terça-feira, outubro 08, 2019

Vai começar

Acabou-se o sossego nesta santa terra.
Um, apoiado pela CMTV e todos os programas da manhã que insistem em vender ideias feitas que soam a verdades. Outro, apoiado por trolls que consomem teorias vindas de uma terra que é suficientemente grande para ter gente que acha que as pessoas não precisam de se ajudar. Juntos, vão encher as redes sociais com clássicos pertencentes aos taxistas há muitos anos, como "isto nunca esteve tão mal", "a culpa é do monhé", "a preta tem é de ir para a terra dela" e afins. Vai ser complicado lidar com isto, mas vou ter de fazer online o mesmo que sempre fiz com os taxistas: ser paciente e perguntar com calma " mas por que é que acha que isso é verdade?"

terça-feira, setembro 17, 2019

Descanso

Só me restam 3 ou 4 embirrações de estimação para me explicar aqui no blog.
Acho que isto acontece porque estou cansado. Acho que tenho andado cansado nos últimos 10, 15 anos. Mas ultimamente tudo me cansa muito mais. Por exemplo, eleições.
Há uns anos tinha paciência para isto, até seguia as campanhas com vontade. Lia programas. Via os debates todos. E gozava o prato. Agora os jornalistas cansaram-me disto. Os politicos não, esses são sempre mais ou menos o mesmo. Mas os jornalistas já não conseguem só servir o público e ajudar a perceber melhor o que é os tais políticos, todos iguais, andam a servir. Agora acham que gozar o prato faz parte do papel deles e servem todos os discursos já gozados, já requentados, continuando a metáfora, numa mistela onde já não ninguém sabe nem quer saber qual era a receita original.

terça-feira, setembro 03, 2019

Há uns anos, votei

Votei Livre há uns anos.
Sem muita noção da bolha em que me encontrava, pensei que ia ser uma vitória histórica do progresso social e blá blá. No dia seguinte às eleições, via mais gente com a mesma incredulidade a comentar a derrota porque toda a gente que conheciam votava Livre também.
Este ano, o Livre apostou no mesmo nicho, mas com mais força. Como se o voto dos mesmos eleitores pudesse ter mais força, tanta que de um se farão dois.
Espero que aqueles cartazes sérios e aquele hino feito à medida de todas as pessoas que vivem entre os Anjos e a ZDB consigam angariar alguns votos extra.

segunda-feira, agosto 26, 2019

Ecologia homeopática, o futuro

Todos os telejornais, blogs, jornais e revistas de encher chouriço fazem artigos a ajudar-me a fazer a minha parte pelo ambiente: largar as palhinhas, usar menos guardanapos de papel e copos de plástico, a reciclagem nem se fala, tudo isto enquanto milhares de milhões de toneladas de carvão, gasolina, petróleo, gás, pneus, pneus, lixo e merda são queimados todos os dias, dia e noite, sem parar. Felizmente eu sei que só assim é que chegamos lá: cada um, individualmente, faz o que pode. Não se pode pedir mais.

quinta-feira, agosto 22, 2019

Eu tou bem

A amazónia à mercê das ONG'S, as casas de banho à mercê do Bloco, os camionistas à mercê de não sei bem quem (tentei perceber mas não muito), o telejornal da sic a fazer tempo com videos tirados do youtube, mas só naquela, há uma season nova de Mindhunter no Netflix.

quinta-feira, agosto 15, 2019

Projectos

Há uns anos, deve ter sido nos tempos da troika, propunham-me "projectos" regularmente. Havia sempre trabalho para fazer em projectos. Mas, preconceito meu, sempre que diziam "projectos", cá dentro ouvia "não temos dinheiro para te pagar", e por isso nunca entrei em nenhum projecto. Foi o mesmo que sempre fiz com as propostas de estágio. Às vezes pergunto-me se teria valido a pena embarcar num desses "projectos". Nunca mais ouvi falar de nenhum.

segunda-feira, agosto 12, 2019

Estava aqui a reparar, parte um

Acabo por fazer todos os posts muito parecidos, nestes final-days deste blog, já meio acabado, quando já é um género de Titanic depois de conhecer um determinado iceberg. A imagem parece não ser a melhor, mas só até enquanto não aparecem elipses em barda. Como naquela novela da TVI em que reparei que há uns cortes feitos com Arial em Paint a indicar os flashbacks. No fundo nada se passa, nada muda, os pobres casam com os ricos, as casas parecem sempre catálogos do mediamarket e da conforama, mas os flashbacks ajudam a encher chouriços com uma facilidade tremenda, são muitos e muito superficiais.

