quinta-feira, outubro 30, 2014

A Terceira Vaga

O empreendedorismo que tanto odiava e que agora me alimenta todos os dias, mudou. Bom, na verdade está na mesma, simplesmente já lhe consigo ver as nuances. Passou a ter uma corrente mainstream. O ciclo temporal que define quão cool uma coisa é está a aproximar-se do fim ( sim, empreendedorismo pode ser cool ). Este fenómeno observa-se em tudo, desde a publicidade ou a plantação de oregãos, até à industria de congelados da Póvoa do Varzim. Os Early Adopters já sairam do jogo, uma segunda geração já vinga, a terceira limita-se a macaquear as soluções que já viu que resultavam. O jargão mantém-se, a postura muda. A publicidade passa por isto. Claro que há sempre pioneiros a mudar o mercado neste momento, numa cave algures, mas esses só serão reconhecidos passados uns anos. Parte desta nova vaga de empreendedorismo ( eu estou nela, mas sou diferente, claro ) é só uma bandwagon. Pegam em modelos de negócio bem conhecidos ( exemplo: um restaurante, venda de serviços ) e dao-lhe uma pincelada de inovação, e isso aparentemente chega. Mas não chega. Por isso é que já estou cheio da porra dos restaurantes da treta, das "novas soluções com um toque de tradicional" e essa bacocada toda. Façam coisas novas. Parem de tentar inventar novos pasteis de nata. Parem de fazer coisas com hamburgers. Parem de meter cadeiras de cores diferentes nos cafés, não pintar o tecto sequer e ainda assim cobrar 2 euros por um café. Façam-me perceber porque é que hei-de pagar mais só porque são iguais a mais 30 cafés na mesma zona. Parem de empregar primas betas que demoram 20 minutos para fazer um café. Parem de me foder a cidade. Morram longe.

9 comentários:

Hathor disse...

hahahahahah
O que eu me ri com este texto.
Não é a primeira vez que te leio mas a primeira que te comento. FOI BRILHANTE, é exactamente o que sinto cada vez que volto a Portugal de férias e os meus amigos me querem levar a X ou Y porque é isto ou aquilo e eu quero mesmo é ser bem servida e não bem vista.
E sim em 6 anos fora.... pouco foi o que vi REALMENTE de inovação.

SB disse...

ADOREI! Não diria melhor.

Anónimo disse...

Sem tirar nem por! E a das primas betas é mesmo verdade. Há um café no chiado a que eu só vou quando sei que tenho tempo e nenhum compromisso a seguir. Porque beber um simples café é uma verdadeira odisseia. Desde conseguir pedir o café, até ele vir para a mesa, passando por pedir a conta e finalizando na espera pelo troco... enfim... é desesperante!

Prezado disse...

KaffeeHaus, se calhar? só lá fui 2 vezes para beber uma jola. Nunca mais.

Sofia Bernardo disse...

Posso ser um bocadinho chata, posso? É Póvoa de Varzim, uma terra que muito prezo (e, já agora, estou contigo nessa "cruzada" contra as «novas soluções com um toque de tradicional». Assim de repente, só me apanham em tal coisa se for um speakeasy com músicos de jazz e o dress code for à 1920. E for, na loucura, Carnaval.

L. das horas disse...

Bem verdade. Estou farta dos hamburgers e do chão por pintar com bancos quase coxos e cadeiras sem costas. Arre. E não são mais baratos por causa disso...

Anónimo disse...

Falo do fábulas

Prezado disse...

Ah, esse é mesmo para demorar. Cada vez que lá vou é mesmo com muito tempo. ( nunca ).

Bruno Santos disse...

Este povo, que não sabe quem é, nem de donde veio (nem quer saber... a história é fascista e é uma seca), está sempre pronto para agarrar tudo o que interpretam como sendo trendy. Ele é hamburgueres gourmet, brunches, halloweens,gins, etc, etc. "É tudo o máximo e assim sigo as tendencias cosmopolitas do mundo globalizado", pensam estes labregos. Será que não têm noção do quão provincianos são. É que nestas manadas, há muita gente que considero letrada... Dass.