quinta-feira, dezembro 10, 2020

Nada de novo

Parece-me que já só volto aqui para dizer o que não vale a pena dizer noutro lado porque rapidamente fico atascado de merda até aos joelhos com comentários em que não queria deixar-me ocupar nem meio segundo. É a puta do racismo outra vez.
Repito-me, e poucos irão acreditar, talvez daqui a uns anos isto seja matéria de lenda urbana, mas o tempo do racismo envergonhado existiu. Os taxistas, sempre os taxistas como barómetro do que é um português excepcionalmente médio, dentro do seu taxi, eram livres de auto-censura, o taxi um casulo inerte onde de um momento para o outro, todos passámos, no quentinho dos bancos de trás, a trocar bilhetes com todos os clientes do taxi feito autocarro, bilhetinhos com recados só para si, que é cá dos meus e sabe a verdade, não se deixa enganar facilmente, sobre os pretos que tanto ajudámos antes de termos de vir à força para a metrópole, Lourenço Marques era um sonho, tudo tinha uma ordem e todos sabiam o seu lugar, mas o 25 de Abril e o Soares, essa corja e tudo e tudo e tudo salazar salazar salazar e agora temos de ouvir estes dinossauros a abrir a boca como se ainda dissessem algo que alguém queira ouvir.

segunda-feira, outubro 12, 2020

A máquina da empatia

Daqui a 10 anos só haverá 2 grupos no facebook, os pró-crianças-com-cancro e os anti-pedófilos-canibais. A realidade não gera emoções suficientemente fortes para defender online.

sexta-feira, outubro 02, 2020

Coisas mais que lógicas que melhoram a vossa vida I

O último campo a ser preenchido num email é o destinatário.
Não questionem.
De nada.

quarta-feira, setembro 30, 2020

O tal debate

Quando se quer arrumar um bully, leva-se o bully a um debate?

segunda-feira, setembro 28, 2020

Descobrimentos

 Descobri que tenho um método de trabalho, chamo-lhe trabalhar de rajada. Pego em 12 tarefas diferentes ao mesmo tempo, entro num transe de stress e genialidade e muito muito lentamente, 12 diamantes emergem no dia em que ficou acordado terminar tudo. Depois fico duas semanas a procrastinar.

Passado um mês, descobre-se que os diamantes são ocos.

sexta-feira, setembro 25, 2020

Prós e Contras

 O problema do debate por cá é que não gostamos de debater. Por causa dessa falta de hábito, os argumentos são pouco honestos e rapidamente ambos os lados perdem a razão. Outro fenómeno mais dificil de reparar é que a representação dos extremos é muito desigual. Poderão achar "mas agora isto é tão politicamente correcto". Mas na verdade a sociedade portuguesa é muito politicamente incorrecta. Posso arriscar que é constantemente politicamente incorrecta e que de tempos a tempos, tem consciência do que seria uma resposta politicamente correcta, e mesmo quando tentam emendar a mão, falham. Basta olhar para os programas da manhã. Raramente promovem uma ideia progressista que seja. Por exemplo, vamos falar de Descobrimentos. Não há, em nenhum programa de tv generalista uma menção aos Descobrimentos que seja menos que a pintura de um passado glorioso. Se encontrarem algum programa da manhã a promover uma visão um poucou menos que positiva dos descobrimentos, mostrem-me isso. Gostava de ver.

Antes pelo contrário, o que encontramos na televisão generalista é uma visão que insiste em normalizar muitas atrocidades. O que sinto falta é de gente que represente o extremo oposto desta visão. Portanto, e inspirado num post deste blog que sigo há muito, deixo este exercício de tradução: um glossário a ser usado da próxima vez que alguém aborde o tema dos descobrimentos na televisão:

 Escravos = Reféns

Negreiros = Traficantes de pessoas

Amantes = vítimas de violação

Disciplinados = Torturados

Comércio de escravos = Rapto

E assim finalmente haveria uma voz politicamente correcta na televisão.