Um pouco como ter uma conversa ao jantar e começar a divagar sobre o jantar de há duas semanas, porque as entradas estavam mesmo boas, assim são os flashbacks da TVI. Quando o passado é o que se passou no feed de instagram há 3 semanas, talvez isto faça sentido.

Mas assim a historia não acaba, o flashback não se distingue do dia de hoje, deve ser quase um passatempo de quem escreve aquilo, ver até onde consegue esticar aqueles àpartes.
O iceberg já fez o seu trabalho, já está escrito o fim, mas vai-se metendo palha no meio, aprendi isto com um ilustrador, quaisquer 2 quadros definem uma acção, qualquer acção é possível de divider inserindo 1 ou mais quadros e assim sucessivamente até que, como na novela da TVI, se possa pensar que a história afinal não acaba com o barco ao fundo.

quarta-feira, julho 10, 2019

Comer com pauzinhos

Estou um bocado cansado do pessoal que anda aí a gozar com a miséria e a advogar que há que ter menos, que no geral, as pessoas têm de ter menos coisas, têm de consumir menos, têm de ter menos, têm de usar menos plásticos, têm de cortar na carne, têm de perceber os outros, têm muito de perceber os outros mesmo quando os outros não percebem nada, têm de fazer muita coisa só porque alguém tem de começar por algum lado e só porque toda a mudança começa em cada um e lembro-me sempre das putas das tampinhas para as cadeiras de rodas, uma inversão da hierarquia do esforço necessário para arranjar tampas e cadeiras de rodas (é só uma puta de uma cadeira de rodas simples, não é daquelas a sério), mais uma espécie malabarismo para os records do guiness combinando ora virtude, ora tampas ora copos ora palhinhas, ora escovas de dentes de bambu, tudo recolhido no fim, vagarosa e homepaticamente contribuindo para que o mundo fique melhor.

quarta-feira, abril 24, 2019

Aniversário

Este blog fez 13 anos há uns dias. Não é uma grande habilidade porque um acto de resistência não é uma virtude. Virtude poderia ser aqui ter comentado e documentado momentos únicos da história, eventos como a minha primeira viagem de comboio, a primeira vez que vi o mar, a invenção da internet, a longa saga dos tempos em que decidi deixar de meter açucar no café, o Passos Coelho e a busca do graal.
Agora tenho pena de não ter o espaço mental para avisar atempadamente toda a gente que ainda segue isto que está tudo bem, toda a gente vai morrer na mesma, mas que é preciso ter em atenção, sem nenhuma ordem de importância, a:

  • Aqueles chicos-espertos do Chega/Basta
  • Toda a gente que diz que é Liberal em vez de dizer que não quer saber de política
  • As pessoas que deixam a CMTV ligada nos cafés
  • A Ana Malhoa
  • O Twitter
  • Ao Marques Mendes
  • Pessoas que pedem gin
  • Todas as pessoas que se auto-intitulam investigadores mas que passam o dia em programas da manhã
  • O Youtube, CMTV aumentada
  • Realidade Virtual, que só existe para 16 pessoas
  • Os outros no Facebook
  • O preço do sushi
  • Comentadores de bola políticos
  • O uso de colheres de plástico

quarta-feira, março 27, 2019

O que eu queria era ser presidente da EMEL

O que eu queria era ser presidente da EMEL. Vi ontem na televisão. Pareceu-me fácil. É que eu tenho vergonha e ele não tinha, por isso queria, não quero. Quero aprender a fazer isso de não ter vergonha e aplicar no meu trabalho, que é melhor. Ao princípio um gajo até pode achar estranho, porque não foi criado por lobos, mas depois é confortável, não é bem mandar, é trabalhar à bolina, não interessa de onde o vento sopra, a direcção do cheque não falha, a rolha sobe, dois coelhos morrem por cajadada com garantia vitalícia.

terça-feira, março 26, 2019

Drafts

Tenho 30 drafts de posts. Vão desde análises profundas e importantes ao estado do universo até a problemas mais urgentes como a qualidade do pão lá no bairro. Não os acabo porque infelizmente estou em estado de alerta permanente e temo que uma das duas aconteça: não sejam bons que chegue para aparecer na Granta ou serem lenha para uma polémica online que me leve a ter de sair da internet e refugiar-me num sítio mais calmo, tipo o teletexto. Pensei que se escrevesse sobre escrever, teria hipóteses de chega à Granta.

