quinta-feira, abril 30, 2015

Ainda a tal empresa que não é de taxis

A tal empresa tem sido um buraco que atrai comparações, por vezes vindas de pessoas com algum caco e talvez alguma inteligência. Comparam uns que quando os carros apareceram, queriam proibi-los porque assustavam os cavalos. E comparam um fax com um email. E comparam a idade da pedra com a revolução industrial. Calma. A Uber ainda é só uma empresa.
Eu também gosto de fazer comparações ou ditar uns generalismos.
Mas evito. Caso contrário, podia dizer o mesmo que dizem dos taxistas - generalizando uma classe profissional inteira - o que muito boa gente diz dos professores, dos sindicalistas, dos funcionários públicos, da polícia, dos advogados, dos presidentes de camara, dos deputados, dos desempregados, dos pretos ou dos ciganos. Evito. É que não quero opinar à taxista.

terça-feira, abril 28, 2015

Em defesa do taxismo

Como utilizador profissional de taxis e blogger, sou obrigado a defender a honra dos taxistas face às notícias de hoje.

Um taxista é uma maneira de ser, não é um negócio.
Um taxista é a representação máxima do biscateiro. Também pode ser fadista, empregado de mesa e estudante ao mesmo tempo.
Um taxista é um realista. Vive num mundo cruel, habitado pelas personagens do Correio da Manhã.
Um taxista oferece um serviço imprescindivel em cada viagem, mostrando quão civilizados os clientes são.
Uma viagem de taxi é mais do que ir do ponto A ao B, é uma viagem a outro universo.
Durante uma viagem de taxi, já aprendi de tudo.
Um taxista desvenda, sem pedirem e sem pagarem mais, conhecimento empírico a tender para o infinito.
Um taxista pode responder à pergunta final.
Os taxistas sabem tudo.


Disclaimer: Uso taxis e gosto. Não tenho carro e não tenho medo de andar de taxi. Só às vezes. Deixo gorjeta quando não me dão um ataque cardiaco e não me enganam. Sempre que ando de taxi tenho algo para contar e as pessoas riem-se. Mas isso sou eu.

Ninguém deve ter reparado, mas a Uber foi proibida em Portugal, hoje. Neste post confirmo como sou um outsider: Trabalho em Startups mas não consigo aceitar o progresso por si só, estas coisas da esquerda progressista dão nesta esquizofrenia. Não tenho uma obsessão absoluta pela eficácia, especialmente a dos humanos. É que também sou um.
E aposto que amanhã há uma reportagem de meia hora na SIC com taxistas labregos.

sexta-feira, abril 24, 2015

Sobre-exposição e anestesia: um estudo

Estudo efectuado por mim durante anos revela dados impressionantes e uma verdade chocante:

99.5% das casas com gatos cheiram a gato


Os resultados são estrondosos e polémicos: ao contrário do que os donos das casas com gatos afirmam entredentes, as suas casas cheiram a gato. Inesperadamente, descobriu-se que os gatos cheiram a, mijo - e que até aqueles gatos que são referidos num contexto de "o meu não cheira, a sério.", cheiram a mijo. Este dado tem surpreendido donos de gatos, que insistem consistentemente numa mesma resposta: sim, na verdade os gatos cheirariam a mijo no ínicio de viver nas suas casas mas que esse cheiro terá "desaparecido com o tempo" e "deixou de cheirar". Neste estudo descobriu-se que a área do cérebro responsável pelo olfacto, a articulação de frases como "eu mudo a areia a toda a hora" e pela noçao de tempo fica danificada com o cheiro a gato ao fim de apenas 2 semanas de exposição. Foi com surpresa que durante este estudo se descobriu também uma casa com gatos que não cheira a gato, que se encontra a ser estudada e cuja localização se manterá secreta até ser descoberta forma de replicar o fenómeno.

domingo, abril 19, 2015

9 anos

Se isto não fechou até agora, nunca mais fecha.

quarta-feira, abril 15, 2015

A antiguidade é um posto

A antiguidade é um posto de alta tensão, no máximo. Um tipo pode pensar que já sabe uma coisa ou outra, mas não deixa de repetir as mesmas banananices lá por saber as regras. Exemplo prático de hoje:
Trabalhar para amigos (1) e sem pedir dinheiro (2).

É uma regra conhecida por todos. No entanto, um gajo deixa-se levar e acaba a confirmar tudo o que a regra dita: Perde tempo, exigem-lhe urgência, não a dá, chateia-se e não ganha ponta de corno com isso.

segunda-feira, abril 13, 2015

Delay

Ando a ouvir os albuns de há 4 anos. Estou a diminuir o delay.

quarta-feira, abril 08, 2015

Um estudo sobre imobilidade estatística e política

Nada muda senão a amostra que se usa para defender um ponto de vista.

Cruzo de restaurantes a que vou com o tipo de comida que como. Os resultados: toda a comida em Portugal é espetacular e não há prato pretenciosos.

Cruzo a quantidade de ruas que ando desde 2007 e a criminalidade que vejo e vejo que Lisboa tem quase zero criminalidade. De noite? 5%.

Cruzo a quantidade de vezes que olho para o sol e a quantidade de vezes que há eclipses e concluo que 40% dos dias do ano têm eclipses.

Cruzo qualquer estatística que escolhi com qualquer outra estatística que escolhi e posso ser ministro.

quinta-feira, abril 02, 2015

Deve ser da Páscoa

Nestes dias apanhei com várias notícias e artigos de opinião à volta de religião. A religião é um tema que acho fascinante, porque quando era miudo tinha tempo para pensar. As minhas opiniões sobre religião não mudaram muito desde que era miudo, só ficaram mais completas.
Também melhorei bastante neste aspecto: Católicos apostólicos, budistas, mormons, ortodoxos, protestantes, espiritas, evangélicos e afins já não são  automaticamente catalogados de atrasados mentais. Percebi que a religião é feita para facilitar a vida de quem a aceita. E é como todas as outras coisas: nada tem a ver com nada .
Por exemplo, não é por alguém fumar erva diariamente durante anos que fica estupido:  A estupidez esteve lá sempre. Só veio à tona. Com a religião passa-se o mesmo.

César das Neves, especificamente falando, encaixa no género troll que usa a religião para validar a sua visão do mundo. Vive num universo só dele onde sente a presença do Senhor em tudo o que faz, menos quando é uma besta. Lavar os dentes? Deus. Esquecer-se da password do email? Deus. Ter um aumento? Deus. Gatafunhar um novo muro das lamentações em nome dos pobres empresários, fariseus dos tempos modernos? Aí troca-se todo.

Há 2 semanas, falava das mulheres-de-hoje por comparação às castas mulheres do antigamente - essa coisa do tempo e da distância como factores de santificação ou demonização é sempre engraçada - e de como se andam a perder no "altar do deboche". É de saltar em cima de um destes altares imaginários que César das Neves julga estar mais perto do nazareno. A soberba.

segunda-feira, março 30, 2015

Apocalipse, um passatempo

Tirem-se as medidas, a olho, de prédios devolutos. Pode-se fazer uma boa estimativa usando um pau e a sombra de um adulto, para comparação ( isto se tirarem as medidas rapidamente ). Com giz, marcam-se no chão as janelas, rebatidas em método de monge. Dentro dessas marcas, fazem-se, à vez, apostas em como as janelas correspondentes, em queda por derrocada devido a negligência do senhorio, se abrirão ( ou não ) por inércia. Pode apostar-se com gatos, vizinhos, gatos de vizinhos, carrinhos de bebé cheios ou não, computadores,  ou adultos toscos. Ganha aquele que tiver mais janelas com items intactos ou com pouco estrago. A destreza está em escolher objectos valiosos mas com um perfil mais estreito. O jogo acaba com destroços.

terça-feira, março 24, 2015

A falta de gosto é um problema mental

Ter falta de gosto é um problema cognitivo sem remédio:
Um escritor que ganhe o prémio nobel pode ser disléxico.
Um escritor que ganhe o prémio nobel pode não ter mãos.
Um puto que pinte postais da unicef com a boca dificilmente terá bom gosto e nunca vai ganhar o prémio nobel da literatura. Pode ganhar o da quimica, se concorrer um novo sabor para cola para selos ou um método para limpar a água do Tejo.
A falta de gosto não se discute. É como tentar convencer alguém que tem de ser mais inteligente.

A falta de gosto é o que causa guerras, fome, doenças e gonorreia.


quinta-feira, março 19, 2015

Perder um filho

O título do post é clickbait. Vem a propósito disto: Os chips para localização estão a desenvolver-se mais e mais rápido. Há-os de vários tipos, aplicando várias tecnologias. Para carros, mercadorias, telemóveis ou gatos.
Daqui a 2 anos meto um chip que mal se nota na carteira e nunca mais a perco num balcão do café. Já há serviços de localização e devolução de objectos perdidos.
É uma questão de 5 ou 10 anos até aparecer uma empresa com esta proposta: meter um chip nos miudos para nunca os perder ( e também os poder vigiar a todo o momento, claro ) e clamar que qualquer pessoa com bom senso não vai deixar de o fazer, sob pena de ter de viver com a consciencia de que não fez tudo o que estava ao seu alcance para prevenir tragédia X ou Y. A publicidade nisto é optima e as redes sociais, ainda mais. A questão ética do dia é: Chips nos miudos, sim ou nao?

terça-feira, março 17, 2015

Só mais 60 anos

Prezado anseia usar a internet daqui a 60 anos, quando os miudos que já nasceram com internet morrerem com toda a sua vida fotografada, filmada, registada, relatada, comentada, escrutinada e vivida por outros em oculos VR online para que finalmente se calem todos com a fascinação com temas que nunca tiveram interesse.

Sim, vocês doentes com marcas de cadeiras de bebé, comida saudável e pedagogia nazi.





quinta-feira, março 12, 2015

Como é que se chama o primeiro guitarrista dos Happy Mondays, que não me lembro?

