terça-feira, março 08, 2016

Lisboa que amanhece


Na mesma semana, ouvi dizer que o Estádio, o Scandy, o Jamaica, o Tokio e o Europa vão fechar. No grande plano das coisas, não é importante. Tiveram o seu papel. Mas a acontecer, significa que praticamente todos os sítios onde cresci - ou não, é uma questão de ponto de vista - vão desaparecer. Sobra o Mahojng, que como ficou uma boa merda, ajuda a manter uma boa perspectiva sobre o assunto.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

O Cliente Português

Há que dizê-lo:
O cliente português é uma besta. É um burro.
O cliente português é naturalmente egocêntrico. Como todos os clientes portugueses de todas as nacionalidades.
O cliente português anda a brincar aos escritórios. Vibra quando compra clips, fotocopiadoras ou correntes de plástico vermelhas e brancas para impedir a passagem. O cliente português não tem noção.
O cliente português, habituado a um mundo pequeno e uniforme, espelho dele mesmo, assume a sua posição de cliente como um Gargantua que se senta à mesa.
O cliente português vê-se como um nobre. O mundo é seu.
O cliente português sabe que o tempo é igual para todos, mas o seu tempo pode ser preenchido de reuniões umas atrás das outras, quanto mais longas melhores e quanto menos decisivas melhor. Ai do cliente português que tenha de decidir algo numa reunião, fechando um ciclo que se quer aberto.
O cliente português não quer ser cliente: quer fazer parte da empresa.
O cliente português não quer ser cliente: quer ser um amigo.
O cliente português não quer ser cliente: quer ser ouvido.

O cliente português reclama em diferido. O cliente português acha que paga sempre a mais.

O cliente português é uma nódoa.
Todos somos clientes portugueses.




sexta-feira, fevereiro 12, 2016

A Galp

Só agora reparei nos mupis com o novo logotipo da Galp.
A Galp, pronta a avançar para novos mercados, avança a todo o vapor para a joalharia: o novo logo parece um daqueles berloques para pulseiras das betas. Mas como queriam apelar a outros mercados, transmuta-se em berliindes e em relva. No fim, parece um pechisbeque barato.
Terem convencido o cliente que aquilo tem alguma lógica deve ter sido um granda broche.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Vamos lá ver

Não me lixem com a conversa anti-GMO's. Se não papam a conversa de sites manhosos sobre refugiados, usem os mesmo critérios para as notícias sobre outros temas. Geneticamente modificado não é veneno, é comida. Se acham que daqui a 20 anos ainda vai andar tudo a comer truta selvagem, desenganem-se.
Agora ponho aqui aquele som do disco riscado e passo a dar-vos a conhecer alguns pontos interessantes de um pitch a que pude assistir o ano passado, de uma startup cheia de boas intenções:
Claramente, daqui a uns anos o planeta deixa de ser sustentável, se continuarmos a comer o que andamos a comer. Temos de mudar de dieta. Dizem vocês, "ah, isso sei eu, só ando a encher-me de chanfana e escabeche de frango" e que deviam comer outras coisas e mais frutinha. Esperem.
Ao que parece, a tal da comida biológica é pouco sustentável: na verdade ocupa terrenos bons com produções nada rentáveis. Ser vegetariano não-GMO também está fora de questão. Cada humano precisaria de 3 toneladas diárias de pistachio, nozes, alpiste, tofu e maçãs do tamanho de nozes para sobreviver, triste e cabisbaixo, - sim, que não comer bifes ia deixar tudo cabisbaixo - um cenário apócaliptico sem bomba H.
A solução apresentada pela startup, era simples, barata e eficaz: Insectos. Farinha de insectos. Google it.
Eu ouvi o pitch, percebi que o mundo tem de mudar rapidamente, saí e fui a correr comer um bitoque.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Reunite

Uma doença típica dos humanos que se acham importantes - não vou dizer "tugas" porque posso confirmar que é um mal presente em todos - é a reunite. A reunite tem origem numa infância mal resolvida, dizem estudos feitos por.
Se o chefe precisa de marcar muitas reuniões onde aparentemente há pouco a decidir ou já está tudo decidido, dica: poupa tempo da tua vida, pede-lhe ajuda e opiniões diariamente. Mesmo que seja sobre a cor ou densidade do papel higienico, o número ideal dos agrafadores ou a melhor password para o wifi. Qualquer coisa serve, inventa. Tudo para que sinta que afinal querem jogar às escondidas, aos polícias e aos ladrões, à macaca, seja, com ele.
Nota: A Reunite é contagiosa da cabeça para os pés, seguindo a hierarquia da empresa. Na forma ascendente, somatiza.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Groupies são sempre groupies

Introdução: Fui a um concerto muito pequeno, agora dito intimista, do Sérgio Godinho. Este post é dedicado às groupies desse senhor. Pode ser trauteado fora de salas de espetáculo.

