio não é que apareceu uma senhora uma senhora , mas qual senhora a senhora levou as cabras foi? não eu eu ouvi a senhora a chamar e fiquei a ouvir - Mas quem? - era uma senhora lá em cima - em cima do Outeiro? mas vocês não eram para estar na várzea com as cabras não meu pai no alto no alto da oliveira, ela trepou, Jacinta o que é que já te disse como é que alguém trepava aos choupos tu tas-me a mentir vais contar essa história à vara de marmelo - não ela estava em cima da arvore mas não trepou ela veio cima de uma nuvem e era muito bonita e de branco e disse que era uma santa e disse para rezarmos foi isso foi juro por deus nosso senhor
- Foi isso foi, tio
- E vocês não andaram a beber nada?
- não meu pai não não
- Vou chamar o Prior. Vocês vão-se confessar.

Então prior?
Eles viram Santa Maria. Jacinta jura pela alma da mãe que viu uma senhora branca de luz que lhe disse para orarem pelos enfermos. Francisco disse que não viu nada mas ouviu. E Lucia também não viu nada, ainda não tem aqueles óculos que vão ser conhecidos daqui a uns anos e que vão ser a sua imagem de marca. Ray-ban? não aqueles verdes ok já tou haver - Acha que estão a mentir? pelo sim pelo não meta-os de castigo assim o farei prior

Hoje dormem no curral. Não o Jericó é bravo e morde vá a andar, não não pode porque senão, Vai o Francisco então e mais a cara do marmelo ah não contamos o segredo ah são 3 um cada um tem um - Segredo? A senhora contou um segredo a cada um de nós mas só podemos contar ao Bispo. Calha bem o bispo está em minha casa vou lá levar-vos e põe-se isto a limpo não prior ao Papa só contarmos ao Papa disse a senhora o Papa protege-nos dos comunistas - onde é que ouviste isso rapariga  - só o Papa, senhor prior -

Senhor Bispo, eles juram a pés juntos. Isso parece-me coisa de gente simples. Mas o povo já sabe disto, ontem já vi gente ao pé dos choupos.

- Se eu um dia descubro que vocês inventaram isto e que anda tudo a rezar no ermo à vossa conta, parto-vos a cabeça à pancada.
- Sim tio.


Acho que foi assim. Foi um dos temas de conversa ao almoço.

Coerência

O que eu curtia era ver o pessoal que reclama tanto dos hospitais e dos balcões das finanças a reclamar em todos os balcões e em todos os serviços. Mas é sempre mais fácil culpar uma figura qualquer abstracta - o "Estado" - do que pessoas individuais.
Cena de país católico.

domingo, maio 11, 2014

Barricadas

Tenho andado a fazer entrevistas de trabalho. Mas desta vez do lado do patronato.

É bastante estranho. A parte mais complicada é não ser um porreiraço como era a ser entrevistado. Tenho demasiada facilidade em empatizar com os revoltados da sociedade e alimento a revolta, porque quero ver sempre a barraca a arder. Mas esse pessoal revoltado tem de ser mesmo bom, senão não compensa.
Andei meses em entrevistas na minha área. Agora percebo porque é que corriam bem mas não davam em nada: Ser porreiraço e revoltado não chega. Convém trazer mais qualquer coisa para o trabalho.

terça-feira, maio 06, 2014

Folga

Não agradeçam:

http://www.corporateavoidance.com/

sábado, maio 03, 2014

O cais do sodré não

Fui ao Cais do Sodré. Ainda não tinha ido este ano, à conta da estada nos States.
Foderam aquilo tudo enquanto estive fora:

Acabaram com o Copenhaga. Como é que um gajo agora vai beber copos em sítios decadentes mas que combinam pessoal normal ( burguesia moderna ) , putas, bebâdos, mitras e pessoal da margem sul?

Acabaram com o Transmission. Isto é o acontecimento mais grave desde o aumento do IVA. Tenho de ir até ao Metropolis, no meio de nada, para ouvir metal? como é que cabem todos os metaleiros de Lisboa e arredores lá dentro? Pensaram no pessoal da margem sul? a maior das pessoas que vinham da margem sul a Lisboa eram metaleiros. Onde é que apanho metal a sério agora? o Metropolis é só EBM e indutrial com putos mascarados.

Abriu mais uma treta retro-hipster ao lado do Sabotage. Tinha bom ar. Mas já chega. Para isso há a pensão amor.

Abriu um bar todo pipi em cima do Viking. Gosto da contradição, mas não posso com a ideia do viking ir à vida um dia destes. Os betos conquistam aquilo tudo, é uma questão de tempo. A sobrevivência fica do lado de quem paga mais.

O Roterdão fechou. Temo pelo pior, se bem que não podia ser muito pior.

Abriu mais uma treta de degustação de não sei quê ao lado dos tascos manhosos da praça de S. Paulo.

A rua do Cid, até esse antro, está rodeada de bares novos a armar ao pingarelho.

Onde é que um gajo agora vai para ter o cenário decadente que merece?

P.S. por outro lado, o Bairro estava espetacular.

sexta-feira, maio 02, 2014

Percebo melhor o meu pai

O meu pai tinha umas ideias bem fixas quanto a política. Era assim meio descrente. ( Infelizmente a pouca crença que tinha, dava-lhe para o PSD ).
Depois de ver o IVA subir mais uma vez, percebo cada vez mais a descrença, mas não percebo o PSD. Agora vem este governo teoricamente liberal aumentar o IVA e teoricamente promover o consumo. Desisto.
Desde a secundária e os tempos do Cavaco e da Ferreira Leite que estou à espera de revoluções. Tenho feito a minha parte, parece-me: Não falto às manifs que interessam e sempre que posso e muitas vezes, quando não devo  - não é profissional confrontar um patrão marialva e burro, como fiz em tempos - meto gasolina na fogueira e promovo o governo como ele merece. Não criei nenhuma célula nem peguei em bandeiras ( mas já desenhei umas ).

E estou cansado da conversa das revoluções em Portugal.
A memória, provavelmente coisa de velhos e eu estou a ficar velho, não me deixa esquecer os primeiros cortes depois do FMI aterrar nos ministérios e o reboliço com que foram recebidos, com a promessa de que isto ia tudo abaixo em pouco tempo.
Já foram há anos, nada foi abaixo e está tudo bastante pior.
A conversa da revolução já é só caricata. 

Sugiro arranjarem outro mote, para alguém acreditar em alguma coisa.

quarta-feira, abril 30, 2014

Só naquela

Hoje vou ali "surfar" a Carcavelos.
Disclaimer: Prezado continua a ser designer, a viver em Lisboa. 2 pés esquerdos, uma mão esquerda melhor que 2 pés esquerdos. É autor publicado. Fotografa como obrigação moral, desenha quase todos os dias, segue 80 blogs, 2 deles diariamente, de notícias americanas  (são mais cómicas que as nossas ) . Não faz dos hobbies bandeiras nem tem necessidade de os promover incessantemente em jeito de aprovação ( para isso tem o o facebook ) e nãos os promove quando estão na moda.
Até tem uma bicicleta mas não se gaba muito disso.

terça-feira, abril 29, 2014

Sinais do tempo

Um gajo ter uma app para controlar a tensão arterial. Mas sempre é melhor que ter uma para contar maratonas.

sábado, abril 26, 2014

Lisboa é boa para turistas

Sair de casa para apanhar a marcha do 25 de Abril, chaimites incluídas, minis ginjas e gente, voltar ao escritório, base para descansar um bocado nem que seja a trabalhar, trocar bitaites, parar meia hora, voltar à rua depois de já ter passado pelo cais do sodré, ver o chiado à noite, descer até ao rio com banda sonora de 94, nine inch nails, subir até ao restaurante, voltar a descer para a ZDB e as tretas neo-qualquer coisa e mais o pessoal habitual, perder meia hora ao pé da rua do Ferragial a tentar fotografar qualquer coisa sem andaimes e guindastes, comer no Carmo com os turistas e voltar às ruas ainda cheias de camaradas e burgueses anafados e voltar a casa, que isto de ser revolucionário não é para todos.

