terça-feira, fevereiro 02, 2016

Groupies são sempre groupies

Introdução: Fui a um concerto muito pequeno, agora dito intimista, do Sérgio Godinho. Este post é dedicado às groupies desse senhor. Pode ser trauteado fora de salas de espetáculo.

Alto lá, que vejo eu
A groupie nem bebeu
Está sóbria vejo bem
antes fosse, minha mãe
metam-lhe uma mordaça
ai o tempo não passa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Desengane-se quem vem
ouvir o Sérgio Godinho
vão ouvir cantar baixinho
o segredo já sabido
a zumbir-me no ouvido
"Sérgio faz-me um filho"

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Bebem-lhe cada palavra
vão sempre vê-lo ao Avante
40 anos vão-se num instante
Desafinando pela causa
as groupies na menopausa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Mandem-na calar
A groupie não se cala
meta-lhe uma mordaça
A groupie não se cala
cortem-lhe o pio
A groupie não se cala
Deitem-na ao rio
A groupie não se cala.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Não tenho tempo para nada

Há desvantagens em estar num trabalho que se gosta: Tirar a energia desse trabalho para outras coisas é muito mais difícil.
Noutros tempos, saía daquele trabalho de merda e tinha energia para tudo. Andava mais, postava mais, desenhava mais, fotografava mais mas também bebia muito mais e ressacava muito mais.
Agora isto corre tão bem que só queria ter tempo para me dedicar a mais alguma coisa.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

O monólito

Sim, o Expresso limpou a frase para ficar mais curta e legível - não é uma conspiração, é uma opção de estilo - do que "Nós podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, enfim, em que fosse fácil, com um discurso..." mas a frase foi dita pelo secretário geral do PC. Os alvos não são claros: na categoria de engraçadinho, ponho o Marcelo e o Tino de Rans, ex-aequo (Tino teve menos 30000 votos que o candidato do PC, o equivalente a 3 blocos de apartamentos em Benfica). Na categoria de engraçadinha, eu até acho que Maria de Belém, baixinha e com uma voz particular, se pode encaixar nela, mas dizem-me que afinal o alvo seria Marisa Matias, que teve o melhor resultado de sempre pelo BE.
Clama o facebook que é sexismo, mas isso parece-me acessório. Antes disso, há muito mau perder.
nota: De forma inédita, o PC conseguiu dizer que "os resultados ficaram aquém das expectativas", quebrando uma tradição que sigo desde que sou gente. O que de certa maneira, é o sinal do fim de uma era.


quinta-feira, janeiro 21, 2016

Custa muito?

- Este produto não tem qualquer defeito de fabrico, mas não estou satisfeito com ele. Quero devolvê-lo. Deixei passar algum tempo, mas só o abri e usei uma vez.
- Tem o cartão que usou para o pagar?
- Está aqui.
- Reembolsei-o agora, deve receber o valor na conta associada a esse cartão. Boa tarde.




sexta-feira, janeiro 15, 2016

Je ne suis Je suis

Parece que no último número do Charlie Hebdo, há um cartoon que causa polémica entre a esquerda obtusa. Parece que afinal há limites para o humor, dependendo do quintal em que entra. Tenho de saudar estes tipos pela capacidade de serem coerentemente anti-tudo. Alguém tem de ter este papel de estar contra as convicções alheias, sejam elas quais forem. Tem piada? Não muita. Mas isso é questão de gosto, ou falta dele.






domingo, janeiro 10, 2016

Navegação por instrumentos

Ficam os táxis, experiências analógicas, seguem os Ubers, bidimensionais e automáticos, uns atrás dos outros. O espaço mental que percorrem é gentrificado como a cidade e retirá-los dessa área nobre da cidade retira-lhes ainda mais a humanidade. Se conduzir para a Uber é uma vigília permanente, fora dessa zona de conforto o silêncio é absoluto e passam a olhar mais para o GPS que para o caminho, sabendo que não podem confiar completamente na máquina, sem um mapa mental comum com os passageiros. Leia-se, para lá do Califa é só dragões.

quarta-feira, janeiro 06, 2016

A criar excêntricos

Viagem de taxi. Espero a habitual xenofobia, racismo, homofobia e sexismo de um taxista. Mas dêem-lhes um fim de ano e os taxistas transformam-se, não se conseguem conter, contam como foi espetacular, quanto fizeram este ano, o ano passado, o ano antes, quanto fizeram os amigos, os truques para ganhar mais, o lingo, tudo. No fundo aquela conversa habitual nem sequer é raiva mal direccionada, é só ganharem pouco.

