quinta-feira, setembro 03, 2015

Sobre aquela imagem de hoje

É fácil criar histórias fáceis com imagens fáceis.
Uma história fácil é aquela que é construida sempre que há um bombardeamento ou um terramoto algures: Um fotógrafo pró-activo pega num peluche ou uma boneca que leva num saco, enche-o de pó, coloca-o numas ruinas, estuda a composição e está feito. Essa foto vai chegar às páginas de um jornal, e cada jornal terá a sua versão desta foto. A mensagem daquela foto perdeu-se por vulgarização, e entretanto cristalizou como formato. Deixou de ser um conceito e passou a ser um género. É só um género de foto, agora: a versão fotográfica do "menino chorando", o pathos-pop, pornografia para jornais. Já não choca porque é uma repetição, da exposição e do apelo.
Hoje apareceu aquela imagem daquela praia. Irá acontecer-lhe o mesmo.

segunda-feira, agosto 31, 2015

Lisboa como Bruxelas


Istanbul revelou-se o ponto de viragem nas minhas viagens. Até agora tenho ido sempre para destinos pelo menos tão cosmopolitas como Lisboa.
Por exemplo, no que toca a transito, fiquei a perceber que Lisboa parece Bruxelas: Em Lisboa os semáforos têm valor, os sentidos proibidos também e andar em contramão ainda é mal visto.
Entretanto, pode ser ressaca da viagem ainda, mas parece-me que Istanbul serviu de droga de entrada para experimentar viagens fora do conforto da Europa e do norte da América, o que até agora evitava.

quinta-feira, agosto 27, 2015

De volta a Lisboa

Nem uma semana e tinha saudades de bitoques.

terça-feira, agosto 18, 2015

A emissão segue

dentro do Médio Oriente.

segunda-feira, agosto 17, 2015

Metáfora para 2 jantares

Hoje saí de casa mais cedo. Quando passava ao pé da paragem de autocarro, cruzei-me com um velhote, de bengala.
Quando reparei que coxeava, chorei.
Quando vi a tristeza nos seus olhos, chorei.
Quando vi a bengala, lembrei-me das árvores na amazónia arrancadas à mãe terra cedo demais, todas as árvores morrem de pé mas cedo demais, todas as árvores que morrem são árvores demais a morrer, as árvores que ficam sozinhas mais depressa morrem, uma árvore não são árvores, uma lei nunca é de ferro. Um pau não faz uma floresta. Deus não perde um palito de vista. As árvores não deviam ver outra árvore morrer, lembrei-me disto e chorei.
Quando o velhote me viu a chorar, chorou comigo.
As lágrimas fizeram a bengala numa árvore. Novamente, uma árvore novamente. Enquanto chorava, a árvore caiu e matou o velhote.
As árvores não choram.