Devia haver uma cadeira, ou pelo menos pós-graduações, ou workshops de name-dropping. O name-dropping teria ajudado bastante a manter-me no círculo dos bem-pensantes e dos iluminados-por-osmose, que no fundo vêem o mesmo que eu, mas não se esquecem da referência bibliográfica atempadamente, mesmo em conversas informais.

quarta-feira, março 11, 2015

Metastases, Salmos invertidos e Gelados de maçã

O mundo encerra fenómenos infinitos e o youtube só revela uma pequena parte:
Vi este video mais de 10 vezes. Algo no meu cérebro está por engrenar e finalmente resolver o que penso acerca disto. Acho que é isto o que está a acontecer: os meus olhos abrem-se, como um funil, para receber estas imagens, mas o funil falha o alvo, o cérebro, deixando escorrer o significado deste video para o chão. Processo a imagem mas não consigo atribuir um significado que me deixe satisfeito. Será a boca do peixe fazer-me lembrar lagostas, escaravelhos e cigarras? Será imaginar o que é dar um linguado a um peixe? Pensar que quem pensou no termo "linguado" estava a pensar em peixes neste sentido? O que está a pensar o peixe, com os olhos vazios e com as guelras a secar? o que pensa o puto? Um peixe é como um cão ou um gato? o puto chuchará na cara de um gato? Qual é a diferença entre zoofilia e bestialidade? onde começa uma e acaba a outra? Qual é a temperatura do corpo de um peixe? Quem é que tem uma piscina com uma carpa no meio da sala? um tapete assim compra-se voluntariamente?

terça-feira, março 10, 2015

Post Politicamente Correcto

Contaram-me uma piada que metia um preto gay comunista com um bebé alentejano com trissomia 21 que queria pagar um aborto a uma puta lésbica chinesa judia com cancro num bairro de lata do burkina faso, filha de uma juiza brasileira e de um político monhé. Não vou meter esse tipo de piada aqui.

segunda-feira, março 02, 2015

Introdução à estética com máquinas de barbear e motas




Fui almoçar fora. Da janela de arco via a rua de sábado à tarde com toda a gente a vir das compras e do passeio dos tristes. Encostada à janela, do lado de fora, estava uma mota. Eu gosto de ver motas. Via-lhe o lombo, o selim, o tubo de escape, os manómetros. De esguia, no fundo. Enquanto almoçava, passaram muitas pessoas, e muitas delas paravam para ver a mota em detalhe. Homens e mulheres, novos e velhos, paravam para olhar a mota. E eu a vê-la de esguia só conseguia ver uma mota feia. Lembrei-me dos tipos da barbearia, que têm a placa que toda a gente só vê de esguia. E cada vez mais gente olhava para a mota. Eu da janela continuava a ver uma mota de esguia e não podia ver mais nada, só imaginava como poderia ser a frente da mota. À saida, passei pela mota e vi-a de frente. A mota não tinha nada de especial. Esqueci-me dela, já.
Depois esqueci-me também das pessoas da barbearia que está de esguia. Deviam usar placas que se vissem de frente. Assim ninguém perdia tempo a pensar que têm qualquer coisa de especial.

terça-feira, fevereiro 24, 2015

Morte de um turista, uma visão.

Visto da Graça:

As ruinas do convento do Carmo esboroam definitivamente na rua do Carmo, levando consigo metade da praça, incluindo o quartel da GNR. Cá em baixo, o incendio criado pelas fugas de gás derrete o elevador de Santa Justa, que tomba lentamente à rua da Prata, tapando a passagem dos bombeiros. A Fernandes arde de vez. 3 tuk-tuks são engolidos pelas chamas, um quarto escapa por pouco. Doze hostels da rua da Madalena são agora fogareiros a céu aberto, cuspindo faulhas que incendeiam o motor do Elevador do Lavra, que desgovernado destroi uma estátua da Avenida depois de arrasar o Solar dos Presuntos. O Ninho das Águias está em ruinas. O Cinema Condes é um Hard Rock Cafe. O Coliseu colapsa sob o seu próprio peso, depois de receber o ultimo sucesso do Spotify ao vivo. A Casa do Benfica tomba para cima da igreja dos franceses, que explode sem explicação. Destroços voam em todas as direcções, destruindo a estátua de Dom José, o Hospital das Bonecas e uma loja de recordações. Lá mais abaixo, o Terreiro do Paço é engolido pelo lodo do Tejo com tamanha força que leva consigo a feira de crafts de sexta e de domingo ao mesmo tempo. Um turista que estava a tirar uma foto a um broche bonito para por no instagram morre de ataque cardiaco.
Não há escombros a lamentar.

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Assalto com arma branca

Há muitos anos, era puto e ia para um concerto com um amigo meu, a pé. A atravessar uma zona mais isolada do caminho, dois manfios com mau aspecto metem-se connosco e cada um aponta-nos uma faca. Um deles agarra o meu amigo pelas costas e segura a faca a centimetros do pescoço. O outro diz-me para lhe dar tudo o que tenho se não queremos ter problemas. E eu só a ver facas. O tempo parou, fiquei com o estomâgo num nó, a garganta noutro, o coração a mil, a vista turva, a cabeça a ferver.
Hoje fico assim quando recebo um e-mail das finanças.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Isto não é uma democracia

É fácil e simplista fazer a comparação assim, mas imagine-se uma operação. Um cirurgião, um anestesista, uma enfermeira. A folha de serviço diz que têm de tirar o baço ao tipo estendido na marquesa.

- Bisturi.
- Tem a certeza? não quer antes uma cureta?
- ... não. É mesmo um bisturi.
- ok, o senhor doutor é que sabe.
- Vou abrir.
- Cuidado aí.
- sim, vou abrir.
- doutor, olhe aqui um link com as "10 maneiras mais populares de retirar baços".
- eh, mas eu estudei isso. Na escola. Já sei o que vou fazer, não preciso de dados novos agora.
- tudo bem, só queria ajudar. O saber não ocupa lugar.
- ok, aí está o baço. Está cortado.
- Eu cortava mais abaixo. Ali, ó.
- Mas eu já cortei. Está cortado.
- Sim, mas eu fazia de outra maneira.
- Pois, mas está feito.

O processo do design também funciona assim.

terça-feira, fevereiro 17, 2015

É carnaval, queria um feriado


Fui ao Intendente.
Encontrei 23 putas.
Tirei-lhes uma lágrima para analizar.
Coca.
Tirei mais 2 lágrimas.
Perfume do chinês e coca.

Olhei de lado e olhei de frente
Eram mesmo do intendente.
Fui mais além e colhi
lágrimas na cervejaria cheia de gente

para analizar.
Encontrei uma santola a chorar
Olhei-a de topo a fachada
de lado o acompanhamento.

mandei vir o sal e
as drogas usadas e tal
meteram tudo ao lume
mandei vir frio depois de cozer

saí ao martim moniz
não saquei lágrimas a negros
tenho mais que fazer.


Os fins de semana são pequenos

Os fins de semana parecem-me progressões geométricas. A proporção de farra / descanso está a ficar inversamente proporcional ao desejado, com a agravante que o descanso entra numa curva descendente a partir de certo número de horas em que o colchão passa a causar mais dores que alívio. Há-de chegar o ponto em que é mais vantajoso não me deitar sequer.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

50 beijinhos a meia luz, meio cinzentos

À sombra do filme do momento e porque é preciso dar espaço a outras opiniões mais conservadoras, deixo aqui o
Manifesto anti antas
Larguem os chicotes algemas e dildos antes que se magoem com essa merda e juntem-se à escolha fácil e óbvia. A foda meiga
A foda meiga é segura. Não ofende não magoa e não mata, não humilha nem queima os joelhos. Não parte moveis nem faz barulho em vão. Um orgasmo de foda meiga é mais fofo e silencioso que um suspiro de um hamster.
Dispensa o porno e a criatividade, pode ficar de meias e não suja o sofá, a foda meiga faz-se como fomos feitos, papa mamã, na cama estendidos e compostos.
A foda meiga é compatível com vidas atarefadas, para quem tem sono, para trabalhos esgotantes, para quem já não pode, a foda meiga até se faz meio a dormir. 
A foda meiga faz-se debaixo do cobertor, no escuro: é a mais sustentável e económica..
A foda meiga é ideal para casais com filhos e solteiros em casas com paredes finas. Não há chapadas gritos e camas a ranger, não há chicotes a estalar nem lubrificante a pingar para o vizinho de baixo. Se acordar alguém, será a roncar.
Cada foda meiga contêm todo o romance e todos os lugares feitos possíveis: almas gémeas, eternos amantes, mundos e fundos. Olhos nos olhos, janelas da alma com janelas da alma, no escuro ninguém fica tímido com olhares profundos.
A foda meiga é compreensiva e humana, é a mais fulminante das fodas: ninguém está a espera de ir até à sétima foda meiga de empreitada, fica pela primeira e dorme. 
Sim à Foda Meiga sim.
Com jeitinho.

Só para ficar registrado

Antes do filme da chacha que vai estrear para a semana, já havia sexo. E filmes bons sobre ele.

Já tou a ver as atrasadas mentais do Twilight a ficarem histéricas com S&M de trazer por casa. Será que o tema sexo vai entrar no telejornal? Acho que os portugueses não gostam dessas coisas de putas.

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

"Em que é que estás a pensar?"

As queixas sobre mulheres dos putos de lá do trabalho servem não só como máquina do tempo e como confirmação de como toda a gente é igual mais coisa, menos coisa, como mete os putos a pensar que posso ser um ser iluminado, capaz de ler pensamentos ou prever o futuro. É só uma questão de disfarçar os 20 anos a mais com muita estupidez.

sábado, janeiro 31, 2015

Saudades do mundo, o que pode ser um fado mal acabado. Estrofes a menos para isto tudo.

Idade média, e porque é que digo que isto não muda nunca.


Há tempos estava nos copos com um grupo de gente que mal conhecia e pela conversa sobre saúde, percebi que uma dessas pessoas era médico. Passado um bocado, percebi que também fazia quiropratica. Passado mais um pouco, acupunctura. As especialidades apareciam como um colar de pérolas estacionado em dupla fila. E com elas, muitas certezas. Até a certeza que vacinas contra o cancro do colo do utero não eram seguras, porque não tinham sido bem investigadas.
Quando a noite acabou, descobri que não era médico, tinha um curso de medicina chinesa.
Como me diziam há uns anos, a ignorância é muito atrevida.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

Aqui fica a descrição

Um dia, era Verão, tinha 33 anos, a idade de Cristo quando tive uma visão. Estava numa esplanada em Lisboa quando vi o universo a desdobrar-se à minha frente. No ar, vi um rasgo dobrado em quatro. Abriu-se em várias figuras de estilo simultaneamente, em 3 partes iguais de anafiláse, onomatopeias e assimptotas, levantei um canto da carta de jogar mais próxima, era um joker e pude ver, na espessura da carta, uma luz em forma de cachimbo. Do cachimbo saía uma lagarta que ditava mandamentos. Não cheguei a percebê-los bem porque a outra dobra da carta se lhe sobrepôs, fazendo 3 partes agora. Do naipe sairam então 2 virtudes, uma em pedra e outra em carne e osso, a primeira ditando à segunda 2 caminhos, um a somar e outro a dividir. Quando a segunda virtude se dirigiu a mim, tentei tocar-lhe mas desviou-se, recolhendo-se para dentro do baralho, entre 3 cartas de naipes menores. A primeira virtude, agora de pedra, tornara-se irsuta e com olhos de chamas, de onde saiam trunfos consecutivos. Disse-me "pára de escrever essa estupidez e volta ao trabalho." e eu voltei.

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Carta a um jovem estudante

Fui assistir a apresentação de trabalhos de fim de semestre numa universidade de design. Os parelelismos são impossíveis de evitar: Era eu tão novo como estes miudos quando andava no curso? tinha tanta falta de jeito? Como é que trabalhava? Tinha a mania? isso tinha, até. Por isso, tenho de deixar isto aqui:


Carta a um jovem estudante de Design

Jovem, se estás na universidade a seguir Design, ouve estas sábias palavras de quem por lá passou, há muito muito tempo, no tempo em que só 3 ou 4 numa turma tinham computador para trabalhar.
O que quero que faças é que ponhas a mão na consciência, pares o que estás a fazer e olhes para o trabalho de outras pessoas. Vais à internet e procuras trabalhos do mesmo tipo do que estás a fazer. Depois voltas ao teu trabalho, analisas as diferenças e por que razões essas diferenças existem e finalmente tentas meter-te na pele de quem vai usar a marca: o cliente, o consumidor, a tua avó. Se fizeres isto bem feito, vais abandonar esse trabalho e vais fazer 10, 20, 30 novas versões. Copia. Rouba. Não faz diferença.
Se ainda assim, apresentares ao teu professor algo que até podes não ter notado mas que lhe deu uma vontade imediata de te dar com uma cadeira nos cornos, fica a saber que o universo funciona assim:

Argumentar com um professor de Design é como discutir com o fantasma do Natal Futuro. Ele já esteve nos teus pés. Ele já estudou mais que tu. Ele já se fodeu mais vezes. Ele já chumbou mais vezes. Ele já fez mais cursos. Ele já conheceu gente mais inteligente e mais burra que tu. Ele já fez mais noitadas que não serviram para nada. Ele já copiou. Ele já viu tudo o que andas a ver. És portanto, transparente.