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Começar o ano

Tenho uns calotes por resolver. São lendários, dados os anos que já passaram. Fazem parte de ser freelancer. Uns ja nem tento, - meteriam tribunais e chatices a longo prazo - prezo muito o meu descanso mental e felizmente, orientei-me. Só perco tempo com uma coisa: trabalhar. O resto, por mim passava-o no sofá a ver o Agora Escolha.
Agora tenho um calote que é como um sonho recorrente, quase um hobbie. Vou enviando emails, não faço ameaças porque sei que só vale a pena se for para as cumprir ( e eu não tenho perfil para partir um joelho a ninguém ) e vou coleccionando respostas. Vou afinando os emails que envio, sempre entre o sério, o objectivo, o humorístico e o irónico, de maneira a não escalar para a violência.
Decidi que a partir de hoje farei um relatório para mim mesmo sempre que houve novidades sobre este assunto. Nota: isto dura desde 2011.

quinta-feira, dezembro 31, 2015

Sobre o Starwars, o Game of Thrones, o 50 Shades fo Gray e finalmente, o Twilight

Há muitos, muitos anos, havia tipos de histórias que pertenciam a um género. O que as fazia pertencer a um género - independentemente de serem boas ou más - passava por abraçarem certos conceitos básicos, algumas premissas próprias do espaço,
tempo ou autores originais, revelando aspectos sociais, políticos, pessoais muito próprios, alguns critérios estéticos mais ou menos definidos mas claramente pertencentes a um só universo. Com as devidas excepções, um género era facilmente identificado, e fácil de excluir dos restantes.

Chegamos a 2016 com uma única premissa: Seja qual for a história, é possível abastardá-la o suficiente para deixar de ter género e passar a ser a favorita de toda a gente.
Mantenha-se a estética* e pode transformar-se ficção cientifica no género mais popular de sempre. O mesmo para o Game of Thrones: Se dissessem a um adolescente geek de 80's que um dia uma telenovela de Fantasia ia ser vista por toda a gente e que quem não a vê seria tido como um ser bizarro, engasgava-se a ler o Senhor dos Aneis e cuspia o aparelho. Já aqueles que conseguiram tornar BDSM um tema de filme de domingo à tarde e lobotomizaram vampiros para serem boas pessoas, conseguiram destruir o que seria "gótico" e fazer esquecer o tempo em que os lobisomens eram o inimigo, em vez dos actuais pequenos póneis.
Isto tudo só para poderem vender t-shirts à miudagem.
Salvam-se os filmes da Marvel, que só podem dar alegrias.

Disclaimer: Há excepções. É possível abstardar géneros propositadamente, mas para melhor. Exemplo: Warm bodies é um filme romantico com zombies, e como tal, uma comédia.

*apenas a parte que toda a gente gosta.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Eu ainda perco tempo com isto

É fácil este tipo chatear-me a molécula, e para isso basta usar certas palavras chave com que me identifico rapidamente e sem pensar muito: humor negro, humor, stand up. Qualquer tipo português que use estas tags terá uns minutos da minha atenção.
Mas o Rui Sinel de Cordes é só um troll. Pelo menos online, porque nunca paguei para o ouvir.
A tua cena é humor negro e destrutivo? I'm in.
Mas ofender não é o mesmo que ter piada, esperem.
O Carlin, o Lenny Bruce, o Bill Hicks, o Louis CK são ofensivos. E também podem ter feito piadas de violação. Mas, seriam piadas. Davam para rir. Com este artista, rapa-se a piada e fica só a ofensa.
Um humorista sem sentido de humor que a cada vez que tem um revez (bom, ser bloqueado no facebook é um problema de primeiro mundo) na vida reclama que é censurado, quando devia aceitar a dica: É mesmo só porque não tem piada.
É pouco mais que um Fernando Rocha de fato e gravata.

Quase a chegar a 2016 e ainda há tarólogos no mundo

Hoje liguei a televisão de manhã e vi uma astróloga-taróloga a aconselhar alguém a procurar "ajuda profissional". Assim sou capaz de tolerar esta gente, se resumirem a sua actividade a uma especie de psicologia artesanal, uma arte perdida no tempo mas que reconhece que só é boa para encher chouriços e vender dicas de valor acrescentado.

terça-feira, dezembro 29, 2015

Piropos mandatórios

Sim, tenho de entrar neste comboio também.
Mas só para dizer que o piropo é uma arte em declínio e deve ser salvo.

