Estava ali a ouvir a reportagem da sic sobre as fotos-da-Jeniffer-Lawrence-que-apareceram-na-net e a rir-me com a exactidão da notícia, que tem sempre um tom algo inocente, naif, extemporâneo à internet. A linguagem da televisão portuguesa é como a dos portugueses: expostos, são inocentes. Escondidos num tasco, são o Tarzan Taborda com coca.
Disseram "Jeniffer Lawrence QUASE como veio ao mundo". Ó senhores, mas se fosse QUASE alguém queria ver as fotos? Para isso basta cruzar-me com ela na praia. Não era bem isso.
Podiam dizer como diz a Nova Gente, "poses sugestivas".
Depois adiantaram que haveria muita gente à procura das fotos no twitter. Bom, não é bem essa a especialidade do twitter. O twitter até nem é muito bom para isso. O Imgur é melhor.
E avisaram que toda a gente que partilhasse as fotografias ia ser processado. Pois.
Podiam ter aproveitado para falar de net, telemóveis e privacidade. Mas não. Para isto, mais vale ir para a net. Só naquela, procurem por "The Fappening".
segunda-feira, setembro 01, 2014
O cabo das tormentas
Ouvi dizer que os blogs voltaram a ser importantes. Os que sobreviveram a travessia desta fase em que o blog não dizia nada a ninguem atingiram a maioridade e são agora tão sólidos como o NYT. Face ao jornalismo que morre a cada dia, o Blog é um género de barata radioactiva gratuita.
quinta-feira, agosto 28, 2014
Daqui desta Lisboa
Aqui nada se passa: Cheguei das férias, os vizinhos ainda estão nelas, não ouço o cabrão do cão a descer as escadas a trote com as unhas nas tábuas do soalho e o rabo a bater no corrimão, a velha do andar de baixo não liga a televisão, o café está vazio e não serve caracóis até à meia noite, a pastelaria da esquina tem a esplanada improvisada cheia porque é a família do dono, putos indianos muitos e calados, na esquina de baixo a tasca vai servindo minis aos trolhas habituais, a papelaria que vive à conta da escola já abriu mas está sempre vazia. Porta sim porta não as igrejas envagelicas estão todas a trabalhar a meio gás, os 2 sem abrigo habituais passam o dia entre 2 carros. A Penha de França é uma zona insegura, dizem os velhos e contraria a senhoria, mas tirando facadas alheias, ainda não vi nada.
terça-feira, agosto 26, 2014
Habitats naturais e não-naturais, um estudo
Gente esfaqueada num concerto do Anselmo Ralph, gente que leva porrada no Vasco da Gama, um tipo esfaqueado no Cais do Sodré e praias inabitáveis no Algarve: A culpa é da crise.
As cidades evoluem no sentido de oferecer o melhor relação habitat/habitante possível. Contrariar as forças da natureza que definiram a preciosa função de sítios com a Amadora, o Cacém, o Cais do Sodré ou da Lapa é desafiar leis intemporais.
Em Lisboa tenta-se fazer do Cais do Sodré um sítio in. Eventualmente acontecerá, mas até lá, esperam-se sacrifícios regulares de inocentes. Este esfaqueamento da semana passada chegou às notícias porque implicou um tipo com dentição completa, licenciado, viajado, de-boas-famílias. No entanto, há esfaqueamentos no Cais do Sodré todas as semanas. Mas é só de pessoal xunga que, como eu, viajaram bem menos, chamam-se Santos ou Silva e assim levam a facada anonimamente, nunca entrando na conversa de café lounge vintage sobre insegurança. Este fenómeno cognitivo pode encontrar-se também em pessoas que usam frases como "eu até gosto de andar de transportes públicos" e "Não ando no Martim Moniz porque tenho medo de ser roubado".
Anselmo Ralph e concertos no geral: O porquê dos betos gostarem de kizomba e afins pode ser analisada de muitas formas mas a resposta é simples: kizomba nunca foi bom, é só falta de gosto. Misturem os fans reais do Anselmo com os que o ouvem à laia de very-tipical e há um choque de culturas. Afinal kizomba, como todos os géneros de musica, é uma coisa séria. Perguntem aos fans da Ana Malhoa.
A culpa disto tudo, como sempre, também é do Passos. Indo ao bolso de todos, meteu os novos ricos a pensarem que têm de ir a eventos gratuitos onde normalmente não iriam nem pagos para isso. Fiquem em casa. Por todos.
A culpa disto tudo, como sempre, também é do Passos. Indo ao bolso de todos, meteu os novos ricos a pensarem que têm de ir a eventos gratuitos onde normalmente não iriam nem pagos para isso. Fiquem em casa. Por todos.
P.S. no surf observa-se o mesmo fenómeno: normalmente vendido como actividade zen e boa-onda, nesse floreado não entram os Locals. Os Locals provam que há uma zona natural para um tipo estar. Se estás a surfar numa praia que não é tua, podes ser só um palhaço do caralho que não sai da frente, ó filha da puta.
quinta-feira, agosto 21, 2014
Tudo menos putas
Alguém devia explicar ao gerente que a) o pessoal cá fecha os olhos à prostituição b) Entre os clientes habituais há GNR's.
A lista de actividades, em detalhe:
Shower Dance
Shower Mix
Show Vip
Erotic Bed
Table Dance
Private Dance
Private Touch
A lista de actividades, em detalhe:
Shower Dance
Shower Mix
Show Vip
Erotic Bed
Table Dance
Private Dance
Private Touch
Pelo imobilismo - Uma praia é areia e água
Como quase todos os portugueses, só faço férias de praia. Sou meio masoquista e gosto de confusão, por isso tiro-as sempre em Agosto. E meto-me na boca do lobo, no Algarve. Não é que voluntariamente goste de confusão, apenas gosto de sítios que são sobre-populados durante 3 meses do ano. Essa falta de gosto - podia gostar de ir para o Gerês ou para o Alentejo - limita-se à escolha da zona onde fico. Não implica abdicar de mais nada, especialmente da combinação que vim cá à procura: Areia e água.
Mas as praias estão cheias de gente que não gosta de areia e água. Fazem de tudo para se abstrairem desse facto. Estou deitado na areia, em frente à água e vejo-os, sempre ocupados. Jogam à bola como se não houvesse amanhã, jogam paddle, jogam à bola dentro de água, jogam volley, jogam ao kames, jogam à sueca, jogam no telemóvel, ocupam a praia toda nisto, só actividades, tudo para esquecer a areia e a água, e eu deitado na areia em frente à água, a desviar-me do kames e do sol. Numa boa parte dos sítios, as actividades já não chegam e surgem empresas para ajudar a passar este bocado de tempo que nunca mais acaba. Massagens na praia. Gaivotas para alugar. Banana-boats. Escolas de Surf.
Até que em desespero, alguns tentam salvar toda a praia deste destino e metem musica ambiente na praia. Alto. Para todos irem para casa mais cedo e poderem descansar do inferno que tudo aquilo podia ser, só areia e água.
Notas laterais sobre customer service: Portugal oferece cada vez mais turismo de merda. Criado por labregos para labregos e todos os que não se acham labregos - eu - mas que têm de levar com ele.
O Turismo de Merda está em todo o lado onde há uma boa quantidade de turistas. Sobrepõe-se à realidade local, atropela-a, desvirtua-a, tira-lhe tudo o que é genuino, mete-lhe um galo de barcelos no cu e mata tudo o que há de genuíno num local. Eu que sou um purista, gosto de genuíno. Bom ou mau. Mas no entanto, e sem pagar nem pedir, oferecem-me:
Praias com musica lounge = merda.
Praias com techno = merda.
Praias com WIFI = merda.
Praias com DJ's = merda.
Praias que estão a 2 km de distância com sunset parties manhosas com o volume tão alto que se ouve como se estivesse lá = merda.
Artesanato com tampas de Nescafé = merda.
Bancas de Tererés = merda.
Bancas de caricaturas de merda = merda.
Preços inflacionados só porque sim = merda.
Restaurantes habituados a servir camones uma só vez e que por isso sabem que podem marimbar-se no que fazem = merda.
Mas as praias estão cheias de gente que não gosta de areia e água. Fazem de tudo para se abstrairem desse facto. Estou deitado na areia, em frente à água e vejo-os, sempre ocupados. Jogam à bola como se não houvesse amanhã, jogam paddle, jogam à bola dentro de água, jogam volley, jogam ao kames, jogam à sueca, jogam no telemóvel, ocupam a praia toda nisto, só actividades, tudo para esquecer a areia e a água, e eu deitado na areia em frente à água, a desviar-me do kames e do sol. Numa boa parte dos sítios, as actividades já não chegam e surgem empresas para ajudar a passar este bocado de tempo que nunca mais acaba. Massagens na praia. Gaivotas para alugar. Banana-boats. Escolas de Surf.
Até que em desespero, alguns tentam salvar toda a praia deste destino e metem musica ambiente na praia. Alto. Para todos irem para casa mais cedo e poderem descansar do inferno que tudo aquilo podia ser, só areia e água.
Notas laterais sobre customer service: Portugal oferece cada vez mais turismo de merda. Criado por labregos para labregos e todos os que não se acham labregos - eu - mas que têm de levar com ele.
O Turismo de Merda está em todo o lado onde há uma boa quantidade de turistas. Sobrepõe-se à realidade local, atropela-a, desvirtua-a, tira-lhe tudo o que é genuino, mete-lhe um galo de barcelos no cu e mata tudo o que há de genuíno num local. Eu que sou um purista, gosto de genuíno. Bom ou mau. Mas no entanto, e sem pagar nem pedir, oferecem-me:
Praias com musica lounge = merda.
Praias com techno = merda.
Praias com WIFI = merda.
Praias com DJ's = merda.
Praias que estão a 2 km de distância com sunset parties manhosas com o volume tão alto que se ouve como se estivesse lá = merda.
Artesanato com tampas de Nescafé = merda.
Bancas de Tererés = merda.
Bancas de caricaturas de merda = merda.
Preços inflacionados só porque sim = merda.
Restaurantes habituados a servir camones uma só vez e que por isso sabem que podem marimbar-se no que fazem = merda.
quarta-feira, agosto 20, 2014
Nada de novo
Passam-se os dias a subir e descer escadas e escarpas onde não há escadas, comem-se gelados e comparam-se níveis de queimadura solar. Encho o bandulho de gelados. Faço o possível para ter uma cama ao lado da mesa do almoço, dispenso a powernap mas aprovo a sesta depois de almoço. No Algarve não se passa nada, os camones validam todo o tipo de actividades portuguesas como sempre, especialmente aquelas que poucos portugueses praticam, paellas touradas e passeios de barco, sardinhas a 10 euros, mackerel e chourizo. Há mais pubs britanicos em Albufeira que em Lisboa, os putos alemães atiram-se de 15 metros para a água como quem come um prego. Os Algarvios não dizem nada de novo, já sabem o que vem a seguir, 9 meses de marasmo a bolos de alfarroba e medronho. Não se aprende nada.
segunda-feira, agosto 18, 2014
Cascais no Algarve
Os maior perigo daqueles posts com títulos como "os 10 melhores sítios na costa vicentina" é que vão parar ao desktop de um beto. Os betos propagam-se como gafanhotos, tanto em termos bíblicos como em termos de descendência, e usam isso para ocupar terras inteiras.
Aconteceu aqui ao pé. Se em Lisboa os betos são atraídos por pastelarias caras e pelo santinni, no Algarve são atraídos pelo marisco e pelos restaurantes decentes. Como no Algarve há poucos, ao chegarmos a um restaurante minimamente decente, ele já estará a ser dizimado por betos. Armados de pólos às cores e pérolas nas orelhas, devoram tudo. Depois, fazem ninho. As proles, pequenos betos alvos e aprumadinhos pululam por todo o lado às dezenas. Ocupam parques de estacionamento, tratam-se por você, chamam-se Caetano e Constança. Uma praga.
Aconteceu aqui ao pé. Se em Lisboa os betos são atraídos por pastelarias caras e pelo santinni, no Algarve são atraídos pelo marisco e pelos restaurantes decentes. Como no Algarve há poucos, ao chegarmos a um restaurante minimamente decente, ele já estará a ser dizimado por betos. Armados de pólos às cores e pérolas nas orelhas, devoram tudo. Depois, fazem ninho. As proles, pequenos betos alvos e aprumadinhos pululam por todo o lado às dezenas. Ocupam parques de estacionamento, tratam-se por você, chamam-se Caetano e Constança. Uma praga.
sábado, agosto 16, 2014
Mudanças
Próximos tempos, as emissões continuam do Algarve. Esperam-se posts sobre esplanadas mal servidas, praias com musica de fundo, praias ao longe com musica de fundo, pessoas que ainda não têm tatuagens e técnicas de estacionamento avançadas. Nada de novo, e é assim que se querem as férias: nada de novo.
quinta-feira, agosto 07, 2014
a sharktankização
Quando era puto, as notícias sobre economia eram uma nota no fim do telejornal. Abrir noticiários a falar de bancos e taxas de juro era muito improvável. Passados 20 anos, o telejornal só fala de economia e daquele tipo em Cinfães que tem uma couve com 2 metros de altura. As mentalidades vão mudando, aos poucos, com o tempo.
Quando era puto, não havia empreendedores. Passados estes anos, estão em todo o lado. E o tipo da couve de 2 metros agora vê o Shark Tank e acha que vai poder pedir uma patente sobre o uso da couve e licenciar fotos da couve a 3ºs, recebendo royalties mas oferencendo 5% do revenue gerado por estes, depois de conseguir um bom canal de distribuição e investir 200K em televendas.
Daqui a 20 anos, já ninguém dirá nada sobre isto.
sábado, agosto 02, 2014
A Torremolinização de Lisboa
A mecanica é simples: uma cidade tem algo com especial interesse para visitar. Facilitam-se as formas de a visitar. Criam-se estruturas para apoiar quem a visita. Ignora-se tudo o resto.
Passados uns anos, temos Torremolinos.
Lisboa está a caminho da sua torremolinização. A Baixa está quase, o Bairro também, a Bica pouco falta, Alfama para lá caminha. Hostels, hoteis, Airbnb's, lojas, cafés, os negócios vintage-fáceis estão a tomar conta destas zonas e quem ainda lá vive, já deixou de viver num bairro há muito.
Aqui ao pé de Lisboa, em Óbidos, está a acontecer o mesmo. Não é pior porque Óbidos não é tão espetacular para viver como Lisboa. É frio e não se pode estacionar o carro à porta de casa. Mas enche-se de lojas, de ginja, de restaurantes e habitantes, só velhos, são cada vez menos. Até que aquilo, um dia destes, é só um centro comercial a céu aberto. É uma vila na mesma, então?
Passados uns anos, temos Torremolinos.
Lisboa está a caminho da sua torremolinização. A Baixa está quase, o Bairro também, a Bica pouco falta, Alfama para lá caminha. Hostels, hoteis, Airbnb's, lojas, cafés, os negócios vintage-fáceis estão a tomar conta destas zonas e quem ainda lá vive, já deixou de viver num bairro há muito.
Aqui ao pé de Lisboa, em Óbidos, está a acontecer o mesmo. Não é pior porque Óbidos não é tão espetacular para viver como Lisboa. É frio e não se pode estacionar o carro à porta de casa. Mas enche-se de lojas, de ginja, de restaurantes e habitantes, só velhos, são cada vez menos. Até que aquilo, um dia destes, é só um centro comercial a céu aberto. É uma vila na mesma, então?
sexta-feira, agosto 01, 2014
Lista de temas impossíveis na internet ( actualização )
Além de todos os temas do universo, há temas especiais que são famosos por serem impossíveis de abordar e encontrar uma oposição saudável na internet. Encetar uma conversa online sobre algum dos temas abaixo serve de revelador: descobrir-se-ão trolls, burros, anormais burgessos e aventesmas debaixo de uma camada de sais de prata.
- Gatinhos
- Anjos
- Golfinhos
- Vegetarianismo
- Monsanto
- PSD
- Funcionários públicos
- Estágios não-remunerados
- Religião ( todas )
- Israel
- Gaza
- Amamentação
domingo, julho 27, 2014
Sobre criatividade e trabalhar nela, para fechar
Isto são verdades absolutas e imutáveis, ponho-as aqui para servirem de recado para angustias vindouras:
- Todas as pessoas são criativas, independentemente da sua idade, formação profissional, aceitação ou negação. Não existe a capacidade de não-criar.
- A prática e aplicação da criatividade não é exclusiva a nenhuma área profissional em particular; Um designer, um talhante ou um matemático fazem-no regularmente.
- A expressão mais universal da criatidade é o design e a comunicação visual.
- A prática de Olhar é comum - VER não é - e erroneamente convence quem olha de que o hábito lhe incutiu a capacidade de se expressar visualmente.
- A vulgarização do acesso a imagem e a ferramentas de criação de imagem desbaratou-a, tornando-a mais e mais descartável.
E esta é a explicação teórica para a merda dos clientes.
sábado, julho 26, 2014
sexta-feira, julho 25, 2014
quinta-feira, julho 24, 2014
3 milhões
Gostava de estar lá a ver Ricardo Salgado a assinar o cheque de 3 milhões de euros para ficar fora da choldra. Queria perceber se 3 milhões é um valor absoluto ou ainda é relativo.
Que cara é que um tipo que respira, que lá no fundo tem uma vida como a minha, vai almoçar, tem familia, tem duas pernas, larga - porque não vai ficar onde um outro gajo qualquer, com uma vida, no fundo, como a nossa, que teria simplesmente de se aguentar e não refilar muito - várias dezenas de vidas de ordenado acumulado de um tipo normal?
