quinta-feira, agosto 28, 2014
Daqui desta Lisboa
Aqui nada se passa: Cheguei das férias, os vizinhos ainda estão nelas, não ouço o cabrão do cão a descer as escadas a trote com as unhas nas tábuas do soalho e o rabo a bater no corrimão, a velha do andar de baixo não liga a televisão, o café está vazio e não serve caracóis até à meia noite, a pastelaria da esquina tem a esplanada improvisada cheia porque é a família do dono, putos indianos muitos e calados, na esquina de baixo a tasca vai servindo minis aos trolhas habituais, a papelaria que vive à conta da escola já abriu mas está sempre vazia. Porta sim porta não as igrejas envagelicas estão todas a trabalhar a meio gás, os 2 sem abrigo habituais passam o dia entre 2 carros. A Penha de França é uma zona insegura, dizem os velhos e contraria a senhoria, mas tirando facadas alheias, ainda não vi nada.
terça-feira, agosto 26, 2014
Habitats naturais e não-naturais, um estudo
Gente esfaqueada num concerto do Anselmo Ralph, gente que leva porrada no Vasco da Gama, um tipo esfaqueado no Cais do Sodré e praias inabitáveis no Algarve: A culpa é da crise.
As cidades evoluem no sentido de oferecer o melhor relação habitat/habitante possível. Contrariar as forças da natureza que definiram a preciosa função de sítios com a Amadora, o Cacém, o Cais do Sodré ou da Lapa é desafiar leis intemporais.
Em Lisboa tenta-se fazer do Cais do Sodré um sítio in. Eventualmente acontecerá, mas até lá, esperam-se sacrifícios regulares de inocentes. Este esfaqueamento da semana passada chegou às notícias porque implicou um tipo com dentição completa, licenciado, viajado, de-boas-famílias. No entanto, há esfaqueamentos no Cais do Sodré todas as semanas. Mas é só de pessoal xunga que, como eu, viajaram bem menos, chamam-se Santos ou Silva e assim levam a facada anonimamente, nunca entrando na conversa de café lounge vintage sobre insegurança. Este fenómeno cognitivo pode encontrar-se também em pessoas que usam frases como "eu até gosto de andar de transportes públicos" e "Não ando no Martim Moniz porque tenho medo de ser roubado".
Anselmo Ralph e concertos no geral: O porquê dos betos gostarem de kizomba e afins pode ser analisada de muitas formas mas a resposta é simples: kizomba nunca foi bom, é só falta de gosto. Misturem os fans reais do Anselmo com os que o ouvem à laia de very-tipical e há um choque de culturas. Afinal kizomba, como todos os géneros de musica, é uma coisa séria. Perguntem aos fans da Ana Malhoa.
A culpa disto tudo, como sempre, também é do Passos. Indo ao bolso de todos, meteu os novos ricos a pensarem que têm de ir a eventos gratuitos onde normalmente não iriam nem pagos para isso. Fiquem em casa. Por todos.
A culpa disto tudo, como sempre, também é do Passos. Indo ao bolso de todos, meteu os novos ricos a pensarem que têm de ir a eventos gratuitos onde normalmente não iriam nem pagos para isso. Fiquem em casa. Por todos.
P.S. no surf observa-se o mesmo fenómeno: normalmente vendido como actividade zen e boa-onda, nesse floreado não entram os Locals. Os Locals provam que há uma zona natural para um tipo estar. Se estás a surfar numa praia que não é tua, podes ser só um palhaço do caralho que não sai da frente, ó filha da puta.
quinta-feira, agosto 21, 2014
Tudo menos putas
Alguém devia explicar ao gerente que a) o pessoal cá fecha os olhos à prostituição b) Entre os clientes habituais há GNR's.
A lista de actividades, em detalhe:
Shower Dance
Shower Mix
Show Vip
Erotic Bed
Table Dance
Private Dance
Private Touch
A lista de actividades, em detalhe:
Shower Dance
Shower Mix
Show Vip
Erotic Bed
Table Dance
Private Dance
Private Touch
Pelo imobilismo - Uma praia é areia e água
Como quase todos os portugueses, só faço férias de praia. Sou meio masoquista e gosto de confusão, por isso tiro-as sempre em Agosto. E meto-me na boca do lobo, no Algarve. Não é que voluntariamente goste de confusão, apenas gosto de sítios que são sobre-populados durante 3 meses do ano. Essa falta de gosto - podia gostar de ir para o Gerês ou para o Alentejo - limita-se à escolha da zona onde fico. Não implica abdicar de mais nada, especialmente da combinação que vim cá à procura: Areia e água.
