Lá fui eu ao hospital às tantas da manhã, o cenário é sempre igual, por mais que eu ache que vou morrer, logo esbarro em alguém que está realmente a morrer e posso dar-me ao luxo de apreciar como funciona um hospital e como é que pode ser melhorado. Desta vez percebi que há problemas simples e comuns aos que encontro todos os dias no trabalho. É mesmo só porque não meteram um designer a pensar em tudo. Dito isto, as urgências funcionam. Podiam funcionar melhor? sim, mas também todas as empresas que por aí andam.
terça-feira, agosto 23, 2016
quinta-feira, agosto 18, 2016
Entrei no ginásio um banana e saí um capitalista 2
(Continuação)
De repente, percebi. quarta-feira, agosto 17, 2016
O inferno é já aqui
Um cliente do inferno mesmo profundo, é aquele que depois de mostrar, duas vezes, que sabe o que quer, pega nos frutos dessas duas vezes e cria um Frankenstein. Para os não-designers, um Frankenstein é um clássico do trabalho criativo, que ocorre sempre que um cliente tem acesso a várias soluções para um problema e não sabendo bem o que quer, as mistura todas numa nova solução que garantidamente, não funciona.
Entrei no ginásio um banana e saí um capitalista
Novamente, entrei no ginásio.
Já andei neste ginásio há uns anos, mas pareceu-me diferente. Ou se calhar sou eu:*Escrevi esta frase de propósito, para se notar como é estranha se for escrita por mim.
terça-feira, agosto 09, 2016
Sê a diferença que queres ver no mundo
Ontem tive de informar um grupo de pokemon-haters que, verdadeiramente chato, é o Game of Thrones. Não estava nada a espera disto, disseram-me "isso é diferente".
quinta-feira, julho 28, 2016
Erros meus, má fortuna
Num acaso do destino, o novos ambientador da casa de banho do escritório cheira ao perfume de uma ex. Cada vez que lá vou lembro-me dela.
Clientes do inferno
Boas notícias: há clientes que não são o inferno. Até os há bacanos. E sim, são tão raros que tenho de confirmar que existem.
quarta-feira, julho 27, 2016
Estagiários
Numa das ultimas voltas que o mundo deu, passei a ter a meu cargo, pela primeira vez na vida, um estagiário.
Eu nunca fui estagiário e explico porquê:1. É uma chulice.
3. É uma maneira das empresas terem mão de obra barata.
2. Eles podem e devem ser pagos. Digo "podem" porque há gente que não precisa do dinheiro mesmo e claramente nunca ia entrar naquela empresa se não fosse de borla - Eu quando descobri que a professora de design tinha estagiado num atelier de nível mundial durante uns meses sem ganhar um tostão também pensei "assim também eu", mas na verdade eu nunca ia ser estagiário porque está ali o ponto 2 que eu não consegui abdicar.
terça-feira, julho 26, 2016
Resolver o problema do terrorismo pode custar apenas €0.99, descubra se é verdade
Desde há anos que recebo SMS's com as ultimas notícias. Esta semana, reparei nisto: em 10 sms's, 2 eram sobre crise financeira e 8 eram sobre facadas, bombas, terroristas e suicidios. Como o meu objectivo quando subscrevi o serviço não era ter uma versão global do Correio da Manhã, finalmente tomei 2 passos importantes: cortei na minha dependência de notícias e acabei com o terrorismo cá em casa.
segunda-feira, julho 25, 2016
A moral e os bons costumes do Pokemon
Eu sei que isto não é novo, mas ainda assim está a fazer-me confusão: Pessoas, quem anda por aí a jogar Pokemon Go não deve nada ao mundo.
Dizer que quem anda a jogar uma treta de um jogo a apanhar pokemons devia estar a apanhar refugiados é só parvo. Dizer que quem anda a jogar uma treta de um jogo a apanhar pokemons devia era adoptar animais a sério é só parvo.
