terça-feira, maio 01, 2012

A diáspora feita em casa

Acabem com a praça das Caldas e vão ver
 Saí da cidade e fui de volta ao campo que me viu não me viu nascer como diria o Tony Carreira, que para aqueles lados o campo é pouco dado a lamechices: é mais currais adegas e vacarias. O fim de semana: Perdido no Oeste.
Voltei passados 30 anos. Cedo desterrado, habituado às duras e rudes gentes da cidade, estranhei estas gentes do Oeste. Quase todos família, as gerações mais novas a fugir para as cidades mais a sul - traidores a quebrar as nobres linhagens que prestavam homenagem a Salazar e ao PSD ( dentro de portas é Salazar Salazar Salazar, a votar é psd psd psd lagarto lagarto lagarto ) - e os campos ao abandono, é que a última vez que obedeceram ao Cavaco ele disse-lhes para largarem a terra e foderam-se, agora querem que ele se foda obviamente.
Metendo a mão dentro do manto, sente-se
algo como o êxtase de Santa Teresa
mas na óptica do utilizador
Pantocratores
Política à parte, assuntos sérios sobram no Oeste: há um excesso de igrejas e religiões. Pior só lá para o Norte. Mas as do Oeste são pioneiras e por isso mais influentes, é terra de profetas. Muitos foram para lá para fora e levaram o método deOeste. Meca presta vassalagem à Nazaré, por exemplo.
É também da Nazaré a origem do verdadeiro Pantocrator. Cientes da sua importância, repetem-no até à exaustão e expôem-no, nas praças.
Arco iniciático da nacional 4, direcção sul


Mais a sul, depois de passar o aqueduto iniciático de Óbidos e dar 7 voltas à rotunda sagrada, passando o cruzeiro e a porta da Vila, acedemos ao umbigo do mundo, a Igreja de Santa Maria. É aqui que Prezado é baptizado no século passado, ritual inventado a propósito a fim de salvar a humanidade dos seus pecados depois de alguém jejuar no topo de uma montanha durante quarenta dias e quarenta noites até uma agulha dum camelo passar o mar vermelho ou qualquer coisa assim, não me lembro bem porque era mesmo pequeno e não pude dizer que não, o que é certo é que assim é meu o reino dos céus.
Sic transit gloria platanus
Deixando Óbidos para trás com a certeza que fui abençoado que fui, foi com bonomia e um franco sorriso que consegui então passar a prova de fogo do circuito iniciático do Oeste, a observação do Arranjo de mesa Sagrado. A certeza que as manifestações do divino também se processam pelo caminho da falta e do erro convexa neste ponto. Vou deixar a imagem falar por si:
É sagrado porque ninguém lhe toca, foda-se.

 Observado o jejum obrigatório, dividiu-se a terra em partes iguais, benzendo-a com uma auto-motora em direcção a Lisboa. Oeste on my mind.

A Linha do Oeste.

7 comentários:

bluesy disse...

O êxtase de Santa Teresa é em 4G já? Ou ainda te contentaste com a versão 2.0?

Julie D´aiglemont disse...

Aquilo que fizeram à fruta é pecado. Que merda é aquela?

Prezado disse...

Bluesy,

Pelos relatos originais, Santa Teresa teve contacto com um Poltergeist de nível 5. Eu nem meti ali a mão, imaginas o que pode lá estar? Que se pode esperar de uma freira da idade média?

Julie,

É um ritual macabro e eu não pude fazer nada, quando cheguei já estava assim.

Rachelet disse...

Que te console pelo baptismo onde não consultaram a tua pessoa o facto de eu ter feito nessa mesma igreja um berreiro descomunal em que me recusei cá a levar alianças aos meus padrinhos (claro que depois fiquei a odiar de morte a pobre cunhada da noiva que me substituiu na tarefa). Mas pronto.

Prezado disse...

Rachelet, esta igreja é mais requisitada que o pavilhão Atlântico.

calhou calhar disse...

és da Nazaré?
(onde estou em com a cachimónia? ninguém é de Lixboa, só vem cá(ou lá, depende donde estejas)tudo parar. é o chamado exodo rural, aeh eh)

Prezado disse...

Sou de Lisboa. Aí é que está o engano, eu sou bimbo mas da cidade.