quinta-feira, novembro 20, 2014

Soa-me tudo ao mesmo II

A mamã quer ser mulher
O papá toma aspirina
O banzé que o gato fez
Na cabeça da menina

Tira o chapéu à entrada
O menino bate o pé
O tio Zé faz papada
chinelo na tromba, bebé

Pedante comercial
musica de fachada
Não fica no ouvido
Quando não rima.

Falo à grande
a fala de patrão
frases perfeitas
feitas de raspão


Nota: Não posso perder mais tempo útil da minha vida com albuns deste gajo: são sempre cantados com falta de ar e as letras têm sempre a mesma construção, que é uma entremeada de frase banal com frase de subentendido com a frase banal sempre com um jogo de palavras, paranomásias, aliterações e assonâncias. E quem ouvir Fachada confirme isto, que é óbvio.


quarta-feira, novembro 19, 2014

Ouvi B Fachada e lembrei-me I


Estou a pensar sei lá
Perdi a cabeça vá
Tomei a parte pelo todo
Vi tudo passar, tá

Comi presunto por bom
Cantei fora de tom
Tomei a parte pelo todo
Não percebo de som

Pequei na guitarra pequei
Quando pediram larguei
Tomei a parte pelo todo
Devia ser contra a lei

Fui à feira de chinelos
Comi sopa de Alfornelos
Tomei a parte pelo todo
Nunca fiz versos tão belos
Mas a minha mãe diz que não.

terça-feira, novembro 18, 2014

Não, isto não muda nada.

A coisa mais medieval que vejo na televisão neste momento são aqueles planos de pessoas de boca aberta que entremeiam todas as actuações naqueles programas tipo chuva de estrelas e afins ( sim, referência com 20 anos, eu sei ). São a actualização da gargalhada enlatada, mas para todas as situações possíveis.

António Zambujo, B Fachada, Luisa Sobral:

Expliquem-me como é que a voz de corneta passou a ser bem vista? Parece que estão sempre com uma insuficiência polmunar.

segunda-feira, novembro 17, 2014

Comissão de inquérito

Tomando como referência todas as comissões de inquérito e a sua função primordial de encontrar culpados mas dissipar a culpa até que não se possa atribui-la a ninguém, ver que a comissão de inquérito para o BES vai ser a maior de sempre e que já prevêem que vai demorar meses em trabalho, já estou a ver a quantidade de conclusões a que vão chegar.


Corrupção, the drug of a nation.

sábado, novembro 15, 2014

O Natal é assim, diz a Worten

A Worten lançou o seu anúncio de Natal. Habituada a vender tablets, telemóveis e máquinas fotográficas de todos os feitios a toda a gente, este ano deve ter tido uma surpresa enorme quando o pessoal do marketing descobriu que o seu público deixou de ser toda a gente e tinha passado a ser a marca de eleição dentro de um fenómeno fruto das políticas do governo: A fuga de cérebros.




A Worten sabe que o Natal é sobre ligar as pessoas e torná-las mais próximas, como a nokia. E este ano resolveu fazê-lo ligando um família a que vou chamar de Família Vasconcelos de Sá. Cientes do novo target, - gostava de ver os estudos de mercado que indicaram isto, a sério - escolheram uma família perfeita(mente) queque. O piano delicodoce que me começa a encher um bocado a paciência acompanha o filme do princípio ao fim porque sem ele a realidade das imagens ia mostrar uma felicidade absoluta, sem espaço para a saudade, para a distância. A criança feliz brinca com a mãe numa casa de revista que podia ser nas Avenidas Novas de Lisboa ou em Cascais, mas não: Há lá pelo meio um plano com neve imaculada lá fora. Só pode ser um país mais a norte. O marido está no trabalho ( só pode ser engenheiro, com uma casa destas no norte da Europa ou da América ). Depois vamos descobrindo os seus pais, que ficaram para trás. Não sei se sentem que ficaram para trás. Mas não conseguimos descobrir onde ficaram.  Nada parece Portugal. A avó Vasconcelos de Sá lembra a neta enquanto toca piano, o avô Vasconcelos montou a árvore de Natal na sala com a janela panoramica a dar para o mar e para a piscina. "Está imenso frio aqui", diz a filha, lá no norte, enquanto os pais se banham na piscina. Aqui finalmente percebi que não estão em Portugal. Isto é quente mas não é o Rio de Janeiro. Pela arquitectura, diria que estão em Malibu. Ou então isto é só uma história de saudade dentro uma família rica, mas não o suficiente para ajudar a filha a não ter de emigrar, contada em Agosto.