Alto lá, que vejo eu
A groupie nem bebeu
Está sóbria vejo bem
antes fosse, minha mãe
metam-lhe uma mordaça
ai o tempo não passa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Desengane-se quem vem
ouvir o Sérgio Godinho
vão ouvir cantar baixinho
o segredo já sabido
a zumbir-me no ouvido
"Sérgio faz-me um filho"

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Bebem-lhe cada palavra
vão sempre vê-lo ao Avante
40 anos vão-se num instante
Desafinando pela causa
as groupies na menopausa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Mandem-na calar
A groupie não se cala
meta-lhe uma mordaça
A groupie não se cala
cortem-lhe o pio
A groupie não se cala
Deitem-na ao rio
A groupie não se cala.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Não tenho tempo para nada

Há desvantagens em estar num trabalho que se gosta: Tirar a energia desse trabalho para outras coisas é muito mais difícil.
Noutros tempos, saía daquele trabalho de merda e tinha energia para tudo. Andava mais, postava mais, desenhava mais, fotografava mais mas também bebia muito mais e ressacava muito mais.
Agora isto corre tão bem que só queria ter tempo para me dedicar a mais alguma coisa.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

O monólito

Sim, o Expresso limpou a frase para ficar mais curta e legível - não é uma conspiração, é uma opção de estilo - do que "Nós podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, enfim, em que fosse fácil, com um discurso..." mas a frase foi dita pelo secretário geral do PC. Os alvos não são claros: na categoria de engraçadinho, ponho o Marcelo e o Tino de Rans, ex-aequo (Tino teve menos 30000 votos que o candidato do PC, o equivalente a 3 blocos de apartamentos em Benfica). Na categoria de engraçadinha, eu até acho que Maria de Belém, baixinha e com uma voz particular, se pode encaixar nela, mas dizem-me que afinal o alvo seria Marisa Matias, que teve o melhor resultado de sempre pelo BE.
Clama o facebook que é sexismo, mas isso parece-me acessório. Antes disso, há muito mau perder.
nota: De forma inédita, o PC conseguiu dizer que "os resultados ficaram aquém das expectativas", quebrando uma tradição que sigo desde que sou gente. O que de certa maneira, é o sinal do fim de uma era.


quinta-feira, janeiro 21, 2016

Custa muito?

- Este produto não tem qualquer defeito de fabrico, mas não estou satisfeito com ele. Quero devolvê-lo. Deixei passar algum tempo, mas só o abri e usei uma vez.
- Tem o cartão que usou para o pagar?
- Está aqui.
- Reembolsei-o agora, deve receber o valor na conta associada a esse cartão. Boa tarde.




sexta-feira, janeiro 15, 2016

Je ne suis Je suis

Parece que no último número do Charlie Hebdo, há um cartoon que causa polémica entre a esquerda obtusa. Parece que afinal há limites para o humor, dependendo do quintal em que entra. Tenho de saudar estes tipos pela capacidade de serem coerentemente anti-tudo. Alguém tem de ter este papel de estar contra as convicções alheias, sejam elas quais forem. Tem piada? Não muita. Mas isso é questão de gosto, ou falta dele.






domingo, janeiro 10, 2016

Navegação por instrumentos

Ficam os táxis, experiências analógicas, seguem os Ubers, bidimensionais e automáticos, uns atrás dos outros. O espaço mental que percorrem é gentrificado como a cidade e retirá-los dessa área nobre da cidade retira-lhes ainda mais a humanidade. Se conduzir para a Uber é uma vigília permanente, fora dessa zona de conforto o silêncio é absoluto e passam a olhar mais para o GPS que para o caminho, sabendo que não podem confiar completamente na máquina, sem um mapa mental comum com os passageiros. Leia-se, para lá do Califa é só dragões.

quarta-feira, janeiro 06, 2016

A criar excêntricos

Viagem de taxi. Espero a habitual xenofobia, racismo, homofobia e sexismo de um taxista. Mas dêem-lhes um fim de ano e os taxistas transformam-se, não se conseguem conter, contam como foi espetacular, quanto fizeram este ano, o ano passado, o ano antes, quanto fizeram os amigos, os truques para ganhar mais, o lingo, tudo. No fundo aquela conversa habitual nem sequer é raiva mal direccionada, é só ganharem pouco.

