Isto anda parado, mas não morreu. Talvez esteja moribundo, mas é só porque a minha qualidade de vida me atirou para uma Suécia privada, onde não tenho nada para me queixar que mereça assim tanta atenção. Não ando muito de metro, nem de autocarro, ando pouco a pé num bairro onde toda a gente tem mais mestrados que eu, os vizinhos emigrantes dão-me os bons dias, já acho que nem há racismo neste bairro, os putos do bar de baixo só fazem barulho no verão, já não leio notícias sobre o Trump, - porque já vivi uma guerra fria nos anos 80 e bastou-me, tenho mais que fazer do que me preocupar com acontecimentos que escapam do meu controlo - porque enfim, não me posso cansar muito.
Mantenho alguma estima por um tema: estragarem Lisboa - ou "o progresso" - continua a lixar-me, e passa por coisas pequenas, como ir tomar o pequeno almoço a caminho do trabalho e sem dar por isso, levar com um caos pseudo-hipster com tábuas a fazer de prato em banda sonora claramente forçada, - não há nenhum empregado de pastelaria, sem tatuagens contemporaneas, sem peircings, e que não seja claramente de Belas Artes que ouça Bill Evans às 9 da manhã de uma segunda feira voluntariamente - uma salada de opções que são só tiradas de uma colecção do pinterest sem o mínimo interesse e que não pertencem nem a Lisboa nem a lado nenhum. Sim, o turismo, sim essa tralha toda, mas eu ainda tenho direito a querer que isto não mude. É mais cómodo para mim, e isso é que interessa.segunda-feira, abril 17, 2017
Mais um ano
terça-feira, março 21, 2017
Tiro no submarino
Descobri que um restaurante de Lisboa que me era desconhecido vai provavelmente fechar. Parece que é histórico. Há uma petição para o salvar. No meio da indignação habitual que afecta só algum tipo de estabelecimentos - auto link, esse assunto já foi abordado cientificamente aqui - só me resta perguntar, porque é que ninguém me avisou que o Faz Frio existia, sequer? isso de haver restaurantes históricos famosos que eu não conheço parece-me cruel.
segunda-feira, março 13, 2017
Freelance
Hoje ofereceram-me um trabalho em que era necessária uma habilidade que eu tinha há 10 anos. É o que dá trabalhar há 20. E não actualizar o portfólio.
domingo, janeiro 29, 2017
A internet cansa-me, certos dias
Há tempos li algures (não me lembro mesmo onde) que da mesma forma que se descobriu que a televisão era óptima para promover o medo, descobre-se que a internet serve para promover a raiva.
Estudos indicam que para cada utilizador de internet, exactamente 50% dos conteudos que encontram são uma merda. Como preciso de descanso mental, vou deixar de promover ideias radicais como o uso de pensamento crítico e deixar que cada um chegue lá sozinho. Deixo aqui uma parábola moderna:
Moral desta parábola: 1. Não fodam as fotos com filtros, mesmo. 2. Paguem aqueles 2 ou 3 euros que a Wikipedia pede anualmente, senão deixo de ter coisas para ler.
Estudos indicam que para cada utilizador de internet, exactamente 50% dos conteudos que encontram são uma merda. Como preciso de descanso mental, vou deixar de promover ideias radicais como o uso de pensamento crítico e deixar que cada um chegue lá sozinho. Deixo aqui uma parábola moderna:
Há muito tempo, uma amiga minha tinha uma conta de instagram onde postava fotos de sítios bonitos. Infelizmente, as fotos eram mutiladas com muitos, muitos filtros. Mas as pessoas gostavam das fotos.
Com o tempo, ela foi tirando fotos com menos filtros. Finalmente, deixou de os usar. E as pessoas continuaram a gostar das fotos.
Moral desta parábola: 1. Não fodam as fotos com filtros, mesmo. 2. Paguem aqueles 2 ou 3 euros que a Wikipedia pede anualmente, senão deixo de ter coisas para ler.
sábado, janeiro 28, 2017
Boicote às padarias que pagam ordenados mínimos
Façam isso e depois digam-me onde é que vão comprar pão.
terça-feira, janeiro 17, 2017
Workshop
Meti-me num workshop baratucho convencido que o dinheiro que não estavam a cobrar estaria apenas a comprometer a qualidade e variedade de material usado durante as aulas mas não o conhecimento partilhado. Foi um erro meu, porque seria aí que cortaria, caso fosse eu a oferecer um workshop.
Engano meu.
Na verdade o workshop era barato porque o formador era um figurante.
As capacidades de comunicação não eram brilhantes. Não vi um gato preto passar na porta várias vezes mas percebi que estava na Matrix quando ouvi várias vezes a mesma má explicação para uma pergunta bem simples que infelizmente repeti.
