quinta-feira, julho 28, 2016

Erros meus, má fortuna

Num acaso do destino, o novos ambientador da casa de banho do escritório cheira ao perfume de uma ex. Cada vez que lá vou lembro-me dela.

Clientes do inferno

Boas notícias: há clientes que não são o inferno. Até os há bacanos. E sim, são tão raros que tenho de confirmar que existem.

quarta-feira, julho 27, 2016

Estagiários

Numa das ultimas voltas que o mundo deu, passei a ter a meu cargo, pela primeira vez na vida, um estagiário.
Eu nunca fui estagiário e explico porquê:
1. É uma chulice.
2. Um gajo deve ser pago pelo seu trabalho.
3. É uma maneira das empresas terem mão de obra barata.

Agora, no ponto de vista do utilizador de estagiários, tenho de dizer que todos os pontos acima são verdade, mas não são a verdade toda:

1. Não é uma chulice. A produtividade de um estagiário é baixa.
2. Eles podem e devem ser pagos. Digo "podem" porque há gente que não precisa do dinheiro mesmo e claramente nunca ia entrar naquela empresa se não fosse de borla - Eu quando descobri que a professora de design tinha estagiado num atelier de nível mundial durante uns meses sem ganhar um tostão também pensei "assim também eu", mas na verdade eu nunca ia ser estagiário porque está ali o ponto 2 que eu não consegui abdicar.
3. Consome-me metade do meu tempo porque tenho de ter a certeza absoluta do que anda a fazer o tempo todo. Enquanto sou totalmente desorganizado a solo, vou vivendo com isso. Com o estágiário, tenho de ser organizado pelos dois, sob pena de dar em doido rapidamente e não fazer mais nada senão listas a outra metade do tempo. Portanto sim, uma empresa está a dar formação ao estagiário. Barato é capaz de ser, mas sai-me caro a mim.

Disto isto, o que se passa nos ateliers de Design em Portugal é uma experiencia totalmente diferente daquela que vejo todos os dias. Os recém-licenciados são carne para canhão e nenhuma empresa deveria poder manter-se à conta de trabalho não-remunerado anos a fio, abusando da falta de oportunidades que o mercado nos habituou. Paguem, chulos.

terça-feira, julho 26, 2016

Resolver o problema do terrorismo pode custar apenas €0.99, descubra se é verdade

Desde há anos que recebo SMS's com as ultimas notícias. Esta semana, reparei nisto: em 10 sms's, 2 eram sobre crise financeira e 8 eram sobre facadas, bombas, terroristas e suicidios. Como o meu objectivo quando subscrevi o serviço não era ter uma versão global do Correio da Manhã, finalmente tomei 2 passos importantes: cortei na minha dependência de notícias e acabei com o terrorismo cá em casa.

segunda-feira, julho 25, 2016

A moral e os bons costumes do Pokemon


Eu sei que isto não é novo, mas ainda assim está a fazer-me confusão: Pessoas, quem anda por aí a jogar Pokemon Go não deve nada ao mundo.

Dizer que quem anda a jogar uma treta de um jogo a apanhar pokemons devia estar a apanhar refugiados é só parvo. Dizer que quem anda a jogar uma treta de um jogo a apanhar pokemons devia era adoptar animais a sério é só parvo.
Mas isto é também um sinal do quão diferente é este jogo dos outros. Um jogo que consegue ser tão diferente e ocupar tanto espaço real além do virtual, que consegue meter muitas pessoas a confundir os dois.

(no fundo os jogos estão a ocupar o espaço deixado pelos albuns de metal dos anos 80, que sempre serviram de bode expiatório para os males do primeiro mundo)

quarta-feira, julho 20, 2016

Pokemon, a vingança do chinês

Confesso que ver pessoal que gosta de Game of Thrones (toda a gente, parece-me) enjoado de ver Pokemons me dá alguma satisfação. Infelizmente não se tocam e já se esqueceram daquela fase estupida de há uns tempos em que todos os memes eram à volta de portas. Haja cu.
Se gostam de Pokemons e Game of Thrones: get a life.


segunda-feira, julho 18, 2016

Arautos do fim dos tempos, acalmai



Como é provavelmente sabido por quem segue este blog, não gosto de rebanhos. Embarcar em coisas só porque estão a dar não é a minha praia. Não passei a gostar de gin só porque tenho mais de 30 anos e tenho a mania que sou um lorde, continuo a desenhar em cadernos mas não sou urban sketcher, trabalho em esplanadas mas não sou digital nomad, andei de bicicleta e só fui a uma Massa Critica. Faço fotografia quando calha e não tenho aspirações a mais que as minhas fotos de tampa-de-caixa-de-bombons.
Mas, fui à procura de Pokemons (encontrei um nos Anjos).
Sem medos.

Tenho visto como muita gente reagiu ao aparecimento deste jogo e tenho de escrever qualquer coisa para compensar esse terror.
Sim, este jogo já foi aprovado pelo telejornal e isso é um sinal claro de que este jogo está aprovado para o rebanho. Mas é um jogo estupido e bem feito. Não transmite cancro, não causa guerras nem fome e está provado que quem gosta de pokemons também pode gostar de animais, beber copos com os amigos e ser a favor do fim do conflito israelo-arabe.
Para os que se queixam que o telemóvel aliena, - nunca precisei de telemóveis para me alienar, sempre o consegui fazer com pouca tecnologia, livros do Asterix bastavam - aqui está um jogo que combina o mundo real com o virtual, o primeiro a esta escala.
Não tenham medo, é só um jogo estupido e bem feito.

quarta-feira, julho 13, 2016

Também gosto

Aquelas notícias de "adepto francês que vive em aldeia perdida na ex-Jugoslávia escreve post em que fala mal de Portugal/selecção/Ronaldo" a terem tracção.
Imagino que algures numa aldeia remota da China um post meu está a gerar polémica sem eu saber e a dar clicks ao Observador de lá do sítio.

A vista da parede

No euro 2004, odiava activamente a bola. Este ano não me aquece nem arrefece (mas ver aquele golo fez-me o dia). Agora ando a ver a minha wall e a ver a reacção às condecorações atribuídas à selecção. O pessoal de extrema esquerda ficou ressabiado porque todos os atletas que chegaram ao podium a semana passada também deviam ter condecorações. O pessoal de extrema direita ficou ressabiado porque  3 militares da força aérea morreram num acidente de aviação e deviam ter condecorações.
Eu acho que ninguém devia ser condecorado porque no fundo foi só um aproveitamento político do momento. Mas pronto.

sexta-feira, julho 08, 2016

Ser freak é moderno

Estavamos ali a discutir o caminho que a internet leva, os sms's, os live feeds, a hiper-conectividade (que vai ser muito maior, isto é só o começo), teorias é comigo, tenham nexo ou não - desde há muito é que as notícias e os factos vão morrer - como o dinheiro, vão ficar para quem der valor a isso - e a humanidade entraria então numa era de comunicação digital pós-factual, hiper-emocional, assíncrona. Isto não é necessariamente mau: tanto podemos ser uma sociedade distópica governada por um algoritmo impiedoso como podemos fazer parte de uma comuna hippie global. Infelizmente, tenho cada vez menos paciência para hippies sem cérebro.

sexta-feira, junho 24, 2016

Isto não vai lá com paninhos quentes

A internet promove a troca de ideias e isso é uma clara vantagem para a humanidade. Infelizmente isto só é possível porque democratiza o discurso de todos, reduzindo-o a um pedaço de texto, preto, Arial, tamanho 14, umas centenas de caracteres e 8 segundos de atenção para cada pessoa.
Este jogo é complexo do ponto de vista de quem tem mais de 2 dedos de testa e sabe que estruturar uma ideia ou pensamento de modo a serem entendidas por todos é complexo e demorado. Já veicular ideias mal formadas é bastante mais simples.
Uma demonstração disto são os comentários online do Correio da manhã e o twitter do Trump.
Mesmo sabendo que isto é só um problema que me atormenta por achar que tenho uma moral de melhor qualidade do que o habitual e que no plano maior do universo, a humanidade está muito melhor assim, deixo aqui o meu apelo à sociedade para que promova o desenvolvimento de um código linguistico politicamente incorrecto progressista de esquerda, a unica forma de ideias racionais terem seguidores na internet.
Seguem alguns exemplos práticos:

"Não vacinar os meu putos? Havia de ser bonito, esses gajos do SNS arranjam tudo para não ir além das 35 horas semanais!"
"Tens de ver este video que o meu vizinho fez a expor a maneira como o estado usa o teu guito pra fazer estradas e hospitais. E ainda dizem que não há conspirações."
"Sair do Euro? isso é coisa de rotos."
"No outro dia vi uma gaja a passar com uma saia do tamanho de um cinto. Se não estivesse em cima do andaime, tinha-lhe mandado uma boca."
"Esses gajos do Correio de Manhã são uns meninos, na secção de comentários do Le Monde Diplomatique é que dizem as verdades."
"Um amigo meu no outro dia apanhou um taxista que foi o caminho todo a contar-lhe como foi bem tratado num centro de saude público. Aqueles gajos às vezes até acertam umas."
"Agora fazem as vontades todas aos putos, havia de ser como no meu tempo, no infantário subsidiado pela junta de freguesia quem mandava eram as educadoras."

terça-feira, junho 21, 2016

Os States lá longe

Felizmente, e não parecendo se derem ouvidos ao pessoal do PC, há uma moral de de esquerda de esguelha, socialmente progressista, que orienta Portugal silenciosamente. É isso que faz com que, por exemplo, não haja tempo de antena nos jornais e nos canais de televisão portugueses para o pessoal do PNR, que também tem direito ao seu ponto de vista. Olho daqui para os EUA e fico contente de sermos moralistas, é um descanso.

quinta-feira, junho 16, 2016

A alegoria da caverna com o dragão

Pessoas: o Game of Thrones são só sombras. Lá fora há um mundo de pessoas (eu) que se estão a cagar para histórias com dragões que duram séculos e onde (não sei porquê, toda a gente sabe tudo de antemão porque 1) está na net 2) é uma rotina conhecida) recorrentemente morrem (e ressuscitam) personagens badass. Ainda assim, não tenho nada contra esta bosta desta série, só estou cansado de tentar explicar que ver esta série não é obrigatório, ainda.
Bons tempos em que ver televisão era considerado alienante.