Nisto houve uma coisa que me surpreendeu pela positiva. Já estava eu no trabalho a apostar em quantos quartos de hora ele estaria na rua - graciosamente, claro - quando descubro isto, que teve de pagar para sair. É um sinal dos tempos, e é um bom sinal.
Que cara é que um tipo que respira, que lá no fundo tem uma vida como a minha, vai almoçar, tem familia, tem duas pernas, larga - porque não vai ficar onde um outro gajo qualquer, com uma vida, no fundo, como a nossa, que teria simplesmente de se aguentar e não refilar muito - várias dezenas de vidas de ordenado acumulado de um tipo normal?
- Custa-lhe tanto como a mim largar o dinheiro da segurança social?
- Custa-lhe como pagar uma multa de estacionamento?
- É como ir na rua, meter a mão no bolso e dar pela falta de uma nota de 20? ( foda-se )
- É como perder um braço?
- Pensa "lá vou ter de cortar nas despesas."?
- Pensa "já ontem me calhou a carta dos impostos no monopólio, isto é uma maré de azar".
- Já não tem noção de nada só porque não sabe quanto custa uma carcaça?
- O que é que diz à mulher? "foi só desta vez, querida."?
- O que é que diz a ele mesmo? "Nunca mais faço uma destas, juro."?
- Os zeros cabem todos no cheque ou só consegue escrever por extenso?
- Pensa na quantidade de aviões que anda a cair por semana e acha-se um gajo com sorte?
- Ainda usa cheques? Os zeros todos cabem no ecran do multibanco?
- Qual é o código de multibanco de um gajo destes?
- Afinal a nota estava no outro bolso.
Nisto houve uma coisa que me surpreendeu pela positiva. Já estava eu no trabalho a apostar em quantos quartos de hora ele estaria na rua - graciosamente, claro - quando descubro isto, que teve de pagar para sair. É um sinal dos tempos, e é um bom sinal.
Nos idos de 1980
Há 30 anos, a publicidade era uma industria de vanguarda. Cheia de talento, dinheiro e vontade. Se calhar isto é só mito e no fundo era um industra salsicheira como é hoje: a criatividade existe, simplesmente não é o motor que as faz andar. Esse é o lucro. Toda a industria anda como se esse lucro não tivesse origem na criatividade mas na produção de salsichas. E agora faz-se muita salsicha. O objectivo inicial perdeu-se e estão também a perder-se criativos e a ganhar muitos salsicheiros.
As Startups são agora a vanguarda - onde está agora o talento, o dinheiro e a vontade - com a premissa inversa: O que as faz andar é o lucro e o motor é a criatividade. Não há clientes na equação - poderá haver um equivalente, mas como esse cliente abstracto é ganancioso, só quer saber de números, não quer saber como chegamos lá ( como deveria ser um cliente de publicidade, no fundo ) - e só temos de fazer o melhor que sabemos para chegar lá.
Lembrei-me disto porque há uns tempos, a meio de uma reunião de produção, chegou-se a uma conclusão que cheirava a salsicharia da publicidade: uma ideia cega que não tinha em conta o mundo real e que só funcionava na cabeça de 2 ou 3 humanos. Em anos, foi a primeira vez.
Nota: As startups são apenas empresas. Só isso.
As Startups são agora a vanguarda - onde está agora o talento, o dinheiro e a vontade - com a premissa inversa: O que as faz andar é o lucro e o motor é a criatividade. Não há clientes na equação - poderá haver um equivalente, mas como esse cliente abstracto é ganancioso, só quer saber de números, não quer saber como chegamos lá ( como deveria ser um cliente de publicidade, no fundo ) - e só temos de fazer o melhor que sabemos para chegar lá.
Lembrei-me disto porque há uns tempos, a meio de uma reunião de produção, chegou-se a uma conclusão que cheirava a salsicharia da publicidade: uma ideia cega que não tinha em conta o mundo real e que só funcionava na cabeça de 2 ou 3 humanos. Em anos, foi a primeira vez.
Nota: As startups são apenas empresas. Só isso.
terça-feira, julho 22, 2014
Ando a ler um livro que me está a influenciar nesta opinião, e não deixa de ter piada a sua origem
Os sindicatos dos professores são paranoicos. Paranoicos porque funcionam num modo emocional. Só emocional. A parte racional parou em 1982 e desde aí empregam o mesmo racional por defeito, e actualizam ( não muito ) a indignação paranoica. Lidar com sindicatos é coisa para psicólogos, não para políticos.
Amanhã actualizo isto, quando ( se ) perceber realmente - ninguém explica isto racionalmente - o que se está a passar.
Update: Confirmo. O que se está a passar é o PC com o discurso parado em 1982, em loop. Nem se chega a perceber o que realmente está a acontecer, mas é "depois do 25 de Abril de 75."
Update: Confirmo. O que se está a passar é o PC com o discurso parado em 1982, em loop. Nem se chega a perceber o que realmente está a acontecer, mas é "depois do 25 de Abril de 75."
segunda-feira, julho 21, 2014
Hiper-relativismo absoluto
Guerra:
Estudos indicam que as crianças portuguesas dos anos 70 são hoje adultos incapazes de considerar qualquer tipo de movimento militar ou político ou qualquer tipo de acontecimento isolado como capaz de despoletar qualquer tipo de conflito global devido a exposição prolongada ao conceito a) de guerra fria. Estudos indicam que até ao rebentamento de um obus ( ainda há obuses? ) nos pasteis de belém, não há motivos para alterar qualquer tipo de rotina nem considerar nenhum tipo de cenário hipotético.
Num teste cego com historiadores, escritores advogados militares e políticos frente a vários cenários - Vasco granja, Vasco Gonçalves, Estaline, um cesto de vi-me e vários exemplos de capicuas num crisma ( os cenários foram escolhidos por cegos ) - revelou-se um consistente incapacidade de, apesar dos profundos conhecimentos na área, conseguirem demonstrar algum domínio em futurologia. 3 em cada Nuno Rogeiro culpam a volatilidade do pensamento humano por este facto.Estudos indicam que as crianças portuguesas dos anos 70 são hoje adultos incapazes de considerar qualquer tipo de movimento militar ou político ou qualquer tipo de acontecimento isolado como capaz de despoletar qualquer tipo de conflito global devido a exposição prolongada ao conceito a) de guerra fria. Estudos indicam que até ao rebentamento de um obus ( ainda há obuses? ) nos pasteis de belém, não há motivos para alterar qualquer tipo de rotina nem considerar nenhum tipo de cenário hipotético.
terça-feira, julho 15, 2014
Demasiada informação
Há uns anos, um amigo meu fartava-se de gozar com os designers do IADE. Especialmente as miudas. Chamava-as de meninas-do-Keith-Haring, porque era isso que eram. Hoje tenho de lhe dar razão porque realmente havia ali uma falta de substância - em vários pontos, começando pela idade, ninguém espera que estudantes universitários sejam espantosos em muitos aspectos, especialmente no que toca a experiência de vida - que era colmatada com esta apropriação de trabalho dos outros, como se seguir ou gostar de um artista, corrente ou ícone nos aproximasse das qualidades que julgamos inerentes a esse dito... espera há pessoas com mais de 30 anos que ainda acham que isso também funciona com estas e todas as outras coisas, tipo restaurantes, galerias de arte ou concertos e coiso mas não, gostar de Damien Hurst não me faz mais inteligente, nem mais próximo de atingir o que ele faz, só faz mais disponível a aprender mais umas coisas no fundo sou burro como sempre mas com mais referencial para provar que não sou burro e agora estava ali a ver uns designers a fazer mapas de tasks na parede com dezenas de post-its e a pensar que os métodos muito elaborados de trabalho são um pouco como gostar de Keith Haring.
Estudos indicam que 1 em cada 2 cadeiras não tem par
Cronologia de cafés lisboetas em linha evolutiva:
O café Vintage Indie: há 10 anos, já havia cafés vintage. Estes primeiros cafés lançaram o estilo de todos os que se seguiram: O estilo Sortido. Cadeiras, mesas, candeeiros, pratos, copos. Nenhum destes itens deve ser encontrado repetido dentro do mesmo sítio, todas as peças devem ter pelo menos 30 anos. A decoração vai desde raquetes de badmington a bidés e jogos da Majora. Estudos indicam que nesta fase, estes cafés eram originais.
O café Vintage Indie proliferou, ao ponto de qualquer pessoa poder entender e copiar o estilo e trazer elementos novos. Surge o estilo Sortido-Amelie:
O mesmo sortido de cadeiras e afins, mas com um só tipo de copos. Copos que não casam é coisa de malucos e davam ar de falta de concentração. A decoração é geralmente opressiva. Geralmente deixa-se o bar atolar de tralha tirada da feira da ladra, a escolha dos objectos aparentando ser arbitrária. Revertem em foto-ops para o instagram facilmente.
Aparecem depois os bares estilo Amelie-Bandwagon. O somatório de tudo o que foi feito até aí, mas já apropriado por qualquer pessoa destituida de cérebro e vontade. A decoração comporta tudo o que já foi referido, o que os distingue é o espaço onde se inserem, que geralmente está à beira do desmoronamento mas com intervenções pontuais, ora extemporaneas, ora simplesmente erradas. Estas podem ir desde as lampadas de halogénio aos plásticos a tapar o buraco no tecto.
Finalmente, surge o estilo Vintage Gourmet-Bandwagon. As cadeiras, pratos, copos e mesas obedecem a um manual corporativo, a decoração é feita de tralha escolhida a dedo por decoradoras, de modo a não ofender o gosto pré-adquirido dos clientes, passando obrigatoriamente por pelo menos um quadro de gis com lettering mais ou menos cuidado ( vide instagram ). É a versão comercial do Vintage. Distingue-se pelo cuidado especial ao menu, que vai mudando conforme o que estiver na moda - vide Gin e Hamburguers - na cabeça dos hipsters.
Nota do Prezado: Os diferentes tipos de café vintage têm em comum a sua génese. São empresas familiares de novos-ricos. Isto é comprovado pelo atendimento, que é sempre o pior possível no que toca a eficácia. Estudos indicam que 95% das pessoas que pedem uma tosta ouvem do empregado um chorrilho de queixas sobre o tempo que a máquina leva a ligar e têm uma tosta mista ao fim de 45 minutos.
O café Vintage Indie: há 10 anos, já havia cafés vintage. Estes primeiros cafés lançaram o estilo de todos os que se seguiram: O estilo Sortido. Cadeiras, mesas, candeeiros, pratos, copos. Nenhum destes itens deve ser encontrado repetido dentro do mesmo sítio, todas as peças devem ter pelo menos 30 anos. A decoração vai desde raquetes de badmington a bidés e jogos da Majora. Estudos indicam que nesta fase, estes cafés eram originais.
O café Vintage Indie proliferou, ao ponto de qualquer pessoa poder entender e copiar o estilo e trazer elementos novos. Surge o estilo Sortido-Amelie:
O mesmo sortido de cadeiras e afins, mas com um só tipo de copos. Copos que não casam é coisa de malucos e davam ar de falta de concentração. A decoração é geralmente opressiva. Geralmente deixa-se o bar atolar de tralha tirada da feira da ladra, a escolha dos objectos aparentando ser arbitrária. Revertem em foto-ops para o instagram facilmente.
Aparecem depois os bares estilo Amelie-Bandwagon. O somatório de tudo o que foi feito até aí, mas já apropriado por qualquer pessoa destituida de cérebro e vontade. A decoração comporta tudo o que já foi referido, o que os distingue é o espaço onde se inserem, que geralmente está à beira do desmoronamento mas com intervenções pontuais, ora extemporaneas, ora simplesmente erradas. Estas podem ir desde as lampadas de halogénio aos plásticos a tapar o buraco no tecto.
Finalmente, surge o estilo Vintage Gourmet-Bandwagon. As cadeiras, pratos, copos e mesas obedecem a um manual corporativo, a decoração é feita de tralha escolhida a dedo por decoradoras, de modo a não ofender o gosto pré-adquirido dos clientes, passando obrigatoriamente por pelo menos um quadro de gis com lettering mais ou menos cuidado ( vide instagram ). É a versão comercial do Vintage. Distingue-se pelo cuidado especial ao menu, que vai mudando conforme o que estiver na moda - vide Gin e Hamburguers - na cabeça dos hipsters.
Nota do Prezado: Os diferentes tipos de café vintage têm em comum a sua génese. São empresas familiares de novos-ricos. Isto é comprovado pelo atendimento, que é sempre o pior possível no que toca a eficácia. Estudos indicam que 95% das pessoas que pedem uma tosta ouvem do empregado um chorrilho de queixas sobre o tempo que a máquina leva a ligar e têm uma tosta mista ao fim de 45 minutos.
domingo, julho 13, 2014
O Papa
Lembrei-me agora que esta semana vi o Papa a dizer que não ia rezar pela Argentina na final. Como muitas outras coisas que o Papa diz, Podia jurar que o disse como uma piada, juro que vi um micro-esgar de milisegundos, uma micro-pausa a esperar a resposta, a convidar ao escape do riso, uma culpa freudiana quase a rebentar.
Se dessem o público certo ao Papa, ele era um grande número de stand up. Era só à base de pausas certeiras.terça-feira, julho 08, 2014
Freelance ( em Portugal )
Consegui ser pago. Ao fim de mais de um ano.
O problema com o freelance não é "só em Portugal". Freelance é freelance, independentemente do país. É igual. Prazos, entregas, discussões, orçamentos, fugas ao orçamento, horários, emergências, isto tudo por um budget que pode começar por parecer ganancioso, passando a mais que justo, injusto e finalmente, grátis. Isto acontece em todo o lado. Mas também acontece haver outro tipo de freelances. Mas poucos.segunda-feira, julho 07, 2014
Nova vizinhança
Os prédios, um pouco como as pessoas, começam por parecer normais até que ao fim de uns tempos começamos a perceber que afinal não há prédios normais.
Os vizinhos da frente são invisiveis e manifestam-se pela presença de terceiros. Ora é o eletricista ou o canalizador. Vejo que há uma força motriz atrás daquela casa mas não vejo nada. Devem ser forças da natureza.terça-feira, julho 01, 2014
Preciso de água das pedras para o plágio
O pessoal gosta de chamar plágio a qualquer coisa e nomeadamente a tudo o que seja parecido com outra coisa ( tudo ). De tempos a tempos, acontece algo raro: a acusação de plágio ultrapassa o meio onde nasceu, a escrita, o design, a ilustração, a arte, e entra na conversa de café. Mais raramente, depois de entrar na conversa de café, pede-se a responsabilização de alguém. O que em Portugal, é um caso sério.
Não temos por hábito fazer isso às pessoas. Podem ser nossos primos, amigos, vizinhos, ex-amantes, guarda-freios, vendedores de cautelas, deputados ou anónimos ( mas amigos de um vizinho que ainda é primo de um deputado ). É o que dá sermos poucos e pouco dados a modernismo.
Tirando a Clara Pinto Correia, não me lembro de nenhum caso de plágio a chegar à conversa de café. Mas no canto dos cafés na agência, havia conversas de plágio.
O Plágio real é raro. Já a sensação de me estarem a enganar é vulgar. A acusação de plágio funciona nos mesmos moldes da acusação - aqui usa-se sempre o Picasso, já vão ver - de que até o meu puto de 5 anos pinta o mesmo que o Picasso. Sim, também qualquer pessoa copia qualquer coisa já feita. Mas é o contexto e a intenção em que o executa que faz a diferença.
Pois, a porra das ilustrações das garrafas Castello é inspirada num autor conhecido. Mas é isso, inspirada, trabalhada sobre, iterada. O que é, mais coisa menos coisa, voluntaria ou involuntariamente, como a criativadade e o mundo andam para a frente. A ver o que os outros fazem, mas melhor.
O que está ali é outro trabalho, outra intenção. Trabalhada. Mas pouco.
Para sermos correctos, a ideia foi roubada.
E como se sabe, vergonha é roubar e ser apanhado.
Não temos por hábito fazer isso às pessoas. Podem ser nossos primos, amigos, vizinhos, ex-amantes, guarda-freios, vendedores de cautelas, deputados ou anónimos ( mas amigos de um vizinho que ainda é primo de um deputado ). É o que dá sermos poucos e pouco dados a modernismo.
Tirando a Clara Pinto Correia, não me lembro de nenhum caso de plágio a chegar à conversa de café. Mas no canto dos cafés na agência, havia conversas de plágio.
O Plágio real é raro. Já a sensação de me estarem a enganar é vulgar. A acusação de plágio funciona nos mesmos moldes da acusação - aqui usa-se sempre o Picasso, já vão ver - de que até o meu puto de 5 anos pinta o mesmo que o Picasso. Sim, também qualquer pessoa copia qualquer coisa já feita. Mas é o contexto e a intenção em que o executa que faz a diferença.
Pois, a porra das ilustrações das garrafas Castello é inspirada num autor conhecido. Mas é isso, inspirada, trabalhada sobre, iterada. O que é, mais coisa menos coisa, voluntaria ou involuntariamente, como a criativadade e o mundo andam para a frente. A ver o que os outros fazem, mas melhor.
O que está ali é outro trabalho, outra intenção. Trabalhada. Mas pouco.
Para sermos correctos, a ideia foi roubada.
E como se sabe, vergonha é roubar e ser apanhado.
quarta-feira, junho 25, 2014
Se fosse noutros tempos, eu topava a meio
- Porra, mas que horas são? parece-me que cheguei aqui de manhã, mas é noite.
- Não sei.
- E não me lembro mesmo como é que cheguei a casa. Como é que pode ser? nada. Eu não tava com os copos. Não me lembro de abrir a porta, de subir a escada, nada.
Eu devia ter reparado que estava no momento-inception do sonho.
- Não sei.
