quinta-feira, setembro 28, 2017

Eu até tenho amigos pretos

Pessoas que praticam actividades salutares como o golfe, a vela, o hipismo e as promovem naturalmente e com gosto, mas acrescentando no meio o reparo "ao contrário do que dizem, é bastante acessível, qualquer pessoa pode praticar".
É que nem por isso.

quarta-feira, agosto 30, 2017

A porra dos livros

As premissas: desenhar princesas e dragões para meninas e aventuras e ciência para meninos é parvo. Um autor - ou uma empresa - devem poder publicar o que entendem.

A história, vista daqui:
Primeiro acto: Diz-se que o livro das meninas toma-as por burras, baseado num jpeg com 2 páginas. As pessoas confundem tudo.
Segundo acto: O RAP faz uma análise cómica de 4 páginas do livro onde desmonta a ideia dos níveis de dificuldade diferentes. As pessoas confundem ter piada e ter razão.
Terceiro acto: Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género publica um parecer que tem muitos pontos. As pessoas não os lêem. As pessoas confundem um parecer com uma tentativa de censura.
Segunda parte do Terceito Acto: A Porto Editora retira os livros do mercado. As pessoas confundem isto com censura. Outras pessoas acham que não chega o livro sair do mercado.
Quarto acto: Prezado lê o parecer da comissão que sabe mais que ele sobre descriminação de género e as ultimas linhas são assim:

Eu sei que é pouco espetacular para um jpeg, mas é o que retiro de 5 dias de gritaria em todas as direcções no facebook (porque no mundo real ninguém debateu isto mais que 1 minuto).

domingo, agosto 20, 2017

Almoço de família

De uma vez descubro o que é o piewdipie, o d4rkframe, o despacito e a falta de paciência para youtubers. 

quarta-feira, agosto 16, 2017

As mulheres grávidas, por exemplo, ficam malucas

Poucas pessoas são politicamente correctas. Eu conheço poucas. Quem anda aí a queixar-se do excesso de "policamente correcto" e usa o termo como acusação, deve ter a noção que está a meter-se no lugar de um coninhas e que brevemente vai perceber como as pessoas não são politicamente correctas. Não tenham medo, nunca houve tanto espaço para tanta opinião como agora e assim é mais fácil de resolver o problema.

sábado, agosto 05, 2017

Politicamente incorrecto

O padrão que encontro nas pessoas que são politicamente incorrectas e ainda reclamam serem perseguidas pelas suas opiniões geniais é todas serem burras.

sexta-feira, julho 28, 2017

Política e genética

Num grande grupo de amigos com quem passava férias no Algarve na adolescência, havia um que sempre achei uma besta. Nisso distinguia-se de todos os putos estúpidos que nós éramos por uma margem generosa. Hoje é do PNR.

quinta-feira, julho 27, 2017

Magia conjugal

Voluntariamente, meti as meias no cesto da roupa suja. Ela fez cara de quem viu fazer desaparecer um 747 em plena luz do dia.

quarta-feira, julho 26, 2017

Os estagiários

Ter estagiários é ter para quem passar um legado: explicar-lhes o que que é um layout frankenstein, porque é que o logo se mete sempre mais pequeno, a origem de "está bom, agora tira o macaco", quem é o Taveira que o pessoal da minha idade refere, porque é que tenho a mania de chamar "caixa alta" ao caps, o que são impressoras, cassetes e o Blade Runner, quem eram os Monty Python, porque é que tenho um fetiche com numeros pares nos layouts, como era trabalhar com o Photoshop 2,3,4 e 5, o dia em que vi televisão a cores pela primeira vez, explicar-lhes que os primeiros starwars continuam a ser espetaculares. É a parte boa de ser velho, um gajo já não tem vergonha de ser chato.

quarta-feira, julho 19, 2017

Aquilo dos ciganos

Pequena introdução sobre racismo e brandos costumes: A minha avó, que era muito boa pessoa, dizia "não sejas judeu para o teu irmão" quando eu chateava o meu irmão e vice-versa. Nunca deve ter conhecido um judeu na vida e não devia saber nada em particular sobre judeus. Na minha imaginação, a ultima vez que ser judeu tinha sido um problema em Portugal ainda o Marquês do Pombal era vivo, por acaso. No entanto, a expressão pegou.