quarta-feira, junho 15, 2016

Não, espera, volta: Rui Sinel de Cordes e as redes sociais

Rais parta, não percebem que o rapaz é sensível?
O rapaz não pode sair das redes sociais, é necessário. Talvez ninguém esperasse que o rapaz se fartasse, pelos manifestos que faz cada vez que leva bordoada. O rapaz lá no fundo só quer ser compreendido e não ter de explicar, nestes manifestos cada vez mais extensos e explicativos, todas as piadas que faz. Claro que cada manifesto era uma chamada de atenção; primeiro a proverbial cabeça no forno, depois a overdose de comprimidos, mais à frente os pulsos cortados. Todos os manifestos gritavam "ajuda, por favor" e agora foi mesmo a sério. A esta hora o rapaz está trancado na garagem a queimar gasolina em vão.
Eu julgava que o rapaz ia estar cá para sempre, porque julgava que os manifestos eram mesmo manifestos. Pessoas com convicções remam contra a maré porque sabem que estão certas.
É por isso que precisamos, todos, de ter o rapaz de volta no Facebook. Por causa de convicções. As mesmas que muitas outras pessoas, mais obstinadas que o rapaz, teimam em não largar: homofobia, xenofobia, sexismo, racismo (e infelizmente, mau gosto, que a tal piada era fraquinha). Pessoas que encontram neste rapaz um ombro amigo, onde o humor se confunde com opinião. Precisamos do rapaz no facebook para poder encontrar as pessoas que têm estas opiniões.
O rapaz é um aqueles galos que mudam de cor com o tempo. Não diz nada que eu não esteja à espera, mas diz muito sobre as pessoas que gostam de ter um galo que muda de cor em casa.

quinta-feira, junho 09, 2016

Pessoas com tempo a mais: um estudo rápido

Tenho ouvido gente com tempo a mais. Têm ideias mas demoram muito a executá-la. A tal da obsessão com a produtividade é uma falácia: simplesmente não há nada que garanta que uma ideia precise de muita maturação para ser boa. Diz-se que Cossery escrevia uma linha por semana, tudo bem eu respeito na boa mesmo conheço gente assim e já lá estive um gajo estar em casa desempregado e com subsídio dá uma margem de manobra porreira e descobre-se que a má vida é boa dependendo de dias mas voltando de certeza que o tipo conseguia sentir-se bem usando o resto do tempo para o que lhe era mais importante -  fazer nada - o que é bastante meritório porque a mim fazer nada custa-me, e agora quando vejo o tempo que se perde com medo de arriscar ou na ilusão de que toda a gente está tão atento aos detalhes para notar essa tal maturação faz-me comichão. Arrisca. Rápido.

terça-feira, maio 31, 2016

O Gu-lag

Nas redes sociais, José Cid e Nuno Markl estão a ser fustigados, ameaçados, perseguidos, obrigados a pedir desculpas, por causa de uma entrevista feita há 6 anos, no canal Q.

Há seis anos, no canal Q. Eu insistiria nesta parte.

segunda-feira, maio 30, 2016

Devagar com o andor

Estive uma semana fora e não apanhei estas manifestações do pessoal dos colégios privados que querem continuar a ser financiados pelo estado, mantendo alunos que, por opção, querem que o estado pague a sua educação. Algumas notas sobre isto:

1. O nosso ensino público é bom.
Pude ver videos das manifs feitas pelo pessoal dos colégios e constatar a diferença: ninguém vindo de uma escola pública faria aquela figura porque sabia que levava na tromba. Amarelo? Mais beto não dá. Palavras de ordem? Onde é que andaram quando havia manifs a sério para tirar notas?
2. A Dupla-Tributação está entre nós.
Dupla tributação é um argumento fraquinho. Não me lembro de ser bem usado. Neste caso é bem mal usado. Vejam lá: "Eu já pago impostos, nao posso pagar o colégio do meu filho para ter acesso a ensino de qualidade.". Porque depois aparece um outro tipo, tipo eu (com filhos na escola pública, por exemplo) e diz "eu já pago impostos, os meus putos estão na escola pública, não posso pagar a minha pública e a tua privada", estão a ver como é fácil. Corolário do argumento da dupla-tributação: A única coisa que não pagas duas vezes é o sol, porque não pagaste uma primeira. (Atenção: Como não tenho filhos sequer, ainda acho isto mais parvo).

3. Os impostos são de todos. A gestão dos dinheiros públicos não funciona como um kickstarter. Eu não tenho poder de escolha sobre para onde vão os meus impostos. Para isso é que voto num programa de governo. Sim, sociologicamente era mais interessante. Mas duvido que fosse bonito de ser ver. Eu, por exemplo, nunca ia ajudar o funding do exercito, dos hospitais a sul de Benavente e dos transplantes de orgãos para pessoas com multas de transito por pagar.

4. Dependendo da ocasião, a esquerda portuguesa é mais neo-liberal do que a direita
Ver a esquerda em bloco defender que o mercado é que manda e ver a direita preocupada com os professores que perdem o seu emprego e a perda de qualidade de vida das pessoas implicadas é refrescante. Se ao menos houvesse memória para perceber como também é irónico.

5. Tudo acontece por um motivo
Portugal é um país pick-and-chose. Não interessa a ideologia, ela adapta-se caso a caso, conforme o que for preciso resolver. Vivemos numa espécie de ditadura regida pelo Paulo Coelho.

quinta-feira, maio 19, 2016

Malucos do Riso, Versão brasileira pós-Dilma


Um dia destes foi jantar uma amiga brasileira lá a casa. Em vez de lhe dar as boas noites, dei-lhe os pêsames.

terça-feira, maio 17, 2016

Na volta, este tipo escreve assim, com crowdsource. Não consigo notar a diferença.



Genética renovada precisa-se

Há coisas que não mudam, nomeadamente as pessoas com que esbarro na Cinemateca. Parece que não mudaram desde 98. Metade bebe copos na Bica. A outra metade no Damas. Se pensar que a cultura funciona como a genética, chego à conclusão que todos os filmes portugueses são filhos de primos direitos.

Descobri um filão

No facebook, os comentários dos fans às citações do Pedro Chagas Freitas dão-lhe uma continuidade inesperada. É uma espécie de cadáver esquisito com sentido. Tanto quanto é possível.

segunda-feira, maio 09, 2016

domingo, maio 01, 2016

Tipos de humor

Historicamente, tive uma dificuldade extrema de fazer conversa de circunstância com uma ex-patroa. E na altura não percebia porquê. Sempre que tentava fazer uma piada era levado a sério, sempre que falava a sério achava que estava a fazer uma piada. O mesmo acontecia no sentido oposto. Hoje vi que partilhou uma citação do Pedro Chagas Freitas. E como esperado, não foi no gozo.

domingo, abril 17, 2016

Este blog tem 10 anos.

10 anos. Não há nada que eu faça, tirando cortar as unhas dos pés e guardar as unhas em frascos, que tenha feito durante tanto tempo.
Da boa à má vida, do desemprego ao patronato. Assistiu à queda do Sócrates, do Passos, do Cavaco. E ainda vai assistir a mais umas coisas.
Amanhã: top 10 dos fenómenos a que este blog assistiu nos últimos 10 anos.

quinta-feira, abril 14, 2016

Estava aqui a ver


Trabalhar com os outros é o inferno. Toma-me o tempo todo, é cansativo, tudo tem de ser negociado todos os dias. Cansa-me.
Agora lembrei-me de outros tempos em que tinha de fazer o mesmo mas com gente burra.
E afinal isto é um descanso.

sexta-feira, abril 08, 2016

Ainda a gorda


Começo a gostar da gorda. A gorda, contra quem pouca gente se envergonha de ser sexista, baixo ou politicamente incorrecto, é uma artista. Os artistas, historicamente, são de polémicas. Se noutros tempos este campo pertencia aos iconoclastas, agora pode ser ocupado por qualquer um, desde que o faça na internet, onde há sempre muitas almas sensiveis dadas a fuzilamentos públicos. Uns fardos de palha colocados estrategicamente à volta das caixas de comentários servem de abrigo e ajudam a que isto aconteça.
A gorda é insultada. A gorda dá a cara por uma campanha. A gorda faz a campanha ser um sucesso. A gorda soma e segue. A gorda cumpre-se.

Um sinal dos tempos, como nota: Há muitos anos, num incêndio em toda a família sobreviveu por mero acaso, um amigo meu perdeu tudo o que tinha. Todo o apartamento ardeu. Sempre que me fala disto, a unica coisa que lamenta foi ter perdido as fotografias da família. Onde é que as pessoas guardam as fotos hoje, mesmo? Dica: não é no iPad da gorda.

#esefosseeu

Na mochila, levava:

As canetas.
Alguns lápis.
Um canivete.
Cadernos.
Cabos USB.
Dinheiro.
O portátil.
A máquina fotográfica.
Os documentos.
O telemóvel.
Uma garrafa de água.
Benurons.