- E não me lembro mesmo como é que cheguei a casa. Como é que pode ser? nada. Eu não tava com os copos. Não me lembro de abrir a porta, de subir a escada, nada.
Eu devia ter reparado que estava no momento-inception do sonho.
O melhor do Bairro
O Mercado da Ribeira que eu conheço mete esta história: Numa noite memorável de copos, um tipo muito bêbado senta-se à minha frente num tasco de muito má fama e diz onde nasceu, a meio da verborreia sem sentido. Ali ao lado, no mercado da ribeira, parido entre duas bancas do peixe, há muito. Passados 60 anos, a vida passava-se toda ainda em volta do mercado da ribeira. Se o homem ainda é vivo, está ali à volta do mercado. Mas largou a bebida e meteu-se na coca.
Porque depois de ver o que fizeram ao mercado, é a unica forma de lidar com a realidade.
O mercado da ribeira está feito uma espécie de gare com restaurantes indiferenciados, um refeitório de luxo. Ir ao mercado da ribeira na esperança de comer coisas diferentes seria o mais natural. Como ir ao circo. A piada do circo é ser universal. Há de tudo. Quem não gosta de palhaços, vê os leões, quem não gosta de animais, vê o ilusionista, quem já conhece os truques, vê as trapezistas. Quem não gosta de circo, vai a restaurantes a sério.
O mercado é um circo só de palhaços. Eu com a mania traduzo para americano: é um one-trick-poney. Na senda do neo-vintage-neo-cool-neo-retro, meteram todos os números de circo do mesmo género, os tascos-do-bairro, a mercearia-do-bairro, o-melhor-bolo-do-mundo, a peixaria-ideal, os enlatados-portugal no mesmo espaço, normalizando tudo. Todos são tradicionais, todos adjectivam os menus, todos misturam abacate com salmão braseado e amendoins. Sim, já percebi: há coisas que parece que não casam mas para quem sabe apreciar, casam. Eu sei, eu sou um brutamontes, não sei apreciar pêra com farinheira. E bolo do caco. O caralho do bolo do caco. Com hamburguers. E farinheira. E sumos detox. E farinheira. E mais hamburgers.
Tudo novo mas a imitar velho mas com pratos novos mas com coisas antigas. No meio de tanto defeito, tentei encontrar outro motivo para tudo estar mal que não fosse eu. Acho que é a falta de genuinidade.
Comi bem. Nunca mais lá volto.
Porque depois de ver o que fizeram ao mercado, é a unica forma de lidar com a realidade.
O mercado da ribeira está feito uma espécie de gare com restaurantes indiferenciados, um refeitório de luxo. Ir ao mercado da ribeira na esperança de comer coisas diferentes seria o mais natural. Como ir ao circo. A piada do circo é ser universal. Há de tudo. Quem não gosta de palhaços, vê os leões, quem não gosta de animais, vê o ilusionista, quem já conhece os truques, vê as trapezistas. Quem não gosta de circo, vai a restaurantes a sério.
O mercado é um circo só de palhaços. Eu com a mania traduzo para americano: é um one-trick-poney. Na senda do neo-vintage-neo-cool-neo-retro, meteram todos os números de circo do mesmo género, os tascos-do-bairro, a mercearia-do-bairro, o-melhor-bolo-do-mundo, a peixaria-ideal, os enlatados-portugal no mesmo espaço, normalizando tudo. Todos são tradicionais, todos adjectivam os menus, todos misturam abacate com salmão braseado e amendoins. Sim, já percebi: há coisas que parece que não casam mas para quem sabe apreciar, casam. Eu sei, eu sou um brutamontes, não sei apreciar pêra com farinheira. E bolo do caco. O caralho do bolo do caco. Com hamburguers. E farinheira. E sumos detox. E farinheira. E mais hamburgers.
Tudo novo mas a imitar velho mas com pratos novos mas com coisas antigas. No meio de tanto defeito, tentei encontrar outro motivo para tudo estar mal que não fosse eu. Acho que é a falta de genuinidade.
Comi bem. Nunca mais lá volto.
sábado, junho 21, 2014
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| Dantes não havia nada, foda-se. |
Mas isto vem de lá-de-fora. Onde há uma tradição de design, do marketing, dos serviços. Há um contraste e há uma história.
Mas nós sempre fomos retro-vintage. Ou quase, porque no fundo nunca tivemos nada que se assemelhasse ao comércio que agora simulam. Eramos só pouco endinheirados. Aquelas tralhas todas-diferentes-todas-iguais retro vintage que agora ocupam a praça da ribeira, que nivelam tudo por igual nunca foram Portugal. São tiradas do imaginário americano. Onde o Retro convive com milhares de outras coisas. Aqui tudo é retro, tudo é actual, tudo enjoa. Logotipo antigo não é logotipo bom, é só uma visão do antigo. Não passa disso.
Lembrei-me disto porque hoje de tarde passei por 4 VW beatles dos antigos, fila indiana, cada carro descapotavel com uma pessoa só, de boina. Um serviço de turismo, mais um, onde cada um anda num VW à laia de carrinho de choque. Uma pessoa por carro. A ocupar espaço.
Lisboa, especialmente na Baixa, está cheia destes serviços. Que ocupam tudo com histórias que não são as nossas. Nós não tivémos retro nem vintage, só tivemos probreza da boa. Não havia Santinni para pessoas pobres mas honestas. Havia pastéis de bacalhau. Não havia Padaria Portuguesa com bicicletas paradas à porta. Havia alguém a fazer entregas na bicicleta, Lisboa abaixo e acima, de tudo o que calhasse. Era trabalho. Se querem achar que algum tipo de trabalho honesto tem glamour, imaginem o vosso trabalho de hoje a ser descrito com glamour daqui a 80 anos. O meu não tem muito. Depois, os hotéis. Mais que a gentrificação, - é ver como está o Cais do Sodré - a quantidade de hotéis, airbnb's e hostels na Baixa começa a enjoar. A cidade só tem piada se tiver as pessoas dessa cidade a viver lá, e não um aglomerado de quartos para alugar a estender-se desde Alfama até Santos.
Vejo isto, penso na Lisboa do Facebook e da internet, aquela que é a mais bonita da Europa, que tem o melhor qualidade de vida votada por alguém algures, um relações públicas algures encarregue de vender um hotel novo e lembro-me do sul de Espanha, que era um sítio bonito e que foram enchendo com apartamentos à tripa-forra até ao ponto em que milhares de turistas puderam finalmente pagar uns dias de férias com vista para outros apartamentos. E quem lá vivia, foi-se.
segunda-feira, junho 16, 2014
Inédito
O Prezado vai falar de bola.
É preciso.
Há 10 anos, deu-se o euro 2004. Isto, para quem não se lembra, foi o apocalipse now da bola para quem não gosta de bola. E eu na altura, não gostava activamente de bola. Era coisa para, como bom velho do restelo sindicalista, reclamar por manifs contra, fechos de canais de televisão e bombardeamentos em estádios. Como no Brasil, em Portugal também havia gente a dizer que era só dinheiro mal gasto, o país no estado em que estava - a tal crise, mas uma outra que aparentemente não devia ser esta mas que no fundo é a mesma - e o pessoal a enterrar dinheiro em estádios para serem usados 3 vezes. Eles lá estão, uns elefantes brancos lá para Vila Nova da Fateixa ou Cerzimunde ou outros sítios onde judas perdeu as botas ( não são Lisboa, por isso é sempre longe ). Eu sabia! Eu avisei.
Dizia, 2004. Publicitário. Fiz eu fiz campanhas de publicidade para o Euro. Só para melhorar a coisa. Eu, que continuo a saber de bola pouco mais que nada. O campeonato a começar em Junho e eu já cheio de mupis, folhetos, brindes, posters, cartazes, pendurantes, jingles, press releases e o diabo a sete desde 2003. Depois, a histeria. Para quem não se lembra, aquilo a que se assistiu naqueles tempos foi o sonho molhado de todos os deputados: um povinho obcecado até à doença com a bola, completamente alienado, a bola só a bola, durante não sei quanto tempo só se falou de bola, só fiz campanhas com bola, tudo vendia com bola pelo meio, desde sabonetes a seguros, de cotonetes a shampoo anti-caspa. Tudo. Olhando para trás, não sei como é que ninguém aproveitou para fazer um golpe de estado. Ninguém ia notar. Nem houve incendios esse ano.
Dizia, 2014. Tolero a bola. Aprecio a bola como aprecio concertos de B Fachada: encosto-me ao bar, bebo uma imperial fresquinha e estou na conversa um bocado. Sei tanto de jogadores como sabia há 10 anos: há o Meireles, o do cabelo. Há o Fábio Coentrão que tem um nome sinestésico, tão mau que vejo cores e ouço sons e assim não esqueço, há o Ronaldo, que pelo que ouço é o maior do mundo mas tanto no sentido de ser uma besta como no sentido de ser bestial. E há o selecionador, o cabisbaixo do risco ao meio.
Apesar disto, vi mais jogos no ultimo ano que nos ultimos 10. Não mudei de opinião, só o tolero pelo que é. Assim como aceito que o mundo tem guerras, fome e doenças incuráveis, aceito que tem bola, e que lá no fundo, um jogo de bola não muda nada.
Até hoje. Foda-se um gajo está com boa vontade para ir beber umas jolas e curtir 90 minutos e estes labregos metem toda a gente pior do que estava?
Por isso é que não curto bola.
É preciso.
Há 10 anos, deu-se o euro 2004. Isto, para quem não se lembra, foi o apocalipse now da bola para quem não gosta de bola. E eu na altura, não gostava activamente de bola. Era coisa para, como bom velho do restelo sindicalista, reclamar por manifs contra, fechos de canais de televisão e bombardeamentos em estádios. Como no Brasil, em Portugal também havia gente a dizer que era só dinheiro mal gasto, o país no estado em que estava - a tal crise, mas uma outra que aparentemente não devia ser esta mas que no fundo é a mesma - e o pessoal a enterrar dinheiro em estádios para serem usados 3 vezes. Eles lá estão, uns elefantes brancos lá para Vila Nova da Fateixa ou Cerzimunde ou outros sítios onde judas perdeu as botas ( não são Lisboa, por isso é sempre longe ). Eu sabia! Eu avisei.
Dizia, 2004. Publicitário. Fiz eu fiz campanhas de publicidade para o Euro. Só para melhorar a coisa. Eu, que continuo a saber de bola pouco mais que nada. O campeonato a começar em Junho e eu já cheio de mupis, folhetos, brindes, posters, cartazes, pendurantes, jingles, press releases e o diabo a sete desde 2003. Depois, a histeria. Para quem não se lembra, aquilo a que se assistiu naqueles tempos foi o sonho molhado de todos os deputados: um povinho obcecado até à doença com a bola, completamente alienado, a bola só a bola, durante não sei quanto tempo só se falou de bola, só fiz campanhas com bola, tudo vendia com bola pelo meio, desde sabonetes a seguros, de cotonetes a shampoo anti-caspa. Tudo. Olhando para trás, não sei como é que ninguém aproveitou para fazer um golpe de estado. Ninguém ia notar. Nem houve incendios esse ano.
Dizia, 2014. Tolero a bola. Aprecio a bola como aprecio concertos de B Fachada: encosto-me ao bar, bebo uma imperial fresquinha e estou na conversa um bocado. Sei tanto de jogadores como sabia há 10 anos: há o Meireles, o do cabelo. Há o Fábio Coentrão que tem um nome sinestésico, tão mau que vejo cores e ouço sons e assim não esqueço, há o Ronaldo, que pelo que ouço é o maior do mundo mas tanto no sentido de ser uma besta como no sentido de ser bestial. E há o selecionador, o cabisbaixo do risco ao meio.
Apesar disto, vi mais jogos no ultimo ano que nos ultimos 10. Não mudei de opinião, só o tolero pelo que é. Assim como aceito que o mundo tem guerras, fome e doenças incuráveis, aceito que tem bola, e que lá no fundo, um jogo de bola não muda nada.
Até hoje. Foda-se um gajo está com boa vontade para ir beber umas jolas e curtir 90 minutos e estes labregos metem toda a gente pior do que estava?
Por isso é que não curto bola.
sexta-feira, junho 06, 2014
TV WC
Nos anos 80, uma musica dos Taxi dava o mote para os pós-modernos-de-bairro-alto de 90 afirmarem a uma posição. "não tenho televisão sequer" era dito com garbo ( ainda é, pelo pessoal que ainda pensa em televisão e não em Smart-tvs e Vimeo em couch-mode ) . Hoje a coisa inverteu e parece-me que aquela lenga-lenga, ponto assente, que gostar de televisão é coisa de conformistas, como diriam os góticos do SouthPark, morreu.
Ainda assim: Não, eu não vejo o Game of Thrones. Não, não seguir séries não é estranho, nem é uma opção que tomei. Nem é um "statement". Seguir uma série é que é uma opção. É só tv.quarta-feira, junho 04, 2014
Só naquela
Não é que António Costa seja genial. É um produto do aparelho do PS, afinal.
Mas Seguro é igual ao Passos, por isso não pode ser. Já chegou.
Mas Seguro é igual ao Passos, por isso não pode ser. Já chegou.
terça-feira, junho 03, 2014
Os saloios
Disclaimer: ser tuga não é uma cruz nem somos especialmente diferentes de qualquer outro povo senão no número. O número ( pequeno ) condiciona tudo o resto. Sermos poucos torna-nos mais visíveis. Sermos poucos torna-nos todos primos uns dos outros. Isso compromete-nos. Juntem a isso umas condicionantes lixadas, tipo cultura, educação, dinheiro e está a caldeirada feita. Ainda assim, não somos diferentes dos americanos, noruegueses moldavos ou australianos. Só somos poucos e temos mais duns tugas que doutros.
Temos mais saloios. Somos saloios. Os saloios são rápidos a achar que lá fora é que se trabalha e que se faz e acontece. Mas não. Cá faz-se o mesmo e se não se faz é porque outros saloios, primos de certeza, não querem que a coisa mude. Os saloios são bons a queixar-se de tudo mas péssimos a chegar-se à frente quando chega a vez de pagar a multa de estacionamente, usar o saúde 24, ir votar - nem que seja no CONTRA - ou simplesmente fazer qualquer coisa despreocupadamente. Devolver, como diz o gajo zen do trabalho.
O pessoal saloio gosta de dar o exemplo - que toma como real e jurará a pés juntos que só cá só cá - de comportamento tuga aquela imagem do trolha no buraco a cavar com 6 tugas, um carteiro, 2 polícias, 3 reformados, reformados 3 mesmo, não são 3 polícias reformados porque eram só 2 eu disse 2, mas essa imagem é tão tuga como ter sede ou nascer com 2 rins. Essas manias são dos humanos. Nós temos é um excepcionalismo sebastianista.
Temos mais saloios. Somos saloios. Os saloios são rápidos a achar que lá fora é que se trabalha e que se faz e acontece. Mas não. Cá faz-se o mesmo e se não se faz é porque outros saloios, primos de certeza, não querem que a coisa mude. Os saloios são bons a queixar-se de tudo mas péssimos a chegar-se à frente quando chega a vez de pagar a multa de estacionamente, usar o saúde 24, ir votar - nem que seja no CONTRA - ou simplesmente fazer qualquer coisa despreocupadamente. Devolver, como diz o gajo zen do trabalho.
O pessoal saloio gosta de dar o exemplo - que toma como real e jurará a pés juntos que só cá só cá - de comportamento tuga aquela imagem do trolha no buraco a cavar com 6 tugas, um carteiro, 2 polícias, 3 reformados, reformados 3 mesmo, não são 3 polícias reformados porque eram só 2 eu disse 2, mas essa imagem é tão tuga como ter sede ou nascer com 2 rins. Essas manias são dos humanos. Nós temos é um excepcionalismo sebastianista.
segunda-feira, junho 02, 2014
Estudos indicam coisas
Há uns anos ouvi uma mini palestra de chacha em que um tipo dizia que iamos, em x anos, fazer upload de mais de x gaziliões de fotos por dia. Estávamos no início das máquinas fotográficas digitais, dos telemóveis com máquina fotográfica, não havia twitter, não havia instagram. Hoje já passámos desse número por vários gaziliões e vejo os putos a terem fotografias de si mesmos de todos os dias que viveram - eu sempre achei que só ter umas 6 ou 7 fotos de quando era puto era pouco mas também não é preciso isto - e pergunto-me várias vezes quais serão os efeitos práticos disto, se sequer tem efeito, se as fotos são simplesmente ignoradas, se não deixam a memória fazer o seu papel, se a memória passa a ser sempre assistida, se o ego passa a ser uma construção muito mais sólida ou se pelo contrário fica mais volátil, dessensibilização por excesso, eventualmente as fotos desaparecem - isto é improvavel - em favor de outro formato qualquer - o 3D vai invadir tudo, imagem, video, objectos - que preserve memórias de uma forma mais económica, menos quantidade, menos repetição, mais presença e coiso.
Se calhar fica tudo na mesma.
Se calhar fica tudo na mesma.
quinta-feira, maio 29, 2014
quarta-feira, maio 28, 2014
Era só isto
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| Street coiso |
Eu gosto de street art. Há dezenas de técnicas a serem exploradas e há algumas coisas bastante interessantes por aí. Mas raramente passam de algo apenas formal, nem ultrapassam os mesmos conceitos reciclados, gags visuais, ( esperadamente ) inesperados, o rendilhado absurdo, a repetição, o pop. A street art é vazia e visual. A mensagem é a mesma, a ideologia é sempre a mesma e qualquer fuga da ideologia deixa de ser street art. É uma liberdade muito estrita, horizontal, que não se supera. Como é feita por amadores num tempo em que a arte é feita por profissionais, a vanguarda está com os poucos que têm domínio na expressão ou no conceito. Que eventualmente passam a profissionais. Dizia, é tudo muito igual. Se um enche paredes de bananas, outro enche de chouriços. Isto não me diz muito, no fundo estão os dois a fazer a mesma coisa.