Mas as praias estão cheias de gente que não gosta de areia e água. Fazem de tudo para se abstrairem desse facto. Estou deitado na areia, em frente à água e vejo-os, sempre ocupados. Jogam à bola como se não houvesse amanhã, jogam paddle, jogam à bola dentro de água, jogam volley, jogam ao kames, jogam à sueca, jogam no telemóvel, ocupam a praia toda nisto, só actividades, tudo para esquecer a areia e a água, e eu deitado na areia em frente à água, a desviar-me do kames e do sol. Numa boa parte dos sítios, as actividades já não chegam e surgem empresas para ajudar a passar este bocado de tempo que nunca mais acaba. Massagens na praia. Gaivotas para alugar. Banana-boats. Escolas de Surf.
Até que em desespero, alguns tentam salvar toda a praia deste destino e metem musica ambiente na praia. Alto. Para todos irem para casa mais cedo e poderem descansar do inferno que tudo aquilo podia ser, só areia e água.
Notas laterais sobre customer service: Portugal oferece cada vez mais turismo de merda. Criado por labregos para labregos e todos os que não se acham labregos - eu - mas que têm de levar com ele.
O Turismo de Merda está em todo o lado onde há uma boa quantidade de turistas. Sobrepõe-se à realidade local, atropela-a, desvirtua-a, tira-lhe tudo o que é genuino, mete-lhe um galo de barcelos no cu e mata tudo o que há de genuíno num local. Eu que sou um purista, gosto de genuíno. Bom ou mau. Mas no entanto, e sem pagar nem pedir, oferecem-me:
Praias com musica lounge = merda.
Praias com techno = merda.
Praias com WIFI = merda.
Praias com DJ's = merda.
Praias que estão a 2 km de distância com sunset parties manhosas com o volume tão alto que se ouve como se estivesse lá = merda.
Artesanato com tampas de Nescafé = merda.
Bancas de Tererés = merda.
Bancas de caricaturas de merda = merda.
Preços inflacionados só porque sim = merda.
Restaurantes habituados a servir camones uma só vez e que por isso sabem que podem marimbar-se no que fazem = merda.
Mas as praias estão cheias de gente que não gosta de areia e água. Fazem de tudo para se abstrairem desse facto. Estou deitado na areia, em frente à água e vejo-os, sempre ocupados. Jogam à bola como se não houvesse amanhã, jogam paddle, jogam à bola dentro de água, jogam volley, jogam ao kames, jogam à sueca, jogam no telemóvel, ocupam a praia toda nisto, só actividades, tudo para esquecer a areia e a água, e eu deitado na areia em frente à água, a desviar-me do kames e do sol. Numa boa parte dos sítios, as actividades já não chegam e surgem empresas para ajudar a passar este bocado de tempo que nunca mais acaba. Massagens na praia. Gaivotas para alugar. Banana-boats. Escolas de Surf.
Até que em desespero, alguns tentam salvar toda a praia deste destino e metem musica ambiente na praia. Alto. Para todos irem para casa mais cedo e poderem descansar do inferno que tudo aquilo podia ser, só areia e água.
Notas laterais sobre customer service: Portugal oferece cada vez mais turismo de merda. Criado por labregos para labregos e todos os que não se acham labregos - eu - mas que têm de levar com ele.
O Turismo de Merda está em todo o lado onde há uma boa quantidade de turistas. Sobrepõe-se à realidade local, atropela-a, desvirtua-a, tira-lhe tudo o que é genuino, mete-lhe um galo de barcelos no cu e mata tudo o que há de genuíno num local. Eu que sou um purista, gosto de genuíno. Bom ou mau. Mas no entanto, e sem pagar nem pedir, oferecem-me:
Praias com musica lounge = merda.
Praias com techno = merda.
Praias com WIFI = merda.
Praias com DJ's = merda.
Praias que estão a 2 km de distância com sunset parties manhosas com o volume tão alto que se ouve como se estivesse lá = merda.
Artesanato com tampas de Nescafé = merda.
