sexta-feira, outubro 27, 2017

Pessoas novas

Da mesma forma que nunca consegui explicar à minha avó que a televisão não vinha com 2 canais por defeito, também não consigo explicar a alguém que nasceu depois de 1995 que encontrar algo na internet não está dependente apenas do Google. Ou que há empresas que não têm site. Nem email.

quarta-feira, outubro 25, 2017

Blackout

Tenho chegado à conclusão que seguir as notícias já não me serve para nada. Só vi 10 minutos de notícias de incêndios na televisão e fiquei cansado. Não é que não tenha acompanhado o que aconteceu, mas a mesma informação sem o tratamento foi tão mais fácil de lidar. Sempre que vejo o fogo descrito por várias figuras de estilo fico mais burro.
Além do (mau) estilo, as notícias são demasiadas e na maior parte das vezes, informam-me de acontecimentos sobre os quais não tenho hipóteses de actuar - por isso é que toda a gente prefere aquelas do Correio da Manhã, acontecem mesmo aqui ao lado com o vizinho e se alguém souber que o vizinho anda a bater na mulher sempre pode evitá-lo, deixar de lhe dizer bom dia, chatear-se, qualquer coisa. Se forem modernos até podem fazer um jpeg complicado a explicar como o vizinho é a 3ª encarnação do Hitler a serviço da mafia anti-pinheiros e espalhá-lo no Facebook, ou fazer doxxing - e isso leva-me sempre à minha adolescência à sombra da guerra fria, lá em casa ter um pai militar que seguia as notícias religiosamente ajudava nisto e só depois percebi que nada muda, a-historia-é-um-pendulo, a historia-repete-se mas só se repete depois de repararmos que passámos por ela, futurismo é uma tanga por isso só vejo memes lol.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Gentrificação em Lisboa

Um gajo escorrega na calcada e toda a gente à volta lhe pergunta se está bem em inglês.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Eu ainda sou do tempo

Se esta merda toda acontecesse nos tempos do Passos, eu ia exigir a cabeça dele e estaria a desenhar 14 tipos diferentes de bandejas para ter a certeza que ela era bem entregue.
Tenho de ao menos tentar ser consistente. Demite-se ou não?

sexta-feira, outubro 06, 2017

Estava na internet a ver umas porcarias

Lembrei-me que quando era pequeno, ensinavam-nos  na escola alguns factos de que eu desconfiava. O meu pai também me ensinava a desconfiar ainda mais, especialmente no que toca a verdades absolutas ditadas por alguém "A terra tem 2000 milhões de anos, dizem eles. Como é que podem saber? É uma estimativa. Não pode ter 2001 milhões de anos? E 2002?". E assim fui ficando mais desconfiado. O problema de abrir a internet e ver umas porcarias só pela piada é descobrir que há gente a desconfiar demasiado de factos que estão comprovados há séculos - aqui estou a pensar naqueles trolls da terra plana - e a querer descobrir uma alternativa à roda todos os dias.

quinta-feira, setembro 28, 2017

Eu até tenho amigos pretos

Pessoas que praticam actividades salutares como o golfe, a vela, o hipismo e as promovem naturalmente e com gosto, mas acrescentando no meio o reparo "ao contrário do que dizem, é bastante acessível, qualquer pessoa pode praticar".
É que nem por isso.

quarta-feira, agosto 30, 2017

A porra dos livros

As premissas: desenhar princesas e dragões para meninas e aventuras e ciência para meninos é parvo. Um autor - ou uma empresa - devem poder publicar o que entendem.

A história, vista daqui:
Primeiro acto: Diz-se que o livro das meninas toma-as por burras, baseado num jpeg com 2 páginas. As pessoas confundem tudo.
Segundo acto: O RAP faz uma análise cómica de 4 páginas do livro onde desmonta a ideia dos níveis de dificuldade diferentes. As pessoas confundem ter piada e ter razão.
Terceiro acto: Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género publica um parecer que tem muitos pontos. As pessoas não os lêem. As pessoas confundem um parecer com uma tentativa de censura.
Segunda parte do Terceito Acto: A Porto Editora retira os livros do mercado. As pessoas confundem isto com censura. Outras pessoas acham que não chega o livro sair do mercado.
Quarto acto: Prezado lê o parecer da comissão que sabe mais que ele sobre descriminação de género e as ultimas linhas são assim:

Eu sei que é pouco espetacular para um jpeg, mas é o que retiro de 5 dias de gritaria em todas as direcções no facebook (porque no mundo real ninguém debateu isto mais que 1 minuto).

domingo, agosto 20, 2017

Almoço de família

De uma vez descubro o que é o piewdipie, o d4rkframe, o despacito e a falta de paciência para youtubers. 

quarta-feira, agosto 16, 2017

As mulheres grávidas, por exemplo, ficam malucas

Poucas pessoas são politicamente correctas. Eu conheço poucas. Quem anda aí a queixar-se do excesso de "policamente correcto" e usa o termo como acusação, deve ter a noção que está a meter-se no lugar de um coninhas e que brevemente vai perceber como as pessoas não são politicamente correctas. Não tenham medo, nunca houve tanto espaço para tanta opinião como agora e assim é mais fácil de resolver o problema.

sábado, agosto 05, 2017

Politicamente incorrecto

O padrão que encontro nas pessoas que são politicamente incorrectas e ainda reclamam serem perseguidas pelas suas opiniões geniais é todas serem burras.

sexta-feira, julho 28, 2017

Política e genética

Num grande grupo de amigos com quem passava férias no Algarve na adolescência, havia um que sempre achei uma besta. Nisso distinguia-se de todos os putos estúpidos que nós éramos por uma margem generosa. Hoje é do PNR.

quinta-feira, julho 27, 2017

Magia conjugal

Voluntariamente, meti as meias no cesto da roupa suja. Ela fez cara de quem viu fazer desaparecer um 747 em plena luz do dia.

quarta-feira, julho 26, 2017

Os estagiários

Ter estagiários é ter para quem passar um legado: explicar-lhes o que que é um layout frankenstein, porque é que o logo se mete sempre mais pequeno, a origem de "está bom, agora tira o macaco", quem é o Taveira que o pessoal da minha idade refere, porque é que tenho a mania de chamar "caixa alta" ao caps, o que são impressoras, cassetes e o Blade Runner, quem eram os Monty Python, porque é que tenho um fetiche com numeros pares nos layouts, como era trabalhar com o Photoshop 2,3,4 e 5, o dia em que vi televisão a cores pela primeira vez, explicar-lhes que os primeiros starwars continuam a ser espetaculares. É a parte boa de ser velho, um gajo já não tem vergonha de ser chato.

quarta-feira, julho 19, 2017

Aquilo dos ciganos

Pequena introdução sobre racismo e brandos costumes: A minha avó, que era muito boa pessoa, dizia "não sejas judeu para o teu irmão" quando eu chateava o meu irmão e vice-versa. Nunca deve ter conhecido um judeu na vida e não devia saber nada em particular sobre judeus. Na minha imaginação, a ultima vez que ser judeu tinha sido um problema em Portugal ainda o Marquês do Pombal era vivo, por acaso. No entanto, a expressão pegou.

Nenhuma solução mágica que me lembre, mas tem de aparecer gente que promova o trabalho de desmontar as expressões racistas para serem deixadas de ser usadas como arma de arremesso de ambos os lados - Isto já soa a magia mas as palavras têm força, acho que tem de passar por aqui -  e simultaneamente trazerem números e factos reais, o mais transparentes possíveis, sobre os ciganos (e os não ciganos), onde vivem, como vivem, para que a ditadura dos politicamente-incorrectos-que-pode-sempre-dizer-o-que-entende-mas-vive-a-queixar-se-de-ser-reprimida-pelo-pessoal-politicamente-correcto se acalme e deixe toda a gente viver em paz.

Finalmente, pessoas que passam o tempo a invejar quem recebe o RSI e tem os tais Mercedes com um porta bagagens especial só para meter cheques da segurança social, estão à espera de quê? troquem de lugar com os ciganos.

Prezado não tem amigos ciganos, andou na escola com apenas 4. A sua mãe continua a falar na feira com um com quem estudou na primária, 30 anos depois. O seu pai explicou-lhe um dia como lidar com ciganos: "seja o que for o que te pedirem, oferece 10 vezes menos". Se tivesse de ir viver com ciganos ao lado, não via a vida a andar para a frente.

terça-feira, julho 18, 2017

Isto cansa

O tempo que perco com a estagiária não compensa o tempo que ela gasta a fazer uma tarefa simples. Eu buscar um café? 5 minutos. Estagiária buscar um café? 10 minutos. Eu pedir à estagiária para me buscar um café?

Primeiro tenho de lhe explicar o que é uma máquina de café. Depois descubro que tenho de lhe explicar o que é café. Depois tenho de lhe dizer onde estão as chávenas. E o açucar. E as colheres. E onde é que está a máquina do café. Se não tiver água, tenho de ir lá explicar como é que se põe água na máquina. Se encravar, tenho de desencravar eu. Teria provavelmente de explicar também o tamanho da chavena uma segunda vez. Só depois ela faz o café. Finalmente traz o café. 45 minutos passaram.

Um dia destes deixo de lhe pedir para fazer design ou trazer cafés metafóricos.

quarta-feira, julho 05, 2017

Tragédia.