Mas tudo bem. Siga.
Agora, há algo pior que paredes com chouriços: o marketing. O marketing é - e agora estou a lembrar-me do Hicks - é tipo virus. Gonorreia. Sifilis. Alberto João. É pior que a peste. Exemplo: Primeiro apareceu a GAU. Galeria de arte urbana, que distribui espaços para street art FODA-SE como é que distribuem a rua mas que tipo de gente é que alinha nisto, uma marca, vinda do nada do zero, da cabeça de alguém resolve vender - na prática é vender sim porque é um item, é um espaço que não era de ninguém e passou a ser uma marca por decreto - o espaço público como galeria retalhada por autorização, pessoal que alinha nisso é totó, pessoal que não pinta por cima é totó também. Depois aparecem estes artistas da Embaixada, a vender sapatos da moda - isto choca com a tal ideologia que a street art não larga - que dizem que estão a fazer street art pendurando um vinil impresso a laser sobre o predio e a chamar-lhe intervenção não caralho não, intervenção é pintarem a puta da parede toda com o que lhes dá na telha bom ou mau, meter um vinil à frente de uma fachada é o que as marcas fazem, meter lá isso ou fotos de gatinhos é a mesma coisa, qual é o risco de desenhar um vinil, vão errar? vão perder a noção de espaço? E para uma marca? É o mesmo que fazer uma campanha. E de publicidade está o mundo cheio.
A psique tuga
Desde há uns tempos, há um estrangeiro no trabalho. Em conversa ao almoço, comparámos a reacção portuguesa e a reacção americana sobre a vinda de um americano para Portugal. É bastante previsível:
O Americano:domingo, maio 25, 2014
Marinho Pinto?
O Marinho Pinto ganhou. Não deixo de me sentir responsável, depois de ter apelado ao voto CONTRA em Marinho Pinto. O poder de influência deste blog é conhecido mas subestimei-o.
Agora pergunto-me o que vai acontecer. Vejo dois cenários.
Marinho Pinto vai amainar. No meio dos outros Eurodeputados, depressa descobrirá que é preciso ter maneiras à mesa ou vai para a mesa dos míudos. Os gestos à italiano vão desaparecer porque não vai querer ser tomado por italiano. Vai começar a tratar de burocracias num ambiente calmo e regrado, o que o vai acalmar. Ou então não. Vai ser a nova Cicciolina do parlamento, mas em vez de mostrar as mamas mostra o intelecto só para chocar os outros. Vai ter ideias peregrinas e postar youtubes com as medidas para melhorar a vida dos taxistas todos os meses.
Provavelmente vai ser os dois.
Ainda sobre eleições: a França promoveu a extrema direita a partido de primeira divisão. A Italia teve lá a Cicciolina durante uns anos. É por isto que o Prezado tem a teoria que os portugueses são principes: Estamos tão longe desta gente.
Agora pergunto-me o que vai acontecer. Vejo dois cenários.
Marinho Pinto vai amainar. No meio dos outros Eurodeputados, depressa descobrirá que é preciso ter maneiras à mesa ou vai para a mesa dos míudos. Os gestos à italiano vão desaparecer porque não vai querer ser tomado por italiano. Vai começar a tratar de burocracias num ambiente calmo e regrado, o que o vai acalmar. Ou então não. Vai ser a nova Cicciolina do parlamento, mas em vez de mostrar as mamas mostra o intelecto só para chocar os outros. Vai ter ideias peregrinas e postar youtubes com as medidas para melhorar a vida dos taxistas todos os meses.
Provavelmente vai ser os dois.
Ainda sobre eleições: a França promoveu a extrema direita a partido de primeira divisão. A Italia teve lá a Cicciolina durante uns anos. É por isto que o Prezado tem a teoria que os portugueses são principes: Estamos tão longe desta gente.
sábado, maio 24, 2014
Votem
Votar CONTRA é importante. Mais do que a abstenção, o voto CONTRA é o voto que pesa.
Imaginem um Passos triste. Imaginem um Alegre triste. Imaginem um Seguro a morrer de velho. Espera, esta já é só estupida e demora muito.
Votem CONTRA. Votar CONTRA, mais que a abstenção, carrega responsabilidade mas torna um niilista num cidadão activo. Não, o voto em branco não é tido em conta. Estudos indicam que não serão tidos em conta até que surja um novo método de votação, o que pode acontecer nas próximas 2 gerações ( quando o google passar a fazer isso por nós ).
Votem CONTRA. Votar CONTRA é poder dizer num jantar de descontentes "eu não votei nesses, já sabia o que ia dar".
Votar CONTRA é tomar as rédeas do destino do país quando alguém puxa demasiado na rédea para a direita. O pessoal quer que o cavalo ande em frente.
Votar CONTRA, nem que seja no partido dos animais ( piada fácil aqui, vou passar ) também pode ser como votar em branco: um comentador político da treta encarregar-se-á de indicar que é um voto de protesto.
Votem CONTRA, é mais fácil. Numa prova cega de boletins de voto, há mais probabilidades de acertarem num CONTRA.
Votem CONTRA, o voto consciente. Só gente masoquista ou muito bem na vida ou inconscientes ou psd's não vota contra.
Votem CONTRA. É o mais nacionalista / comunista / liberal / progressista / fascista /anarquista que podem votar.
Votar CONTRA é dar tema de conversa aos taxistas. Um taxista calado é um muro limpo.
Votem CONTRA, com desprendimento. Não devem nada a ninguém. Um pássaro na mão é sempre melhor que dois a voar. E a cavalo dado não se olha o dente. Sei lá.
Votem CONTRA. É poupança cognitiva. Durante 4 anos mal vão ouvir falar de quem votaram, porque não é PSD nem PS nem PP. Vai fazer a sua parte e não precisa de atenção. Pensem num eurodeputado como uma espécie de cacto.
Votem CONTRA mas a tempo.
Votem CONTRA. Façam Portugal viral: Um Marinho Pinto como eurodeputado daria virais portugueses todas as semanas, como o drone da marinha.
Votem CONTRA mas epa pensem bem que tipo de gente é que vota PNR? como é que alguém com os dentes da frente e sem problemas de auto-afirmação / inveja do pénis / impotência / primos debeis mentais / necessidades de tacho é que dá carta branca para um artista daqueles abrir a boca?
Votar CONTRA é pim. É dar o sinal claro que sim percebemos que uma campanha intelectualmente séria, com debates baseados na transparência e na visão ideologicamente fundamentada de cada partido seria pouco popular e dificilmente geraria grandes ajuntamentos e arruadas, que em vez disso os candidatos preferem jogar num plano inferior mas mais imediato e simples, composto de picardias pessoais e soundbytes, sem ideias de longo prazo ou impossíveis de condensar numa frase de 5 palavras para assim conseguir capturar votos em quantidade, mas que não temos nada a ver com isso.
Votem CONTRA.
Imaginem um Passos triste. Imaginem um Alegre triste. Imaginem um Seguro a morrer de velho. Espera, esta já é só estupida e demora muito.
Votem CONTRA. Votar CONTRA, mais que a abstenção, carrega responsabilidade mas torna um niilista num cidadão activo. Não, o voto em branco não é tido em conta. Estudos indicam que não serão tidos em conta até que surja um novo método de votação, o que pode acontecer nas próximas 2 gerações ( quando o google passar a fazer isso por nós ).
Votem CONTRA. Votar CONTRA é poder dizer num jantar de descontentes "eu não votei nesses, já sabia o que ia dar".
Votar CONTRA é tomar as rédeas do destino do país quando alguém puxa demasiado na rédea para a direita. O pessoal quer que o cavalo ande em frente.
Votar CONTRA, nem que seja no partido dos animais ( piada fácil aqui, vou passar ) também pode ser como votar em branco: um comentador político da treta encarregar-se-á de indicar que é um voto de protesto.
Votem CONTRA, é mais fácil. Numa prova cega de boletins de voto, há mais probabilidades de acertarem num CONTRA.
Votem CONTRA, o voto consciente. Só gente masoquista ou muito bem na vida ou inconscientes ou psd's não vota contra.
Votem CONTRA. É o mais nacionalista / comunista / liberal / progressista / fascista /anarquista que podem votar.
Votar CONTRA é dar tema de conversa aos taxistas. Um taxista calado é um muro limpo.
Votem CONTRA, com desprendimento. Não devem nada a ninguém. Um pássaro na mão é sempre melhor que dois a voar. E a cavalo dado não se olha o dente. Sei lá.
Votem CONTRA. É poupança cognitiva. Durante 4 anos mal vão ouvir falar de quem votaram, porque não é PSD nem PS nem PP. Vai fazer a sua parte e não precisa de atenção. Pensem num eurodeputado como uma espécie de cacto.
Votem CONTRA mas a tempo.
Votem CONTRA. Façam Portugal viral: Um Marinho Pinto como eurodeputado daria virais portugueses todas as semanas, como o drone da marinha.
Votem CONTRA mas epa pensem bem que tipo de gente é que vota PNR? como é que alguém com os dentes da frente e sem problemas de auto-afirmação / inveja do pénis / impotência / primos debeis mentais / necessidades de tacho é que dá carta branca para um artista daqueles abrir a boca?
Votar CONTRA é pim. É dar o sinal claro que sim percebemos que uma campanha intelectualmente séria, com debates baseados na transparência e na visão ideologicamente fundamentada de cada partido seria pouco popular e dificilmente geraria grandes ajuntamentos e arruadas, que em vez disso os candidatos preferem jogar num plano inferior mas mais imediato e simples, composto de picardias pessoais e soundbytes, sem ideias de longo prazo ou impossíveis de condensar numa frase de 5 palavras para assim conseguir capturar votos em quantidade, mas que não temos nada a ver com isso.
Votem CONTRA.
quinta-feira, maio 22, 2014
Estudos indicam
Portfolios e CV's, um estudo científico.
Análise estatística sobre eficácia, baseada em empirismos e truismos.
Dada uma quantidade de CV's e Folios suficiente para amostra, conduziram-se testes e analizaram-se conteudos bem como reacções da entidade patronal - sob pena de embolia subita para esta.
Os resultados foram compilados e associados a case studies representativos das caracteristicas mais fortes de cada um, fazendo a vez de poster-child de cada drama pessoal que encerram.
Case 1
O Criativo
O criativo é um caso de hiperactividade ao nível demonstrativo. Se um CV deve ser apenas um A4 com Arial a corpo 12 com linha e meia de entrelinhamento, o criativo não vai guardar as habilidades unicas e especiais que tão mal guarda só para si e vai usá-las logo no CV, eliminando a ultima sombra de seriedade que podia mostrar ao futuro patrão. Um CV de um criativo é quase sempre, um PDF. Porque o criativo tem de usar fontes, cores, fundos, efeitos especiais e tudo em tudo o que faz tudo.
No portfolio, o céu é o limite. Tanto pode continuar no PDF como inventar formatos inauditos. Caixas de Nestum. Latas de amendoins. Sandes de presunto. Videos. A internet infelizmente ajudou a espalhar alguns exemplos ( sempre espalhafatosos e primários ) de "o melhor currículo do mundo". O melhor curriculo do mundo só é classificado assim por:
1. Quem não sabe. 2. Quem foi contratado / contratou graças a ele ( isto são 2 pessoas ).
E claro, não tem em conta os milhares de "melhores currículos do mundo" que ficaram pelo caminho, no fundo da pilha.
Case 2
O Robinson Crusué
O Robinson Crusué é anti-materialista. Isolado na sua ilha anti-internet, anti-software e anti-sociedade, ataca uma candidatura como quem ataca um urso com um pau afiado: mal. Envia o CV com um email inesquecível, como robbombanashoras.1benfica@esoterica.pt, tanto inclui - aqui há duas escolas distintas, os anal-retentivos e os verborreicos - só a informação necessária a perceber-se que pertence ao grupo de pessoas capaz de enviar um email como todos os eventos extra-curriculares, desde o crisma até à missa do sétimo dia. Nunca ouviu falar do linkedin, o folio é um pdf ou uns jpegs em attach no email. Se enviar links para sites, vão estar offline. Ou dar a uma lata de amendoins.
Case 3
O lateral-esquerdo
O lateral-esquerdo pode ter um pouco de criativo e de crusué. Mas o que o distingue é a capacidade de achar que um conjunto de habilidades específicas de que é capaz, por exemplo limpa-chaminés pode vir a ser util para quem precisa de um baterista. O lateral-esquerdo passa todos os jogadores em campo por ser tão diferente dos outros e vai sempre directo ao poste. De testa.
Case 4
O Relvas
O Relvas não envia currículos.
No Febre dos Fenos foi onde as considerações sobre Curriculae começaram.
Análise estatística sobre eficácia, baseada em empirismos e truismos.
Dada uma quantidade de CV's e Folios suficiente para amostra, conduziram-se testes e analizaram-se conteudos bem como reacções da entidade patronal - sob pena de embolia subita para esta.
Os resultados foram compilados e associados a case studies representativos das caracteristicas mais fortes de cada um, fazendo a vez de poster-child de cada drama pessoal que encerram.
Case 1
O Criativo
O criativo é um caso de hiperactividade ao nível demonstrativo. Se um CV deve ser apenas um A4 com Arial a corpo 12 com linha e meia de entrelinhamento, o criativo não vai guardar as habilidades unicas e especiais que tão mal guarda só para si e vai usá-las logo no CV, eliminando a ultima sombra de seriedade que podia mostrar ao futuro patrão. Um CV de um criativo é quase sempre, um PDF. Porque o criativo tem de usar fontes, cores, fundos, efeitos especiais e tudo em tudo o que faz tudo.
No portfolio, o céu é o limite. Tanto pode continuar no PDF como inventar formatos inauditos. Caixas de Nestum. Latas de amendoins. Sandes de presunto. Videos. A internet infelizmente ajudou a espalhar alguns exemplos ( sempre espalhafatosos e primários ) de "o melhor currículo do mundo". O melhor curriculo do mundo só é classificado assim por:
1. Quem não sabe. 2. Quem foi contratado / contratou graças a ele ( isto são 2 pessoas ).
E claro, não tem em conta os milhares de "melhores currículos do mundo" que ficaram pelo caminho, no fundo da pilha.
Case 2
O Robinson Crusué
O Robinson Crusué é anti-materialista. Isolado na sua ilha anti-internet, anti-software e anti-sociedade, ataca uma candidatura como quem ataca um urso com um pau afiado: mal. Envia o CV com um email inesquecível, como robbombanashoras.1benfica@esoterica.pt, tanto inclui - aqui há duas escolas distintas, os anal-retentivos e os verborreicos - só a informação necessária a perceber-se que pertence ao grupo de pessoas capaz de enviar um email como todos os eventos extra-curriculares, desde o crisma até à missa do sétimo dia. Nunca ouviu falar do linkedin, o folio é um pdf ou uns jpegs em attach no email. Se enviar links para sites, vão estar offline. Ou dar a uma lata de amendoins.
Case 3
O lateral-esquerdo
O lateral-esquerdo pode ter um pouco de criativo e de crusué. Mas o que o distingue é a capacidade de achar que um conjunto de habilidades específicas de que é capaz, por exemplo limpa-chaminés pode vir a ser util para quem precisa de um baterista. O lateral-esquerdo passa todos os jogadores em campo por ser tão diferente dos outros e vai sempre directo ao poste. De testa.
Case 4
O Relvas
O Relvas não envia currículos.
No Febre dos Fenos foi onde as considerações sobre Curriculae começaram.
terça-feira, maio 20, 2014
Eu é mais 50/50
Lido bem com religiões, desde que não mas vendam o tempo todo.
Acho que são porreiras para regular gente sem rumo, especialmente as velhinhas na primeira fila da missa. São as mais perigosas.
O pessoal que conheço que acredita em algo maior, usa Deus como conceito e só nesse sentido acreditam n'Ele. Deus manifesta-se em coisas grandes, como layouts bem feitos, sempre com o diabo nos detalhes. Também acho piada ao nazareno, porque era um hippie.
Mas agora calhou-me trabalhar com um daqueles do deus pequeno, das velinhas, do crucifixo, de fátima, dos milagres.
É tão mau como o pessoal dos anjinhos, cristais e golfinhos.
Acho que são porreiras para regular gente sem rumo, especialmente as velhinhas na primeira fila da missa. São as mais perigosas.
O pessoal que conheço que acredita em algo maior, usa Deus como conceito e só nesse sentido acreditam n'Ele. Deus manifesta-se em coisas grandes, como layouts bem feitos, sempre com o diabo nos detalhes. Também acho piada ao nazareno, porque era um hippie.
Mas agora calhou-me trabalhar com um daqueles do deus pequeno, das velinhas, do crucifixo, de fátima, dos milagres.
É tão mau como o pessoal dos anjinhos, cristais e golfinhos.
domingo, maio 18, 2014
Paciência
Não ando com paciência para isto. A culpa é do trabalho. Não que corra mal - acho que a altura em que escrevia mais aqui e da forma que me dava mais gozo era na altura do pior trabalho de sempre - mas porque corre bem e não preciso de alucinar diariamente.
O que me faz falta.
O que me faz falta.
sexta-feira, maio 16, 2014
Os outros são o inferno
Em tempos, a crítica mais comum feita à internet é que estava cheia de porno e que por isso, não servia para nada. É capaz de ter sido uma quase-verdade, porque sempre servia para o porno.
Nesses tempos, perdia muito tempo a evangelizar toda a gente.
