terça-feira, novembro 10, 2015

A questão é esta

Acreditar que um político vos vai melhorar a vida é como acreditar no Pai Natal.
Mas lá que isto vão ser tempos animados, vão.

P.S. O truque é manter as expectativas baixas. Por exemplo, hoje tenho uma caneta nova. E assim já tenho o dia ganho.

A alienação


Esta conversa dos telemóveis como elementos do mal já enjoa. Uso telemóvel compulsivamente. Mas isso não é de hoje e não interessa o nível da tecnologia.
Quando me ofereceram um Spectrum, há umas décadas, lembro-me como se fosse hoje o meu pai dizer-me em jeito de aviso - aquele investimento numa treta tão cara tinha de valer a pena -  "Quero ver que interesse tens nisso. Ainda vai ficar arrumado num canto".
Antes fosse.

segunda-feira, novembro 09, 2015

Sobre política, o fim de semana e o futuro

Foi com satisfação que ouvi Lipovetsky no fim de semana, no Porto.
Descobri-me Lipoteskiano no meu optimismo caótico anti-new age espiritual de origem sindicalista quando pude confirmar que o mundo tem uma solução em que todos podemos participar.
É também com optimismo que vejo debates aguerridos entre deputados de esquerda e saudosistas pré-muro de Berlim, a fazerem-me lembrar as múmias de extrema direita americana que sempre que têm de fazer uma comparação, usam a alemanha nazi ou e o cliché pseudo-iluminado "a história é um pendulo".
A história não existe, é uma construção e só lembra o que interessa.
Se estão preocupados com o governo de esquerda, esqueçam lá isso. Políticos já só nos podem dar alegrias.

terça-feira, novembro 03, 2015

Por onde começar?

Um ministro - não mais que um taberneiro ou um taxista, é certo - diz que Deus nem sempre é amigo. Ora, eu conheço Deus. Deus é sempre amigo. Deus é especialmente amigo quando ajuda a verificar PDM's e a corrigir - grátis - o planeamento urbano de Albufeira.
Calvão da Silva, retirado vivo do díluvio original e posto no governo, veio lembrar-me o tempo em que seguia religiosamente a actualidade política, nomeadamente os bons tempos da indecisão de Guterres e do épico Santana Lopes. Calvão da Silva traz também para Portugal aquele absurdo candido e pacóvio que me motiva a seguir a política americana, onde não há pejo em dizer o que vai na alma, por pior que soe.
E isso é mau sinal. Pensava que já eramos melhores que os americanos há muito tempo.

quarta-feira, outubro 28, 2015

Parem lá com isso 10 minutos


Eu sei que a culpa é da palavra escrita.
O Verbo é forte, mas escrito é mais forte ainda. A impressão, ainda que digital, ferra as palavras de outra maneira no nosso diminuto e permeável cérebro. O que seria um pequeno apontamento a meio de uma conversa se estivéssemos na mesma sala, frente a frente um silvo no meio de palavras importantes, uma brisa numa floresta, transforma-se em lei na pedra depois de escrito
Assim acontece com esta moda que não é de hoje, a moda das princesas.
Pais: Há filhas (e filhos), que saiba, desde sempre. Eu percebo que os vossos rebentos sejam mágicos. Eu também sou um rebento mágico. Felizmente a minha mãe guarda essa informação para si até encontrar uma vizinha, também com um rebento mágico, e ambas partilham e comparam o quão mágicos são os seus rebentos em várias ordens de grandeza quando se encontram ao pé da padaria. Digo isto porque gostava que a internet - a minha, pelo menos - não fosse uma aldeia com gente que fala dos seus filhos como se ninguém estivesse a ouvir, mas antes uma cidade com carros que voam e motas a jacto. Uma cena moderna e tal.

quinta-feira, outubro 22, 2015

Este tipo teve a mesma ideia que eu.