Mas isto é também um sinal do quão diferente é este jogo dos outros. Um jogo que consegue ser tão diferente e ocupar tanto espaço real além do virtual, que consegue meter muitas pessoas a confundir os dois.
(no fundo os jogos estão a ocupar o espaço deixado pelos albuns de metal dos anos 80, que sempre serviram de bode expiatório para os males do primeiro mundo)
quarta-feira, julho 20, 2016
Pokemon, a vingança do chinês
Confesso que ver pessoal que gosta de Game of Thrones (toda a gente, parece-me) enjoado de ver Pokemons me dá alguma satisfação. Infelizmente não se tocam e já se esqueceram daquela fase estupida de há uns tempos em que todos os memes eram à volta de portas. Haja cu.
Se gostam de Pokemons e Game of Thrones: get a life.segunda-feira, julho 18, 2016
Arautos do fim dos tempos, acalmai
Como é provavelmente sabido por quem segue este blog, não gosto de rebanhos. Embarcar em coisas só porque estão a dar não é a minha praia. Não passei a gostar de gin só porque tenho mais de 30 anos e tenho a mania que sou um lorde, continuo a desenhar em cadernos mas não sou urban sketcher, trabalho em esplanadas mas não sou digital nomad, andei de bicicleta e só fui a uma Massa Critica. Faço fotografia quando calha e não tenho aspirações a mais que as minhas fotos de tampa-de-caixa-de-bombons.
Mas, fui à procura de Pokemons (encontrei um nos Anjos). Sim, este jogo já foi aprovado pelo telejornal e isso é um sinal claro de que este jogo está aprovado para o rebanho. Mas é um jogo estupido e bem feito. Não transmite cancro, não causa guerras nem fome e está provado que quem gosta de pokemons também pode gostar de animais, beber copos com os amigos e ser a favor do fim do conflito israelo-arabe.
Para os que se queixam que o telemóvel aliena, - nunca precisei de telemóveis para me alienar, sempre o consegui fazer com pouca tecnologia, livros do Asterix bastavam - aqui está um jogo que combina o mundo real com o virtual, o primeiro a esta escala.
Não tenham medo, é só um jogo estupido e bem feito.
quarta-feira, julho 13, 2016
Também gosto
Aquelas notícias de "adepto francês que vive em aldeia perdida na ex-Jugoslávia escreve post em que fala mal de Portugal/selecção/Ronaldo" a terem tracção.
Imagino que algures numa aldeia remota da China um post meu está a gerar polémica sem eu saber e a dar clicks ao Observador de lá do sítio.A vista da parede
No euro 2004, odiava activamente a bola. Este ano não me aquece nem arrefece (mas ver aquele golo fez-me o dia). Agora ando a ver a minha wall e a ver a reacção às condecorações atribuídas à selecção. O pessoal de extrema esquerda ficou ressabiado porque todos os atletas que chegaram ao podium a semana passada também deviam ter condecorações. O pessoal de extrema direita ficou ressabiado porque 3 militares da força aérea morreram num acidente de aviação e deviam ter condecorações.
Eu acho que ninguém devia ser condecorado porque no fundo foi só um aproveitamento político do momento. Mas pronto.
sexta-feira, julho 08, 2016
Ser freak é moderno
Estavamos ali a discutir o caminho que a internet leva, os sms's, os live feeds, a hiper-conectividade (que vai ser muito maior, isto é só o começo), teorias é comigo, tenham nexo ou não - desde há muito é que as notícias e os factos vão morrer - como o dinheiro, vão ficar para quem der valor a isso - e a humanidade entraria então numa era de comunicação digital pós-factual, hiper-emocional, assíncrona. Isto não é necessariamente mau: tanto podemos ser uma sociedade distópica governada por um algoritmo impiedoso como podemos fazer parte de uma comuna hippie global. Infelizmente, tenho cada vez menos paciência para hippies sem cérebro.
sexta-feira, junho 24, 2016
Isto não vai lá com paninhos quentes
A internet promove a troca de ideias e isso é uma clara vantagem para a humanidade. Infelizmente isto só é possível porque democratiza o discurso de todos, reduzindo-o a um pedaço de texto, preto, Arial, tamanho 14, umas centenas de caracteres e 8 segundos de atenção para cada pessoa.