Agora que já há 10 anos de uso de internet consistente por todo o tipo de pessoas, quero é que desapareçam. O tempo que todos os dias milhões de pessoas perdem a comentar jornais online, reclamar das novas injustiças do mundo que o youtube mostra todos os dias e a criar filtros para eliminar trolls é simplesmente demasiado. Nesses tempos, perdia muito tempo a evangelizar toda a gente.
quarta-feira, maio 14, 2014
Sideshow
Entro no prédio e seguem-me passos a que não ligo. À porta do elevador, cumprimentam-me com um boa noite 3 vozes , uma delas mais firme que as outras. Viro-me.
Uma miuda de t-shirt coçada e chinelos, baixa e magra. Um gajo de um metro e quarenta, indiano, desgadelhado e com voz de marreta. O umpa-lumpa arquetípico. Uma outra miuda t-shirt e chinelos, mais um palmo de altura que os outros dois, pança a sobejar, periforme, voz de talhante fumador.
- Posso perguntar-lhe uma coisa?
- Força. - Aqui ainda pensava que eram vizinhos novos a vir da praia.
- O senhor é Optimus ou Zon?
- ehhhhhh é Zon.
E entram no elevador. Pela conversa, este pequeno circo ambulante Lynchiano vai tentar vender ligaçoes de internet à comissão, de porta em porta.
O mundo é um sítio porreiro.
Uma miuda de t-shirt coçada e chinelos, baixa e magra. Um gajo de um metro e quarenta, indiano, desgadelhado e com voz de marreta. O umpa-lumpa arquetípico. Uma outra miuda t-shirt e chinelos, mais um palmo de altura que os outros dois, pança a sobejar, periforme, voz de talhante fumador.
- Posso perguntar-lhe uma coisa?
- Força. - Aqui ainda pensava que eram vizinhos novos a vir da praia.
- O senhor é Optimus ou Zon?
- ehhhhhh é Zon.
E entram no elevador. Pela conversa, este pequeno circo ambulante Lynchiano vai tentar vender ligaçoes de internet à comissão, de porta em porta.
O mundo é um sítio porreiro.
terça-feira, maio 13, 2014
13 de Maio
- Jacinta, passa lá isso.
- Já vai já vai calma. Jacinta bebia mais um gole de medronho num safanão afastava Lucia apre diziam seus braços em esquina viva sai-te para lá que já é a tua vez
- Jacinta não sejas lambona és mesmo lambona pareces o prior
- Párem lá com essa merda, quem trouxe a garrafa fui eu não vos vi a serem valentes para ir lá a adega buscar a garrafa o Petrolino chegava-me a roupa ao pelo e agora são valentes para beber já são valentes passem cá isso. Só um gole vá toma lá que cansaço. Lá vai a porra da cabra Barão busca barão olha a cabra assobia e o cão pelas pedras corre para a cabra.
Lucia toma conta das cabras eu tou com sono e o sol vai alto ainda.
- É Lucia já é noite já é noite acorda acorda olha é tarde. Estamos feitos Jacinta não demos pelas horas as cabras onde estão as cabras. Galgam os montes tresmalhados como as cabras calcorreiam fundões cafundós e afins tudo sítios de nomes ermos juntando cabras e cães o Barão ajuda mas pouco é teimoso e corre pouco, os pugs são assim.
- Então onde andaram perguntou o pai severo e grave olhar encovado ó onde é que andaram já perguntei - Meu pai foram as cabras elas perderam-se - isso é porque andaram a dormir eu já vos disse o que acontecia se andassem a mandriar não meu pai não senhor meu tio não é que apareceu uma senhora uma senhora , mas qual senhora a senhora levou as cabras foi? não eu eu ouvi a senhora a chamar e fiquei a ouvir - Mas quem? - era uma senhora lá em cima - em cima do Outeiro? mas vocês não eram para estar na várzea com as cabras não meu pai no alto no alto da oliveira, ela trepou, Jacinta o que é que já te disse como é que alguém trepava aos choupos tu tas-me a mentir vais contar essa história à vara de marmelo - não ela estava em cima da arvore mas não trepou ela veio cima de uma nuvem e era muito bonita e de branco e disse que era uma santa e disse para rezarmos foi isso foi juro por deus nosso senhor
- Foi isso foi, tio
- E vocês não andaram a beber nada?
- não meu pai não não
- Vou chamar o Prior. Vocês vão-se confessar.
Então prior?
Eles viram Santa Maria. Jacinta jura pela alma da mãe que viu uma senhora branca de luz que lhe disse para orarem pelos enfermos. Francisco disse que não viu nada mas ouviu. E Lucia também não viu nada, ainda não tem aqueles óculos que vão ser conhecidos daqui a uns anos e que vão ser a sua imagem de marca. Ray-ban? não aqueles verdes ok já tou haver - Acha que estão a mentir? pelo sim pelo não meta-os de castigo assim o farei prior
Hoje dormem no curral. Não o Jericó é bravo e morde vá a andar, não não pode porque senão, Vai o Francisco então e mais a cara do marmelo ah não contamos o segredo ah são 3 um cada um tem um - Segredo? A senhora contou um segredo a cada um de nós mas só podemos contar ao Bispo. Calha bem o bispo está em minha casa vou lá levar-vos e põe-se isto a limpo não prior ao Papa só contarmos ao Papa disse a senhora o Papa protege-nos dos comunistas - onde é que ouviste isso rapariga - só o Papa, senhor prior -
Senhor Bispo, eles juram a pés juntos. Isso parece-me coisa de gente simples. Mas o povo já sabe disto, ontem já vi gente ao pé dos choupos.
- Se eu um dia descubro que vocês inventaram isto e que anda tudo a rezar no ermo à vossa conta, parto-vos a cabeça à pancada.
- Sim tio.
Acho que foi assim. Foi um dos temas de conversa ao almoço.
- Já vai já vai calma. Jacinta bebia mais um gole de medronho num safanão afastava Lucia apre diziam seus braços em esquina viva sai-te para lá que já é a tua vez
- Jacinta não sejas lambona és mesmo lambona pareces o prior
- Párem lá com essa merda, quem trouxe a garrafa fui eu não vos vi a serem valentes para ir lá a adega buscar a garrafa o Petrolino chegava-me a roupa ao pelo e agora são valentes para beber já são valentes passem cá isso. Só um gole vá toma lá que cansaço. Lá vai a porra da cabra Barão busca barão olha a cabra assobia e o cão pelas pedras corre para a cabra.
Lucia toma conta das cabras eu tou com sono e o sol vai alto ainda.
- É Lucia já é noite já é noite acorda acorda olha é tarde. Estamos feitos Jacinta não demos pelas horas as cabras onde estão as cabras. Galgam os montes tresmalhados como as cabras calcorreiam fundões cafundós e afins tudo sítios de nomes ermos juntando cabras e cães o Barão ajuda mas pouco é teimoso e corre pouco, os pugs são assim.
- Então onde andaram perguntou o pai severo e grave olhar encovado ó onde é que andaram já perguntei - Meu pai foram as cabras elas perderam-se - isso é porque andaram a dormir eu já vos disse o que acontecia se andassem a mandriar não meu pai não senhor meu tio não é que apareceu uma senhora uma senhora , mas qual senhora a senhora levou as cabras foi? não eu eu ouvi a senhora a chamar e fiquei a ouvir - Mas quem? - era uma senhora lá em cima - em cima do Outeiro? mas vocês não eram para estar na várzea com as cabras não meu pai no alto no alto da oliveira, ela trepou, Jacinta o que é que já te disse como é que alguém trepava aos choupos tu tas-me a mentir vais contar essa história à vara de marmelo - não ela estava em cima da arvore mas não trepou ela veio cima de uma nuvem e era muito bonita e de branco e disse que era uma santa e disse para rezarmos foi isso foi juro por deus nosso senhor
- Foi isso foi, tio
- E vocês não andaram a beber nada?
- não meu pai não não
- Vou chamar o Prior. Vocês vão-se confessar.
Então prior?
Eles viram Santa Maria. Jacinta jura pela alma da mãe que viu uma senhora branca de luz que lhe disse para orarem pelos enfermos. Francisco disse que não viu nada mas ouviu. E Lucia também não viu nada, ainda não tem aqueles óculos que vão ser conhecidos daqui a uns anos e que vão ser a sua imagem de marca. Ray-ban? não aqueles verdes ok já tou haver - Acha que estão a mentir? pelo sim pelo não meta-os de castigo assim o farei prior
Hoje dormem no curral. Não o Jericó é bravo e morde vá a andar, não não pode porque senão, Vai o Francisco então e mais a cara do marmelo ah não contamos o segredo ah são 3 um cada um tem um - Segredo? A senhora contou um segredo a cada um de nós mas só podemos contar ao Bispo. Calha bem o bispo está em minha casa vou lá levar-vos e põe-se isto a limpo não prior ao Papa só contarmos ao Papa disse a senhora o Papa protege-nos dos comunistas - onde é que ouviste isso rapariga - só o Papa, senhor prior -
Senhor Bispo, eles juram a pés juntos. Isso parece-me coisa de gente simples. Mas o povo já sabe disto, ontem já vi gente ao pé dos choupos.
- Se eu um dia descubro que vocês inventaram isto e que anda tudo a rezar no ermo à vossa conta, parto-vos a cabeça à pancada.
- Sim tio.
Acho que foi assim. Foi um dos temas de conversa ao almoço.
Coerência
O que eu curtia era ver o pessoal que reclama tanto dos hospitais e dos balcões das finanças a reclamar em todos os balcões e em todos os serviços. Mas é sempre mais fácil culpar uma figura qualquer abstracta - o "Estado" - do que pessoas individuais.
Cena de país católico.
Cena de país católico.
domingo, maio 11, 2014
Barricadas
Tenho andado a fazer entrevistas de trabalho. Mas desta vez do lado do patronato.
É bastante estranho. A parte mais complicada é não ser um porreiraço como era a ser entrevistado. Tenho demasiada facilidade em empatizar com os revoltados da sociedade e alimento a revolta, porque quero ver sempre a barraca a arder. Mas esse pessoal revoltado tem de ser mesmo bom, senão não compensa.
Andei meses em entrevistas na minha área. Agora percebo porque é que corriam bem mas não davam em nada: Ser porreiraço e revoltado não chega. Convém trazer mais qualquer coisa para o trabalho.
É bastante estranho. A parte mais complicada é não ser um porreiraço como era a ser entrevistado. Tenho demasiada facilidade em empatizar com os revoltados da sociedade e alimento a revolta, porque quero ver sempre a barraca a arder. Mas esse pessoal revoltado tem de ser mesmo bom, senão não compensa.
Andei meses em entrevistas na minha área. Agora percebo porque é que corriam bem mas não davam em nada: Ser porreiraço e revoltado não chega. Convém trazer mais qualquer coisa para o trabalho.
terça-feira, maio 06, 2014
sábado, maio 03, 2014
O cais do sodré não
Fui ao Cais do Sodré. Ainda não tinha ido este ano, à conta da estada nos States.
Foderam aquilo tudo enquanto estive fora:
Acabaram com o Copenhaga. Como é que um gajo agora vai beber copos em sítios decadentes mas que combinam pessoal normal ( burguesia moderna ) , putas, bebâdos, mitras e pessoal da margem sul?
Acabaram com o Transmission. Isto é o acontecimento mais grave desde o aumento do IVA. Tenho de ir até ao Metropolis, no meio de nada, para ouvir metal? como é que cabem todos os metaleiros de Lisboa e arredores lá dentro? Pensaram no pessoal da margem sul? a maior das pessoas que vinham da margem sul a Lisboa eram metaleiros. Onde é que apanho metal a sério agora? o Metropolis é só EBM e indutrial com putos mascarados.
Abriu mais uma treta retro-hipster ao lado do Sabotage. Tinha bom ar. Mas já chega. Para isso há a pensão amor.
Abriu um bar todo pipi em cima do Viking. Gosto da contradição, mas não posso com a ideia do viking ir à vida um dia destes. Os betos conquistam aquilo tudo, é uma questão de tempo. A sobrevivência fica do lado de quem paga mais.
O Roterdão fechou. Temo pelo pior, se bem que não podia ser muito pior.
Abriu mais uma treta de degustação de não sei quê ao lado dos tascos manhosos da praça de S. Paulo.
A rua do Cid, até esse antro, está rodeada de bares novos a armar ao pingarelho.
Onde é que um gajo agora vai para ter o cenário decadente que merece?
P.S. por outro lado, o Bairro estava espetacular.
Foderam aquilo tudo enquanto estive fora:
Acabaram com o Copenhaga. Como é que um gajo agora vai beber copos em sítios decadentes mas que combinam pessoal normal ( burguesia moderna ) , putas, bebâdos, mitras e pessoal da margem sul?
Acabaram com o Transmission. Isto é o acontecimento mais grave desde o aumento do IVA. Tenho de ir até ao Metropolis, no meio de nada, para ouvir metal? como é que cabem todos os metaleiros de Lisboa e arredores lá dentro? Pensaram no pessoal da margem sul? a maior das pessoas que vinham da margem sul a Lisboa eram metaleiros. Onde é que apanho metal a sério agora? o Metropolis é só EBM e indutrial com putos mascarados.
Abriu mais uma treta retro-hipster ao lado do Sabotage. Tinha bom ar. Mas já chega. Para isso há a pensão amor.
Abriu um bar todo pipi em cima do Viking. Gosto da contradição, mas não posso com a ideia do viking ir à vida um dia destes. Os betos conquistam aquilo tudo, é uma questão de tempo. A sobrevivência fica do lado de quem paga mais.
O Roterdão fechou. Temo pelo pior, se bem que não podia ser muito pior.
Abriu mais uma treta de degustação de não sei quê ao lado dos tascos manhosos da praça de S. Paulo.
A rua do Cid, até esse antro, está rodeada de bares novos a armar ao pingarelho.
Onde é que um gajo agora vai para ter o cenário decadente que merece?
P.S. por outro lado, o Bairro estava espetacular.
sexta-feira, maio 02, 2014
Percebo melhor o meu pai
O meu pai tinha umas ideias bem fixas quanto a política. Era assim meio descrente. ( Infelizmente a pouca crença que tinha, dava-lhe para o PSD ).
Depois de ver o IVA subir mais uma vez, percebo cada vez mais a descrença, mas não percebo o PSD. Agora vem este governo teoricamente liberal aumentar o IVA e teoricamente promover o consumo. Desisto.
Desde a secundária e os tempos do Cavaco e da Ferreira Leite que estou à espera de revoluções. Tenho feito a minha parte, parece-me: Não falto às manifs que interessam e sempre que posso e muitas vezes, quando não devo - não é profissional confrontar um patrão marialva e burro, como fiz em tempos - meto gasolina na fogueira e promovo o governo como ele merece. Não criei nenhuma célula nem peguei em bandeiras ( mas já desenhei umas ).
E estou cansado da conversa das revoluções em Portugal.
A memória, provavelmente coisa de velhos e eu estou a ficar velho, não me deixa esquecer os primeiros cortes depois do FMI aterrar nos ministérios e o reboliço com que foram recebidos, com a promessa de que isto ia tudo abaixo em pouco tempo.
Já foram há anos, nada foi abaixo e está tudo bastante pior.
A conversa da revolução já é só caricata.
Sugiro arranjarem outro mote, para alguém acreditar em alguma coisa.
Depois de ver o IVA subir mais uma vez, percebo cada vez mais a descrença, mas não percebo o PSD. Agora vem este governo teoricamente liberal aumentar o IVA e teoricamente promover o consumo. Desisto.
Desde a secundária e os tempos do Cavaco e da Ferreira Leite que estou à espera de revoluções. Tenho feito a minha parte, parece-me: Não falto às manifs que interessam e sempre que posso e muitas vezes, quando não devo - não é profissional confrontar um patrão marialva e burro, como fiz em tempos - meto gasolina na fogueira e promovo o governo como ele merece. Não criei nenhuma célula nem peguei em bandeiras ( mas já desenhei umas ).
E estou cansado da conversa das revoluções em Portugal.
A memória, provavelmente coisa de velhos e eu estou a ficar velho, não me deixa esquecer os primeiros cortes depois do FMI aterrar nos ministérios e o reboliço com que foram recebidos, com a promessa de que isto ia tudo abaixo em pouco tempo.
Já foram há anos, nada foi abaixo e está tudo bastante pior.
A conversa da revolução já é só caricata.
Sugiro arranjarem outro mote, para alguém acreditar em alguma coisa.
quarta-feira, abril 30, 2014
Só naquela
Hoje vou ali "surfar" a Carcavelos.
Disclaimer: Prezado continua a ser designer, a viver em Lisboa. 2 pés esquerdos, uma mão esquerda melhor que 2 pés esquerdos. É autor publicado. Fotografa como obrigação moral, desenha quase todos os dias, segue 80 blogs, 2 deles diariamente, de notícias americanas (são mais cómicas que as nossas ) . Não faz dos hobbies bandeiras nem tem necessidade de os promover incessantemente em jeito de aprovação ( para isso tem o o facebook ) e nãos os promove quando estão na moda.
Até tem uma bicicleta mas não se gaba muito disso.
Disclaimer: Prezado continua a ser designer, a viver em Lisboa. 2 pés esquerdos, uma mão esquerda melhor que 2 pés esquerdos. É autor publicado. Fotografa como obrigação moral, desenha quase todos os dias, segue 80 blogs, 2 deles diariamente, de notícias americanas (são mais cómicas que as nossas ) . Não faz dos hobbies bandeiras nem tem necessidade de os promover incessantemente em jeito de aprovação ( para isso tem o o facebook ) e nãos os promove quando estão na moda.