Andar em todas as ruas da cidade. Mas a cidade é maior.

segunda-feira, outubro 19, 2015

A imagem de hoje

Este fim de semana, após meses de pressão, usei um uber. Não tenho nada a apontar. Mas vou continuar a usar taxis, também.
Um taxi é um serviço de conversação temporária com um humano, como o uber.
Num uber, a tecnologia tira o atrito do serviço e torna-se o tema da conversa.
Num taxi, o taxista aumenta o atrito do serviço e torna-se o tema da conversa.
Eu gosto de experiências genuinas. Por isso é que vou a tascos e restaurantes de beira de estrada que tenham toalhas de papel. Eu poder desenhar na mesa enquanto como é o meu luxo.
Ouvir conversa de taxista não é um luxo, claro. Mas é genuíno.

P.S. 1: Dito isto, os ubers vão vingar à conta das mulheres, que não acham piada à conversa taxistas.
P.S. 2: Paguei tanto como se tivesse ido de taxi.

terça-feira, outubro 13, 2015

Pequena lista de referências que tenho encontrado sobre um possível governo de esquerda a ser formado.

"Isto é o House of Cards."

"Isto é um golpe de estado, não é?"

"Isto não se faz."

"Ninguém votou neles."

"só cá."

E isto são pessoas informadas, teoricamente. São tão parecidas com as outras.

segunda-feira, outubro 12, 2015

info-excluido

Tenho o filtro do spam ligado desde sempre nos comentários deste blog. Hoje lembrei-me de ir ver o que lá estava. Muita coisa não é spam.
É isso, afinal não há censura aqui no blog, só não há é tempo. Se tiverem um reply a um comentário de 2013, não se admirem.

Do lado de lá da barricada

Este fim de semana aconteceu, num debate regado a tinto - quando se rega um debate com tinto nasce uma discussão, dizem - tive de alinhar pelo discurso do patronato. A razão é simples: Funcionários públicos Teóricos Marxistas-Leninistas anarco-sindicalistas vivem num universo à parte dos restantes humanos. E ainda dizem que as ideologias morreram.

Adenda:
Fui apelidado de cínico, o que não me admirou. A primeira vez que me chamaram de cínico ainda tive de usar um diccionário para saber o que era.
Pelo que entendi da discussão, tenho a responsabilidade de tornar o mundo melhor para todos, mas todas as acções que possa encetar prejudicam alguém, inadvertidamente.
Exemplo prático: Ao ajudar um pobre, estou a perpetuar o assistencialismo burguês de indole capitalista mas se lhe oferecer um trabalho e pagar um ordenado, aí estarei a perpetuar a exploração da classe operária. Se ficar quieto, sou cínico.

sexta-feira, outubro 09, 2015

A sério que percebo

É mesmo complicado não dizer mal de tudo, em Portugal. Fica-se sem tema de conversa de encher chouriços.
A culpa é do moralismo, dizem-me.
Se um gajo não diz mal de tudo, está desatento. Não tem noção do mundo. Não sabe.
Se diz bem de alguma coisa, depois de levar na cabeça pelo atrevimento, descobrirá que afinal pertence a um lobby qualquer, uma conspiração para acabar com o mundo perfeito de outros tempos ou nasceu em berço de prata.
Mas não.
Estudos feitos por cientistas japoneses confirmam que, por exemplo, um tipo pode estar satisfeito relativamente à sua vida e ainda assim ler notícias do Observador voluntariamente, votar no Livre, andar de transportes públicos e usar hospitais privados, andar de Uber e de taxi e outras coisas aparentemente incompatíveis.

Nota-que-não-tem-nada-a-ver: ontem ouvi um senhor qualquer do PSD dizer que não se pode ter um parlamento com uma maioria de esquerda porque "90% dos portugueses não votaram no BE". Eu também não votei no BE, assim como não votei no PSD. Porque é que este tipo de soundbyte manhoso ainda é usado? Estas foram as primeiras eleições em que a internet teve algum peso mediático - e onde vi muitos tiros no pé - e espero continuidade na discussão e no escrutínio:  Vai ouvir-se muita burrice, mas vai ser melhor para todos.