As capacidades de comunicação não eram brilhantes. Não vi um gato preto passar na porta várias vezes mas percebi que estava na Matrix quando ouvi várias vezes a mesma má explicação para uma pergunta bem simples que infelizmente repeti.
Continuando nas comparações com filmes, temporalmente a ultima aula foi semelhante ao Inception. Como nos sonhos, também o tempo na aula era inifinitamente mais longo que o tempo no mundo real. O que demorava uma hora e meia no workshop passava-se em 15 minutos no mundo real.
Continuando ainda noutro filme, a pobre italiana que acompanhava o workshop viveu o Lost in Translation. Perdida entre duas referências de filmes, era o seu próprio gato preto da matrix, sempre que parava para questionar se o lugar em que se encontrava era real ou não. "It must be the language, but I didn't understand what you just explained. Can you say it english?". Mas não.
Foi assim que pela primeira vez na vida, saí a meio de um filme.
quinta-feira, janeiro 12, 2017
Estatisticamente improvável I
Os maiores problemas (e soluções) das empresas são os humanos. Os humanos fazem coisas espetaculares, mas falham bastante para chegar lá. A maneira como lidam com os falhanços em Portugal é tradicionalmente pela via judaico-cristã. Isto implica muita emoção, muita culpa, muito sofrimento. Mesmo em empresas modernaças. Um dia destes, fora do trabalho, tive uma troca parecida com isto num workshop:
- Então, o que é que fazes além disto?- É lixado (ri-se).
terça-feira, janeiro 03, 2017
Ano Novo
Há uns anos bons, seguia 70 blogs diariamente. E ainda lia as noticias. Queria saber tudo o que se passava. E tinha tempo.
No outro dia reparei que, sem pensar, fiz uma decisão de ano novo que é um sinal dos tempos.
No outro dia, procurei no google como bloquear notícias de chegar até mim sem eu querer. Todas. Queria todos os feeds que tenho, desde o facebook até ao feedly, limpos de noticias. No outro dia reparei que, sem pensar, fiz uma decisão de ano novo que é um sinal dos tempos.
Portanto, vou começar a promover aqui o mundo como ele é. A verdade é que o mundo está todo bem, tirando as máquinas de vendas de bilhetes da estação dos Anjos.
Abaixo, uma carrinha com um palhaço de cartão no lugar do morto prepara-se para atacar um guarda-loiças.
quarta-feira, dezembro 21, 2016
Lista para o pai natal, uma procrastinação
o trump num iceberg
matrioskas cromadas
chemtrails de sobretudo
matrizes de dar os parabéns
o album novo da uefa
paz no mundo
canivete suiço daqueles
um telemovel sem internet
metropolitano de lisboa em bom
um saco de platinados
má fama para diabeticos
trotinete mascaradas
oculos escuros
impressora de jacto de tinta barata
cobertura 4G em gulpilhares
três bolas de gelado da sociedade protectora dos animais
um radiometro sem gaivotas
acordo ortografico revisto
tempo
uma matricula de baixa impedancia
canetas
arroz à valenciana de janeiro para a frente
cabides pasteurizados
guitarra de 2 litros
coincidencias
merdas aos pontapés
uma tarola a puxar para o pesado
kalkitos de alfama
matrioskas cromadas
chemtrails de sobretudo
matrizes de dar os parabéns
o album novo da uefa
paz no mundo
canivete suiço daqueles
um telemovel sem internet
metropolitano de lisboa em bom
um saco de platinados
má fama para diabeticos
trotinete mascaradas
oculos escuros
impressora de jacto de tinta barata
cobertura 4G em gulpilhares
três bolas de gelado da sociedade protectora dos animais
um radiometro sem gaivotas
acordo ortografico revisto
tempo
uma matricula de baixa impedancia
canetas
arroz à valenciana de janeiro para a frente
cabides pasteurizados
guitarra de 2 litros
coincidencias
merdas aos pontapés
uma tarola a puxar para o pesado
kalkitos de alfama
10 garrafas de feltro
procopio novo
uma primeira edição de esferografica
réguas de valpaços
uma resma de papel almaço
um teclado com maiusculas e acentos
umas meias azuis que vi no Ramiro
uma primeira edição de esferografica
réguas de valpaços
uma resma de papel almaço
um teclado com maiusculas e acentos
umas meias azuis que vi no Ramiro
paciência
e descanso
sexta-feira, dezembro 09, 2016
Isto do Trump
Lembram-se daqueles trolls apanhavam a comentar as notícias online e normalmente bloqueariam no facebook? Basicamente, vamos todos passar os próximos anos a debater, de igual para igual, pacientemente, todos os fenómenos observáveis nos próximos 30 anos, até todas as partes chegarem a acordo sobre o que define um facto, assimilarem todas as regras da lógica, e finalmente seguir em frente. Pensei nisto depois de me lembrar do trabalho mental que tive para conseguir explicar a alguém com os copos que o Twilight não era um filme digno de um oscar sem chegar ao insulto. Não consegui.