A minha lista, reparei, não é muito diferente da lista da Joana Vasconcelos. É menos totó porque me prolongaria o conforto por mais do que 20 minutos. Não gosto de tricot mas gosto de desenhar. Ser obrigado a fugir do meu país só me obriga a deixar o que não preciso, não sou obrigado a deixar para trás o que sou, faço ou gosto e pode obrigar-me a deixar muito do que sou, faço ou gosto, mas não tudo. Também não gosto da Joana Vasconcelos e não a meteria na mochila. Mas com o que é que vocês sairiam de casa que coubesse numa mochila? Ética? Coisas que outras pessoas gostassem?


sexta-feira, março 18, 2016

O mais importante é o motivo

O que eu quero mesmo é fazer a um happening numa instalação de land art com um filme super 8 de litografia de uma serigrafia pontilhada de uma fotografia digital tirada a um timelapse do processo de construção de um filme em stop-motion em exposição prolongada de várias esculturas em materiais mistos cinéticas e interactivas com movimentos definidos pelas quantidades geolocalizadas de tweets com o hashtag #trump em tempo real, movidas sequencialmente por operadores de marionetas bunraku em resposta aos movimentos do publico numa sala toda pintada de branco, filmada noutro ponto do mundo, feitas a partir de fotocopias de espectogramas pintados a óleo tirados da visualização do som passado por um pedal de efeitos ligado a uma talkbox analógica de um sample re-masterizado de um album de eletrónica alemã dos anos 70 passado numa aparelhagem a válvulas com pré-amplificador passada para cassete distorcida manualmente, depois de ter passado por um gravador de oito pistas a partir do lado B de um vinil de 33 polegadas comprado aleatoriamente numa loja online por um bot anonimizado via Tor, tudo pago por crowd funding.

quinta-feira, março 10, 2016

Jamaica, Tokio e Europa: 3 canos, Cais do Sodré ao fundo

O Cais do Sodré vai deixar de ser o que era. Não vou levar isto pessoalmente apesar de tudo o que estas discotecas querem dizer. Vou antes explicar o que quer dizer o fim destes 3 sítios para Lisboa.
A perda do Jamaica é grave, mas somar-lhe a perda do Tokio e do Europa é declarar o fim da função reguladora do Cais do Sodré.
Ir ao Jamaica é voltar ao tempo das cavernas. Quase literalmente: Está sempre quente demais com luz de menos, e é sobrelotado por natureza. O suor escorre nas paredes. E entrar continua a ser um misto de golpe de sorte, encontrar par para tentar enganar o porteiro, e a sua boa vontade. Sem Jamaica estamos entregues à lei do mercado. Entrar no lux, por exemplo, é uma questao de dinheiro, a entrada compra-se. Entrar no Jamaica é lutar pela sobrevivência da espécie.
O Tokio era o "buffer" do Jamaica. Podem dizer que são iguais mas desenganem-se. O Tokio atende os rejeitados, os quarentões e todos aqueles que levam o Jamaica a sério e não conseguem lá entrar. Também é uma versão com menos suor e mais holofotes do Jamaica. É um paliativo.
Parecendo desconexo dos outros, o Europa é o destino de quem, continuamente, teve de confontrar-se com a realidade do mundo fora do binómio Jamaica/Tokio. Deep house e Drum&bass anacrónico às 7 da manhã não são uma opção, são mesmo um ultimo recurso. Toda a gente que está num after hours do Europa queria estar em casa a ouvir Jorge Palma.
Por isto, prevejo suicídios em massa, agitação social, terramotos e luto. Mas posso estar enganado.

PS. Acabar com estes e outros sítios - ouvi dizer que vai fechar o Estádio, o Ateneu e o Scandy - é acabar com o bas fond do centro de Lisboa e com o que ainda havia de genuino, os ultimos restos da noite (meio) indie. A próxima cena ainda vai ser beber copos nos bares africanos do Intendente. Aí a coisa ainda é brava.

terça-feira, março 08, 2016

Quero ser cliente

Quero dizer a alguém "olhe, essa fotografia tirada com o telemóvel, quero que tenha bom aspecto. Vá ao photoshop e faça a miuda loura em vez de morena e vire um pouco mais a cara para cá. E esse folheto, quero que tenha o dobro do texto, mas com o dobro do tamanho, mantendo o ar minimal nórdico que me disseram ser porreiro mas que não tenho ideia do que será. E quero isto em bilingue. E tudo em Times New Roman, mas que fique com um ar moderno. Se tiverem ainda tempo, isto é para entregar daqui a 30 minutos, ainda podem dar um jeito no texto para ser mais claro, ok? ". Mas não consigo.

Lisboa que amanhece


Na mesma semana, ouvi dizer que o Estádio, o Scandy, o Jamaica, o Tokio e o Europa vão fechar. No grande plano das coisas, não é importante. Tiveram o seu papel. Mas a acontecer, significa que praticamente todos os sítios onde cresci - ou não, é uma questão de ponto de vista - vão desaparecer. Sobra o Mahojng, que como ficou uma boa merda, ajuda a manter uma boa perspectiva sobre o assunto.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

O Cliente Português

Há que dizê-lo:
O cliente português é uma besta. É um burro.
O cliente português é naturalmente egocêntrico. Como todos os clientes portugueses de todas as nacionalidades.
O cliente português anda a brincar aos escritórios. Vibra quando compra clips, fotocopiadoras ou correntes de plástico vermelhas e brancas para impedir a passagem. O cliente português não tem noção.
O cliente português, habituado a um mundo pequeno e uniforme, espelho dele mesmo, assume a sua posição de cliente como um Gargantua que se senta à mesa.
O cliente português vê-se como um nobre. O mundo é seu.
O cliente português sabe que o tempo é igual para todos, mas o seu tempo pode ser preenchido de reuniões umas atrás das outras, quanto mais longas melhores e quanto menos decisivas melhor. Ai do cliente português que tenha de decidir algo numa reunião, fechando um ciclo que se quer aberto.
O cliente português não quer ser cliente: quer fazer parte da empresa.
O cliente português não quer ser cliente: quer ser um amigo.
O cliente português não quer ser cliente: quer ser ouvido.

O cliente português reclama em diferido. O cliente português acha que paga sempre a mais.

O cliente português é uma nódoa.
Todos somos clientes portugueses.




sexta-feira, fevereiro 12, 2016

A Galp

Só agora reparei nos mupis com o novo logotipo da Galp.
A Galp, pronta a avançar para novos mercados, avança a todo o vapor para a joalharia: o novo logo parece um daqueles berloques para pulseiras das betas. Mas como queriam apelar a outros mercados, transmuta-se em berliindes e em relva. No fim, parece um pechisbeque barato.
Terem convencido o cliente que aquilo tem alguma lógica deve ter sido um granda broche.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Vamos lá ver

Não me lixem com a conversa anti-GMO's. Se não papam a conversa de sites manhosos sobre refugiados, usem os mesmo critérios para as notícias sobre outros temas. Geneticamente modificado não é veneno, é comida. Se acham que daqui a 20 anos ainda vai andar tudo a comer truta selvagem, desenganem-se.
Agora ponho aqui aquele som do disco riscado e passo a dar-vos a conhecer alguns pontos interessantes de um pitch a que pude assistir o ano passado, de uma startup cheia de boas intenções:
Claramente, daqui a uns anos o planeta deixa de ser sustentável, se continuarmos a comer o que andamos a comer. Temos de mudar de dieta. Dizem vocês, "ah, isso sei eu, só ando a encher-me de chanfana e escabeche de frango" e que deviam comer outras coisas e mais frutinha. Esperem.
Ao que parece, a tal da comida biológica é pouco sustentável: na verdade ocupa terrenos bons com produções nada rentáveis. Ser vegetariano não-GMO também está fora de questão. Cada humano precisaria de 3 toneladas diárias de pistachio, nozes, alpiste, tofu e maçãs do tamanho de nozes para sobreviver, triste e cabisbaixo, - sim, que não comer bifes ia deixar tudo cabisbaixo - um cenário apócaliptico sem bomba H.
A solução apresentada pela startup, era simples, barata e eficaz: Insectos. Farinha de insectos. Google it.
Eu ouvi o pitch, percebi que o mundo tem de mudar rapidamente, saí e fui a correr comer um bitoque.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Reunite

Uma doença típica dos humanos que se acham importantes - não vou dizer "tugas" porque posso confirmar que é um mal presente em todos - é a reunite. A reunite tem origem numa infância mal resolvida, dizem estudos feitos por.
Se o chefe precisa de marcar muitas reuniões onde aparentemente há pouco a decidir ou já está tudo decidido, dica: poupa tempo da tua vida, pede-lhe ajuda e opiniões diariamente. Mesmo que seja sobre a cor ou densidade do papel higienico, o número ideal dos agrafadores ou a melhor password para o wifi. Qualquer coisa serve, inventa. Tudo para que sinta que afinal querem jogar às escondidas, aos polícias e aos ladrões, à macaca, seja, com ele.
Nota: A Reunite é contagiosa da cabeça para os pés, seguindo a hierarquia da empresa. Na forma ascendente, somatiza.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Groupies são sempre groupies

Introdução: Fui a um concerto muito pequeno, agora dito intimista, do Sérgio Godinho. Este post é dedicado às groupies desse senhor. Pode ser trauteado fora de salas de espetáculo.

Alto lá, que vejo eu
A groupie nem bebeu
Está sóbria vejo bem
antes fosse, minha mãe
metam-lhe uma mordaça
ai o tempo não passa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Desengane-se quem vem
ouvir o Sérgio Godinho
vão ouvir cantar baixinho
o segredo já sabido
a zumbir-me no ouvido
"Sérgio faz-me um filho"

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Bebem-lhe cada palavra
vão sempre vê-lo ao Avante
40 anos vão-se num instante
Desafinando pela causa
as groupies na menopausa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Mandem-na calar
A groupie não se cala
meta-lhe uma mordaça
A groupie não se cala
cortem-lhe o pio
A groupie não se cala
Deitem-na ao rio
A groupie não se cala.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Não tenho tempo para nada

Há desvantagens em estar num trabalho que se gosta: Tirar a energia desse trabalho para outras coisas é muito mais difícil.
Noutros tempos, saía daquele trabalho de merda e tinha energia para tudo. Andava mais, postava mais, desenhava mais, fotografava mais mas também bebia muito mais e ressacava muito mais.
Agora isto corre tão bem que só queria ter tempo para me dedicar a mais alguma coisa.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

O monólito

Sim, o Expresso limpou a frase para ficar mais curta e legível - não é uma conspiração, é uma opção de estilo - do que "Nós podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, enfim, em que fosse fácil, com um discurso..." mas a frase foi dita pelo secretário geral do PC. Os alvos não são claros: na categoria de engraçadinho, ponho o Marcelo e o Tino de Rans, ex-aequo (Tino teve menos 30000 votos que o candidato do PC, o equivalente a 3 blocos de apartamentos em Benfica). Na categoria de engraçadinha, eu até acho que Maria de Belém, baixinha e com uma voz particular, se pode encaixar nela, mas dizem-me que afinal o alvo seria Marisa Matias, que teve o melhor resultado de sempre pelo BE.
Clama o facebook que é sexismo, mas isso parece-me acessório. Antes disso, há muito mau perder.
nota: De forma inédita, o PC conseguiu dizer que "os resultados ficaram aquém das expectativas", quebrando uma tradição que sigo desde que sou gente. O que de certa maneira, é o sinal do fim de uma era.


quinta-feira, janeiro 21, 2016

Custa muito?