Abri um pdf com um CV de um designer com a minha idade e li tudo o que ele fez ao longo dos ultimos 20 anos enquanto, sem querer, ouvia Yesterday dos Beatles.

terça-feira, julho 04, 2017

Haja paciência

Fazer grafittis não é arte e já não é sequer street art. É um pano de fundo, tão importante como aquela paisagem do relvado no Windows. Como todas as ideias baseadas no conceito de escala, descobre-se que quanto maior, quanto mais volume, quanto mais gigantesco, menos conteudo é necessário passar. Na street art já só encontro uma forma manhosa de ilustração isenta de conceito para consumo em grande escala. Há quem a faça bem feita, mas a destreza não passa além do fazer. É um virtuosismo bacoco, como caravelas feitas de fósforos, solos de guitarra de 20 minutos, bicicletas de arame ou punhetas. Um grafitti encerra-se e esgota-se em si mesmo.
Vejo-os a serem recorrentemente encomendados por camaras municipais e empresas. Se isso não diz muito sobre quanto os grafittis mudaram, desisto.

quarta-feira, junho 28, 2017

Pequeno almoço nos Anjos

Na mesa ao lado dorme metade da família ainda de malas com etiquetas do aeroporto. A metade acordada está com cara de ter vindo de um fuso horário para lá de Moscovo. Na mesa com 10 chineses, tiram-se fotos do menu, porque deve ter caracteres cómicos. Na outra mesa lá atrás, duas mulheres jantam um pequeno almoço acompanhadas de uma garrafa de tinto.  Mesmo no meio do café, o casal com mais meio metro de altura que todos os outros consulta mapas no telemóvel. Somos os únicos clientes portugueses no café. 

quinta-feira, junho 22, 2017

Estou a ficar como o meu pai

Se-isto-fosse-no-tempo-do-Passos, começaria o meu pai na conversa à volta das notícias da noite, PSD desde sempre, e continuaria a enumerar exemplos históricos para demonstrar como existia uma dualidade de critérios. Na altura dele era o Cavaco, mas vai dar ao mesmo. Eu não tinha idade para me ter assistido a nenhum exemplo histórico, por isso não fazia diferença. Se não aconteceram à minha frente, não aconteceram, não fazem diferença.
Mas, fosse um tipo mesmo imparcial como eu acho que sou (ahah), já estaria a exigir a cabeça do Costa, já lhe tinha chamado todos os nomes, já tinha exigido a cabeça de mais 3 ou 4 ministros pela via das dúvidas, já espumava, já tinha sonhado que estava a discutir engenharia florestal com o Costa, tudo. Mas como também já sei melhor que isto, fico calado.

quarta-feira, junho 21, 2017

A idade é um posto

Ter o dobro da idade dos estagiários dá-me um género de super-poder-telepático-ESP de perceber sempre o que se está a passar na cabeça deles: não estão a perceber nada do que eu digo.

terça-feira, junho 20, 2017

Isto é sobre notícias

​Nos primórdios da internet, quando não havia mais do que um modem de 56Kpbs ligado à linha de telefone, um gajo perdia horas à espera de imagens. Podiamos ficar parados zombies a olhar para o ecrã uns 2 minutos só para ver revelada mais uma faixa horizontal de 100 pixeis, toda borrada. Primeira passagem, 100 pixeis amassados do tamanho de selos, segunda passagem a coisa ficava melhor, mais 10 minutos e mais uma passagem, a pouco e pouco, barras de 100 pixeis de cada vez e finalmente tinhamos a imagem. A imagem podia não valer nada. Mas só quando estava acabada é que sabiamos se era boa.
Passados 20 anos, parece-me que este modo progressivo de entregar imagens serve de metáfora para muita coisa, mas encaixa mesmo bem com o jornalismo de hoje, progressivamente refinado - desde o tweet do estagiário do Correio da Manhã até à reportagem de fundo do Expresso - e só possível de consumir depois de umas boas passagens.

segunda-feira, junho 19, 2017

Regar com gasolina

Basta ter estado o fim de semana inteiro sem televisão, sem internet e sem telemóvel para perder o fio à meada e para, aterrado ontem à noite em Lisboa, seja estranho a tudo o que se passou. Imagino as centenas de horas que a televisão dedicou a tudo o que aconteceu e como as imagens, que não precisavam de legendas nem comentários, serviram de combustivel para as redes sociais, onde lhes dão significados novos. Já vi uns artigos poético-pastoris feitos para a lágrima fácil, abutres ao lado de cadaveres e muitos doutores em engenharia florestal formados em 2 dias. Uma corrida a ver quem legenda melhor o que aconteceu. Tenho saudades do tempo em que o tuga tinha vergonha de ter opiniões muito alto.

sexta-feira, junho 16, 2017

Genética

Há algo que leva os designers juniores a fazer o mesmo tipo de nheca (com más fontes semi transparentes, layers em blur, repetição de fontes) independentemente do ano em que nasceram. Sejam nascidos em 1975, 1980 ou 1995, é tudo igual. Consigo observar este fenómeno em várias gerações, regiões e níveis intelectuais. Uma estética isolada de todas as correntes que a circundam. É como se houvesse uma má fonte de onde todos bebem sem saber bem porquê.

segunda-feira, junho 12, 2017

O futuro a morder-me os pés

Os estagiários esgotam-me e fazem-me pensar no tempo em que não fui estagiário por muitos motivos mas essencialmente porque tinha um ego suficientemente grande para achar que seria só perder tempo para uma empresa sem ganhar dinheiro era um luxo para meninos do papá e que já sabia o suficiente para ser pago principescamente. Passados uns anos observo: os estagiários são pagos principescamente pelos papás, dando em troca o seu ego, o que me facilita a vida, porque são nabos como eu era.

Lá ao pé de casa, umas portas ao lado, estão a construir um bar. Não sei se o bar é cool ou não porque a estética do bar me ultrapassa. Parei no tempo, tenho a certeza. Deixei de querer seguir qualquer estética do momento assim como deixei de querer que a miudagem de 20 anos entenda alguma referência que faça a algum filme anterior a 2010. Dad Jokes sem ser dad, passo. O bar de certeza que será um sucesso, apesar de brutalmente mau, mas uma coisa garanto: fazer de um aquário com peixinhos o balcão de um bar não vai funcionar, provavelmente.

Fui à praia. Sou o ultimo adulto sem tatuagens. Sinto-me um rato pelado explorador do planeta dos macacos, a tentar passar despercebido, sem mostrar a ninguém o nome dos filhos nas costas, por quem torço numa batalha entre polvos e tubarões ou com quem estou casado forever.

sexta-feira, junho 02, 2017

A grande conspiração

Políticos e jornalistas de todas os sexos, cores, ideologias e nacionalidades encontram-se regularmente para trocar propaganda em primeira mão e veicular a ideia de que ambos estão preocupados com a situação actual.
Prezado gosta de ameijoas à bulhão pato.

Realidades alternativas

Estudos indicam que as pessoas mais velhas sabem mais por via da experiência. Se uma pessoa não tão velha quanto isso experiênciar os mais diferentes fenómenos chave com alguma regularidade, pode chegar a perceber meia duzia de coisas muito antes do tempo, nomeadamente:
- nada vale mais do que ter tempo para não fazer nada.
É isto.

quarta-feira, maio 17, 2017

California knows how to party

Depois de várias idas aos States, o desencanto. Talvez seja do vento que era muito, ou do made in china ou , mas a California pareceu-me só um Portugal descaracterizado. A costa da California, longe das florestas espetaculares - mais interiores - de árvores como não há cá, faz lembrar o Alentejo, eu sei, esta mania de nivelar tudo pelo meu Portugal, tudo à minha escala pequena e familiar, no fundo é um ressabiamento recalcado, a vontade de dizer que isto aqui é bem melhor, que aqui só somos maus a vender isto, mas simultaneamente a ideia de que falar disto um pouco mais alto vai ser o começo do fim da beleza da coisa, da beleza das coisas simples, que são só por ser. Uma praia é uma praia é uma praia.

quinta-feira, abril 20, 2017

Ainda a porra das vacinas

Percebo a dor dos médicos: pessoas com experiencia dão uma opinião informada, argumentam, apresentam soluções, fazem piruetas e no fim não conseguem convencer meia dúzia de casmurros de que só querem o melhor para todos. O que é um pouco assustador é que qualquer designer está habituado a isto porque, dizem, há muita subjetividade neste campo de trabalho. Que os médicos chegassem a este ponto, nunca pensaria. Agora só falta é juntar todos os designers, agências, ateliers e vãos de escada numa mega conspiração, chamar-lhe "big design" é viver à conta dos papalvos que ainda acreditam que a comic sans não deve ser a fonte do diário da república.

Ainda as vacinas

Ontem pensava na desinformação que anda por aí à volta da vacinação e como também é um problema de comunicação, onde os papers das farmaceuticas estão a perder caminho para formas de comunicação mais imediata e mais fácil de processar cognitivamente. Por isso fiz esta experiência, depois de estudar a linguagem visual usada pelos movimentos anti-vacinação.



quarta-feira, abril 19, 2017

Escolha a sua causa

Hoje as redes sociais estão num alvoçoro numa caça às bruxas não vacinadas. Como entendo a necessidade que muitas pessoas têm em mostrar que não fazem parte do rebanho mas geograficamente estão dentro de um onde eu pertenço, deixo aqui algumas opções que podem promover em alternativa à não-vacinação. Podem escolher uma só, e até podem promovê-la no facebook, como faz o pessoal do running e do crossfit:
Não usem microondas. Não usem pesticidas. Não comam alface. Não comam carne branca. Não comam carne vermelha. Não usem lã. Não usem polyester. Não comam alimentos geneticamente modificados. Não matem abelhas. Não comam abelhas. Não comam fósseis. Não vejam as horas. Não andem de bicicleta. Ou andem de bicicleta. Mas não usem capacete. Ou usem capacete. Não tomem aspirinas. Não usem desodorizante. Andem de metro. Não andem de autocarro. Comam gomas uma vez por semana. Não comam nada com açucar. Usem polyester. Só usem açucar mascavado. Não façam reciclagem. Façam reciclagem. Andem a pé. Não corram muito. Corram tudo. Bebam cerveja. Não bebam gasolina. Não usem cortiça. Não usem plásticos. Não usem sacos de plástico. Não comprem animais. Não vendam animais. Não comprem escravos. Não vendam escravos. Usem cesto de verga. Não comam animais com escamas. Não tomem a parte pelo todo. Não votem não. Não votem sim. Não percam tempo. Párem para pensar. Pensem duas vezes. Bebam 2 copos de águas antes de dormir. Não comam laranjas. Queimem bruxas. Não façam queimadas. Comam biológico. Bebam do mictório. Larguem as drogas. Cortem no café. Não andem de mota. Contem chemtrails. limpem os pés antes de entrar em casa.