Se o professor tem dúvidas no raciocínio que usaste para chegar à tua proposta de Design, é para fazer ver um pouco desta verdade. Por isso, a rouca voz da experiência pede-te, encarecidamente: não sejas estupido. Vais acabar a fazer logotipos para talhos.

segunda-feira, janeiro 26, 2015

Ovários e Louça

Tenho lá por casa, por opção - ou condicionamento genético, se calhar - a louça que preciso. Não costumo oferecer banquetes nem tenciono oferecê-los um dia. Não sou um mestre da culinária nem sei rapar a travessa, etc etc, tenho o suficiente para mim e mais uns quantos. Ponto.
Não sabia que isto era um problema, pensava que era uma só uma característica, uma peculiaridade. Mas sempre que alguém com ovários olha para a louça na cozinha, tem um afrontamento. Há qualquer coisa que deixa as mulheres nervosas quando vêem pouca louça. Esta necessidade de esparramar tudo o que fazem na cozinha ao longo de milhentas peças de utilidades diferentes é fascinante. E como prova que é uma questão genética, tenho de responder sempre às mesmas 6 perguntas:
- Onde é que escondes o açucareiro?
Escondo? Eu não perco tempo a esconder nada. Antes pelo contrário. Há uns tempos, descobri roupa que tinha perdido: estava numa gaveta que não abro muitas vezes. Por mim, todos os objectos da casa seriam possíveis de encontrar com uma busca no google. Porque me esqueço que os tenho. Um açucareiro é como um ninho para formigas. O equivalente a uma daquelas almofadas para os gatos. Não tenho.
- Está na hora das sobremesas. Onde tens as taças?
Não há taças. Não uso taças. Não faço sobremesas. Não preciso de taças. É linear. "ah, mas como é que consegues viver sem taças?". Eu também tenho asma e consigo viver com ela. Imaginem viver sem taças. Custa ainda menos. Claro que fazer acreditar que isto é lógico nunca adiantou de nada. A pergunta "onde tens as taças?" gera sempre polémica e esbracejamento involuntário por parte das mulheres, em desespero. Nunca tive um amigo a perguntar-me onde estão as taças. Ergo, genética.
- Onde estão os copos do vinho?
Uns dirão que sou um labrego pouco sofisticado, outros que sou um anti-consumista, outros dirão forreta. Entendidos dirão que sem uns copos largos que deixem o vinho respirar, estou a perder o verdadeiro prazer de saborear um bom vinho. A verdade: Sou preguiçoso. Isso implicava lembrar-me de ir ao IKEA para tratar disso, quando já tenho tudo o que preciso em casa.
- Os pires do café?
A minha casa é um snack bar? não.
- As colheres do café?
As colheres do café são das peças mais fascinantes logo a seguir às colheres da meia de leite, peças que são usadas para uma coisa só. É como comprar uma televisão que só vai passar o canal 1. Já tenho as de sobremesa. Usem o cabo, como eu. Forma aliada à função.
- Não tens nada para moer ( não é moer, mas não tenho mais termos técnicos ) os alhos?
Facas.


quinta-feira, janeiro 22, 2015

Chegar em segundo não é opção em algumas ocasiões

Sim, participar é importante. Mas participar no mercado de trabalho implica mínimos. Se vais correr para ganhar dinheiro e não só para aquecer, não podes ir mal preparado. Tens de chegar nos primeiros 10, pelo menos. Se vais só para participar, não ganhas nada ou ganhas um prémio simbólico.
Chega de metáforas: Se te comprometes a entregar um trabalho, entregá-lo não é só o acto da entrega. Implica que tudo o que o cliente pediu OU MAIS fique cumprido. Se o cliente pediu para entregarem Terça, entregam na Segunda? Fica bem. Não era preciso, até. Mas o resto do que era esperado também tem de estar lá. Não há aqui uma lei de compensações. Pontuar extra num dos critérios não alavanca nos restantes se um deles for fulcral. Se uma das premissa da peça que foi encomendada é que fosse simétrica - não havia muito mais regras para seguir - e em vez disso surge uma trampa com um logotipo descentrado, fica só uma ideia de que não conseguem perceber o conceito de meio, metade, 50%, simetria, alinhamento, centro, axial, eixo, rumo, nexo, realidade, universo. E que estão cá só para aquecer.

terça-feira, janeiro 20, 2015

Strict Art

Há uns anos a Street Art era subversiva e mal ou bem tinha, por vezes, uma função. Havia um pouco de tudo. Agora já não posso com esta guerrilha de pacote, dos famosos, do inesperado-para-consumo-fácil, do contra-sistema que precisa de autorização para pintar paredes, a profissionalização do hobbie, a masturbação gratuita, só visual. Um género de portfolio de tabalhos manuais ao vivo.
A street art só tem mudado em escala, cada vez maior e mais visível, como quem usa um megafone na feira para vender melhor 15 pares de meias. Não deixam de ser meias. Não deixa de ser uma feira.
Sim, estou a ficar velho.

X-Facto Portugal I

Barbara Guimarães - Boa noite e bem vindos a mais uma noite de talentos. Não saia do seu lugar, já de seguida vai poder ver o que de melhor se faz em Portugal, aqui, em directo. As vossas palmas para Jorge Silva, de Matosinhos, que vem declamar Alberto Caeiro. Com vocês, Jorge Silva, A espantosa realidade das coisas!
Público grita, agita cartazes, a cada estrofe ouvem-se guinchos e o barulho de melenas de cabelo a cair no chão. Corta para co-apresentador, o Marco Horácio, na lateral do palco. - O Jorge tem um delivery sem mácula - diz para a segunda camara. O juri ainda não conseguiu fechar a boca de espanto. O público começa a levantar-se, à medida que reconhece mais e mais versos, à medida que entende a simplicidade inerente à poesia, o desprendimento das palavras e a sua certeza. Mais palmas, Marco Horácio faz um sinal de "fixe" para a camara secundária. O público grita por mais heterónimos, não quer ficar por aqui. As palmas já quase não deixam ouvir a ultima estrofe. O juri aplaude de pé também, Manoel de Oliveira com algum esforço mas ainda assim, de pé. Barbara Guimarães dá por fechado o primeiro número, que agradece a força dos colegas de estudos avançados de literatura medieval da faculdade de letras que o convenceram a participar. Diz que anda a estudar o cancioneiro de D. Dinis mas que tem tempo ainda para outras coisas, nomeadamente esgrima. Na primeira fila, uma senhora claramente amante do cancioneiro da Ajuda grita alto "ainda assim fazia-te um filho. A ti e ao Álvaro de Campos".

domingo, janeiro 18, 2015

Je suis hashtag

Pessoas. Vamos lá ver: A expressão "treinador de bancada" é mais antiga que a internet porque sempre houve gente capaz de dizer muita coisa sem perder tempo a pensar. Com a internet, fornadas de treinadores de bancada surgem debaixo de cada pedra. Pedagogia. Psicologia. Saúde. Cinema. Publicidade. Design. Arte. Política. E ultimamente, censura e Media. Esperar que um hashtag resolva cancro, censura em países árabes ou gatinhos com fome em Poiares, somos nós, primatas preguiçosos, a tentar engarnar-nos a nós próprios. Querem impressionar alguém? vão à noite ajudar sem abrigo para Santa Apolónia ou limpar fraldas a gajos com Ébola no Congo Belga. Vão ser altruistas para a rua. Reclamar no facebook? isso é como falar com a televisão.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Era que se calassem

Já cortei nos telejornais, este ano acho que vou cortar nos jornais online. Não ganho nada em ler 80% das notícias. Isso de "estar actualizado" se calhar é só uma maneira de procurar validação externa. Só leio coisas que não me ajudam, porque são sempre parciais para lá do razoável.
No outro dia discutia com os miudos do trabalho isso de "ler". Para eles, ler livros é bizarro. Querem ler, mas não têm tempo. Têm mais que fazer. Disse-lhes que deviam ler mais, que não fazia mal. Perguntaram-me então que livros vale a pena ler. Visto que como eu, estão centenas de livros atrasados, achei que seria arrogante dizer o que lerem. Depois pensei que era mais fácil dizer o que não ler. Dizer que livros não ler está historicamente provado ser mais importante do que dizer que livros ler. Se for aos malditos, encontro lá coisas interessantes de certeza. Se for aos abençoados, ainda esbarro no Saint-Exupéry. Gosto de ler muita trampa e que a trampa exista: quando A ou B me dizem que gostaram de um livro A ou B que nunca li mas que graças a um preconceito de alta qualidade sei do que tratam, isso ajuda-me a balizar expectativas e a formas novos preconceitos, pelo menos. Porque consigo gostar de pessoas que já leram as 50 sombras de grey, o Follet ou a Margarida Rebelo Pinto. Só não consigo é percebê-las. Ainda.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Sobre Censura e Deus e os burros que abençoa

Hoje li demasiadas barbaridades, nem consigo estruturar o pensamento para escrever.
Deve ser assim que se sente o Gustavo todos os dias. Um tipo que saiu debaixo de uma pedra algures numa sala de estar na Ameixoeira e que se fez guru de auto-ajuda. Deus sabe: Não aguento gente que faz vida e dinheiro à conta de crenças. Até prova em contrário, são sanguessugas. Digo até prova em contrário enquanto meto o pé na porta para a esperança na humanidade ainda poder entrar. Nunca se sabe, o altruísmo existe. Pode ser que seja real neste caso, mesmo que esteja debaixo de um manto espesso de burrice. O Gustavo saiu de onde tinha pé - falar de vibrações e metafísica de pacote - , opinou sobre liberdade de expressão e trocou-se todo. Aos cartoonistas cabia-lhes não ofender homicidas fazendo desenhos ofensivos - Não percebo isto, um cartoonista não tem de seguir as vibrações do universo que o levam a desenhar? - mas sobre os homicidas já foi mais compreensivo, - esses seguem as vibrações do universo também, ou não? -  porque os cartoonistas não deviam andar a provocar homicidas propositadamente. Claro que Gustavo nem se lembra que isso de provocar é só uma visão gustavo-centrica do mundo, como a visão dos homicidas.
Estava eu a pensar que isto ia passar e que até era bom ter ideias diferentes na mesa, e aparece o Rui Sinel de Cordes com mais umas ideias.
Primeiro, percebi que o Gustavo e o Rui Sinel de Cordes têm o mesmo problema de guarda-roupa, um manto de burrice. Espesso. Não passam frio, não.
Este, ressabiado, alvitrou o óbvio, que as pessoas de repente são todas Charlie, sem saberem bem do que se trata. Chama-se a isso "habitual". Mas depois o Rui lançou esta: A sociedade portuguesa é muito atrasada para perceber o humor do Rui, que é um colosso de genialidade, e não lhe oferece as oportunidades que ele merece. Mas espera. Eu ajudo aqui: Eu gosto de humor negro e nunca achei piada a nada do que o Rui faz porque ele é um Nilton para maiores de 18. Diz uma piada normal, à Nilton, mas mete-lhe uma caralhada extra no fim. Tipo "ah, a Angela Merkel esteve em Frankfurt? espero que tenha trazido salsichas de judeu, caralho.".
Eu ainda esperei uma punchline no fim, mas não, ele estava mesmo a falar a sério.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Sobre Censura e os franceses e esse pessoal que tem pouco que fazer

Quando Prezado era miudo, seguia - não era muito consistente nisto - a L'echo des Savanes, uma revista como não havia cá. Alguns dos que lá desenhavam pertenciam ao grupo de ilustradores que morreu hoje em Paris. Se cá tinhamos ( ainda temos? ) a Gaiola Aberta, uma revista abertamente satírica e reaccionária, a Echo des Savanes era a versão libertária escatológica. Havia também a Chiclete&Banana, menos intelectual mas não menos politizada. A falta que faz por cá um equivalente sem pretenciosismos, só chavascal.

