segunda-feira, novembro 13, 2017

Agora que já passou

Aquilo do web summit é simples. Imagine-se uma festa que se vai organizar e quer-se impressionar o patrão, ou uma festa onde se quer a miúda mais gira da escola ou uma para agradar ao senhor prior. O web summit é a junção das 3. Para garantir que toda a gente vem é preciso fazer muito barulho e oferecer tudo o que não é habitual oferecer. Quanto ao tal jantar no meio do panteão, claro que iria indignar muita gente. Tudo o que é postado nas redes sociais dá espaço a ofensas. Experimentem dizer que não gostam de gatos.

quinta-feira, novembro 02, 2017

Eu sei, estou velho

Queria ter tempo para investigar a origem da sacrossantidade da calçada portuguesa. A que encontro na rua a caminho de casa, não a dos turistas que gostam dela nem dos lisboetas que vivem em ruas planas, refiro-me a aquela que escorrega enquanto lá ando e que consegue manter toda a gente em alerta vermelho para não cair. Não sei porquê, este pavimento espetacular que consegue conjugar um aspecto esteticamente apelativo com a capacidade de fazer cair transeuntes indescriminadamente tem uma legião de apoiantes que o defende com unhas e dentes. Eu continuo à espera que tenham pena ao menos dos velhotes que (como eu) escorregam e malham brutalmente no pavimento, especialmente nestes dias de chuva.

terça-feira, outubro 31, 2017

O tal ordenado mínimo

Não tenho andado a ver televisão mas parece que é a discussão do dia. O tema do ordenado mínimo era uma discussão recorrente lá por casa enquanto puto que consumia política e notícias diariamente. Obviamente, ninguém devia ganhar uma miséria. Nem que para impedir tal coisa as empresas que o fizessem desaparecessem da face da terra. Salta para 2017 e o Prezado tem outra ideia sobre isto, vá-se lá saber porquê. Agora tenho de dar razão ao meu pai dia sim dia não, é uma chatice ele não estar cá para ver isto.

sexta-feira, outubro 27, 2017

Pessoas novas

Da mesma forma que nunca consegui explicar à minha avó que a televisão não vinha com 2 canais por defeito, também não consigo explicar a alguém que nasceu depois de 1995 que encontrar algo na internet não está dependente apenas do Google. Ou que há empresas que não têm site. Nem email.

quarta-feira, outubro 25, 2017

Blackout

Tenho chegado à conclusão que seguir as notícias já não me serve para nada. Só vi 10 minutos de notícias de incêndios na televisão e fiquei cansado. Não é que não tenha acompanhado o que aconteceu, mas a mesma informação sem o tratamento foi tão mais fácil de lidar. Sempre que vejo o fogo descrito por várias figuras de estilo fico mais burro.
Além do (mau) estilo, as notícias são demasiadas e na maior parte das vezes, informam-me de acontecimentos sobre os quais não tenho hipóteses de actuar - por isso é que toda a gente prefere aquelas do Correio da Manhã, acontecem mesmo aqui ao lado com o vizinho e se alguém souber que o vizinho anda a bater na mulher sempre pode evitá-lo, deixar de lhe dizer bom dia, chatear-se, qualquer coisa. Se forem modernos até podem fazer um jpeg complicado a explicar como o vizinho é a 3ª encarnação do Hitler a serviço da mafia anti-pinheiros e espalhá-lo no Facebook, ou fazer doxxing - e isso leva-me sempre à minha adolescência à sombra da guerra fria, lá em casa ter um pai militar que seguia as notícias religiosamente ajudava nisto e só depois percebi que nada muda, a-historia-é-um-pendulo, a historia-repete-se mas só se repete depois de repararmos que passámos por ela, futurismo é uma tanga por isso só vejo memes lol.