- Este produto não tem qualquer defeito de fabrico, mas não estou satisfeito com ele. Quero devolvê-lo. Deixei passar algum tempo, mas só o abri e usei uma vez.
- Tem o cartão que usou para o pagar?
- Está aqui.
- Reembolsei-o agora, deve receber o valor na conta associada a esse cartão. Boa tarde.




sexta-feira, janeiro 15, 2016

Je ne suis Je suis

Parece que no último número do Charlie Hebdo, há um cartoon que causa polémica entre a esquerda obtusa. Parece que afinal há limites para o humor, dependendo do quintal em que entra. Tenho de saudar estes tipos pela capacidade de serem coerentemente anti-tudo. Alguém tem de ter este papel de estar contra as convicções alheias, sejam elas quais forem. Tem piada? Não muita. Mas isso é questão de gosto, ou falta dele.






domingo, janeiro 10, 2016

Navegação por instrumentos

Ficam os táxis, experiências analógicas, seguem os Ubers, bidimensionais e automáticos, uns atrás dos outros. O espaço mental que percorrem é gentrificado como a cidade e retirá-los dessa área nobre da cidade retira-lhes ainda mais a humanidade. Se conduzir para a Uber é uma vigília permanente, fora dessa zona de conforto o silêncio é absoluto e passam a olhar mais para o GPS que para o caminho, sabendo que não podem confiar completamente na máquina, sem um mapa mental comum com os passageiros. Leia-se, para lá do Califa é só dragões.

quarta-feira, janeiro 06, 2016

A criar excêntricos

Viagem de taxi. Espero a habitual xenofobia, racismo, homofobia e sexismo de um taxista. Mas dêem-lhes um fim de ano e os taxistas transformam-se, não se conseguem conter, contam como foi espetacular, quanto fizeram este ano, o ano passado, o ano antes, quanto fizeram os amigos, os truques para ganhar mais, o lingo, tudo. No fundo aquela conversa habitual nem sequer é raiva mal direccionada, é só ganharem pouco.

segunda-feira, janeiro 04, 2016

Começar o ano

Tenho uns calotes por resolver. São lendários, dados os anos que já passaram. Fazem parte de ser freelancer. Uns ja nem tento, - meteriam tribunais e chatices a longo prazo - prezo muito o meu descanso mental e felizmente, orientei-me. Só perco tempo com uma coisa: trabalhar. O resto, por mim passava-o no sofá a ver o Agora Escolha.
Agora tenho um calote que é como um sonho recorrente, quase um hobbie. Vou enviando emails, não faço ameaças porque sei que só vale a pena se for para as cumprir ( e eu não tenho perfil para partir um joelho a ninguém ) e vou coleccionando respostas. Vou afinando os emails que envio, sempre entre o sério, o objectivo, o humorístico e o irónico, de maneira a não escalar para a violência.
Decidi que a partir de hoje farei um relatório para mim mesmo sempre que houve novidades sobre este assunto. Nota: isto dura desde 2011.

quinta-feira, dezembro 31, 2015

Sobre o Starwars, o Game of Thrones, o 50 Shades fo Gray e finalmente, o Twilight

Há muitos, muitos anos, havia tipos de histórias que pertenciam a um género. O que as fazia pertencer a um género - independentemente de serem boas ou más - passava por abraçarem certos conceitos básicos, algumas premissas próprias do espaço,
tempo ou autores originais, revelando aspectos sociais, políticos, pessoais muito próprios, alguns critérios estéticos mais ou menos definidos mas claramente pertencentes a um só universo. Com as devidas excepções, um género era facilmente identificado, e fácil de excluir dos restantes.

Chegamos a 2016 com uma única premissa: Seja qual for a história, é possível abastardá-la o suficiente para deixar de ter género e passar a ser a favorita de toda a gente.
Mantenha-se a estética* e pode transformar-se ficção cientifica no género mais popular de sempre. O mesmo para o Game of Thrones: Se dissessem a um adolescente geek de 80's que um dia uma telenovela de Fantasia ia ser vista por toda a gente e que quem não a vê seria tido como um ser bizarro, engasgava-se a ler o Senhor dos Aneis e cuspia o aparelho. Já aqueles que conseguiram tornar BDSM um tema de filme de domingo à tarde e lobotomizaram vampiros para serem boas pessoas, conseguiram destruir o que seria "gótico" e fazer esquecer o tempo em que os lobisomens eram o inimigo, em vez dos actuais pequenos póneis.
Isto tudo só para poderem vender t-shirts à miudagem.
Salvam-se os filmes da Marvel, que só podem dar alegrias.

Disclaimer: Há excepções. É possível abstardar géneros propositadamente, mas para melhor. Exemplo: Warm bodies é um filme romantico com zombies, e como tal, uma comédia.

*apenas a parte que toda a gente gosta.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Eu ainda perco tempo com isto

É fácil este tipo chatear-me a molécula, e para isso basta usar certas palavras chave com que me identifico rapidamente e sem pensar muito: humor negro, humor, stand up. Qualquer tipo português que use estas tags terá uns minutos da minha atenção.
Mas o Rui Sinel de Cordes é só um troll. Pelo menos online, porque nunca paguei para o ouvir.
A tua cena é humor negro e destrutivo? I'm in.
Mas ofender não é o mesmo que ter piada, esperem.
O Carlin, o Lenny Bruce, o Bill Hicks, o Louis CK são ofensivos. E também podem ter feito piadas de violação. Mas, seriam piadas. Davam para rir. Com este artista, rapa-se a piada e fica só a ofensa.
Um humorista sem sentido de humor que a cada vez que tem um revez (bom, ser bloqueado no facebook é um problema de primeiro mundo) na vida reclama que é censurado, quando devia aceitar a dica: É mesmo só porque não tem piada.
É pouco mais que um Fernando Rocha de fato e gravata.

Quase a chegar a 2016 e ainda há tarólogos no mundo

Hoje liguei a televisão de manhã e vi uma astróloga-taróloga a aconselhar alguém a procurar "ajuda profissional". Assim sou capaz de tolerar esta gente, se resumirem a sua actividade a uma especie de psicologia artesanal, uma arte perdida no tempo mas que reconhece que só é boa para encher chouriços e vender dicas de valor acrescentado.

terça-feira, dezembro 29, 2015

Piropos mandatórios

Sim, tenho de entrar neste comboio também.
Mas só para dizer que o piropo é uma arte em declínio e deve ser salvo.

O piropo é como a anedota, pertence a um outro tempo em que a oralidade tinha todo o valor. Ainda se ouvem anedotas? não. Piropos também não.
Aquilo que vem de lá dos andaimes não é tecnicamente um piropo, estudiosos proclamam em Palo Alto. É um urro primordial e uma forma de afastar as femeas quando os machos estão a comparar tamanhos de pila.
É uma forma de expressão única no mundo, não só pela evolução que ocorreu em poucas centenas de milhares de anos, ouvidos desde as árvores mais altas da Pangea até ao andaime floresta urbana, mas também pela adaptação a meios como o automóvel, onde esta territorialidade, sempre baseada na distância, na não-presença, continua resiliente.
Faça-se uma recolha e divulguem-se em museus etnográficos, em consolas com botões.

P.S. Já li tanta barbaridade hoje. Nem parece 2015.

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Informação.

Ontem vi no noticiário da noite aquela análise do negócio multimilionário da venda dos direitos de transmissão dos jogos de futebol e não deixei de achar interessante a profundidade da informação: Os valores em Portugal comparados com outros países, os clubes que rendem mais, a realidade do negócio, a diferença entre o nosso minúsculo mercado e o mundo lá fora.
Via isto e pensava por que não há reportagens a fundo sobre assuntos que realmente teriam impacto na sociedade, com o mesmo tipo de comparações claras e directas, com números reais, com factos. Mas não é uma conspiração: É só por ser mais fácil fazerem reportagens com o material que recolhem nas conversas de café do que perderem tempo com assuntos que não lhes dizem nada.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Revisitação

Em 2011, escrevi algo que vale a pena reflectir e reescrever:

Esclarecimento ao patronato e proletariado:
89% dos alguns empregados não querem festa de natal da empresa, se estiverem insatisfeitos.
89% dos alguns empregados pensam que sabem que é apenas uma operação de charme se estiverem insatisfeitos.
99% dos empregados sabe que é mais barato pagar um jantar anual que aumentar toda a gente. É uma verdade de lapalice, o patronato também sabe.
99% dos organizadores de jantares e festas de natal são inaptos para tal, mas tentam. Se tentarem fazer uma festa que agrade a todos... parece que afinal é impossível.
99% dos patrões enganam-se pensando que a falta de entusiasmo se deve a cansaço. Somos portugueses e tímidos. É mesmo assim. Mas se as pessoas estão insatisfeitas...
100% das festas de natal deixam mais de 50% 100% do pessoal de uma empresa com vontade de mandar tudo po caralho, se estiverem insatisfeitos.

Isto é a verdade a minha opinião. Convido-vos a tornarem-na mais completa com a vossa experiência pessoal.



Isto era o meu estado de espírito na alura em que trabalhava não para um patrão, mas um monte de merda. É o efeito que isso faz às pessoas.

sexta-feira, dezembro 18, 2015

Star wars, a Saga.

Neste momento, gosto tanto de Starwars como gosto do Natal. Estou a começar a associar os 2 à mesma sensação de enjoo e exaustão - e não é inocentemente que isto acontece - e lentamente, a odiar cada vez mais os 2. Estou a imaginar o Natal a amainar e os filmes de Star Wars anuais, à laia de iPhone, a tomarem-lhe o lugar, os dois unos, a vender desde bidés a torniquetes, bonecos bolas e canecas até ao infinito. E eu que em puto devorava os filmes, os documentários e os making-offs como se fossem eucaristias, perco a vontade de me enterrar neste esgoto de merchandising até ao pescoço.

terça-feira, dezembro 15, 2015

Moda?