Bancas de Tererés = merda.
Bancas de caricaturas de merda = merda.
Preços inflacionados só porque sim = merda.
Restaurantes habituados a servir camones uma só vez e que por isso sabem que podem marimbar-se no que fazem = merda.
quarta-feira, agosto 20, 2014
Nada de novo
Passam-se os dias a subir e descer escadas e escarpas onde não há escadas, comem-se gelados e comparam-se níveis de queimadura solar. Encho o bandulho de gelados. Faço o possível para ter uma cama ao lado da mesa do almoço, dispenso a powernap mas aprovo a sesta depois de almoço. No Algarve não se passa nada, os camones validam todo o tipo de actividades portuguesas como sempre, especialmente aquelas que poucos portugueses praticam, paellas touradas e passeios de barco, sardinhas a 10 euros, mackerel e chourizo. Há mais pubs britanicos em Albufeira que em Lisboa, os putos alemães atiram-se de 15 metros para a água como quem come um prego. Os Algarvios não dizem nada de novo, já sabem o que vem a seguir, 9 meses de marasmo a bolos de alfarroba e medronho. Não se aprende nada.
segunda-feira, agosto 18, 2014
Cascais no Algarve
Os maior perigo daqueles posts com títulos como "os 10 melhores sítios na costa vicentina" é que vão parar ao desktop de um beto. Os betos propagam-se como gafanhotos, tanto em termos bíblicos como em termos de descendência, e usam isso para ocupar terras inteiras.
Aconteceu aqui ao pé. Se em Lisboa os betos são atraídos por pastelarias caras e pelo santinni, no Algarve são atraídos pelo marisco e pelos restaurantes decentes. Como no Algarve há poucos, ao chegarmos a um restaurante minimamente decente, ele já estará a ser dizimado por betos. Armados de pólos às cores e pérolas nas orelhas, devoram tudo. Depois, fazem ninho. As proles, pequenos betos alvos e aprumadinhos pululam por todo o lado às dezenas. Ocupam parques de estacionamento, tratam-se por você, chamam-se Caetano e Constança. Uma praga.
Aconteceu aqui ao pé. Se em Lisboa os betos são atraídos por pastelarias caras e pelo santinni, no Algarve são atraídos pelo marisco e pelos restaurantes decentes. Como no Algarve há poucos, ao chegarmos a um restaurante minimamente decente, ele já estará a ser dizimado por betos. Armados de pólos às cores e pérolas nas orelhas, devoram tudo. Depois, fazem ninho. As proles, pequenos betos alvos e aprumadinhos pululam por todo o lado às dezenas. Ocupam parques de estacionamento, tratam-se por você, chamam-se Caetano e Constança. Uma praga.
sábado, agosto 16, 2014
Mudanças
Próximos tempos, as emissões continuam do Algarve. Esperam-se posts sobre esplanadas mal servidas, praias com musica de fundo, praias ao longe com musica de fundo, pessoas que ainda não têm tatuagens e técnicas de estacionamento avançadas. Nada de novo, e é assim que se querem as férias: nada de novo.
quinta-feira, agosto 07, 2014
a sharktankização
Quando era puto, as notícias sobre economia eram uma nota no fim do telejornal. Abrir noticiários a falar de bancos e taxas de juro era muito improvável. Passados 20 anos, o telejornal só fala de economia e daquele tipo em Cinfães que tem uma couve com 2 metros de altura. As mentalidades vão mudando, aos poucos, com o tempo.
Quando era puto, não havia empreendedores. Passados estes anos, estão em todo o lado. E o tipo da couve de 2 metros agora vê o Shark Tank e acha que vai poder pedir uma patente sobre o uso da couve e licenciar fotos da couve a 3ºs, recebendo royalties mas oferencendo 5% do revenue gerado por estes, depois de conseguir um bom canal de distribuição e investir 200K em televendas.
Daqui a 20 anos, já ninguém dirá nada sobre isto.
sábado, agosto 02, 2014
A Torremolinização de Lisboa
A mecanica é simples: uma cidade tem algo com especial interesse para visitar. Facilitam-se as formas de a visitar. Criam-se estruturas para apoiar quem a visita. Ignora-se tudo o resto.
Passados uns anos, temos Torremolinos.
