quinta-feira, março 10, 2016

Jamaica, Tokio e Europa: 3 canos, Cais do Sodré ao fundo

O Cais do Sodré vai deixar de ser o que era. Não vou levar isto pessoalmente apesar de tudo o que estas discotecas querem dizer. Vou antes explicar o que quer dizer o fim destes 3 sítios para Lisboa.
A perda do Jamaica é grave, mas somar-lhe a perda do Tokio e do Europa é declarar o fim da função reguladora do Cais do Sodré.
Ir ao Jamaica é voltar ao tempo das cavernas. Quase literalmente: Está sempre quente demais com luz de menos, e é sobrelotado por natureza. O suor escorre nas paredes. E entrar continua a ser um misto de golpe de sorte, encontrar par para tentar enganar o porteiro, e a sua boa vontade. Sem Jamaica estamos entregues à lei do mercado. Entrar no lux, por exemplo, é uma questao de dinheiro, a entrada compra-se. Entrar no Jamaica é lutar pela sobrevivência da espécie.
O Tokio era o "buffer" do Jamaica. Podem dizer que são iguais mas desenganem-se. O Tokio atende os rejeitados, os quarentões e todos aqueles que levam o Jamaica a sério e não conseguem lá entrar. Também é uma versão com menos suor e mais holofotes do Jamaica. É um paliativo.
Parecendo desconexo dos outros, o Europa é o destino de quem, continuamente, teve de confontrar-se com a realidade do mundo fora do binómio Jamaica/Tokio. Deep house e Drum&bass anacrónico às 7 da manhã não são uma opção, são mesmo um ultimo recurso. Toda a gente que está num after hours do Europa queria estar em casa a ouvir Jorge Palma.
Por isto, prevejo suicídios em massa, agitação social, terramotos e luto. Mas posso estar enganado.

PS. Acabar com estes e outros sítios - ouvi dizer que vai fechar o Estádio, o Ateneu e o Scandy - é acabar com o bas fond do centro de Lisboa e com o que ainda havia de genuino, os ultimos restos da noite (meio) indie. A próxima cena ainda vai ser beber copos nos bares africanos do Intendente. Aí a coisa ainda é brava.

1 comentário:

L. das horas disse...

Acho realmente mau fecharem esses sítios. O que mais frequentei foi o Jamaica, por solidariedade com os meus amigos. A lotação esgotada, o tipo de música e o suor das paredes irrita-me. Deixei de lá ir. Fui feliz no after do Europa. No Tokio nunca entrei, que me lembre... O cais vai deixar de ser o cais. É bem capaz de ficar um cais pop e betinho.