quinta-feira, setembro 09, 2010

Sobre a casa pia e a entrega do acordão, cabe-me dizer:

Quando ouvi as noticias sobre o atraso da entrega do acordão aos advogados de defesa do condenados, entrega adiada várias vezes, justificada por um "erro informático", percebi logo que o problema da Justiça em Portugal é o problema de Portugal: Mau hardware, que nos fode naqueles momentos em que é mesmo preciso.

- Senhora doutora Juiza, é a impressora! Estava a imprimir o acordão, mas são 400 páginas, vezes 7 arguidos, ainda fui à Staples comprar mais tinteiros - tá aqui o recibo, vou entregar à Madalena da contabilidade até à hora de almoço - mas depois ela encravou, enquanto estava a preparar o print a seguir, Senhora doutora Juiza.
- Despache isso, homem. Meta no Draft, é só letras, a preto e branco, é mais rápido.
- Senhora doutora Juiza, mas já está. E ainda só vai na 3ª cópia, passei cá a noite e os jornalistas já aí estão, Senhora doutora Juiza.
- Olhe, despache-me isso. Resolva-me o problema, é para isso que está cá.
- Senhora doutora Juiza, é o computador, já crashou 5 vezes. Pumba, Senhora doutora Juiza, agora foi a sexta.
- Olhe, Gonçalves, vamos passar isto para 4ª feira, tá bom para si?


Só um designer compreende.

11 comentários:

Menina Veneno disse...

Shame, shame...

Capitu disse...

Ó se fosse só isso... e quando está muito ebm a imprimir e ela puxa doisa papéis e fica metade do texto numa página e metade noutra. Vês a trabalheira? Pois... eu também percebo. Não sou designer, mas imprimo testes em casa e sei bem o que aqueles tribunais não devem penar.
By the way, e já que a conversa assim o permite, por onde é que anda a gaja chamada Raquel?

Prezado disse...

Por aí se vê como é difícil mudar a justiça neste país. Imagina que um folha encrava entre dois acórdãos e um gajo que roubou uma maçã apanha com uma folha encravada de outro processo, e acaba com condenado a 2 meses de prisão domiciliária, com pulseira electrotécnica no fogueteiro, durante 2 anos, com saída em precária após 17 anos de bom comportamento?

A gaja Raquel hoje tá murchinha, diz que teve sonhos maus. Anda por aí. Não está na sala, não.

marta morais disse...

Tu és um lírico...
Primeiro pões o sr Gonçalves, funcionário público, a ir à Staples e largar do seu próprio bolso para tinteiros, quando o que o sr Gonçalves, funcionário público, faz quando faltam tinteiros é: sai do seu local de trabalho em direcção ao armazém com a requisição para tinteiros na mão > aproveita para ir lá fora fumar um cigarrinho e conversar com o carlos da seguritas que por acaso é seu primo em segundo grau, chega ao seu posto de trabalho 2h depois com a requisição para os tinteiros carimbada pela menina do depósito e com data prevista de entrega dos tinteiros para daqui a 3 dias.
Depois, e com essa ri-me mesmo à brava, pões o sr Gonçalves, funcionário público, a passar a noite no emprego para adiantar trabalho! LLLLOL

Prezado disse...

Tas a ver a mente retorcida de um designer.....

António P. disse...

Pois, caro Prezado.
Para o hardware ainda podemos ir à Staples ou chamar um técnico para reparar a impressora.
Neste caso dá-me ideia que é mais o software..ou seja o cérebro da Sra. Dra. Juiza ( se é que o tem).
Um abraço

Prezado disse...

Mais a sério, a maneira amadora como tem sido só esta parte da entrega ( que será só isso, uma entrega ) dos acórdãos finais, não percebo como é que alguém que sabendo que está sob os olhares de toda a gente, num momento em que precisa de ser bem melhor que a mulher de César, se deixa cair numa cena assim patética. Se calhar é simples, como diz... Falta de cérebro. Abraço.

Tulipa disse...

É mau demais, é realmente o reflexo de como funcionam os nossos serviços.

marta morais disse...

Oh sôtôra Juíza, agora é que foi, não encontro o ficheiro em lado nenhum!! ... acho que isto deve de estar com vírus.

Cuca disse...

Prezado, o seu pequeno delírio está infinitamente mais próximo da realidade do que aquilo que se possa pensar.

Prezado disse...

Tirando as partes que a Marta sabiamente aponto, acredito mesmo que sim.