25A II

Passados uns anos, devido aos avanços técnologicos próprios da sociedade, o argumento "eles vão para as manifs de iPhone = não há crise" deixou de ser utilizado, até pelos taxistas mais ferrenhos. Próximo passo: perceberem que - apesar da crise - as pessoas podem rir-se numa manifestação.

O Passos tem a vida tão facilitada, porra.

sexta-feira, abril 25, 2014

25A


Não vou a comícios, como sempre. Desço a Avenida como sempre, encontro as pessoas do costume, uma espécie de família alargada, unida pela mania de que isto pode ser muito melhor e pela vontade de brindar a isso com uma ginja.
Até amanhã camaradas.

quinta-feira, abril 24, 2014

Como ficar rico em 2 passos

Nos States fui, no engano, a uma palestra de Marketing que afinal era uma venda de banha da cobra. A formula do sucesso estava num só livro, inteligentemente condensado e fácil de encontrar em qualquer livraria. Enquanto ouvia o homem a debitar exemplos em que o método dele funcionava infalivelmente e esquecendo-se de referir a quantidade de vezes que falhou, - pelo meio dizia umas coisas acertadas mas de uma forma tão histriónica que era impossível um português normal não se sentir mal - pensava naqueles gajos que batem punho e como o segredo para, seja qual for, sucesso, felicidade, dinheiro, fama, só é usado pelos próprios de maneira tangencial.Assim como um vidente nunca adivinha os numeros do totoloto para si próprio - há um código moral rigido entre videntes e mediuns, provavelmente são policiados por espiritos - quem nos ensina a ficar rico só o conseguiu à conta de vender a banha da cobra que ensina a ficar rico. É um catch 22, reparei agora.
Lembrei-me disto porque tenho gente a encher-me o facebook de dicas para ser mais produtivo. O dia todo. 

sábado, abril 19, 2014

Dar ideias é mau

Tarde com amigos e sobrinhos emprestados.
Altura do tio Prezado dar cabo da educação dos pais e de pré-concepções básicas a putos de 4 anos. A idade dos porquês não mete medo a ninguém e aproveito para criar ainda mais porquês. Uma tarde com os putos dá para perceber porque é que o babyTV só tem borboletas a andar muito lentamente e a dizer olá. Ir apanhar um Ferry, que aparentemente parece linear, pode ser algo bastante confuso. Para ajudar, deixo a dica: a cada perguntam, introduzam mais uma variável na resposta.
Sim, vamos apanhar um barco. Mas, o barco leva carros. Carros dentro de um barco? sim. Aliás, até podemos ir dentro do carro dentro do barco. Puf.
A partir daqui o cérebro dos putos funde. A realidade já não tem alicerces e depois de à pergunta seguinte eu acrescentar como funciona um submarino, os pais já não têm como agarrar os putos. Dar ideias aos putos é como dar-lhes cavalo ( a ressaca é finalmente dormirem no carro ).
Agora que chego a casa, depois de autocarros, ferrys, carros, cadeiras, cafés e as perguntas dos putos, tenho de ir bater uma sorna para conseguir ir sair. Um dia de trabalho cansa-me menos.

quinta-feira, abril 17, 2014

Discussão em progresso

Uma discussão recorrente, mantém-se há uns meses, é se há uma tipologia de cérebro certa para alguma actividade intelectual específica ou se a partir de certo nível - leia-se acima da burrice - , tudo é igual e toda a gente tem uma capacidade inata de fazer qualquer operação. Diz-me a observação e a experiência que toda a gente é capaz de fazer tudo - acima da burrice - e que a incapacidade de fazer tudo pertence ao campo da mania, a qual sei que se pode dobrar e vencer. Se um tipo quer, um tipo pode.
Mas, deve haver manias que são muito profundas porque apesar de saber perfeitamente que isto de não conseguir fazer algo só pode ser uma imposição do cérebro enquanto orgão preguiçoso de procurar soluções novas, há actividades que este se recusa a resolver atempadamente, por mais teimoso que eu seja.
Isto tudo para dizer que sou uma besta no Excel.

quarta-feira, abril 16, 2014

Mais um

O PPC faz 8 anos.

Neste ultimo ano foi complicado manter o blog. Os blogs, como media online, são antigos. Seguimos blogs para notícias ou debates, hobbies, mas os blogs pessoais estão a morrer.
Hoje a atenção dissipa-se - tanto para quem escreve como quem lê - em meios diferentes. Em 2006 a persona-online estava só no blog. Era a unica plataforma de expressão online. Ainda nesse ano apareceu o Twitter. Que reclamou um espaço. Não serve para bloggar, mas faz sentido para notícias. Depois o Facebook começou a tirar tempo e atenção a todos, depois o Flickr, depois fomos para os telemóveis, o Instagram, depois o Snapchat, depois milhões de apps diferentes para partilhar receitas, fotos de gatinhos, receitas com fotos de gatinhos, receitas com gatinhos. E agora segue-se a internet of things e se calhar volta tudo ao início.
Agora a história que se conta online está dispersa por estes meios todos e os blogs são um meio anacrónico, arcaico, pesado, um meio já a puxar para o literário. Só pessoas obstinadas é que podem ter um blog nestes dias. É ser casmurro, insistir nisto.
Siga.

terça-feira, abril 15, 2014

Síndroma de Estocolmo

Fui ao tasco à espera de ser bem atendido e o gajo não respondeu "você não quer isso, coma antes o ensopado de borrego, que está daqui." ( gesto da mão na orelha ) e deu-me o que pedi.
Granda bosta de serviço.

segunda-feira, abril 14, 2014

Exercício matinal

Exemplo de notícia normal em Portugal:

"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013, apesar da crise" no Público.


Título objectivo e realista:

"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013" no Público.

 
Título normal, invertido:

"Apesar da crise, número de clientes dos ginásios aumentou em 2013" no Público.


Exemplo de notícia normal nos States:

"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013, latinos e afro-americanos são uma minoria".


Título à States, objectivo e realista:

"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013".



domingo, abril 13, 2014

Areeiro, 2014

Branding e product placement num só exemplo



sexta-feira, abril 11, 2014

Objectividade

Depois de ver tantas notícias sobre o avião desaparecido, é altura de fechar o assunto. Relato o que aconteceu, como fazem os jornalistas e o canal história: Mas, e se o avião...
Partisse às 14 horas do dia 12 de Março, do Tenerife e de Austin, levantando voo já atrasado. A bordo iam 250 pessoas. Logo à saída, perdem-se 3 malas, cada uma com 5 versões desta história, uma das quais acaba com um ministro recusando-se a comentar. As outras 3 perdem-se já no pacífico. Ao fim de 3 minutos, o trem de aterragem recusa-se a fechar. Era um emigrante clandestino preso à roda da frente. Só depois de um médico confirmar o óbito é que se pode fechar o trem de aterragem.
Já estabilizado, continua a comunicar com a torre de controlo regularmente. Tudo seguia normalmente até aqui.
A 12 gigas  de altitude, o sistema de navegação do computador de bordo indicou uma despressurização na cabine. O piloto fez automático o download de um patch. 200 passageiros eram um bug e são purgados em segundos. Já na ilha, um urso branco é morto à ultima da hora.
A esta altura, baixa, o avião está num celeiro em Marco de Canavezes. A viagem, até agora sem sobressaltos, é interrompida pelo aviso do piloto, Amélia Rey Colaço, de uma zona com turbulência, pedindo aos passageiros que apertem os cintos. Nesta altura, uma das hospedeiras revela que 3 dos passageiros nasceram em Dusseldorf. O primeiro ministro recusou-se a comentar.