quinta-feira, novembro 13, 2014

Legionella Andrade

Neste país de bimbos, a linha da frente é ocupada pelos bimbos dos jornalistas. O jornalismo português está muito longe do jornalismo sensacionalista de outros países mas não deixa de ter muito podre. Engana. Como é educado e calmo, como o povinho, habituado a essa conversa dos brandos costumes, passa por baixo do radar. A Legionella foi o orgasmo do ébola que não veio. Semanas de tensão e nem um emigrante sequer com ébola. Nem médicos. Nem enfermeiros. Nada. A Legionella veio acabar este coito interrompido e foi ver jornlistas a fazer os directos de Vila Franca, ground zero da emergência, o tom de alívio, finalmente uma coisa com escala, o garbo de saber que é a maior crise de Legionella em anos, vamos ter entrada na wikipedia, vamos ser um caso de estudo. Somos uns bimbos.

* Tinha de fazer aquele título.

terça-feira, novembro 11, 2014

O chão é que é torto

Pensei, preciso de uma rede na chaminé, está sempre a cair lixo cá em baixo. Pensei, vou fazer a solução mais simples possível e que cause o mínimo de estrago. Loja do chinês, pack de filtro do fogão com quadrados de fita cola dupla incluida. Chego a casa, fogão para o lado, cadeira para chegar lá acima, colo a fita cola na chaminé, colo a rede à fita cola. Chego a casa passado 8 horas. Rede está no chão, quadrados de fita cola não pegam. Fogão para lado, cadeira para chegar lá acima, colo fita cola normal em quantidade na chaminé, colo a rede à fita cola. Chego a casa passado 8 horas. Rede está no chão,  fita cola em quantidade não pega. Loja do chinês, imans de frigorifico para colar à parede e poder retirar a rede a qualquer altura. Chego a casa, desmonto os imans, fogão para o lado, cadeira para chegar lá acima, pistola de cola, colo os imans à chaminé, pego na rede e nos outros imans e os imans são fracos. Caiu um ao chão. Foi para debaixo da bancada da cozinha. Desço da cadeira, desmonto mais um iman na sala. Subo a cadeira, pego na rede e nos outros imans e os imans são fracos. Caiu outro ao chão. Foi para debaixo da bancada da cozinha. Desço da cadeira, desmonto mais um iman na sala. Subo a cadeira, pego na rede e nos imans que restam e os imans são fracos. Desço da cadeira, pego na pistola de cola, colo a rede nos imans porque não estou para os descolar. Depois meto cola a ferver num dedo, sem barafustar porque estou preso dentro da chaminé. Colo a rede ao iman.

Moral da história: Mais valia ter ficado no sofá.

domingo, novembro 09, 2014

As testemunhas de Jeová são como os taxistas


Abri a porta por engano e aparece uma velhinha muito simpática que me pergunta quem controla o mundo.
Apesar de saber onde isto ia dar, não consegui dizer que não estava interessado, porque estava interessado em responder. Apliquei o modelo de conversa que aplico aos taxistas. Instalo a dúvida, colho conclusões.
- Ah, ninguém. É auto-regulado ( aqui ainda não tinha visto o folheto ).
- Acha mesmo?
- Claro. Tudo o que acontece é mesmo assim.
- Acha que Deus não teve o objectivo de fazer um mundo perfeito para vivermos?
- Bom, o mundo não é bem perfeito para viver. Ou então andamos a construir casas demasiado a norte, olhe o frio que faz.  Não deviamos precisar de tanta roupa.
- Mas como é que acha que tudo acontece como devia acontecer? Há pessoas mesmo más.
- Nah, isso somos todos.
- Não acredita em Deus?
- Como as outras pessoas, só quando estou mesmo à rasca.
- Não acha que há uma ordem em que as coisas são feitas? sem ser física, química... ( vê-se logo que a doutrina é feita por americanos, qual é o tuga que fala de física para questionar Deus? Um tuga sabe que Deus não existe porque nunca ganhou o totoloto ou porque o Benfica não ganhou a semana passada )
- Tem dias.
- Sabe, quem manda no mundo é Satanás.
- Ah.

Conclusões deste tempo recorde que passei com uma testemunha de Jeová: Estão a ficar melhores, dantes eu abria a porta e começavam a debitar sem parar até eu conseguir apanhar-lhes uma pausa para respirar para os conseguir interromper. Ao contrário dos taxistas, estes não têm dúvidas em nada. Um taxista ainda se questiona porque respeita as hierarquias: Pessoas de fato, Pessoas que sabem de bola como eles, Pessoas que dizem coisas mais estranhas que eles.

quinta-feira, novembro 06, 2014

Ideia grátis

Vendam uns frascos de shampoo a um décimo do preço só com um resto no fundo  e um autocolante "adicione água antes de usar.". Isto dura pelo menos uma semana.