Isto só para dizer que em vez de andarem por aí a publicar páginas pretas e páginas em branco em protesto e páginas de apoio que pouco dizem, publiquem cartoons. É mais objectivo.

sábado, janeiro 03, 2015

Intermédio para mau

Intermédio é o novo programa do Nilton.
O Nilton é uma daquelas pessoas que o Bill Maher chama de "smart-stupid". Se ele tem vários programas de rádio, televisão, livros e trabalha consistentemente em humor, tem de ser um tipo inteligente. Mas assim que abre a boca, prova o contrário. Deve ser de propósito, só pode.
As pessoas precisam daquele gajo-com-piada, terra-a-terra. Mas isso não é desculpa para fazer aquele programa.
Funciona assim: É um noticiário satírico onde, seguindo uma estrutura muito rígida - introdução da locutora, video da notícia, comentário do Nilton, risos - , assistimos a notícias que não têm grande piada frente a um cenário a fazer lembrar o Iraque, durante tempo demais.

Uma desgraçada que largou o Porto Canal lê uma notícia da maneira mais longa e objectiva possível, ( a escolha das notícias parece-me que passa por critérios de um miudo de 12 anos ) passam um clip da notícia que passou no telejornal, mais longa ainda, corta para Nilton, Nilton diz uma piada muito rápida e curta - sempre algo como "ah, a Angela Merkel esteve em Frankfurt? espero que tenha trazido salsichas!" - e as pessoas riem-se. Esta parte para mim é a mais complicada de analisar. Eu nem sequer sorri durante quase um episódio inteiro.
Corta para nova notícia, estrutura repete-se, Nilton agora usa props, - prop comedy não é bom -, o livro-grande-com-lista-infindável, depois o maço-de-folhas-com-lista-infindável, só para chegarmos à conclusão que andava à procura de uma punchline.
Humor é muito difícil de fazer. Há ali guionistas, actores, cómicos, cenografistas, editores, realizadores, muita gente a trabalhar para que tudo aconteça, e o resultado final é aquilo.

sexta-feira, dezembro 26, 2014

A Cláudia

A Cláudia é a inteligencia artificial das empresas, diz o anúncio. A Cláudia é uma referência visual ao Tron, um filme de culto que ninguém gosta senão pelo facto dos actores usarem fatos neon futuristas. O problema da Cláudia é que a meteram num fato desses, o que à partida é uma boa premissa porque de facto uma miuda fica bem dentro daqueles fatos. Mas a tentativa de usar o modelo clássico de publicidade para empresas ( falta de ideia + gaja boa ) saiu-lhes ao lado. Conseguiram fazê-la tão sexy como um agrafador, um quadrado com pernas, um ser monodimensional, matando a premissa para sempre.

É natal lá longe

Os pobres que só conhecem o Natal de Lisboa não sabem o que perdem:

Ter Natal na terra dos ancestrais implica visitar 200 primos, beber pinga caseira em todo o lado, jogar snooker no café da terra, com uma mesa já toda quinada, comer filhoses, comer peru, discutir sobre o peru, comer vitela e discutir qual é o peso ideal para matar uma vitela, o que a vitela comeu em vida, comer galo e discutir de onde veio  o galo e quem o matou, beber vinho carrascão, beber água-pé, comer filhoses, brincar com 5 primos novos todos os anos, descobrir novos primos velhos também, apreciar lareiras, apreciar caldeiras a gás, apreciar caldeiras a lenha, apreciar salamandras, apreciar qualidades de lenha, carvão e briquetes e discutir o assunto durante horas, discutir estradas, caminhos e atalhos e a forma como chegar do ponto A ao B nos dias presentes e em tempos já idos, discutir o frio, quantificá-lo e comer filhoses.

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Verdade absoluta VII

Não invistam só em cultura pop. Conhecer meia dúzia de clássicos ajuda bastante. Refiram Joyce num post e parece logo que querem dizer mais do que pensaram.

Tosta mista, tempo padrão

Teorias várias tentam explicar o porquê deste fenómeno: vão a uma esplanada/café da moda e vão ter de esperar meia hora por uma tosta mista. "A Máquina demora a aquecer", dizem.
Hoje fui de propósito pedir uma tosta mista a uma pastelaria normal, com a certeza que não ia demorar meia hora. Confirmo: 15 minutos. Este é o tempo que uma tosta deve levar a ser feita.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Como gerir uma empresa tuga III

Crie castas.
Mostre preferência em relação a alguns empregados aleatoriamente. Dê alguma rotatividade às castas, só para somar à incerteza. Empregados tratados como iguais levam ao nacional-porreirismo e à preguiça.

Como gerir uma empresa tuga II

Fomente a incerteza.
Mude de humor rapidamente e sem aviso. Troque o lugar de alguém sem dizer porquê. Evite a transparência.Empregados com rotinas ganham conforto, levando ao nacional-porreirismo e à preguiça.

Como gerir uma empresa tuga I

Governe pelo medo.
Um ambiente saudável cria conforto, levando ao nacional-porreirismo e à preguiça. De tempos a tempos, de preferência pelo Natal ou antes das férias de Verão, faça um discurso semi-calamitoso que faça os alicerces da vida de todos os empregados tremer.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

A prova que estou velho

O Spotify passa um anuncio em que refere que de Bragança a Lisboa são 5 horas de musica.
Quem ouviu Xutos sabe que são 9 horas de distância e faria logo a piada. Mas não. Nem uma referência. Nada. É a versão online de ter as miudas na fila dos bilhetes a dizer "cuidado com o senhor.".

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Ninguém os avisa?

O pessoal do Gato Fedorento deve ser o mais jovem grupo de reformados em Portugal. Deixaram-se de macacadas, escrevem nuns jornais, e fazem uns anúncios a telemóveis que me pergunto se alguém lhes acha piada. Estou a vê-los a ter de voltar à Sic Radical a fazer uns sketches low-budget, depois de um dia destes um puto qualquer perguntar de onde apareceram os tipos do anúncio dos telemóveis e se algum dia fizeram outra coisa, uma coisa com piada.

Este Natal vai ser diferente

Este ano em vez de enviar cartões de boas festa e gastar dinheiro em prendas, vou mandar bardamerda todas as multinacionais, empresas, cooperativas, grupos, grupelhos, associações, iniciativas, pessoas, humanos, macacos, bastardos e bipedes em geral que ciclicamente reivindicam esta frase plena de originalidade para convencer que não estão a ser forretas, tentando demonstrar que estão a fazer algo extraordinário quando na verdade estão a poupar dinheiro. Não me fodam. Não querem dar nada não dêem.
Querem dar? Dêem mas cortem no miserabilismo.
Essa conversa foi moda em 2001.

quinta-feira, dezembro 04, 2014

O circo continua, cada vez com mais números, especialmente palhaços. Acho que não se pode esperar diferente vindo de portugueses. Às vezes acho que isto passa por nos vermos comos atlântico e não como latinos, devemos achar que somos muito diferentes dos italianos ou dos espanhois. Tudo é um fado, tudo é sempre dramático. Objectividade é que não, isso não funciona.

sábado, novembro 29, 2014

Só para mudar de tema II ( antes de sair de casa )

Gostava de ter outro blog para escrever sobre Design. Infelizmente não tenho o arcaboiço para escrever a sério sobre nada sério como Design. Sobra-me o estado do país, os taxistas, a falta de imaginação alheia.

Caso escrevesse sobre design, podia deixar esta dica sobre agilidade escrita com pinta: O Design é só mais uma disciplina que tem de conviver com o processo de qualquer empresa diariamente. Resultado de um certo complexo freudiano dada a pouca importância que se lhe atribui neste país, há por vezes o risco de cair no excesso oposto. Como todas as outras disciplinas, o design também é um processo. Não se chega ao fim desse processo com uma iteração. É preciso errar, e só se reconhece o erro depois de uma solução ter tido uso. Não é o ideal e sabemos disso - não há tempo para muito mais - mas não se pode esperar ter uma solução à primeira. Ter essa esperança é que mata um trabalho bem feito.

Depois poderia escrever sobre clientes e dizer que sim, não é suposto nem ele nem o designer encontrarem a melhor solução à primeira e que esta é só um ponto de partida, para ser melhorada. Que seria como quem diz, não vale a pena pedirem 6 soluções para o mesmo problema quando o caminho certo só é encontrado propondo teses e testando-as sobre o processo a decorrer.

Eventualmente escreveria porreiro sobre design, como outros.

Só para mudar de tema

Como em todo o lado, se perguntarem, em Portugal não há racismo.
Hoje estava a fazer zapping e comecei a contar o número de comentadores, jornalistas, locutores, passei para deputados, ministros, depois publicitários, designers, até colegas de escola. Não-brancos contam-se pelos dedos das mãos.

sexta-feira, novembro 28, 2014

Sócrates, mais um dia

Portanto, 4 facções possíveis:
  • Acredito na justiça
  • Acredito na justiça mas não neste caso, porque claramente o processo é uma cabala direccionada contra o PS
  • Não acredito na justiça
  • Não quero saber e já sei que isto não vai dar em nada.
Para tirar isto a limpo, proponho uma experiência: juntem-se todos os casos ( e suspeitas ) de corrupção em todos os partidos nos últimos 12 anos e procure-se uma moda. Caso não se encontre um clara diferença entre partido algum, ( e até dava uns pontos de avanço ao bloco e ao PC, mas temos de ser imparciais )  calem-se.

quinta-feira, novembro 27, 2014

Porno para taxistas

é ler, minha gente.

O taxista também personifica o Portugal mais lúgubre e sombrio, o que rasa o medieval. Trabalha que se desunha entre biscates e part-times. Vive humildemente mas a miséria ocupa-lhe o pensamento. Como passa o tempo a conduzir sozinho, ocupa este pensamento num diálogo consigo mesmo, em que ciclicamente concorda com cada ideia peregrina que tem, refinando-a, como quem afia um lápis até o transformar num couto imprestável. Isto tem efeitos: No facebook, reclama como qualificações a "universidade da vida", a escola que mais o ensinou.
O Correio da Manhã, pronto a vender mais uns números e atento, vende pornografia: Sócrates é pintado como uma boa personagem de Gil Vicente, fidalgo, doutor da mula russa, corrupto, que se enche de vinho "de cara cepa" - aqui um taxista pensa em Papa Figos ou ATÉ melhor -  e comida com estrelas da Michelin. Só não se enche de putas porque acreditam a pés juntos que é maricas.
O CM entrega a narrativa perfeita para a catarse de um taxista que a lê a comer um prego na tasca dos Restauradores forrada a alumínio, ali ao lado do elevador. Fado cruel, - mas mais que justo - Sócrates acaba a comer uma carcaça com manteiga de pacote, numa cela sem água quente.
Genial.