quarta-feira, dezembro 07, 2016
Piramide da empresa boa
Depois de encontrar a notícia do fecho do Elefante Branco, tenho de divulgar um estudo feito há tempos sobre o fenómeno da hierarquia moral para empresas, onde podemos encontrar a razão de ainda não ter começado um movimento #salvemoelefantbranco.


segunda-feira, dezembro 05, 2016
Método para detecção de notícias falsas e vendedores de banha da cobra
Passo 1: O título. Como assim, "médicos"? Que médicos? Há muitos médicos. "Mídia"? quem é mídia? que mídia? 5 perguntas, tenho dúvidas, logo isto é uma notícia duvidosa.
Passo 2: A fonte confirma que é uma notícia falsa.
Passo 3: a pessoa que o partilha provavelmente vende banha da cobra, mas raramente compra.
Às vezes nem eu acredito como é fácil detectar notícias falsas. O que ainda é mais supreendente é haver gente que perde tempo com métodos muito complicados e cientificos para desmontar estas notícias quando na realidade o método Silva é igualmente válido, criado usando exactamente os mesmos métodos que se usam para em tratamentos como a homeopatia, por exemplo.
Às vezes nem eu acredito como é fácil detectar notícias falsas. O que ainda é mais supreendente é haver gente que perde tempo com métodos muito complicados e cientificos para desmontar estas notícias quando na realidade o método Silva é igualmente válido, criado usando exactamente os mesmos métodos que se usam para em tratamentos como a homeopatia, por exemplo.
Falta-me paciência, mas é isto
Não é que não tenha tema, mas parece-me tudo tão relativo... Chego ao fim deste ano com a sensação que não há nada que possa afirmar com certeza absoluta. Acho que começo a relativizar tudo o que encontro, um dia destes faço um post a explicar como abri a mente para os mediums e a homeopatia, as vibrações dos cristais e a astrologia e de como tudo está ligado e eu apenas não estava a juntar dois mais dois.
Não, nem a gozar. A unica verdade que liga estas ideias é tudo ser a mesma merda.
Não, nem a gozar. A unica verdade que liga estas ideias é tudo ser a mesma merda.
terça-feira, novembro 29, 2016
Tecnofobia para sempre
Pessoas, não percam tempo a associar algumas actividades humanas exclusicamente a plataformas analógicas e a tentar descriminar pessoas por isso.
Os Smartphones não são Belzebu e o futuro do mundo não está comprometido porque as pessoas "passam a vida" ( aspas no ar com as mãos muito grandes aqui) no telemóvel ou nas tablets, ou no portátil. O mundo vai mudando pouco a pouco, é só isso.Os livros não vão morrer, tomem um calmante.
segunda-feira, novembro 28, 2016
Livros para crianças, o mantra
Pseudo-absurdistas, depositários de prosa maneirista, mentes confusas, povo: Não, nem toda a gente pode escrever livros infantis. Os textos que o mantra triplice da Árvore e do Filho refere não são para para miudos, assim como a Árvore não pode obviamente ser um eucalipto ou um zambujeiro e o filho tem de fazer a 4ª classe e saber usar garfo e faca, pelo menos.
Não infantilizem os miudos com os vossos livros feitos para vocês próprios. Essa ideia que os miudos gostam mais de adjectivos do que adverbios de modo é só projecção. Deixem lá os miudos ver só os bonecos e lerem só as maiores. Eles não precisam de manteiga para o cérebro, ficam demasiado moles. Se quiserem provas dos efeitos devastadores dos maus livros infantis, é só conviver 10 minutos com pessoal com idade para ter juizo mas que gosta do Principezinho.sexta-feira, novembro 25, 2016
Sexta feira preta
Vamos lá rever isto, porque temos o dia de Ano Novo, dia de Reis, o dia de S. Valentim, o carnaval, o ano novo chinês, os oscares, o dia da mulher, o dia da mãe, o dia do pai, o dia dos avós, a Páscoa, os Santos, as férias de verão, o 15 de Agosto, o regresso às aulas, o S. Martinho, o Hallowen e depois o Natal.