Daqui à noite

A esta hora, a Morais Soares só tem putos de capuz, gente a ir à farmácia à procura de creme para o pé de atleta e taxistas a caminho da padaria.
Tropecei num taxista a sair da padaria. A cabeça caiu-me pela calçada abaixo e só a apanhei à boca do metro de arroios, entrada nascente, depois de uma corrida meio atabalhoada onde perdi o pé esquerdo. Recompus-me apenas para descobrir o estado em que tinha ficado o meu pé. Atleta? Capuz.



Disclaimer:

quarta-feira, novembro 05, 2014

Fico sempre na dúvida





A casa dos segredos ajuda a mudar mentalidades ou não? É que esta miuda é, para todos os efeitos, uma libertária.


 

segunda-feira, novembro 03, 2014

O mais perverso

O que é mais lixado neste mundo onde passamos o tempo a reclamar, é que no fundo ele nunca foi tão bom como é agora.

O escritório politicamente correcto

Num escritório onde o inglês é obrigatorio todos os dias mas onde ainda há muitos portugueses, observo este fenómeno que não posso dizer que seja negativo mas que revela como é complicado ser emigrante, por exemplo.

Um tipo entra de manhã e diz em português:
- bem, ontem estava em casa à noite, tipo às 10, e os vizinhos de baixo estavam a comer-se. Quando chega a hora, o gajo solta um urro que parecia um urso. O prédio todo deve ter ouvido aquilo. Vou olhar a vizinha com outros olhos, agora.

O mesmo tipo diz em inglês:
- 'morning people. How was the weekend?

domingo, novembro 02, 2014

Sobre os piropos

Vi por aí muita reacção ao tal video dos piropos. Achei importante revelar que há solução e que há muito piropo decente. Os do vídeo eram piropos de trolha, quase todos. Cá ouvem-se perto de andaimes, ou vindos de camiões de mudanças.
Declamam-se assim ao longe ou em andamento porque um piropo, independentemente do nível formal, funciona como um boomerangue, atira-se para longe e a) leva-se com ele na tromba b) funciona. A distância é importante no caso dos de trolha porque 99% das vezes devem levar com ele na tromba ( estou a dar 1% de margem embora não acredite que seja possível ). O piropo de trolha é basicamente algo entre uma actividade desportiva ao ar livre e uma forma de performance artística. Não serve para nada senão passar tempo.
Como uma boa quantidade de problemas que a sociedade tem por resolver, o problema dos piropos resolve-se com educação. Não a educação entendida como vinda da "má-educação", mas a educação no geral. Escolas. Licenciaturas. Mestrados. Doutoramentos. Claro que estas coisas não resolvem nada no mundo - não há nada que por si só resolva alguma coisa no mundo, isso parte de todos individualmente - mas obrigam os labregos a deixar os os piropos de trolha face à concorrência crescente e a desenvolver piropos refinados - quando um piropo é refinado, educado, passa a chamar-se sedução - deixando eventualmente de ser labregos e isto tem a vantagem de, como efeito secundário, resolver todos os outros problemas da sociedade, nomeadamente civismo, corrupção, Marinhos Pintos ( o gajo tem cara de quem manda uns piropos daqueles tipo "pijama de cuspo" ), o Colombo cheio de gente ao domingo, a taxa de abstenção nas eleições, o Marinho Pinto ser eleito, ninguém ir preso por inside trading no BES. Quanto a acabar com os piropos com campanhas de sensibilização, esqueçam. É uma perda de tempo. Estão a tentar sensibilizar primatas. Como é que acham que o pessoal da casa dos segredos se reproduz? a declamar Keats?

quinta-feira, outubro 30, 2014

A Terceira Vaga

O empreendedorismo que tanto odiava e que agora me alimenta todos os dias, mudou. Bom, na verdade está na mesma, simplesmente já lhe consigo ver as nuances. Passou a ter uma corrente mainstream. O ciclo temporal que define quão cool uma coisa é está a aproximar-se do fim ( sim, empreendedorismo pode ser cool ). Este fenómeno observa-se em tudo, desde a publicidade ou a plantação de oregãos, até à industria de congelados da Póvoa do Varzim. Os Early Adopters já sairam do jogo, uma segunda geração já vinga, a terceira limita-se a macaquear as soluções que já viu que resultavam. O jargão mantém-se, a postura muda. A publicidade passa por isto. Claro que há sempre pioneiros a mudar o mercado neste momento, numa cave algures, mas esses só serão reconhecidos passados uns anos. Parte desta nova vaga de empreendedorismo ( eu estou nela, mas sou diferente, claro ) é só uma bandwagon. Pegam em modelos de negócio bem conhecidos ( exemplo: um restaurante, venda de serviços ) e dao-lhe uma pincelada de inovação, e isso aparentemente chega. Mas não chega. Por isso é que já estou cheio da porra dos restaurantes da treta, das "novas soluções com um toque de tradicional" e essa bacocada toda. Façam coisas novas. Parem de tentar inventar novos pasteis de nata. Parem de fazer coisas com hamburgers. Parem de meter cadeiras de cores diferentes nos cafés, não pintar o tecto sequer e ainda assim cobrar 2 euros por um café. Façam-me perceber porque é que hei-de pagar mais só porque são iguais a mais 30 cafés na mesma zona. Parem de empregar primas betas que demoram 20 minutos para fazer um café. Parem de me foder a cidade. Morram longe.