Até tem uma bicicleta mas não se gaba muito disso.
terça-feira, abril 29, 2014
Sinais do tempo
Um gajo ter uma app para controlar a tensão arterial. Mas sempre é melhor que ter uma para contar maratonas.
sábado, abril 26, 2014
Lisboa é boa para turistas
Sair de casa para apanhar a marcha do 25 de Abril, chaimites incluídas, minis ginjas e gente, voltar ao escritório, base para descansar um bocado nem que seja a trabalhar, trocar bitaites, parar meia hora, voltar à rua depois de já ter passado pelo cais do sodré, ver o chiado à noite, descer até ao rio com banda sonora de 94, nine inch nails, subir até ao restaurante, voltar a descer para a ZDB e as tretas neo-qualquer coisa e mais o pessoal habitual, perder meia hora ao pé da rua do Ferragial a tentar fotografar qualquer coisa sem andaimes e guindastes, comer no Carmo com os turistas e voltar às ruas ainda cheias de camaradas e burgueses anafados e voltar a casa, que isto de ser revolucionário não é para todos.
25A II
Passados uns anos, devido aos avanços técnologicos próprios da sociedade, o argumento "eles vão para as manifs de iPhone = não há crise" deixou de ser utilizado, até pelos taxistas mais ferrenhos. Próximo passo: perceberem que - apesar da crise - as pessoas podem rir-se numa manifestação.
O Passos tem a vida tão facilitada, porra.
O Passos tem a vida tão facilitada, porra.
sexta-feira, abril 25, 2014
25A
Até amanhã camaradas.
quinta-feira, abril 24, 2014
Como ficar rico em 2 passos
Nos States fui, no engano, a uma palestra de Marketing que afinal era uma venda de banha da cobra. A formula do sucesso estava num só livro, inteligentemente condensado e fácil de encontrar em qualquer livraria. Enquanto ouvia o homem a debitar exemplos em que o método dele funcionava infalivelmente e esquecendo-se de referir a quantidade de vezes que falhou, - pelo meio dizia umas coisas acertadas mas de uma forma tão histriónica que era impossível um português normal não se sentir mal - pensava naqueles gajos que batem punho e como o segredo para, seja qual for, sucesso, felicidade, dinheiro, fama, só é usado pelos próprios de maneira tangencial.Assim como um vidente nunca adivinha os numeros do totoloto para si próprio - há um código moral rigido entre videntes e mediuns, provavelmente são policiados por espiritos - quem nos ensina a ficar rico só o conseguiu à conta de vender a banha da cobra que ensina a ficar rico. É um catch 22, reparei agora.
Lembrei-me disto porque tenho gente a encher-me o facebook de dicas para ser mais produtivo. O dia todo.
Lembrei-me disto porque tenho gente a encher-me o facebook de dicas para ser mais produtivo. O dia todo.
sábado, abril 19, 2014
Dar ideias é mau
Tarde com amigos e sobrinhos emprestados.
Altura do tio Prezado dar cabo da educação dos pais e de pré-concepções básicas a putos de 4 anos. A idade dos porquês não mete medo a ninguém e aproveito para criar ainda mais porquês. Uma tarde com os putos dá para perceber porque é que o babyTV só tem borboletas a andar muito lentamente e a dizer olá. Ir apanhar um Ferry, que aparentemente parece linear, pode ser algo bastante confuso. Para ajudar, deixo a dica: a cada perguntam, introduzam mais uma variável na resposta.
Sim, vamos apanhar um barco. Mas, o barco leva carros. Carros dentro de um barco? sim. Aliás, até podemos ir dentro do carro dentro do barco. Puf.
A partir daqui o cérebro dos putos funde. A realidade já não tem alicerces e depois de à pergunta seguinte eu acrescentar como funciona um submarino, os pais já não têm como agarrar os putos. Dar ideias aos putos é como dar-lhes cavalo ( a ressaca é finalmente dormirem no carro ).
Agora que chego a casa, depois de autocarros, ferrys, carros, cadeiras, cafés e as perguntas dos putos, tenho de ir bater uma sorna para conseguir ir sair. Um dia de trabalho cansa-me menos.
Altura do tio Prezado dar cabo da educação dos pais e de pré-concepções básicas a putos de 4 anos. A idade dos porquês não mete medo a ninguém e aproveito para criar ainda mais porquês. Uma tarde com os putos dá para perceber porque é que o babyTV só tem borboletas a andar muito lentamente e a dizer olá. Ir apanhar um Ferry, que aparentemente parece linear, pode ser algo bastante confuso. Para ajudar, deixo a dica: a cada perguntam, introduzam mais uma variável na resposta.
Sim, vamos apanhar um barco. Mas, o barco leva carros. Carros dentro de um barco? sim. Aliás, até podemos ir dentro do carro dentro do barco. Puf.
A partir daqui o cérebro dos putos funde. A realidade já não tem alicerces e depois de à pergunta seguinte eu acrescentar como funciona um submarino, os pais já não têm como agarrar os putos. Dar ideias aos putos é como dar-lhes cavalo ( a ressaca é finalmente dormirem no carro ).
Agora que chego a casa, depois de autocarros, ferrys, carros, cadeiras, cafés e as perguntas dos putos, tenho de ir bater uma sorna para conseguir ir sair. Um dia de trabalho cansa-me menos.
quinta-feira, abril 17, 2014
Discussão em progresso
Uma discussão recorrente, mantém-se há uns meses, é se há uma tipologia de cérebro certa para alguma actividade intelectual específica ou se a partir de certo nível - leia-se acima da burrice - , tudo é igual e toda a gente tem uma capacidade inata de fazer qualquer operação. Diz-me a observação e a experiência que toda a gente é capaz de fazer tudo - acima da burrice - e que a incapacidade de fazer tudo pertence ao campo da mania, a qual sei que se pode dobrar e vencer. Se um tipo quer, um tipo pode.
Mas, deve haver manias que são muito profundas porque apesar de saber perfeitamente que isto de não conseguir fazer algo só pode ser uma imposição do cérebro enquanto orgão preguiçoso de procurar soluções novas, há actividades que este se recusa a resolver atempadamente, por mais teimoso que eu seja.
Isto tudo para dizer que sou uma besta no Excel.
Mas, deve haver manias que são muito profundas porque apesar de saber perfeitamente que isto de não conseguir fazer algo só pode ser uma imposição do cérebro enquanto orgão preguiçoso de procurar soluções novas, há actividades que este se recusa a resolver atempadamente, por mais teimoso que eu seja.
Isto tudo para dizer que sou uma besta no Excel.
quarta-feira, abril 16, 2014
Mais um
O PPC faz 8 anos.
Neste ultimo ano foi complicado manter o blog. Os blogs, como media online, são antigos. Seguimos blogs para notícias ou debates, hobbies, mas os blogs pessoais estão a morrer.
Hoje a atenção dissipa-se - tanto para quem escreve como quem lê - em meios diferentes. Em 2006 a persona-online estava só no blog. Era a unica plataforma de expressão online. Ainda nesse ano apareceu o Twitter. Que reclamou um espaço. Não serve para bloggar, mas faz sentido para notícias. Depois o Facebook começou a tirar tempo e atenção a todos, depois o Flickr, depois fomos para os telemóveis, o Instagram, depois o Snapchat, depois milhões de apps diferentes para partilhar receitas, fotos de gatinhos, receitas com fotos de gatinhos, receitas com gatinhos. E agora segue-se a internet of things e se calhar volta tudo ao início.
Agora a história que se conta online está dispersa por estes meios todos e os blogs são um meio anacrónico, arcaico, pesado, um meio já a puxar para o literário. Só pessoas obstinadas é que podem ter um blog nestes dias. É ser casmurro, insistir nisto.
Siga.
Neste ultimo ano foi complicado manter o blog. Os blogs, como media online, são antigos. Seguimos blogs para notícias ou debates, hobbies, mas os blogs pessoais estão a morrer.
Hoje a atenção dissipa-se - tanto para quem escreve como quem lê - em meios diferentes. Em 2006 a persona-online estava só no blog. Era a unica plataforma de expressão online. Ainda nesse ano apareceu o Twitter. Que reclamou um espaço. Não serve para bloggar, mas faz sentido para notícias. Depois o Facebook começou a tirar tempo e atenção a todos, depois o Flickr, depois fomos para os telemóveis, o Instagram, depois o Snapchat, depois milhões de apps diferentes para partilhar receitas, fotos de gatinhos, receitas com fotos de gatinhos, receitas com gatinhos. E agora segue-se a internet of things e se calhar volta tudo ao início.
Agora a história que se conta online está dispersa por estes meios todos e os blogs são um meio anacrónico, arcaico, pesado, um meio já a puxar para o literário. Só pessoas obstinadas é que podem ter um blog nestes dias. É ser casmurro, insistir nisto.
Siga.
terça-feira, abril 15, 2014
Síndroma de Estocolmo
Fui ao tasco à espera de ser bem atendido e o gajo não respondeu "você não quer isso, coma antes o ensopado de borrego, que está daqui." ( gesto da mão na orelha ) e deu-me o que pedi.
Granda bosta de serviço.
Granda bosta de serviço.
segunda-feira, abril 14, 2014
Exercício matinal
Exemplo de notícia normal em Portugal:
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013, apesar da crise" no Público.
Título objectivo e realista:
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013" no Público.
Título normal, invertido:
"Apesar da crise, número de clientes dos ginásios aumentou em 2013" no Público.
Exemplo de notícia normal nos States:
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013, latinos e afro-americanos são uma minoria".
Título à States, objectivo e realista:
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013".
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013, apesar da crise" no Público.
Título objectivo e realista:
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013" no Público.
Título normal, invertido:
"Apesar da crise, número de clientes dos ginásios aumentou em 2013" no Público.
Exemplo de notícia normal nos States:
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013, latinos e afro-americanos são uma minoria".
Título à States, objectivo e realista:
"Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013".
domingo, abril 13, 2014
sexta-feira, abril 11, 2014
Objectividade
Depois de ver tantas notícias sobre o avião desaparecido, é altura de fechar o assunto. Relato o que aconteceu, como fazem os jornalistas e o canal história: Mas, e se o avião...
Partisse às 14 horas do dia 12 de Março, do Tenerife e de Austin, levantando voo já atrasado. A bordo iam 250 pessoas. Logo à saída, perdem-se 3 malas, cada uma com 5 versões desta história, uma das quais acaba com um ministro recusando-se a comentar. As outras 3 perdem-se já no pacífico. Ao fim de 3 minutos, o trem de aterragem recusa-se a fechar. Era um emigrante clandestino preso à roda da frente. Só depois de um médico confirmar o óbito é que se pode fechar o trem de aterragem.
Já estabilizado, continua a comunicar com a torre de controlo regularmente. Tudo seguia normalmente até aqui.
A 12 gigas de altitude, o sistema de navegação do computador de bordo indicou uma despressurização na cabine. O piloto fez automático o download de um patch. 200 passageiros eram um bug e são purgados em segundos. Já na ilha, um urso branco é morto à ultima da hora.
A esta altura, baixa, o avião está num celeiro em Marco de Canavezes. A viagem, até agora sem sobressaltos, é interrompida pelo aviso do piloto, Amélia Rey Colaço, de uma zona com turbulência, pedindo aos passageiros que apertem os cintos. Nesta altura, uma das hospedeiras revela que 3 dos passageiros nasceram em Dusseldorf. O primeiro ministro recusou-se a comentar.
Pelo meio disto, lembrei-me que os jornalistas por cá não cobrem o voo desaparecido com muito sensacionalismo, mas compensam, deixando toda a classe política num paraíso à beira-mar plantado, em que não há perguntas difíceis nem se encara nada de frente. Só ainda não tenho uma teoria para o que vai acontecer ao tema "crise" agora que o governo diz que vai acabar. Como é que os Telejornais vão começar as notícias?
Partisse às 14 horas do dia 12 de Março, do Tenerife e de Austin, levantando voo já atrasado. A bordo iam 250 pessoas. Logo à saída, perdem-se 3 malas, cada uma com 5 versões desta história, uma das quais acaba com um ministro recusando-se a comentar. As outras 3 perdem-se já no pacífico. Ao fim de 3 minutos, o trem de aterragem recusa-se a fechar. Era um emigrante clandestino preso à roda da frente. Só depois de um médico confirmar o óbito é que se pode fechar o trem de aterragem.
Já estabilizado, continua a comunicar com a torre de controlo regularmente. Tudo seguia normalmente até aqui.
A 12 gigas de altitude, o sistema de navegação do computador de bordo indicou uma despressurização na cabine. O piloto fez automático o download de um patch. 200 passageiros eram um bug e são purgados em segundos. Já na ilha, um urso branco é morto à ultima da hora.
A esta altura, baixa, o avião está num celeiro em Marco de Canavezes. A viagem, até agora sem sobressaltos, é interrompida pelo aviso do piloto, Amélia Rey Colaço, de uma zona com turbulência, pedindo aos passageiros que apertem os cintos. Nesta altura, uma das hospedeiras revela que 3 dos passageiros nasceram em Dusseldorf. O primeiro ministro recusou-se a comentar.
Pelo meio disto, lembrei-me que os jornalistas por cá não cobrem o voo desaparecido com muito sensacionalismo, mas compensam, deixando toda a classe política num paraíso à beira-mar plantado, em que não há perguntas difíceis nem se encara nada de frente. Só ainda não tenho uma teoria para o que vai acontecer ao tema "crise" agora que o governo diz que vai acabar. Como é que os Telejornais vão começar as notícias?
quarta-feira, abril 09, 2014
Amanhã há mais
Quando um gajo está no meio de americanos e canadianos numa zona onde o ordenado médio tem muitos zeros, é com um misto de vergonha e oportunidade que se revela que lá longe no burgo nos orientamos com muito menos. A vida é mais barata, mas os ordenados não sao proporcionalmente mais baixos. Se falarmos do ordenado mínimo, a coisa fica ainda mais vergonhosa. Descobre o Daniel Oliveira no Expresso, "É por isto que apenas 17% dos portugueses alguma vez participaram numa
ação cívica coletiva. A média europeia é de 41%. Na Escandinávia é de
70%. Não há democracia saudável com grandes níveis de desigualdade" acerca dos efeitos do ordenado mínimo - que em Portugal é bastante próximo do médio - na sociedade.
Elipse: Estava nos States e achava piada ao modo como comemoravam vitórias no football: com motins. Geralmente queimavam um carro ou uns caixotes, partiam umas paragens de autocarro, ocupavam uma praça. Isto eram as vitórias. Uma derrota era motivo para celebrarem da mesma forma. Mas não tão habitual. Fim da elipse.
Nunca vi tanta acção cívica como nos estados unidos. Os americanos juntam-se à volta de qualquer causa com facilidade. Se vi muita miséria nas cidades grandes, também vi muita gente a ajudar. Têm esta mania de fazer coisas. Fazem tantas que quando há uma catarse por fazer, optam por destruir qualquer coisa.
( Os U.S. têm um ordenado mínimo de cerca de 8 dólares por hora ( depende do estado) que é bastante mau e visto como digno de empregados de mcdonalds, estudantes universitários, trabalhadores em condições abaixo de cão )
Elipse: Estava nos States e achava piada ao modo como comemoravam vitórias no football: com motins. Geralmente queimavam um carro ou uns caixotes, partiam umas paragens de autocarro, ocupavam uma praça. Isto eram as vitórias. Uma derrota era motivo para celebrarem da mesma forma. Mas não tão habitual. Fim da elipse.
Nunca vi tanta acção cívica como nos estados unidos. Os americanos juntam-se à volta de qualquer causa com facilidade. Se vi muita miséria nas cidades grandes, também vi muita gente a ajudar. Têm esta mania de fazer coisas. Fazem tantas que quando há uma catarse por fazer, optam por destruir qualquer coisa.
( Os U.S. têm um ordenado mínimo de cerca de 8 dólares por hora ( depende do estado) que é bastante mau e visto como digno de empregados de mcdonalds, estudantes universitários, trabalhadores em condições abaixo de cão )
terça-feira, abril 08, 2014
Voltei a ver televisão
O telejornal diz:
"Se aproveitou estes dias de calor para esquecer os dias cinzentos..."
Isto é a psicose da crise aplicada ao tempo. Um dia de calor não é bom só por si, é-o porque faz esquecer dias cinzentos. Curtir um dia só por curtir é demasiado leviano. Há que agradecer aos céus não viver num dilúvio permanente.
Parece que há cada vez menos gente a ver televisão e mais gente a ver videos de gatinhos. Eu fico-me pelo Spotify.
"Se aproveitou estes dias de calor para esquecer os dias cinzentos..."
Isto é a psicose da crise aplicada ao tempo. Um dia de calor não é bom só por si, é-o porque faz esquecer dias cinzentos. Curtir um dia só por curtir é demasiado leviano. Há que agradecer aos céus não viver num dilúvio permanente.
Parece que há cada vez menos gente a ver televisão e mais gente a ver videos de gatinhos. Eu fico-me pelo Spotify.
Publicidade e semiótica II
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| 6 macacos inertes |
Vamos analisar devagarinho, para que o director de arte e o director criativo percebam: O primeiro tipo está a olhar para o lado. A vocalista está de boca fechada e olhos abertos a pensar no que comeu ao pequeno almoço. O baixista está concentrado. O baterista está a dormir/ olhar para o infinito/ nuca do guitarrista. Pelo modo que que está a tocar, deve ser bossa nova. O guitarrista tá no flow. E o segundo guitarrista está minimamente entusiasmado. O fundo, um arco-iris de fumo delicodoce e uniforme, plácido e calmo.
Visto o cenário: onde está a energia?
Sobre trabalho
Mea culpa, ontem meti-me num debate online, ainda mais com gente que não é da minha geração e vota nos partidos errados. Sabendo que é uma perda de tempo, lá aprendi que uma das teorias do Prezado não é nova e tem nome.