Só falta o brinde do jornal ser um pinheiro especial para amarrar engenheiros e meter-lhes fogo.

quarta-feira, novembro 26, 2014

Já passou

Pronto, vou voltar a discutir o excesso de padarias vintage e hamburguers em bolo do caco. Já percebi o que é que o processo do Sócrates vai dar:
Nada.

Podem largar a televisão, se estão a pensar que alguma coisa vai mudar. O lado positivo disto é que as coisas boas de Portugal também não mudam, pronto.

terça-feira, novembro 25, 2014

Sócrates, dia 1

Como era esperado, há muitos pesos e muitas medidas. Os jornalistas atropelam-se para dizer muito sobre nada, muitas vezes. Outros acusam os jornalistas de serem sanguessugas que quebram o segredo de justiça. Surgem muitos pedidos particulares relativos à forma como lidar com Sócrates: uns pedem-lhe a cabeça numa bandeja, outros numa estaca. Alguns clamam por enforcamento no terreiro do paço. Alguns queixam-se que há um circo mediático. Outros dizem que não é mais do que o esperado, dada a situação. Pessoas clamam pela prisão numa cela pior. Outros dizem que não devia estar em nenhuma. Passos diz que os políticos não são todos iguais - e é verdade - provando que são todos iguais.
O povo é sereno, o caralho.

segunda-feira, novembro 24, 2014

Portugalaland

Um português adulto comporta-se desta forma: Da boca para fora, diz que todos os políticos são iguais. Mas calado espera pacientemente que um dia surja um Dom Sebastião, um Salazar, um Sócrates, qualquer um que tenha a qualidades que ele acha as ideiais ou, bem mais simples, para nem ter de pensar nestas qualidades ideais, que simplesmente diga o que ele quer ouvir.

Um caso de corrupção a este nível revela que afinal não há D. Sebastião, nem Salazar, nem Pai Natal, nem menino Jesus, de uma vez. O que deixa este espaço ocupado por mitos pronto a ser ocupado por algo que ainda não vimos.

Talvez o português perceba agora que não pode esperar por salvadores. E que o caminho é trabalhar com o que tem. Pessoas.


Já comecei um post sobre isto do Sócrates

Não consigo rematar nada porque é muita coisa ao mesmo tempo. Tentei abordagens diferentes: já comecei a abordagem com o Pai Natal. Já escrevi sobre milagres. Já apaguei tudo 3 vezes. Não tenho paciência para escrever sobre isto, é demasiado sério.

domingo, novembro 23, 2014

São todos iguais

Agora quero ver como é que descalçam a bota.

quinta-feira, novembro 20, 2014

Soa-me tudo ao mesmo II

A mamã quer ser mulher
O papá toma aspirina
O banzé que o gato fez
Na cabeça da menina

Tira o chapéu à entrada
O menino bate o pé
O tio Zé faz papada
chinelo na tromba, bebé

Pedante comercial
musica de fachada
Não fica no ouvido
Quando não rima.

Falo à grande
a fala de patrão
frases perfeitas
feitas de raspão


Nota: Não posso perder mais tempo útil da minha vida com albuns deste gajo: são sempre cantados com falta de ar e as letras têm sempre a mesma construção, que é uma entremeada de frase banal com frase de subentendido com a frase banal sempre com um jogo de palavras, paranomásias, aliterações e assonâncias. E quem ouvir Fachada confirme isto, que é óbvio.


quarta-feira, novembro 19, 2014

Ouvi B Fachada e lembrei-me I


Estou a pensar sei lá
Perdi a cabeça vá
Tomei a parte pelo todo
Vi tudo passar, tá

Comi presunto por bom
Cantei fora de tom
Tomei a parte pelo todo
Não percebo de som

Pequei na guitarra pequei
Quando pediram larguei
Tomei a parte pelo todo
Devia ser contra a lei

Fui à feira de chinelos
Comi sopa de Alfornelos
Tomei a parte pelo todo
Nunca fiz versos tão belos
Mas a minha mãe diz que não.

terça-feira, novembro 18, 2014

Não, isto não muda nada.

A coisa mais medieval que vejo na televisão neste momento são aqueles planos de pessoas de boca aberta que entremeiam todas as actuações naqueles programas tipo chuva de estrelas e afins ( sim, referência com 20 anos, eu sei ). São a actualização da gargalhada enlatada, mas para todas as situações possíveis.

António Zambujo, B Fachada, Luisa Sobral:

Expliquem-me como é que a voz de corneta passou a ser bem vista? Parece que estão sempre com uma insuficiência polmunar.

segunda-feira, novembro 17, 2014

Comissão de inquérito

Tomando como referência todas as comissões de inquérito e a sua função primordial de encontrar culpados mas dissipar a culpa até que não se possa atribui-la a ninguém, ver que a comissão de inquérito para o BES vai ser a maior de sempre e que já prevêem que vai demorar meses em trabalho, já estou a ver a quantidade de conclusões a que vão chegar.


Corrupção, the drug of a nation.

sábado, novembro 15, 2014

O Natal é assim, diz a Worten

A Worten lançou o seu anúncio de Natal. Habituada a vender tablets, telemóveis e máquinas fotográficas de todos os feitios a toda a gente, este ano deve ter tido uma surpresa enorme quando o pessoal do marketing descobriu que o seu público deixou de ser toda a gente e tinha passado a ser a marca de eleição dentro de um fenómeno fruto das políticas do governo: A fuga de cérebros.




A Worten sabe que o Natal é sobre ligar as pessoas e torná-las mais próximas, como a nokia. E este ano resolveu fazê-lo ligando um família a que vou chamar de Família Vasconcelos de Sá. Cientes do novo target, - gostava de ver os estudos de mercado que indicaram isto, a sério - escolheram uma família perfeita(mente) queque. O piano delicodoce que me começa a encher um bocado a paciência acompanha o filme do princípio ao fim porque sem ele a realidade das imagens ia mostrar uma felicidade absoluta, sem espaço para a saudade, para a distância. A criança feliz brinca com a mãe numa casa de revista que podia ser nas Avenidas Novas de Lisboa ou em Cascais, mas não: Há lá pelo meio um plano com neve imaculada lá fora. Só pode ser um país mais a norte. O marido está no trabalho ( só pode ser engenheiro, com uma casa destas no norte da Europa ou da América ). Depois vamos descobrindo os seus pais, que ficaram para trás. Não sei se sentem que ficaram para trás. Mas não conseguimos descobrir onde ficaram.  Nada parece Portugal. A avó Vasconcelos de Sá lembra a neta enquanto toca piano, o avô Vasconcelos montou a árvore de Natal na sala com a janela panoramica a dar para o mar e para a piscina. "Está imenso frio aqui", diz a filha, lá no norte, enquanto os pais se banham na piscina. Aqui finalmente percebi que não estão em Portugal. Isto é quente mas não é o Rio de Janeiro. Pela arquitectura, diria que estão em Malibu. Ou então isto é só uma história de saudade dentro uma família rica, mas não o suficiente para ajudar a filha a não ter de emigrar, contada em Agosto.

quinta-feira, novembro 13, 2014

Legionella Andrade

Neste país de bimbos, a linha da frente é ocupada pelos bimbos dos jornalistas. O jornalismo português está muito longe do jornalismo sensacionalista de outros países mas não deixa de ter muito podre. Engana. Como é educado e calmo, como o povinho, habituado a essa conversa dos brandos costumes, passa por baixo do radar. A Legionella foi o orgasmo do ébola que não veio. Semanas de tensão e nem um emigrante sequer com ébola. Nem médicos. Nem enfermeiros. Nada. A Legionella veio acabar este coito interrompido e foi ver jornlistas a fazer os directos de Vila Franca, ground zero da emergência, o tom de alívio, finalmente uma coisa com escala, o garbo de saber que é a maior crise de Legionella em anos, vamos ter entrada na wikipedia, vamos ser um caso de estudo. Somos uns bimbos.

* Tinha de fazer aquele título.

terça-feira, novembro 11, 2014

O chão é que é torto

Pensei, preciso de uma rede na chaminé, está sempre a cair lixo cá em baixo. Pensei, vou fazer a solução mais simples possível e que cause o mínimo de estrago. Loja do chinês, pack de filtro do fogão com quadrados de fita cola dupla incluida. Chego a casa, fogão para o lado, cadeira para chegar lá acima, colo a fita cola na chaminé, colo a rede à fita cola. Chego a casa passado 8 horas. Rede está no chão, quadrados de fita cola não pegam. Fogão para lado, cadeira para chegar lá acima, colo fita cola normal em quantidade na chaminé, colo a rede à fita cola. Chego a casa passado 8 horas. Rede está no chão,  fita cola em quantidade não pega. Loja do chinês, imans de frigorifico para colar à parede e poder retirar a rede a qualquer altura. Chego a casa, desmonto os imans, fogão para o lado, cadeira para chegar lá acima, pistola de cola, colo os imans à chaminé, pego na rede e nos outros imans e os imans são fracos. Caiu um ao chão. Foi para debaixo da bancada da cozinha. Desço da cadeira, desmonto mais um iman na sala. Subo a cadeira, pego na rede e nos outros imans e os imans são fracos. Caiu outro ao chão. Foi para debaixo da bancada da cozinha. Desço da cadeira, desmonto mais um iman na sala. Subo a cadeira, pego na rede e nos imans que restam e os imans são fracos. Desço da cadeira, pego na pistola de cola, colo a rede nos imans porque não estou para os descolar. Depois meto cola a ferver num dedo, sem barafustar porque estou preso dentro da chaminé. Colo a rede ao iman.

Moral da história: Mais valia ter ficado no sofá.

domingo, novembro 09, 2014

As testemunhas de Jeová são como os taxistas


Abri a porta por engano e aparece uma velhinha muito simpática que me pergunta quem controla o mundo.
Apesar de saber onde isto ia dar, não consegui dizer que não estava interessado, porque estava interessado em responder. Apliquei o modelo de conversa que aplico aos taxistas. Instalo a dúvida, colho conclusões.
- Ah, ninguém. É auto-regulado ( aqui ainda não tinha visto o folheto ).
- Acha mesmo?
- Claro. Tudo o que acontece é mesmo assim.
- Acha que Deus não teve o objectivo de fazer um mundo perfeito para vivermos?
- Bom, o mundo não é bem perfeito para viver. Ou então andamos a construir casas demasiado a norte, olhe o frio que faz.  Não deviamos precisar de tanta roupa.
- Mas como é que acha que tudo acontece como devia acontecer? Há pessoas mesmo más.
- Nah, isso somos todos.
- Não acredita em Deus?
- Como as outras pessoas, só quando estou mesmo à rasca.
- Não acha que há uma ordem em que as coisas são feitas? sem ser física, química... ( vê-se logo que a doutrina é feita por americanos, qual é o tuga que fala de física para questionar Deus? Um tuga sabe que Deus não existe porque nunca ganhou o totoloto ou porque o Benfica não ganhou a semana passada )
- Tem dias.
- Sabe, quem manda no mundo é Satanás.
- Ah.

