Intermédio é o novo programa do Nilton.
O Nilton é uma daquelas pessoas que o Bill Maher chama de "smart-stupid". Se ele tem vários programas de rádio, televisão, livros e trabalha consistentemente em humor, tem de ser um tipo inteligente. Mas assim que abre a boca, prova o contrário. Deve ser de propósito, só pode.
As pessoas precisam daquele gajo-com-piada, terra-a-terra. Mas isso não é desculpa para fazer aquele programa.
Funciona assim: É um noticiário satírico onde, seguindo uma estrutura muito rígida - introdução da locutora, video da notícia, comentário do Nilton, risos - , assistimos a notícias que não têm grande piada frente a um cenário a fazer lembrar o Iraque, durante tempo demais.
Uma desgraçada que largou o Porto Canal lê uma notícia da maneira mais longa e objectiva possível, ( a escolha das notícias parece-me que passa por critérios de um miudo de 12 anos ) passam um clip da notícia que passou no telejornal, mais longa ainda, corta para Nilton, Nilton diz uma piada muito rápida e curta - sempre algo como "ah, a Angela Merkel esteve em Frankfurt? espero que tenha trazido salsichas!" - e as pessoas riem-se. Esta parte para mim é a mais complicada de analisar. Eu nem sequer sorri durante quase um episódio inteiro.
Corta para nova notícia, estrutura repete-se, Nilton agora usa props, - prop comedy não é bom -, o livro-grande-com-lista-infindável, depois o maço-de-folhas-com-lista-infindável, só para chegarmos à conclusão que andava à procura de uma punchline.
Humor é muito difícil de fazer. Há ali guionistas, actores, cómicos, cenografistas, editores, realizadores, muita gente a trabalhar para que tudo aconteça, e o resultado final é aquilo.
sábado, janeiro 03, 2015
sexta-feira, dezembro 26, 2014
A Cláudia
A Cláudia é a inteligencia artificial das empresas, diz o anúncio. A Cláudia é uma referência visual ao Tron, um filme de culto que ninguém gosta senão pelo facto dos actores usarem fatos neon futuristas. O problema da Cláudia é que a meteram num fato desses, o que à partida é uma boa premissa porque de facto uma miuda fica bem dentro daqueles fatos. Mas a tentativa de usar o modelo clássico de publicidade para empresas ( falta de ideia + gaja boa ) saiu-lhes ao lado. Conseguiram fazê-la tão sexy como um agrafador, um quadrado com pernas, um ser monodimensional, matando a premissa para sempre.
É natal lá longe
Os pobres que só conhecem o Natal de Lisboa não sabem o que perdem:
Ter Natal na terra dos ancestrais implica visitar 200 primos, beber pinga caseira em todo o lado, jogar snooker no café da terra, com uma mesa já toda quinada, comer filhoses, comer peru, discutir sobre o peru, comer vitela e discutir qual é o peso ideal para matar uma vitela, o que a vitela comeu em vida, comer galo e discutir de onde veio o galo e quem o matou, beber vinho carrascão, beber água-pé, comer filhoses, brincar com 5 primos novos todos os anos, descobrir novos primos velhos também, apreciar lareiras, apreciar caldeiras a gás, apreciar caldeiras a lenha, apreciar salamandras, apreciar qualidades de lenha, carvão e briquetes e discutir o assunto durante horas, discutir estradas, caminhos e atalhos e a forma como chegar do ponto A ao B nos dias presentes e em tempos já idos, discutir o frio, quantificá-lo e comer filhoses.
Ter Natal na terra dos ancestrais implica visitar 200 primos, beber pinga caseira em todo o lado, jogar snooker no café da terra, com uma mesa já toda quinada, comer filhoses, comer peru, discutir sobre o peru, comer vitela e discutir qual é o peso ideal para matar uma vitela, o que a vitela comeu em vida, comer galo e discutir de onde veio o galo e quem o matou, beber vinho carrascão, beber água-pé, comer filhoses, brincar com 5 primos novos todos os anos, descobrir novos primos velhos também, apreciar lareiras, apreciar caldeiras a gás, apreciar caldeiras a lenha, apreciar salamandras, apreciar qualidades de lenha, carvão e briquetes e discutir o assunto durante horas, discutir estradas, caminhos e atalhos e a forma como chegar do ponto A ao B nos dias presentes e em tempos já idos, discutir o frio, quantificá-lo e comer filhoses.
segunda-feira, dezembro 22, 2014
Verdade absoluta VII
Não invistam só em cultura pop. Conhecer meia dúzia de clássicos ajuda bastante. Refiram Joyce num post e parece logo que querem dizer mais do que pensaram.
Tosta mista, tempo padrão
Teorias várias tentam explicar o porquê deste fenómeno: vão a uma esplanada/café da moda e vão ter de esperar meia hora por uma tosta mista. "A Máquina demora a aquecer", dizem.
Hoje fui de propósito pedir uma tosta mista a uma pastelaria normal, com a certeza que não ia demorar meia hora. Confirmo: 15 minutos. Este é o tempo que uma tosta deve levar a ser feita.
