sexta-feira, agosto 14, 2015

Poupem-me, que é Agosto

A Silly Season, o PS e o Observador deram o mote: Há publicidade a ser feita com fotografias de pessoas que realmente não são do PS e não estão desempregadas.
Como seria de esperar e óbvio, descobriram-se outros cartazes - agora do PSD - que também usam bancos de imagens.

Como seria de esperar também, isto não me diz nada, venha de quem venha. Não é uma questão de ética, é só uma questão prática. Não espero que fotografem gente real porque é caro. Dá trabalho. Da mesma maneira que não espero que muitas campanhas tenham ilustrações bem feitas: São caras e dão trabalho.
Não espero que um outdoor ou um mupi sejam são um bilhete de identidade nem uma declaração de principios. São meios antigos, umas coisas que em tempos venderam uma mensagem mas que agora já toda a gente lê da mesma forma enviesada: Uma moldura muito grande e cara que se vê ao longe e onde se mostram produtos que já ninguém quer saber.

Ver a política no geral estar dependente de clubismos e da imagem em vez de conteudo (sou ingénuo), isso sim, chateia-me. Se o que faz diferença num cartaz do PS, do PSD ou da Coca Cola é ter a cara e o nome de um português real, albarde-se o burro. Com um olho nos ciganos, como sempre.

quarta-feira, julho 29, 2015

O Leão, um estudo com escala

Acho esta história do leão interessante porque toca em vários pontos sensíveis e insensíveis: Use-se uma escala linear de 0 a 100 para medir o que me estou a cagar para um leão em particular e poder-se-á ler um 74 nessa escala. O facto de lhe ter sido dado um nome deveria fazer diferença mas por hábito, limpo os animais das coisas que os humanos teimam em dar-lhes: nomes, emoções, valores. São bichos. Não são mais que isso. Por isso é que na escala linear de 0 a 100 para burrice absoluta, o caçador em causa está nos 90 e muitos.
Tenho de medir finalmente a escala da granularidade mediática, a importância disto: de 0 a 100, vivemos não sei bem onde, mas como estamos no começo disto da net, diria que nos 45, este tempo em que notícias de factos de cada vez menor impacto ( continua a ser um só leão ) conseguem atingir proporções gigantescas e poderão mudar realmente alguma coisa ( por exemplo, crianças nascidas em 2010 nunca vão imaginar que havia um tempo em que não havia polvos que adivinhavam resultados de jogos de futebol ) . Devia acrescentar-lhe outra dimensão para representar a lamechice.

terça-feira, julho 28, 2015

A insustentável leveza do estagiario

Aqui no trabalho há um monte de estagiários novos. De todas as teorias que ouço à volta dos estagiários - como alimentá-los, o que não podem comer, a que horas é mais indicado, se se lhes podemos ou devemos bater, se devemos dar-lhes pão de ló ou farinha sem gluten, se não podem comer muito senão ficam gulosos, se devem descansar mais ou menos que os outros, se devem ter prioridade para certo tipo de trabalhos - não consigo encontrar uma definitiva. Parece que são humanos, e como tal, multidimensionais. Não há um conjunto de caracteristicas comuns muito grande. É pequena, até: São novos. São relativamente parvos. Mais do que isto em comum, não encontro. A partir daí, não há formulas, porque tanto são capazes de feitos espantosos como das maiores burrices.
Trabalhar com gente é o inferno.

segunda-feira, julho 27, 2015

Mercados emergentes, um estudo


Ali ao pé de casa, abriu mais um café destinado a um público muito específico, mas em expansão. Conceptualmente seguidores da Ana Malhoa, antropologicamente situados entre ratos de ginásio e ratos de discoteca, grupos de casais modernos invadem o bairro. Normalmente vistos na Venda do Pinheiro e no Pacha Ofir, bisontes tatuados e porn-stars de selfie-stick estão agora a chegar à cidade.
Os ingredientes para os atrair são simples: Estética de videoclip de Hiphop, papel de parede com efeitos, preto ou branco. Umas cadeiras de plástico/vime com uma forma inusitada e candeeiros com leds tipo tunning, musica da orbital / lounge de pacote ( estes deram-se ao trabalho e ainda alcatifaram o passeio com um tapete vermelho ). O desafio é equilibrar estes elementos de forma a, com um orçamento (demasiado) baixo, se crie a ideia de que ali há uma sofisticação à parte dos restantes cafés de rua, uma espécie de pedantismo-de-carrinhos-de-choque, que afasta quem gosta só de beber um café em paz sem ter a mania que é esperto simultaneamente.
Conseguiram uma clientela fixa em pouco tempo.