Lisboa está a caminho da sua torremolinização. A Baixa está quase, o Bairro também, a Bica pouco falta, Alfama para lá caminha. Hostels, hoteis, Airbnb's, lojas, cafés, os negócios vintage-fáceis estão a tomar conta destas zonas e quem ainda lá vive, já deixou de viver num bairro há muito.
Aqui ao pé de Lisboa, em Óbidos, está a acontecer o mesmo. Não é pior porque Óbidos não é tão espetacular para viver como Lisboa. É frio e não se pode estacionar o carro à porta de casa. Mas enche-se de lojas, de ginja, de restaurantes e habitantes, só velhos, são cada vez menos. Até que aquilo, um dia destes, é só um centro comercial a céu aberto. É uma vila na mesma, então?
Passados uns anos, temos Torremolinos.
Lisboa está a caminho da sua torremolinização. A Baixa está quase, o Bairro também, a Bica pouco falta, Alfama para lá caminha. Hostels, hoteis, Airbnb's, lojas, cafés, os negócios vintage-fáceis estão a tomar conta destas zonas e quem ainda lá vive, já deixou de viver num bairro há muito.
Aqui ao pé de Lisboa, em Óbidos, está a acontecer o mesmo. Não é pior porque Óbidos não é tão espetacular para viver como Lisboa. É frio e não se pode estacionar o carro à porta de casa. Mas enche-se de lojas, de ginja, de restaurantes e habitantes, só velhos, são cada vez menos. Até que aquilo, um dia destes, é só um centro comercial a céu aberto. É uma vila na mesma, então?
sexta-feira, agosto 01, 2014
Lista de temas impossíveis na internet ( actualização )
Além de todos os temas do universo, há temas especiais que são famosos por serem impossíveis de abordar e encontrar uma oposição saudável na internet. Encetar uma conversa online sobre algum dos temas abaixo serve de revelador: descobrir-se-ão trolls, burros, anormais burgessos e aventesmas debaixo de uma camada de sais de prata.
- Gatinhos
- Anjos
- Golfinhos
- Vegetarianismo
- Monsanto
- PSD
- Funcionários públicos
- Estágios não-remunerados
- Religião ( todas )
- Israel
- Gaza
- Amamentação
domingo, julho 27, 2014
Sobre criatividade e trabalhar nela, para fechar
Isto são verdades absolutas e imutáveis, ponho-as aqui para servirem de recado para angustias vindouras:
- Todas as pessoas são criativas, independentemente da sua idade, formação profissional, aceitação ou negação. Não existe a capacidade de não-criar.
- A prática e aplicação da criatividade não é exclusiva a nenhuma área profissional em particular; Um designer, um talhante ou um matemático fazem-no regularmente.
- A expressão mais universal da criatidade é o design e a comunicação visual.
- A prática de Olhar é comum - VER não é - e erroneamente convence quem olha de que o hábito lhe incutiu a capacidade de se expressar visualmente.
- A vulgarização do acesso a imagem e a ferramentas de criação de imagem desbaratou-a, tornando-a mais e mais descartável.
E esta é a explicação teórica para a merda dos clientes.
sábado, julho 26, 2014
sexta-feira, julho 25, 2014
quinta-feira, julho 24, 2014
3 milhões
Gostava de estar lá a ver Ricardo Salgado a assinar o cheque de 3 milhões de euros para ficar fora da choldra. Queria perceber se 3 milhões é um valor absoluto ou ainda é relativo.
Que cara é que um tipo que respira, que lá no fundo tem uma vida como a minha, vai almoçar, tem familia, tem duas pernas, larga - porque não vai ficar onde um outro gajo qualquer, com uma vida, no fundo, como a nossa, que teria simplesmente de se aguentar e não refilar muito - várias dezenas de vidas de ordenado acumulado de um tipo normal?
Nisto houve uma coisa que me surpreendeu pela positiva. Já estava eu no trabalho a apostar em quantos quartos de hora ele estaria na rua - graciosamente, claro - quando descubro isto, que teve de pagar para sair. É um sinal dos tempos, e é um bom sinal.
Que cara é que um tipo que respira, que lá no fundo tem uma vida como a minha, vai almoçar, tem familia, tem duas pernas, larga - porque não vai ficar onde um outro gajo qualquer, com uma vida, no fundo, como a nossa, que teria simplesmente de se aguentar e não refilar muito - várias dezenas de vidas de ordenado acumulado de um tipo normal?
