sexta-feira, dezembro 13, 2019

Não ha formatos novos e eu preciso de um

Acho que não sou só eu que gostaria de ouvir um programa de radio comentando ao vivo um video da leitura de uma peça de Shakespeare pelo vencedor de um corrida de cavalos contado por uma celebridade portuguesa escolhida numa votação online.

quarta-feira, dezembro 11, 2019

O taxismo explicado por pontos

No outro dia tive de puxar pelos galões de profissional do taxi (do ponto de vista do utilizador), usando todos os ensinamentos que recolhi em muitos anos.
Um dos métodos básicos de criar empatia com um taxista é, como são naturalmente bélicos (estão ao volante de um carro pelo menos 8 horas por dia e habitualmente com poucas horas de sono), arranjar um inimigo comum e muito grande, geralmente "o sistema". Para provar que não estou só um gajo com a mania, pelo meio digo qualquer coisa como "pode ir por aqui, apanhamos a António Augusto de Aguiar e depois podemos dar lá a volta para ir às Picoas". Para um taxista, ver que alguém sabe o nome de uma rua ou outra é prova que sabemos sobre tudo. Feito isto, a semente da indignação justificada começa a germinar.
Estabelecido que estamos do mesmo lado da barricada, podemos então distinguir-nos dos Outros. O taxista começará, mais cedo ou mais tarde, esta narrativa famosa:
"Sabe, há colegas meus que fazem X. Eu não. Amigo, aqui entre nós, eu até podia fazer, mas sou mais sério que isso."
Concordo com a necessidade de gente séria "nesta altura" e continuo a conversa.  Mais à frente na conversa, tiro-lhe o tapete debaixo dos pés devagar. "Ah, mas no que toca a Y, toda a gente faz isso."
O taxista sério deixa de o ser, e eu vou o resto do caminho a vender a ideia que nem fazer X nem Y deve ser olhado com bons olhos. 
Se isto correr bem, não me deixam sair do taxi sem acabar a conversa.
Quando vejo pessoal da minha família que sei que já dependeu do estado para tudo, desde subsídio de desemprego a apoios para abrir empresas, a alinhar com a ideia que "os outros" é que são dependentes de subsídios porque são preguiçosos, sem conseguir entender que, mais cedo ou mais tarde, serão "os outros" de alguma conversa de taxista, fico preocupado:
Nem eu nem ninguém que tente entender a origem destas narrativas tem a paciência de ter uma conversa séria com taxistas e com os seus primos. E há gente que se abusa disto apenas para seu proveito.

sábado, dezembro 07, 2019

Polígrafo, olha isto

40000 peluches são atirados para o ringue, lá dizia o oráculo ontem no telejornal.
Eu sei que os jornalistas não podem explicar tudo com tempo, mas prometerem 40000 peluches e não haver uma imagem em que apareçam mais de 2000 de uma vez é fraude. Isto deixa-me doido, como é que a miudagem vai ter uma noção real do que sao 40000 peluches? 

quinta-feira, dezembro 05, 2019

2020

Estou tão queimado com candidaturas que quando penso no próximo ano, leio vinte-vinte.

quinta-feira, novembro 28, 2019

A relativização ali ao lado

A Joacine despertou o tal debate que nunca foi público por cá: o racismo estrutural existe, mesmo que a palavra "estrutural" não seja muito boa a fazer a vez de "desde sempre e até hoje". Infelizmente o ruído à volta do debate é tanto que é complicado manter isto num nível só. Parece que há que partir isto em dois debates distintos, um mais imediato, onde se desmontam as coisas que não existem senão em conversas de café, o preto preguiçoso ou o preto que volta para a sua terra, e outro abaixo deste, onde se percebem as origens desta conversa de café. Até lá, continuaremos a ter até cerca de 10 níveis de debate, dependendo da vontade de esmiuçar a vida da Joacine, se mete açúcar no café, se é gaga de proposito, o que realmente disse até hoje, se é realmente de esquerda ou se tem ascendente em Sagitário.