quarta-feira, setembro 12, 2012

By the way

Ainda não é desta, claro. Se formos a ver bem, assim de fora, lá em baixo no vale vêem-se tipos a refilar no facebook, mas só refilam, cá fora são só meia dúzia e têm mais que fazer, a vida não pára. O tempo das revoluções selvagens com que sonham foi há muito, nunca passou por cá. Para aplacar isto tinhamos de ter guilhotinas na Praça das Flores, no Terreiro do Paço, na praça do município, no Campo Pequeno e parece-me que nunca fomos amigos de nos magoarmos assim, aquilo corta e é uma chatice se calha no pescoço de quem vá distraído e sem culpa. Passado há muito o tempo das guilhotinas que nunca usámos sobra-nos andarmos chateados, mas um tipo ou vinte tipos chateados não é o mesmo que uma turba de camponeses ávidos de brioches. Nos anos 70 do século passado, não havia guilhotinas mas havia revolução selvagem. O Punk foi uma revolução, não era só música, a raiva era real, a gritaria era real, os dentes partidos, as guitarras, os amplificadores as cabeças o mosh e as biqueiradas também. Passados uns anos, uns vinte, apareceram uns punks novos. A música era parecida, as botas também, mas quando era a hora de partir a guitarra, escolhiam pousá-la no chão.
Hoje, quarta feira, estamos todos quietos à espera. Nunca mais é Sábado para a revolução.

5 comentários:

Henrique Caldeira dos Santos disse...

A revolução vem devagarinho, em sussurros e de cabeça baixa, a espasmos. A austeridade empobreceu o ânimo e a vontade. A revolta é cada vez mais virtual e o virtual enfraqueceu a autenticidade. Estamos, cada vez mais, imunes à realidade, resignados.
[Sinto que estou a invadir um espaço, sem revolta. Entrei sem bater à porta e sentei-me a um canto. Li que havia finos para a mesa do canto e, entretanto, talvez venha o tal sábado.]

senhorita valdez disse...

Concordo em parte. É facto que somos um povo que nos últimos tempos se tem contido, ficando-se pelas discussões de café. Não acho que seja um estado irreversível. As coisas estão a chegar a uma pouca-vergonha tal que já ninguém fica indiferente, ninguém deixa de ter opinião. Daí a passar à acção é só um passo.

Olha, eu estou como a Helena:
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldas9/article1620997.ece

calhou calhar disse...

Bom post.

Prezado disse...

Obrigado. Calhou.

calhou calhar disse...

calhar
:p