quarta-feira, outubro 07, 2015

Tenho andado ocupado

Tenho andado ocupado mas é fácil estar atento. O PS, o Cavaco e o Passos não me tiram o sono: Já sei com o que posso contar, um quarto do que ganho não é meu, outro quarto não conto com ele e não me queixo da vida, nem conto que alguém mude isto.
Fui até ao Norte.
O homem do tasco típico mas feio, forrado de azulejo de casa-de-banho, tem de compensar as doses magistrais de carne que serve vendendo um vinho caseiro, sem rótulo, aos clientes. Não me queixo da vida, nem conto que alguém mude isto.
Vou ao ginásio.
Pago umas cotas porreiras que me dão acesso a um ginásio que cheira a chulé e tem um treinador de cadeira de rodas que tem a mania que é rijo. Ao fim de 4 flexões cheias de força, estou morto. Não conto que alguém mude isto, também.

segunda-feira, outubro 05, 2015

O dia depois

Das várias teorias que andam no ar, eu gosto de acreditar que, sabendo que não há nenhum partido capaz de atrair mais inteligencia que outro, isto é tudo muito linear.
Entre continuar a merda do costume e escolher uma merda nova e arriscar perder o pouco que se tem, a escolha não é complicada. Agora calem-se que já não os posso ouvir. Tanto de um lado como de outro.

quarta-feira, setembro 23, 2015

Quero um gin gentrificado

Deixo aqui um apelo aos que têm de fazer frente à crise do gin e que têm perdido clientes por causa desta bebida demasiado apreciada.
Juntos podemos ultrapassar isto, sei que podemos.
Quero apelar aos donos dos bares, baristas, garçons e empregados de balcão:

Por favor criem uma fila só para gins no bar. Por favor.

Custa-me ver pessoas com famílias, pessoas de bem, com empregos, com casas para pagar, com uma vida lá fora, a afundarem-se em copos gargantuescos de gin. Custa-me que de repente estas pessoas passaram a discutir sobre bagas frutos e ervas,coisas a que nunca deram importância na vida, e agora vêem-se neste maelstrom de um bebida tão perigosa que quem a bebe só sabe falar dela. Custa-me resistir a esta bebida. Estoico, continuo no vinho e na cerveja, resistindo aos aquários de bagas e cores feitos com colheres espiraladas à minha frente no balcão. Por isso, criem uma fila só para gins no bar: Eu não tenho culpa de querer só uma cerveja barata e ficar na fila atrás com um beto que pede 6 gins que levam 1 hora a ser feitos.

sexta-feira, setembro 18, 2015

O óptimo é inimigo do bom

O óptimo é amigo mas conhaques à parte. O óptimo é igual ao bom se a cada grão a galinha encher o papo um pouco. O óptimo é bacano mesmo que devagar se vai ao longe.
Para que ser inimigo do bom quando se pode ser amigo do óptimo. O óptimo mora no andar de cima do bom. O bom é amigo da sombra do óptimo. Ao bom olha-se sempre o dente.
Se dá para fazer óptimo, que se foda o bom.

segunda-feira, setembro 14, 2015

Aquele carrinho de bebé na escada: um estudo

Todos já observaram este fenómeno: aquele carrinho de bebé nas escadas.
Quero explicar as origens do carrinho de bebé nas escadas do ponto de vista comportamental, demonstrar a sua universalidade e por que motivo este fenómeno não acabará nunca.

Historicamente, aquele carrinho de bebé nas escadas surge da escassez de espaço nos apartamentos das grandes cidades. Quase auto-justificado e por meio de empatia dos vizinhos também eles com apartamentos exíguos, este fenómeno propagou-se rapidamente.
Depois, surge a gentrificação deste fenómeno: Os carrinhos de bebé passam a ser separados por classes e há uma clivagem clara entre carrinhos de bebé clássicos - os ditos "normais" - e os novos carrinhos gentifricados, cujo ratio de espaço ocupado/espaço util só é superado pelo ser ratio de preço/conforto. Enormes conchas desmontáveis são colocadas sobre imponentes e apetecíveis chassis, que se revelariam impossíveis de colocar numa escada - e em carros gama baixa - caso isso fosse necessário de alguma forma. Afinal, estes pertencem a famílias de maiores posses e com acesso a apartamentos maiores.
Surge finalmente a austeridade, conceito vendido universalmente que ofereceu a todas as classes uma permissão e até um convite a abraçar a escassez material como sua, independentemente da sua condição social. Englobando esse movimento, surge a minha vizinha de baixo, com o seu carrinho de bebé na escada.
Socialmente beta mas vendo-se cercada pela austeridade, abraça-a, tomando para si o espaço da escada, como um manifesto popular. A escada, agora espaço de descontentamento, abriga a contradição: A burguesa das plantas em vasos neo-hippies é também a que agora dispõe aquele carrinho propositadamente low-end, provavelmente herdado de uma prima, como bilhete de entrada para uma humildade involuntária, forçada e artificial, no lumpen. Ocupa a escada como quem ocupa wall street, dirá. Mas não: Aquele carrinho na escada foi, é e será apenas um despeito ao espaço físico e mental alheio, que só quer sair de casa placidamente, sem tropeçar em tralha dos outros.

