quarta-feira, Agosto 20, 2014

Nada de novo

Passam-se os dias a subir e descer escadas e escarpas onde não há escadas, comem-se gelados e comparam-se níveis de queimadura solar. Encho o bandulho de gelados. Faço o possível para ter uma cama ao lado da mesa do almoço, dispenso a powernap mas aprovo a sesta depois de almoço. No Algarve não se passa nada, os camones validam todo o tipo de actividades portuguesas como sempre, especialmente aquelas que poucos portugueses praticam, paellas touradas e passeios de barco, sardinhas a 10 euros, mackerel e chourizo. Há mais pubs britanicos em Albufeira que em Lisboa, os putos alemães atiram-se de 15 metros para a água como quem come um prego. Os Algarvios não dizem nada de novo, já sabem o que vem a seguir, 9 meses de marasmo a bolos de alfarroba e medronho. Não se aprende nada.

segunda-feira, Agosto 18, 2014

Cascais no Algarve

Os maior perigo daqueles posts com títulos como "os 10 melhores sítios na costa vicentina" é que vão parar ao desktop de um beto. Os betos propagam-se como gafanhotos, tanto em termos bíblicos como em termos de descendência, e usam isso para ocupar terras inteiras.
Aconteceu aqui ao pé. Se em Lisboa os betos são atraídos por pastelarias caras e pelo santinni, no Algarve são atraídos pelo marisco e pelos restaurantes decentes. Como no Algarve há poucos, ao chegarmos a um restaurante minimamente decente, ele já estará a ser dizimado por betos. Armados de pólos às cores e pérolas nas orelhas, devoram tudo. Depois, fazem ninho. As proles, pequenos betos alvos e aprumadinhos pululam por todo o lado às dezenas. Ocupam parques de estacionamento, tratam-se por você, chamam-se Caetano e Constança. Uma praga.

sábado, Agosto 16, 2014

Mudanças

Próximos tempos, as emissões continuam do Algarve. Esperam-se posts sobre esplanadas mal servidas, praias com musica de fundo, praias ao longe com musica de fundo, pessoas que ainda não têm tatuagens e técnicas de estacionamento avançadas. Nada de novo, e é assim que se querem as férias: nada de novo.

quinta-feira, Agosto 07, 2014

a sharktankização

Quando era puto, as notícias sobre economia eram uma nota no fim do telejornal. Abrir noticiários a falar de bancos e taxas de juro era muito improvável. Passados 20 anos, o telejornal só fala de economia e daquele tipo em Cinfães que tem uma couve com 2 metros de altura. As mentalidades vão mudando, aos poucos, com o tempo.
Quando era puto, não havia empreendedores. Passados estes anos, estão em todo o lado. E o tipo da couve de 2 metros agora vê o Shark Tank e acha que vai poder pedir uma patente sobre o uso da couve e licenciar fotos da couve a 3ºs, recebendo royalties mas oferencendo 5% do revenue gerado por estes, depois de conseguir um bom canal de distribuição e investir 200K em televendas.
Daqui a 20 anos,  já ninguém dirá nada sobre isto.

sábado, Agosto 02, 2014

A Torremolinização de Lisboa

A mecanica é simples: uma cidade tem algo com especial interesse para visitar. Facilitam-se as formas de a visitar. Criam-se estruturas para apoiar quem a visita. Ignora-se tudo o resto.

Passados uns anos, temos Torremolinos.

Lisboa está a caminho da sua torremolinização. A Baixa está quase, o Bairro também, a Bica pouco falta, Alfama para lá caminha. Hostels, hoteis, Airbnb's, lojas, cafés, os negócios vintage-fáceis estão a tomar conta destas zonas e quem ainda lá vive, já deixou de viver num bairro há muito.

Aqui ao pé de Lisboa, em Óbidos, está a acontecer o mesmo. Não é pior porque Óbidos não é tão espetacular para viver como Lisboa. É frio e não se pode estacionar o carro à porta de casa. Mas enche-se de lojas, de ginja, de restaurantes e habitantes, só velhos, são cada vez menos. Até que aquilo, um dia destes, é só um centro comercial a céu aberto. É uma vila na mesma, então?