Daqui a 15 anos pedem ao VIHLS para ir rebocar tudo o que andou a esfuracar.

domingo, dezembro 13, 2015

Só pode ser culpa do Costa e desse bando de corruptos

Da janela desta sala vê-se o rio. Como em muitos anúncios de imobiliária, só em bicos de pés e em cima de uma cadeira. Alguns prédios mais abaixo, alguém resolveu continuar a ver o rio depois de descer da cadeira: não perdeu tempo e em dias já tinha começado a construir o segundo andar da sua casa. Teria de ser mais espaçoso, para não precisar de uma marquise,  - esse milagre português que gera casas maiores de um dia para o outro; a cada ano conheço mais países e não conheço mais países que usem marquises - mais espaçoso que os outros andares mais abaixo. Andaime, cimento, tijolo, a andar.
Mas, aquele tempo que não perdeu devia ter sido empregado a pedir uma licença na camara.
Cresce o andar maior que os outros, como um tampo de balcão de um tasco por cima dos restantes andares quando o fiscal bandido da camara o interpela. Bandido não aceita luvas, pequenas de certeza bandido embarga-lhe a obra.
Tenho a vista para o Tejo como dantes - o andar extra só cresceu até à altura do parapeito das janelas e agora parece-se com algo saído do jardim de Serralves, um monte de chapas onduladas em concha a fazer de telhado, andaimes nas paredes, uma especie de tartaruga ninja de metal ancorada no topo do prédio, a tirar o brilho aos andaimes - só tenho de subir a uma cadeira.

quinta-feira, dezembro 10, 2015

O patronato do ponto de vista do utilizador

Neste país à beira mar plantado, de forte e frondoso catolicismo, isto de ter hierarquias é uma coisa muito bem vista. Pior é quando não se acredita nisso.
Prezado não acredita em hierarquias mas vê a sua necessidade. A ultima coisa onde quereria trabalhar seria numa cooperativa. Não é que goste de mandar ( gosta de ver as coisas bem feitas e à sua imagem claro mas sem se chatear porque já se chateou muito e é um tipo muito cansado e detesta perder tempo com questões pequenas ), mas alguém tem de o fazer. A democracia, como repetidamente digo aqui dentro, é boa para o país, mas não é para uma empresa. Aqui quero decisões.
Desde que tenho de fazer valer uma hierarquia, pouco mudou: A antiguidade é um posto, o cabelo branco uma faca, o facto de trabalhar com gente com metade da sua idade e a tendência para dissertações entre o estupido e o definitivo ajudam a manter uma distância confortável que dá frutos. Não concordando com a chulice anacrónica do patronato tuga, Prezado preza um patronato  nacional porreirista, onde se exige mas dá-se em troca. Sem horas extraordinárias, que isso nem a CGTP paga.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Aquela história do bloco de esquerda e a homeopatia

O Bloco de Esquerda, não sei porquê (mas posso arranjar alguns ditos de taxistas que não ficam muito longe da realidade) quer debater a inclusão da medicina tradicional chinesa e a homeopatia na medicina ocidental (leia-se medicina). Acho positivo que o debate seja público e envolva o máximo possível de opiniões e especialidades.
Dizem-me que tenho uma postura um bocado radical quanto à homeopatia.
Mas até acho que sou tolerante, tendo em conta o que se sabe sobre o assunto.

Não vou perder tempo a refutar todas as ditas vantagens da homepatia, que conheço bem. Para cada refutação, encontraria uma lista de excepções que confirmariam a regra e não convenceria ninguém.
Também não vou perder tempo a listar fontes de informação fidedigna porque antes teria de apontar como encontrar fontes fidedignas, já que a maior parte da informação online é enviesada.
Poupo-me também o tempo de separar "bons profissionais" de "maus profissionais", porque rapidamente alguém traria esse argumento para a mesa.
Vou só focar-me nos bons profissionais, com os melhores resultados possíveis, para ser o mais tolerante possível. Testados e publicados inumeros papers* sobre os efeitos da homeopatia, estes são consistentes: No máximo, a sua eficácia é a de um placebo.

Dito isto, abra-se o debate: é ético usar placebos como tratamento, e se o é, sabendo que toda a gente se sente melhor depois de comer um bitoque, posso vender bitoques como placebo ao Serviço Nacional de Saúde?

Nota: Prezado teve um pai céptico e cresceu tendo como vizinho um medium astrólogo muito famoso e que atendia muitas celebridades e trazia muitas curas e milagres. 20 anos de contacto diário com os seus pacientes e seguidores fizeram com que, sem hesitações, meta no mesmo saco todos os métodos pouco cientificos ou minimamente dúbios: o saco do lixo.

*publicações revistas e aprovadas em revistas cientficias de referência são a unica fonte de informação fidedigna.

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Demorou uns anos, mas até percebo

Vejo as reacções ao fecho do jornal I e do Sol e vejo-me.
Fui o cliente típico do I (o Sol nunca o comprei*): gosto muito do jornal, comprei-o com alguma regularidade quando foi lançado, entretanto nunca mais comprei jornais**. Quando, de tempos a tempos, sei que vou andar de autocarro ou comboio e tenho tempo para ler notícias mais a fundo***, sou capaz de o comprar.
Isto para dizer: O meu pai tinha razão, um jornal é um negócio como outro qualquer que precisa de ter vendas (e se não é para ser gerido como tal, tem de deixar de ser pago por empresas com accionistas e passar a operar num modelo cooperativista, crowdsourced, banco de horas, voluntariado, o que for necessário para manter a informação livre de agendas).
O marinheiro que hoje teve a tarefa de implodir a redação, é só um mensageiro.

* Por motivos de Saraiva.
** Telemóvel com 3G, 90% das notícias que leio estão online.
*** As notícias são tão superficiais que o I já é jornalismo de investigação, é isso.

quarta-feira, dezembro 02, 2015

É o Natal, aquela altura do ano

Vamos lá ver: Um velhote que finge a sua morte para ter um jantar não é comovente, e se isto comove alguém, digo eu, é só pela combinação inteligente de planos solitários e lentos, filmados à chuva com aquela música em tom de este-é-ultimo-dia-da-tua-vida.
Se isto é comovente, é-o tanto como qualquer música do Nel Monteiro em homenagem à sua santa mãe e aos velhinhos em geral ( e não são poucas, podem comprar no iTunes títulos como "É duro ser mãe", "Valsa da Terceira Idade", "É duro ser velho", "é duro ser mãe", "Oitenta Flores (Minha Mae Querida)" ou "Retrato Sagrado" ). Não é a forma que define uma história como comovente: é o conteúdo.
Um velhote alemão que finge a sua morte só para ter um jantar de natal com a família pode mais facilmente ser o começo de uma anedota ou, retirando a suspensão voluntária da descrença do caminho, um episódio macabro de um alemão auto-centrado em infracção contra a lei.
Nel Monteiro deveria reclamar. Há décadas canta este mesmo tema apenas para ser sempre classificado como bimbo.

Nota: Ao comprar uma música do Nel Monteiro no iTunes, estará a notificá-lo da sua compra por email. Este email será o primeiro contacto que Nel Monteiro terá com um email. Obrigado.

Não és tu, sou eu.

Há uma coisa que não consigo perceber sempre que leio a Helena Matos: É uma opinião política válida - mesmo que muita gente não concorde - ou é só ressabiamento? Não consigo distinguir.

Paralelismos obscuros

Um Leão está para a publicidade como uma ronda de investimento está para uma Startup.

terça-feira, novembro 17, 2015

Depois de Paris

Por acaso esta semana ainda não ouvi muita gente dizer que começou a 3ª guerra mundial.
O que é bom, porque já ouço essa conversa desde os anos 80 e já enjoa.

https://www.youtube.com/embed/1pkVLqSaahk

sexta-feira, novembro 13, 2015

Uma semana de instabilidade

Graças ao youtube (finalmente a net é usada para mais do que ver gatinhos), toda a gente pode ver os videos que mostram o que qualquer taxista vos dirá: os políticos são todos iguais. É claro que é preciso voltar até 2011 e isso é olhar para trás, o que não ajuda senão a descobrir a pólvora. Também não ajudam as contas que tenho visto, com variáveis como "73% das pessoas das pessoas não votaram no PS por isso devem estar de acordo com o PNR", "metade das pessoas que votaram no PS não o querem no poder e eu sei que isso é verdade" ou "eu não votei neles, por isso não devem ir para lá", que só servem para atirar areia aos olhos.
Portanto: Para a semana vou viajar, adivinhe-se o quanto estou preocupado com isto.

Novidades importantes: Saí do fim da cadeia alimentar, profissionalmente falando. Traduzo: Subi um passo numa hierarquia, o primeiro. Como é que isto interfere no espirito de um anarco-sindicalista de apartamento é algo que se vai ver.

quinta-feira, novembro 12, 2015

Lá no bairro


Moro num bairro um pouco gentrificado, rodeado de bairros mais antigos e cheios de movimento. Faço a vida aqui à volta. Nos cafés, restaurantes e táxis apanho com um discurso que é próprio de uma democracia jovem como a nossa: uma ideia ingénua da política como um instrumento abstracto que não se sabe bem como opera. É mal vista, até ( lembro-me de em casa me dizerem que "dantes não se falava de política" ).
Se as políticas deviam ter a eficácia de um bisturi, no balcão da pastelaria ele parece que é usado na ponta de uma vara de bambu. Dizem que votam no Portas mas abortos, cada um sabe de si. Acham que o Passos fez o que tinha a fazer, mas o Jerónimo de Sousa diz coisas que sao muito certas. Sindicalistas nem morto, mas tirarem-me a pensão nem pensar.
Talvez este ambiente de tensão dos ultimos dias sirva para perceber melhor que na política há causa e efeito.

quarta-feira, novembro 11, 2015

A ingenuidade

O assassinato de carácter de António Costa cresce, nas redes sociais. Encontram-se réplicas similares vindas do outro lado da bancada, revelando que Passos não é melhor. O mesmo para Portas. O mesmo para os artistas do costume.
Passando ao lado disto tudo, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins. Para quê procurar pés de barro quando já se sabe o problema? São comunas! As fotomontagens com imagens da Coreia do norte bastam.
Dica: Guardem as criancinhas.

