quinta-feira, outubro 04, 2007

Um público lixado

Entro no taxi, - boa noite - digo para onde quero ir e começo a rezar aos santinhos para que o taxista seja um pulha mal-humorado, um eremita de automóvel, anti-social que chegue para me poupar do sketch habitual.
Assim que digo "cemitério de Benfica", há uma pausa. Ambiente tenso, taxista entra numa busca espiritual, passam uns segundos largos. Ouço-os a pensar : " epa... p'ró cemitério, pois, mas não é bem. Mando a piada?.. ah, o gajo tem cara de que se vai rir. Cá vai..." De sorriso gingão, disparam:

- É para o cemitério, mas para o lado de fora, não é amigo?
- eh-eh-eh... é sim.

Bolas. E nem um buraco para me esconder. Merda. Merda. Merda. Pronto, já passou.
Pior é quando insistem e perguntam do campeonato ou pelo jogo de ontem.

- Então, o benfica? aquilo ontem é que foi uma tourada, o Katsouranis...
- Eh, eu não ligo muito a futebol.

Os taxistas deseperam comigo. Caladinhos que nem ratos.


E como não sou como o Luis Filipe Menezes, cito as minhas fontes: para escrever Katsouranis, fui ao Mais futebol ver o plantel do Benfica. E neste post não usei advérbios.

6 comentários:

mãe de dois disse...

eh lecas! o gajo não gosta de bola? é bicha ou quê?

gigi disse...

Oho!!! Sem advérbios! Aposto que foi difícil! :D

mãe de dois disse...

Dificil dificil era ser como o meu pai aos vinte e qualquer coisa anos: ser taxista e não perceber nada de futebol.

António P. disse...

Excelente. Parabéns e um abraço

Perdido disse...

Os advérbios foi complicado, sim. Eles saem a cada fôlego.

Obrigado António, abraço.

Susana Rodrigues disse...

Como diz o gaijo do "días de fútbol" (e é um filme, nao é um programa desportivo da TVE), ser taxista é quase como ser psicólogo...