segunda-feira, julho 20, 2015

Século 21

Esqueçam internet por fibra óptica, wireless, computadores, tablets, Smart TV, micro-ondas, video-calls, internet-of-things, NFC, telecomandos, tudo com bluetooth e essas tretas. A revolução tecnológica real chegou lá a casa agora.
Tenho em casa a tecnologia que me permite ter mais tempo livre, livrar-me de tarefas próprias de países subsaarianos e passar mais tempo no sofá.
A máquina de lavar louça ganha o prémio de gadget do ano.


quarta-feira, julho 15, 2015

Tenho mesmo dificuldades em acreditar nisso do Futuro


Essa cena do gin. Epá, não me chateiem com o gin e com as tretas do gin.
No fim de semana fui a casa dos meus pais para a tradicional almoçarada e fui ao bar ( nos anos 70 toda a gente tinha um bar ) confirmar uma memória de infância: sim, tinham copos de gin, colheres de gin, shaker, garrafa de gin, as tralhas todas para cocktails. Nunca vi um em casa. Toda a gente lá em casa fartou-se dessa treta rapidamente - eu não me lembro daquilo ser usado lá em casa - como qualquer outro hábito que surge por moda, pressão dos pares, falta de imaginação e não por gosto.

terça-feira, julho 14, 2015

Isto nunca esteve tão mal

Disseram-me no outro dia que Lisboa estava um perigo. Que a droga era um flagelo social gravíssimo em Lisboa. Pintaram-me um cenário dantesco, especialmente à volta do flagelo da erva.

- Mas Prezado, isso é droga na mesma, e é uma droga de entrada.

É capaz. O meu pai também usava esse argumento e fumava tabaco como uma chaminé. Nunca precisou de saltar para a erva ou para a heroina para ter um cancro e morrer com ele.

- A erva faz mal, claro que faz. Vais dizer que não?

É capaz. A mim até comer uma sandes de fiambre faz azia. Porque é que a erva há-de ser diferente? Mas nessa escala, acho que a erva está mais perto de tofu do que de um bife da vazia. Nesta mesma escala, heroina é um balde de banha de porco.

- Mas nunca vi tanta droga como agora. Até em gente da tua idade.

É capaz. Eu também. Ninguém andava aí a fazer publicidade a heroina há 10 ou 20 anos. Agora os putos são uns desavergonhados, fumam erva à vista de todos. Quanto aos adultos, desde que a paguem e eu não tenha de aturar crises psicóticas, parece-me ok.

- Dizes isso porque não tens filhos.

É capaz. Por isso vejo-me como um entidade reguladora da normalidade, quando isso de ser pai serve como pala dos burros. Lembro-me da curraleira e do casal ventoso, do pessoal que ainda novo se metia por-maus-caminhos. E da quantidade de vezes que fui roubado por carochos. Não tenho saudades desse tempo.

- Estás a ficar velho.

É capaz.

Sobre a Grécia, gosto de puré

Todas as pessoas informadas ( de extrema esquerda, esquerda, centro, direita e extrema direita ) que conheço já partilharam um link com um artigo que explica definitivamente o que se passa com a Grécia.
Como tenho mais que fazer, não tenho interesse em ter uma opinião mais sólida que isto:
Os jornais andam a informar pouco e mal.

segunda-feira, julho 13, 2015

E andamos de carro voador

Estava aqui a andar pela net a pensar que daqui a uns anos os alvos das piadas de standup deixam definitivamente de ser os políticos e passam a ser só grupos económicos, marcas globais, fundos de investimento... Que têm tanto poder que um tipo se vê obrigado a só fazer piadas com políticos.