quinta-feira, setembro 10, 2015

O debate visto daqui


Apanhei o debate a mais de meio.
Como é sabido, já disse de Passos Coelho o que Maomé não disse do toucinho, já de António Costa, não me diz muito. Ontem a coisa vista por quem estava a jogar Dots e a comer ao mesmo tempo, foi assim:
Fiz mais um nível quando vi as coisas na mesma, Passos na sua introspecção ruminante, aquela certeza de que dizendo o menos possível tem muito mais hipóteses de se safar, e o Costa, finalmente a dar a cara e a dá-la toda, até demais.
Fiz outro nível.
Sendo que ambos sabiam que só tinham de jogar à defesa e tentar passar debaixo do radar, - aqui estou a misturar metáforas mas percebe-se ainda o que quero dizer - Costa arriscou. Leu os manuais e mesmo desconfortável, deu a cara. Olhou para a camara de frente e mesmo a vacilar, não desistiu. Do outro lado não houve outra hipótese senão evitar as balas, ficando à defesa e debaixo do radar. António Costa ainda mostrou alguma agressividade e o português não gosta disso. Só à distância ou como ultimamente se tem visto, pela internet. Agora quero ver as próximas sondagens.
Eu também faria a análise das cores das gravatas. Mas depois acabei mais um nível e o jantar.

terça-feira, setembro 08, 2015

Sobre isto dos terroristas e do karma

Em 2003, Durão Barroso autorizou Bush a usar a base das Lajes para atacar o Iraque. 12 anos depois, os terroristas chegam aos milhares, em botes sobrelotados. Eu sabia que aquilo ia dar mau resultado. Era uma questão de tempo.

segunda-feira, setembro 07, 2015

Limpeza ética

Tenho feito uma limpeza histórica nestes ultimos dias: a culpa, como tenho lido pouco antes de bloquear mais alguém no facebook, é daqueles malditos refugiados. Têm feito de tudo, pelo que tenho deixado de ler, já no pretérito futuro: têm chorudos subsídios, vivem em apartamentos de luxo, roubam, violam, matam, esgotam-nos os parcos recursos sem dizer água vai e no fim, mesmo vivendo a bela vida, ainda dão em terroristas e destroem o nosso belo país.
Em Portugal ouve-se muito este discurso. Felizmente nunca chega a votos porque ainda há consciencia do ridículo e alguma vergonha alheia.
Vantagens de sermos poucos.

quinta-feira, setembro 03, 2015

Sobre aquela imagem de hoje

É fácil criar histórias fáceis com imagens fáceis.
Uma história fácil é aquela que é construida sempre que há um bombardeamento ou um terramoto algures: Um fotógrafo pró-activo pega num peluche ou uma boneca que leva num saco, enche-o de pó, coloca-o numas ruinas, estuda a composição e está feito. Essa foto vai chegar às páginas de um jornal, e cada jornal terá a sua versão desta foto. A mensagem daquela foto perdeu-se por vulgarização, e entretanto cristalizou como formato. Deixou de ser um conceito e passou a ser um género. É só um género de foto, agora: a versão fotográfica do "menino chorando", o pathos-pop, pornografia para jornais. Já não choca porque é uma repetição, da exposição e do apelo.
Hoje apareceu aquela imagem daquela praia. Irá acontecer-lhe o mesmo.