quarta-feira, outubro 06, 2021

Sinais contrários

O único poder de algumas pessoas é o de transformar todos os debates sérios em milhões de micro-discussões sobre todos os detalhes que neles podem ser contidos, destruindo todas as hipóteses de chegar perto de um consenso. Se hoje 1 tipo quisesse lançar uma bomba atómica no meio da baixa e ainda assim ter metade da opinião pública a favor da medida, bastava arranjar maneira que o cogumelo atómico explodisse em forma de coração ou arco-iris ou apenas dar-lhe um nome alternativo, algo entre nuvém-da-paz ou holograma-de-explosão-atómica. O debate duraria décadas.

segunda-feira, setembro 27, 2021

Eleições

Devagarinho, o partido que diz o que todos querem que seja verdade - aquele que pouco se distingue do que se ouve num tasco - vai-se instalando.  Porque o jornalismo de pacote confunde neutralidade com falta de espinha e está habituado a servir o poder. Hoje já li que o tal partido tinha perdido uma camara algures. Mas a camara não foi "perdida", nunca foi deles.

Aqui no bairro, a Guida perdeu, depois de aparecer num video muito manhoso - jornalismo de encomenda e sem etiqueta, mas realista, daquele com sumo, que as pessoas gostam - em que aparecia a mamar fruta à conta no mercado.

Se é para consumir jornalismo, escolham os extremos: ou reportagens de fundo que demoram meses, ou caça às bruxas de telemóvel na mão em live no whatsapp. Ficarem-se pelo telejornal só ajuda a entender que para lá da esquina da nossa rua há mais mundo, mas com a profundidade de um postal. Mas tem bons anúncios de hotéis.

sexta-feira, setembro 24, 2021

Os milagres


Gosto de milagres, especialmente os antigos. Os novos são muito complicados de provar porque há documentos a mais. O vulcão das Canárias, um milagre só por si, fez um milagre quando destruiu 200 casas mas falhou uma. A casa de Alberto P., conhecido na aldeia por "rouba-melões" desde miúdo, devedor de 20 meses de cotas do cluube recreativo, batoteiro na bisca e incapaz de oferecer um copo de água a alguém com sede.

quinta-feira, agosto 12, 2021

Mais descobertas a caminho

Eu percebo que quando um tipo pouco se lembra do que aprendeu na escola, no tempo em que aprender era memorizar para a frente e para trás, por ordem de tamanho, alfabética e onomatopeica listas de factos muito restritas, a história dos descobrimentos seja tão importante. O meu pai, com muita facilidade, debitava:
  • Nomes dos rios, onde nasciam e quais os afluentes principais,
  • Linhas de comboio
  • Dinastias, os seus reis e os seus cognomes
Tudo coisas que nunca teve a modéstia de admitir que só davam jeito para responder ao Quem Quer Ser Milionário sem ir ao Google ou como truque que impressiona pouca gente hoje em dia. Eu sei, como herdeiro de um décimo desses factoides, que sempre que uso um, fico mais quente cá dentro, mas nunca arranquei de ninguém um "sabes isso? és um génio" ou um "foda-se és um individuo muito culto, caramba". No máximo apanho um "foste ver isso ao google agora?" e é o máximo da satisfação que posso tirar desses factoides.

Só isto justfica a maneira como toda a gente se agarra aos sacrossantos Descobrimentos como se tivessem sido um milagre operado por santinhos e não um franchise global começado por uns tipos dispostos a tudo (está escrito), brutos como casas (está escrito) e com o senso antropológico de uma bigorna (Está escrito). Tenham calma, há pessoas a tentar falar de coisas sérias e ninguém deixa ouvir.

terça-feira, agosto 10, 2021

Comentários censurados, quem nunca?

 Destranquei os comentários no Blog, depois de ter encontrado uma secção "comentários por aprovar". Não aprovei todos nem me dei ao trabalho de aprovar mais de meia dúzia deles.  Parei em de 2020, eram muitos mais. Mais que isso é torturar-me, como abrir um chat de alguém com quem deixei de falar há 10 anos e tem lá uma mensagem pendurada. O passado é um país distante, os comentários antigos do blog pertencem a um tempo sem Covid, com copos com amigos, manteiga com sal, tascos sebosos abertos e idas ao Galeto improvisadas.

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