- Custa-lhe tanto como a mim largar o dinheiro da segurança social?
- Custa-lhe como pagar uma multa de estacionamento?
- É como ir na rua, meter a mão no bolso e dar pela falta de uma nota de 20? ( foda-se )
- É como perder um braço?
- Pensa "lá vou ter de cortar nas despesas."?
- Pensa "já ontem me calhou a carta dos impostos no monopólio, isto é uma maré de azar".
- Já não tem noção de nada só porque não sabe quanto custa uma carcaça?
- O que é que diz à mulher? "foi só desta vez, querida."?
- O que é que diz a ele mesmo? "Nunca mais faço uma destas, juro."?
- Os zeros cabem todos no cheque ou só consegue escrever por extenso?
- Pensa na quantidade de aviões que anda a cair por semana e acha-se um gajo com sorte?
- Ainda usa cheques? Os zeros todos cabem no ecran do multibanco?
- Qual é o código de multibanco de um gajo destes?
- Afinal a nota estava no outro bolso.
Nisto houve uma coisa que me surpreendeu pela positiva. Já estava eu no trabalho a apostar em quantos quartos de hora ele estaria na rua - graciosamente, claro - quando descubro isto, que teve de pagar para sair. É um sinal dos tempos, e é um bom sinal.
Nos idos de 1980
Há 30 anos, a publicidade era uma industria de vanguarda. Cheia de talento, dinheiro e vontade. Se calhar isto é só mito e no fundo era um industra salsicheira como é hoje: a criatividade existe, simplesmente não é o motor que as faz andar. Esse é o lucro. Toda a industria anda como se esse lucro não tivesse origem na criatividade mas na produção de salsichas. E agora faz-se muita salsicha. O objectivo inicial perdeu-se e estão também a perder-se criativos e a ganhar muitos salsicheiros.
As Startups são agora a vanguarda - onde está agora o talento, o dinheiro e a vontade - com a premissa inversa: O que as faz andar é o lucro e o motor é a criatividade. Não há clientes na equação - poderá haver um equivalente, mas como esse cliente abstracto é ganancioso, só quer saber de números, não quer saber como chegamos lá ( como deveria ser um cliente de publicidade, no fundo ) - e só temos de fazer o melhor que sabemos para chegar lá.
Lembrei-me disto porque há uns tempos, a meio de uma reunião de produção, chegou-se a uma conclusão que cheirava a salsicharia da publicidade: uma ideia cega que não tinha em conta o mundo real e que só funcionava na cabeça de 2 ou 3 humanos. Em anos, foi a primeira vez.
Nota: As startups são apenas empresas. Só isso.
As Startups são agora a vanguarda - onde está agora o talento, o dinheiro e a vontade - com a premissa inversa: O que as faz andar é o lucro e o motor é a criatividade. Não há clientes na equação - poderá haver um equivalente, mas como esse cliente abstracto é ganancioso, só quer saber de números, não quer saber como chegamos lá ( como deveria ser um cliente de publicidade, no fundo ) - e só temos de fazer o melhor que sabemos para chegar lá.
Lembrei-me disto porque há uns tempos, a meio de uma reunião de produção, chegou-se a uma conclusão que cheirava a salsicharia da publicidade: uma ideia cega que não tinha em conta o mundo real e que só funcionava na cabeça de 2 ou 3 humanos. Em anos, foi a primeira vez.
Nota: As startups são apenas empresas. Só isso.
terça-feira, julho 22, 2014
Ando a ler um livro que me está a influenciar nesta opinião, e não deixa de ter piada a sua origem
Os sindicatos dos professores são paranoicos. Paranoicos porque funcionam num modo emocional. Só emocional. A parte racional parou em 1982 e desde aí empregam o mesmo racional por defeito, e actualizam ( não muito ) a indignação paranoica. Lidar com sindicatos é coisa para psicólogos, não para políticos.
Amanhã actualizo isto, quando ( se ) perceber realmente - ninguém explica isto racionalmente - o que se está a passar.
Update: Confirmo. O que se está a passar é o PC com o discurso parado em 1982, em loop. Nem se chega a perceber o que realmente está a acontecer, mas é "depois do 25 de Abril de 75."