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Começar o ano

Tenho uns calotes por resolver. São lendários, dados os anos que já passaram. Fazem parte de ser freelancer. Uns ja nem tento, - meteriam tribunais e chatices a longo prazo - prezo muito o meu descanso mental e felizmente, orientei-me. Só perco tempo com uma coisa: trabalhar. O resto, por mim passava-o no sofá a ver o Agora Escolha.
Agora tenho um calote que é como um sonho recorrente, quase um hobbie. Vou enviando emails, não faço ameaças porque sei que só vale a pena se for para as cumprir ( e eu não tenho perfil para partir um joelho a ninguém ) e vou coleccionando respostas. Vou afinando os emails que envio, sempre entre o sério, o objectivo, o humorístico e o irónico, de maneira a não escalar para a violência.
Decidi que a partir de hoje farei um relatório para mim mesmo sempre que houve novidades sobre este assunto. Nota: isto dura desde 2011.

quinta-feira, dezembro 31, 2015

Sobre o Starwars, o Game of Thrones, o 50 Shades fo Gray e finalmente, o Twilight

Há muitos, muitos anos, havia tipos de histórias que pertenciam a um género. O que as fazia pertencer a um género - independentemente de serem boas ou más - passava por abraçarem certos conceitos básicos, algumas premissas próprias do espaço,
tempo ou autores originais, revelando aspectos sociais, políticos, pessoais muito próprios, alguns critérios estéticos mais ou menos definidos mas claramente pertencentes a um só universo. Com as devidas excepções, um género era facilmente identificado, e fácil de excluir dos restantes.

Chegamos a 2016 com uma única premissa: Seja qual for a história, é possível abastardá-la o suficiente para deixar de ter género e passar a ser a favorita de toda a gente.
Mantenha-se a estética* e pode transformar-se ficção cientifica no género mais popular de sempre. O mesmo para o Game of Thrones: Se dissessem a um adolescente geek de 80's que um dia uma telenovela de Fantasia ia ser vista por toda a gente e que quem não a vê seria tido como um ser bizarro, engasgava-se a ler o Senhor dos Aneis e cuspia o aparelho. Já aqueles que conseguiram tornar BDSM um tema de filme de domingo à tarde e lobotomizaram vampiros para serem boas pessoas, conseguiram destruir o que seria "gótico" e fazer esquecer o tempo em que os lobisomens eram o inimigo, em vez dos actuais pequenos póneis.
Isto tudo só para poderem vender t-shirts à miudagem.
Salvam-se os filmes da Marvel, que só podem dar alegrias.

Disclaimer: Há excepções. É possível abstardar géneros propositadamente, mas para melhor. Exemplo: Warm bodies é um filme romantico com zombies, e como tal, uma comédia.

*apenas a parte que toda a gente gosta.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Eu ainda perco tempo com isto

É fácil este tipo chatear-me a molécula, e para isso basta usar certas palavras chave com que me identifico rapidamente e sem pensar muito: humor negro, humor, stand up. Qualquer tipo português que use estas tags terá uns minutos da minha atenção.
Mas o Rui Sinel de Cordes é só um troll. Pelo menos online, porque nunca paguei para o ouvir.
A tua cena é humor negro e destrutivo? I'm in.
Mas ofender não é o mesmo que ter piada, esperem.
O Carlin, o Lenny Bruce, o Bill Hicks, o Louis CK são ofensivos. E também podem ter feito piadas de violação. Mas, seriam piadas. Davam para rir. Com este artista, rapa-se a piada e fica só a ofensa.
Um humorista sem sentido de humor que a cada vez que tem um revez (bom, ser bloqueado no facebook é um problema de primeiro mundo) na vida reclama que é censurado, quando devia aceitar a dica: É mesmo só porque não tem piada.
É pouco mais que um Fernando Rocha de fato e gravata.