 

terça-feira, setembro 22, 2020

Acabem com essa mania ou ajudem a acaba-la

Lá fora é whataboutism, cá dentro ainda não tem um nome habitual. Pessoas: com o mal dos outros posso eu bem. Se há uma pessoa que propõe uma ideia de merda que alinha com a vossa visão do mundo e não têm como defende-la senão usando o mau exemplo de outros, o vosso argumento 3 inválido. Por exemplo: um grunho do PNR faz parte do Chega. O meu problema é com este tipo, não é com "os outros partidos que também têm x ou y". Se o capitão do vosso barco é bêbado e vai na direcção de um iceberg, vocês não ouvem o tipo que diz  que há mais capitães mais bêbados que o vosso, ou que noutra zona os icebergues ainda são maiores: vocês atiram o capitão borda fora. Se ele não for do PNR, podem só mete-lo no porão.

sábado, setembro 19, 2020

Dia de luxo

O melhor de trabalhar é ter um dia sem reuniões.

sexta-feira, setembro 18, 2020

O estado das redes sociais, 2020

Debaixo de Lisboa há uma cidade inteira, com habitantes, na maior parte civis, que fazem uma vida quase normal ( há de tudo, padarias, centros comerciais, estradas, pontes, muitas fábricas,  e até um aeroporto) tirando o facto que obedecem cegamente a um sósia do Ricardo Costa, irmão do primeiro ministro. Tudo o que é feito nessas fábricas é vendido nas lojas dos chineses e os lucros vão para a joacine Katar Moreira. Quem descobriu isto tudo foi um tipo do chega.
Nos últimos 20 anos de corridas de taxi semanais, ouvi muita coisa parecida com esta.
Em 2019, contaria esta história e o primeiro comentário seria "ontem apanhaste mais um taxista daqueles já a precisar de medicação?"
Em 2020, eu tenho de dizer que inventei esta história e mesmo assim podem pedir-me para provar que não é verdade.

terça-feira, setembro 15, 2020

Era um mundo novo

Olho para o Linkedin e vejo tudo o que não ando a fazer. Pergunto-me se ganharia alguma coisa em fazer tudo aquilo que devia, porque aí arranjaria outras coisas que deveria e que não andaria a fazer, de certeza. Cada vez mais percebo o meu irmão, que diz que não vê coisas novas para ter a certeza que não se deixa influenciar por elas. Para ele, tudo é descoberta.

segunda-feira, setembro 14, 2020

Ideologia

Há dias tive de explicar o que quer dizer "ideologia" a pessoas inteligentes. Ideologia é uma palavra neste momento carregada de radicalismo-de-esquerda. Assim como a palavra "radicalismo", uma palavra também carregada de esquerda. A extrema direita tem feito o seu trabalho de propaganda bem feito e tomou conta destes termos, dizendo deles o que Maomé não disse do toucinho. A ideologia da extrema direita portuguesa é clara, é ganhar a todo o custo trancando a sua ideologia da vista de toda a gente a 7 chaves e chamando-lhe senso comum. Mas lá por parecer comum não quer dizer que esteja certo.

sábado, setembro 12, 2020

Infelizmente

O Trump vai ganhar novamente, parece-me. Não vejo nada que indique o contrário. 
Vão ser mais quatro anos a pedalar para trás. 

sexta-feira, setembro 11, 2020

Idiotas

Até há alguns anos, a grande maioria dos idiotas eram ignorados. Havia gente que falava como um idiota, gente que se vestia como um idiota, gente com cara de idiota e gente que pensava como um idiota. Para o bem ou para o mal, aos restantes bastava sair à rua para serem catalogados como idiota só porque tinham escolhido usar um par de calças de bombazine amarelo mostarda um dia, serem estrábicos ou terem uma pronúncia diferente da de Lisboa. Muitos outros idiotas, entretidos nos seus pensamentos, escapavam a esta triagem a vida toda. E claro, os idiotas ricos, como sempre. 
Depois, surgiram as redes sociais.
As redes sociais meteram todos os idiotas, especialmente os mais calados, a ter uma voz igual à dos outros, até a dos idiotas ricos. Já não sendo possível fazer uso de preconceitos úteis - something something identity politics - perde-se muito tempo a confirmar se um idiota é mesmo idiota. E se isto era possível até há uns tempos, agora tornou-se impossível. Chegámos à era da idiotice estrutural. A sociedade está assente em vários pilares de idiotice que reforçam a desigualdade entre ideais bons e ideais idiotas e promovem a idiotice em larga escala ao longo do tempo. É altura de criar formas sistémicas de combater a idiotice, preservando o direito inalienável do indivíduo ser só meio parvo, desentendido, inocente, inculto, desinformado ou ignorante.