segunda-feira, abril 17, 2017

Mais um ano

Isto anda parado, mas não morreu. Talvez esteja moribundo, mas é só porque a minha qualidade de vida me atirou para uma Suécia privada, onde não tenho nada para me queixar que mereça assim tanta atenção. Não ando muito de metro, nem de autocarro, ando pouco a pé num bairro onde toda a gente tem mais mestrados que eu, os vizinhos emigrantes dão-me os bons dias, já  acho que nem há racismo neste bairro, os putos do bar de baixo só fazem barulho no verão, já não leio notícias sobre o Trump, - porque já vivi uma guerra fria nos anos 80 e bastou-me, tenho mais que fazer do que me preocupar com acontecimentos que escapam do meu controlo - porque enfim, não me posso cansar muito.
Mantenho alguma estima por um tema: estragarem Lisboa - ou "o progresso" - continua a lixar-me, e passa por coisas pequenas, como ir tomar o pequeno almoço a caminho do trabalho e sem dar por isso, levar com um caos pseudo-hipster com tábuas a fazer de prato em banda sonora claramente forçada, - não há nenhum empregado de pastelaria, sem tatuagens contemporaneas, sem peircings, e que não seja claramente de Belas Artes que ouça Bill Evans às 9 da manhã de uma segunda feira voluntariamente  - uma salada de opções que são só tiradas de uma colecção do pinterest sem o mínimo interesse e que não pertencem nem a Lisboa nem a lado nenhum. Sim, o turismo, sim essa tralha toda, mas eu ainda tenho direito a querer que isto não mude. É mais cómodo para mim, e isso é que interessa.
Este blog faz 11 anos. Já foi moderno, já foi uma antiguidade, hoje é uma instituição. Há jornais com menos credibilidade que isto. Foda-se, até o Saraiva tem opiniões mais estupidas que eu.

terça-feira, março 21, 2017

Tiro no submarino

Descobri que um restaurante de Lisboa que me era desconhecido vai provavelmente fechar. Parece que é histórico. Há uma petição para o salvar. No meio da indignação habitual que afecta só algum tipo de estabelecimentos - auto link, esse assunto já foi abordado cientificamente aqui - só me resta perguntar, porque é que ninguém me avisou que o Faz Frio existia, sequer? isso de haver restaurantes históricos famosos que eu não conheço parece-me cruel.

segunda-feira, março 13, 2017

Freelance

Hoje ofereceram-me um trabalho em que era necessária uma habilidade que eu tinha há 10 anos. É o que dá trabalhar há 20. E não actualizar o portfólio.

domingo, janeiro 29, 2017

A internet cansa-me, certos dias

Há tempos li algures (não me lembro mesmo onde) que da mesma forma que se descobriu que a televisão era óptima para promover o medo, descobre-se que a internet serve para promover a raiva.
Estudos indicam que para cada utilizador de internet, exactamente 50% dos conteudos que encontram são uma merda. Como preciso de descanso mental, vou deixar de promover ideias radicais como o uso de pensamento crítico e deixar que cada um chegue lá sozinho. Deixo aqui uma parábola moderna:

Há muito tempo, uma amiga minha tinha uma conta de instagram onde postava fotos de sítios bonitos. Infelizmente, as fotos eram mutiladas com muitos, muitos filtros. Mas as pessoas gostavam das fotos.
Com o tempo, ela foi tirando fotos com menos filtros. Finalmente, deixou de os usar. E as pessoas continuaram a gostar das fotos.

Moral desta parábola: 1. Não fodam as fotos com filtros, mesmo. 2. Paguem aqueles 2 ou 3 euros que a Wikipedia pede anualmente, senão deixo de ter coisas para ler.

sábado, janeiro 28, 2017

Boicote às padarias que pagam ordenados mínimos

Façam isso e depois digam-me onde é que vão comprar pão.

terça-feira, janeiro 17, 2017

Workshop

Meti-me num workshop baratucho convencido que o dinheiro que não estavam a cobrar estaria apenas a comprometer a qualidade e variedade de material usado durante as aulas mas não o conhecimento partilhado. Foi um erro meu, porque seria aí que cortaria, caso fosse eu a oferecer um workshop.
Engano meu.
Na verdade o workshop era barato porque o formador era um figurante.
As capacidades de comunicação não eram brilhantes. Não vi um gato preto passar na porta várias vezes mas percebi que estava na Matrix quando ouvi várias vezes a mesma má explicação para uma pergunta bem simples que infelizmente repeti.
Continuando nas comparações com filmes, temporalmente a ultima aula foi semelhante ao Inception. Como nos sonhos, também o tempo na aula era inifinitamente mais longo que o tempo no mundo real. O que demorava uma hora e meia no workshop passava-se em 15 minutos no mundo real.
Continuando ainda noutro filme, a pobre italiana que acompanhava o workshop viveu o Lost in Translation. Perdida entre duas referências de filmes, era o seu próprio gato preto da matrix, sempre que parava para questionar se o lugar em que se encontrava era real ou não. "It must be the language, but I didn't understand what you just explained. Can you say it english?". Mas não.
Foi assim que pela primeira vez na vida, saí a meio de um filme.

quinta-feira, janeiro 12, 2017

Estatisticamente improvável I

Os maiores problemas (e soluções) das empresas são os humanos. Os humanos fazem coisas espetaculares, mas falham bastante para chegar lá. A maneira como lidam com os falhanços em Portugal é tradicionalmente pela via judaico-cristã. Isto implica muita emoção, muita culpa, muito sofrimento. Mesmo em empresas modernaças. Um dia destes, fora do trabalho, tive uma troca parecida com isto num workshop:

- Então, o que é que fazes além disto?
- Designer. Também tento fazer umas ilustrações.
- No trabalho? isso deve ser difícil.
- Ah, é mais vectorial, são mais simples. É um bocado técnico.
- Deve ser uma chatice, tens de fazer o que não queres.
- Não, nem por isso. O chefe deixa-me fazer o que quero. Quem manda é a Marca.
- Pois, deve ser sempre a mesma coisa.
- Vou fazendo tudo à medida da marca.
- É lixado (ri-se).

Esta mania tuga que um gajo por estar a trabalhar está a sofrer é só um dos sintomas. Há muitos mais.

terça-feira, janeiro 03, 2017

Pessoas que tiram fotos de grupo no ar a meio de um salto

Vocês fazem figura de otários. É só isto.



Ano Novo

Há uns anos bons, seguia 70 blogs diariamente. E ainda lia as noticias. Queria saber tudo o que se passava. E tinha tempo.
No outro dia reparei que, sem pensar, fiz uma decisão de ano novo que é um sinal dos tempos.
No outro dia, procurei no google como bloquear notícias de chegar até mim sem eu querer. Todas. Queria todos os feeds que tenho, desde o facebook até ao feedly, limpos de noticias.

Já não quero perder tempo com a realidade criada por trolls profissionais. Tenho claramente coisas bem mais interessantes para fazer, como glorificar a minha opinião junto de quem quer acreditar em mim até ao ponto em que a tomem como facto.

Portanto, vou começar a promover aqui o mundo como ele é. A verdade é que o mundo está todo bem, tirando as máquinas de vendas de bilhetes da estação dos Anjos.

Abaixo, uma carrinha com um palhaço de cartão no lugar do morto prepara-se para atacar um guarda-loiças.




quarta-feira, dezembro 21, 2016

Lista para o pai natal, uma procrastinação


o trump num iceberg
matrioskas cromadas
chemtrails de sobretudo
matrizes de dar os parabéns
o album novo da uefa
paz no mundo
canivete suiço daqueles
um telemovel sem internet
metropolitano de lisboa em bom
um saco de platinados
má fama para diabeticos
trotinete mascaradas
oculos escuros
impressora de jacto de tinta barata
cobertura 4G em gulpilhares
três bolas de gelado da sociedade protectora dos animais
um radiometro sem gaivotas
acordo ortografico revisto
tempo
uma matricula de baixa impedancia
canetas
arroz à valenciana de janeiro para a frente
cabides pasteurizados
guitarra de 2 litros
coincidencias
merdas aos pontapés
uma tarola a puxar para o pesado
kalkitos de alfama
10 garrafas de feltro
procopio novo
uma primeira edição de esferografica
réguas de valpaços
uma resma de papel almaço
um teclado com maiusculas e acentos
umas meias azuis que vi no Ramiro
paciência
e descanso

sexta-feira, dezembro 09, 2016

Isto do Trump

Lembram-se daqueles trolls apanhavam a comentar as notícias online e normalmente bloqueariam no facebook? Basicamente, vamos todos passar os próximos anos a debater, de igual para igual, pacientemente, todos os fenómenos observáveis nos próximos 30 anos, até todas as partes chegarem a acordo sobre o que define um facto, assimilarem todas as regras da lógica, e finalmente seguir em frente. Pensei nisto depois de me lembrar do trabalho mental que tive para conseguir explicar a alguém com os copos que o Twilight não era um filme digno de um oscar sem chegar ao insulto. Não consegui.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Piramide da empresa boa

Depois de encontrar a notícia do fecho do Elefante Branco, tenho de divulgar um estudo feito há tempos sobre o fenómeno da hierarquia moral para empresas, onde podemos encontrar a razão de ainda não ter começado um movimento #salvemoelefantbranco.




segunda-feira, dezembro 05, 2016

Método para detecção de notícias falsas e vendedores de banha da cobra

Como detectar notícias falsas em 3 passos simples:


Passo 1: O título. Como assim, "médicos"? Que médicos? Há muitos médicos. "Mídia"? quem é mídia? que mídia? 5 perguntas, tenho dúvidas, logo isto é uma notícia duvidosa.


Passo 2: A fonte confirma que é uma notícia falsa.


​Passo 3: a pessoa que o partilha provavelmente vende banha da cobra, mas raramente compra.

Às vezes nem eu acredito como é fácil detectar notícias falsas. O que ainda é mais supreendente é haver gente que perde tempo com métodos muito complicados e cientificos para desmontar estas notícias quando na realidade o método Silva é igualmente válido, criado usando exactamente os mesmos métodos que se usam para em tratamentos como a homeopatia, por exemplo.