Drama de faca e alguidar

Depois de ter ouvido as reacções aos acontecimentos de ontem - o governo caiu, o que nao me aquece nem arrefece (bom, aquece um pouco) - reparei num certo tom familiar.
Vi alguém que prezo intelectualmente a partilhar no facebook - esta revolução já nem passou pelo Gill Scott-Heron -  uma bandeira negra legendada "Portugal está de luto".
"Burra, só pode ser burra", pensei logo.
Depois lembrei-me que fiz o mesmo - mas em bom, porque fui para o photoshop um bocado e não meti filtros manhosos naquilo, aquilo ficou mesmo porreiro - quando Passos Coelho e Paulo Portas formaram governo.
Como não acredito em superioridade moral - tirando a minha, para quando passo os vermelhos de bicicleta ou não peço facturas - deixei passar. Somos assim, fatalistas.

Depois ainda vi aquelas comparações com a Coreia do Norte, o PREC, o perigo vermelho, as hilariantes manifs de direita, que merecem um post exclusivo e longo, etc etc. Também somos assim, burros.

terça-feira, novembro 10, 2015

A questão é esta

Acreditar que um político vos vai melhorar a vida é como acreditar no Pai Natal.
Mas lá que isto vão ser tempos animados, vão.

P.S. O truque é manter as expectativas baixas. Por exemplo, hoje tenho uma caneta nova. E assim já tenho o dia ganho.

A alienação


Esta conversa dos telemóveis como elementos do mal já enjoa. Uso telemóvel compulsivamente. Mas isso não é de hoje e não interessa o nível da tecnologia.
Quando me ofereceram um Spectrum, há umas décadas, lembro-me como se fosse hoje o meu pai dizer-me em jeito de aviso - aquele investimento numa treta tão cara tinha de valer a pena -  "Quero ver que interesse tens nisso. Ainda vai ficar arrumado num canto".
Antes fosse.

segunda-feira, novembro 09, 2015

Sobre política, o fim de semana e o futuro

Foi com satisfação que ouvi Lipovetsky no fim de semana, no Porto.
Descobri-me Lipoteskiano no meu optimismo caótico anti-new age espiritual de origem sindicalista quando pude confirmar que o mundo tem uma solução em que todos podemos participar.
É também com optimismo que vejo debates aguerridos entre deputados de esquerda e saudosistas pré-muro de Berlim, a fazerem-me lembrar as múmias de extrema direita americana que sempre que têm de fazer uma comparação, usam a alemanha nazi ou e o cliché pseudo-iluminado "a história é um pendulo".
A história não existe, é uma construção e só lembra o que interessa.
Se estão preocupados com o governo de esquerda, esqueçam lá isso. Políticos já só nos podem dar alegrias.

terça-feira, novembro 03, 2015

Por onde começar?

Um ministro - não mais que um taberneiro ou um taxista, é certo - diz que Deus nem sempre é amigo. Ora, eu conheço Deus. Deus é sempre amigo. Deus é especialmente amigo quando ajuda a verificar PDM's e a corrigir - grátis - o planeamento urbano de Albufeira.
Calvão da Silva, retirado vivo do díluvio original e posto no governo, veio lembrar-me o tempo em que seguia religiosamente a actualidade política, nomeadamente os bons tempos da indecisão de Guterres e do épico Santana Lopes. Calvão da Silva traz também para Portugal aquele absurdo candido e pacóvio que me motiva a seguir a política americana, onde não há pejo em dizer o que vai na alma, por pior que soe.
E isso é mau sinal. Pensava que já eramos melhores que os americanos há muito tempo.

quarta-feira, outubro 28, 2015

Parem lá com isso 10 minutos


Eu sei que a culpa é da palavra escrita.
O Verbo é forte, mas escrito é mais forte ainda. A impressão, ainda que digital, ferra as palavras de outra maneira no nosso diminuto e permeável cérebro. O que seria um pequeno apontamento a meio de uma conversa se estivéssemos na mesma sala, frente a frente um silvo no meio de palavras importantes, uma brisa numa floresta, transforma-se em lei na pedra depois de escrito
Assim acontece com esta moda que não é de hoje, a moda das princesas.
Pais: Há filhas (e filhos), que saiba, desde sempre. Eu percebo que os vossos rebentos sejam mágicos. Eu também sou um rebento mágico. Felizmente a minha mãe guarda essa informação para si até encontrar uma vizinha, também com um rebento mágico, e ambas partilham e comparam o quão mágicos são os seus rebentos em várias ordens de grandeza quando se encontram ao pé da padaria. Digo isto porque gostava que a internet - a minha, pelo menos - não fosse uma aldeia com gente que fala dos seus filhos como se ninguém estivesse a ouvir, mas antes uma cidade com carros que voam e motas a jacto. Uma cena moderna e tal.

quinta-feira, outubro 22, 2015

Este tipo teve a mesma ideia que eu.

Andar em todas as ruas da cidade. Mas a cidade é maior.

segunda-feira, outubro 19, 2015

A imagem de hoje

Este fim de semana, após meses de pressão, usei um uber. Não tenho nada a apontar. Mas vou continuar a usar taxis, também.
Um taxi é um serviço de conversação temporária com um humano, como o uber.
Num uber, a tecnologia tira o atrito do serviço e torna-se o tema da conversa.
Num taxi, o taxista aumenta o atrito do serviço e torna-se o tema da conversa.
Eu gosto de experiências genuinas. Por isso é que vou a tascos e restaurantes de beira de estrada que tenham toalhas de papel. Eu poder desenhar na mesa enquanto como é o meu luxo.
Ouvir conversa de taxista não é um luxo, claro. Mas é genuíno.

P.S. 1: Dito isto, os ubers vão vingar à conta das mulheres, que não acham piada à conversa taxistas.
P.S. 2: Paguei tanto como se tivesse ido de taxi.

terça-feira, outubro 13, 2015

Pequena lista de referências que tenho encontrado sobre um possível governo de esquerda a ser formado.

"Isto é o House of Cards."

"Isto é um golpe de estado, não é?"

"Isto não se faz."

"Ninguém votou neles."

"só cá."

E isto são pessoas informadas, teoricamente. São tão parecidas com as outras.

segunda-feira, outubro 12, 2015

info-excluido

Tenho o filtro do spam ligado desde sempre nos comentários deste blog. Hoje lembrei-me de ir ver o que lá estava. Muita coisa não é spam.
É isso, afinal não há censura aqui no blog, só não há é tempo. Se tiverem um reply a um comentário de 2013, não se admirem.

Do lado de lá da barricada

Este fim de semana aconteceu, num debate regado a tinto - quando se rega um debate com tinto nasce uma discussão, dizem - tive de alinhar pelo discurso do patronato. A razão é simples: Funcionários públicos Teóricos Marxistas-Leninistas anarco-sindicalistas vivem num universo à parte dos restantes humanos. E ainda dizem que as ideologias morreram.

Adenda:
Fui apelidado de cínico, o que não me admirou. A primeira vez que me chamaram de cínico ainda tive de usar um diccionário para saber o que era.
Pelo que entendi da discussão, tenho a responsabilidade de tornar o mundo melhor para todos, mas todas as acções que possa encetar prejudicam alguém, inadvertidamente.
Exemplo prático: Ao ajudar um pobre, estou a perpetuar o assistencialismo burguês de indole capitalista mas se lhe oferecer um trabalho e pagar um ordenado, aí estarei a perpetuar a exploração da classe operária. Se ficar quieto, sou cínico.

sexta-feira, outubro 09, 2015

A sério que percebo

É mesmo complicado não dizer mal de tudo, em Portugal. Fica-se sem tema de conversa de encher chouriços.
A culpa é do moralismo, dizem-me.
Se um gajo não diz mal de tudo, está desatento. Não tem noção do mundo. Não sabe.
Se diz bem de alguma coisa, depois de levar na cabeça pelo atrevimento, descobrirá que afinal pertence a um lobby qualquer, uma conspiração para acabar com o mundo perfeito de outros tempos ou nasceu em berço de prata.
Mas não.
Estudos feitos por cientistas japoneses confirmam que, por exemplo, um tipo pode estar satisfeito relativamente à sua vida e ainda assim ler notícias do Observador voluntariamente, votar no Livre, andar de transportes públicos e usar hospitais privados, andar de Uber e de taxi e outras coisas aparentemente incompatíveis.

Nota-que-não-tem-nada-a-ver: ontem ouvi um senhor qualquer do PSD dizer que não se pode ter um parlamento com uma maioria de esquerda porque "90% dos portugueses não votaram no BE". Eu também não votei no BE, assim como não votei no PSD. Porque é que este tipo de soundbyte manhoso ainda é usado? Estas foram as primeiras eleições em que a internet teve algum peso mediático - e onde vi muitos tiros no pé - e espero continuidade na discussão e no escrutínio:  Vai ouvir-se muita burrice, mas vai ser melhor para todos.

quarta-feira, outubro 07, 2015

Tenho andado ocupado

Tenho andado ocupado mas é fácil estar atento. O PS, o Cavaco e o Passos não me tiram o sono: Já sei com o que posso contar, um quarto do que ganho não é meu, outro quarto não conto com ele e não me queixo da vida, nem conto que alguém mude isto.
Fui até ao Norte.
O homem do tasco típico mas feio, forrado de azulejo de casa-de-banho, tem de compensar as doses magistrais de carne que serve vendendo um vinho caseiro, sem rótulo, aos clientes. Não me queixo da vida, nem conto que alguém mude isto.
Vou ao ginásio.
Pago umas cotas porreiras que me dão acesso a um ginásio que cheira a chulé e tem um treinador de cadeira de rodas que tem a mania que é rijo. Ao fim de 4 flexões cheias de força, estou morto. Não conto que alguém mude isto, também.

segunda-feira, outubro 05, 2015

O dia depois

Das várias teorias que andam no ar, eu gosto de acreditar que, sabendo que não há nenhum partido capaz de atrair mais inteligencia que outro, isto é tudo muito linear.
Entre continuar a merda do costume e escolher uma merda nova e arriscar perder o pouco que se tem, a escolha não é complicada. Agora calem-se que já não os posso ouvir. Tanto de um lado como de outro.

quarta-feira, setembro 23, 2015

Quero um gin gentrificado

Deixo aqui um apelo aos que têm de fazer frente à crise do gin e que têm perdido clientes por causa desta bebida demasiado apreciada.
Juntos podemos ultrapassar isto, sei que podemos.
Quero apelar aos donos dos bares, baristas, garçons e empregados de balcão:

Por favor criem uma fila só para gins no bar. Por favor.