Hoje fui de propósito pedir uma tosta mista a uma pastelaria normal, com a certeza que não ia demorar meia hora. Confirmo: 15 minutos. Este é o tempo que uma tosta deve levar a ser feita.
quarta-feira, dezembro 17, 2014
Como gerir uma empresa tuga III
Crie castas.
Mostre preferência em relação a alguns empregados aleatoriamente. Dê alguma rotatividade às castas, só para somar à incerteza. Empregados tratados como iguais levam ao nacional-porreirismo e à preguiça.Como gerir uma empresa tuga II
Fomente a incerteza.
Mude de humor rapidamente e sem aviso. Troque o lugar de alguém sem dizer porquê. Evite a transparência.Empregados com rotinas ganham conforto, levando ao nacional-porreirismo e à preguiça.Como gerir uma empresa tuga I
Governe pelo medo.
Um ambiente saudável cria conforto, levando ao nacional-porreirismo e à preguiça. De tempos a tempos, de preferência pelo Natal ou antes das férias de Verão, faça um discurso semi-calamitoso que faça os alicerces da vida de todos os empregados tremer. segunda-feira, dezembro 15, 2014
A prova que estou velho
O Spotify passa um anuncio em que refere que de Bragança a Lisboa são 5 horas de musica.
Quem ouviu Xutos sabe que são 9 horas de distância e faria logo a piada. Mas não. Nem uma referência. Nada. É a versão online de ter as miudas na fila dos bilhetes a dizer "cuidado com o senhor.".quinta-feira, dezembro 11, 2014
Ninguém os avisa?
O pessoal do Gato Fedorento deve ser o mais jovem grupo de reformados em Portugal. Deixaram-se de macacadas, escrevem nuns jornais, e fazem uns anúncios a telemóveis que me pergunto se alguém lhes acha piada. Estou a vê-los a ter de voltar à Sic Radical a fazer uns sketches low-budget, depois de um dia destes um puto qualquer perguntar de onde apareceram os tipos do anúncio dos telemóveis e se algum dia fizeram outra coisa, uma coisa com piada.
Este Natal vai ser diferente
Este ano em vez de enviar cartões de boas festa e gastar dinheiro em prendas, vou mandar bardamerda todas as multinacionais, empresas, cooperativas, grupos, grupelhos, associações, iniciativas, pessoas, humanos, macacos, bastardos e bipedes em geral que ciclicamente reivindicam esta frase plena de originalidade para convencer que não estão a ser forretas, tentando demonstrar que estão a fazer algo extraordinário quando na verdade estão a poupar dinheiro. Não me fodam. Não querem dar nada não dêem.
Querem dar? Dêem mas cortem no miserabilismo.
Essa conversa foi moda em 2001.
Querem dar? Dêem mas cortem no miserabilismo.
Essa conversa foi moda em 2001.
quinta-feira, dezembro 04, 2014
O circo continua, cada vez com mais números, especialmente palhaços. Acho que não se pode esperar diferente vindo de portugueses. Às vezes acho que isto passa por nos vermos comos atlântico e não como latinos, devemos achar que somos muito diferentes dos italianos ou dos espanhois. Tudo é um fado, tudo é sempre dramático. Objectividade é que não, isso não funciona.
sábado, novembro 29, 2014
Só para mudar de tema II ( antes de sair de casa )
Gostava de ter outro blog para escrever sobre Design. Infelizmente não tenho o arcaboiço para escrever a sério sobre nada sério como Design. Sobra-me o estado do país, os taxistas, a falta de imaginação alheia.
Caso escrevesse sobre design, podia deixar esta dica sobre agilidade escrita com pinta: O Design é só mais uma disciplina que tem de conviver com o processo de qualquer empresa diariamente. Resultado de um certo complexo freudiano dada a pouca importância que se lhe atribui neste país, há por vezes o risco de cair no excesso oposto. Como todas as outras disciplinas, o design também é um processo. Não se chega ao fim desse processo com uma iteração. É preciso errar, e só se reconhece o erro depois de uma solução ter tido uso. Não é o ideal e sabemos disso - não há tempo para muito mais - mas não se pode esperar ter uma solução à primeira. Ter essa esperança é que mata um trabalho bem feito.
Depois poderia escrever sobre clientes e dizer que sim, não é suposto nem ele nem o designer encontrarem a melhor solução à primeira e que esta é só um ponto de partida, para ser melhorada. Que seria como quem diz, não vale a pena pedirem 6 soluções para o mesmo problema quando o caminho certo só é encontrado propondo teses e testando-as sobre o processo a decorrer.
Eventualmente escreveria porreiro sobre design, como outros.
Caso escrevesse sobre design, podia deixar esta dica sobre agilidade escrita com pinta: O Design é só mais uma disciplina que tem de conviver com o processo de qualquer empresa diariamente. Resultado de um certo complexo freudiano dada a pouca importância que se lhe atribui neste país, há por vezes o risco de cair no excesso oposto. Como todas as outras disciplinas, o design também é um processo. Não se chega ao fim desse processo com uma iteração. É preciso errar, e só se reconhece o erro depois de uma solução ter tido uso. Não é o ideal e sabemos disso - não há tempo para muito mais - mas não se pode esperar ter uma solução à primeira. Ter essa esperança é que mata um trabalho bem feito.