quarta-feira, setembro 09, 2020

As pessoas até são boas pessoas

Com os meus amigos queques mais queques, especialmente os mais velhos, evito muito falar de racismo. Eu sei que eles são boas pessoas. Mas têm um discurso brutalmente racista. Não é que sejam racistas. Eu sei que são boas pessoas. Mas o previlégio com que viveram não os deixa ver mais além. Foi uma vida inteira de acumulação de privilégio. Vai-se a ver, aquela treta muito bloco-de-esquerda da "micro-agressão" é real. Por exemplo, eu. Eu sou boa pessoa. Há bocado, ao falar daquela aventesma racista do Chaga a falar de ciganos, fui racista ao ser paternalista com os ciganos num todo, como se não se soubessem defender. No entanto, não senti uma urgência de votar no Chaga nesse momento. Pelo contrário, só deu para ver como essa besta se explora as emoções de pessoas que eu sei que são boas pessoas para ganhar votos.

sexta-feira, setembro 04, 2020

Costumo ver cenas

Manel abriu a porta de contraplacado de 3 polegadas e passo a passo dirigiu-se para o lado oposto da sala, em direcção à janela. Da sombra veio uma pergunta: 

- Achas que isto vai parar a algum lado?

- Tudo indica que vai ficar em aberto. Da maneira descomprometida com que a história abriu, sem grande profundidade e a perder tempo a explicar a consistencia de uma porta, já se está a ver que vou chegar à janela só para ver um cenário qualquer meio familiar, um canto de uma cidade à noite, iluminado de luz amarela, cheio de carros em cima do passeio e a cheirar a mijo.

- Tenho dúvidas. Vai ver.

Manel Atravessa a sala desarrumada já convencido que vai encontrar um cenário qualquer meio familiar, um canto de uma cidade à noite, iluminado de luz amarela, cheio de carros em cima do passeio e a cheirar a mijo.

- Maria, afinal vê-se o mar.

- Vês, é um twist que podia ser até meio poético, se estivesse bem escrito. Assim é só uma treta que podia aparecer num filme português.

quarta-feira, setembro 02, 2020

Ninguém nota, mas

Lá no trabalho quase toda a gente almoça ao meio dia e meio porque há uns anos não tinhamos paciência para ouvir um patrão e já estávamos a arranjar desculpas para sair para almoçar às onze e meia. O hábito instalou-se sem ninguém notar, deve ser assim com todos os vícios.
Durante a puta da quarentena isto perdeu-se, mas pelo menos passei a descansar religiosamente até às duas. Sinto falta dos tascos, aqueles minutos a descansar a beber a bica eram o sinal de que metade do dia já tinha ido.

O novo header e o Covid

  

Das melhores coisas que podiam ter acontecido, o Covid19 veio mesmo mudar o mundo. Os apressadinhos new-age, de bicos de pés, quiseram resolver o mundo ao fim de uma semana de quarentena. Só para se ter uma ideia, no meu caso, ao fim de uma semana de quarentena ainda fazia contas aos dias de exercicio que iria fazer por semana. Pouco tempo depois, não houve disciplina nenhuma que me valesse, morreu ao fim de 3 semanas, se tanto.
A minha vida ficou muito pior, mas não me posso queixar. Olhando para trás, devia ter escrito todos os dias aqui depois de sair para um café, nem que fosse apenas uma longa descrição das virtudes da bica de todos os cafés de arroios, pontuados de zero ao topo de uma grandeza absurda qualquer.
Ligando ao tema que me comprometi seguir no post anterior, isto tudo serviu para trazer à tona o pior que o mundo tinha e isso é francamente positivo. 


Entretanto fiz um novo header e um update em alguns detalhes do blog. Relembro que isto anda aqui desde 2006 e já teve pelo menos umas 6 ou 7 mudanças de visual. Esta versão serve para destacar a ideia inicial de quando comecei o blog: escrever histórias sobre objectos perdidos.

Sigam o Perdido pela Cidade, um blog que não acaba.