Nenhuma solução mágica que me lembre, mas tem de aparecer gente que promova o trabalho de desmontar as expressões racistas para serem deixadas de ser usadas como arma de arremesso de ambos os lados - Isto já soa a magia mas as palavras têm força, acho que tem de passar por aqui -  e simultaneamente trazerem números e factos reais, o mais transparentes possíveis, sobre os ciganos (e os não ciganos), onde vivem, como vivem, para que a ditadura dos politicamente-incorrectos-que-pode-sempre-dizer-o-que-entende-mas-vive-a-queixar-se-de-ser-reprimida-pelo-pessoal-politicamente-correcto se acalme e deixe toda a gente viver em paz.

Finalmente, pessoas que passam o tempo a invejar quem recebe o RSI e tem os tais Mercedes com um porta bagagens especial só para meter cheques da segurança social, estão à espera de quê? troquem de lugar com os ciganos.

Prezado não tem amigos ciganos, andou na escola com apenas 4. A sua mãe continua a falar na feira com um com quem estudou na primária, 30 anos depois. O seu pai explicou-lhe um dia como lidar com ciganos: "seja o que for o que te pedirem, oferece 10 vezes menos". Se tivesse de ir viver com ciganos ao lado, não via a vida a andar para a frente.

terça-feira, julho 18, 2017

Isto cansa

O tempo que perco com a estagiária não compensa o tempo que ela gasta a fazer uma tarefa simples. Eu buscar um café? 5 minutos. Estagiária buscar um café? 10 minutos. Eu pedir à estagiária para me buscar um café?

Primeiro tenho de lhe explicar o que é uma máquina de café. Depois descubro que tenho de lhe explicar o que é café. Depois tenho de lhe dizer onde estão as chávenas. E o açucar. E as colheres. E onde é que está a máquina do café. Se não tiver água, tenho de ir lá explicar como é que se põe água na máquina. Se encravar, tenho de desencravar eu. Teria provavelmente de explicar também o tamanho da chavena uma segunda vez. Só depois ela faz o café. Finalmente traz o café. 45 minutos passaram.

Um dia destes deixo de lhe pedir para fazer design ou trazer cafés metafóricos.

quarta-feira, julho 05, 2017

Tragédia.

Abri um pdf com um CV de um designer com a minha idade e li tudo o que ele fez ao longo dos ultimos 20 anos enquanto, sem querer, ouvia Yesterday dos Beatles.

terça-feira, julho 04, 2017

Haja paciência

Fazer grafittis não é arte e já não é sequer street art. É um pano de fundo, tão importante como aquela paisagem do relvado no Windows. Como todas as ideias baseadas no conceito de escala, descobre-se que quanto maior, quanto mais volume, quanto mais gigantesco, menos conteudo é necessário passar. Na street art já só encontro uma forma manhosa de ilustração isenta de conceito para consumo em grande escala. Há quem a faça bem feita, mas a destreza não passa além do fazer. É um virtuosismo bacoco, como caravelas feitas de fósforos, solos de guitarra de 20 minutos, bicicletas de arame ou punhetas. Um grafitti encerra-se e esgota-se em si mesmo.
Vejo-os a serem recorrentemente encomendados por camaras municipais e empresas. Se isso não diz muito sobre quanto os grafittis mudaram, desisto.

quarta-feira, junho 28, 2017

Pequeno almoço nos Anjos

Na mesa ao lado dorme metade da família ainda de malas com etiquetas do aeroporto. A metade acordada está com cara de ter vindo de um fuso horário para lá de Moscovo. Na mesa com 10 chineses, tiram-se fotos do menu, porque deve ter caracteres cómicos. Na outra mesa lá atrás, duas mulheres jantam um pequeno almoço acompanhadas de uma garrafa de tinto.  Mesmo no meio do café, o casal com mais meio metro de altura que todos os outros consulta mapas no telemóvel. Somos os únicos clientes portugueses no café. 

quinta-feira, junho 22, 2017

Estou a ficar como o meu pai

Se-isto-fosse-no-tempo-do-Passos, começaria o meu pai na conversa à volta das notícias da noite, PSD desde sempre, e continuaria a enumerar exemplos históricos para demonstrar como existia uma dualidade de critérios. Na altura dele era o Cavaco, mas vai dar ao mesmo. Eu não tinha idade para me ter assistido a nenhum exemplo histórico, por isso não fazia diferença. Se não aconteceram à minha frente, não aconteceram, não fazem diferença.
Mas, fosse um tipo mesmo imparcial como eu acho que sou (ahah), já estaria a exigir a cabeça do Costa, já lhe tinha chamado todos os nomes, já tinha exigido a cabeça de mais 3 ou 4 ministros pela via das dúvidas, já espumava, já tinha sonhado que estava a discutir engenharia florestal com o Costa, tudo. Mas como também já sei melhor que isto, fico calado.