O piropo é como a anedota, pertence a um outro tempo em que a oralidade tinha todo o valor. Ainda se ouvem anedotas? não. Piropos também não.
Aquilo que vem de lá dos andaimes não é tecnicamente um piropo, estudiosos proclamam em Palo Alto. É um urro primordial e uma forma de afastar as femeas quando os machos estão a comparar tamanhos de pila.
É uma forma de expressão única no mundo, não só pela evolução que ocorreu em poucas centenas de milhares de anos, ouvidos desde as árvores mais altas da Pangea até ao andaime floresta urbana, mas também pela adaptação a meios como o automóvel, onde esta territorialidade, sempre baseada na distância, na não-presença, continua resiliente.
Faça-se uma recolha e divulguem-se em museus etnográficos, em consolas com botões.

P.S. Já li tanta barbaridade hoje. Nem parece 2015.

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Informação.

Ontem vi no noticiário da noite aquela análise do negócio multimilionário da venda dos direitos de transmissão dos jogos de futebol e não deixei de achar interessante a profundidade da informação: Os valores em Portugal comparados com outros países, os clubes que rendem mais, a realidade do negócio, a diferença entre o nosso minúsculo mercado e o mundo lá fora.
Via isto e pensava por que não há reportagens a fundo sobre assuntos que realmente teriam impacto na sociedade, com o mesmo tipo de comparações claras e directas, com números reais, com factos. Mas não é uma conspiração: É só por ser mais fácil fazerem reportagens com o material que recolhem nas conversas de café do que perderem tempo com assuntos que não lhes dizem nada.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Revisitação

Em 2011, escrevi algo que vale a pena reflectir e reescrever:

Esclarecimento ao patronato e proletariado:
89% dos alguns empregados não querem festa de natal da empresa, se estiverem insatisfeitos.
89% dos alguns empregados pensam que sabem que é apenas uma operação de charme se estiverem insatisfeitos.
99% dos empregados sabe que é mais barato pagar um jantar anual que aumentar toda a gente. É uma verdade de lapalice, o patronato também sabe.
99% dos organizadores de jantares e festas de natal são inaptos para tal, mas tentam. Se tentarem fazer uma festa que agrade a todos... parece que afinal é impossível.
99% dos patrões enganam-se pensando que a falta de entusiasmo se deve a cansaço. Somos portugueses e tímidos. É mesmo assim. Mas se as pessoas estão insatisfeitas...
100% das festas de natal deixam mais de 50% 100% do pessoal de uma empresa com vontade de mandar tudo po caralho, se estiverem insatisfeitos.

Isto é a verdade a minha opinião. Convido-vos a tornarem-na mais completa com a vossa experiência pessoal.



Isto era o meu estado de espírito na alura em que trabalhava não para um patrão, mas um monte de merda. É o efeito que isso faz às pessoas.

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Star wars, a Saga.

Neste momento, gosto tanto de Starwars como gosto do Natal. Estou a começar a associar os 2 à mesma sensação de enjoo e exaustão - e não é inocentemente que isto acontece - e lentamente, a odiar cada vez mais os 2. Estou a imaginar o Natal a amainar e os filmes de Star Wars anuais, à laia de iPhone, a tomarem-lhe o lugar, os dois unos, a vender desde bidés a torniquetes, bonecos bolas e canecas até ao infinito. E eu que em puto devorava os filmes, os documentários e os making-offs como se fossem eucaristias, perco a vontade de me enterrar neste esgoto de merchandising até ao pescoço.

terça-feira, dezembro 15, 2015

Moda?


Daqui a 15 anos pedem ao VIHLS para ir rebocar tudo o que andou a esfuracar.

domingo, dezembro 13, 2015

Só pode ser culpa do Costa e desse bando de corruptos

Da janela desta sala vê-se o rio. Como em muitos anúncios de imobiliária, só em bicos de pés e em cima de uma cadeira. Alguns prédios mais abaixo, alguém resolveu continuar a ver o rio depois de descer da cadeira: não perdeu tempo e em dias já tinha começado a construir o segundo andar da sua casa. Teria de ser mais espaçoso, para não precisar de uma marquise,  - esse milagre português que gera casas maiores de um dia para o outro; a cada ano conheço mais países e não conheço mais países que usem marquises - mais espaçoso que os outros andares mais abaixo. Andaime, cimento, tijolo, a andar.
Mas, aquele tempo que não perdeu devia ter sido empregado a pedir uma licença na camara.
Cresce o andar maior que os outros, como um tampo de balcão de um tasco por cima dos restantes andares quando o fiscal bandido da camara o interpela. Bandido não aceita luvas, pequenas de certeza bandido embarga-lhe a obra.
Tenho a vista para o Tejo como dantes - o andar extra só cresceu até à altura do parapeito das janelas e agora parece-se com algo saído do jardim de Serralves, um monte de chapas onduladas em concha a fazer de telhado, andaimes nas paredes, uma especie de tartaruga ninja de metal ancorada no topo do prédio, a tirar o brilho aos andaimes - só tenho de subir a uma cadeira.