Falta-me paciência, mas é isto

Não é que não tenha tema, mas parece-me tudo tão relativo... Chego ao fim deste ano com a sensação que não há nada que possa afirmar com certeza absoluta. Acho que começo a relativizar tudo o que encontro, um dia destes faço um post a explicar como abri a mente para os mediums e a homeopatia, as vibrações dos cristais e a astrologia e de como tudo está ligado e eu apenas não estava a juntar dois mais dois.
Não, nem a gozar. A unica verdade que liga estas ideias é tudo ser a mesma merda.


terça-feira, novembro 29, 2016

Tecnofobia para sempre

Pessoas, não percam tempo a associar algumas actividades humanas exclusicamente a plataformas analógicas e a tentar descriminar pessoas por isso.
Os Smartphones não são Belzebu e o futuro do mundo não está comprometido porque as pessoas "passam a vida" ( aspas no ar com as mãos muito grandes aqui) no telemóvel ou nas tablets, ou no portátil. O mundo vai mudando pouco a pouco, é só isso.
Os livros não vão morrer, tomem um calmante.

segunda-feira, novembro 28, 2016

Livros para crianças, o mantra

Pseudo-absurdistas, depositários de prosa maneirista, mentes confusas, povo: Não, nem toda a gente pode escrever livros infantis. Os textos que o mantra triplice da Árvore e do Filho refere não são para para miudos, assim como a Árvore não pode obviamente ser um eucalipto ou um zambujeiro e o filho tem de fazer a 4ª classe e saber usar garfo e faca, pelo menos.
Não infantilizem os miudos com os vossos livros feitos para vocês próprios. Essa ideia que os miudos gostam mais de adjectivos do que adverbios de modo é só projecção. Deixem lá os miudos ver só os bonecos e lerem só as maiores. Eles não precisam de manteiga para o cérebro, ficam demasiado moles. Se quiserem provas dos efeitos devastadores dos maus livros infantis, é só conviver 10 minutos com pessoal com idade para ter juizo mas que gosta do Principezinho.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Sexta feira preta

Vamos lá rever isto, porque temos o dia de Ano Novo, dia de Reis, o dia de S. Valentim,  o carnaval, o ano novo chinês, os oscares, o dia da mulher, o dia da mãe, o dia do pai, o dia dos avós, a Páscoa, os Santos,  as férias de verão, o 15 de Agosto, o regresso às aulas, o S. Martinho, o Hallowen e depois o Natal.
Com isto tudo, não desprezem a Black Friday e o Cyber Monday, são os únicos eventos anuais que só existem exactamente para o que todos os outros são usados: vender tralha. Ninguém vai ao engano.

segunda-feira, novembro 21, 2016

Coisas do trabalho, lá fui ouvir simulações de entrevistas de emprego/estágio - não perguntem, isto existe, só tem um nome em inglês para soar melhor - de betos universitários. É uma combinação impossível: Eu pessoalmente tenho cenas contra betos e não acho que há truques para boas entrevistas. A cena dos betos é uma coisa de infância, fui educado em escolas secundárias fodidas e isto está-me no sangue, mas não tenho nada contra eles profissionalmente, não têm de ser meus amigos, só precisamos trabalhar juntos. Claro que eles me topam à distância, eu sou o gajo que tem uma relação informal com a objectividade e não tem necessidade de fazer sentido o tempo todo e vive bem com isso. Quanto a entrevistas, não acredito que se possam trabalhar: Só a honestidade funciona.
Explicando isto rapidamente, porque este assunto me chateia, fico ressabiado, este putos betos não querem nada de especial para eles. Querem só manter no nível de vida com que nasceram. Todos dizem os anos que praticam ou praticaram hipismo, esgrima ou natação, como são voluntários no Banco Alimentar ou na igrejae isso para mim lê-se "os-teus-pais-bancaram-bem-essa-tua-vidinha", junte-se isto aos polos Lacoste e só penso "estes putos precisam de uma fase Jorge Palma na vida".  Objectivamente, não precisam. Mas lá está, eu tenho uma cena pessoal contra betos.
Seguindo: o importante é que acho que conheci a próxima presidente da Unilever ou da Deloitte, uma miuda mesmo gira - se calhar é por aí que a coisa vai falhar, espera - que disse que estudou para ser enfermeira mas que viu que não ia a lado nenhum e que agora tinha ido para economia e que era algo que tinha futuro, tudo numa frase só, não disse que queria ajudar pessoas, não disse que ser enfermeira era mal pago mas recompensador, não disse que queria salvar bebés em áfrica, não fazia voluntariado,não pestanejou, não se riu, nada. Vou adicioná-la no linkedin e daqui a 10 anos vou lembra-la que fui o gajo que ela não percebeu nada do que disse numa entrevista. Talvez tenha uma boa dica para eu me safar melhor.

quinta-feira, novembro 17, 2016

Acerca daquilo das notícias falsas no facebook

Há uns anos, notei que os meus critérios para links com interesse tinham descido. Já não tinha paciência para vasculhar blogs tão obscuros como inteligentes e limitava-me a ver o que alguém (ou alguma coisa) escolhia por mim. Passei a usar muito mais esse funil magnético espiralado que só apanha o que já conheço.

Mas hoje de manhã alguém denunciava a corrupção de que os jornais falavam ontem, num daqueles blogs cujo título é a mensagem e que escapa ao meu funil. Corrupção no Banco Alimentar, tudo em caixa alta. Fui ler, só para confirmar se devia confiar no título do blog como critério de selecção. A corrupção era explicada ponto por ponto: os alimentos oferecidos ao Banco Alimentar pagam IVA como todos os outros alimentos, o Estado - esse bandido - fica com o IVA,  os supermercados com o lucro da compra dos alimentos, a Jonet tem um ordenado. Nos comentários à notícia confirmava-se a trama, claro. E até se descobriam mais alguns detalhes que escapavam a esta investigação de fundo.
E assim se constroi a propaganda reaccionária mais eficaz de sempre.


sexta-feira, novembro 11, 2016

Web Summit do ponto de vista de quem sabe tudo

Como hater do empreendedorismo* como fenómeno televisivo, mas estando dentro do assunto, tenho de aproveitar para desfazer alguns mitos:

• O que se faz no Web Summit, mesmo?
Contactos. Imaginem como se fosse um festival: Ouvem gente com ideias interessantes. Conhecem gente. Combinam copos. No fim, em vez de cama, faz-se negócio. Pode haver cama na mesma.

• Os geeks vão lá para engatar gajas, não é?
Larguem essa piada, sério. O Markl esteve casado com a Ana Galvão. Já deviam ter percebido que o mundo é dos geeks.

• Os geeks vão lá para engatar gajas, não é?
Também.

• Toda a gente vai lá vender apps que não servem para nada?
Não, as apps são só uma pequena parte do que se passa. Sim, há muita que para mim não serve para nada.

• Mas vão para lá ouvir falar de quê, aquilo não é só lavagem cerebral?
Que tenha reparado, é tão eficaz como ouvir podcasts, congressos de farmaceuticas ou Ted Talks. Há gente para tudo.

• E os políticos todos lá a cheirar?
É melhor que ir beijar bebés a feiras da Beira Baixa. Fica mais em mão e tem o mesmo efeito.


*O "empreendedorismo" é foleiro como termo porque os telejornais têm explorado este termo normalmente vazio de conteudo e objectivo de uma maneira exaustiva. Tanto chamam empreendedor ao Belmiro de Azevedo como ao Miguel Gonçalves como à Isabel de Santo Tirso que vende bases para copos feitas com tampas de Nespresso. Eu entendo. Também me passo quando chamam Running a "correr", é o que temos.

quarta-feira, novembro 09, 2016

Agora é tarde

Há 4 anos, muito revoltado com a sociedade e vendo a necessidade de agitar o modo como éramos governados,  publiquei uma série de posts que promoviam uma solução honrada para o problema: apaziguar o povo com populismo de esquerda, porque o de direita seria impossível de aturar. Como eu não sou o Nuno Rogeiro, acharam que eu estava no gozo. Aqui fica o link para essa colecção de análises políticas profundas: http://perdidopelacidade.blogspot.pt/2012/09/novas-politicas.html?m=1

terça-feira, outubro 11, 2016

No dia seguinte

Lembram-se daqueles que há uns anos disseram que nunca mais iriam fazer compras ao PIngo Doce?

São os mesmos que nunca mais vão andar de taxi e vão passar a andar de Uber. Não tenho interesse nenhum em defender empresas que não aquela em que trabalho. Tanto a Uber como a Antral parecem-me defender o mesmo (uma é só mais inteligente a fazê-lo). Podem dizer de ambas o que Maomé não disse do toucinho que não mudará em nada o caminho que levam: o processo da Uber tornar-se-á no standard para o serviço de taxis (pedido, definição do caminho e pagamento via app), os taxistas vão adaptar-se e aprender alguns modos (talvez não se lembrem, mas tomem o exemplo da PSP, que melhorou em várias ordens de grandeza o serviço que presta).
Quanto ao modo de que usam para garantir a qualidade do serviço, as tais estrelas que controlam o comportamento dos condutores, estão condenadas a desaparecer e o serviço, no fim, será igual ao provido por um taxista, com todas as vantagens e desvantagens conhecidas.

Daqui a uns anos, o que funcionará, Blade Runner ou 5th element?

segunda-feira, outubro 10, 2016

Uber VS Taxis do ponto de vista do utilizador

Como power-user de Ubers e taxis - Nem carta nem carro, yo - tenho de deixar aqui uma análise rápida do uso de ambos os serviços. Seguem-se mais tarde as habituais notas pseudo-sociológicas que não podiam deixar de fazer parte do relatório, feito num dia de greve de taxis:

Taxis, do ponto de vista do utilizador:

A favor:
Estão por todo o lado e podes mandar parar na rua
Acessíveis a qualquer hora.
Apesar de tudo, são baratos.
Conhecem tudo, sabem tudo.
Ouves Radio Amália.

Contra:
Se fores preto, cigano ou comuna és evitado por sistema
Se não gostas de falar (mal) sobre pretos, ciganos, comunas, políticos no geral, mulheres, futebol e putas, podes ter alguns dias dificeis, por vezes.
Arriscas serviços maiores do que esperavas, por vezes.
Nunca têm troco, enganam-se nas contas com facilidade.
Cobram taxas conforme calha.


Uber, do ponto de vista do utilizador:

A favor:
Basta pegar no telemóvel para ter um em 10 minutos.
Não têm de andar com dinheiro.
Não têm de ficar parados no transito a pagar.
Não falam sobre pretos, ciganos, comunas, políticos no geral, mulheres, futebol e putas.
É mais barato que um taxi, se não o apanhares quando toda a gente quer apanhar um.
Os carros são o mais confortáveis possível.