quarta-feira, junho 21, 2017

A idade é um posto

Ter o dobro da idade dos estagiários dá-me um género de super-poder-telepático-ESP de perceber sempre o que se está a passar na cabeça deles: não estão a perceber nada do que eu digo.

terça-feira, junho 20, 2017

Isto é sobre notícias

​Nos primórdios da internet, quando não havia mais do que um modem de 56Kpbs ligado à linha de telefone, um gajo perdia horas à espera de imagens. Podiamos ficar parados zombies a olhar para o ecrã uns 2 minutos só para ver revelada mais uma faixa horizontal de 100 pixeis, toda borrada. Primeira passagem, 100 pixeis amassados do tamanho de selos, segunda passagem a coisa ficava melhor, mais 10 minutos e mais uma passagem, a pouco e pouco, barras de 100 pixeis de cada vez e finalmente tinhamos a imagem. A imagem podia não valer nada. Mas só quando estava acabada é que sabiamos se era boa.
Passados 20 anos, parece-me que este modo progressivo de entregar imagens serve de metáfora para muita coisa, mas encaixa mesmo bem com o jornalismo de hoje, progressivamente refinado - desde o tweet do estagiário do Correio da Manhã até à reportagem de fundo do Expresso - e só possível de consumir depois de umas boas passagens.

segunda-feira, junho 19, 2017

Regar com gasolina

Basta ter estado o fim de semana inteiro sem televisão, sem internet e sem telemóvel para perder o fio à meada e para, aterrado ontem à noite em Lisboa, seja estranho a tudo o que se passou. Imagino as centenas de horas que a televisão dedicou a tudo o que aconteceu e como as imagens, que não precisavam de legendas nem comentários, serviram de combustivel para as redes sociais, onde lhes dão significados novos. Já vi uns artigos poético-pastoris feitos para a lágrima fácil, abutres ao lado de cadaveres e muitos doutores em engenharia florestal formados em 2 dias. Uma corrida a ver quem legenda melhor o que aconteceu. Tenho saudades do tempo em que o tuga tinha vergonha de ter opiniões muito alto.

sexta-feira, junho 16, 2017

Genética

Há algo que leva os designers juniores a fazer o mesmo tipo de nheca (com más fontes semi transparentes, layers em blur, repetição de fontes) independentemente do ano em que nasceram. Sejam nascidos em 1975, 1980 ou 1995, é tudo igual. Consigo observar este fenómeno em várias gerações, regiões e níveis intelectuais. Uma estética isolada de todas as correntes que a circundam. É como se houvesse uma má fonte de onde todos bebem sem saber bem porquê.

segunda-feira, junho 12, 2017

O futuro a morder-me os pés

Os estagiários esgotam-me e fazem-me pensar no tempo em que não fui estagiário por muitos motivos mas essencialmente porque tinha um ego suficientemente grande para achar que seria só perder tempo para uma empresa sem ganhar dinheiro era um luxo para meninos do papá e que já sabia o suficiente para ser pago principescamente. Passados uns anos observo: os estagiários são pagos principescamente pelos papás, dando em troca o seu ego, o que me facilita a vida, porque são nabos como eu era.

Lá ao pé de casa, umas portas ao lado, estão a construir um bar. Não sei se o bar é cool ou não porque a estética do bar me ultrapassa. Parei no tempo, tenho a certeza. Deixei de querer seguir qualquer estética do momento assim como deixei de querer que a miudagem de 20 anos entenda alguma referência que faça a algum filme anterior a 2010. Dad Jokes sem ser dad, passo. O bar de certeza que será um sucesso, apesar de brutalmente mau, mas uma coisa garanto: fazer de um aquário com peixinhos o balcão de um bar não vai funcionar, provavelmente.

Fui à praia. Sou o ultimo adulto sem tatuagens. Sinto-me um rato pelado explorador do planeta dos macacos, a tentar passar despercebido, sem mostrar a ninguém o nome dos filhos nas costas, por quem torço numa batalha entre polvos e tubarões ou com quem estou casado forever.

sexta-feira, junho 02, 2017

A grande conspiração

Políticos e jornalistas de todas os sexos, cores, ideologias e nacionalidades encontram-se regularmente para trocar propaganda em primeira mão e veicular a ideia de que ambos estão preocupados com a situação actual.
Prezado gosta de ameijoas à bulhão pato.