Update: Confirmo. O que se está a passar é o PC com o discurso parado em 1982, em loop. Nem se chega a perceber o que realmente está a acontecer, mas é "depois do 25 de Abril de 75."
segunda-feira, julho 21, 2014
Hiper-relativismo absoluto
Guerra:
Estudos indicam que as crianças portuguesas dos anos 70 são hoje adultos incapazes de considerar qualquer tipo de movimento militar ou político ou qualquer tipo de acontecimento isolado como capaz de despoletar qualquer tipo de conflito global devido a exposição prolongada ao conceito a) de guerra fria. Estudos indicam que até ao rebentamento de um obus ( ainda há obuses? ) nos pasteis de belém, não há motivos para alterar qualquer tipo de rotina nem considerar nenhum tipo de cenário hipotético.
Num teste cego com historiadores, escritores advogados militares e políticos frente a vários cenários - Vasco granja, Vasco Gonçalves, Estaline, um cesto de vi-me e vários exemplos de capicuas num crisma ( os cenários foram escolhidos por cegos ) - revelou-se um consistente incapacidade de, apesar dos profundos conhecimentos na área, conseguirem demonstrar algum domínio em futurologia. 3 em cada Nuno Rogeiro culpam a volatilidade do pensamento humano por este facto.Estudos indicam que as crianças portuguesas dos anos 70 são hoje adultos incapazes de considerar qualquer tipo de movimento militar ou político ou qualquer tipo de acontecimento isolado como capaz de despoletar qualquer tipo de conflito global devido a exposição prolongada ao conceito a) de guerra fria. Estudos indicam que até ao rebentamento de um obus ( ainda há obuses? ) nos pasteis de belém, não há motivos para alterar qualquer tipo de rotina nem considerar nenhum tipo de cenário hipotético.
terça-feira, julho 15, 2014
Demasiada informação
Há uns anos, um amigo meu fartava-se de gozar com os designers do IADE. Especialmente as miudas. Chamava-as de meninas-do-Keith-Haring, porque era isso que eram. Hoje tenho de lhe dar razão porque realmente havia ali uma falta de substância - em vários pontos, começando pela idade, ninguém espera que estudantes universitários sejam espantosos em muitos aspectos, especialmente no que toca a experiência de vida - que era colmatada com esta apropriação de trabalho dos outros, como se seguir ou gostar de um artista, corrente ou ícone nos aproximasse das qualidades que julgamos inerentes a esse dito... espera há pessoas com mais de 30 anos que ainda acham que isso também funciona com estas e todas as outras coisas, tipo restaurantes, galerias de arte ou concertos e coiso mas não, gostar de Damien Hurst não me faz mais inteligente, nem mais próximo de atingir o que ele faz, só faz mais disponível a aprender mais umas coisas no fundo sou burro como sempre mas com mais referencial para provar que não sou burro e agora estava ali a ver uns designers a fazer mapas de tasks na parede com dezenas de post-its e a pensar que os métodos muito elaborados de trabalho são um pouco como gostar de Keith Haring.
Estudos indicam que 1 em cada 2 cadeiras não tem par
Cronologia de cafés lisboetas em linha evolutiva:
O café Vintage Indie: há 10 anos, já havia cafés vintage. Estes primeiros cafés lançaram o estilo de todos os que se seguiram: O estilo Sortido. Cadeiras, mesas, candeeiros, pratos, copos. Nenhum destes itens deve ser encontrado repetido dentro do mesmo sítio, todas as peças devem ter pelo menos 30 anos. A decoração vai desde raquetes de badmington a bidés e jogos da Majora. Estudos indicam que nesta fase, estes cafés eram originais.
O café Vintage Indie proliferou, ao ponto de qualquer pessoa poder entender e copiar o estilo e trazer elementos novos. Surge o estilo Sortido-Amelie:
O mesmo sortido de cadeiras e afins, mas com um só tipo de copos. Copos que não casam é coisa de malucos e davam ar de falta de concentração. A decoração é geralmente opressiva. Geralmente deixa-se o bar atolar de tralha tirada da feira da ladra, a escolha dos objectos aparentando ser arbitrária. Revertem em foto-ops para o instagram facilmente.