Este jogo é complexo do ponto de vista de quem tem mais de 2 dedos de testa e sabe que estruturar uma ideia ou pensamento de modo a serem entendidas por todos é complexo e demorado. Já veicular ideias mal formadas é bastante mais simples.Mesmo sabendo que isto é só um problema que me atormenta por achar que tenho uma moral de melhor qualidade do que o habitual e que no plano maior do universo, a humanidade está muito melhor assim, deixo aqui o meu apelo à sociedade para que promova o desenvolvimento de um código linguistico politicamente incorrecto progressista de esquerda, a unica forma de ideias racionais terem seguidores na internet.
Seguem alguns exemplos práticos:
"Não vacinar os meu putos? Havia de ser bonito, esses gajos do SNS arranjam tudo para não ir além das 35 horas semanais!"
"Tens de ver este video que o meu vizinho fez a expor a maneira como o estado usa o teu guito pra fazer estradas e hospitais. E ainda dizem que não há conspirações."
"Sair do Euro? isso é coisa de rotos."
"No outro dia vi uma gaja a passar com uma saia do tamanho de um cinto. Se não estivesse em cima do andaime, tinha-lhe mandado uma boca."
"Esses gajos do Correio de Manhã são uns meninos, na secção de comentários do Le Monde Diplomatique é que dizem as verdades."
"Um amigo meu no outro dia apanhou um taxista que foi o caminho todo a contar-lhe como foi bem tratado num centro de saude público. Aqueles gajos às vezes até acertam umas."
"Agora fazem as vontades todas aos putos, havia de ser como no meu tempo, no infantário subsidiado pela junta de freguesia quem mandava eram as educadoras."
"Tens de ver este video que o meu vizinho fez a expor a maneira como o estado usa o teu guito pra fazer estradas e hospitais. E ainda dizem que não há conspirações."
"Sair do Euro? isso é coisa de rotos."
"No outro dia vi uma gaja a passar com uma saia do tamanho de um cinto. Se não estivesse em cima do andaime, tinha-lhe mandado uma boca."
"Esses gajos do Correio de Manhã são uns meninos, na secção de comentários do Le Monde Diplomatique é que dizem as verdades."
"Um amigo meu no outro dia apanhou um taxista que foi o caminho todo a contar-lhe como foi bem tratado num centro de saude público. Aqueles gajos às vezes até acertam umas."
"Agora fazem as vontades todas aos putos, havia de ser como no meu tempo, no infantário subsidiado pela junta de freguesia quem mandava eram as educadoras."
terça-feira, junho 21, 2016
Os States lá longe
Felizmente, e não parecendo se derem ouvidos ao pessoal do PC, há uma moral de de esquerda de esguelha, socialmente progressista, que orienta Portugal silenciosamente. É isso que faz com que, por exemplo, não haja tempo de antena nos jornais e nos canais de televisão portugueses para o pessoal do PNR, que também tem direito ao seu ponto de vista. Olho daqui para os EUA e fico contente de sermos moralistas, é um descanso.
quinta-feira, junho 16, 2016
A alegoria da caverna com o dragão
Pessoas: o Game of Thrones são só sombras. Lá fora há um mundo de pessoas (eu) que se estão a cagar para histórias com dragões que duram séculos e onde (não sei porquê, toda a gente sabe tudo de antemão porque 1) está na net 2) é uma rotina conhecida) recorrentemente morrem (e ressuscitam) personagens badass. Ainda assim, não tenho nada contra esta bosta desta série, só estou cansado de tentar explicar que ver esta série não é obrigatório, ainda.
Bons tempos em que ver televisão era considerado alienante.quarta-feira, junho 15, 2016
Não, espera, volta: Rui Sinel de Cordes e as redes sociais
Rais parta, não percebem que o rapaz é sensível?