Pelo meio disto, lembrei-me que os jornalistas por cá não cobrem o voo desaparecido com muito sensacionalismo, mas compensam, deixando toda a classe política num paraíso à beira-mar plantado, em que não há perguntas difíceis nem se encara nada de frente. Só ainda não tenho uma teoria para o que vai acontecer ao tema "crise" agora que o governo diz que vai acabar. Como é que os Telejornais vão começar as notícias?

quarta-feira, abril 09, 2014

Amanhã há mais

Quando um gajo está no meio de americanos e canadianos numa zona onde o ordenado médio tem muitos zeros, é com um misto de vergonha  e oportunidade que se revela que lá longe no burgo nos orientamos com muito menos. A vida é mais barata, mas os ordenados não sao proporcionalmente mais baixos. Se falarmos do ordenado mínimo, a coisa fica ainda mais vergonhosa. Descobre o Daniel Oliveira no Expresso, "É por isto que apenas 17% dos portugueses alguma vez participaram numa ação cívica coletiva. A média europeia é de 41%. Na Escandinávia é de 70%. Não há democracia saudável com grandes níveis de desigualdade" acerca dos efeitos do ordenado mínimo - que em Portugal é bastante próximo do médio - na sociedade.
Elipse: Estava nos States e achava piada ao modo como comemoravam vitórias no football: com motins. Geralmente queimavam um carro ou uns caixotes, partiam umas paragens de autocarro, ocupavam uma praça. Isto eram as vitórias. Uma derrota era motivo para celebrarem da mesma forma. Mas não tão habitual. Fim da elipse.
Nunca vi tanta acção cívica como nos estados unidos. Os americanos juntam-se à volta de qualquer causa com facilidade. Se vi muita miséria nas cidades grandes, também vi muita gente a ajudar. Têm esta mania de fazer coisas. Fazem tantas que quando há uma catarse por fazer, optam por destruir qualquer coisa.

( Os U.S. têm um ordenado mínimo de cerca de 8 dólares por hora ( depende do estado) que é bastante mau e visto como digno de empregados de mcdonalds, estudantes universitários, trabalhadores em condições abaixo de cão )

terça-feira, abril 08, 2014

Voltei a ver televisão

O telejornal diz:
"Se aproveitou estes dias de calor para esquecer os dias cinzentos..."

Isto é a psicose da crise aplicada ao tempo. Um dia de calor não é bom só por si, é-o porque faz esquecer dias cinzentos. Curtir um dia só por curtir é demasiado leviano. Há que agradecer aos céus não viver num dilúvio permanente.

Parece que há cada vez menos gente a ver televisão e mais gente a ver videos de gatinhos. Eu fico-me pelo Spotify.

Publicidade e semiótica II

6 macacos inertes

Vamos analisar devagarinho, para que o director de arte e o director criativo percebam: O primeiro tipo está a olhar para o lado. A vocalista está de boca fechada e olhos abertos a pensar no que comeu ao pequeno almoço. O baixista está concentrado. O baterista está a dormir/ olhar para o infinito/ nuca do guitarrista. Pelo modo que que está a tocar, deve ser bossa nova. O guitarrista tá no flow. E o segundo guitarrista está minimamente entusiasmado. O fundo, um arco-iris de fumo delicodoce e uniforme, plácido e calmo.
Visto o cenário: onde está a energia?

Sobre trabalho

Mea culpa, ontem meti-me num debate online, ainda mais com gente que não é da minha geração e vota nos partidos errados. Sabendo que é uma perda de tempo, lá aprendi que uma das teorias do Prezado não é nova e tem nome.

Lei de Parkinson: O trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização.

( Onde trabalho actualmente verifica-se o fenómeno, mas na forma aditiva, em que se estima o tempo que uma tarefa vai demorar e invariavelmente ultrapassa-se o tempo estimado, o que deu origem à regra Somar-50%-a-cada-estimativa-de-tempo. )


Isto é uma teoria que denuncio de tempos a tempos no trabalho porque a observei durante anos e anos. Trabalhando em publicidade, já sabia que não valia a pena fazer noitadas - mas fazia-as na mesma, porque "é assim a publicidade", geralmente aumentando o número de horas que trabalhava a cada dia que me fazia mais próximo do prazo. Isto é, quanto mais tempo tivesse para fazer um trabalho, mais trabalho teria, não se revendo isto em qualidade, porque essa como é fácil de imaginar só existe na primeira versão que entregamos: Tendo uma campanha para fazer e algum tempo, muito provavelmente faremos o melhor que podemos, já que o trabalho não é fruto de uma só iteração mas de várias. Ninguém faz uma só versão de uma campanha e fica contente com a primeira. Iterar sobre ela melhora-a, mas não com feedback do cliente, como é sabido. Provavelmente não é um feedback absolutamente errado, já que corresponde a uma visão e a necessidades reais do cliente - que até podem ser apenas ao nível pessoal, inseguranças, necessidade de afirmação, feedback externo, pressão hierarquica - mas a forma amadora com que o fazem, sem um esforço de entender conceitos básicos de comunicação, design, Gestalt, contribuem para que naturalmente o designer fique com vontade de lhes espetar um murro nos cornos e gradualmente a qualidade do trabalho vá diminuindo, por deriva da atenção do designer para coisas mais interessantes, como blogs sobre cerdas de pincel ou fungos raros da Macedónia.

segunda-feira, abril 07, 2014

Publicidade e semiótica

Versao 1: Uma pessoa oferece uma bola
Versão 2: Um cartaz oferece uma mensagem dúbia.
Qual é a cena com aquela cabaça de melão? não é para fazer raccord com a bola?


Soluções 2.0

Se trocássemos o nome à Segurança social e ao SNS e lhe déssemos uma roupagem modernaça tipo Crowd-source, os neo-liberais de pacote já eram capazes de bancar o que tanto choram que não é justo pagar todos os meses.
Sobre aquele tipo que pelos vistos era um porreiro e que morreu no fim de semana: Talvez seja da minha vida - ou antes, da do meu pai - mas esta ansia de encontrar heroismo numa doença soa-me sempre a sentimentalismo bacoco.
Assim como um touro não tem nem mais nem menos honra em morrer numa arena do que teve a vida toda, sobre isso da honra a natureza pouco diz, uma pessoa ter um cancro ( ou uma vida, para todos os efeitos ) e tentar sobreviver-lhe não é mais do que todos tentam fazer. Se uns o fazem mais graciosamente, tanto melhor. No fim, morrer não é um acto muito inspirador.
Pelo que o meu pai dizia, até dispensava essa parte.

domingo, abril 06, 2014

Lisboa aqui ao pé

Betos e o Santini. A simbiose perfeita.
Há coisas que não mudam. Aliás, em 3 meses, a maior parte das coisas não mudaram. Este fim de semana voltei à minha rotina: Vejo televisão. Vou para os copos com o pessoal. Descubro um bar novo. Volto à cerveja antiga. Ouço as piadas habituais do taxistas. Ouço gente a queixar-se da vida. Curo uma ressaca. Vou passear ao Domingo.
E apanho os betos na fila para os gelados. Esta simbiose dos betos e dos gelados de betos devia ser estudada.

A cerveja

Hoje, depois de ter inundado o meu sistema operativo de superbock - uma cerveja suave, com aroma simpático - voltei a ser tuga. Isto depois de 3 meses a beber cerveja a sério.
Pois é. SuperBock é tão boa como a pior das cervejas que podem ter. É um default. Assim como a Sagres. Sim, em Portugal é como perguntar se gostam mais do benfica ou do Sporting. Mas em qualquer outro lado, onde não há apenas 2 cervejas para escolher, é mais como perguntar de quem gostam menos, do pai ou da mãe.
O mundo da cerveja não é dicotómico. Nos estates - sim, estou novamente a falar dos states e faço-o com a propriedade que em lá viveu 3 anos e não 3 meses - as cervejas são às dezenas. Ficar-me pela superbock é o mesmo que só beber Budweizer e dizer que é a melhor de todas. Não é. É só a default.
Num bar americano há pelo menos 10 cervejas de barril. Num bar bom há 20. Num bar extraordinário há 50.
Revelação: a Superbock não é a melhor cerveja do mundo. Mas não é má.

Nota: falem-me de Duvell, Shock Top, Blue Moon, Fat Tire e derivados. O resto é bom, mas não digam que é o melhor.

sábado, abril 05, 2014

Cenas que me fazem confusão em 2014

New-new-age.

