quinta-feira, março 22, 2018

O mito da estupidez bondosa

Humanos que acreditam numa conspiração maquiavélica da industria farmaceutica mas não acreditam na conspiração maquiavélica dos homeopatas, hosteopatas, naturopatas, acupuntores e todo o pessoal do género - os piores são aqueles que dizem "mas também sou enfermeiro, as duas medicinas são compatíveis" -  a vossa confiança nestes profissionais é fascinante.
Nunca pensei viver tempo suficiente para voltar à idade média de forma voluntária, sempre achei que ia haver um cataclismo que nos obrigaria a isso.

sexta-feira, março 02, 2018

Se calhar não sou eu, mas

Ando um bocado cansado de ouvir os outros. Os outros são o inferno, como disse o outro num adágio conhecido. Já se sabe. Os outros andam a ver se me cansam, comportando-se da forma típica que as pessoas que não são eu se comportam. Têm demasiadas opiniões que não a minha, comportam-se de forma pouco minha, dizem-me coisas que eu não diria, pedem-me coisas que eu não pediria. Pior que tudo, os outros não só são muitos, são todos.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Não comam cápsulas de detergente, uma ode à Unilever

Não comam cápsulas de detergente
Não comam minha gente
Não comam cápsulas de detergente
Não bebam shots de diluente
Não façam sandes de Skip
Não lambam Cif do bidé
Não façam Nutella de 3 em 1
Não comam de pé
Não tomem abrilhantador Sun
Não emborquem Vim
Não comam cápsulas de detergente
Não encham até ao fim
Não comam minha gente
Não barrem torradas com Omo
Não comam cápsulas de detergente

De manhã

A parte boa de trabalhar uma manhã num café é que, além de me poder isolar para pensar noutras coisas, posso apanhar uma senhora que está há meia hora a contar tudo o que está mal no mundo e percebe-se que investe algum tempo a investigar isto, porque já passou por advogados, políticos, internet, os jovens, os impostos, o governo, a polícia, as drogas e diversos outros temas, tudo calibrado pelo Antigamente, essa bitola dourada que deve andar aí a ser partilhada num GoogleDocs entre taxistas, reformados e ressabiados.

quinta-feira, janeiro 04, 2018

Estava aqui a adiar o que tenho para fazer hoje

Lembrei-me de uma entrevista de trabalho numa agência de Lisboa, daquelas grandes e importantes, onde apanhei 2 labregos que, pelo jeito, tiveram um impacto positivo na minha vida: depois deste episódio, perdi a paciência para as agências de publicidade e fui para outras bandas. Dizia: deram-se ao trabalho de me chamar, de marcar uma entrevista no seu escritório artsy para apenas perder o meu e o seu tempo porque quiseram armar-se em espertos o tempo todo e fazer uma macacada de uma entrevista em que deviam ter acabado de fumar qualquer coisa e que me faz lembrar aquele silêncio incómodo de quando apanhei mais de 3 argumentistas na conversa a masturbarem as piadas uns dos outros e a exibir a sua inteligência muito bonita e luzidía mas claro fora-da-caixa também.
Pensando bem, não devem ter fumado nada. Era mesmo assim.

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Um 2018 analógico e sustentável

Isto da internet e de viver no futuro é tudo muito bonito até ao momento em que se percebe que os malditos humanos resistem a obedecer a uma app e que a entropia ganha a todas as outras leis, por mais taxas ou regras estas impliquem.
Ainda que não viajando muito, 2017 foi o ano em que nao usei Airbnb's. Diz que usar hoteis ou hostels é um pouco mais caro e tem menos mobiliário pseudo-hipster, mas tudo é o que esperamos. Não há quartos improvisados em vãos de escada e chego ao quarto com a cama feita. Além disso, pequeno almoço continental.
Também não usei Ubers. Depois de um episódio algo bizarro com a polícia, desisti. Resolvam-se. Se é legal, é legal. Se não é legal, não é legal. Usaria na mesma, como uso os chineses ilegais que toda a gente usa. Mas este rame-rame fez-me desistir.
Também deixei de fazer as compras de Natal online. As vantagens de viver numa cidade que em meia dúzia de anos se tornou uma capital europeia não podiam ser só as rendas para meter toda a gente a morar na margem sul ou o colapso da rede de transportes públicos. Finalmente, pode-se encontrar qualquer coisa à venda em Lisboa. Por isso passei a sentir-me estupido ao pedir para me entregarem uma torradeira vinda da Tailandia em 10 meios de transporte diferentes. Como o universo dá voltas, acabei por fazer as compras como faria em 1997: fui à Baixa.
Bom Natal e até para o ano. Depois explico como é impossível ter internet e um modo de vida sustentável ao mesmo tempo.