segunda-feira, fevereiro 25, 2019

A televisão, 2019

O impacto da Cristina sair da TVI foi subestimado. Despoletou uma reacção cuja bola de neve está ainda no início da descida. A SIC mudou de escritório. A mesa da SIC está maior e tem mais curvas. Parece um ambientador. Quando apresentam infografias no telejornal, acrescentam-lhes efeitos sonoros. A TVI pinta as reportagens com photoshop, metendo layers de riscos e vidros partidos, tudo saido de um daqueles pacotes de texturas comprados na internet por 10 euros. As notícias têm musica de fundo. Ou será só um beat? A TVI faz um programa chamado Circulatura do Quadrado, quebrando a ultima barreira da quase-saudável auto-censura tuga que nos impede de cometer actos conscientemente maus. Temos HBO. O Correio da Manhã anda a vender-se como paladino da verdade e é tão verosímil como vender porno com um olho no pulitzer. Os programas reaccionários da manhã agora também são da noite. A Cristina também passa ao domingo. Até teria pena de quem não tem internet, se não conhecesse o youtube.

domingo, fevereiro 24, 2019

Já não tenho idade para isto

Quando o tempo útil das bandas esgota e continuam a recusar a morte, as bandas fazem albuns-de-merda. Os albuns-de-merda são  proclamados reinvenções, renovações, mudanças de paradigma. Uma tentativa de justificar o esgotamento do que tinham para dizer nos moldes em que se tornaram conhecidos. Exemplo: Os Arcade Fire cansaram-se de fazer o mesmo - até entendo, não podiam fazer aquele revivalismo mais tempo - e passaram a ser revivalistas dos ABBA. Mas quando estes albuns-de-merda começam a ser comemorados, é tempo de largar estas bandas. Uma banda tem um tempo útil (talvez os Depeche Mode sejam os únicos que resistem).

terça-feira, fevereiro 19, 2019

A era da excepção

Tenho saudades dos tempos de menino, como o outro. Nos tempos de menino, um canal único, com apenas umas horas diárias de emissão, passava notícias monolíticas sem contraditório, sem imagens e quase sem oráculos num tom monocórdico. Era a voz do regime. Embalava, como uma máquina de white noise. Preto e branco. Só tinha de me lembrar que tudo podia rebentar a qualquer momento e que nunca daria para perceber como tudo teria começado. A não ser que estivesse atento ao tal pendulo da história, diziam-me. Se bem que este, tão tosco e tao mal definido, nunca chegaria a passar 2 vezes pelo mesmo sítio.
Eram tempos simples.
Hoje em dia, deixei de ver as notícias, vejo apenas os comentários dos que confirmam o que já sei e a informação nova chateia-me. Não quero perder tempo a descortinar qual é a verdade sobre a Venezuela ou o Brasil porque não há como consegui-lo em tempo útil, e eu tenho pouca utilidade para o tempo que não passo a ver memes no telemóvel. Talvez fosse útil aprofundar melhor o meu conhecimento sobre o universo mas dizem-me que a Venezuela só é uma ditadura se fizermos uma excepção às regras das ditaduras, o Trump é um estratega genial se ignorarmos 90% do que diz, o PNR é um partido como os outros porque no papel diz que não é racista, Portugal precisa de partidos liberais porque são diferentes do resto e todas estas considerações que o meu cérebro recusa aceitar depois de ponderar meio segundo.
 

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

Scrolling down to oblivion

O spotify anda a enterrar os meus albuns favoritos no fundo de um longo scroll e a meter-lhes uma data bem perto do seu nome, de maneira a que não me escape que todos têm pelo menos 8 anos e que continuo a achar que são dos ultimos. Não posso fazer nada. Os Arcade Fire, por exemplo, deram uma de Cure e para não morrerem de velhos, suicidaram-se num album que parece de outra banda, que infelizmente é ABBA. Agarro-me ao que há, até ao dia em que me meterem os albuns debaixo de um "show more" ou finalmente, numa assinatura premium.