Venho dum restaurante da moda onde, a meio do jantar, topo um casal com um puto a sair. Ele, um marmanjo com idade para ter juízo, a demorar 10 minutos a amarrar o puto à volta dele com um pano às cores, tipo chefe tribal de Alvalade.
Puto ao colo, segura o puto, puxa toalha, enrola, cruza, enrola, dá nó enrola cruza. Demorou o suficiente para pensar o que aconteceria se o gajo se esquecesse do telemovel no bolso da camisa ou como é que ia mijar, a cabeça do puto à frente foda-se não vejo a gaita ops já mijei uma perna não a minha a do puto raisparta apetece-me um cigarro agora tenho de desamarrar o puto e agora não posso correr se houver um incendio fico aqui com este bagulho a tropeçar-me nas pernas querida coça-me aí os rins que já estão dormentes troca-me a fralda do puto que já tenho a pança a cheirar mal isto era mais fácil noutros tempos mas espera:
Já inventaram os carrinhos de bebé e essas tretas.
Mas não, o verdadeiro conhecimento está numa tribo perdida em África, eles é que sabem como é que se cuida de um bebé, porque o verdadeiro conhecimento perdeu-se no tempo e vivemos numas trevas tecnocratas, felizmente eu eu e eu só eu, encontrei-o o conhecimento novamente num livro que só iluminados conhecem, um círculo gigante de iluminados que redescobriu as soluções medievais, - mas como é um medieval não-ocidental já é válido, só porque é distante e desconhecido - melhores que aquelas modernices imperialistas que a televisão vende,

Ok, já chega.

sexta-feira, abril 04, 2014

O excepcionalismo tuga

Infelizmente é muito focado no fado, o tuga é determinista desde que nasce por culpa do fado. A sina, a morte a dor a saudade, essa treta toda que fica bem em poemas, o D. Sebastião que não volta, é todo um povo à sombra de um destino para lá do nevoeiro. No fundo, temos orgulho de ser uma espécie de Jamaica pouco optimista.

nota: inadvertidamente, este post é determinista.

quinta-feira, abril 03, 2014

O humor

Eu pensava que tinha a coisa controlada. Apesar da quantidade de Monty Python, ia consumindo mais e mais stand-up americana, e cada vez mais visceral: comecei no Louis CK, passei para o Carlin, depois Bill Hicks, Richard Prior e cada vez mais para trás.

Mas mesmo assim não percebo bem o humor daquela gente. Deve ser todo observacional. Piadas com pretos, deficientes, indianos, asiaticos - já nem uso "chineses" -, minorias no geral, nem pensar nisso, qualquer coisa no ar da California faz com que piadas politicamente incorrectas sejam todas borderline, mas fazer piadas com Deus ou com o Jesus já é tolerado. Fiquei sem perceber onde é que ficava o humor negro, parece que não tem expressão. A título de exemplo: uma noite joguei este jogo, que aconselho a toda a gente, e a equipa portuguesa era a melhor a jogar. Porque, lá está, não tinha o chip do politicamente correcto implantado.

basicamente, uma carta diz MATA e a outra diz ESFOLA



quarta-feira, abril 02, 2014

Culturas

Na verdade a maior diferença cultural que encontrei está nas sanitas. Não é uma análise superficial, não, a cultura de um país vê-se nos detalhes do dia-a-dia. Isto pode parecer conversa, mas atentem:
Uma sanita americana tem água até acima e cada descarga manda um chapão de uns 30 litros. Praticamente dá para lavar os tomates naquilo, não estou a exagerar.
Uma sanita europeia tem um resto de água no fundo e descarrega 10 litros.
É isto.

Morra a cultura morra. Pim.

Fui ao supermercado

Já não pagava tão pouco à saida há 3 meses.

Não é que as coisas estejam baratas. Mas lá do outro lado são o dobro. Menos a junk food.

Exemplo

Aqui na minha zona, houve obras na rua.

A minha rua é agora o sonho de um empreiteiro de conluio com um presidente de Junta, arquitectado por um estagiário.
Pavimentos vários. Rampas para cadeira de rodas. Lombas. Mais lombas. Raias. Traços contínuos, interrompidos e mistos. Pinos de plástico. Pinos de metal. Passadeiras. Estacionamento em espinha diagonal. Sinalização horizontal sortida.
Isto tudo na mesma área que estava disponível antes, que não era muita. Uma rua de sentido único, apertada. Agora atravesso a minha rua e parece que estou no Portugal dos pequenitos. 3 passos e já passei 4 tipos de sinalização diferente.

terça-feira, abril 01, 2014

Ser tuga é ser mais alto

E apanhar gelados com a testa.

Constatações

  • Aqui nem toda a gente anda de iPhone no metro.
  • Aqui comem-se doses generosas mas ao tamanho do país.
  • Aqui perde-se muito tempo a discutir com anões mentais.
  • Aqui não há muita honestidade intelectual.
  • Aqui não se resolve nada.
  • Aqui gostam de adiar.
  • Aqui perde-se muito tempo no micro-management.
  • Aqui há bicas.
  • Aqui chove o tempo todo.
  • Aqui o tédio cheira a bolor.
  • Aqui tenho mais que fazer.

segunda-feira, março 31, 2014

Comé?

Troquei dias de t-shirt ao sol a andar de bicla e máquina fotográfica às costas por isto? não me fodam.

De volta.

Filhos da mãe, que chego a Portugal e a primeira coisa que apanho é a puta da conversa da crise. Argh calem-se com a crise, foda-se, não há crise, é o mundo, o mundo é que é mesmo assim,  não é crise. Dêem nome à crise. Escolham um. Passos. Relvas. Cavaco. FMI. Gente burra à escolha. Mas pá se querem que isto mude, apontem para gente que possam influenciar e façam por responsabilizar e cobrar de volta. Não digam Passos e depois votem Seguro. Isso assim é como tentar matar as baratas  bebendo um shot de raticida. Apontem. Mas apontem bem. Na propaganda normal, despersonaliza-se o inimigo, inventam-se umas generalidades fáceis de odiar. Cá não.
Hoje chove que se farta. O português vai dizer "ah, o São Pedro hoje bla bla". Epá não. É uma massa de ar quente, não é um velhinho de barbas no céu. É o mesmo que fazem com a merda da crise. Não é a crise, é o Passos. Ou outra coisa qualquer. Percebam qual é: se o gajo do autocarro que não se cala com a conversa do Salazar ou a Paula Bobone ainda ter acepipes à borla em aberturas de centro comercial, o Markl a fazer a 12ª versao renomeada do homem que mordeu o cão em 2014, o Marques Mendes a fazer comentários com aquele ar de menino tonecas, as manifs na Escada, sortear audis em vez de promover o pagamento de impostos com medidas decentes  ou aquele programa da tropa do humor que vi em zapping ( Pensei que era Jet lag mas aquilo existe mesmo ), não interessa onde está a culpa. Mas arranjem um culpado. A crise não conta.

Tinha saudades disto.

quinta-feira, março 20, 2014

A dica mais importante para viver nos States

Sabem quando vão a um franchise qualquer de fast food em Portugal e o empregado, seguindo um manual de normas que não lhe diz nada, vos pergunta meio automaticamente se vão querer batatas extra ou uma coca-cola grande?
A maior parte das pessoas diz sim, só para o calar.
Essa técnica não funciona nos States.
Nesta terra há sempre resposta. Se digo que sim, quero queijo no hamburguer só para o gajo se calar e não me chatear mais os cornos com perguntas, vai-me perguntar que tipo de queijo quero e como não consigo lembrar-me rapidamente de nenhum queijo sem ser flamengo, o gajo vai debitar a ladainha habitual cheddar parmesian swiss foda-se e eu tenho de escolher um quando nem sei o que é que é suposto ser o sabor de um queijo qualquer num hamburguer.
Por isso: Digam sempre "não".
Ou se querem destruir as fundações do capitalismo, "You choose".