Aparecem depois os bares estilo Amelie-Bandwagon. O somatório de tudo o que foi feito até aí, mas já apropriado por qualquer pessoa destituida de cérebro e vontade. A decoração comporta tudo o que já foi referido, o que os distingue é o espaço onde se inserem, que geralmente está à beira do desmoronamento mas com intervenções pontuais, ora extemporaneas, ora simplesmente erradas. Estas podem ir desde as lampadas de halogénio aos plásticos a tapar o buraco no tecto.
Finalmente, surge o estilo Vintage Gourmet-Bandwagon. As cadeiras, pratos, copos e mesas obedecem a um manual corporativo, a decoração é feita de tralha escolhida a dedo por decoradoras, de modo a não ofender o gosto pré-adquirido dos clientes, passando obrigatoriamente por pelo menos um quadro de gis com lettering mais ou menos cuidado ( vide instagram ). É a versão comercial do Vintage. Distingue-se pelo cuidado especial ao menu, que vai mudando conforme o que estiver na moda - vide Gin e Hamburguers - na cabeça dos hipsters.
Nota do Prezado: Os diferentes tipos de café vintage têm em comum a sua génese. São empresas familiares de novos-ricos. Isto é comprovado pelo atendimento, que é sempre o pior possível no que toca a eficácia. Estudos indicam que 95% das pessoas que pedem uma tosta ouvem do empregado um chorrilho de queixas sobre o tempo que a máquina leva a ligar e têm uma tosta mista ao fim de 45 minutos.
O café Vintage Indie: há 10 anos, já havia cafés vintage. Estes primeiros cafés lançaram o estilo de todos os que se seguiram: O estilo Sortido. Cadeiras, mesas, candeeiros, pratos, copos. Nenhum destes itens deve ser encontrado repetido dentro do mesmo sítio, todas as peças devem ter pelo menos 30 anos. A decoração vai desde raquetes de badmington a bidés e jogos da Majora. Estudos indicam que nesta fase, estes cafés eram originais.
O café Vintage Indie proliferou, ao ponto de qualquer pessoa poder entender e copiar o estilo e trazer elementos novos. Surge o estilo Sortido-Amelie:
O mesmo sortido de cadeiras e afins, mas com um só tipo de copos. Copos que não casam é coisa de malucos e davam ar de falta de concentração. A decoração é geralmente opressiva. Geralmente deixa-se o bar atolar de tralha tirada da feira da ladra, a escolha dos objectos aparentando ser arbitrária. Revertem em foto-ops para o instagram facilmente.
Aparecem depois os bares estilo Amelie-Bandwagon. O somatório de tudo o que foi feito até aí, mas já apropriado por qualquer pessoa destituida de cérebro e vontade. A decoração comporta tudo o que já foi referido, o que os distingue é o espaço onde se inserem, que geralmente está à beira do desmoronamento mas com intervenções pontuais, ora extemporaneas, ora simplesmente erradas. Estas podem ir desde as lampadas de halogénio aos plásticos a tapar o buraco no tecto.
Finalmente, surge o estilo Vintage Gourmet-Bandwagon. As cadeiras, pratos, copos e mesas obedecem a um manual corporativo, a decoração é feita de tralha escolhida a dedo por decoradoras, de modo a não ofender o gosto pré-adquirido dos clientes, passando obrigatoriamente por pelo menos um quadro de gis com lettering mais ou menos cuidado ( vide instagram ). É a versão comercial do Vintage. Distingue-se pelo cuidado especial ao menu, que vai mudando conforme o que estiver na moda - vide Gin e Hamburguers - na cabeça dos hipsters.
Nota do Prezado: Os diferentes tipos de café vintage têm em comum a sua génese. São empresas familiares de novos-ricos. Isto é comprovado pelo atendimento, que é sempre o pior possível no que toca a eficácia. Estudos indicam que 95% das pessoas que pedem uma tosta ouvem do empregado um chorrilho de queixas sobre o tempo que a máquina leva a ligar e têm uma tosta mista ao fim de 45 minutos.
domingo, julho 13, 2014
O Papa
Lembrei-me agora que esta semana vi o Papa a dizer que não ia rezar pela Argentina na final. Como muitas outras coisas que o Papa diz, Podia jurar que o disse como uma piada, juro que vi um micro-esgar de milisegundos, uma micro-pausa a esperar a resposta, a convidar ao escape do riso, uma culpa freudiana quase a rebentar.
Se dessem o público certo ao Papa, ele era um grande número de stand up. Era só à base de pausas certeiras.
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