Quase a chegar a 2016 e ainda há tarólogos no mundo

Hoje liguei a televisão de manhã e vi uma astróloga-taróloga a aconselhar alguém a procurar "ajuda profissional". Assim sou capaz de tolerar esta gente, se resumirem a sua actividade a uma especie de psicologia artesanal, uma arte perdida no tempo mas que reconhece que só é boa para encher chouriços e vender dicas de valor acrescentado.

terça-feira, dezembro 29, 2015

Piropos mandatórios

Sim, tenho de entrar neste comboio também.
Mas só para dizer que o piropo é uma arte em declínio e deve ser salvo.

O piropo é como a anedota, pertence a um outro tempo em que a oralidade tinha todo o valor. Ainda se ouvem anedotas? não. Piropos também não.
Aquilo que vem de lá dos andaimes não é tecnicamente um piropo, estudiosos proclamam em Palo Alto. É um urro primordial e uma forma de afastar as femeas quando os machos estão a comparar tamanhos de pila.
É uma forma de expressão única no mundo, não só pela evolução que ocorreu em poucas centenas de milhares de anos, ouvidos desde as árvores mais altas da Pangea até ao andaime floresta urbana, mas também pela adaptação a meios como o automóvel, onde esta territorialidade, sempre baseada na distância, na não-presença, continua resiliente.
Faça-se uma recolha e divulguem-se em museus etnográficos, em consolas com botões.

P.S. Já li tanta barbaridade hoje. Nem parece 2015.

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Informação.

Ontem vi no noticiário da noite aquela análise do negócio multimilionário da venda dos direitos de transmissão dos jogos de futebol e não deixei de achar interessante a profundidade da informação: Os valores em Portugal comparados com outros países, os clubes que rendem mais, a realidade do negócio, a diferença entre o nosso minúsculo mercado e o mundo lá fora.
Via isto e pensava por que não há reportagens a fundo sobre assuntos que realmente teriam impacto na sociedade, com o mesmo tipo de comparações claras e directas, com números reais, com factos. Mas não é uma conspiração: É só por ser mais fácil fazerem reportagens com o material que recolhem nas conversas de café do que perderem tempo com assuntos que não lhes dizem nada.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Revisitação

Em 2011, escrevi algo que vale a pena reflectir e reescrever:

Esclarecimento ao patronato e proletariado:
89% dos alguns empregados não querem festa de natal da empresa, se estiverem insatisfeitos.
89% dos alguns empregados pensam que sabem que é apenas uma operação de charme se estiverem insatisfeitos.
99% dos empregados sabe que é mais barato pagar um jantar anual que aumentar toda a gente. É uma verdade de lapalice, o patronato também sabe.
99% dos organizadores de jantares e festas de natal são inaptos para tal, mas tentam. Se tentarem fazer uma festa que agrade a todos... parece que afinal é impossível.
99% dos patrões enganam-se pensando que a falta de entusiasmo se deve a cansaço. Somos portugueses e tímidos. É mesmo assim. Mas se as pessoas estão insatisfeitas...
100% das festas de natal deixam mais de 50% 100% do pessoal de uma empresa com vontade de mandar tudo po caralho, se estiverem insatisfeitos.

Isto é a verdade a minha opinião. Convido-vos a tornarem-na mais completa com a vossa experiência pessoal.



Isto era o meu estado de espírito na alura em que trabalhava não para um patrão, mas um monte de merda. É o efeito que isso faz às pessoas.

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Star wars, a Saga.

Neste momento, gosto tanto de Starwars como gosto do Natal. Estou a começar a associar os 2 à mesma sensação de enjoo e exaustão - e não é inocentemente que isto acontece - e lentamente, a odiar cada vez mais os 2. Estou a imaginar o Natal a amainar e os filmes de Star Wars anuais, à laia de iPhone, a tomarem-lhe o lugar, os dois unos, a vender desde bidés a torniquetes, bonecos bolas e canecas até ao infinito. E eu que em puto devorava os filmes, os documentários e os making-offs como se fossem eucaristias, perco a vontade de me enterrar neste esgoto de merchandising até ao pescoço.