terça-feira, março 04, 2014

Tarifa intercontinental

Uma nota sobre política: Preciso explicar como é que funciona o sistema partidário aqui. É bipartidário, o que parece incoerente quando há tanta escolha para tudo. Mas não.
Os americanos são algo parecidos com os nossos taxistas. 
Há taxistas de esquerda e taxistas de direita. Mas nunca deixam de ser taxistas.
Um taxista é um predestinado. Nasceu para lutar. Nasceu na terra lá longe. Foi para Lisboa. Foi para fora, para Toronto, para Londres, para Newark. Um taxista é um pioneiro e um visionário. Um taxista arrisca a vida todos os dias. Não tem tempo a perder com opiniões de chacha. Ou é, ou não é. Não há grey-areas. Debate? não há tempo. Educar? não há tempo. Isso pode-se tratar depois. Antes é preciso pagar contas. E a conversa é bonita, mas levar pessoal esquisito para a Brandoa às 3 da manhã é bom para o preto. Fazer serviços com ciganos? faz tu.
Os americanos foram criados neste mindset. Cada um por si. Deus sabe de todos mas só ajuda os audazes. A vida é uma selva. E todas aquelas frases feitas e citações de Sun Tzu em jpeg.
O bipartidarismo surgiu por causa da alergia a bullshit: Não se perde tempo com meias opiniões, porque as opiniões que importam surgem de crenças bem profundas. Sendo americano - o tal que não tem problemas com nada porque é um emigrante na sua própria terra - , não há problemas em dizer a sua real opinião sobre qualquer coisa. É-se livre. Se usa peugas às cores, é pro-choice. Se tem um carro que gasta mais de 20 litros aos 100, é contra a eutanásia. Se é alergico ao gluten, é contra a guerra.
Em Portugal, somos iguais. As opiniões que importam existem. Só não há é muitos portugueses com lata para ser um César das Neves.

segunda-feira, março 03, 2014

No Bulshit

O tal empreendedorismo aqui só é mal visto porque ( e quando ) é talvez 50 vezes mais ambicioso e ganancioso que em Portugal. Mas tem uma vantagem espetacular: No Bullshit. Um gajo vazio de ideias não consegue faze-las vingar só porque usa aqueles termos de cripto-marketing, o alavancar, a capacitação, essa merda, à gajo-de-bater-punho, mambo-jambo enlatado, no máximo consegue vender uns livros e fazer umas palestras à conta disso. Isto é, ganha uns cobres. O que aqui, não é nada mal visto.

Nota: pelos critérios daqui, sou um comuna artista.

O inglês do States


Nas séries e filmes, todos falam claro e devagar, é quase declamar inglês. No mundo real, o inglês dos states é demasiado rápido. Quando entro num fast food, nem para pedir o almoço percebo o que eles dizem.

Nota do autor: Tirem a ideia de que seguir séries americanas e ter uma pop-culture nível avançado vos integra aqui. Tough crowd.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Nostalgia

Já estou aqui há um par de meses. No outro dia comecei a enumerar as saudades, e a dado momento na lista volto aos tascos. E Lisboa. O rio e o Cais do Sodré.
Uma coisa que tenho saudade dos tascos é o tempo. Aqui não há tempo. Estes tipos acham que trabalham muito porque estão muitas horas a trabalhar. Nós trabalhamos melhor, e isto está directamente relacionado com o tempo no almoço. Ir a um tasco bate qualquer restaurante americano no que toca a atendimento. Aqui são provavelmente mais solícitos, mais rápidos, e as doses são ainda maiores que num tasco. Até oferecem toda a coca-cola e água com gelo que quisermos.
Mas perco muito tempo a escolher o que quero comer. Dão-me sempre opções. E eu não quero opções, não quero pensar em opções. Acho que mereço não pensar em opções já que estou a pagar pelo trabalho de outros - aqui só estarei a pagar se pagar gorjeta, o que é uma tanga de uma sistema - para me servirem. Isso devia estar incluido no preço. Mas não: hamburguer? mal, bem, médio? Batatas? chips, fries, sweet? sauce? sour, mayo, spicy, medium spicy? Coke? small ( big ), medium, large? E depois disto tudo, quando acabo o prato, o que é dizem? nada. Passados 10 segundos de largar os talheres, metem a conta na mesa e desaparecem. Fazem isto até num restaurante vazio e sem mais clientes a chegar.
Mas eu entro no tasco e o sr. Martins já sabe que eu quero aquele prato que está a sair pouco nesse dia mas que está especialmente bom. Eu vou insistir no bitoque e vou ouvir que me vou arrepender. Ou no outro tasco, onde o outro gajo me pergunta se já alguma vez me arrependi de comer o que ele disse para comer. E vou comer com calma e esperar 10 minutos até me perguntarem se quero mais alguma coisa, o cafézinho ou a sobremesa, mais 5 minutos para o café e depois de pedir 2 ou 3 vezes, lá vem a conta. Isto é que é vida.

sábado, fevereiro 22, 2014

Daqui à distância



Este país aqui é enorme, novo, e feito por gente que não é de cá - aos de cá limparam-lhes o sebo em grande quantidade - e como tal tem facilidade em executar certos malabarismos que podem ser complicados para um país antigo de quase um milénio. Estes tipos são desapegados. São desapegados ao material que apreciam. Sim, gostam muito da sua televisão de 50 polegadas, mas deixam de gostar assim que surge a de 70 polegadas. Têm esta facilidade de largar tudo. As casas são de madeira. Fazem-se e desfazem-se a cada tornado. Tentam fazer alguma de tijolo? não. Refazem-na de madeira. Ou mudam de estado. Começam do zero. Criam coisas novas. Há algo no caminho disso? deite-se por terra. Não custa muito, são só coisas, prédios ou ideias. Tudo se renova menos a sacrossanta constituição.
Por aí, temos muita dificuldade em deixar ir. Somos hoarders, nisso. Ter muita história antiga não nos ajuda a criar uma nova. O terror de perder a calçada portuguesa foi um exemplo. Não é a solução ideal, mas não a descartamos, nem em parte. Guardamos tudo no sótão e vamos deixando acumular e ganhar pó, mesmo que dê um ataque de asma ou um tralho semanal pela escada abaixo. Não demolimos nada, deixamos expirar. O Porto é um bocado assim. A Ribeira toda não cai porque é de pedra. Mas já expirou.
Aqui, não deixam a história ganhar pó, faz-se todos os dias de one-man-shows.
 

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Coisas que me deixam preocupado

O debate sobre a calçada portuguesa.

Vamos lá ser práticos. A puta da calçada não dá jeito. De tempos a tempos dou tralhos monumentais em frente ao Monumental, Deus a ver e não me ajuda, escorregando na puta da calçada. Reparem, não ando de saltos. Nem de sapato italiano. Metam pisos decentes onde eles fazem falta, é uma escolha racional. São estas merdas que me deixam preocupado, porque não há muita racionalidade nas discussões, também faz parte de ser português ser exagerado e dramático, e isto é algo que sei que é possível resolver de um modo racional e atempado, por outro lado sei que o Poder acaba por fazer o que entende porque podemos ficar a discutir temas como este ou a qualidade dos candeeiros do Chiado durante uma semana inteira e o pessoal - até os funcionários públicos - tem mais que fazer. Estou a imaginar um Prós-e-Contras à volta deste tema na próxima semana.

O país daqui ao longe

Vivemos num paraíso perdido, é o que me parece daqui. É complicado explicar isto, mas os Portugueses são principes, há uma nobreza na ingenuidade com que vamos sendo um povinho preocupado, e preocupado é o problema maior, com o que nos assola, o poder é que nos assola mais, nisso somos do pior, mas dizia somos um povo preocupado. Não somos tristes, somos preocupados. Deixamos andar e andamos preocupados. Não resolvemos, ficamos preocupados, sabemos o que vem lá, mais cedo ou mais tarde. Perdemos o tempo nisto em vez de começar qualquer coisa do zero. E quando um tuga consegue ir além deste fado adiado, emigra. É mais fácil que deixar de se preocupar com o que não muda.

