domingo, dezembro 29, 2013

Palavra do ano

Empreendedorismo.


Mas daquele a sério.
O a-sério nunca aparece nem nos jornais nem na televisão. Porque é chato. Como todos os assuntos sérios, não tem nada que aparecer nos telejornais. Ninguém quer saber nada assim a fundo pela televisão. Não dá para filmar. Imagina o Shark Tank mas com muitas contas pelo meio, com muitos termos em inglês, bastante trabalho e com cláusulas de confidencialidade. É uma seca.
O que aparece nos jornais, na TV da manhã, nos Telejornais, pode ser o empreendedorismo tipo Pan-Pipe-Moods, uma mescla de ideias manhosas já conhecidas e embrulhadas de uma forma incomum ( que já é comum, entretanto ). Geralmente mete ideias que nada têm de novo, comércio a retalho mascarado de modernaço-retro.
Hoje ia a passear ao pé da Sé e vejo umas portas antigas abertas, à frente duas menina pintalgavam de rosa um escadote de madeira. Cheguei-me à porta e espreitei para dentro: Ainda em arrumações, mas já perto de acabado, um café lounge com sortido de cadeiras, sofás em segunda mão e mesas de café velhas. Prateleiras com tralha velha, candeeiros "design" a rematar. A sério, não viram já que isto não é original, já é só um pastiche, um visual "café original"? Já chega de pobre pseudo-pobre. Façam pobre mesmo.
 Depois pode aparecer o empreendedorismo neo-salazarista, miudas que fazem cupcakes/pins/crafts em casa, fadas do lar modernaças porque usam óculos de massa grandes. A minha avó fazia isso. Mas porque precisava mesmo do dinheiro.
Pode aparecer tembém o empreendedorismo Crónica-de-Nárnia, um que é só baseado em fábulas com muitos zeros e muito sucesso mas que na verdade é uma história para boi dormir. Para complicar o trabalho que fiz este ano, há o pior empreendedorismo de todos, o daquele marmanjo do punho, de lá de cima do Norte, que é no fundo um taxista motivado. Muita garganta, muita cena, deviamos amarrar os gajos a um pinheiro e meter-lhe fogo, mas depois vai-se a ver e não faz ponta. Toda a gente sabe para que é que servem os qualquer-treta motivacionais. Foi assim que nasceu muita religião.

3 comentários:

M D Roque disse...

Os fanáticos religiosos são os maiores empreendedores. E isso do vintage-a -cair-de-podre é chiquérrimo. O que melhor para imitar o antigo do que o próprio antigo- mofado ?
Aproveito para desejar ao caro Prezado que tanto me apraz ler, um excelente 2014. Costumo desejar. "Saúde e Paz, porque o resto a gente faz" mas acrescento no seu caso grandes resultados de tanto empreendedorismo. Xi<3 da D

Prezado disse...

Esperemos que sim, a ver vamos.
Bom ano, MD

Miss Complicações disse...

É exactamente o que eu penso.