segunda-feira, janeiro 14, 2019

Experiência sensorial

Imagine-se uma colherada de um preparado que, antes sequer de ser provado, já cheira ligeiramente a lixo, de longe, mas que se ignora voluntariamente. Lixo doce. O gosto, que aos poucos se instala na boca mas que já habita o nariz e o céu da boca à conta do cheiro, oscila repetidamente entre algo doce e algo amargo, cruzando-se com as minhas memórias trocadas de cheiros doutros sítios, onde tanto me lembro do inclinar sobre um caixote do lixo cheio de cebolas no verão e o raspar de um grelhador com restos de carne carbonizada, tudo a repetir-se num movimento pendular em cima da minha lingua. Às vezes, parece que tenho borras de café na boca durante meio segundo. Mais uma volta e o sabor doce, parecido com banana, vem mais ao de cima, anulando um pouco o sabor a queimado e dando mais destaque ao sabor a cebola, ficando aos poucos um sabor até agradável, pode dizer-se bom, mas só enquanto não exalo o cheiro disto pelo nariz, que aviva o sabor inicial que já tinha esquecido, como quem aspira uma baforada de fumo de uma lixeira queimada a céu aberto. Também há uns tons de cheiro a presunto. O sabor é bom, parece durante um bocado. Mas assim que passa, fica só o cheiro a lixo. Isto não é uma metáfora.

sexta-feira, janeiro 04, 2019

Os programas da manhã não ficaram maus de repente

A vida da maior parte das pessoas que conheço é demasiado ocupada para perder tempo a ver os programas da manhã.
Para comprovar como os programas da manhã sã um ninho de reaccionários, basta fazerem como fiz há tempos: arrangem uma gripe e fiquem em casa deitados no sofá. Liguem a televisão e apreciem.
Entre os anuncios a mezinhas e panelas, à promoção de umas personagens sombrias, sempre autoritárias e muito zangadas com o mundo.
sempre licenciadas na escola da vida que placidamente vão debitando banalidades sempre violentas, sempre reaccionárias, sempre a promover a intolerância, o desrespeito aos direitos humanos, ao estado de direito, à lei. Aos apresentadores, cabe-lhes a rotina de abanar a cabeça ou um abanar de ombros em sinal de concordancia e pouco mais.
Se isto se passasse diariamente em prime time, acabavam em pouco tempo. Porque os elefantes que se passeiam no meio da sala durante a manhã, descansados da vida e que raramente são tema - também não é todos os dias que branqueiam nazis - seriam apreciados por toda a sociedade e não apenas por quem já foi engolido pela doutrina destes programas.


quarta-feira, janeiro 02, 2019

Primeiros dias

Tomaram banho no dia 1 de janeiro 45 pessoas na Nazaré, 36 na Foz do Arelho, 14 em Carcavelos.
O primeiro bebé de Volta, Oeiras e Idanha-a-nova nasceu com 4 kg e chama-se Gonçalo.
Morreram 13 pessoas nas estradas nacionais.
Já passou o ano na Nova Zelândia.
Comeram-se 16 toneladas de sonhos só na Estremadura.
As cadelas apressadas têm os filhos cegos.
16 emigrantes da Tornada voltaram para o Luxemburgo no mesmo autocarro.
O preço da farinha vai subir.
O paquete Funchal está no mar.
O Algarve e mais algumas regiões tiveram 100% de ocupação.
Os saldos começaram a 26.
Só tenho 2 riscos de bateria no telemóvel para o resto do ano.

quarta-feira, dezembro 26, 2018

A manif da semana passada

Na verdade a manif da semana passada foi muito mais fraquinha do que antecipava. Previ um pneu a arder e falhei. Ainda tive a ajuda dos telejornais do dia anterior e dos directos no próprio dia, mas ainda assim, nada. Eles bem fizeram uma pilha de pneus metafórica, mas ninguém a viu nem lhe pegou fogo. Felizmente há uma cultura política que ainda vem dos tempos da revolução e que deixa a imaginação do povinho um pouco condicionada: não há imaginação para ir para além da orientação dos subsídios do estado.

quinta-feira, dezembro 20, 2018

A manif de amanhã

Além de ser uma trampa de uma manif porque não é original e é só uma derivação, é uma trampa de uma manif visualmente. Está tudo errado e usar o paint só devia ser permitido depois de passarem por testes psicotécnicos. Digam o que disserem, uma manif do PC ou do Bloco é outro nível. Há pessoal com cabeça a fazer os posters - posso conceder que a nível de palavras de ordem, a coisa já foi muito melhor - e a qualidade nota-se. Nesta história dos coletes amarelos em Portugal, cada poster e meme que vejo, choro. Já nem vou para as palavras de ordem que claramente surgem da mente de seguranças, polícias, taxistas ou bombeiros. Podem ser os melhores a criar conspirações, mas são maus a escrevê-las. E parecem ser muito semelhantes às conspirações de outros países, mais derivações.
Se os memes manhosos no facebook funcionarem, amanha às 3 da tarde haverá um pneu de tractor a arder em frente à assembleia. No máximo.