Ser atendido é o inferno

Andei a sair de restaurantes e bares de Lisboa. É um novo método de exploração urbana que descobri este fim de semana: quando vi ou ouvi qualquer coisa que não gostei, saí. Este fim de semana, saí porque não me atendem como cliente, mas como um bacano, tratam-me por tu, não me aceitam o multibanco, não me oferecem soluções, não me pedem desculpa, não dizem boa noite, água vai ou até amanhã, anunciam-me como é que vai ser o meu jantar sem me dar a escolher, o restaurante tem regras de uso, tentam que seja eu a ajudar a pagar a renda do restaurante e não o prato que ia comer, vendem velho como antiguidade e falta de jeito como excentricidade. Enfim, não facilitam um caralho.
É por isto que gosto de tascos, sei ao que vou e tratam todos os clientes por igual.

sexta-feira, julho 10, 2015

Viva o zapping


Anda aí um fenómeno que me anda a chatear e não passa.
Chateia-me a omnipresença em cada conversa de bar, pré-reunião, café ou almoço, das séries de televisão e em especial, o Game of Thrones.
Eu explico: venho de um tempo longinquo em que não ver televisão era bem visto. Por uma parte da população, pelo menos.
Roupar uma série com "qualidade", como os espectadores de séries gostam de vincar que estas séries têm, não me diz muito: Na verdade não gosto de histórias escritas propositadamente de maneira a manter gente em frente ao ecran durante anos. Numa hora e meia conta-se uma história com a tal qualidade do Game of Thrones ( e mais variedade ), chama-se cinema.
Vi 5 minutos de um episódio há 2 semanas. Foi a primeira vez que vi alguma coisa. Confirmei o meu desinteresse. Ressalva: Não gosto de fantasia. Só vi o primeiro Senhor dos Aneis por peer pressure e vi todas crónicas de Narnia, Harry Potters e afins porque fico no sofá dos meus tios a bezerrar em frente a televisão todos os natais.
A televisão lá em casa não é para seguir nada: ou está ligada à net ( Chromecast, melhor uso que vão dar a 35 euros ) e vai puxando youtubes de gatinhos ou filmes, um fio contínuo de conteudo, ou mudando para o modo televisão que começa a ser algo datado, faço zapping.
Ver televisão com 200 canais é cada vez mais comparável a uma experiência científica, como no SETI, um tipo a vasculhar o universo à procura de vida inteligente, de canal em canal. De tempos a tempos há uns falsos positivos, e isso é que tem piada na televisão, neste momento.


quinta-feira, julho 09, 2015

Era simples.

Andava aqui a matar a cabeça, a discutir a discutir a discutir e a chatear-me, impossível, impossível, cansaço, cansaço, discussão discussão, repetir, repetir, repetir, repetir e depois dizem-me que se calhar ela tem a hormonas alteradas...

Foda-se, um gajo não aprende.

terça-feira, julho 07, 2015

Estado social, explicado a crianças de 5 anos

Pessoa A reclama ajuda do estado para pagar propinas.
Pessoa A diz que lhe pedem que apresent o IRS.
Pessoa A tem bons rendimentos.
Pessoa A diz que isso não quer dizer nada e que inclusivamente, está mal.
Pessoa A vota liberal.

É assim.

quinta-feira, julho 02, 2015

Os diálogos da prancha

- Não, não vás nessa!
- Deixa, tenho de ir, o mar chama-me, tu não o ouves.
- Meu, és maluco, o mar tá impossível hoje!
- Tenho de ir, se não for eu não vai mais ninguém. Uma onda não o chega a ser se não for surfada.
- foda-se meu, queria ter essa vontade.
- Não é para todos. Mas acredita em ti e consegues.
- Vou tentar.
- Não tentes, faz. É só ir. Mas tens de acreditar. Se vais a pensar que não consegues, não dá mesmo.
- Ya, é isso.