Lei de Parkinson: O trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização.
( Onde trabalho actualmente verifica-se o fenómeno, mas na forma aditiva, em que se estima o tempo que uma tarefa vai demorar e invariavelmente ultrapassa-se o tempo estimado, o que deu origem à regra Somar-50%-a-cada-estimativa-de-tempo. )
Isto é uma teoria que denuncio de tempos a tempos no trabalho porque a observei durante anos e anos. Trabalhando em publicidade, já sabia que não valia a pena fazer noitadas - mas fazia-as na mesma, porque "é assim a publicidade", geralmente aumentando o número de horas que trabalhava a cada dia que me fazia mais próximo do prazo. Isto é, quanto mais tempo tivesse para fazer um trabalho, mais trabalho teria, não se revendo isto em qualidade, porque essa como é fácil de imaginar só existe na primeira versão que entregamos: Tendo uma campanha para fazer e algum tempo, muito provavelmente faremos o melhor que podemos, já que o trabalho não é fruto de uma só iteração mas de várias. Ninguém faz uma só versão de uma campanha e fica contente com a primeira. Iterar sobre ela melhora-a, mas não com feedback do cliente, como é sabido. Provavelmente não é um feedback absolutamente errado, já que corresponde a uma visão e a necessidades reais do cliente - que até podem ser apenas ao nível pessoal, inseguranças, necessidade de afirmação, feedback externo, pressão hierarquica - mas a forma amadora com que o fazem, sem um esforço de entender conceitos básicos de comunicação, design, Gestalt, contribuem para que naturalmente o designer fique com vontade de lhes espetar um murro nos cornos e gradualmente a qualidade do trabalho vá diminuindo, por deriva da atenção do designer para coisas mais interessantes, como blogs sobre cerdas de pincel ou fungos raros da Macedónia.
Lei de Parkinson: O trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para a sua realização.
( Onde trabalho actualmente verifica-se o fenómeno, mas na forma aditiva, em que se estima o tempo que uma tarefa vai demorar e invariavelmente ultrapassa-se o tempo estimado, o que deu origem à regra Somar-50%-a-cada-estimativa-de-tempo. )
Isto é uma teoria que denuncio de tempos a tempos no trabalho porque a observei durante anos e anos. Trabalhando em publicidade, já sabia que não valia a pena fazer noitadas - mas fazia-as na mesma, porque "é assim a publicidade", geralmente aumentando o número de horas que trabalhava a cada dia que me fazia mais próximo do prazo. Isto é, quanto mais tempo tivesse para fazer um trabalho, mais trabalho teria, não se revendo isto em qualidade, porque essa como é fácil de imaginar só existe na primeira versão que entregamos: Tendo uma campanha para fazer e algum tempo, muito provavelmente faremos o melhor que podemos, já que o trabalho não é fruto de uma só iteração mas de várias. Ninguém faz uma só versão de uma campanha e fica contente com a primeira. Iterar sobre ela melhora-a, mas não com feedback do cliente, como é sabido. Provavelmente não é um feedback absolutamente errado, já que corresponde a uma visão e a necessidades reais do cliente - que até podem ser apenas ao nível pessoal, inseguranças, necessidade de afirmação, feedback externo, pressão hierarquica - mas a forma amadora com que o fazem, sem um esforço de entender conceitos básicos de comunicação, design, Gestalt, contribuem para que naturalmente o designer fique com vontade de lhes espetar um murro nos cornos e gradualmente a qualidade do trabalho vá diminuindo, por deriva da atenção do designer para coisas mais interessantes, como blogs sobre cerdas de pincel ou fungos raros da Macedónia.
segunda-feira, abril 07, 2014
Publicidade e semiótica
Soluções 2.0
Se trocássemos o nome à Segurança social e ao SNS e lhe déssemos uma roupagem modernaça tipo Crowd-source, os neo-liberais de pacote já eram capazes de bancar o que tanto choram que não é justo pagar todos os meses.
Sobre aquele tipo que pelos vistos era um porreiro e que morreu no fim de semana: Talvez seja da minha vida - ou antes, da do meu pai - mas esta ansia de encontrar heroismo numa doença soa-me sempre a sentimentalismo bacoco.
Assim como um touro não tem nem mais nem menos honra em morrer numa arena do que teve a vida toda, sobre isso da honra a natureza pouco diz, uma pessoa ter um cancro ( ou uma vida, para todos os efeitos ) e tentar sobreviver-lhe não é mais do que todos tentam fazer. Se uns o fazem mais graciosamente, tanto melhor. No fim, morrer não é um acto muito inspirador.
Pelo que o meu pai dizia, até dispensava essa parte.
Assim como um touro não tem nem mais nem menos honra em morrer numa arena do que teve a vida toda, sobre isso da honra a natureza pouco diz, uma pessoa ter um cancro ( ou uma vida, para todos os efeitos ) e tentar sobreviver-lhe não é mais do que todos tentam fazer. Se uns o fazem mais graciosamente, tanto melhor. No fim, morrer não é um acto muito inspirador.
Pelo que o meu pai dizia, até dispensava essa parte.
domingo, abril 06, 2014
Lisboa aqui ao pé
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| Betos e o Santini. A simbiose perfeita. |
E apanho os betos na fila para os gelados. Esta simbiose dos betos e dos gelados de betos devia ser estudada.
A cerveja
Hoje, depois de ter inundado o meu sistema operativo de superbock - uma cerveja suave, com aroma simpático - voltei a ser tuga. Isto depois de 3 meses a beber cerveja a sério.
Pois é. SuperBock é tão boa como a pior das cervejas que podem ter. É um default. Assim como a Sagres. Sim, em Portugal é como perguntar se gostam mais do benfica ou do Sporting. Mas em qualquer outro lado, onde não há apenas 2 cervejas para escolher, é mais como perguntar de quem gostam menos, do pai ou da mãe.
O mundo da cerveja não é dicotómico. Nos estates - sim, estou novamente a falar dos states e faço-o com a propriedade que em lá viveu 3 anos e não 3 meses - as cervejas são às dezenas. Ficar-me pela superbock é o mesmo que só beber Budweizer e dizer que é a melhor de todas. Não é. É só a default.
Num bar americano há pelo menos 10 cervejas de barril. Num bar bom há 20. Num bar extraordinário há 50.
Revelação: a Superbock não é a melhor cerveja do mundo. Mas não é má.
Nota: falem-me de Duvell, Shock Top, Blue Moon, Fat Tire e derivados. O resto é bom, mas não digam que é o melhor.
Pois é. SuperBock é tão boa como a pior das cervejas que podem ter. É um default. Assim como a Sagres. Sim, em Portugal é como perguntar se gostam mais do benfica ou do Sporting. Mas em qualquer outro lado, onde não há apenas 2 cervejas para escolher, é mais como perguntar de quem gostam menos, do pai ou da mãe.
O mundo da cerveja não é dicotómico. Nos estates - sim, estou novamente a falar dos states e faço-o com a propriedade que em lá viveu 3 anos e não 3 meses - as cervejas são às dezenas. Ficar-me pela superbock é o mesmo que só beber Budweizer e dizer que é a melhor de todas. Não é. É só a default.
Num bar americano há pelo menos 10 cervejas de barril. Num bar bom há 20. Num bar extraordinário há 50.
Revelação: a Superbock não é a melhor cerveja do mundo. Mas não é má.
Nota: falem-me de Duvell, Shock Top, Blue Moon, Fat Tire e derivados. O resto é bom, mas não digam que é o melhor.
sábado, abril 05, 2014
Cenas que me fazem confusão em 2014
New-new-age.
Venho dum restaurante da moda onde, a meio do jantar, topo um casal com um puto a sair. Ele, um marmanjo com idade para ter juízo, a demorar 10 minutos a amarrar o puto à volta dele com um pano às cores, tipo chefe tribal de Alvalade.
Puto ao colo, segura o puto, puxa toalha, enrola, cruza, enrola, dá nó enrola cruza. Demorou o suficiente para pensar o que aconteceria se o gajo se esquecesse do telemovel no bolso da camisa ou como é que ia mijar, a cabeça do puto à frente foda-se não vejo a gaita ops já mijei uma perna não a minha a do puto raisparta apetece-me um cigarro agora tenho de desamarrar o puto e agora não posso correr se houver um incendio fico aqui com este bagulho a tropeçar-me nas pernas querida coça-me aí os rins que já estão dormentes troca-me a fralda do puto que já tenho a pança a cheirar mal isto era mais fácil noutros tempos mas espera:
Já inventaram os carrinhos de bebé e essas tretas.
Mas não, o verdadeiro conhecimento está numa tribo perdida em África, eles é que sabem como é que se cuida de um bebé, porque o verdadeiro conhecimento perdeu-se no tempo e vivemos numas trevas tecnocratas, felizmente eu eu e eu só eu, encontrei-o o conhecimento novamente num livro que só iluminados conhecem, um círculo gigante de iluminados que redescobriu as soluções medievais, - mas como é um medieval não-ocidental já é válido, só porque é distante e desconhecido - melhores que aquelas modernices imperialistas que a televisão vende,
Ok, já chega.
Venho dum restaurante da moda onde, a meio do jantar, topo um casal com um puto a sair. Ele, um marmanjo com idade para ter juízo, a demorar 10 minutos a amarrar o puto à volta dele com um pano às cores, tipo chefe tribal de Alvalade.
Puto ao colo, segura o puto, puxa toalha, enrola, cruza, enrola, dá nó enrola cruza. Demorou o suficiente para pensar o que aconteceria se o gajo se esquecesse do telemovel no bolso da camisa ou como é que ia mijar, a cabeça do puto à frente foda-se não vejo a gaita ops já mijei uma perna não a minha a do puto raisparta apetece-me um cigarro agora tenho de desamarrar o puto e agora não posso correr se houver um incendio fico aqui com este bagulho a tropeçar-me nas pernas querida coça-me aí os rins que já estão dormentes troca-me a fralda do puto que já tenho a pança a cheirar mal isto era mais fácil noutros tempos mas espera:
Já inventaram os carrinhos de bebé e essas tretas.
Mas não, o verdadeiro conhecimento está numa tribo perdida em África, eles é que sabem como é que se cuida de um bebé, porque o verdadeiro conhecimento perdeu-se no tempo e vivemos numas trevas tecnocratas, felizmente eu eu e eu só eu, encontrei-o o conhecimento novamente num livro que só iluminados conhecem, um círculo gigante de iluminados que redescobriu as soluções medievais, - mas como é um medieval não-ocidental já é válido, só porque é distante e desconhecido - melhores que aquelas modernices imperialistas que a televisão vende,
Ok, já chega.
sexta-feira, abril 04, 2014
O excepcionalismo tuga
Infelizmente é muito focado no fado, o tuga é determinista desde que nasce por culpa do fado. A sina, a morte a dor a saudade, essa treta toda que fica bem em poemas, o D. Sebastião que não volta, é todo um povo à sombra de um destino para lá do nevoeiro. No fundo, temos orgulho de ser uma espécie de Jamaica pouco optimista.
nota: inadvertidamente, este post é determinista.
nota: inadvertidamente, este post é determinista.
quinta-feira, abril 03, 2014
O humor
Eu pensava que tinha a coisa controlada. Apesar da quantidade de Monty Python, ia consumindo mais e mais stand-up americana, e cada vez mais visceral: comecei no Louis CK, passei para o Carlin, depois Bill Hicks, Richard Prior e cada vez mais para trás.
Mas mesmo assim não percebo bem o humor daquela gente. Deve ser todo observacional. Piadas com pretos, deficientes, indianos, asiaticos - já nem uso "chineses" -, minorias no geral, nem pensar nisso, qualquer coisa no ar da California faz com que piadas politicamente incorrectas sejam todas borderline, mas fazer piadas com Deus ou com o Jesus já é tolerado. Fiquei sem perceber onde é que ficava o humor negro, parece que não tem expressão. A título de exemplo: uma noite joguei este jogo, que aconselho a toda a gente, e a equipa portuguesa era a melhor a jogar. Porque, lá está, não tinha o chip do politicamente correcto implantado.
Mas mesmo assim não percebo bem o humor daquela gente. Deve ser todo observacional. Piadas com pretos, deficientes, indianos, asiaticos - já nem uso "chineses" -, minorias no geral, nem pensar nisso, qualquer coisa no ar da California faz com que piadas politicamente incorrectas sejam todas borderline, mas fazer piadas com Deus ou com o Jesus já é tolerado. Fiquei sem perceber onde é que ficava o humor negro, parece que não tem expressão. A título de exemplo: uma noite joguei este jogo, que aconselho a toda a gente, e a equipa portuguesa era a melhor a jogar. Porque, lá está, não tinha o chip do politicamente correcto implantado.
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| basicamente, uma carta diz MATA e a outra diz ESFOLA |
quarta-feira, abril 02, 2014
Culturas
Na verdade a maior diferença cultural que encontrei está nas sanitas. Não é uma análise superficial, não, a cultura de um país vê-se nos detalhes do dia-a-dia. Isto pode parecer conversa, mas atentem:
Uma sanita americana tem água até acima e cada descarga manda um chapão de uns 30 litros. Praticamente dá para lavar os tomates naquilo, não estou a exagerar.
Uma sanita europeia tem um resto de água no fundo e descarrega 10 litros.
É isto.
Morra a cultura morra. Pim.
Uma sanita americana tem água até acima e cada descarga manda um chapão de uns 30 litros. Praticamente dá para lavar os tomates naquilo, não estou a exagerar.
Uma sanita europeia tem um resto de água no fundo e descarrega 10 litros.
É isto.
Morra a cultura morra. Pim.
Fui ao supermercado
Já não pagava tão pouco à saida há 3 meses.
Não é que as coisas estejam baratas. Mas lá do outro lado são o dobro. Menos a junk food.
Não é que as coisas estejam baratas. Mas lá do outro lado são o dobro. Menos a junk food.
Exemplo
Aqui na minha zona, houve obras na rua.
A minha rua é agora o sonho de um empreiteiro de conluio com um presidente de Junta, arquitectado por um estagiário.
Pavimentos vários. Rampas para cadeira de rodas. Lombas. Mais lombas. Raias. Traços contínuos, interrompidos e mistos. Pinos de plástico. Pinos de metal. Passadeiras. Estacionamento em espinha diagonal. Sinalização horizontal sortida.
Isto tudo na mesma área que estava disponível antes, que não era muita. Uma rua de sentido único, apertada. Agora atravesso a minha rua e parece que estou no Portugal dos pequenitos. 3 passos e já passei 4 tipos de sinalização diferente.
A minha rua é agora o sonho de um empreiteiro de conluio com um presidente de Junta, arquitectado por um estagiário.
Pavimentos vários. Rampas para cadeira de rodas. Lombas. Mais lombas. Raias. Traços contínuos, interrompidos e mistos. Pinos de plástico. Pinos de metal. Passadeiras. Estacionamento em espinha diagonal. Sinalização horizontal sortida.
Isto tudo na mesma área que estava disponível antes, que não era muita. Uma rua de sentido único, apertada. Agora atravesso a minha rua e parece que estou no Portugal dos pequenitos. 3 passos e já passei 4 tipos de sinalização diferente.
terça-feira, abril 01, 2014
Constatações
- Aqui nem toda a gente anda de iPhone no metro.
- Aqui comem-se doses generosas mas ao tamanho do país.
- Aqui perde-se muito tempo a discutir com anões mentais.
- Aqui não há muita honestidade intelectual.
- Aqui não se resolve nada.
- Aqui gostam de adiar.
- Aqui perde-se muito tempo no micro-management.
- Aqui há bicas.
- Aqui chove o tempo todo.
- Aqui o tédio cheira a bolor.
- Aqui tenho mais que fazer.
segunda-feira, março 31, 2014
Comé?
Troquei dias de t-shirt ao sol a andar de bicla e máquina fotográfica às costas por isto? não me fodam.
De volta.
Filhos da mãe, que chego a Portugal e a primeira coisa que apanho é a puta da conversa da crise. Argh calem-se com a crise, foda-se, não há crise, é o mundo, o mundo é que é mesmo assim, não é crise. Dêem nome à crise. Escolham um. Passos. Relvas. Cavaco. FMI. Gente burra à escolha. Mas pá se querem que isto mude, apontem para gente que possam influenciar e façam por responsabilizar e cobrar de volta. Não digam Passos e depois votem Seguro. Isso assim é como tentar matar as baratas bebendo um shot de raticida. Apontem. Mas apontem bem. Na propaganda normal, despersonaliza-se o inimigo, inventam-se umas generalidades fáceis de odiar. Cá não.
Hoje chove que se farta. O português vai dizer "ah, o São Pedro hoje bla bla". Epá não. É uma massa de ar quente, não é um velhinho de barbas no céu. É o mesmo que fazem com a merda da crise. Não é a crise, é o Passos. Ou outra coisa qualquer. Percebam qual é: se o gajo do autocarro que não se cala com a conversa do Salazar ou a Paula Bobone ainda ter acepipes à borla em aberturas de centro comercial, o Markl a fazer a 12ª versao renomeada do homem que mordeu o cão em 2014, o Marques Mendes a fazer comentários com aquele ar de menino tonecas, as manifs na Escada, sortear audis em vez de promover o pagamento de impostos com medidas decentes ou aquele programa da tropa do humor que vi em zapping ( Pensei que era Jet lag mas aquilo existe mesmo ), não interessa onde está a culpa. Mas arranjem um culpado. A crise não conta.
Tinha saudades disto.
