quinta-feira, agosto 15, 2019

Projectos

Há uns anos, deve ter sido nos tempos da troika, propunham-me "projectos" regularmente. Havia sempre trabalho para fazer em projectos. Mas, preconceito meu, sempre que diziam "projectos", cá dentro ouvia "não temos dinheiro para te pagar", e por isso nunca entrei em nenhum projecto. Foi o mesmo que sempre fiz com as propostas de estágio. Às vezes pergunto-me se teria valido a pena embarcar num desses "projectos". Nunca mais ouvi falar de nenhum.

segunda-feira, agosto 12, 2019

Estava aqui a reparar, parte um

Acabo por fazer todos os posts muito parecidos, nestes final-days deste blog, já meio acabado, quando já é um género de Titanic depois de conhecer um determinado iceberg. A imagem parece não ser a melhor, mas só até enquanto não aparecem elipses em barda. Como naquela novela da TVI em que reparei que há uns cortes feitos com Arial em Paint a indicar os flashbacks. No fundo nada se passa, nada muda, os pobres casam com os ricos, as casas parecem sempre catálogos do mediamarket e da conforama, mas os flashbacks ajudam a encher chouriços com uma facilidade tremenda, são muitos e muito superficiais.

Um pouco como ter uma conversa ao jantar e começar a divagar sobre o jantar de há duas semanas, porque as entradas estavam mesmo boas, assim são os flashbacks da TVI. Quando o passado é o que se passou no feed de instagram há 3 semanas, talvez isto faça sentido.

Mas assim a historia não acaba, o flashback não se distingue do dia de hoje, deve ser quase um passatempo de quem escreve aquilo, ver até onde consegue esticar aqueles àpartes.
O iceberg já fez o seu trabalho, já está escrito o fim, mas vai-se metendo palha no meio, aprendi isto com um ilustrador, quaisquer 2 quadros definem uma acção, qualquer acção é possível de divider inserindo 1 ou mais quadros e assim sucessivamente até que, como na novela da TVI, se possa pensar que a história afinal não acaba com o barco ao fundo.

quarta-feira, julho 10, 2019

Comer com pauzinhos

Estou um bocado cansado do pessoal que anda aí a gozar com a miséria e a advogar que há que ter menos, que no geral, as pessoas têm de ter menos coisas, têm de consumir menos, têm de ter menos, têm de usar menos plásticos, têm de cortar na carne, têm de perceber os outros, têm muito de perceber os outros mesmo quando os outros não percebem nada, têm de fazer muita coisa só porque alguém tem de começar por algum lado e só porque toda a mudança começa em cada um e lembro-me sempre das putas das tampinhas para as cadeiras de rodas, uma inversão da hierarquia do esforço necessário para arranjar tampas e cadeiras de rodas (é só uma puta de uma cadeira de rodas simples, não é daquelas a sério), mais uma espécie malabarismo para os records do guiness combinando ora virtude, ora tampas ora copos ora palhinhas, ora escovas de dentes de bambu, tudo recolhido no fim, vagarosa e homepaticamente contribuindo para que o mundo fique melhor.

quarta-feira, abril 24, 2019

Aniversário

Este blog fez 13 anos há uns dias. Não é uma grande habilidade porque um acto de resistência não é uma virtude. Virtude poderia ser aqui ter comentado e documentado momentos únicos da história, eventos como a minha primeira viagem de comboio, a primeira vez que vi o mar, a invenção da internet, a longa saga dos tempos em que decidi deixar de meter açucar no café, o Passos Coelho e a busca do graal.
Agora tenho pena de não ter o espaço mental para avisar atempadamente toda a gente que ainda segue isto que está tudo bem, toda a gente vai morrer na mesma, mas que é preciso ter em atenção, sem nenhuma ordem de importância, a:

  • Aqueles chicos-espertos do Chega/Basta
  • Toda a gente que diz que é Liberal em vez de dizer que não quer saber de política
  • As pessoas que deixam a CMTV ligada nos cafés
  • A Ana Malhoa
  • O Twitter
  • Ao Marques Mendes
  • Pessoas que pedem gin
  • Todas as pessoas que se auto-intitulam investigadores mas que passam o dia em programas da manhã
  • O Youtube, CMTV aumentada
  • Realidade Virtual, que só existe para 16 pessoas
  • Os outros no Facebook
  • O preço do sushi
  • Comentadores de bola políticos
  • O uso de colheres de plástico

quarta-feira, março 27, 2019

O que eu queria era ser presidente da EMEL

O que eu queria era ser presidente da EMEL. Vi ontem na televisão. Pareceu-me fácil. É que eu tenho vergonha e ele não tinha, por isso queria, não quero. Quero aprender a fazer isso de não ter vergonha e aplicar no meu trabalho, que é melhor. Ao princípio um gajo até pode achar estranho, porque não foi criado por lobos, mas depois é confortável, não é bem mandar, é trabalhar à bolina, não interessa de onde o vento sopra, a direcção do cheque não falha, a rolha sobe, dois coelhos morrem por cajadada com garantia vitalícia.