terça-feira, outubro 21, 2008

O taxista em 3 actos - Acto I

Apanho o taxi, já noite, a chover.
"Boa noite, é para onde?" - digo-lhe o sítio do costume, lá falha na piada costumeira sobre o cemitério. Boa.
-"Afinal sempre há dinheiro. Basta haver chuva, já se apanham taxis."
Lá concordo, acrescentando muito sabiamente que há mais tolerância à chuva se estivermos for próximos do fim do mês.
-"Lá isso o amigo tem razão..."
Claro. Eu até adoro dizer clichés...
-"Sabe, eu cá deixei de procurar dinheiro. Quando o dinheiro quer vir ter connosco, ele vem. Não vale a pena lutar, o destino encarrega-se de tudo."

Fiquei meio sem jeito. Pensei ter encontrado um ser espiritual, cheio de aceitação e resignação perante as agruras da vida, capaz de meditação transcendental a fazer o pino durante 21 dias de seguida, um iluminado. Descreveu então como era o dia-a-dia no seu trabalho... Chegava bem cedo, ia ver os emails ( achei positivo, perante um cinquentão de bigode e de blusao de napa castanho ) , que tinha um amigo porreiro que lhe enviava uns mails "com gajas boas" ( pronto, lá se foi a cultura ) , tomava um café, lia o 24 Horas, ia ao blog do clube dele ver as novidades e nisto fazia-se meio dia e meia, meio dia e meia é uma, uma é almoço, almoço é à pála. Partilha que depois de almoço lá lhe dava a soneira, dormia um pouquito e depois lá ia à casa de banho acabar de ler a secção económica do 24 Horas (obrigado pela partilha, Sr. Manel ). Eventualmente, lá para as 5 da tarde, avaliaria se valeria ou não a pena acabar o trabalho que tinha para o dia, ou se passava para o dia seguinte.
Ouvem-se vozes celestiais, é o paraíso português. Fim do acto I.

1 comentário:

A maquinista disse...

O Superego faz parte do aparelho psíquico da psicanálise freudiana de que ainda fazem parte o ego (eu) e o id.

Representa a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, particularmente, a repressão sexual. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do "eu ideal", isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.

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