Depois poderia escrever sobre clientes e dizer que sim, não é suposto nem ele nem o designer encontrarem a melhor solução à primeira e que esta é só um ponto de partida, para ser melhorada. Que seria como quem diz, não vale a pena pedirem 6 soluções para o mesmo problema quando o caminho certo só é encontrado propondo teses e testando-as sobre o processo a decorrer.
Eventualmente escreveria porreiro sobre design, como outros.
Só para mudar de tema
Como em todo o lado, se perguntarem, em Portugal não há racismo.
Hoje estava a fazer zapping e comecei a contar o número de comentadores, jornalistas, locutores, passei para deputados, ministros, depois publicitários, designers, até colegas de escola. Não-brancos contam-se pelos dedos das mãos.
Hoje estava a fazer zapping e comecei a contar o número de comentadores, jornalistas, locutores, passei para deputados, ministros, depois publicitários, designers, até colegas de escola. Não-brancos contam-se pelos dedos das mãos.
sexta-feira, novembro 28, 2014
Sócrates, mais um dia
Portanto, 4 facções possíveis:
- Acredito na justiça
- Acredito na justiça mas não neste caso, porque claramente o processo é uma cabala direccionada contra o PS
- Não acredito na justiça
- Não quero saber e já sei que isto não vai dar em nada.
quinta-feira, novembro 27, 2014
Porno para taxistas
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| é ler, minha gente. |
O taxista também personifica o Portugal mais lúgubre e sombrio, o que rasa o medieval. Trabalha que se desunha entre biscates e part-times. Vive humildemente mas a miséria ocupa-lhe o pensamento. Como passa o tempo a conduzir sozinho, ocupa este pensamento num diálogo consigo mesmo, em que ciclicamente concorda com cada ideia peregrina que tem, refinando-a, como quem afia um lápis até o transformar num couto imprestável. Isto tem efeitos: No facebook, reclama como qualificações a "universidade da vida", a escola que mais o ensinou.
O Correio da Manhã, pronto a vender mais uns números e atento, vende pornografia: Sócrates é pintado como uma boa personagem de Gil Vicente, fidalgo, doutor da mula russa, corrupto, que se enche de vinho "de cara cepa" - aqui um taxista pensa em Papa Figos ou ATÉ melhor - e comida com estrelas da Michelin. Só não se enche de putas porque acreditam a pés juntos que é maricas.
O CM entrega a narrativa perfeita para a catarse de um taxista que a lê a comer um prego na tasca dos Restauradores forrada a alumínio, ali ao lado do elevador. Fado cruel, - mas mais que justo - Sócrates acaba a comer uma carcaça com manteiga de pacote, numa cela sem água quente.
Genial.
Só falta o brinde do jornal ser um pinheiro especial para amarrar engenheiros e meter-lhes fogo.
quarta-feira, novembro 26, 2014
Já passou
Pronto, vou voltar a discutir o excesso de padarias vintage e hamburguers em bolo do caco. Já percebi o que é que o processo do Sócrates vai dar:
Nada.terça-feira, novembro 25, 2014
Sócrates, dia 1
Como era esperado, há muitos pesos e muitas medidas. Os jornalistas atropelam-se para dizer muito sobre nada, muitas vezes. Outros acusam os jornalistas de serem sanguessugas que quebram o segredo de justiça. Surgem muitos pedidos particulares relativos à forma como lidar com Sócrates: uns pedem-lhe a cabeça numa bandeja, outros numa estaca. Alguns clamam por enforcamento no terreiro do paço. Alguns queixam-se que há um circo mediático. Outros dizem que não é mais do que o esperado, dada a situação. Pessoas clamam pela prisão numa cela pior. Outros dizem que não devia estar em nenhuma. Passos diz que os políticos não são todos iguais - e é verdade - provando que são todos iguais.
O povo é sereno, o caralho. segunda-feira, novembro 24, 2014
Portugalaland
Um português adulto comporta-se desta forma: Da boca para fora, diz que todos os políticos são iguais. Mas calado espera pacientemente que um dia surja um Dom Sebastião, um Salazar, um Sócrates, qualquer um que tenha a qualidades que ele acha as ideiais ou, bem mais simples, para nem ter de pensar nestas qualidades ideais, que simplesmente diga o que ele quer ouvir.
Um caso de corrupção a este nível revela que afinal não há D. Sebastião, nem Salazar, nem Pai Natal, nem menino Jesus, de uma vez. O que deixa este espaço ocupado por mitos pronto a ser ocupado por algo que ainda não vimos.
Talvez o português perceba agora que não pode esperar por salvadores. E que o caminho é trabalhar com o que tem. Pessoas.
Já comecei um post sobre isto do Sócrates
Não consigo rematar nada porque é muita coisa ao mesmo tempo. Tentei abordagens diferentes: já comecei a abordagem com o Pai Natal. Já escrevi sobre milagres. Já apaguei tudo 3 vezes. Não tenho paciência para escrever sobre isto, é demasiado sério.
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