Contra:
Se não tiveres um smartphone, cartão de crédito ou confiança para juntar os 2, não andas.
Se não tiveres bateria no smartphone, não andas.
Sabem onde andas, sabem o teu nome, sabem onde vives.
Não conhecem Lisboa. Se o GPS falhar, fazem caminhos maiores do que esperavas, por vezes.
Quando falam, o tema é Uber.
Apertos de mão/abrir portas: nem quero um chaufer privado nem quero um amigo.
Só ouves a Smooth FM.


quarta-feira, setembro 21, 2016

Classe média state of mind

Parte 1
Percebi finalmente que ser classe média é um estado mental.
A Mariana não se deve preocupar muito porque não poderia ter dito o que disse de forma mais eficaz.
Não se pertence a, é-se classe média. Ser classe média não é definido pelos números ouvidos no telejornal da noite nem pelo ministro das finanças. Toda a gente sabe com quanto chega na conta ao fim do mês, e isso é que importa, o estado mental. Assim como em Portugal ninguém se reconhece rico ou beto, toda uma outra gente sabe que é classe média. Isto vem do Salazar, como sempre (as pessoas que negarem este facto e qualquer outro relatado neste post, estão como é óbvio sob o alcance do mesmo fenómeno): Pobretes e alegretes, antes pobre e com saúde do que rico e doente, pobre mas honesto, e assim por diante. Eu já desisti de fazer dinheiro porque me dizem sempre que não vou ser feliz. Experimentem olhar nos olhos alguém que diga de outrém que é rico e vejam a cara com que o faz. Eu só faço aquela cara se tiver de dizer que alguém tem hepatite B ou impotência.
Enganados os economistas que indexavam o termo a valores conhecidos e verificados, deixemos o debate aberto aos antropólogos e sociólogos que tentarão encontrar o campo comum em que os que sabem pertencer à classe média trocam ideias sobre quem tem superioridade moral para o ocupar.

Parte 2
Há quem já tenha relatado isto com mais destreza, mas mesmo coxo não consigo deixar de escrever umas coisas (positivas) sobre o espantoso livro de um tipo que não merece link sequer. É positivo que o nosso tabloidismo não vá além do Correio da Manhã, um jornal que vende muito mas cujo foco não passa do esfaqueamento-de-feira ou do vizinhos-atacam-se-com-sachola ou de demonstrar que certos políticos são sanguessugas nazis socialistas.
Por isso dúvido que haja público para este livro. Não há escandalo sexual que pegue em Portugal porque felizmente programas de televisão e revistas cor de rosa juntos fizeram mais pela emancipação sexual deste país que qualquer outra coisa. Normalizadas as stripers, os broncos de ginásio e tudo o que fazem combinados - aqui inverteram-se os papeis, os taxistas chamam-nas de dançarinas porque lhes reconhecem o mérito profissional e a burguesia de Arroios chama-as de putas - parece-me que ninguém quer saber da vida sexual dos politicos. Vou andar atento ao top Fnac.

quarta-feira, agosto 31, 2016

Pensem nas crianças

Se há uma disciplina que gostava de dominar absolutamente e que gostava que toda a gente entendesse como é importante, é o Naming. Pela subjectividade e pela facilidade de aproximação, pelo uso da criatividade, o Naming é o parente mais pobre do design. Se toda a gente é capaz de criar, antes disso toda a gente é capaz de dar um nome a algo que nem sequer criou. Assim como o outro virou o urinol, pessoas todos os dias podem tranformar toda a ordem de coisas em urinois com o poder do Naming. Pessoas todos os dias condenam outras a nunca mais conseguirem virar o urinol de volta à posição devida. Daí o perigo do Naming:
Pessoas, dar nomes é uma tarefa complexa, de enorme responsabilidade. Qualquer Fábio pode dizer-vos isso, se tiver estudado o suficiente para notar. Quando alguém vos chama Fábio, está a condenar-vos. Não é chamar-vos urinol, entendam. Mas é virar-vos de cabeça para baixo. Um Fábio nunca é observado pelo angulo certo. E desenganem-se, não estou a ser elitista. Se forem a um pequeno almoço na Graça, podem ver por lá a quantidade de Noas a serem educadas à Montessori e que estão igualmente condenadas. Infelizmente, não são só os humanos que estão condenados. Todos os produtos, instituições, marcas, discos externos, redes de WIFI ou pens USB estão à mercê de mau naming.
Da próxima vez que ouvirem alguém dizer "não tenho jeito para dar nomes", aceitem essa frase como uma chave de um auto-conhecimento profundo: Só alguém com a noção de que não sabe dar nomes, que digo eu, é a mais básica das funções - pior, só não saber usar um dedo para apontar - tem o conhecimento mínimo para o fazer, porque pelo menos entendeu a diferença entre os 2 estados do urinol.
Ajudem o mundo a ser melhor.

A tormenta

Imaginem um tipo acessível, pronto ao diálogo, prestável, que apoia as decisões dos outros, que reforça positivamente, que dá espaço ao improviso, que resolve problemas, que é empático, que tem e reconhece os seus erros, e finalmente trabalha as suas falhas e o seu ego para melhorar o seu e o trabalho dos outros, dia a dia. É tão mais fácil ser um labrego como patrão que já nem consigo censurá-los.

terça-feira, agosto 23, 2016

Urgências


Lá fui eu ao hospital às tantas da manhã, o cenário é sempre igual, por mais que eu ache que vou morrer, logo esbarro em alguém que está realmente a morrer e posso dar-me ao luxo de apreciar como funciona um hospital e como é que pode ser melhorado. Desta vez percebi que há problemas simples e comuns aos que encontro todos os dias no trabalho. É mesmo só porque não meteram um designer a pensar em tudo. Dito isto, as urgências funcionam. Podiam funcionar melhor? sim, mas também todas as empresas que por aí andam.

quinta-feira, agosto 18, 2016

Entrei no ginásio um banana e saí um capitalista 2

(Continuação)
De repente, percebi.
Tudo estava construido para pessoas que não sou eu. Eu era o gajo mais gordo do ginásio e eu não sou uma batata. Toda a gente que lá andava já estava em forma. Eu não. Eu sou o gajo que quer ficar vivo. Quero fazer uma corrida para apanhar o 27 e não cuspir os pulmões a meio. Quero baixar-me para apanhar uma caneta do chão.
Eu não sou o target, eu só quero durar mais uns anos. Assim como não vou a discotecas da Praia da Rocha, não devia entrar em ginásios destes.

Porque é que entrei neste? explico: O anterior, que aguentei bastante tempo no engano, era impossível. Na minha inocência fiz-me crer que a falta de vontade de entrar no ginásio era só o meu cérebro a dizer-me "volta para o sofá, caralho!" mas hoje posso dizer a verdade: sim, aquele ginásio cheirava a um composto de borracha velha, suor, sovaco e chulé que me atacava o nariz. E sim, aguentei. Eu e mais um punhado de atletas olimpicas e um instrutor que nao desistiam também. Eu só fiz o possível.

Vim para este novo ginásio porque é ao pé do trabalho e vou continuar nele, apesar de ele me estar a tentar expulsar todos os dias: não vou ligar aos slides projectados com dicas moralistas sobre como a minha vontade de apanhar o autocarro é poucochinha e que eu devia almejar apanhar o Everest todos os dias antes das 6 da manhã com um PT a desviar-me para umas aulas extra de zumba. Ou como um tipo que não tenha um sixpack não tem confiança. Não vou dizer ao PT que quero ser uma pessoa nova até ao fim do ano ou até às férias de Verão e definitivamente, não vou fazer spinning e qualquer as actividades que tenham marca registrada, ou voluntariamente ter de aturar pessoal que gosta de tropa. Eu só quero é que não me chateiem.


quarta-feira, agosto 17, 2016

O inferno é já aqui

Um cliente do inferno mesmo profundo, é aquele que depois de mostrar, duas vezes, que sabe o que quer, pega nos frutos dessas duas vezes e cria um Frankenstein. Para os não-designers, um Frankenstein é um clássico do trabalho criativo, que ocorre sempre que um cliente tem acesso a várias soluções para um problema e não sabendo bem o que quer, as mistura todas numa nova solução que garantidamente, não funciona.

Entrei no ginásio um banana e saí um capitalista

Novamente, entrei no ginásio.
Já andei neste ginásio há uns anos, mas pareceu-me diferente. Ou se calhar sou eu:
À já habitual musica do inferno a passar alto, somaram-lhe televisões e projecções em barda. Corri 15 minutos a ver o reality show que é agora a MTV, meio episódio do NCIS, um debate na CNN, imagens dos fiordes noruegueses, uma projeção de testemunhos de clientes famosos do ginásio, um instrutor aos berros para virem para a aula de zumba, quotes do Elon Musk, quadros de honra e o cu da miuda da passadeira da frente. Tudo isto enquanto ouvia NIN em repeat para abafar a musica de carrinhos de choque.
Dei por mim em paz.
Como é que adivinharam que é assim que consumo media em casa?

Entretanto, fiz uma pausa na elíptica*, voltei à passadeira e dei por mim a reler com atenção os testemunhos das celebridades e a entrever um nicho de mercado por explorar. Um dia destes volto ao ginásio para confirmar.

*Escrevi esta frase de propósito, para se notar como é estranha se for escrita por mim.

terça-feira, agosto 09, 2016

Sê a diferença que queres ver no mundo

Ontem tive de informar um grupo de pokemon-haters que, verdadeiramente chato, é o Game of Thrones. Não estava nada a espera disto, disseram-me "isso é diferente".

quinta-feira, julho 28, 2016

Erros meus, má fortuna

Num acaso do destino, o novos ambientador da casa de banho do escritório cheira ao perfume de uma ex. Cada vez que lá vou lembro-me dela.

Clientes do inferno

Boas notícias: há clientes que não são o inferno. Até os há bacanos. E sim, são tão raros que tenho de confirmar que existem.

quarta-feira, julho 27, 2016

Estagiários

Numa das ultimas voltas que o mundo deu, passei a ter a meu cargo, pela primeira vez na vida, um estagiário.
Eu nunca fui estagiário e explico porquê:
1. É uma chulice.
2. Um gajo deve ser pago pelo seu trabalho.
3. É uma maneira das empresas terem mão de obra barata.