Com isto tudo, não desprezem a Black Friday e o Cyber Monday, são os únicos eventos anuais que só existem exactamente para o que todos os outros são usados: vender tralha. Ninguém vai ao engano.
segunda-feira, novembro 21, 2016
Coisas do trabalho, lá fui ouvir simulações de entrevistas de emprego/estágio - não perguntem, isto existe, só tem um nome em inglês para soar melhor - de betos universitários. É uma combinação impossível: Eu pessoalmente tenho cenas contra betos e não acho que há truques para boas entrevistas. A cena dos betos é uma coisa de infância, fui educado em escolas secundárias fodidas e isto está-me no sangue, mas não tenho nada contra eles profissionalmente, não têm de ser meus amigos, só precisamos trabalhar juntos. Claro que eles me topam à distância, eu sou o gajo que tem uma relação informal com a objectividade e não tem necessidade de fazer sentido o tempo todo e vive bem com isso. Quanto a entrevistas, não acredito que se possam trabalhar: Só a honestidade funciona.
Explicando isto rapidamente, porque este assunto me chateia, fico ressabiado, este putos betos não querem nada de especial para eles. Querem só manter no nível de vida com que nasceram. Todos dizem os anos que praticam ou praticaram hipismo, esgrima ou natação, como são voluntários no Banco Alimentar ou na igrejae isso para mim lê-se "os-teus-pais-bancaram-bem-essa-tua-vidinha", junte-se isto aos polos Lacoste e só penso "estes putos precisam de uma fase Jorge Palma na vida". Objectivamente, não precisam. Mas lá está, eu tenho uma cena pessoal contra betos.quinta-feira, novembro 17, 2016
Acerca daquilo das notícias falsas no facebook
Há uns anos, notei que os meus critérios para links com interesse tinham descido. Já não tinha paciência para vasculhar blogs tão obscuros como inteligentes e limitava-me a ver o que alguém (ou alguma coisa) escolhia por mim. Passei a usar muito mais esse funil magnético espiralado que só apanha o que já conheço.
Mas hoje de manhã alguém denunciava a corrupção de que os jornais falavam ontem, num daqueles blogs cujo título é a mensagem e que escapa ao meu funil. Corrupção no Banco Alimentar, tudo em caixa alta. Fui ler, só para confirmar se devia confiar no título do blog como critério de selecção. A corrupção era explicada ponto por ponto: os alimentos oferecidos ao Banco Alimentar pagam IVA como todos os outros alimentos, o Estado - esse bandido - fica com o IVA, os supermercados com o lucro da compra dos alimentos, a Jonet tem um ordenado. Nos comentários à notícia confirmava-se a trama, claro. E até se descobriam mais alguns detalhes que escapavam a esta investigação de fundo.
E assim se constroi a propaganda reaccionária mais eficaz de sempre.
E assim se constroi a propaganda reaccionária mais eficaz de sempre.
sexta-feira, novembro 11, 2016
Web Summit do ponto de vista de quem sabe tudo
Como hater do empreendedorismo* como fenómeno televisivo, mas estando dentro do assunto, tenho de aproveitar para desfazer alguns mitos:
• O que se faz no Web Summit, mesmo?
Contactos. Imaginem como se fosse um festival: Ouvem gente com ideias interessantes. Conhecem gente. Combinam copos. No fim, em vez de cama, faz-se negócio. Pode haver cama na mesma.
Contactos. Imaginem como se fosse um festival: Ouvem gente com ideias interessantes. Conhecem gente. Combinam copos. No fim, em vez de cama, faz-se negócio. Pode haver cama na mesma.
• Os geeks vão lá para engatar gajas, não é?
Larguem essa piada, sério. O Markl esteve casado com a Ana Galvão. Já deviam ter percebido que o mundo é dos geeks.
• Os geeks vão lá para engatar gajas, não é?
• Os geeks vão lá para engatar gajas, não é?
Também.
• Toda a gente vai lá vender apps que não servem para nada?
Não, as apps são só uma pequena parte do que se passa. Sim, há muita que para mim não serve para nada.
• Mas vão para lá ouvir falar de quê, aquilo não é só lavagem cerebral?
Que tenha reparado, é tão eficaz como ouvir podcasts, congressos de farmaceuticas ou Ted Talks. Há gente para tudo.
• E os políticos todos lá a cheirar?
É melhor que ir beijar bebés a feiras da Beira Baixa. Fica mais em mão e tem o mesmo efeito.
*O "empreendedorismo" é foleiro como termo porque os telejornais têm explorado este termo normalmente vazio de conteudo e objectivo de uma maneira exaustiva. Tanto chamam empreendedor ao Belmiro de Azevedo como ao Miguel Gonçalves como à Isabel de Santo Tirso que vende bases para copos feitas com tampas de Nespresso. Eu entendo. Também me passo quando chamam Running a "correr", é o que temos.
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