Hoje chove que se farta. O português vai dizer "ah, o São Pedro hoje bla bla". Epá não. É uma massa de ar quente, não é um velhinho de barbas no céu. É o mesmo que fazem com a merda da crise. Não é a crise, é o Passos. Ou outra coisa qualquer. Percebam qual é: se o gajo do autocarro que não se cala com a conversa do Salazar ou a Paula Bobone ainda ter acepipes à borla em aberturas de centro comercial, o Markl a fazer a 12ª versao renomeada do homem que mordeu o cão em 2014, o Marques Mendes a fazer comentários com aquele ar de menino tonecas, as manifs na Escada, sortear audis em vez de promover o pagamento de impostos com medidas decentes ou aquele programa da tropa do humor que vi em zapping ( Pensei que era Jet lag mas aquilo existe mesmo ), não interessa onde está a culpa. Mas arranjem um culpado. A crise não conta.
Tinha saudades disto.
quinta-feira, março 20, 2014
A dica mais importante para viver nos States
Sabem quando vão a um franchise qualquer de fast food em Portugal e o empregado, seguindo um manual de normas que não lhe diz nada, vos pergunta meio automaticamente se vão querer batatas extra ou uma coca-cola grande?
A maior parte das pessoas diz sim, só para o calar.
Essa técnica não funciona nos States.
Nesta terra há sempre resposta. Se digo que sim, quero queijo no hamburguer só para o gajo se calar e não me chatear mais os cornos com perguntas, vai-me perguntar que tipo de queijo quero e como não consigo lembrar-me rapidamente de nenhum queijo sem ser flamengo, o gajo vai debitar a ladainha habitual cheddar parmesian swiss foda-se e eu tenho de escolher um quando nem sei o que é que é suposto ser o sabor de um queijo qualquer num hamburguer.
Por isso: Digam sempre "não".
Ou se querem destruir as fundações do capitalismo, "You choose".
A maior parte das pessoas diz sim, só para o calar.
Essa técnica não funciona nos States.
Nesta terra há sempre resposta. Se digo que sim, quero queijo no hamburguer só para o gajo se calar e não me chatear mais os cornos com perguntas, vai-me perguntar que tipo de queijo quero e como não consigo lembrar-me rapidamente de nenhum queijo sem ser flamengo, o gajo vai debitar a ladainha habitual cheddar parmesian swiss foda-se e eu tenho de escolher um quando nem sei o que é que é suposto ser o sabor de um queijo qualquer num hamburguer.
Por isso: Digam sempre "não".
Ou se querem destruir as fundações do capitalismo, "You choose".
terça-feira, março 04, 2014
Tarifa intercontinental
Uma nota sobre política: Preciso explicar como é que funciona o sistema partidário aqui. É bipartidário, o que parece incoerente quando há tanta escolha para tudo. Mas não.
Os americanos são algo parecidos com os nossos taxistas.
Há taxistas de esquerda e taxistas de direita. Mas nunca deixam de ser taxistas.
Um taxista é um predestinado. Nasceu para lutar. Nasceu na terra lá longe. Foi para Lisboa. Foi para fora, para Toronto, para Londres, para Newark. Um taxista é um pioneiro e um visionário. Um taxista arrisca a vida todos os dias. Não tem tempo a perder com opiniões de chacha. Ou é, ou não é. Não há grey-areas. Debate? não há tempo. Educar? não há tempo. Isso pode-se tratar depois. Antes é preciso pagar contas. E a conversa é bonita, mas levar pessoal esquisito para a Brandoa às 3 da manhã é bom para o preto. Fazer serviços com ciganos? faz tu.
Os americanos foram criados neste mindset. Cada um por si. Deus sabe de todos mas só ajuda os audazes. A vida é uma selva. E todas aquelas frases feitas e citações de Sun Tzu em jpeg.
O bipartidarismo surgiu por causa da alergia a bullshit: Não se perde tempo com meias opiniões, porque as opiniões que importam surgem de crenças bem profundas. Sendo americano - o tal que não tem problemas com nada porque é um emigrante na sua própria terra - , não há problemas em dizer a sua real opinião sobre qualquer coisa. É-se livre. Se usa peugas às cores, é pro-choice. Se tem um carro que gasta mais de 20 litros aos 100, é contra a eutanásia. Se é alergico ao gluten, é contra a guerra.
Em Portugal, somos iguais. As opiniões que importam existem. Só não há é muitos portugueses com lata para ser um César das Neves.
Os americanos são algo parecidos com os nossos taxistas.
Há taxistas de esquerda e taxistas de direita. Mas nunca deixam de ser taxistas.
Um taxista é um predestinado. Nasceu para lutar. Nasceu na terra lá longe. Foi para Lisboa. Foi para fora, para Toronto, para Londres, para Newark. Um taxista é um pioneiro e um visionário. Um taxista arrisca a vida todos os dias. Não tem tempo a perder com opiniões de chacha. Ou é, ou não é. Não há grey-areas. Debate? não há tempo. Educar? não há tempo. Isso pode-se tratar depois. Antes é preciso pagar contas. E a conversa é bonita, mas levar pessoal esquisito para a Brandoa às 3 da manhã é bom para o preto. Fazer serviços com ciganos? faz tu.
Os americanos foram criados neste mindset. Cada um por si. Deus sabe de todos mas só ajuda os audazes. A vida é uma selva. E todas aquelas frases feitas e citações de Sun Tzu em jpeg.
O bipartidarismo surgiu por causa da alergia a bullshit: Não se perde tempo com meias opiniões, porque as opiniões que importam surgem de crenças bem profundas. Sendo americano - o tal que não tem problemas com nada porque é um emigrante na sua própria terra - , não há problemas em dizer a sua real opinião sobre qualquer coisa. É-se livre. Se usa peugas às cores, é pro-choice. Se tem um carro que gasta mais de 20 litros aos 100, é contra a eutanásia. Se é alergico ao gluten, é contra a guerra.
Em Portugal, somos iguais. As opiniões que importam existem. Só não há é muitos portugueses com lata para ser um César das Neves.
segunda-feira, março 03, 2014
No Bulshit
O tal empreendedorismo aqui só é mal visto porque ( e quando ) é talvez 50 vezes mais ambicioso e ganancioso que em Portugal. Mas tem uma vantagem espetacular: No Bullshit. Um gajo vazio de ideias não consegue faze-las vingar só porque usa aqueles termos de cripto-marketing, o alavancar, a capacitação, essa merda, à gajo-de-bater-punho, mambo-jambo enlatado, no máximo consegue vender uns livros e fazer umas palestras à conta disso. Isto é, ganha uns cobres. O que aqui, não é nada mal visto.
Nota: pelos critérios daqui, sou um comuna artista.
Nota: pelos critérios daqui, sou um comuna artista.
O inglês do States
terça-feira, fevereiro 25, 2014
Nostalgia
Já estou aqui há um par de meses. No outro dia comecei a enumerar as saudades, e a dado momento na lista volto aos tascos. E Lisboa. O rio e o Cais do Sodré.
Uma coisa que tenho saudade dos tascos é o tempo. Aqui não há tempo. Estes tipos acham que trabalham muito porque estão muitas horas a trabalhar. Nós trabalhamos melhor, e isto está directamente relacionado com o tempo no almoço. Ir a um tasco bate qualquer restaurante americano no que toca a atendimento. Aqui são provavelmente mais solícitos, mais rápidos, e as doses são ainda maiores que num tasco. Até oferecem toda a coca-cola e água com gelo que quisermos.
Mas perco muito tempo a escolher o que quero comer. Dão-me sempre opções. E eu não quero opções, não quero pensar em opções. Acho que mereço não pensar em opções já que estou a pagar pelo trabalho de outros - aqui só estarei a pagar se pagar gorjeta, o que é uma tanga de uma sistema - para me servirem. Isso devia estar incluido no preço. Mas não: hamburguer? mal, bem, médio? Batatas? chips, fries, sweet? sauce? sour, mayo, spicy, medium spicy? Coke? small ( big ), medium, large? E depois disto tudo, quando acabo o prato, o que é dizem? nada. Passados 10 segundos de largar os talheres, metem a conta na mesa e desaparecem. Fazem isto até num restaurante vazio e sem mais clientes a chegar.
Mas eu entro no tasco e o sr. Martins já sabe que eu quero aquele prato que está a sair pouco nesse dia mas que está especialmente bom. Eu vou insistir no bitoque e vou ouvir que me vou arrepender. Ou no outro tasco, onde o outro gajo me pergunta se já alguma vez me arrependi de comer o que ele disse para comer. E vou comer com calma e esperar 10 minutos até me perguntarem se quero mais alguma coisa, o cafézinho ou a sobremesa, mais 5 minutos para o café e depois de pedir 2 ou 3 vezes, lá vem a conta. Isto é que é vida.
Uma coisa que tenho saudade dos tascos é o tempo. Aqui não há tempo. Estes tipos acham que trabalham muito porque estão muitas horas a trabalhar. Nós trabalhamos melhor, e isto está directamente relacionado com o tempo no almoço. Ir a um tasco bate qualquer restaurante americano no que toca a atendimento. Aqui são provavelmente mais solícitos, mais rápidos, e as doses são ainda maiores que num tasco. Até oferecem toda a coca-cola e água com gelo que quisermos.
Mas perco muito tempo a escolher o que quero comer. Dão-me sempre opções. E eu não quero opções, não quero pensar em opções. Acho que mereço não pensar em opções já que estou a pagar pelo trabalho de outros - aqui só estarei a pagar se pagar gorjeta, o que é uma tanga de uma sistema - para me servirem. Isso devia estar incluido no preço. Mas não: hamburguer? mal, bem, médio? Batatas? chips, fries, sweet? sauce? sour, mayo, spicy, medium spicy? Coke? small ( big ), medium, large? E depois disto tudo, quando acabo o prato, o que é dizem? nada. Passados 10 segundos de largar os talheres, metem a conta na mesa e desaparecem. Fazem isto até num restaurante vazio e sem mais clientes a chegar.
Mas eu entro no tasco e o sr. Martins já sabe que eu quero aquele prato que está a sair pouco nesse dia mas que está especialmente bom. Eu vou insistir no bitoque e vou ouvir que me vou arrepender. Ou no outro tasco, onde o outro gajo me pergunta se já alguma vez me arrependi de comer o que ele disse para comer. E vou comer com calma e esperar 10 minutos até me perguntarem se quero mais alguma coisa, o cafézinho ou a sobremesa, mais 5 minutos para o café e depois de pedir 2 ou 3 vezes, lá vem a conta. Isto é que é vida.
sábado, fevereiro 22, 2014
Daqui à distância
Este país aqui é enorme, novo, e feito por gente que não é de cá - aos de cá limparam-lhes o sebo em grande quantidade - e como tal tem facilidade em executar certos malabarismos que podem ser complicados para um país antigo de quase um milénio. Estes tipos são desapegados. São desapegados ao material que apreciam. Sim, gostam muito da sua televisão de 50 polegadas, mas deixam de gostar assim que surge a de 70 polegadas. Têm esta facilidade de largar tudo. As casas são de madeira. Fazem-se e desfazem-se a cada tornado. Tentam fazer alguma de tijolo? não. Refazem-na de madeira. Ou mudam de estado. Começam do zero. Criam coisas novas. Há algo no caminho disso? deite-se por terra. Não custa muito, são só coisas, prédios ou ideias. Tudo se renova menos a sacrossanta constituição.
Por aí, temos muita dificuldade em deixar ir. Somos hoarders, nisso. Ter muita história antiga não nos ajuda a criar uma nova. O terror de perder a calçada portuguesa foi um exemplo. Não é a solução ideal, mas não a descartamos, nem em parte. Guardamos tudo no sótão e vamos deixando acumular e ganhar pó, mesmo que dê um ataque de asma ou um tralho semanal pela escada abaixo. Não demolimos nada, deixamos expirar. O Porto é um bocado assim. A Ribeira toda não cai porque é de pedra. Mas já expirou.sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Coisas que me deixam preocupado
O debate sobre a calçada portuguesa.
Vamos lá ser práticos. A puta da calçada não dá jeito. De tempos a tempos dou tralhos monumentais em frente ao Monumental, Deus a ver e não me ajuda, escorregando na puta da calçada. Reparem, não ando de saltos. Nem de sapato italiano. Metam pisos decentes onde eles fazem falta, é uma escolha racional. São estas merdas que me deixam preocupado, porque não há muita racionalidade nas discussões, também faz parte de ser português ser exagerado e dramático, e isto é algo que sei que é possível resolver de um modo racional e atempado, por outro lado sei que o Poder acaba por fazer o que entende porque podemos ficar a discutir temas como este ou a qualidade dos candeeiros do Chiado durante uma semana inteira e o pessoal - até os funcionários públicos - tem mais que fazer. Estou a imaginar um Prós-e-Contras à volta deste tema na próxima semana.
Vamos lá ser práticos. A puta da calçada não dá jeito. De tempos a tempos dou tralhos monumentais em frente ao Monumental, Deus a ver e não me ajuda, escorregando na puta da calçada. Reparem, não ando de saltos. Nem de sapato italiano. Metam pisos decentes onde eles fazem falta, é uma escolha racional. São estas merdas que me deixam preocupado, porque não há muita racionalidade nas discussões, também faz parte de ser português ser exagerado e dramático, e isto é algo que sei que é possível resolver de um modo racional e atempado, por outro lado sei que o Poder acaba por fazer o que entende porque podemos ficar a discutir temas como este ou a qualidade dos candeeiros do Chiado durante uma semana inteira e o pessoal - até os funcionários públicos - tem mais que fazer. Estou a imaginar um Prós-e-Contras à volta deste tema na próxima semana.
O país daqui ao longe
Vivemos num paraíso perdido, é o que me parece daqui. É complicado explicar isto, mas os Portugueses são principes, há uma nobreza na ingenuidade com que vamos sendo um povinho preocupado, e preocupado é o problema maior, com o que nos assola, o poder é que nos assola mais, nisso somos do pior, mas dizia somos um povo preocupado. Não somos tristes, somos preocupados. Deixamos andar e andamos preocupados. Não resolvemos, ficamos preocupados, sabemos o que vem lá, mais cedo ou mais tarde. Perdemos o tempo nisto em vez de começar qualquer coisa do zero. E quando um tuga consegue ir além deste fado adiado, emigra. É mais fácil que deixar de se preocupar com o que não muda.
Nota do emigrante temporário que diz sempre que não quer sair de Portugal porque gosta mesmo do país onde vive:
Apesar de tudo o que os taxistas possam dizer, Portugal não tem exclusividade nem particular tendência na burrice, Isto só em Portugal, dizem os taxistas com uma moca de Rio Maior numa mão e uma sandes de torresmos na outra. Não, isso que só acontece em Portugal acontece em todo o lado. O que não acontece em todo o lado é termos um país espetacular ( ainda que cheio de taxistas ).
Nota do emigrante temporário que diz sempre que não quer sair de Portugal porque gosta mesmo do país onde vive:
Apesar de tudo o que os taxistas possam dizer, Portugal não tem exclusividade nem particular tendência na burrice, Isto só em Portugal, dizem os taxistas com uma moca de Rio Maior numa mão e uma sandes de torresmos na outra. Não, isso que só acontece em Portugal acontece em todo o lado. O que não acontece em todo o lado é termos um país espetacular ( ainda que cheio de taxistas ).
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
Os nomes
Fui perder-me pelo deserto. Aqui há deserto. O deserto é grande e imponente. Em Portugal o mais parecido que temos com o deserto é a Amareleja. O Alentejo é vasto mas não é imponente. É só bonito. É do nome. Uma terra que se chama Amareleja não pode ser imponente, é só quente e isolada. Aqui eles resolveram isso, acho que por compensação. O Americano é um ser social, já reparei. Fala, fala, fala, expõe, troca, fala, vende. Um Americano que vai viver para o deserto tem de justificar-se perante os outros Americanos. Por isso tiveram cuidado com os nomes. Um deserto aqui chama-se Death Valley. É melhor que Amareleja. Dizer que se vive ao pé de Furnace Creek é diferente de dizer que se vive ao lado de Aljustrel. Há sempre uma maneira de vender qualquer coisa aqui. Nem que sejam só nomes.
sexta-feira, fevereiro 07, 2014
quarta-feira, fevereiro 05, 2014
A cena dos quadros do Miró
Os americanos são burros, diz a tradição. Realmente, ando por aqui e encontro coisas deprimentes. É os chapéus do Duck Dinasty no supermercado, é aquelas tretas plantadas à beira da estrada, dinossauros em tamanho real feitos de sucata, aquelas road-side atractions dos lumox, essas bimbalhices todas. E este pessoal paga por isso. Gastam dinheiro, que não é pouco, nessa merda.
Mas também gastam dinheiro no Moma e no SFMOMA, para ver Picassos, Van Goghs, Pollocks e... Mirós. terça-feira, fevereiro 04, 2014
O país do Lessaz Faire
Sabemos como é: chegamos a outra terra e não temos ninguém conhecido, ninguém a quem damos importância, nenhuma família num raio de 2000 km e começamos a portar-nos de maneira diferente. Agora imagine-se um continente inteiro feito de emigrantes. Aqui ninguém tem problemas em fazer figura de emigrante, tanto que é a figura habitual que fazem. Acho que é isso que é ser americano: ser um emigrante à vontade. Ninguém deve nada a ninguém, não há horas para nada, metem conversa sobre qualquer assunto com qualquer pessoa - um género de Bairro Alto nos anos 90, onde havia tertulias em cada mesa - que encontram na fila do supermercado ou na paragem do comboio, debatem todo o tipo de temas no autocarro e desmontaram o significado de despropositado. Pode-se fazer tudo até que a lei diga alguma coisa em contrário.
sábado, fevereiro 01, 2014
A Califórnia é o mundo ao contrário
Ontem fui jantar a um restaurante português. As saudades apertavam, pegámos no carro e fizemos 20 km para comer um bitoque.
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