Agora, no ponto de vista do utilizador de estagiários, tenho de dizer que todos os pontos acima são verdade, mas não são a verdade toda:

1. Não é uma chulice. A produtividade de um estagiário é baixa.
2. Eles podem e devem ser pagos. Digo "podem" porque há gente que não precisa do dinheiro mesmo e claramente nunca ia entrar naquela empresa se não fosse de borla - Eu quando descobri que a professora de design tinha estagiado num atelier de nível mundial durante uns meses sem ganhar um tostão também pensei "assim também eu", mas na verdade eu nunca ia ser estagiário porque está ali o ponto 2 que eu não consegui abdicar.
3. Consome-me metade do meu tempo porque tenho de ter a certeza absoluta do que anda a fazer o tempo todo. Enquanto sou totalmente desorganizado a solo, vou vivendo com isso. Com o estágiário, tenho de ser organizado pelos dois, sob pena de dar em doido rapidamente e não fazer mais nada senão listas a outra metade do tempo. Portanto sim, uma empresa está a dar formação ao estagiário. Barato é capaz de ser, mas sai-me caro a mim.

Disto isto, o que se passa nos ateliers de Design em Portugal é uma experiencia totalmente diferente daquela que vejo todos os dias. Os recém-licenciados são carne para canhão e nenhuma empresa deveria poder manter-se à conta de trabalho não-remunerado anos a fio, abusando da falta de oportunidades que o mercado nos habituou. Paguem, chulos.

terça-feira, julho 26, 2016

Resolver o problema do terrorismo pode custar apenas €0.99, descubra se é verdade

Desde há anos que recebo SMS's com as ultimas notícias. Esta semana, reparei nisto: em 10 sms's, 2 eram sobre crise financeira e 8 eram sobre facadas, bombas, terroristas e suicidios. Como o meu objectivo quando subscrevi o serviço não era ter uma versão global do Correio da Manhã, finalmente tomei 2 passos importantes: cortei na minha dependência de notícias e acabei com o terrorismo cá em casa.

segunda-feira, julho 25, 2016

A moral e os bons costumes do Pokemon


Eu sei que isto não é novo, mas ainda assim está a fazer-me confusão: Pessoas, quem anda por aí a jogar Pokemon Go não deve nada ao mundo.

Dizer que quem anda a jogar uma treta de um jogo a apanhar pokemons devia estar a apanhar refugiados é só parvo. Dizer que quem anda a jogar uma treta de um jogo a apanhar pokemons devia era adoptar animais a sério é só parvo.
Mas isto é também um sinal do quão diferente é este jogo dos outros. Um jogo que consegue ser tão diferente e ocupar tanto espaço real além do virtual, que consegue meter muitas pessoas a confundir os dois.

(no fundo os jogos estão a ocupar o espaço deixado pelos albuns de metal dos anos 80, que sempre serviram de bode expiatório para os males do primeiro mundo)

quarta-feira, julho 20, 2016

Pokemon, a vingança do chinês

Confesso que ver pessoal que gosta de Game of Thrones (toda a gente, parece-me) enjoado de ver Pokemons me dá alguma satisfação. Infelizmente não se tocam e já se esqueceram daquela fase estupida de há uns tempos em que todos os memes eram à volta de portas. Haja cu.
Se gostam de Pokemons e Game of Thrones: get a life.


segunda-feira, julho 18, 2016

Arautos do fim dos tempos, acalmai



Como é provavelmente sabido por quem segue este blog, não gosto de rebanhos. Embarcar em coisas só porque estão a dar não é a minha praia. Não passei a gostar de gin só porque tenho mais de 30 anos e tenho a mania que sou um lorde, continuo a desenhar em cadernos mas não sou urban sketcher, trabalho em esplanadas mas não sou digital nomad, andei de bicicleta e só fui a uma Massa Critica. Faço fotografia quando calha e não tenho aspirações a mais que as minhas fotos de tampa-de-caixa-de-bombons.
Mas, fui à procura de Pokemons (encontrei um nos Anjos).
Sem medos.

Tenho visto como muita gente reagiu ao aparecimento deste jogo e tenho de escrever qualquer coisa para compensar esse terror.
Sim, este jogo já foi aprovado pelo telejornal e isso é um sinal claro de que este jogo está aprovado para o rebanho. Mas é um jogo estupido e bem feito. Não transmite cancro, não causa guerras nem fome e está provado que quem gosta de pokemons também pode gostar de animais, beber copos com os amigos e ser a favor do fim do conflito israelo-arabe.
Para os que se queixam que o telemóvel aliena, - nunca precisei de telemóveis para me alienar, sempre o consegui fazer com pouca tecnologia, livros do Asterix bastavam - aqui está um jogo que combina o mundo real com o virtual, o primeiro a esta escala.
Não tenham medo, é só um jogo estupido e bem feito.

quarta-feira, julho 13, 2016

Também gosto

Aquelas notícias de "adepto francês que vive em aldeia perdida na ex-Jugoslávia escreve post em que fala mal de Portugal/selecção/Ronaldo" a terem tracção.
Imagino que algures numa aldeia remota da China um post meu está a gerar polémica sem eu saber e a dar clicks ao Observador de lá do sítio.

A vista da parede

No euro 2004, odiava activamente a bola. Este ano não me aquece nem arrefece (mas ver aquele golo fez-me o dia). Agora ando a ver a minha wall e a ver a reacção às condecorações atribuídas à selecção. O pessoal de extrema esquerda ficou ressabiado porque todos os atletas que chegaram ao podium a semana passada também deviam ter condecorações. O pessoal de extrema direita ficou ressabiado porque  3 militares da força aérea morreram num acidente de aviação e deviam ter condecorações.
Eu acho que ninguém devia ser condecorado porque no fundo foi só um aproveitamento político do momento. Mas pronto.

sexta-feira, julho 08, 2016

Ser freak é moderno

Estavamos ali a discutir o caminho que a internet leva, os sms's, os live feeds, a hiper-conectividade (que vai ser muito maior, isto é só o começo), teorias é comigo, tenham nexo ou não - desde há muito é que as notícias e os factos vão morrer - como o dinheiro, vão ficar para quem der valor a isso - e a humanidade entraria então numa era de comunicação digital pós-factual, hiper-emocional, assíncrona. Isto não é necessariamente mau: tanto podemos ser uma sociedade distópica governada por um algoritmo impiedoso como podemos fazer parte de uma comuna hippie global. Infelizmente, tenho cada vez menos paciência para hippies sem cérebro.

sexta-feira, junho 24, 2016

Isto não vai lá com paninhos quentes

A internet promove a troca de ideias e isso é uma clara vantagem para a humanidade. Infelizmente isto só é possível porque democratiza o discurso de todos, reduzindo-o a um pedaço de texto, preto, Arial, tamanho 14, umas centenas de caracteres e 8 segundos de atenção para cada pessoa.
Este jogo é complexo do ponto de vista de quem tem mais de 2 dedos de testa e sabe que estruturar uma ideia ou pensamento de modo a serem entendidas por todos é complexo e demorado. Já veicular ideias mal formadas é bastante mais simples.
Uma demonstração disto são os comentários online do Correio da manhã e o twitter do Trump.
Mesmo sabendo que isto é só um problema que me atormenta por achar que tenho uma moral de melhor qualidade do que o habitual e que no plano maior do universo, a humanidade está muito melhor assim, deixo aqui o meu apelo à sociedade para que promova o desenvolvimento de um código linguistico politicamente incorrecto progressista de esquerda, a unica forma de ideias racionais terem seguidores na internet.
Seguem alguns exemplos práticos:

"Não vacinar os meu putos? Havia de ser bonito, esses gajos do SNS arranjam tudo para não ir além das 35 horas semanais!"
"Tens de ver este video que o meu vizinho fez a expor a maneira como o estado usa o teu guito pra fazer estradas e hospitais. E ainda dizem que não há conspirações."
"Sair do Euro? isso é coisa de rotos."
"No outro dia vi uma gaja a passar com uma saia do tamanho de um cinto. Se não estivesse em cima do andaime, tinha-lhe mandado uma boca."
"Esses gajos do Correio de Manhã são uns meninos, na secção de comentários do Le Monde Diplomatique é que dizem as verdades."
"Um amigo meu no outro dia apanhou um taxista que foi o caminho todo a contar-lhe como foi bem tratado num centro de saude público. Aqueles gajos às vezes até acertam umas."
"Agora fazem as vontades todas aos putos, havia de ser como no meu tempo, no infantário subsidiado pela junta de freguesia quem mandava eram as educadoras."

terça-feira, junho 21, 2016

Os States lá longe

Felizmente, e não parecendo se derem ouvidos ao pessoal do PC, há uma moral de de esquerda de esguelha, socialmente progressista, que orienta Portugal silenciosamente. É isso que faz com que, por exemplo, não haja tempo de antena nos jornais e nos canais de televisão portugueses para o pessoal do PNR, que também tem direito ao seu ponto de vista. Olho daqui para os EUA e fico contente de sermos moralistas, é um descanso.

quinta-feira, junho 16, 2016

A alegoria da caverna com o dragão

Pessoas: o Game of Thrones são só sombras. Lá fora há um mundo de pessoas (eu) que se estão a cagar para histórias com dragões que duram séculos e onde (não sei porquê, toda a gente sabe tudo de antemão porque 1) está na net 2) é uma rotina conhecida) recorrentemente morrem (e ressuscitam) personagens badass. Ainda assim, não tenho nada contra esta bosta desta série, só estou cansado de tentar explicar que ver esta série não é obrigatório, ainda.
Bons tempos em que ver televisão era considerado alienante.