quinta-feira, outubro 23, 2014

Lisboa autofágica

O português tem um orgulho desmedido da sua comida. Vejo isto todos os dias, no orgulho com que recomendamos aquele tasco, o restaurante escondido que conhecemos e que, como iluminados, mais ninguém conhece, um prato de bacalhau que só há cá, o peixe só daquela tasca. É um dos produtos do país mais visíveis e dos que vendemos mais para quem cá vem, tanto comercialmente como culturalmente. Os restaurantes são do mais importante que temos, enquanto destino turístico. Mas não pela qualidade gastronómica. Os nossos pratos sabem sempre bem e isso é ponto assente. Não admira: usamos toneladas de condimentos, ervas, vinho, molhos, tudo para disfarçar o gosto original de tudo. E fica bom. Até pode ser carne má, peixe morto, não quero saber. Toda a gente sabe o que são as "grelhadas mistas" e a carne-ao-piri-piri. Não interessa. O que interessa é que lhe deram a volta e sabe bem. Os tascos funcionam assim e eu, declaradamente, gosto.

Vivermos habituados a este porto seguro que é a comida tem promovido a comida como negócio, repetindo-se até ao infinito em ofertas iguais, espalhadas pela cidade e pelo país. O modelo é sempre igual, pegue-se em algo tradicional e misture-se com o novo e é sempre bom. Soa bem? sim, mas a nossa comida real não é slow-food, essa espécie de versão heroica da fast food. A fast food usa truques básicos para nos enganar, adoçando tudo com açucar. A slow food que andam a vender adoça tudo com azeite premium, quadros de gis ( com letras manhosas ) e pechisbeques parecidos com antiguidades pelas paredes.

Isto dos restaurantes novos é como os minetes, toda a gente acha que é o melhor do mundo naquilo, mas na realidade só uns quantos é que se safam. É deixá-los estar.



Disclaimer: eu gosto de tascos genuínos e de tudo, desde que tudo seja só o que é.

terça-feira, outubro 21, 2014

Avarias, memória descritiva

Ano da Era do Senhor de 2014, a casa para memória futura e para a senhoria não dizer que fui eu que lhe lixei o apartamento:

Da entrada à sala vão dois passos, no primeiro a primeira tábua range ao primeiro calcanhar mas cala-se assim que passo além. Há tábuas comidas pelo bicho da madeira. O interruptor oscila no eixo do x mas também no y, o que é mau sinal. Dou-lhe pouco tempo, a andar assim de lado. Não arranquei os 3 pregos da parede da sala que parecem poder ter pendurado um baloiço em tempos. Todas as lampadas da casa rebentam de mês a mês, tirando a do frigorifico, que é azul e fraca. É pena, queria lá por uns leds do tunning que fizessem o frigorifico mais interessante para os que lá vivem. O corredor em meia cana está a abaular. Não fui eu. As luzes do corredor, não as substitui. Acho que os cantos queimados à volta dos casquilhos são prova do mau design original. Na cozinha, continuo a admirar a colecção de interruptores de parede que não dão a lado nenhum. Ainda não descobri para que serviriam. Não lhes vou mexer. As mini-gavetas onde só cabem facas na diagonal também não lhes vou mexer, continuo a usar só talheres de sobremesa. Lembrei-me disto tudo porque a toalha desequilibrou-se a secar no varão e caiu na sanita, e não fui mesmo eu.

Deixem-se de tretas

Se querem mostrar que são intelectuais, digam que não têm internet em casa. A televisão já não pega.

sábado, outubro 18, 2014

Dos copos

O mundo é sempre interessante e fico, dia a dia, mais admirado pela capacidade de muita gente disparar opiniões sanguíneas sobre coisas que não interessam muito. Os temas são muito sobrevalorizados. Estar ou ser é muito mais importante.