terça-feira, Julho 22, 2014

Ando a ler um livro que me está a influenciar nesta opinião, e não deixa de ter piada a sua origem

Os sindicatos dos professores são paranoicos. Paranoicos porque funcionam num modo emocional. Só emocional. A parte racional parou em 1982 e desde aí empregam o mesmo racional por defeito, e actualizam ( não muito ) a indignação paranoica. Lidar com sindicatos é coisa para psicólogos, não para políticos.

Amanhã actualizo isto, quando ( se ) perceber realmente - ninguém explica isto racionalmente - o que se está a passar.

segunda-feira, Julho 21, 2014

Hiper-relativismo absoluto

Guerra:
Estudos indicam que as crianças portuguesas dos anos 70 são hoje adultos incapazes de considerar qualquer tipo de movimento militar ou político ou qualquer tipo de acontecimento isolado como capaz de despoletar qualquer tipo de conflito global devido a exposição prolongada ao conceito a) de guerra fria. Estudos indicam que até ao rebentamento de um obus ( ainda há obuses? ) nos pasteis de belém, não há motivos para alterar qualquer tipo de rotina nem considerar nenhum tipo de cenário hipotético.
Num teste cego com historiadores, escritores advogados militares e políticos frente a vários cenários - Vasco granja, Vasco Gonçalves, Estaline, um cesto de vi-me e vários exemplos de capicuas num crisma ( os cenários foram escolhidos por cegos ) - revelou-se um consistente incapacidade de, apesar dos profundos conhecimentos na área, conseguirem demonstrar algum domínio em futurologia. 3 em cada Nuno Rogeiro culpam a volatilidade do pensamento humano por este facto.

terça-feira, Julho 15, 2014

Demasiada informação

Há uns anos, um amigo meu fartava-se de gozar com os designers do IADE. Especialmente as miudas. Chamava-as de meninas-do-Keith-Haring, porque era isso que eram. Hoje tenho de lhe dar razão porque realmente havia ali uma falta de substância - em vários pontos, começando pela idade, ninguém espera que estudantes universitários sejam espantosos em muitos aspectos, especialmente no que toca a experiência de vida - que era colmatada com esta apropriação de trabalho dos outros, como se seguir ou gostar de um artista, corrente ou ícone nos aproximasse das qualidades que julgamos inerentes a esse dito... espera há pessoas com mais de 30 anos que ainda acham que isso também funciona com estas e todas as outras coisas, tipo restaurantes, galerias de arte ou concertos e coiso mas não, gostar de Damien Hurst não me faz mais inteligente, nem mais próximo de atingir o que ele faz, só faz mais disponível a aprender mais umas coisas no fundo sou burro como sempre mas com mais referencial para provar que não sou burro e agora estava ali a ver uns designers a fazer mapas de tasks na parede com dezenas de post-its e a pensar que os métodos muito elaborados de trabalho são um pouco como gostar de Keith Haring.

Estudos indicam que 1 em cada 2 cadeiras não tem par

Cronologia de cafés lisboetas em linha evolutiva:

O café Vintage Indie: há 10 anos, já havia cafés vintage. Estes primeiros cafés lançaram o estilo de todos os que se seguiram: O estilo Sortido. Cadeiras, mesas, candeeiros, pratos, copos. Nenhum destes itens deve ser encontrado repetido dentro do mesmo sítio, todas as peças devem ter pelo menos 30 anos. A decoração vai desde raquetes de badmington a bidés e jogos da Majora. Estudos indicam que nesta fase, estes cafés eram originais.

O café Vintage Indie proliferou, ao ponto de qualquer pessoa poder entender e copiar o estilo e trazer elementos novos. Surge o estilo Sortido-Amelie:
O mesmo sortido de cadeiras e afins, mas com um só tipo de copos. Copos que não casam é coisa de malucos e davam ar de falta de concentração. A decoração é geralmente opressiva. Geralmente deixa-se o bar atolar de tralha tirada da feira da ladra, a escolha dos objectos aparentando ser arbitrária. Revertem em foto-ops para o instagram facilmente.

Aparecem depois os bares estilo Amelie-Bandwagon. O somatório de tudo o que foi feito até aí, mas já apropriado por qualquer pessoa destituida de cérebro e vontade. A decoração comporta tudo o que já foi referido, o que os distingue é o espaço onde se inserem, que geralmente está à beira do desmoronamento mas com intervenções pontuais, ora extemporaneas, ora simplesmente erradas. Estas podem ir desde as lampadas de halogénio aos plásticos a tapar o buraco no tecto.

Finalmente, surge o estilo Vintage Gourmet-Bandwagon. As cadeiras, pratos, copos e mesas obedecem a um manual corporativo, a decoração é feita de tralha escolhida a dedo por decoradoras, de modo a não ofender o gosto pré-adquirido dos clientes, passando obrigatoriamente por pelo menos um quadro de gis com lettering mais ou menos cuidado ( vide instagram ). É a versão comercial do Vintage. Distingue-se pelo cuidado especial ao menu, que vai mudando conforme o que estiver na moda - vide Gin e Hamburguers - na cabeça dos hipsters.

Nota do Prezado:  Os diferentes tipos de café vintage têm em comum a sua génese. São empresas familiares de novos-ricos. Isto é comprovado pelo atendimento, que é sempre o pior possível no que toca a eficácia. Estudos indicam que 95% das pessoas que pedem uma tosta ouvem do empregado um chorrilho de queixas sobre o tempo que a máquina leva a ligar e têm uma tosta mista ao fim de 45 minutos.

domingo, Julho 13, 2014

O Papa

Lembrei-me agora que esta semana vi o Papa a dizer que não ia rezar pela Argentina na final. Como muitas outras coisas que o Papa diz, Podia jurar que o disse como uma piada, juro que vi um micro-esgar de milisegundos, uma micro-pausa a esperar a resposta, a convidar ao escape do riso, uma culpa freudiana quase a rebentar.
Se dessem o público certo ao Papa, ele era um grande número de stand up. Era só à base de pausas certeiras.


terça-feira, Julho 08, 2014

Freelance ( em Portugal )

Consegui ser pago. Ao fim de mais de um ano.

O problema com o freelance não é "só em Portugal". Freelance é freelance, independentemente do país. É igual. Prazos, entregas, discussões, orçamentos, fugas ao orçamento, horários, emergências, isto tudo por um budget que pode começar por parecer ganancioso, passando a mais que justo, injusto e finalmente, grátis. Isto acontece em todo o lado. Mas também acontece haver outro tipo de freelances. Mas poucos.

"Só em Portugal", são duas coisas: não valorizar o trabalhos dos outros ( seja qual for ). Sermos poucos.