quarta-feira, junho 15, 2016

Não, espera, volta: Rui Sinel de Cordes e as redes sociais

Rais parta, não percebem que o rapaz é sensível?
O rapaz não pode sair das redes sociais, é necessário. Talvez ninguém esperasse que o rapaz se fartasse, pelos manifestos que faz cada vez que leva bordoada. O rapaz lá no fundo só quer ser compreendido e não ter de explicar, nestes manifestos cada vez mais extensos e explicativos, todas as piadas que faz. Claro que cada manifesto era uma chamada de atenção; primeiro a proverbial cabeça no forno, depois a overdose de comprimidos, mais à frente os pulsos cortados. Todos os manifestos gritavam "ajuda, por favor" e agora foi mesmo a sério. A esta hora o rapaz está trancado na garagem a queimar gasolina em vão.
Eu julgava que o rapaz ia estar cá para sempre, porque julgava que os manifestos eram mesmo manifestos. Pessoas com convicções remam contra a maré porque sabem que estão certas.
É por isso que precisamos, todos, de ter o rapaz de volta no Facebook. Por causa de convicções. As mesmas que muitas outras pessoas, mais obstinadas que o rapaz, teimam em não largar: homofobia, xenofobia, sexismo, racismo (e infelizmente, mau gosto, que a tal piada era fraquinha). Pessoas que encontram neste rapaz um ombro amigo, onde o humor se confunde com opinião. Precisamos do rapaz no facebook para poder encontrar as pessoas que têm estas opiniões.
O rapaz é um aqueles galos que mudam de cor com o tempo. Não diz nada que eu não esteja à espera, mas diz muito sobre as pessoas que gostam de ter um galo que muda de cor em casa.

quinta-feira, junho 09, 2016

Pessoas com tempo a mais: um estudo rápido

Tenho ouvido gente com tempo a mais. Têm ideias mas demoram muito a executá-la. A tal da obsessão com a produtividade é uma falácia: simplesmente não há nada que garanta que uma ideia precise de muita maturação para ser boa. Diz-se que Cossery escrevia uma linha por semana, tudo bem eu respeito na boa mesmo conheço gente assim e já lá estive um gajo estar em casa desempregado e com subsídio dá uma margem de manobra porreira e descobre-se que a má vida é boa dependendo de dias mas voltando de certeza que o tipo conseguia sentir-se bem usando o resto do tempo para o que lhe era mais importante -  fazer nada - o que é bastante meritório porque a mim fazer nada custa-me, e agora quando vejo o tempo que se perde com medo de arriscar ou na ilusão de que toda a gente está tão atento aos detalhes para notar essa tal maturação faz-me comichão. Arrisca. Rápido.

terça-feira, maio 31, 2016

O Gu-lag

Nas redes sociais, José Cid e Nuno Markl estão a ser fustigados, ameaçados, perseguidos, obrigados a pedir desculpas, por causa de uma entrevista feita há 6 anos, no canal Q.

Há seis anos, no canal Q. Eu insistiria nesta parte.

segunda-feira, maio 30, 2016

Devagar com o andor

Estive uma semana fora e não apanhei estas manifestações do pessoal dos colégios privados que querem continuar a ser financiados pelo estado, mantendo alunos que, por opção, querem que o estado pague a sua educação. Algumas notas sobre isto:

1. O nosso ensino público é bom.
Pude ver videos das manifs feitas pelo pessoal dos colégios e constatar a diferença: ninguém vindo de uma escola pública faria aquela figura porque sabia que levava na tromba. Amarelo? Mais beto não dá. Palavras de ordem? Onde é que andaram quando havia manifs a sério para tirar notas?
2. A Dupla-Tributação está entre nós.
Dupla tributação é um argumento fraquinho. Não me lembro de ser bem usado. Neste caso é bem mal usado. Vejam lá: "Eu já pago impostos, nao posso pagar o colégio do meu filho para ter acesso a ensino de qualidade.". Porque depois aparece um outro tipo, tipo eu (com filhos na escola pública, por exemplo) e diz "eu já pago impostos, os meus putos estão na escola pública, não posso pagar a minha pública e a tua privada", estão a ver como é fácil. Corolário do argumento da dupla-tributação: A única coisa que não pagas duas vezes é o sol, porque não pagaste uma primeira. (Atenção: Como não tenho filhos sequer, ainda acho isto mais parvo).

3. Os impostos são de todos. A gestão dos dinheiros públicos não funciona como um kickstarter. Eu não tenho poder de escolha sobre para onde vão os meus impostos. Para isso é que voto num programa de governo. Sim, sociologicamente era mais interessante. Mas duvido que fosse bonito de ser ver. Eu, por exemplo, nunca ia ajudar o funding do exercito, dos hospitais a sul de Benavente e dos transplantes de orgãos para pessoas com multas de transito por pagar.

4. Dependendo da ocasião, a esquerda portuguesa é mais neo-liberal do que a direita
Ver a esquerda em bloco defender que o mercado é que manda e ver a direita preocupada com os professores que perdem o seu emprego e a perda de qualidade de vida das pessoas implicadas é refrescante. Se ao menos houvesse memória para perceber como também é irónico.

5. Tudo acontece por um motivo
Portugal é um país pick-and-chose. Não interessa a ideologia, ela adapta-se caso a caso, conforme o que for preciso resolver. Vivemos numa espécie de ditadura regida pelo Paulo Coelho.

quinta-feira, maio 19, 2016

Malucos do Riso, Versão brasileira pós-Dilma


Um dia destes foi jantar uma amiga brasileira lá a casa. Em vez de lhe dar as boas noites, dei-lhe os pêsames.

terça-feira, maio 17, 2016

Na volta, este tipo escreve assim, com crowdsource. Não consigo notar a diferença.



Genética renovada precisa-se

Há coisas que não mudam, nomeadamente as pessoas com que esbarro na Cinemateca. Parece que não mudaram desde 98. Metade bebe copos na Bica. A outra metade no Damas. Se pensar que a cultura funciona como a genética, chego à conclusão que todos os filmes portugueses são filhos de primos direitos.

Descobri um filão

No facebook, os comentários dos fans às citações do Pedro Chagas Freitas dão-lhe uma continuidade inesperada. É uma espécie de cadáver esquisito com sentido. Tanto quanto é possível.

segunda-feira, maio 09, 2016

domingo, maio 01, 2016

Tipos de humor

Historicamente, tive uma dificuldade extrema de fazer conversa de circunstância com uma ex-patroa. E na altura não percebia porquê. Sempre que tentava fazer uma piada era levado a sério, sempre que falava a sério achava que estava a fazer uma piada. O mesmo acontecia no sentido oposto. Hoje vi que partilhou uma citação do Pedro Chagas Freitas. E como esperado, não foi no gozo.

domingo, abril 17, 2016

Este blog tem 10 anos.

10 anos. Não há nada que eu faça, tirando cortar as unhas dos pés e guardar as unhas em frascos, que tenha feito durante tanto tempo.
Da boa à má vida, do desemprego ao patronato. Assistiu à queda do Sócrates, do Passos, do Cavaco. E ainda vai assistir a mais umas coisas.
Amanhã: top 10 dos fenómenos a que este blog assistiu nos últimos 10 anos.

quinta-feira, abril 14, 2016

Estava aqui a ver


Trabalhar com os outros é o inferno. Toma-me o tempo todo, é cansativo, tudo tem de ser negociado todos os dias. Cansa-me.
Agora lembrei-me de outros tempos em que tinha de fazer o mesmo mas com gente burra.
E afinal isto é um descanso.

sexta-feira, abril 08, 2016

Ainda a gorda


Começo a gostar da gorda. A gorda, contra quem pouca gente se envergonha de ser sexista, baixo ou politicamente incorrecto, é uma artista. Os artistas, historicamente, são de polémicas. Se noutros tempos este campo pertencia aos iconoclastas, agora pode ser ocupado por qualquer um, desde que o faça na internet, onde há sempre muitas almas sensiveis dadas a fuzilamentos públicos. Uns fardos de palha colocados estrategicamente à volta das caixas de comentários servem de abrigo e ajudam a que isto aconteça.
A gorda é insultada. A gorda dá a cara por uma campanha. A gorda faz a campanha ser um sucesso. A gorda soma e segue. A gorda cumpre-se.

Um sinal dos tempos, como nota: Há muitos anos, num incêndio em toda a família sobreviveu por mero acaso, um amigo meu perdeu tudo o que tinha. Todo o apartamento ardeu. Sempre que me fala disto, a unica coisa que lamenta foi ter perdido as fotografias da família. Onde é que as pessoas guardam as fotos hoje, mesmo? Dica: não é no iPad da gorda.

#esefosseeu

Na mochila, levava:

As canetas.
Alguns lápis.
Um canivete.
Cadernos.
Cabos USB.
Dinheiro.
O portátil.
A máquina fotográfica.
Os documentos.
O telemóvel.
Uma garrafa de água.
Benurons.

A minha lista, reparei, não é muito diferente da lista da Joana Vasconcelos. É menos totó porque me prolongaria o conforto por mais do que 20 minutos. Não gosto de tricot mas gosto de desenhar. Ser obrigado a fugir do meu país só me obriga a deixar o que não preciso, não sou obrigado a deixar para trás o que sou, faço ou gosto e pode obrigar-me a deixar muito do que sou, faço ou gosto, mas não tudo. Também não gosto da Joana Vasconcelos e não a meteria na mochila. Mas com o que é que vocês sairiam de casa que coubesse numa mochila? Ética? Coisas que outras pessoas gostassem?


sexta-feira, março 18, 2016

O mais importante é o motivo

O que eu quero mesmo é fazer a um happening numa instalação de land art com um filme super 8 de litografia de uma serigrafia pontilhada de uma fotografia digital tirada a um timelapse do processo de construção de um filme em stop-motion em exposição prolongada de várias esculturas em materiais mistos cinéticas e interactivas com movimentos definidos pelas quantidades geolocalizadas de tweets com o hashtag #trump em tempo real, movidas sequencialmente por operadores de marionetas bunraku em resposta aos movimentos do publico numa sala toda pintada de branco, filmada noutro ponto do mundo, feitas a partir de fotocopias de espectogramas pintados a óleo tirados da visualização do som passado por um pedal de efeitos ligado a uma talkbox analógica de um sample re-masterizado de um album de eletrónica alemã dos anos 70 passado numa aparelhagem a válvulas com pré-amplificador passada para cassete distorcida manualmente, depois de ter passado por um gravador de oito pistas a partir do lado B de um vinil de 33 polegadas comprado aleatoriamente numa loja online por um bot anonimizado via Tor, tudo pago por crowd funding.

