segunda-feira, janeiro 21, 2013

Jantar anónimo

Manda a regra aprendida há uns anos que todos os jantares sejam marcados a horas incomuns ( aqui fica a dica, Pólo Norte explica melhor, que eu só tenho conhecimentos de psicologia na óptica do utilizador ), como às 20:46H, assim ninguém esquece. Infelizmente calhou apanhar gente pontual na mesma proporção em que se apanham deputados honestos: 3 já lá estavam, eu cheguei à hora certa, os convivas, os emigras, os que não amamentam e os quinados na testa chegaram depois.
O que se passou, como visto de dentro dos miolos do Prezado:
20:46 continuo no metro, a contar com o atraso previsto igualmente para todos. 21:00 vou a subir a rua e lá longe topo muito ao topo lá em cima uma blogger muito grande. Fiquei na dúvida se seria mesmo e esperei para confirmar. Fui lá dentro. Liga-me a emigra. Entretanto está um grupo de 3 pessoas muito agitadas, especialmente uma de coisas às cores. Só pantones. Vejo um tipo de barbas, pode ser que sim que seja, mas estando alguém que bate com a testa em todos os candeeiros da rua antes de entrar agachada no restaurante só pode ser esta gente sim bom, a dos sapatos mala oculos às cores tá aqui à frente só pode ser balbucio qualquer coisa, acho que grunhi uma cena qualquer, já não falava com pessoas desde março, GROOHN MESA, e penso Porra, é igual ao boneco. No 15º esquerdo lá em cima a outra a grande, pouco mais abaixo no 13º dto o barbudo.
Mesa, copos e silêncio. Como eu gosto. Curto bué gente calada. Especialmente porque em grupos faz-me confusão haver silêncio. Claro que atribuo isso à minha própria pessoa, como toda a gente, se estão todos calados é porque fiz qualquer coisa mal devo ter a braguilha aberta e vê-se a algalia ou tenho ranho pendurado no nariz ou então a secção de economia do Expresso tapa-me a cara e meia. Lá aconteceu, depois de 25 ice-breakers, arrancar um "hoje esteve cá uma ventania" de uma delas. Depois de falar de desgraças, as desgraças unem as pessoas foi o que eu pensei, no meu caso é design, mau patronato, psoríase e ser canhoto, mamei 3 imperiais entre isto, lá chega a anfitriã - e eu já a suar de tanto esforço com os ice-breakers - e daqui para a frente é uma espiral decrescente e aflitiva, um fuga da realidade sem ajuda de psicotrópicos e sem amamentar. Mais men menos men, a mesa passa a ser uma tábua de provas de mau gosto, desde canecas com cavalos a sabonetes de alcatrão passando pelo borda d'água que promete filhos fortes alvos e de olho azul a todos os portugueses - afro-descendentes incluídos - para 2013. Lançado o caos depois de já ninguém conseguir parar a ursa majoris, já só me lembro de vir a conta e invariavelmente vem ter comigo estou a ficar velho, os cabelos brancos dão-me uma aura desmerecida de respeitabilidade, há alguém que reclama que alguém meteu lá um queijo a mais mas quanto às 20 imperiais, já ninguém pôs a mão no fogo que estivessem a por a unha.
Tímida e igual ao boneco, uma das convivas meteu-se na alheta, perdendo a Fabiana e os seus incríveis dotes num ritual de iniciação que faço sempre questão de apresentar a quem vai ao Cais. O pessoal de fora reclama que aquilo não é strip a sério, segue-se longa discussão sobre as virtudes de strip de qualidade, a necessidade intrinseca de só ser feito por mulheres boas e a discussão óbvia sobre se a Fabiana é uma mulher ou duas.
Quando é que fazemos outro?

7 comentários:

Pólo Norte disse...

Aniversário de mámen?

trollofthenorth disse...

Damn. Ainda não consegui para de rir, aqui no meu 13° esquerdo. :)

São João disse...

Aqui o batatoon quer reforçar que é uma pessoa que sofre das cruzes e tem de se levantar cedo para ir à fisioterapia. E essa conversa da fabiana fez me lembrar uma stripper que trabalhava com os irmãos catita, mulher para ganhar ao braço de ferro ao Fernando mendes.

Prezado disse...

batatoon é muito bom MWAHahahaha

era uma valquíria?

São João disse...

Não, era a Michelle, uma senhora aí dos seus 50 anos. Mas depois casou-se e reformou-se. Uma profissional de peso.

Alexandra, a Grande disse...

Xiii, eu a tentar apagar da memória aqueles momentos desconfortáveis em que mandámos abaixo os programadores para não falarmos da temperatura lá fora e tu a eternizares a coisa...

Prezado disse...

Os meus relatos são fiéis. Por isso é que são longos.