O rapaz não pode sair das redes sociais, é necessário. Talvez ninguém esperasse que o rapaz se fartasse, pelos manifestos que faz cada vez que leva bordoada. O rapaz lá no fundo só quer ser compreendido e não ter de explicar, nestes manifestos cada vez mais extensos e explicativos, todas as piadas que faz. Claro que cada manifesto era uma chamada de atenção; primeiro a proverbial cabeça no forno, depois a overdose de comprimidos, mais à frente os pulsos cortados. Todos os manifestos gritavam "ajuda, por favor" e agora foi mesmo a sério. A esta hora o rapaz está trancado na garagem a queimar gasolina em vão.
Eu julgava que o rapaz ia estar cá para sempre, porque julgava que os manifestos eram mesmo manifestos. Pessoas com convicções remam contra a maré porque sabem que estão certas.
É por isso que precisamos, todos, de ter o rapaz de volta no Facebook. Por causa de convicções. As mesmas que muitas outras pessoas, mais obstinadas que o rapaz, teimam em não largar: homofobia, xenofobia, sexismo, racismo (e infelizmente, mau gosto, que a tal piada era fraquinha). Pessoas que encontram neste rapaz um ombro amigo, onde o humor se confunde com opinião. Precisamos do rapaz no facebook para poder encontrar as pessoas que têm estas opiniões.
O rapaz é um aqueles galos que mudam de cor com o tempo. Não diz nada que eu não esteja à espera, mas diz muito sobre as pessoas que gostam de ter um galo que muda de cor em casa.
O rapaz não pode sair das redes sociais, é necessário. Talvez ninguém esperasse que o rapaz se fartasse, pelos manifestos que faz cada vez que leva bordoada. O rapaz lá no fundo só quer ser compreendido e não ter de explicar, nestes manifestos cada vez mais extensos e explicativos, todas as piadas que faz. Claro que cada manifesto era uma chamada de atenção; primeiro a proverbial cabeça no forno, depois a overdose de comprimidos, mais à frente os pulsos cortados. Todos os manifestos gritavam "ajuda, por favor" e agora foi mesmo a sério. A esta hora o rapaz está trancado na garagem a queimar gasolina em vão.
Eu julgava que o rapaz ia estar cá para sempre, porque julgava que os manifestos eram mesmo manifestos. Pessoas com convicções remam contra a maré porque sabem que estão certas.
É por isso que precisamos, todos, de ter o rapaz de volta no Facebook. Por causa de convicções. As mesmas que muitas outras pessoas, mais obstinadas que o rapaz, teimam em não largar: homofobia, xenofobia, sexismo, racismo (e infelizmente, mau gosto, que a tal piada era fraquinha). Pessoas que encontram neste rapaz um ombro amigo, onde o humor se confunde com opinião. Precisamos do rapaz no facebook para poder encontrar as pessoas que têm estas opiniões.
O rapaz é um aqueles galos que mudam de cor com o tempo. Não diz nada que eu não esteja à espera, mas diz muito sobre as pessoas que gostam de ter um galo que muda de cor em casa.
quinta-feira, junho 09, 2016
Pessoas com tempo a mais: um estudo rápido
Tenho ouvido gente com tempo a mais. Têm ideias mas demoram muito a executá-la. A tal da obsessão com a produtividade é uma falácia: simplesmente não há nada que garanta que uma ideia precise de muita maturação para ser boa. Diz-se que Cossery escrevia uma linha por semana, tudo bem eu respeito na boa mesmo conheço gente assim e já lá estive um gajo estar em casa desempregado e com subsídio dá uma margem de manobra porreira e descobre-se que a má vida é boa dependendo de dias mas voltando de certeza que o tipo conseguia sentir-se bem usando o resto do tempo para o que lhe era mais importante - fazer nada - o que é bastante meritório porque a mim fazer nada custa-me, e agora quando vejo o tempo que se perde com medo de arriscar ou na ilusão de que toda a gente está tão atento aos detalhes para notar essa tal maturação faz-me comichão. Arrisca. Rápido.
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