Custa-me ver pessoas com famílias, pessoas de bem, com empregos, com casas para pagar, com uma vida lá fora, a afundarem-se em copos gargantuescos de gin. Custa-me que de repente estas pessoas passaram a discutir sobre bagas frutos e ervas,coisas a que nunca deram importância na vida, e agora vêem-se neste maelstrom de um bebida tão perigosa que quem a bebe só sabe falar dela. Custa-me resistir a esta bebida. Estoico, continuo no vinho e na cerveja, resistindo aos aquários de bagas e cores feitos com colheres espiraladas à minha frente no balcão. Por isso, criem uma fila só para gins no bar: Eu não tenho culpa de querer só uma cerveja barata e ficar na fila atrás com um beto que pede 6 gins que levam 1 hora a ser feitos.

sexta-feira, setembro 18, 2015

O óptimo é inimigo do bom

O óptimo é amigo mas conhaques à parte. O óptimo é igual ao bom se a cada grão a galinha encher o papo um pouco. O óptimo é bacano mesmo que devagar se vai ao longe.
Para que ser inimigo do bom quando se pode ser amigo do óptimo. O óptimo mora no andar de cima do bom. O bom é amigo da sombra do óptimo. Ao bom olha-se sempre o dente.
Se dá para fazer óptimo, que se foda o bom.

segunda-feira, setembro 14, 2015

Aquele carrinho de bebé na escada: um estudo

Todos já observaram este fenómeno: aquele carrinho de bebé nas escadas.
Quero explicar as origens do carrinho de bebé nas escadas do ponto de vista comportamental, demonstrar a sua universalidade e por que motivo este fenómeno não acabará nunca.

Historicamente, aquele carrinho de bebé nas escadas surge da escassez de espaço nos apartamentos das grandes cidades. Quase auto-justificado e por meio de empatia dos vizinhos também eles com apartamentos exíguos, este fenómeno propagou-se rapidamente.
Depois, surge a gentrificação deste fenómeno: Os carrinhos de bebé passam a ser separados por classes e há uma clivagem clara entre carrinhos de bebé clássicos - os ditos "normais" - e os novos carrinhos gentifricados, cujo ratio de espaço ocupado/espaço util só é superado pelo ser ratio de preço/conforto. Enormes conchas desmontáveis são colocadas sobre imponentes e apetecíveis chassis, que se revelariam impossíveis de colocar numa escada - e em carros gama baixa - caso isso fosse necessário de alguma forma. Afinal, estes pertencem a famílias de maiores posses e com acesso a apartamentos maiores.
Surge finalmente a austeridade, conceito vendido universalmente que ofereceu a todas as classes uma permissão e até um convite a abraçar a escassez material como sua, independentemente da sua condição social. Englobando esse movimento, surge a minha vizinha de baixo, com o seu carrinho de bebé na escada.
Socialmente beta mas vendo-se cercada pela austeridade, abraça-a, tomando para si o espaço da escada, como um manifesto popular. A escada, agora espaço de descontentamento, abriga a contradição: A burguesa das plantas em vasos neo-hippies é também a que agora dispõe aquele carrinho propositadamente low-end, provavelmente herdado de uma prima, como bilhete de entrada para uma humildade involuntária, forçada e artificial, no lumpen. Ocupa a escada como quem ocupa wall street, dirá. Mas não: Aquele carrinho na escada foi, é e será apenas um despeito ao espaço físico e mental alheio, que só quer sair de casa placidamente, sem tropeçar em tralha dos outros.

quinta-feira, setembro 10, 2015

O debate visto daqui


Apanhei o debate a mais de meio.
Como é sabido, já disse de Passos Coelho o que Maomé não disse do toucinho, já de António Costa, não me diz muito. Ontem a coisa vista por quem estava a jogar Dots e a comer ao mesmo tempo, foi assim:
Fiz mais um nível quando vi as coisas na mesma, Passos na sua introspecção ruminante, aquela certeza de que dizendo o menos possível tem muito mais hipóteses de se safar, e o Costa, finalmente a dar a cara e a dá-la toda, até demais.
Fiz outro nível.
Sendo que ambos sabiam que só tinham de jogar à defesa e tentar passar debaixo do radar, - aqui estou a misturar metáforas mas percebe-se ainda o que quero dizer - Costa arriscou. Leu os manuais e mesmo desconfortável, deu a cara. Olhou para a camara de frente e mesmo a vacilar, não desistiu. Do outro lado não houve outra hipótese senão evitar as balas, ficando à defesa e debaixo do radar. António Costa ainda mostrou alguma agressividade e o português não gosta disso. Só à distância ou como ultimamente se tem visto, pela internet. Agora quero ver as próximas sondagens.
Eu também faria a análise das cores das gravatas. Mas depois acabei mais um nível e o jantar.

terça-feira, setembro 08, 2015

Sobre isto dos terroristas e do karma

Em 2003, Durão Barroso autorizou Bush a usar a base das Lajes para atacar o Iraque. 12 anos depois, os terroristas chegam aos milhares, em botes sobrelotados. Eu sabia que aquilo ia dar mau resultado. Era uma questão de tempo.

segunda-feira, setembro 07, 2015

Limpeza ética

Tenho feito uma limpeza histórica nestes ultimos dias: a culpa, como tenho lido pouco antes de bloquear mais alguém no facebook, é daqueles malditos refugiados. Têm feito de tudo, pelo que tenho deixado de ler, já no pretérito futuro: têm chorudos subsídios, vivem em apartamentos de luxo, roubam, violam, matam, esgotam-nos os parcos recursos sem dizer água vai e no fim, mesmo vivendo a bela vida, ainda dão em terroristas e destroem o nosso belo país.
Em Portugal ouve-se muito este discurso. Felizmente nunca chega a votos porque ainda há consciencia do ridículo e alguma vergonha alheia.
Vantagens de sermos poucos.

quinta-feira, setembro 03, 2015

Sobre aquela imagem de hoje

É fácil criar histórias fáceis com imagens fáceis.
Uma história fácil é aquela que é construida sempre que há um bombardeamento ou um terramoto algures: Um fotógrafo pró-activo pega num peluche ou uma boneca que leva num saco, enche-o de pó, coloca-o numas ruinas, estuda a composição e está feito. Essa foto vai chegar às páginas de um jornal, e cada jornal terá a sua versão desta foto. A mensagem daquela foto perdeu-se por vulgarização, e entretanto cristalizou como formato. Deixou de ser um conceito e passou a ser um género. É só um género de foto, agora: a versão fotográfica do "menino chorando", o pathos-pop, pornografia para jornais. Já não choca porque é uma repetição, da exposição e do apelo.
Hoje apareceu aquela imagem daquela praia. Irá acontecer-lhe o mesmo.

segunda-feira, agosto 31, 2015

Lisboa como Bruxelas


Istanbul revelou-se o ponto de viragem nas minhas viagens. Até agora tenho ido sempre para destinos pelo menos tão cosmopolitas como Lisboa.
Por exemplo, no que toca a transito, fiquei a perceber que Lisboa parece Bruxelas: Em Lisboa os semáforos têm valor, os sentidos proibidos também e andar em contramão ainda é mal visto.
Entretanto, pode ser ressaca da viagem ainda, mas parece-me que Istanbul serviu de droga de entrada para experimentar viagens fora do conforto da Europa e do norte da América, o que até agora evitava.

quinta-feira, agosto 27, 2015

De volta a Lisboa

Nem uma semana e tinha saudades de bitoques.

terça-feira, agosto 18, 2015

A emissão segue

dentro do Médio Oriente.

segunda-feira, agosto 17, 2015

Metáfora para 2 jantares

Hoje saí de casa mais cedo. Quando passava ao pé da paragem de autocarro, cruzei-me com um velhote, de bengala.
Quando reparei que coxeava, chorei.
Quando vi a tristeza nos seus olhos, chorei.
Quando vi a bengala, lembrei-me das árvores na amazónia arrancadas à mãe terra cedo demais, todas as árvores morrem de pé mas cedo demais, todas as árvores que morrem são árvores demais a morrer, as árvores que ficam sozinhas mais depressa morrem, uma árvore não são árvores, uma lei nunca é de ferro. Um pau não faz uma floresta. Deus não perde um palito de vista. As árvores não deviam ver outra árvore morrer, lembrei-me disto e chorei.
Quando o velhote me viu a chorar, chorou comigo.
As lágrimas fizeram a bengala numa árvore. Novamente, uma árvore novamente. Enquanto chorava, a árvore caiu e matou o velhote.
As árvores não choram.


sexta-feira, agosto 14, 2015

Poupem-me, que é Agosto

A Silly Season, o PS e o Observador deram o mote: Há publicidade a ser feita com fotografias de pessoas que realmente não são do PS e não estão desempregadas.
Como seria de esperar e óbvio, descobriram-se outros cartazes - agora do PSD - que também usam bancos de imagens.

Como seria de esperar também, isto não me diz nada, venha de quem venha. Não é uma questão de ética, é só uma questão prática. Não espero que fotografem gente real porque é caro. Dá trabalho. Da mesma maneira que não espero que muitas campanhas tenham ilustrações bem feitas: São caras e dão trabalho.
Não espero que um outdoor ou um mupi sejam são um bilhete de identidade nem uma declaração de principios. São meios antigos, umas coisas que em tempos venderam uma mensagem mas que agora já toda a gente lê da mesma forma enviesada: Uma moldura muito grande e cara que se vê ao longe e onde se mostram produtos que já ninguém quer saber.