 Nota do emigrante temporário que diz sempre que não quer sair de Portugal porque gosta mesmo do país onde vive:
Apesar de tudo o que os taxistas possam dizer, Portugal não tem exclusividade nem particular tendência na burrice, Isto só em Portugal, dizem os taxistas com uma moca de Rio Maior numa mão e uma sandes de torresmos na outra. Não, isso que só acontece em Portugal acontece em todo o lado. O que não acontece em todo o lado é termos um país espetacular ( ainda que cheio de taxistas ).


segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Os nomes

Fui perder-me pelo deserto. Aqui há deserto. O deserto é grande e imponente. Em Portugal o mais parecido que temos com o deserto é a Amareleja. O Alentejo é vasto  mas não é imponente. É só bonito. É do nome. Uma terra que se chama Amareleja não pode ser imponente, é só quente e isolada. Aqui eles resolveram isso, acho que por compensação. O Americano é um ser social, já reparei. Fala, fala, fala, expõe, troca, fala, vende. Um Americano que vai viver para o deserto tem de justificar-se perante os outros Americanos. Por isso tiveram cuidado com os nomes. Um deserto aqui chama-se Death Valley. É melhor que Amareleja. Dizer que se vive ao pé de Furnace Creek é diferente de dizer que se vive ao lado de Aljustrel. Há sempre uma maneira de vender qualquer coisa aqui. Nem que sejam só nomes.

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Ensinamentos da Califórnia I

Numa frase, o que interessa é o que se diz depois do "mas".

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

A cena dos quadros do Miró

Os americanos são burros, diz a tradição. Realmente, ando por aqui e encontro coisas deprimentes. É os chapéus do Duck Dinasty no supermercado, é aquelas tretas plantadas à beira da estrada, dinossauros em tamanho real feitos de sucata, aquelas road-side atractions dos lumox, essas bimbalhices todas. E este pessoal paga por isso. Gastam dinheiro, que não é pouco, nessa merda.

Mas também gastam dinheiro no Moma e no SFMOMA, para ver Picassos, Van Goghs, Pollocks e... Mirós.


terça-feira, fevereiro 04, 2014

O país do Lessaz Faire

Sabemos como é: chegamos a outra terra e não temos ninguém conhecido, ninguém a quem damos importância, nenhuma família num raio de 2000 km e começamos a portar-nos de maneira diferente. Agora imagine-se um continente inteiro feito de emigrantes. Aqui ninguém tem problemas em fazer figura de emigrante, tanto que é a figura habitual que fazem. Acho que é isso que é ser americano: ser um emigrante à vontade. Ninguém deve nada a ninguém, não há horas para nada, metem conversa sobre qualquer assunto com qualquer pessoa - um género de Bairro Alto nos anos 90, onde havia tertulias em cada mesa - que encontram na fila do supermercado ou na paragem do comboio, debatem todo o tipo de temas no autocarro e desmontaram o significado de despropositado. Pode-se fazer tudo até que a lei diga alguma coisa em contrário.


sábado, fevereiro 01, 2014

A Califórnia é o mundo ao contrário

Ontem fui jantar a um restaurante português. As saudades apertavam, pegámos no carro e fizemos 20 km para comer um bitoque.

Entrei e o mundo mudou: a dona do restaurante trouxe salada mas com molho de queijo em Portugal não se condimenta salada ela quer-se seca ou a escorrer vinagre, parece que temos de sofrer a salada e antes e não ao lado do bitoque e paguei pelo bitoque manhoso o que pagaria por um bife da alcatra nos Passarinhos. Entrou um kéfrô, o kefrô era uma mulher, não era um homem, era uma mulher mexicana que tentou vender rosas de um balde o balde enorme, na mesa dos indianos, um deles regateou com ela a ver quantas rosas é que sacava por 2 dolares, os outros discutiam bitcoins e depois pediram Molotov what's Molotov? what is it made of? Is it big? e depois a gozar com o pudim Molotov que tinham pedido a meias a medo de não achar muita piada a aquilo e tentavam adivinhar do que era feito, lá perceberam que era com claras e muito a medo lá o acabaram aos poucos, 6 gajos a partilhar um Molotov, acham um Molotov grande.

Mas o bitoque caiu mesmo bem.

terça-feira, janeiro 28, 2014

Perdido pela cidade grande

Grande.
Uma Lisboa aumentada e extendida ao comprido, com o tempo de Sintra. Tentei, como tento sempre em todas as viagens, andar a cidade toda a pé. É uma mania que vem de Lisboa e que não tem em conta cidades planas. Em Lisboa as caminhadas são ditadas pela orografia, os limites de cada passeio são fáceis de prever. Numa cidade que é plana ( tem dias ) e cujo mapa mostra ruas rectas com 2 km, é dificil criar limites para o andar a pé. Aqui apanhei um autocarro só para ir até ao fim de uma rua, depois de já ter andado mais de metade e perceber que não ia acabar. Foi uma decisão inteligente, especialmente porque os autocarros são um cenário igual aos de Portugal mas em versão cut-the-bullshit. Se na carris tenho de levar com a velhinha saudosa do Salazar, cá apanhei a velhinha que tinha andado agarrada ao cracka contar a vida dela e que não julga ninguém porque a vida dá muitas voltas e a vida toda do bairro à volta do autocarro, a rua recta é a aldeia, as histórias passam-se ao longo da rua, as personangens habituais entram e saem, o motorista preto já as conhece todas e fala-lhes naquele tom de preto-bacano-do-filme, a vida é dura mas passa-se, um tipo trabalhador e honesto há-de ser recompensado um dia.
Na rua outra vez, os contrastes são muito grandes, se uma rua é de lojas impecáveis e hipsters a passear o skate, o bloco à frente já é de sem abrigo e putas na rua, céu aberto que aqui ainda não vi uma geografia própria para a miséria, tanto as ruas boas como as más são abertas, a tal recta não se interrompe para mudar de anual income, é tudo a direito, na rua dos sem abrigo e dos seven-eleven vão os mesmo hipster de skate. (continua)

A lingua

Falam muito rápido. Um gajo acha que sabe inglês espetacular e dá-se mal. Os adjectivos. Metem muitos adjectivos. Já disse isto, espera. Se não houvesse publicidade, os americanos continuariam a falar com muitos adjectivos hiperbolicos. Alias, metade do sucesso dos americanos deve-se a este facilidade em hiperbolizar o que fazem. Desde que estou aqui acho que sou um género de designer de alfama, não dou hipoteses de ter linguagem técnica nem de fazer de mim um génio. Fico-me pelas piadas genéricas e faço figura de urso, que o material que tenho não funciona bem aqui. É da pronuncia.

sábado, janeiro 25, 2014

Há uma coisa que vou sentir falta

Não estou aqui há um mês e vou sentir falta disto: Este pessoal não engonha. Não sei como serão nas relações pessoais, mas aí imagino que sejam complicados, - se numa conversa na paragem do autocarro são capazes de falar do que fizeram durante a vida toda e relatar o que andam a fazer no trabalho a desconhecidos, calculo que com um nível tão elevado de conversa de encher-chouriços demorem anos até realmente falarem de coisas sérias - mas no trabalho, não perdem tempo. Há um contacto para fazer? faz-se. Precisas de ajuda para fazer qualquer coisa? Aparece. Queres conhecer o sítio onde trabalham? na boa. Precisas de conhecer o director da empresa com quem trabalham há 2 dias? Toma o contacto. Coisas que em Portugal demoram dias ou semanas e que geralmente se resolvem com um telefonema.

A um tuga basta isto

Um tuga tem saudades de coisas simples, como pedir uma bica e ouvir o barulho da máquina do café, duas doses bate bate encaixa torce liga vapor.
Em Portugal as coisas são mais simples.

sexta-feira, janeiro 24, 2014

Os carros

Dizer que os carros são grandes é um eufemismo. Ontem encontrei um SUV e um carro europeu lado a lado e pude ver que o carro europeu cabe debaixo da roda do SUV.
Qualquer ida ao supermercado é uma oportunidade de ficar debaixo de uma pickup ou de um SUV. Mas percebe-se o porquê disto: novamente, o tamanho do país. Se vou sair de casa, vou demorar pelo menos 20 minutos a chegar a qualquer lado, por isso é bom que vá em algo o mais parecido possível com a minha sala de estar.

sábado, janeiro 18, 2014

São malucos os americanos I

o código é 722849.
Estes gajos metem cadeados no frigorífico mas deixam a porta de contraplacado destrancada dia e noite. No outro dia um gajo entrou na casa errada por engano.