quarta-feira, dezembro 20, 2017

Processos deste ano

Keynotes com o Keynote, documentos com o Paper, filmes com o iMovie, notas com o Keep, calendário com o Google, email idem, conversas com o Slack, Whatsapp, Messenger, Gchat, sms's é raro, chamadas são mais, desenho com o Sketchbook Mobile, arquivos com GDrive, Dropbox, scans com Adobe Capture, animações com o Principle, maquetes com o Sketch, Twitter só para ler, blog posts via email.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

Taxismo, novamente

Na universidade, uma professora muito beta dizia que só andava de taxi porque conduzir transformava as pessoas para o pior. Dizia ela que, ao volante, as pessoas mais educadas que conhecia se tornavam em animais. O facebook (e afins) tem uma função semelhante, tornando qualquer incauto num taxista. Assim que têm acesso a uma caixa de comentários pública, não há nada a fazer. Há ali algo fatídico, não acontece com mais nenhuma caixa de texto, eu escrevo emails e pareço um tipo normal, escrevo num blog e tento parecer um tipo normal, mas escrevendo numa caixa de comentários, o vocabulário retrai-se, sai tudo ao lado, ainda aceito uma resposta mas retorquir à segunda já implica insultos no pior dos casos, ou no melhor, um link para um sítio qualquer na internet que me dê razão.

Para memória futura, o tema de hoje partiu do problema de haver gente que faz voluntariado/caridade e não é honesto.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

O café do monte vai fechar

Em tempos, tentei ganhar o hábito de ir ao Café do Monte. Agora vai fechar. Digo tentei porque era um gosto adquirido. Assim como se aprende a gostar de gin tónico, de cerveja stout, de dormir sobre pedra ao relento, ou a aguentar viver num mundo onde o Gustavo Santos tem seguidores, podia aprender a esperar 45 minutos por uma tosta. Rapidamente desisti de aprender. Mas as tostas eram boas.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Agora que já passou

Aquilo do web summit é simples. Imagine-se uma festa que se vai organizar e quer-se impressionar o patrão, ou uma festa onde se quer a miúda mais gira da escola ou uma para agradar ao senhor prior. O web summit é a junção das 3. Para garantir que toda a gente vem é preciso fazer muito barulho e oferecer tudo o que não é habitual oferecer. Quanto ao tal jantar no meio do panteão, claro que iria indignar muita gente. Tudo o que é postado nas redes sociais dá espaço a ofensas. Experimentem dizer que não gostam de gatos.

quinta-feira, novembro 02, 2017

Eu sei, estou velho

Queria ter tempo para investigar a origem da sacrossantidade da calçada portuguesa. A que encontro na rua a caminho de casa, não a dos turistas que gostam dela nem dos lisboetas que vivem em ruas planas, refiro-me a aquela que escorrega enquanto lá ando e que consegue manter toda a gente em alerta vermelho para não cair. Não sei porquê, este pavimento espetacular que consegue conjugar um aspecto esteticamente apelativo com a capacidade de fazer cair transeuntes indescriminadamente tem uma legião de apoiantes que o defende com unhas e dentes. Eu continuo à espera que tenham pena ao menos dos velhotes que (como eu) escorregam e malham brutalmente no pavimento, especialmente nestes dias de chuva.

terça-feira, outubro 31, 2017

O tal ordenado mínimo

Não tenho andado a ver televisão mas parece que é a discussão do dia. O tema do ordenado mínimo era uma discussão recorrente lá por casa enquanto puto que consumia política e notícias diariamente. Obviamente, ninguém devia ganhar uma miséria. Nem que para impedir tal coisa as empresas que o fizessem desaparecessem da face da terra. Salta para 2017 e o Prezado tem outra ideia sobre isto, vá-se lá saber porquê. Agora tenho de dar razão ao meu pai dia sim dia não, é uma chatice ele não estar cá para ver isto.

sexta-feira, outubro 27, 2017

Pessoas novas

Da mesma forma que nunca consegui explicar à minha avó que a televisão não vinha com 2 canais por defeito, também não consigo explicar a alguém que nasceu depois de 1995 que encontrar algo na internet não está dependente apenas do Google. Ou que há empresas que não têm site. Nem email.