O pior do surf é que há uma confusão na cabeça de muitos surfistas: uma ideia estranha de que uma actividade física, um hobbie, um desporto, pode preceder uma filosofia de vida obrigatoriamente, um só tipo de pensamento, até originar uma espécie de superioridade moral que chega a dar-lhes a ideia que adultos cumprimentarem-se com gestos à tarataruga ninja pode ser cool. Não é.

segunda-feira, junho 29, 2015


Não cheguei a falar disto: Barcelona parece muito grande porque é plana e ortogonal. Se fizessem o mesmo com Lisboa, estendia-se até Sintra. Tinhamos mais vantagens: Os Tuc tucs andavam mais rápido, e tinhamos lojas de recuerdos até ao Cacém.

A natureza humana


Basta ver as notícias e percebe-se que o problema é toda a gente querer que a Grécia/União Europeia falhe.

quinta-feira, junho 25, 2015

Pausa

Troquei Lisboa por Barcelona por uns dias. Pareceram 15. A idade faz com que as actividades consideradas normais ( tapas, copos, noitadas ) sejam um trabalho a tempo inteiro no que toca a esforço. Mais: apesar de apenas uma hora de diferença em relação a Lisboa, a diferença de hábitos, as tapas que se comem a qualquer hora, os copos a dias de semana, tudo somado, fizeram com que durante uns dias vivesse num fuso alternativo, algures entre Greenwich e Reykjavik, e chegasse a Lisboa com saudades do meu sofá, de sopa e água das pedras.

Dica: Quando um hotel é barato, a piscina devia ficar escrita entre aspas.

segunda-feira, junho 01, 2015

Eu, dono de uma bicicleta em Lisboa, me confesso

Sim, passei vermelhos.
E subi ao passeio para não parar sem passar os vermelhos.
Andei pelos passeios para não andar mais um bocado a subir e descer Lisboa respeitandos os sentidos obrigatórios.
Já quase fiquei dabaixo de 3 autocarros e evitei 12 portas de carro na tromba. Também já quase malhei 27 vezes a passar linhas de elétrico, passadeiras e grelhas do esgoto. O facto de nunca ter malhado prova 3 coisas: ando pouco, com medo e tenho uma sorte do catano.
Já não uso a bicicleta - ainda bem que não comprei uma com preços de 4 algarismos que me fizesse pertencer à tribo dos Commuters que acham que ter uma bicicleta que dobra em 3 é pertencer a um movimento revolucionário - e não me sinto culpado: andar de bicicleta em Lisboa só é bom à beira-rio.

quinta-feira, maio 28, 2015

Portugal dos pequeninos

Resistência à mudança é o produto nacional.
É o que andamos a vender.
Sardinhas. Em salmoura, azeite ou vinagre. Enlatadas.
Tuc Tucs.
Moteis Vintage.
Restaurantes Vintage.
Comida Vintage.
Vinhos Vintage. ( Esses são bons. )
Bolo do Caco.
Hamburguers.
Sabonetes.
Azeite.
Casas em Alfama.
Moteis em Alfama.
Cortiça.
Socas Vintage.
Pasteis de Nata de Sardinha.
E tudo em forma de iman de frígorifico.
Vendemos o tempo parado a turistas vindos de países modernaços que nos acham cómicos na nossa inocência.
Só consigo ver Portugal alcatifado.
Estão a estragar isto tudo.

quarta-feira, maio 27, 2015

Desabafo ressabiado

O neo-liberalismo tuga é como qualquer outro - a minha referência é o dos E.U.A. -  uma fantasia auto-centrada de quem tem um ressabiamento qualquer com a humanidade. Devem ter apanhado demasiada porrada quando eram putos e numa mentalidade de praxe, acham que agora que são adultos e leram mais 3 ou 4 livros paperback com muitas letras na capa são senhores de um conhecimento que infelizmente, só lhes ilumina a sua própria estrada, deixando o resto do mundo nas trevas. Infelizmente, não podem pagar essa iluminação em larga escala porque isso seria subsidiar malandros que não querem trabalhar. Mas podem fazê-lo de bom grado, se o estado subsidiar a coisa.