Conclusões deste tempo recorde que passei com uma testemunha de Jeová: Estão a ficar melhores, dantes eu abria a porta e começavam a debitar sem parar até eu conseguir apanhar-lhes uma pausa para respirar para os conseguir interromper. Ao contrário dos taxistas, estes não têm dúvidas em nada. Um taxista ainda se questiona porque respeita as hierarquias: Pessoas de fato, Pessoas que sabem de bola como eles, Pessoas que dizem coisas mais estranhas que eles.

quinta-feira, novembro 06, 2014

Ideia grátis

Vendam uns frascos de shampoo a um décimo do preço só com um resto no fundo  e um autocolante "adicione água antes de usar.". Isto dura pelo menos uma semana.

Daqui à noite

A esta hora, a Morais Soares só tem putos de capuz, gente a ir à farmácia à procura de creme para o pé de atleta e taxistas a caminho da padaria.
Tropecei num taxista a sair da padaria. A cabeça caiu-me pela calçada abaixo e só a apanhei à boca do metro de arroios, entrada nascente, depois de uma corrida meio atabalhoada onde perdi o pé esquerdo. Recompus-me apenas para descobrir o estado em que tinha ficado o meu pé. Atleta? Capuz.



Disclaimer:

quarta-feira, novembro 05, 2014

Fico sempre na dúvida





A casa dos segredos ajuda a mudar mentalidades ou não? É que esta miuda é, para todos os efeitos, uma libertária.


 

segunda-feira, novembro 03, 2014

O mais perverso

O que é mais lixado neste mundo onde passamos o tempo a reclamar, é que no fundo ele nunca foi tão bom como é agora.

O escritório politicamente correcto

Num escritório onde o inglês é obrigatorio todos os dias mas onde ainda há muitos portugueses, observo este fenómeno que não posso dizer que seja negativo mas que revela como é complicado ser emigrante, por exemplo.

Um tipo entra de manhã e diz em português:
- bem, ontem estava em casa à noite, tipo às 10, e os vizinhos de baixo estavam a comer-se. Quando chega a hora, o gajo solta um urro que parecia um urso. O prédio todo deve ter ouvido aquilo. Vou olhar a vizinha com outros olhos, agora.

O mesmo tipo diz em inglês:
- 'morning people. How was the weekend?

domingo, novembro 02, 2014

Sobre os piropos

Vi por aí muita reacção ao tal video dos piropos. Achei importante revelar que há solução e que há muito piropo decente. Os do vídeo eram piropos de trolha, quase todos. Cá ouvem-se perto de andaimes, ou vindos de camiões de mudanças.
Declamam-se assim ao longe ou em andamento porque um piropo, independentemente do nível formal, funciona como um boomerangue, atira-se para longe e a) leva-se com ele na tromba b) funciona. A distância é importante no caso dos de trolha porque 99% das vezes devem levar com ele na tromba ( estou a dar 1% de margem embora não acredite que seja possível ). O piropo de trolha é basicamente algo entre uma actividade desportiva ao ar livre e uma forma de performance artística. Não serve para nada senão passar tempo.
Como uma boa quantidade de problemas que a sociedade tem por resolver, o problema dos piropos resolve-se com educação. Não a educação entendida como vinda da "má-educação", mas a educação no geral. Escolas. Licenciaturas. Mestrados. Doutoramentos. Claro que estas coisas não resolvem nada no mundo - não há nada que por si só resolva alguma coisa no mundo, isso parte de todos individualmente - mas obrigam os labregos a deixar os os piropos de trolha face à concorrência crescente e a desenvolver piropos refinados - quando um piropo é refinado, educado, passa a chamar-se sedução - deixando eventualmente de ser labregos e isto tem a vantagem de, como efeito secundário, resolver todos os outros problemas da sociedade, nomeadamente civismo, corrupção, Marinhos Pintos ( o gajo tem cara de quem manda uns piropos daqueles tipo "pijama de cuspo" ), o Colombo cheio de gente ao domingo, a taxa de abstenção nas eleições, o Marinho Pinto ser eleito, ninguém ir preso por inside trading no BES. Quanto a acabar com os piropos com campanhas de sensibilização, esqueçam. É uma perda de tempo. Estão a tentar sensibilizar primatas. Como é que acham que o pessoal da casa dos segredos se reproduz? a declamar Keats?

quinta-feira, outubro 30, 2014

A Terceira Vaga

O empreendedorismo que tanto odiava e que agora me alimenta todos os dias, mudou. Bom, na verdade está na mesma, simplesmente já lhe consigo ver as nuances. Passou a ter uma corrente mainstream. O ciclo temporal que define quão cool uma coisa é está a aproximar-se do fim ( sim, empreendedorismo pode ser cool ). Este fenómeno observa-se em tudo, desde a publicidade ou a plantação de oregãos, até à industria de congelados da Póvoa do Varzim. Os Early Adopters já sairam do jogo, uma segunda geração já vinga, a terceira limita-se a macaquear as soluções que já viu que resultavam. O jargão mantém-se, a postura muda. A publicidade passa por isto. Claro que há sempre pioneiros a mudar o mercado neste momento, numa cave algures, mas esses só serão reconhecidos passados uns anos. Parte desta nova vaga de empreendedorismo ( eu estou nela, mas sou diferente, claro ) é só uma bandwagon. Pegam em modelos de negócio bem conhecidos ( exemplo: um restaurante, venda de serviços ) e dao-lhe uma pincelada de inovação, e isso aparentemente chega. Mas não chega. Por isso é que já estou cheio da porra dos restaurantes da treta, das "novas soluções com um toque de tradicional" e essa bacocada toda. Façam coisas novas. Parem de tentar inventar novos pasteis de nata. Parem de fazer coisas com hamburgers. Parem de meter cadeiras de cores diferentes nos cafés, não pintar o tecto sequer e ainda assim cobrar 2 euros por um café. Façam-me perceber porque é que hei-de pagar mais só porque são iguais a mais 30 cafés na mesma zona. Parem de empregar primas betas que demoram 20 minutos para fazer um café. Parem de me foder a cidade. Morram longe.

quinta-feira, outubro 23, 2014

Lisboa autofágica

O português tem um orgulho desmedido da sua comida. Vejo isto todos os dias, no orgulho com que recomendamos aquele tasco, o restaurante escondido que conhecemos e que, como iluminados, mais ninguém conhece, um prato de bacalhau que só há cá, o peixe só daquela tasca. É um dos produtos do país mais visíveis e dos que vendemos mais para quem cá vem, tanto comercialmente como culturalmente. Os restaurantes são do mais importante que temos, enquanto destino turístico. Mas não pela qualidade gastronómica. Os nossos pratos sabem sempre bem e isso é ponto assente. Não admira: usamos toneladas de condimentos, ervas, vinho, molhos, tudo para disfarçar o gosto original de tudo. E fica bom. Até pode ser carne má, peixe morto, não quero saber. Toda a gente sabe o que são as "grelhadas mistas" e a carne-ao-piri-piri. Não interessa. O que interessa é que lhe deram a volta e sabe bem. Os tascos funcionam assim e eu, declaradamente, gosto.

Vivermos habituados a este porto seguro que é a comida tem promovido a comida como negócio, repetindo-se até ao infinito em ofertas iguais, espalhadas pela cidade e pelo país. O modelo é sempre igual, pegue-se em algo tradicional e misture-se com o novo e é sempre bom. Soa bem? sim, mas a nossa comida real não é slow-food, essa espécie de versão heroica da fast food. A fast food usa truques básicos para nos enganar, adoçando tudo com açucar. A slow food que andam a vender adoça tudo com azeite premium, quadros de gis ( com letras manhosas ) e pechisbeques parecidos com antiguidades pelas paredes.

Isto dos restaurantes novos é como os minetes, toda a gente acha que é o melhor do mundo naquilo, mas na realidade só uns quantos é que se safam. É deixá-los estar.



Disclaimer: eu gosto de tascos genuínos e de tudo, desde que tudo seja só o que é.

terça-feira, outubro 21, 2014

Avarias, memória descritiva

Ano da Era do Senhor de 2014, a casa para memória futura e para a senhoria não dizer que fui eu que lhe lixei o apartamento:

Da entrada à sala vão dois passos, no primeiro a primeira tábua range ao primeiro calcanhar mas cala-se assim que passo além. Há tábuas comidas pelo bicho da madeira. O interruptor oscila no eixo do x mas também no y, o que é mau sinal. Dou-lhe pouco tempo, a andar assim de lado. Não arranquei os 3 pregos da parede da sala que parecem poder ter pendurado um baloiço em tempos. Todas as lampadas da casa rebentam de mês a mês, tirando a do frigorifico, que é azul e fraca. É pena, queria lá por uns leds do tunning que fizessem o frigorifico mais interessante para os que lá vivem. O corredor em meia cana está a abaular. Não fui eu. As luzes do corredor, não as substitui. Acho que os cantos queimados à volta dos casquilhos são prova do mau design original. Na cozinha, continuo a admirar a colecção de interruptores de parede que não dão a lado nenhum. Ainda não descobri para que serviriam. Não lhes vou mexer. As mini-gavetas onde só cabem facas na diagonal também não lhes vou mexer, continuo a usar só talheres de sobremesa. Lembrei-me disto tudo porque a toalha desequilibrou-se a secar no varão e caiu na sanita, e não fui mesmo eu.

Deixem-se de tretas

Se querem mostrar que são intelectuais, digam que não têm internet em casa. A televisão já não pega.

sábado, outubro 18, 2014

Dos copos

O mundo é sempre interessante e fico, dia a dia, mais admirado pela capacidade de muita gente disparar opiniões sanguíneas sobre coisas que não interessam muito. Os temas são muito sobrevalorizados. Estar ou ser é muito mais importante.

sexta-feira, outubro 17, 2014

Estudo: Os alicerces da piada

Há muitas regras e os bons ultrapassam as regras, mas isto pode ser basicamente algo como: Apresenta-se uma situação banal, coloca-se um evento no caminho e apresenta-se uma solução imprevista, inédita, chocante, grotesca, subversiva, freudiana co-relacionada com a situação banal. Todas as piadas de um-alemão-um-inglês-um-português-e-um-espanhol têm esta estrutura, por exemplo. O nível de banalidade, a verosimilhança do evento e a originalidade da solução a somar à distância entre estes 3 factores - e aqui há um desafio gigantesco, encontrar a palavra certa que é imprevista ainda que esperada desde o início, a palavra que faz a piada explodir no cérebro, distante que chegue do esperado mas não longe o bastante para perder a conexão com o que o cérebro pode processar - dita o nível atingido. Pessoas como o Nilton, o Sinel de Cordes e metade do canal Q ( não vejo muito, não tenho tempo para procurar a metade certa ) cumprem aquele mínimo de distância. Nunca me arrancaram uma gargalhada na vida.
 

As do Nilton são as mais espetaculares, o homem deve lembrar-se delas enquanto caga, são sempre qualquer coisa como ( leiam depressa e com voz de otário-que-não-percebe-o-mundo ) "A minha vizinha no outro dia ia a descer a escada e eu ia cheio de pressa para ir para a rádio, eu faço umas coisas na rádio não sei se sabem, e a mulher tem um cu tão grande que eu não conseguia passar! Aquilo devia ter uma placa "veiculo longo" atrás.". Tem piada? ... alguma? Dá trabalho? não. Mas há um público para isto.