quinta-feira, dezembro 10, 2015

O patronato do ponto de vista do utilizador

Neste país à beira mar plantado, de forte e frondoso catolicismo, isto de ter hierarquias é uma coisa muito bem vista. Pior é quando não se acredita nisso.
Prezado não acredita em hierarquias mas vê a sua necessidade. A ultima coisa onde quereria trabalhar seria numa cooperativa. Não é que goste de mandar ( gosta de ver as coisas bem feitas e à sua imagem claro mas sem se chatear porque já se chateou muito e é um tipo muito cansado e detesta perder tempo com questões pequenas ), mas alguém tem de o fazer. A democracia, como repetidamente digo aqui dentro, é boa para o país, mas não é para uma empresa. Aqui quero decisões.
Desde que tenho de fazer valer uma hierarquia, pouco mudou: A antiguidade é um posto, o cabelo branco uma faca, o facto de trabalhar com gente com metade da sua idade e a tendência para dissertações entre o estupido e o definitivo ajudam a manter uma distância confortável que dá frutos. Não concordando com a chulice anacrónica do patronato tuga, Prezado preza um patronato  nacional porreirista, onde se exige mas dá-se em troca. Sem horas extraordinárias, que isso nem a CGTP paga.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Aquela história do bloco de esquerda e a homeopatia

O Bloco de Esquerda, não sei porquê (mas posso arranjar alguns ditos de taxistas que não ficam muito longe da realidade) quer debater a inclusão da medicina tradicional chinesa e a homeopatia na medicina ocidental (leia-se medicina). Acho positivo que o debate seja público e envolva o máximo possível de opiniões e especialidades.
Dizem-me que tenho uma postura um bocado radical quanto à homeopatia.
Mas até acho que sou tolerante, tendo em conta o que se sabe sobre o assunto.

Não vou perder tempo a refutar todas as ditas vantagens da homepatia, que conheço bem. Para cada refutação, encontraria uma lista de excepções que confirmariam a regra e não convenceria ninguém.
Também não vou perder tempo a listar fontes de informação fidedigna porque antes teria de apontar como encontrar fontes fidedignas, já que a maior parte da informação online é enviesada.
Poupo-me também o tempo de separar "bons profissionais" de "maus profissionais", porque rapidamente alguém traria esse argumento para a mesa.
Vou só focar-me nos bons profissionais, com os melhores resultados possíveis, para ser o mais tolerante possível. Testados e publicados inumeros papers* sobre os efeitos da homeopatia, estes são consistentes: No máximo, a sua eficácia é a de um placebo.

Dito isto, abra-se o debate: é ético usar placebos como tratamento, e se o é, sabendo que toda a gente se sente melhor depois de comer um bitoque, posso vender bitoques como placebo ao Serviço Nacional de Saúde?

Nota: Prezado teve um pai céptico e cresceu tendo como vizinho um medium astrólogo muito famoso e que atendia muitas celebridades e trazia muitas curas e milagres. 20 anos de contacto diário com os seus pacientes e seguidores fizeram com que, sem hesitações, meta no mesmo saco todos os métodos pouco cientificos ou minimamente dúbios: o saco do lixo.

*publicações revistas e aprovadas em revistas cientficias de referência são a unica fonte de informação fidedigna.

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Demorou uns anos, mas até percebo

Vejo as reacções ao fecho do jornal I e do Sol e vejo-me.
Fui o cliente típico do I (o Sol nunca o comprei*): gosto muito do jornal, comprei-o com alguma regularidade quando foi lançado, entretanto nunca mais comprei jornais**. Quando, de tempos a tempos, sei que vou andar de autocarro ou comboio e tenho tempo para ler notícias mais a fundo***, sou capaz de o comprar.
Isto para dizer: O meu pai tinha razão, um jornal é um negócio como outro qualquer que precisa de ter vendas (e se não é para ser gerido como tal, tem de deixar de ser pago por empresas com accionistas e passar a operar num modelo cooperativista, crowdsourced, banco de horas, voluntariado, o que for necessário para manter a informação livre de agendas).
O marinheiro que hoje teve a tarefa de implodir a redação, é só um mensageiro.

* Por motivos de Saraiva.
** Telemóvel com 3G, 90% das notícias que leio estão online.
*** As notícias são tão superficiais que o I já é jornalismo de investigação, é isso.