Os refills

Pensava que já tinha percebido o domínio dos refills. Pede uma bebida, dão-te um copo vazio, podes escolher o tamanho do copo mas podes ir encher o copo as vezes que entenderes. A escolha do copo passa por prever que peso se consegue levar para fora ou a distância que vai ser percorrida até comprar um novo copo noutro sítio ( no outro dia entrei num supermercado que oferece café enquanto se anda lá dentro ), um americano está sempre a beber qualquer coisa.
Quando não temos acesso à máquina das bebidas, provavelmente não há refill. Mas ontem estava a comer numa esplanada e lá vem a empregada perguntar-me se não quero refill, o que me faria beber um litro de coca-cola só até à hora de almoço.

os adjectivos

Em Portugal um tipo vai a um restaurante e se estiver a pagar um pouco mais do que o habitual, leva com adjectivos extra na comida. As batatas deixam de ser assadas e passam a ser "pequenas batatas assadas", o pargo deixa de ser pargo e passa a "pargo fresco" e assim por diante. Aqui na Califórnia os adjectivos ficam à porta e fixam-se na quantidade. Se pedir uma coca-cola, perguntam-me que quantidade. Repara, não dizem "grande" ou "gigassauranorme", mas enumeram as quantidades, 1/4 de litro, 1/2 litro, 2/3 litro. A mesma coisa para o bife. Bem passado, mal passado, 1/4 de kg, 1/2 kg, 2kg, etc. Depois as calorias. Os menus dos restaurantes têm as calorias uma a uma. E os Carbs.
Pedir um bife parece um enunciado de uma troca de moles da aula de quimica. E demora tanto como uma.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

A ganância

O americano gosta de acreditar que o trabalho é bom porque lhe trará tudo. O tuga já percebeu há muito que nada garante nada. Nesse aspecto já estamos muito à frente no tempo. Só ainda não implementámos um sistema porreiro para quem gosta de trabalhar. O americano faz cumprir os seus objectivos. Nós seguimos o que o fado ditou. Eles têm um país gigante que resolveram preencher por ordem directa de Deus. Nós vamos ocupando o nosso à bruta.

terça-feira, janeiro 14, 2014

A estrada

Não consigo dizer o que veio primeiro, se o copo se o carro. Todos os carros têm um cup-holder gigante, que forçaria todas as dimensões do carro a aumentar de forma a conter o copo num holder confortável. Pode ter acontecido o inverso também: Os carros gigantes convidam a trazer quantidades maiores de bebida, que com o tempo foram aumentando mais e mais, derivado das distâncias a percorrer.

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Barroco americano

A experiência visual americana é fácil de identificar. O design gráfico, de produto, industrial, automóvel, tem um feeling que eu costumo descrever como "barroco". O americano tem alergia ao vazio, tudo tem de ter montes de ornamentos e adjectivos. Ainda não percebi de onde é que isto vem, mas até voltar a Portugal resolvo esta teoria que tem anos.

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Zombieland

Os filmes de Zombies tinham de ser americanos porque os americanos é que criaram os zombies originais: a sociedade paralela que funciona em turnos, à noite.
Devido à abertura de supermercados à noite, as pessoas que trabalham à noite precisam de serviços à noite e como tal abriram mais serviços à noite. Um passeio por um supermercado aberto às duas da manhã é pós-apocalipticamente só. Devem andar 10 pessoas a arrastar-se pelos corredores, mais 2 funcionários a tomar conta de um supermercado inteiro, por isso o medo é real, um dos clientes pode ser um dos malucos das armas, pode ter uma virose qualquer, posso ter de me encher de genéricos na secção dos medicamentos.

quarta-feira, janeiro 08, 2014

As pessoas: Dimensões

Estou num condomínio normal, numa terra que pode ser vista como a versão local de Leiria. Logo, não há muitas personagens bizarras, que como é habitual estão reservadas às cidades grandes.
Ainda não fui a uma discoteca, mas pelo tamanho do tipo que faz a manutenção do apartamento, estimo que um porteiro esteja entre o incrível Hulk e um cacilheiro.
O americano médio WASP - que é raro de encontrar - é grande mas de cara pequena. Há-os de feições John-Fordescas, prontos a entrar num casting a qualquer momento. Ontem vi sósias da Julianne Moore e do Henry Fonda, por exemplo.

terça-feira, janeiro 07, 2014

O Tempo

Estudos indicam que estudos indicam que há uma propensão genética, mais que cultural, para começar as conversas por falar do tempo. O Inverno por aqui é Outono durante o dia e Inverno à noite. Não há chuva e as pessoas agem de acordo com esta combinação: dizem bom dia na fila da supermercado e desejam um dia bom.

California Uber Alles

Directamente e fora de horas, estou na Califórnia. Uma espécie de Estremadura infinita onde se conseguem encontrar campinos, esquimós e mexicanos. O melting pot que falaram na escola é real e não é fusão, é confusão. Há mais chineses que pretos, há paquistaneses em todo o lado e hoje de manhã trouxe as notícias marroquinas locais para casa. Posso escolher a que nacionalidade pertencer. As estradas levam a mais estradas, as lojas a mais lojas, há 3 metros de carro por pessoa e 12 lugares de parque de estacionamento por carro. Há mais lojas que dólares, há menos motas que bicicletas e é tudo plano até perder de vista. Para lá da curva há dragões, mas são sempre iguais, mais sinais, mais passadeiras, mais lojas e mais lojas. A Califórnia é um cenário gigante.

quarta-feira, janeiro 01, 2014

Ideas frescas no primeiro dia do ano



Acordei com isto, a ressaca foi fraca.
O Miguel Angelo tem o mesmo problema da Ana Malhoa ao nível de saber gerir uma ideia. Ele sabe que tem qualquer coisa para dizer e sabe como chegar lá, mas nunca consegue. Esta música é um bom exemplo: está lá tudo, mas não vale nada.
Bom Ano.

terça-feira, dezembro 31, 2013

Sube lo carburador



Se a Ana Malhoa tivesse menos piercings diriam que se reinventou, no telejornal. Mas como é um fenómeno global a uma escala local, essa ideia só ressoa na margem sul. 
Esta miuda é quase um génio do marketing. Quase, porque nunca acerta no cérebro reptiliano de ninguém, ficando-se por quase passar de raspão na tangente da superficie de uma ideia que podia ter potencial, eventualmente.
A Ana tem um problema que é tipicamente tuga: Quer fazer tudo ao mesmo tempo.
Os tugas têm medo de perder o comboio. Os clientes de publicidade mais sofregos mostram isso. Perguntamos sobre quem é o target da campanha e muitas vezes são capazes de dizer "toda a gente", ou mais contidos, "todos entres os 8 e os 65 anos". O tuga faz isto porque tem medo. Vive com este medo de meter dinheiro  num projecto, numa ideia, num filme, num anuncio, e não agradar a toda a gente. Que alguém se ofenda. Mas na verdade, toda a gente esquece.
Por partes: A Ana tem um novo logotipo. Tem medo que não o entendam. Então faz o esquema logotipo-arvore-de-natal. Mete o logo no meio e umas frases à volta a explicar os seus significados ocultos. Porque não pode deixar de fora as pessoas que não percebem que aquilo é um logotipo do top gun redesenhado.
 a) Mapa gnosiolígico-tipográfico.
 Olhando para esta peça promocional, leio: Dios adelante, a musica da rua ana malhoa la makina code: de fiesta, musica do povo, talento de calle, "subelo". Vou deixar de fora o resto porque já tenho aqui alguns conceitos para traduzir. "Dios adelante", Ana Malhoa fala com o Nazareno em espanhol. É uma coisa que ela insiste. É algo que vem das musicas que ela curte ouvir em casa. Ela acha que dá uma onda "latina" à coisa, mas o Deus de Portugal não é este Deus presente. É o deus da lotaria e das desgraças, do Zé que partiu o pé quando foi à lenha e deus quiz que não fossem os dois pés.
"A musica da rua". Uma aproximação ao povo, ao popular, às raizes. Certo. "ANA MALHOA LA MAKINA", com o logo top gun no meio: aqui começam os problemas. Deus, a rua, e agora um logo militar. Máquina com "K", um erro ortográfico para destacar a makinicidade. "Code" com letra a armar ao Terminator de 98. "De fiesta", sim é música de festa. Sigo. "Música do Povo". Sim, a música da rua, escrita de outra forma, para confirmação do target. "talento de calle". Novamente, a importancia de ser popular, da rua, mas agora em espanhol, porque "calle" é das poucas palavras espanholas que sabemos traduzir bem. Plátano é banana.
Portanto o logotipo da Ana Malhoa lê-se: A Ana é uma makina de fiesta militar com deus nas ruas da américa latina. Isto é o mote para o teaser online.
Animação 3D de 2001 para intro, um crescendo de expectativa que desemboca numa guitarrinha cigana. Ana Malhoa costuma fazer isto: Já com o videoclip anterior, tinhamos 10 minutos de expectativa e o problema era semelhante: a expectativa crescia e crescia mas desembocava no mesmo, uma música da Ana Malhoa.
Ana Malhoa agarra-se ao terço de taxista, ao volante um grande carro. Novamente, aquele medo que alguém perca algum tipo de informação, logo, coloquem-se todos os logotipos possíveis ao longo do carro, capacete, fato, la makina parece um showcase de vinil autocolante. Mas, musica de rua? do povo? Estás num carro do racing, Ana. Ou é musica de street-racing?
Este visual entre o Drive e o Fast and Furious com gipsy kings expressa bem o conceito comum a todos os videoclips: A musica é de fusão, mas não é pan-cultural, é pan-conceptual. Ana Malhoa pega na ideia de um Melting-Pot, torna-o  primeiro latino, depois global, e depois cruza e mistura tudo o que pode no mínimo de tempo possível.