quinta-feira, março 10, 2016

Jamaica, Tokio e Europa: 3 canos, Cais do Sodré ao fundo

O Cais do Sodré vai deixar de ser o que era. Não vou levar isto pessoalmente apesar de tudo o que estas discotecas querem dizer. Vou antes explicar o que quer dizer o fim destes 3 sítios para Lisboa.
A perda do Jamaica é grave, mas somar-lhe a perda do Tokio e do Europa é declarar o fim da função reguladora do Cais do Sodré.
Ir ao Jamaica é voltar ao tempo das cavernas. Quase literalmente: Está sempre quente demais com luz de menos, e é sobrelotado por natureza. O suor escorre nas paredes. E entrar continua a ser um misto de golpe de sorte, encontrar par para tentar enganar o porteiro, e a sua boa vontade. Sem Jamaica estamos entregues à lei do mercado. Entrar no lux, por exemplo, é uma questao de dinheiro, a entrada compra-se. Entrar no Jamaica é lutar pela sobrevivência da espécie.
O Tokio era o "buffer" do Jamaica. Podem dizer que são iguais mas desenganem-se. O Tokio atende os rejeitados, os quarentões e todos aqueles que levam o Jamaica a sério e não conseguem lá entrar. Também é uma versão com menos suor e mais holofotes do Jamaica. É um paliativo.
Parecendo desconexo dos outros, o Europa é o destino de quem, continuamente, teve de confontrar-se com a realidade do mundo fora do binómio Jamaica/Tokio. Deep house e Drum&bass anacrónico às 7 da manhã não são uma opção, são mesmo um ultimo recurso. Toda a gente que está num after hours do Europa queria estar em casa a ouvir Jorge Palma.
Por isto, prevejo suicídios em massa, agitação social, terramotos e luto. Mas posso estar enganado.

PS. Acabar com estes e outros sítios - ouvi dizer que vai fechar o Estádio, o Ateneu e o Scandy - é acabar com o bas fond do centro de Lisboa e com o que ainda havia de genuino, os ultimos restos da noite (meio) indie. A próxima cena ainda vai ser beber copos nos bares africanos do Intendente. Aí a coisa ainda é brava.

terça-feira, março 08, 2016

Quero ser cliente

Quero dizer a alguém "olhe, essa fotografia tirada com o telemóvel, quero que tenha bom aspecto. Vá ao photoshop e faça a miuda loura em vez de morena e vire um pouco mais a cara para cá. E esse folheto, quero que tenha o dobro do texto, mas com o dobro do tamanho, mantendo o ar minimal nórdico que me disseram ser porreiro mas que não tenho ideia do que será. E quero isto em bilingue. E tudo em Times New Roman, mas que fique com um ar moderno. Se tiverem ainda tempo, isto é para entregar daqui a 30 minutos, ainda podem dar um jeito no texto para ser mais claro, ok? ". Mas não consigo.

Lisboa que amanhece


Na mesma semana, ouvi dizer que o Estádio, o Scandy, o Jamaica, o Tokio e o Europa vão fechar. No grande plano das coisas, não é importante. Tiveram o seu papel. Mas a acontecer, significa que praticamente todos os sítios onde cresci - ou não, é uma questão de ponto de vista - vão desaparecer. Sobra o Mahojng, que como ficou uma boa merda, ajuda a manter uma boa perspectiva sobre o assunto.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

O Cliente Português

Há que dizê-lo:
O cliente português é uma besta. É um burro.
O cliente português é naturalmente egocêntrico. Como todos os clientes portugueses de todas as nacionalidades.
O cliente português anda a brincar aos escritórios. Vibra quando compra clips, fotocopiadoras ou correntes de plástico vermelhas e brancas para impedir a passagem. O cliente português não tem noção.
O cliente português, habituado a um mundo pequeno e uniforme, espelho dele mesmo, assume a sua posição de cliente como um Gargantua que se senta à mesa.
O cliente português vê-se como um nobre. O mundo é seu.
O cliente português sabe que o tempo é igual para todos, mas o seu tempo pode ser preenchido de reuniões umas atrás das outras, quanto mais longas melhores e quanto menos decisivas melhor. Ai do cliente português que tenha de decidir algo numa reunião, fechando um ciclo que se quer aberto.
O cliente português não quer ser cliente: quer fazer parte da empresa.
O cliente português não quer ser cliente: quer ser um amigo.
O cliente português não quer ser cliente: quer ser ouvido.

O cliente português reclama em diferido. O cliente português acha que paga sempre a mais.

O cliente português é uma nódoa.
Todos somos clientes portugueses.




sexta-feira, fevereiro 12, 2016

A Galp

Só agora reparei nos mupis com o novo logotipo da Galp.
A Galp, pronta a avançar para novos mercados, avança a todo o vapor para a joalharia: o novo logo parece um daqueles berloques para pulseiras das betas. Mas como queriam apelar a outros mercados, transmuta-se em berliindes e em relva. No fim, parece um pechisbeque barato.
Terem convencido o cliente que aquilo tem alguma lógica deve ter sido um granda broche.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Vamos lá ver

Não me lixem com a conversa anti-GMO's. Se não papam a conversa de sites manhosos sobre refugiados, usem os mesmo critérios para as notícias sobre outros temas. Geneticamente modificado não é veneno, é comida. Se acham que daqui a 20 anos ainda vai andar tudo a comer truta selvagem, desenganem-se.
Agora ponho aqui aquele som do disco riscado e passo a dar-vos a conhecer alguns pontos interessantes de um pitch a que pude assistir o ano passado, de uma startup cheia de boas intenções:
Claramente, daqui a uns anos o planeta deixa de ser sustentável, se continuarmos a comer o que andamos a comer. Temos de mudar de dieta. Dizem vocês, "ah, isso sei eu, só ando a encher-me de chanfana e escabeche de frango" e que deviam comer outras coisas e mais frutinha. Esperem.
Ao que parece, a tal da comida biológica é pouco sustentável: na verdade ocupa terrenos bons com produções nada rentáveis. Ser vegetariano não-GMO também está fora de questão. Cada humano precisaria de 3 toneladas diárias de pistachio, nozes, alpiste, tofu e maçãs do tamanho de nozes para sobreviver, triste e cabisbaixo, - sim, que não comer bifes ia deixar tudo cabisbaixo - um cenário apócaliptico sem bomba H.
A solução apresentada pela startup, era simples, barata e eficaz: Insectos. Farinha de insectos. Google it.
Eu ouvi o pitch, percebi que o mundo tem de mudar rapidamente, saí e fui a correr comer um bitoque.

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Reunite

Uma doença típica dos humanos que se acham importantes - não vou dizer "tugas" porque posso confirmar que é um mal presente em todos - é a reunite. A reunite tem origem numa infância mal resolvida, dizem estudos feitos por.
Se o chefe precisa de marcar muitas reuniões onde aparentemente há pouco a decidir ou já está tudo decidido, dica: poupa tempo da tua vida, pede-lhe ajuda e opiniões diariamente. Mesmo que seja sobre a cor ou densidade do papel higienico, o número ideal dos agrafadores ou a melhor password para o wifi. Qualquer coisa serve, inventa. Tudo para que sinta que afinal querem jogar às escondidas, aos polícias e aos ladrões, à macaca, seja, com ele.
Nota: A Reunite é contagiosa da cabeça para os pés, seguindo a hierarquia da empresa. Na forma ascendente, somatiza.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Groupies são sempre groupies

Introdução: Fui a um concerto muito pequeno, agora dito intimista, do Sérgio Godinho. Este post é dedicado às groupies desse senhor. Pode ser trauteado fora de salas de espetáculo.

Alto lá, que vejo eu
A groupie nem bebeu
Está sóbria vejo bem
antes fosse, minha mãe
metam-lhe uma mordaça
ai o tempo não passa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Desengane-se quem vem
ouvir o Sérgio Godinho
vão ouvir cantar baixinho
o segredo já sabido
a zumbir-me no ouvido
"Sérgio faz-me um filho"

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Bebem-lhe cada palavra
vão sempre vê-lo ao Avante
40 anos vão-se num instante
Desafinando pela causa
as groupies na menopausa

A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala
A groupie não se cala
A groupie não se cala
incomoda toda a sala

Mandem-na calar
A groupie não se cala
meta-lhe uma mordaça
A groupie não se cala
cortem-lhe o pio
A groupie não se cala
Deitem-na ao rio
A groupie não se cala.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Não tenho tempo para nada

Há desvantagens em estar num trabalho que se gosta: Tirar a energia desse trabalho para outras coisas é muito mais difícil.
Noutros tempos, saía daquele trabalho de merda e tinha energia para tudo. Andava mais, postava mais, desenhava mais, fotografava mais mas também bebia muito mais e ressacava muito mais.
Agora isto corre tão bem que só queria ter tempo para me dedicar a mais alguma coisa.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

O monólito

Sim, o Expresso limpou a frase para ficar mais curta e legível - não é uma conspiração, é uma opção de estilo - do que "Nós podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, enfim, em que fosse fácil, com um discurso..." mas a frase foi dita pelo secretário geral do PC. Os alvos não são claros: na categoria de engraçadinho, ponho o Marcelo e o Tino de Rans, ex-aequo (Tino teve menos 30000 votos que o candidato do PC, o equivalente a 3 blocos de apartamentos em Benfica). Na categoria de engraçadinha, eu até acho que Maria de Belém, baixinha e com uma voz particular, se pode encaixar nela, mas dizem-me que afinal o alvo seria Marisa Matias, que teve o melhor resultado de sempre pelo BE.
Clama o facebook que é sexismo, mas isso parece-me acessório. Antes disso, há muito mau perder.
nota: De forma inédita, o PC conseguiu dizer que "os resultados ficaram aquém das expectativas", quebrando uma tradição que sigo desde que sou gente. O que de certa maneira, é o sinal do fim de uma era.


quinta-feira, janeiro 21, 2016

Custa muito?

- Este produto não tem qualquer defeito de fabrico, mas não estou satisfeito com ele. Quero devolvê-lo. Deixei passar algum tempo, mas só o abri e usei uma vez.
- Tem o cartão que usou para o pagar?
- Está aqui.
- Reembolsei-o agora, deve receber o valor na conta associada a esse cartão. Boa tarde.