quinta-feira, outubro 03, 2013

Neo-liberalismo de pacote

Não consigo deixar de achar piada a quando vejo um daqueles empresários que como é habitual vê o estado como uma sanguessuga muito pesada e cheia e se indigna quando esta não lhe apara um golpe. O estado é uma sanguessuga, mas é uma sanguessuga boa, apesar de tudo. Uma sanguessuga capitalista a sério não é isto. Até os neo-liberais de cá faziam cocó nas cuecas caso apanhassem com anarco-capitalistas a sério. Aqui fica o remédio para neo-liberais portugueses, porque a vida dá muitas voltas.

Repitam baixo o Mantra,


Eu sei lá se um dia fico no desemprego.
Eu sei lá se um dia fico doente e no desemprego.
Eu sei lá se um dia fico doente, no desemprego e sem dinheiro.


O neo-liberalismo de pacote caracteriza-se por ser defendido irracionalmente por pessoas que, a ser aplicado, seriam as primeiras a morrer à fome por falta de competência para se safarem por elas. Depois choram.

7 comentários:

São João disse...

Os neo-coisos portugueses são como aqueles putos estúpidos que ameaçavam os colegas na escola com a frase "eu tenho um primo que é dos comandos".

Prezado disse...

isto até tem piada.

Socialistas fazem contas com dinheiro que não é deles ( dizem os neo-coisos ) e os neo-coisos fazem contas com capacidades que tomam como deles. O mundo é uma selva e é dos mais fortes e eu sou ... ah espera não sou mas há quem SEJA MAIS FORTE e eu eu .. eu sou do lado deles e eles ah esquece

É interessante como ambas passam por uma ideia de "excepcionalismo" bimbo.

Izzie disse...

O Estado é muito chato quando cobra impostos, mas um amigalhaço porreiro quando distribui dinheirinho bom às pobres empresas vítimas da crise. Entretanto já toda a gente se esqueceu do dinheiro que os administradores ganharam em comissões a vender produtos financeiros de alto risco, os mesmos que puseram a empresa na situação de penúria. É a pescadinha de rabo na boca. Muita gente faz contas ao ordenado na fila do supermercado, outros tantos têm de encher o depósito do BMW para ir e vir do condomínio privado na Beloura para a sala da direcção. É a vida. E depois ainda se admiram de eu ser de esquerda.

Prezado disse...

Apoiar pessoas = perda de tempo. Apoiar empresas que pode ser que apoiem pessoas = óptimo.

calhou calhar disse...

É isso.

nsilveira disse...

os empresários não têm subsídio de desemprego.

e a segurança social não representa o grosso dos impostos.

eu torno-me liberalista - liberal sou sempre - quando olho para o meu recibo de ordenado e penso que com aquilo que eu e o pai descontamos (quase de 2.000 euros por mes) os nossos filhos podiam andar em colegios fantásticos e andam numa escola oficial onde não têm os professores todos colocados (mesmo gastando cada um um balurdio ao estado em educação).

depois passa-me.

Prezado disse...

E a alternativa é?

Sim, o estado não ajuda as empresas ( tanto como elas gostavam ). Mas as empresas ficavam com mais e podiam dar melhores ordenados ( tanto como elas gostavam ) Mas por mais voltas que a conversa dê:

Quando o estado dá abébias a empresas e das grandes, não vejo isso repercutir-se nos ordenados. Isto é: lá no meu mundo idealista, ainda vejo pessoas a trabalhar num trabalho de 8 horas diárias, por conta de outrém, e a não lhes chegar. É aí que acho que as coisas são assim a puxar para o injusto. ( eu usei a palavra "injusto", assim se vê como sou idealista )

Quando dá abébias às pessoas... Elas orientam-se. Mal ou bem.