A Ana não é parva. Ela no fundo faz tudo o que um produtor de Hollywood faz, mas tudo mal.
Qualquer semelhança entre este processo criativo e o de qualquer agência de publicidade, é pura coincidência.

* análise só para designers que não gostam de perder tempo: o logo tem 3 tipos de fontes diferentes. Está tudo dito.

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Lista para viagem

  1. Computador
  2. Drive externa
  3. Telemóvel
  4. Canivete Suíço
  5. iPod
  6. Caderno
  7. Canetas
  8. Estojo
  9. Livro
  10. Máquina fotográfica
  11. Cartões de Memória
  12. Tripé
  13. Tablet
  14. Rato
  15. Cabos

  16. Roupa

domingo, dezembro 29, 2013

Palavra do ano

Empreendedorismo.


Mas daquele a sério.
O a-sério nunca aparece nem nos jornais nem na televisão. Porque é chato. Como todos os assuntos sérios, não tem nada que aparecer nos telejornais. Ninguém quer saber nada assim a fundo pela televisão. Não dá para filmar. Imagina o Shark Tank mas com muitas contas pelo meio, com muitos termos em inglês, bastante trabalho e com cláusulas de confidencialidade. É uma seca.
O que aparece nos jornais, na TV da manhã, nos Telejornais, pode ser o empreendedorismo tipo Pan-Pipe-Moods, uma mescla de ideias manhosas já conhecidas e embrulhadas de uma forma incomum ( que já é comum, entretanto ). Geralmente mete ideias que nada têm de novo, comércio a retalho mascarado de modernaço-retro.
Hoje ia a passear ao pé da Sé e vejo umas portas antigas abertas, à frente duas menina pintalgavam de rosa um escadote de madeira. Cheguei-me à porta e espreitei para dentro: Ainda em arrumações, mas já perto de acabado, um café lounge com sortido de cadeiras, sofás em segunda mão e mesas de café velhas. Prateleiras com tralha velha, candeeiros "design" a rematar. A sério, não viram já que isto não é original, já é só um pastiche, um visual "café original"? Já chega de pobre pseudo-pobre. Façam pobre mesmo.
 Depois pode aparecer o empreendedorismo neo-salazarista, miudas que fazem cupcakes/pins/crafts em casa, fadas do lar modernaças porque usam óculos de massa grandes. A minha avó fazia isso. Mas porque precisava mesmo do dinheiro.
Pode aparecer tembém o empreendedorismo Crónica-de-Nárnia, um que é só baseado em fábulas com muitos zeros e muito sucesso mas que na verdade é uma história para boi dormir. Para complicar o trabalho que fiz este ano, há o pior empreendedorismo de todos, o daquele marmanjo do punho, de lá de cima do Norte, que é no fundo um taxista motivado. Muita garganta, muita cena, deviamos amarrar os gajos a um pinheiro e meter-lhe fogo, mas depois vai-se a ver e não faz ponta. Toda a gente sabe para que é que servem os qualquer-treta motivacionais. Foi assim que nasceu muita religião.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Odisseia: mini-série

Depois da Odisseia original, não a de Omero que essa é fraca comparada com a minha, o quotidiano passou a ser um mau descafeinado para mim, para o Pascoal e para o Januário. Hangover tuga sem droga, a Odisseia está dependente de uma boa dose de inconsciência, boa vontade e cerveja. Infelizmente o carro do Pascoal não anda alimentado a boa vontade, por isso ficámos por Lisboa, desta vez. A zona da Praça da Alegria estava por explorar há anos. É decadente, vive ainda na sombra do Parque Mayer e ainda não tem os preços do nível final de Odisseia ( elefante branco, hipopotamo e afins ).
Depois de vaguear à porta de não-sei-quantos bares duvidosos, escolhemos um que parecia ocupado e festivo.
Grave engano.
Estava vazio e era do tamanho de um maço de cigarros. Se enroscassem uma stripper no varão de pernas abertas, não cabia na sala. Imaginei uma pirueta a partir copos, bolas de espelhos, lasers, tudo. Fomos para o balcão. Depois de largar uma soma considerável por duas cervejas, reparei em duas coisas: as mesas tinham pratos com croquetes e pasteis de bacalhau em cima de guardanapos de papel e vinham duas putas na nossa direcção. Já estava a fazer as contas para responder o mais evasivo possível ao "pagas-me um copo" quando as duas senhoras se apresentaram. É interessante esta formalidade quando já tinham passado a zona de conforto há 30 cms atrás. Era suposto esta proximidade ser uma tentação. Mas Deus, eram feias. Feias como poucas mulheres que tenha visto até hoje. Ou se calhar era a distância a menos. O que se passou a seguir deve ter-se passado em 2 minutos, mas pareceram 20 minutos. Quando um gajo acha que já viu muita coisa no mundo - e isto é mesmo verdade e não é só uma frase muito repetida - acontece uma provação destas e um gajo percebe que é um menino na mesma. Não, meu caro, já foste a muita coisa muito decadente mas nunca tiveste decadente ao colo. Naqueles 2 minutos em que as senhoras faziam uma conversa que garantidamente só pode resultar em cama porque não podem resultar em mais nada, não é material para ensaios, teorias, mestrados ou workshops. Nem servem para esquecer. Naqueles 2 minutos o Pascoal parecia que tinha engolido um garfo e eu acabei com a cerveja toda. Ainda meninos, pedimos licença porque precisavamos de apanhar ar.
Os croquetes e pasteis de bacalhau estavam lá porque o barman fazia anos, já agora.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

As melhores fotos de 2013 III

Voltei ao Algarve
Andei nas Belas Artes outra vez
Voltei ao Avante


Fui aos Açores

E aos Açores

E aos Açores
E aos States

E perdi o fascínio por carros pós-68
E aquilo é tudo grande.

domingo, dezembro 22, 2013

As melhores fotos de 2013 II

Recebi uma caneca brutalmente bonita

Não a vendi na feira da ladra.
Fui surfar para Aljezur.

Andei a passear por Lisboa

Depois voltei ao algarve

sábado, dezembro 21, 2013

As melhores fotos de 2013 I

Bom, não são as melhores, são as que me apetece.
O ano começou com esta trupe multicontinental.


Depois começaram as manifs

Não vou fazer a piada "e foi um purgatório"

Fui turista por Lisboa, como é hábito

Voltei a andar de metro, que tinha largado em favor do ferrari

Voltámos a ter manifs

As Catacumbas fecharam

E fui com o Pascoal e o Januário a Santarém