quarta-feira, outubro 25, 2017

Blackout

Tenho chegado à conclusão que seguir as notícias já não me serve para nada. Só vi 10 minutos de notícias de incêndios na televisão e fiquei cansado. Não é que não tenha acompanhado o que aconteceu, mas a mesma informação sem o tratamento foi tão mais fácil de lidar. Sempre que vejo o fogo descrito por várias figuras de estilo fico mais burro.
Além do (mau) estilo, as notícias são demasiadas e na maior parte das vezes, informam-me de acontecimentos sobre os quais não tenho hipóteses de actuar - por isso é que toda a gente prefere aquelas do Correio da Manhã, acontecem mesmo aqui ao lado com o vizinho e se alguém souber que o vizinho anda a bater na mulher sempre pode evitá-lo, deixar de lhe dizer bom dia, chatear-se, qualquer coisa. Se forem modernos até podem fazer um jpeg complicado a explicar como o vizinho é a 3ª encarnação do Hitler a serviço da mafia anti-pinheiros e espalhá-lo no Facebook, ou fazer doxxing - e isso leva-me sempre à minha adolescência à sombra da guerra fria, lá em casa ter um pai militar que seguia as notícias religiosamente ajudava nisto e só depois percebi que nada muda, a-historia-é-um-pendulo, a historia-repete-se mas só se repete depois de repararmos que passámos por ela, futurismo é uma tanga por isso só vejo memes lol.

quinta-feira, outubro 19, 2017

Gentrificação em Lisboa

Um gajo escorrega na calcada e toda a gente à volta lhe pergunta se está bem em inglês.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Eu ainda sou do tempo

Se esta merda toda acontecesse nos tempos do Passos, eu ia exigir a cabeça dele e estaria a desenhar 14 tipos diferentes de bandejas para ter a certeza que ela era bem entregue.
Tenho de ao menos tentar ser consistente. Demite-se ou não?

sexta-feira, outubro 06, 2017

Estava na internet a ver umas porcarias

Lembrei-me que quando era pequeno, ensinavam-nos  na escola alguns factos de que eu desconfiava. O meu pai também me ensinava a desconfiar ainda mais, especialmente no que toca a verdades absolutas ditadas por alguém "A terra tem 2000 milhões de anos, dizem eles. Como é que podem saber? É uma estimativa. Não pode ter 2001 milhões de anos? E 2002?". E assim fui ficando mais desconfiado. O problema de abrir a internet e ver umas porcarias só pela piada é descobrir que há gente a desconfiar demasiado de factos que estão comprovados há séculos - aqui estou a pensar naqueles trolls da terra plana - e a querer descobrir uma alternativa à roda todos os dias.

quinta-feira, setembro 28, 2017

Eu até tenho amigos pretos

Pessoas que praticam actividades salutares como o golfe, a vela, o hipismo e as promovem naturalmente e com gosto, mas acrescentando no meio o reparo "ao contrário do que dizem, é bastante acessível, qualquer pessoa pode praticar".
É que nem por isso.

quarta-feira, agosto 30, 2017

A porra dos livros

As premissas: desenhar princesas e dragões para meninas e aventuras e ciência para meninos é parvo. Um autor - ou uma empresa - devem poder publicar o que entendem.

A história, vista daqui:
Primeiro acto: Diz-se que o livro das meninas toma-as por burras, baseado num jpeg com 2 páginas. As pessoas confundem tudo.
Segundo acto: O RAP faz uma análise cómica de 4 páginas do livro onde desmonta a ideia dos níveis de dificuldade diferentes. As pessoas confundem ter piada e ter razão.
Terceiro acto: Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género publica um parecer que tem muitos pontos. As pessoas não os lêem. As pessoas confundem um parecer com uma tentativa de censura.
Segunda parte do Terceito Acto: A Porto Editora retira os livros do mercado. As pessoas confundem isto com censura. Outras pessoas acham que não chega o livro sair do mercado.
Quarto acto: Prezado lê o parecer da comissão que sabe mais que ele sobre descriminação de género e as ultimas linhas são assim:

Eu sei que é pouco espetacular para um jpeg, mas é o que retiro de 5 dias de gritaria em todas as direcções no facebook (porque no mundo real ninguém debateu isto mais que 1 minuto).

domingo, agosto 20, 2017

Almoço de família

De uma vez descubro o que é o piewdipie, o d4rkframe, o despacito e a falta de paciência para youtubers.