Edit: Esta chegou até mim há minutos.

Parodiantes de Lisboa, Versão 2014

segunda-feira, outubro 13, 2014

Ébola em Portugal

O futuro do mundo passa pelo A/B testing. Depois de todos os não académicos se aperceberem das vantagens desta ferramenta, todos os processos ( internos, externos, comportamentais, profissionais, etc ) podem ser testados por meio da formulação de teses e pela medição repetida de resultados das provas baseadas nessas teses, o mundo vai ser bastante mais eficaz a longo prazo, mas muito estupido a curto prazo. Exemplo: Este post sobre o impacto do ébola em títulos de posts é feito com base numa tese. Os resultados serão publicados brevemente.

Globalização

Hoje descobri que na Grécia também vão a rastejar para uma capela no meio de nada que foi construida num sítio visitado pela virgem Maria. As aparições da virgem dão-se, parece-me, em pelo menos um sítio em cada nação. Acho que dá para fazer um tour à volta do mundo de joelhos à conta destas aparições sem nunca perder a rede, género wifi-spot-beato.

domingo, outubro 12, 2014

Por isso é que inventaram os telecomandos

Estava aqui distraido e deixei a televisão ficar na TVI, pela primeira vez ouvi a Teresa Guilherme mais de 10 segundos de seguida e descobri que há um discurso introdutório à casa dos segredos. O que não imaginava é que fosse tão complexo e longo. Acho que é feito para rir mas não tenho a certeza. Só pode ser arte e da mais pura que já vi: não percebi nada, achei tudo pretencioso e não deu para rir sequer.
A Teresa Guilherme é uma absurdista.

quinta-feira, outubro 09, 2014

O patronato user-friendly e o F.A.Q do universo

Não brinquem: nestes ultimos meses de trabalho, tenho aprendido umas coisas que me aproximam, dia a dia, do satori absoluto. Se relativizava muita coisa por achar que sou só mais um que anda aqui na nave, agora tenho de incluir cada vez mais coisas na lista de coisas relativizáveis e suspeito que até ao fim do ano sou capaz de entender o Marinho Pinto e o Hitler. Trabalhar com gente parva? já sei como é. E com gente brilhante? idem. Velhos? sim. Novos? sim. Outra culturas? Check. Outras culturas mais novas? idem. Com horários? sim. Sem horários? sim. Só me falta deixar de ser um outsider. Para fechar no mesmo estilo, este post é um AMA.

terça-feira, outubro 07, 2014

Ébola: Estudos

Esqueçam a época da gripe, está aí a época do ébola. Aqui ficam algumas conclusões tiradas de estudos anteriores. Há vários.
  • O Ébola espalha-se pela televisão.
  • O Ébola anda a consumir o Marinho Pinto há meses.
  • É melhor apanhar a vacina da gripe, pelo sim pelo não.
  • O Ébola apanha-se nos tampos das sanitas, como todas as outras doenças conhecidas.
  • O Ébola apanha-se em bancos de jardim.
  • O Ébola desenvolveu-se de forma a reproduzir-se nas caixas dos trocos das cabines telefónicas.
  • O Ébola desenvolveu-se de forma a reproduzir-se nas caixas dos trocos das máquinas de bilhetes do metro.
  • O Ébola é pior que o Nilton - só porque o Nilton é a nova versão dos Delfins - nunca foi bom nem deu sinal que o seria, e mesmo assim parece que criaram grandes expectativas a cumprir.  
  • O Ébola passa-se só por fluidos corporais ao redor de aeroportos.
  • O Ébola causa mononucleose, sapinhos e canalQ.
  • A televisão propaga o Marinho Pinto tanto como o Ébola.

Famosos com Ébola:
  • O Rei do Mónaco
  • Toda a gente na casa dos segredos ( isso queria eu )
  • O Cavaco

Terapias aconselhadas:
  • Rorshach
  • Sumol
  • Gel efeito molhado
  • Fazer reféns em jardins de infância

segunda-feira, outubro 06, 2014

Sobre o Marinho Pinto, agora com PDR

Tenho a certeza que ele está a por em prática uma ideia que tenho há uns anos. Sempre que me perguntam "se tivesses x dinheiro, o que é que fazias?", respondo "um partido ou uma religião". Só para ser troll e provar que é possível, por pior que seja a fazê-lo. O Marinho Pinto é o mesmo, só que quer encher os bolsos com isso. 

sexta-feira, outubro 03, 2014

Leitura Matinal II

Ainda puto, lia uns livros manhosos, pretos com letras douradas, sobre todo o tipo de "mistérios inexplicados" o material das teorias de hoje, e lia todos os que apanhava. Ao fim de uns anos a ler os livros - relia-os, porque achava aquilo fascinante - comecei a achar estranho algumas das coisas serem ditas de certa forma, consistente entre todos, um padrão. Havia sempre referências bastante más a judeus, havia sempre ligações entre tudo e tudo, havia ligações entre algumas fotos e umas legendas bombásticas, mas nunca ficava convencido que as fotos eram o que a legenda dizia nem que os judeus conseguiam fazer tanta coisa sem ninguém perceber. Parecia tudo demasiado importante para ser ignorado. Em 2014, as mesmas conspirações alimentam uma boa parte da internet - e de algum espaço político dos U.S.A. - e incrivelmente, há mais factos, provas e entrevistas sobre um evento que ninguém sabe se realmente aconteceu do que havia há 20 anos. Lembrei-me disto porque achei um artigo que consegue provar que Tesla era um génio, que foi assassinado pelas SS, as ligações com os Bush, e que Hitler está vivo. É quase tão bom como ler o Correio da Manhã.

quinta-feira, outubro 02, 2014

Leitura matinal

Cruzo-me com o hooligan simpático - o vizinho de lá de cima que tem tatuagens a subir-lhe pelo pescoço acima e tem o pitbull mas que até agora é o unico que com que deu para comunicar normalmente - e diz-me que alguém deixou um recado na minha porta, mas que não tinha conseguido ler tudo. "Veja lá o que é, eu não percebi.".

quarta-feira, outubro 01, 2014

O Processo

Profissionalmente, tenho de escrever quase todos os dias. Faço por escrever com humor*. O humor escrito para Interfaces de sites aligeira a abordagem de problemas sérios e humaniza a comunicação. Um site deixa de ser maquinal e passa a ter uma personalidade, gente real atrás daquela interface, gente que se frusta, que se alegra, que empatiza.
Há uns anos, estava cheio de design porque via como garantido o caminho que nos levou até onde estamos hoje: um Designer é um género de algoritmo bom a criar versões da solução que toma como ideal e esse processo acaba quando o tempo designado para o processo acaba. Não parece muito interessante ser designer, visto assim.
Escrever seria uma forma de continuar a criar, mas sem perder tempo com 6 ou 7 interfaces em programas diferentes e processos criativos diferentes. Na minha ideia, escrever não precisava de esboços. Não havia maquetes. Não tinha de fazer export para PDF. Nada. Era só eu e um editor de texto.
Mas escrever profissionalment é tirar a piada de escrever. Estão lá os processos todos na mesma, afinal. Escrever com humor dá muito trabalho e tem pouca piada. Escrever um email com 2 parágrafos leva-me 10 minutos. Escrever 2 parágrafos com piada leva-me meia hora. Vencer a tendência portuguesa de falar de coisas sérias com um tom salazarento e mostrar que é possível ter piada e ganhar milhões na mesma, leva-me mais 2 horas.
O email de 2 parágrafos terá umas 3 versões, a autocrítica não deixa serem menos. Depois, as opiniões. E há que dissecar todos os elementos da piada, como a um sapo. A cada análise, o sapo vai esmorecendo mais um pouco. Quando chego à 7ª versão do email, a piada morreu e o sapo também já quer dar uma opinião.
É fácil desistir quando este processo se arrasta por um bocado. A ideia original, que parecia viva, intencional, espontânea, já foi tão debatida e adulterada que já não a consigo ver assim. Não és tu, sou eu. Não dou mais que isto, cheguei ao limite do neurónio responsável por escrever com piada. Os 2 parágrafos que já tomaram 2 horas têm de ser fechados e surge a tentação de resolver tudo rapidamente, em 2 a 5 minutos, com a não-ideia, run-of-the-mill, chapa 10, que não ofende mas não resolve: Adia. Ninguém ganha. Nem o sapo, que se engole no fim.

* Não tenho pretensão de dizer que tenho piada a escrever neste blog, mas tento, obviamente. Escrevo todos os dias em inglês. Não é fluente, é como digo sempre, mangled. É mau. É um misto de inglês de Wiki com Stand-up e Sitcoms americanas.

domingo, setembro 28, 2014

Por falar nisto, mais um estudo

A temperatura de cor da luz de uma casa diz qualquer coisa sobre quem a ocupa.

Chamem-lhe arquétipo

Acabou-se o sossego. No dia em que subi a escada do prédio e encontrei o chão cheio de lixo na direcção e até à porta do vizinho do lado, verbalizei um conjunto alargado de experiências, conceitos e pensamentos numa uma única palavra: Foda-se. Ainda dei um dia, na esperança que fosse gente que como eu, que é importante e que tem mais que fazer, mas que acabaria por varrer a escada.

Não. No dia seguinte, confirmei. Pessoal das barracas, só pode. O pessoal-das-barracas não é pobre, nem vive em barracas, nem é de uma raça nem estrato social específico, é o termo para gente que acha que é muito complexo viver em sociedade. Até sei como é: Vivi com pessoal-das-barracas como vizinhos de baixo uns anos. Foi o mais próximo possível de viver com um episódio da casa dos segredos ao vivo:
Tudo era muito complicado e a interacção é intelectualmente sempre ao nível do jardim-escola. Barulho na escada? o míudo é pequeno, não tem culpa. Lixo atirado da janela? sem resposta. Berraria em casa? sem resposta. Atrasos a pagar o condomínio? a vida está cara e eu não sou rico. As janelas deixam passar vento? Este prédio é uma merda, não pago. A vizinha queixa-se? Deve ser inveja. O vizinho não tem medo de sair à rua à noite? Eu tranco-me em casa a correr quando venho da rua. Sim, em todo o lado há dragões. Tudo muito complicado, porque o pessoal-das-barracas vive uma realidade medieval em que é perseguido de todos os lados. E é verdade. Se tivesse toda a gente a apontar-me defeitos, também me cansava. Mas depois contemplava a hipótese de ter de, vá lá, dar o braço a torcer e aprender a viver com mais primatas.

Há bocado ouvi uns berros em dialecto burgesso do lado de lá da parede da sala. Acabou-se o sossego.

Marketing tem de morrer

Magical my ass
Senhores: A bifana é mágica porquê? Ir ali ao canto do Camões e pedir uma bifana, uma imperial e um croquete é a coisa mais portuguesa que se pode fazer, mas não é mágica. É no máximo, típica. É uma bifana. Não é um prato pseudo-gourmet, nem gourmet sequer. É uma bifana. Uma bifana nunca deixa de ser o que é. Uma bifana é carne de segunda frita em óleo velho, numa carcaça. Não há como fazer bifanas melhores, as bifanas são assim. É uma bifana. Uma bifana não tem como ser mal feita nem tem como ser melhor. Qualquer bifana é o ocaso das bifanas. havendo uma escala de classificação para bifanas, todas valeriam 3. É uma bifana.