Ver a política no geral estar dependente de clubismos e da imagem em vez de conteudo (sou ingénuo), isso sim, chateia-me. Se o que faz diferença num cartaz do PS, do PSD ou da Coca Cola é ter a cara e o nome de um português real, albarde-se o burro. Com um olho nos ciganos, como sempre.

quarta-feira, julho 29, 2015

O Leão, um estudo com escala

Acho esta história do leão interessante porque toca em vários pontos sensíveis e insensíveis: Use-se uma escala linear de 0 a 100 para medir o que me estou a cagar para um leão em particular e poder-se-á ler um 74 nessa escala. O facto de lhe ter sido dado um nome deveria fazer diferença mas por hábito, limpo os animais das coisas que os humanos teimam em dar-lhes: nomes, emoções, valores. São bichos. Não são mais que isso. Por isso é que na escala linear de 0 a 100 para burrice absoluta, o caçador em causa está nos 90 e muitos.
Tenho de medir finalmente a escala da granularidade mediática, a importância disto: de 0 a 100, vivemos não sei bem onde, mas como estamos no começo disto da net, diria que nos 45, este tempo em que notícias de factos de cada vez menor impacto ( continua a ser um só leão ) conseguem atingir proporções gigantescas e poderão mudar realmente alguma coisa ( por exemplo, crianças nascidas em 2010 nunca vão imaginar que havia um tempo em que não havia polvos que adivinhavam resultados de jogos de futebol ) . Devia acrescentar-lhe outra dimensão para representar a lamechice.

terça-feira, julho 28, 2015

A insustentável leveza do estagiario

Aqui no trabalho há um monte de estagiários novos. De todas as teorias que ouço à volta dos estagiários - como alimentá-los, o que não podem comer, a que horas é mais indicado, se se lhes podemos ou devemos bater, se devemos dar-lhes pão de ló ou farinha sem gluten, se não podem comer muito senão ficam gulosos, se devem descansar mais ou menos que os outros, se devem ter prioridade para certo tipo de trabalhos - não consigo encontrar uma definitiva. Parece que são humanos, e como tal, multidimensionais. Não há um conjunto de caracteristicas comuns muito grande. É pequena, até: São novos. São relativamente parvos. Mais do que isto em comum, não encontro. A partir daí, não há formulas, porque tanto são capazes de feitos espantosos como das maiores burrices.
Trabalhar com gente é o inferno.

segunda-feira, julho 27, 2015

Mercados emergentes, um estudo


Ali ao pé de casa, abriu mais um café destinado a um público muito específico, mas em expansão. Conceptualmente seguidores da Ana Malhoa, antropologicamente situados entre ratos de ginásio e ratos de discoteca, grupos de casais modernos invadem o bairro. Normalmente vistos na Venda do Pinheiro e no Pacha Ofir, bisontes tatuados e porn-stars de selfie-stick estão agora a chegar à cidade.
Os ingredientes para os atrair são simples: Estética de videoclip de Hiphop, papel de parede com efeitos, preto ou branco. Umas cadeiras de plástico/vime com uma forma inusitada e candeeiros com leds tipo tunning, musica da orbital / lounge de pacote ( estes deram-se ao trabalho e ainda alcatifaram o passeio com um tapete vermelho ). O desafio é equilibrar estes elementos de forma a, com um orçamento (demasiado) baixo, se crie a ideia de que ali há uma sofisticação à parte dos restantes cafés de rua, uma espécie de pedantismo-de-carrinhos-de-choque, que afasta quem gosta só de beber um café em paz sem ter a mania que é esperto simultaneamente.
Conseguiram uma clientela fixa em pouco tempo.

segunda-feira, julho 20, 2015

Século 21

Esqueçam internet por fibra óptica, wireless, computadores, tablets, Smart TV, micro-ondas, video-calls, internet-of-things, NFC, telecomandos, tudo com bluetooth e essas tretas. A revolução tecnológica real chegou lá a casa agora.
Tenho em casa a tecnologia que me permite ter mais tempo livre, livrar-me de tarefas próprias de países subsaarianos e passar mais tempo no sofá.
A máquina de lavar louça ganha o prémio de gadget do ano.


quarta-feira, julho 15, 2015

Tenho mesmo dificuldades em acreditar nisso do Futuro


Essa cena do gin. Epá, não me chateiem com o gin e com as tretas do gin.
No fim de semana fui a casa dos meus pais para a tradicional almoçarada e fui ao bar ( nos anos 70 toda a gente tinha um bar ) confirmar uma memória de infância: sim, tinham copos de gin, colheres de gin, shaker, garrafa de gin, as tralhas todas para cocktails. Nunca vi um em casa. Toda a gente lá em casa fartou-se dessa treta rapidamente - eu não me lembro daquilo ser usado lá em casa - como qualquer outro hábito que surge por moda, pressão dos pares, falta de imaginação e não por gosto.

terça-feira, julho 14, 2015

Isto nunca esteve tão mal

Disseram-me no outro dia que Lisboa estava um perigo. Que a droga era um flagelo social gravíssimo em Lisboa. Pintaram-me um cenário dantesco, especialmente à volta do flagelo da erva.

- Mas Prezado, isso é droga na mesma, e é uma droga de entrada.

É capaz. O meu pai também usava esse argumento e fumava tabaco como uma chaminé. Nunca precisou de saltar para a erva ou para a heroina para ter um cancro e morrer com ele.

- A erva faz mal, claro que faz. Vais dizer que não?

É capaz. A mim até comer uma sandes de fiambre faz azia. Porque é que a erva há-de ser diferente? Mas nessa escala, acho que a erva está mais perto de tofu do que de um bife da vazia. Nesta mesma escala, heroina é um balde de banha de porco.

- Mas nunca vi tanta droga como agora. Até em gente da tua idade.

É capaz. Eu também. Ninguém andava aí a fazer publicidade a heroina há 10 ou 20 anos. Agora os putos são uns desavergonhados, fumam erva à vista de todos. Quanto aos adultos, desde que a paguem e eu não tenha de aturar crises psicóticas, parece-me ok.

- Dizes isso porque não tens filhos.

É capaz. Por isso vejo-me como um entidade reguladora da normalidade, quando isso de ser pai serve como pala dos burros. Lembro-me da curraleira e do casal ventoso, do pessoal que ainda novo se metia por-maus-caminhos. E da quantidade de vezes que fui roubado por carochos. Não tenho saudades desse tempo.

- Estás a ficar velho.

É capaz.

Sobre a Grécia, gosto de puré

Todas as pessoas informadas ( de extrema esquerda, esquerda, centro, direita e extrema direita ) que conheço já partilharam um link com um artigo que explica definitivamente o que se passa com a Grécia.
Como tenho mais que fazer, não tenho interesse em ter uma opinião mais sólida que isto:
Os jornais andam a informar pouco e mal.

segunda-feira, julho 13, 2015

E andamos de carro voador

Estava aqui a andar pela net a pensar que daqui a uns anos os alvos das piadas de standup deixam definitivamente de ser os políticos e passam a ser só grupos económicos, marcas globais, fundos de investimento... Que têm tanto poder que um tipo se vê obrigado a só fazer piadas com políticos.

Ser atendido é o inferno

Andei a sair de restaurantes e bares de Lisboa. É um novo método de exploração urbana que descobri este fim de semana: quando vi ou ouvi qualquer coisa que não gostei, saí. Este fim de semana, saí porque não me atendem como cliente, mas como um bacano, tratam-me por tu, não me aceitam o multibanco, não me oferecem soluções, não me pedem desculpa, não dizem boa noite, água vai ou até amanhã, anunciam-me como é que vai ser o meu jantar sem me dar a escolher, o restaurante tem regras de uso, tentam que seja eu a ajudar a pagar a renda do restaurante e não o prato que ia comer, vendem velho como antiguidade e falta de jeito como excentricidade. Enfim, não facilitam um caralho.
É por isto que gosto de tascos, sei ao que vou e tratam todos os clientes por igual.

sexta-feira, julho 10, 2015

Viva o zapping


Anda aí um fenómeno que me anda a chatear e não passa.
Chateia-me a omnipresença em cada conversa de bar, pré-reunião, café ou almoço, das séries de televisão e em especial, o Game of Thrones.
Eu explico: venho de um tempo longinquo em que não ver televisão era bem visto. Por uma parte da população, pelo menos.
Roupar uma série com "qualidade", como os espectadores de séries gostam de vincar que estas séries têm, não me diz muito: Na verdade não gosto de histórias escritas propositadamente de maneira a manter gente em frente ao ecran durante anos. Numa hora e meia conta-se uma história com a tal qualidade do Game of Thrones ( e mais variedade ), chama-se cinema.
Vi 5 minutos de um episódio há 2 semanas. Foi a primeira vez que vi alguma coisa. Confirmei o meu desinteresse. Ressalva: Não gosto de fantasia. Só vi o primeiro Senhor dos Aneis por peer pressure e vi todas crónicas de Narnia, Harry Potters e afins porque fico no sofá dos meus tios a bezerrar em frente a televisão todos os natais.
A televisão lá em casa não é para seguir nada: ou está ligada à net ( Chromecast, melhor uso que vão dar a 35 euros ) e vai puxando youtubes de gatinhos ou filmes, um fio contínuo de conteudo, ou mudando para o modo televisão que começa a ser algo datado, faço zapping.
Ver televisão com 200 canais é cada vez mais comparável a uma experiência científica, como no SETI, um tipo a vasculhar o universo à procura de vida inteligente, de canal em canal. De tempos a tempos há uns falsos positivos, e isso é que tem piada na televisão, neste momento.


quinta-feira, julho 09, 2015

Era simples.

Andava aqui a matar a cabeça, a discutir a discutir a discutir e a chatear-me, impossível, impossível, cansaço, cansaço, discussão discussão, repetir, repetir, repetir, repetir e depois dizem-me que se calhar ela tem a hormonas alteradas...

Foda-se, um gajo não aprende.

terça-feira, julho 07, 2015

Estado social, explicado a crianças de 5 anos

Pessoa A reclama ajuda do estado para pagar propinas.
Pessoa A diz que lhe pedem que apresent o IRS.
Pessoa A tem bons rendimentos.
Pessoa A diz que isso não quer dizer nada e que inclusivamente, está mal.
Pessoa A vota liberal.

É assim.