Já pregos é outra coisa.

quinta-feira, setembro 25, 2014

Precisam-se voluntários para estudo

Procuram-se humanos com genuíno interesse em saber se o Seguro é melhor que o Costa, idóneos.

quarta-feira, setembro 24, 2014

A realidade é paralela

Nunca devia ter deixado de ver televisão com luvas e tenaz. Voltei a cair na morte cerebral do telejornal, dos comentadores, dos deputados, dos ministros. Já me tinha esquecido do que é viver nessa má montagem que é a realidade da televisão. Se o Twittósfera nacional me enjoa pela trica política gratuita e pelo caciquismo - caciquismo modernaço e educado continua a ser caciquismo - galopante, a televisão enjoa muito mais porque promove o bolor sem disfarçar. Só coisas fora-de-prazo e sem vergonha na cara: O jornalismo stand-de-microfone, o Marques Mendes, o Sousa Tavares, o Marinho, a política como comédia, os deputados como inimputáveis, o Passos que fugiu à lei mas de certeza que foi sem querer, tudo. Já percebi que não é preciso mais exemplos, porque isto é um filão sem fim, mas a solução sempre esteve à mão:
Larguem a televisão, lá fora fazem-se coisas.

Para acabar, à sexta feira costumo ir buscar o almoço à churrasqueira. Enquanto estou na fila, vejo o programa da manhã de um canal qualquer, já a chegar à uma da tarde. É porno para os velhotes que vêem o gordo, o Jornal do Crime  a cores, com detalhes gráficos à altura de confirmar que o mundo é o pior possível. Depois querem que isto ande para a frente.

terça-feira, setembro 23, 2014

Animais de estimação

Deixei de ter gatos e adoptei formigas:

Não miam alto, não partem nada, não afiam as unhas no sofá. Não mordem. Não arranham, não são territoriais e não ocupam espaço. Não largam pêlo. Não cheiram a gato. Comem pouco. Podem ser dezenas e não levam mais que as migalhas do pão da manhã. À tarde ainda o estão a comer. Ao contrário dos peixinhos de aquário, têm uma memória com uma retenção anormal, tiro-lhes a migalha e ficam à procura dela no mesmo sítio por mais 2 horas. São divertidas, também. Brincam o dia todo sem chatear. Quando lavo a louça, estão à minha volta a ver, curiosas. Gostam de ver o Gordo. Fazem carreiros a dizer "Zeca Afonso". Não as preciso de passear à rua, saem por uma fresta da varanda e voltam quando lhes apetece. Nunca fico preocupado se ficam debaixo de um carro. Se mato uma sem querer, aparecem mais 10. Têm carácteres muito diferentes. Acho que lhes vou comprar um hamster femea para lhes fazer companhia.

segunda-feira, setembro 22, 2014

Problemas de identidade

O Novo Banco não nasceu sob uma boa estrela. Tem tudo para falhar, menos o facto de ter nascido já com clientes. É um bom princípio, mas não chega. Por isso, fizeram uma nova identidade.

Tecnicamente, cocó.

O Novo Banco - uma designação neutra e própria de advogados e técnicos de finanças - surgiu em helvetica e com uma borboleta. Como a Helvetica já não diz nada a ninguém, a borboleta diz tudo. A borboleta disse tudo, a meu ver: O BES, banco aparentemente bom, era uma lagarta da couve. Comia o seu peso em ouro todos os dias, já gordo escondeu-se no seu casulo e quando uns tempos depois eclodiu, revelou-se uma linda borboleta, livre de ganhos e cancros, deixando para trás uma má primavera. Diriam que é um falso raccord, a memória imediata leva-me para a lagarta porque conheço ambas as histórias, a da lagarta e a do banco. Quem começou a contar esta nova história tinha na mente contar a outra metamorfose boa conhecida, a do patinho feio. Mas os tipos do banco com o pelicano disseram logo para tirarem o cavalinho da chuva. Não são burros, não.
Veio assim a borboleta contar a história de como nasceu com 2 milhões de clientes, não há que disfarçar, uma borboleta que nasce já com o bucho forrado de ovos. Campanha inerte, identidade inerte.

Eis que relançam, passado 2 meses, a nova identidade. O baptismo dado pelo Banco de Portugal pegou e mantiveram a designação. Seria arriscado dar um nome novo ao banco novo dado que o nome mais recente do banco novo era novo? banco.
Aplica-se uma fonte moderna, arrendondam-se os cantos e mantém-se a borboleta, agora metaformoseada. Uma borboleta que ainda ninguém conhecia ( ou acham que alguém liga a publicidade? ) passou a ser icónica em 2 meses. E digo icónica no sentido hieroglifico do termo, porque agora não sei  o que é. É a borboleta? É uma traça? a metade traseira de umas aspas? um pássaro?

Arranjem uma marca nova. Já deram cabo de tudo, mesmo.

sexta-feira, setembro 19, 2014

Taxismo do dia

Depois de 10 minutos a andar, o taxista pergunta: " então, está tudo bem consigo, tudo a andar?". Não percebi se o tom era de médico ou psicólogo.

É só pegar na bicicleta e é isto

Bike fanboys. Os fanboys são como os Lovers, mas aplicado a objectos. O "Fanboy" mais conhecido é o da Apple. O objecto-computador deixa de ser um objecto e passa a objecto de adoração, ganhando propriedades metafísicas e causando azia em volta.
Na prática, é o efeito do marketing quando resulta bem. Ao que o fanboy responde "não é nada, o computador é mesmo espetacular, já viste isto e isto e isto?". Não, ainda é só um computador bom.

Com as bicicletas de cidade é pior. Em Lisboa não encontro muitos "commuters" mas sempre que apanho um, a conversa começa assim: "ah, boa. Tens uma Brompton?"

Não, porra, não tenho. Tenho uma bicla do hiper, surpresa, tem 2 rodas, assento e guiador mas isso nunca chega. Assim a olho, diria que 90% do rendimento de uma bicicleta depende da vossa vontade e das pernas. Mas vejo o olhar de desconsolo, triste a pique em direcção ao chão quando ouvem "não, é duma marca qualquer", eu sei que ficam de consciencia pesada se disser "essas custam os olhos da cara, isto é uma bike para andar". Se acham labrego as dondocas andarem com logos Chanel, expliquem lá porque é que acham que isso da Brompton é menos bimbo?

2014, os humanos ainda não largaram a dependência de tribos. E ainda querem que o país ande para a frente.

Não me podia interessar menos

Escócia? para cada território a pedir a indepência, há 1 a ser anexado. Não faz diferença, estamos todos no mesmo barco e ninguém sabe nada, no fim. A votação acabar aproximadamente nos 50/50 prova-o.

quinta-feira, setembro 18, 2014

Aquela discussão sobre a cópia privada

Há dias, vi o Prós e Contras, provavelmente a unica vez nos ultimos 3 anos. Geralmente é uma perda de tempo: tem a Fátima Campos Ferreira, que pertence ao género de pessoas-que-sabem-ler-mas-nunca-parece, um género onde é omnipresente e que em Portugal é ocupado por peças como o João César das Neves ou o presidente do ACP.
Só assisti ao debate por 2 razões: Domino o tema e detesto o Prós e Contras; acho que a lei está assente numa premissa errada.

O tema tem visibilidade porque os poucos que querem intervir politicamente no país fazem-no na blogosfera. Em Portugal o Twitter só é usado por boys. Foram eles que deram a cara no debate, frente aos artistas ( todos velha guarda ) e à SPA. Assistir a este debate permitiu-me confirmar algo que já suspeitava - provavelmente isto é preconceito, à conta da apresentadora - há algum tempo: se extrapolar o que ouvi sobre internet, copia e consumo digital a todos os temas que passam pelo P&C, ninguém sabe do que anda a falar e o programa não tem interesse nenhum. Perdi umas horas da minha vida mas confirmei isto, posso voltar a não ver televisão de encher-chouriço como é habitual.

O argumento batido e primário "se pago uma taxa por usar um disco que pode ser usado para ter musica pirateada, então devia ir preso por homicidio por comprar uma faca" mistura 2 assuntos mas continua a ser válido, de tão mal amanhado que é o projecto de lei, uma proposta que admitiram datada por não ter sido aprovada em tempo útil e adiada pelo governo. Novamente, extrapolando o que se passou com este projecto de lei, fico com a ideia que temos legislação em barda para 98, mas nada para 2014. Ainda assim segue, datada, assente numa premissa que é cada vez mais errada, e numa altura em que, graças aos serviços online que ignoraram completamente no debate, as vendas de musica sobem, ao fim de anos de queda contínua.

Sobre coisas sérias

Nestes ultimos meses, tenho vindo a trabalhar numa empresa ( também ) minha. O que tem sido uma aventura em vários aspectos, mas essencialmente uma escola. Trabalhar com pessoal com metade da minha idade e com caminhos - apesar de curtos - bem diferentes e com pessoal da minha idade e caminhos bem compridos e diferentes é um abre-olhos que me permite ainda ter mais a mania que sei tudo. Felizmente não uso esse conhecimento no trabalho, senão era mesmo chato. Por outro lado, não vou deixar de ser o palhaço de serviço tão cedo.

domingo, setembro 14, 2014

Taxismo da semana

Falar do tempo é normalmente a maneira de iniciar a conversa. Mas normalmente não levam tão pouco tempo para mudar o tema  da conversa para a invasão angolana que vai transformar Portugal no Brazil em 5 anos.
Ele avisou, os angolanos andam a comprar tudo. Daqui a uns anos isto vai ser como em Moçambique, com os retornados, e os portugueses vão ter de sair do país. ( Há aqui uma regra: sempre que um taxista fala em retornados, uma boca racista surge nos 7 segundos seguintes ).
Aparentemente, vivo numa bolha, onde não tomo atenção aos sinais: os angolanos andam a comprar tudo e a substituir os empregados brancos por pretos - salvo em restaurantes, onde os portugueses não gostam de ter pretos a mexer na comida - e um dia destes não há emprego para brancos.

- ... Mas isso não vai levar ainda uns anos bons?
- Na, eles andam a comprar tudo. Olhe a Expo.

Mas a culpa é dos patrões. Os patrões, essa classe profissional, tem financiamento gratuito nas empresas, confirmou-me. Por isso é que vendem tudo por tuta e meia aos angolanos.








Depois vi a admiração por um inimigo valeroso. Os angolanos compram tudo mas não são burros, fazem dinheiro. Compram restaurantes, que são o melhor negócio do mundo, mas não compram taxis, lamenta. ah, porca miséria. Só investem em coisas que interessam. Um império angolano de taxistas racistas ( ou pretos, melhor ainda ) a tomar conta de Lisboa pode não acontecer.

- Eles estão todos a vir para cá. Eu já deixei de fazer serviços no aeroporto por causa deles. Tá a ver, o Ébola.
- O Ébola?
- Pois está a ver, o Ébola não tem sintomas. Os gajos pegam aquilo, e como a classe média e média baixa anda a fazer umas poupanças, compram o bilhete e vêm para cá, porque lá não há hospitais.
- ah. Isso pega-se fácil, é?

E isto são 17 minutos de viagem.

Quando dizem que em Portugal não há racismo, não é bem verdade. Aliás, é uma tanga gigantesca. Só não o debatemos. Os portugueses não gostam de debater nada.